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Jonas, O Profeta Engolido Por Um Peixe

graça

28 de agosto de 2019

A graça de Jesus Cristo que salvou a Jonas e a Nínive está disponível a você.

Contexto Histórico

“Nada pode, na verdade, preparar você para um evento em que você acaba dentro de uma baleia. É puro instinto!” Essa é a história de Rainer Schimpf, que estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentavam de sardinha a 25 milhas náuticas de Port Elizabeth, na costa sul-africana. Era um lindo e ensolarado dia, e o mar estava calmo. “Eu estava fotografando um tubarão que se preparava para atravessar o cardume… No momento seguinte, ficou tudo escuro, e eu senti uma pressão ao redor da minha cintura; e, no momento que senti essa pressão, eu logo soube que uma baleia me abocanhou”. Rainer disse que o seu instinto imediato foi prender a respiração, pois ele sabia que poderia ser levado para águas profundas. Baleias Bryde podem chegar facilmente 20 toneladas, e mergulham rápido. Com toda essa massa, facilmente sua boca poderia esmagar as costelas de Rainer, ou poderiam leva-lo a uma profundidade em que ele certamente morreria. Mas, as baleias Bryde, mesmo sendo gigantes da natureza, são conhecidas por serem animais muito dóceis. Poucos segundos depois, cerca de 15 metros adiante, a pressão foi aliviada, e Rainer foi expelido da boca daquele incrível animal. Cremos que a baleia ficou tão assustada quanto Rainer, porque é incomum que uma baleia engula uma foca, um golfinho ou qualquer outro animal.

Histórias assim são extremamente raras, e Rainer teve muita sorte. É claro que a história dele lembra a de alguém que não só ficou preso na boca de um peixe, mas foi engolido, e ficou lá por muito mais tempo.

A história de Jonas é uma das histórias mais impressionantes da Bíblia. Como alguém pode sobreviver por três dias dentro do estômago de um peixe? Mas esse é apenas um detalhe de uma história envolvente que apresenta um Deus sempre interessado em salvar.

“Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim” (Jonas 1:1, 2).

Jonas, filho de Amitai, de Gate-Hefer (2 Reis 14:25) aceitou o chamado de Deus para promover uma reforma política e espiritual na nação de Israel durante o reinado de Jeroboão II, no período provável entre 793 e 753 a.C. Isso fez de Jonas um profeta influente em Israel durante um período de grande angústia nacional provocada pelos reis anteriores, que fizeram o que era mau perante o Senhor. Existe um consenso de que o livro de Jonas tenha sido escrito pelo próprio profeta.

Durante essa reforma, Deus chama Jonas para a missão especial de advertir a Nínive dos perigos da sua crueldade. Nínive era a capital do império assírio, uma nação idólatra conhecida por exercer dura repressão sobre os povos dominados. Naum chamou Nínive de “cidade sanguinária”, “cheia de mentiras e roubo” (Naum 3:1; veja 3:19). Mas, se Deus chamou a Jonas para clamar contra ela, isso significa que Nínive ainda não estava totalmente perdida.

A afirmação de que Deus é amor permeia toda a Bíblia. Deus não tinha interesse na destruição de uma cidade com mais de cento e vinte mil habitantes. Ele exerceu a sua graça sobre Sodoma e Gomorra, tentando salvar seu povo por mais de quatrocentos anos antes de destruí-lo. Mas aquele povo decidiu obstinadamente por rejeitar a Deus (Gênesis 18:20, 21); e Nínive estava seguindo rápido pelo mesmo caminho, e precisava ser avisada, antes que passasse do limite da graça.

“Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis; e tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor” (Jonas 1:3).

A Bíblia não deixa claro quais foram as motivações de Jonas, mas, lendo o livro todo, parece que ele nutria algum rancor muito profundo pelos assírios, provavelmente pelo fato de que o império assírio por vezes oprimiu a Israel. De fato, anos mais tarde, o reino do Norte foi totalmente destruído pelos assírios. A nação foi espalhada pelo império e a cultura das tribos do norte foi desintegrada. Pode ser que algum familiar de Jonas tenha sido levado cativo ou morto pela crueldade dos assírios, ou que Jonas tenha testemunhado essa crueldade e julgado que eles já estavam além da graça de Deus (veja Jonas 4). O fato é que ele achava que Deus estava errado em salvar aquele povo impiedoso.

Jonas fugiu da presença de Deus, ou pelo menos se enganou achando que podia. O chamado de Deus levou Jonas a um estado de profunda depressão. Era um chamado duro demais. O profeta realmente pensava que, se não pregasse, Deus manifestaria a sua ira e destruiria a capital assíria, livrando Israel da opressão dos seus inimigos (Jonas 4:2).

Sendo um profeta israelita, Jonas conhecia o Salmo 139, que reconhece a onipotência de Deus. “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.” (veja Salmo 139:7-12). Mas a mágoa que o profeta sentia não o fez pensar direito. Ele fez exatamente o que o salmista escreveu, enganando-se com a ideia de que podia se esconder de Deus. Por isso, tentou fugir para Társis, uma cidade que se situava na costa sul da Espanha, do outro lado do Mediterrâneo a quase 4 mil quilômetros de Israel.

A Tempestade e o Grande Peixe

O livro segue o relato dizendo que, em alto mar, o navio foi atingido por uma violenta tempestade. Os marinheiros tentaram de tudo para manter o navio a tona: jogaram a carga e clamaram aos seus deuses por livramento. Enquanto isso, Jonas, para esquecer a angústia em que estava mergulhado, dormia profundamente no porão. Os marinheiros sentiram que essa tempestade era muito estranha, e recorreram às suas superstições para descobrir quem teria causado essa tempestade. O Senhor se valeu do método para determinar o culpado, de modo que “a sorte caiu sobre Jonas” (Jonas 1:7).

