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Suicídio – Vamos Abrir O Jogo!

deus

A graça de Deus vai muito além de onde nossa mente limitada e pecadora consegue chegar.

Denis Versiani

Índice do Suicídio: A cada 40 segundos em média, uma pessoa no mundo põe um fim à sua própria vida, totalizando quase 1 milhão de mortes por ano. A média Brasileira está entre 6 e 7 mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial. Mas, o que preocupa é que, enquanto a média mundial permanece estável, esse número tem crescido rapidamente no Brasil. Ao todo, 32 brasileiros morrem por dia como vítimas de suicídio, sendo que maior porcentagem é registrada entre jovens de 15 a 24 anos. Embora as meninas tentem mais vezes, normalmente os meninos se matam mais.

Falar sobre suicídio causa vergonha, preconceito e tristeza. É um assunto cercado de tabus. Pessoas à volta, até mesmo familiares, muitas vezes não conseguem compreender porque alguém tenta se suicidar. Muita gente ainda vê o suicídio como um pecado sem perdão, um ato de possessão demoníaca. Sendo assim, por mais que isso cause mal estar, precisamos ser francos e entender o problema para se buscar uma solução! Ao ver o que a Bíblia tem a dizer, você pode chegar à conclusão de que a graça de Jesus vai muito além de onde se pode imaginar para nos salvar das nossas angústias mais profundas!

Deus, como doador da vida, a considera como o bem mais precioso. Em Gênesis 2:7, “Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Por isso, renunciar a vida é renunciar o maior dom que o Criador nos deu. Deus deixou um claro mandamento: “Não matarás” (Êxodo 20:13). “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gênesis 9:6).

Por isso, precisamos abrir o jogo: suicídio é pecado! Embora a Bíblia não fale claramente sobre o pecado do suicídio, ela diz que matar, não importando quem, é um dos mais graves crimes contra a humanidade, uma aberta violação contra o sexto mandamento de Deus, pois o homem foi feito para viver, não morrer. O suicídio é um crime tão grave quanto o homicídio por assassinato, pois quando alguém, por vontade própria, tenta tirar a sua vida, está destruindo em si a imagem do Criador, o doador da vida.

O problema é que, muitas vezes, nós vamos além no nosso julgamento, e julgamos as motivações que levam uma pessoa a pecar, sem conhece-las. Quando fazemos isso, entramos em um terreno arriscado, e nos colocamos no lugar de Deus, o único que conhece as motivações de cada coração. Não estamos diminuindo a gravidade do pecado ao dizer isso. Mas, ao julgar se as motivações eram legítimas ou não para alguém cometer suicídio, corremos o risco de rotular, taxar essa pessoa como perdida para sempre nas mãos de Satanás. Dizer que não há perdão para suicídio é uma falácia. Ao nos depararmos com algo tão triste, precisamos faze-lo com muito cuidado e respeito, e não emitir nenhum veredicto, porque a graça de Deus vai muito além de onde nossa mente limitada e pecadora consegue chegar.

A Bíblia fala de pessoas que tiraram a sua vida, como Saul, que se viu sem saída na batalha contra os filisteus. Saul tomou sua espada e se matou (1 Samuel 31:1-5). Outro triste fato registrado na Bíblia é o de Judas que, vendo Jesus ser condenado sem reação contra seus opressores, se encheu de remorso. Considerando seu caso perdido, amarrou uma corda em seu pescoço e tirou sua vida.

Rebeldia, orgulho, culpa, remorso, covardia, medo da derrota ou das consequências de seus erros são algumas das razões para que uma pessoa cometa esse ato extremo. A pressão das consequências é tão grande que, em vez de admitir seus erros, e enfrentar as consequências com coragem e humildade, escolhem acabar com a própria vida. Isso não acontece de uma hora para outra. No caso de Saul, ele já estava caminhando num processo consciente de desobediência a Deus que, a despeito das advertências de Samuel, continuou em progresso. Com Judas, foi a mesma coisa. Veja o nosso artigo sobre esse discípulo que desperdiçou o seu grande potencial por orgulho.

JUDAS, CONVENCIDO, MAS NÃO CONVERTIDO

As razões citadas aqui são o resultado de insistência em caminhar no erro. Até que a pessoa vê que seus projetos não deram certo, e conclui que a única solução é acabar com sua vida.

Outra causa para atos suicidas é o consumo de álcool e drogas, que pode degenerar as conexões cerebrais e gerar sinapses nocivas, em virtude do descontrole mental e emocional, da fissura ou da crise de abstinência, levando seus consumidores a atitudes suicidas, como, por exemplo, realizar os famosos desafios das redes sociais, ou tentar escapar do sofrimento pela falta do consumo.

Alguns perguntam se Sansão se suicidou. Acredita-se que a morte de Sansão, relatada em Juízes 16:23-31 não foi um ato de suicídio, mas um ato de sacrifício consciente pela libertação do seu povo e vingança pela sua humilhação. Sansão reconheceu o seu erro e se arrependeu. Somente por meio do seu arrependimento, poderia receber o perdão e a força de Deus para realizar o seu último ato, destruir o templo de Dagom e libertar Israel, mesmo que, para isso, tivesse que morrer.

Voltando ao tema, as razões acima não são as únicas causas de suicídio. Vivemos num grande conflito entre Deus, que luta para salvar a nossa vida, e Satanás, que luta por destruí-la, e erradicar a imagem do Criador no ser humano. Embora as ações de Satanás sejam relativamente limitadas, ele faz de tudo para tornar a nossa vida a mais miserável possível. Foi assim com Jó: em menos de trinta segundos, Jó ficou sabendo que perdeu suas fazendas, seus gados e seus dez filhos (Jó 1:13-22). Dias mais tarde, Jó foi acometido pela pior praga mortal que um ser humano poderia ter; mas ele não morreu (Jó 2:7-13). Tudo isso foi causado por Satanás. Mesmo que fosse o mais paciente dos homens, Jó teve profundos pensamentos suicidas: “Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela?… Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e então, haveria para mim descanso” (Jó 3:11-13 – leia todo o capítulo 3). Jó só não tirou a sua vida, embora quisesse, porque confiava que o seu Redentor vive e faria justiça por ele (Jó 19:25).

Doenças, cobranças sociais, medo, ansiedade, inadimplência, fracasso, rejeição, humilhação, bullying, abusos, altos padrões de consumo, sucesso e beleza, relacionamentos e famílias destruídas são duras realidades de uma sociedade com padrões invertidos. É muito fácil se dar mal num mundo cruel como esse que vivemos, onde um quer devorar o outro. Embora Jó nunca tenha perdido sua confiança e Deus, ele se revoltou contra aquela situação e cobrou justiça de Deus. Toda essa pressão pode nos levar à depressão profunda.

A Bíblia trata sobre a depressão, muito antes de ela ser catalogada dessa forma na Classificação Internacional de Doenças (CID). Provérbios 15:13 diz que “o coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate”. “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22). Portanto, vemos que a depressão, aqui chamada de “espírito abatido”, causa transtornos de humor e problemas psicossomáticos graves, como osteoporose, entre tantos outros.

Por isso, caro leitor, antes de dizer que depressão é falta de Deus, entenda que essa é uma doença que pode se instalar gradualmente ou com rapidez na mente humana, dependendo da situação traumática que se sofre. Todos nós estamos sujeitos a isso. O próprio Jesus, não sendo pecador, teve profundos sentimentos depressivos por causa da angústia diante do maior sacrifício que um ser humano suportou: carregar a condenação dos pecados de toda a humanidade sobre si. “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Marcos 14:34). Sua depressão foi tão profunda que ele sofreu hematridrose, suou gotas de sangue.

Por que estamos falando de depressão? Porque a depressão é a causa de 70% dos suicídios no mundo. A grande ironia sobre isso é que, caro leitor, você não precisa estar passando por uma situação de crise na sua vida. Muitas vezes, você pode estar experimentando sucesso financeiro e vivendo em uma família estável. Pode ser que você esteja indo bem na faculdade. Mas, algum tipo de cobrança profissional, excesso de atividades, exposição prolongada às redes sociais e equipamentos eletrônicos, má alimentação, falta de exercícios e atividades ao ar livre podem causar depressão, que, se não for diagnosticada e tratada, pode levar a transtornos suicidas.

Além de Jó, a Bíblia apresenta muitos outros casos de pessoas que tiveram pensamentos suicidas. Foi o caso de Moisés, um grande líder diante dos repetidos episódios de rebeldia do povo de Israel (Números 11:10-15); de Elias, o maior profeta dos judeus, que sentiu uma estafa profunda após o conflito com Acabe e os profetas de Baal (1 Reis 19:4); Jonas, que estava profundamente magoado com o povo de Nínive e com Deus (Jonas 4:3), pessoas que andavam com Deus, mas estavam tão cansados que preferiam que sua vida acabasse.

Veja o caso de J., uma mulher de sucesso, com um bom marido, mas que não conseguiu lidar com a cobrança do seu sucesso profissional. Chegou uma hora em que ela não queria mais sair da cama. O caso ficou grave quando ela começou a se autoflagelar. Algumas vezes, o marido dela a encontrou atentando contra a própria vida.

Na depressão profunda, a insanidade às vezes se torna a causa de suicídio. E., uma boa mãe, com uma linda filha e um bom marido, morando num bom apartamento, carregava uma angústia tão profunda em seu coração que, quando ela se deu conta, estava caída no jardim do seu condomínio, com vários ossos quebrados. Ela só se lembrava de uma luz, e caminhou para ela. Sem saber, pulou da janela da sala do seu apartamento no terceiro andar. Ela estava sob o efeito de antidepressivos.

Alguns antidepressivos controlados podem causar impulsos suicidas em pacientes com depressão profunda. Por isso, como podemos julgar que não existe perdão para pessoas assim?

A grande maioria das pessoas que tentam suicídio não tem a clara intenção de acabar com suas vidas. Elas simplesmente querem escapar da dor insuportável que sentem. Esse foi o pensamento de Moisés, Elias e Jonas, heróis da fé. Embora não atentassem contra sua vida, eles desejaram morrer para escapar da tristeza ou do estresse profundo. Mesmo assim, a vontade de viver sempre aparece frente ao desejo de se autodestruir. Foi isso que salvou J. na sua última tentativa. Foi nesse momento que ela encontrou a luz da sala acessa. Quando ela chegou lá, a TV estava desligada, mas havia uma Bíblia aberta na mesa de centro, iluminada pela luz que vinha da janela. Naquela noite, ela começou um duro processo de recuperação.

Por isso, não podemos tomar o lugar de Deus ao julgar um suicida (Mateus 7:1-5). Por mais angustiados que fiquemos quando alguém próximo a nós tente ou cometa suicídio, precisamos deixar o fardo de julgar se ele estará salvo ou perdido para Deus; se não, vamos ficar loucos! Mas, se você passa por isso, entenda uma coisa: Salomão diz que Deus trará a “juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:14). Lembre-se que o seu julgamento não é punitivo, mas redentivo. É claro que o suicídio é um pecado mortal, mas não podemos dizer que não há perdão para ele, porque cada caso é um caso específico, que será julgado por um Deus que é amor (1 João 4:8), que conhece todos os nossos pensamentos (Salmo 139:1-3) e que se interessa em salvar aquele que se havia perdido (Lucas 19:10).

Se você já tentou ou pensa em tirar a sua vida, pare agora! Não tenha vergonha de pedir ajuda. Abra o seu coração a um familiar, amigo confiável ou conselheiro. Você precisa realizar um tratamento médico com um profissional cristão. Há, sim, uma chance de restauração!

Mas, se você conhece alguém que está passando por isso, não perca tempo. Pergunte: “O que eu posso fazer para ajudar você?” Assim, essa pessoa pode ter uma abertura para desabafar. Não se preocupe com o que você vai falar; apenas ouça atentamente o que seu amigo tem a dizer. Ajude-o a procurar tratamento médico especializado, e mantenha a privacidade dele. Esse foi o caso da família de E. e do marido de J., que perceberam o que estava acontecendo e monitoraram a situação bem de perto. Há chance de restauração, mas as providências precisam ser tomadas.

CVV

Duas coisas são imprescindíveis para viver: gratidão e bondade. Geralmente, quando estamos deprimidos, só olhamos para a nossa aflição, e nos esquecemos de olhar para Deus. Mas, quando você olhar para cima, você vai entender que o seu coração está batendo, você tem ar para respirar, água e pão, por mais escasso que pareça; e que você não está completamente sozinho, embora ache que está. Querido amigo, todo dia Deus lhe dá bênçãos, pequenos milagres, mesmo em meio à aflição. Será que esses não são motivos para agradecer?

Além disso, quando você olhar para os lados, vai ver muita gente que precisa de ajuda. São sofredores, pobres, solitários em busca de um amigo como você, que entenda os seus problemas. Aventure-se a praticar a bondade e a cooperar com os outros em suas dores. O maior beneficiário é você, pois a gratidão e a bondade agradam a Deus e produzem neurotransmissores que estimulam emoções positivas no cérebro. Acredite, você é mais relevante do que imagina! Expressar a gratidão a Deus fazendo o bem aos outros é uma poderosa terapia para vencer a tristeza e reavivar o desejo de viver (Lucas 10:25-37).

Mas, amigo, embora terapia, o exercício do otimismo, gratidão e boas ações sejam importantes, a cura está em Jesus Cristo. É com estudo da Bíblia e joelho no chão, confissão aberta das suas angústias e pecados, suplica por perdão e poder para vencer essa tendência para o mal que temos dentro de nós que podemos ser vitoriosos. Não se esqueça de que Deus já sofreu o que você está sofrendo (Hebreus 4:15). Ele está ao seu lado no vale da sombra da morte (Salmo 23:4) e não vai deixar vir sobre você tentação mais forte do que você possa suportar (1 Coríntios 10:13). Ele vai dar forças para você resistir ao diabo (Tiago 4:7). Portanto, apegue-se àquele que diz: “Meu filho, Eu vim para que você tenha vida em abundância (João 10:10)”.

Equipe Biblia.com.br

Sentimentos e Emoções

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Denis Versiani é Mestre em Teologia.

O que Você Faria se Visse Deus?
Judas, Convencido, mas não Convertido