O profeta admitiu sua culpa perante os marinheiros e pediu que fosse lançado ao mar; só então, a tempestade se acalmaria. Quando Jonas foi lançado ao mar, a fúria da tempestade se acalmou (Jonas 1:15), e Deus se fez conhecer àqueles marinheiros. Foi então que “deparou o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe” (Jonas 1:17).

Existe uma outra história que conhecemos de alguém sendo engolido por um peixe. Pinóquio, o menino de madeira criado pelo mestre Gepeto que adquiriu vida se envolveu com maus amigos e foi engolido por uma baleia, ou por um tubarão, o grande “Átila dos mares”; mas essa é apenas uma fábula.

Caro leitor, é um erro pensarmos que Jonas, como Pinóquio, tenha sido engolidos por uma baleia ou por um tubarão. Estudos dizem que até a baleia azul, o maior mamífero dos mares não poderia engolir um homem. As baleias possuem um dispositivo chamado “barba de baleia” para filtrar o alimento que se constitui de pequenos peixes, lulas e krill, um crustáceo minúsculo. Mesmo que uma baleia possa engolir um homem acidentalmente, ele seria esmagado assim que ela fechasse sua boca; e se a vítima fosse sortuda, provavelmente morreria entalada na garganta do animal, porque o esôfago não é largo o suficiente para passar um humano.

Então, que animal foi esse? O livro não indica se o peixe foi criado por Deus para a ocasião, ou se o Senhor usou algum já existente capaz de engolir um homem. O hebraico usa uma palavra genérica para “peixe”. Mas quando Jesus falou sobre esse relato, Mateus usou a palavra grega “ketos”, que significa “monstro do mar” (Mateus 12:40). Uns pensam que era o leviatã de Jó 41:1, ou alguma espécie extinta de cachalote. Mas, especular sobre isso é irrelevante para a história.

O que é importante saber é que Jonas não foi apenas engolido, como permaneceu vivo “por três dias e três noites” no ventre do peixe. Embora seja totalmente incrível, esse fato foi real, a ponto de ser citado pelo próprio Jesus. Estamos acostumados a ver imagens infantis de Jonas ajoelhado orando a Deus dentro do peixe. Mas, não foi assim. No estômago daquele peixe, o suco gástrico entrava em seu nariz e boca e queimava a sua pele e as mucosas. O cheiro tóxico de amônia, monóxido de carbono e metano dos animais e algas em decomposição deveria ser terrível e sufocante. Ele não tinha onde se apoiar e, conforme o animal se movia, tudo se movia, e Jonas deve ter pensado por várias vezes que morreria afogado ou digerido. Aquele momento era de agonia profunda, e ele pode ter achado que seria o seu fim.

Ao rejeitar o chamado de Deus, Jonas rejeitou o próprio Deus como seu Mestre, doador de todas as bênçãos da vida do profeta. Muitas vezes, nos enganamos pensando que podemos fugir de Deus e fazer a nossa própria vontade, atender os nossos próprios vícios e pecados. Por diversas vezes, Deus permite que passemos por uma agonia profunda por rejeitarmos as bênçãos da sua graça. Deus não pode abençoar aquele que o rejeita. Somos totalmente dependentes de Deus, e cada milissegundo da nossa vida é um dom do seu poder e amor. Não adianta abandonar a Deus e pensar que nada vai mudar. Por isso, as dificuldades são úteis para nos fazer ver quem somos e o que estamos fazendo com a nossa vida..

Embora o relato tenha dito “três dias e três noites”, pode ser que ele não tenha passado todo esse tempo no ventre do peixe. A expressão hebraica não significa necessariamente um período completo de 72 horas. Isso porque, ao citar Jonas em Mateus 12:40, Jesus disse que “o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra”. Mas Jesus foi sepultado na tarde de uma sexta-feira, permaneceu morto no sábado e ressuscitou na madrugada do dia seguinte. Não se trata de uma mentira, mas de a expressão envolver os dias inteiros.

Jonas pensava que ia morrer sepultado no ventre daquele peixe. Por isso, orou a Deus, citando Salmos, como 18:6; 120:1; 50:5; 107:6 e 31:22, entre outros. A oração de Jonas foi um sincero pedido de perdão, firmado na fé absoluta de libertação que só o Senhor pode prover (Jonas 2:1-9). Jonas reconheceu que, se ele descesse ao mais profundo abismo ou se detivesse nos extremos do mar, a mão poderosa de Deus o guiaria, e sua destra o sustentaria (Salmo 139:8-10). “Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou Jonas na terra” (Jonas 2:10).

Graça para Nínive, Graça para Jonas

“Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo” (Jonas 3:2). Por que Deus praticamente obrigou Jonas a pregar em Nínive? Não poderia Deus ter escolhido outro que estivesse com o seu coração mais aberto a essa missão?

Aqui há uma lição muito importante: a graça de Deus é a razão porque não somos destruídos. É a graça de Deus que nos liberta do pecado e nos salva da morte. É o dom gratuito de Deus que nos dá vida eterna (Romanos 6:23) e nos renova para as boas obras que ele mesmo preparou para nós (Filipenses 2:8-10).

Mas, se a graça também nos chama a realizar as boas obras, isso significa que Deus nos manda ir a lugares que não queremos ir. Ele nos impele a exercer misericórdia a quem não merece, amar os nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem (Mateus 5:44). Impelido pela graça de Deus, Jonas foi para a capital assíria.

Nínive ficava distante de Israel; uma longa viagem para Jonas. Os estudiosos acreditam que Adade-Nirari III era o rei da Assíria nessa época. Por três dias Jonas pregou a condenação de Nínive, e pelos trinta e sete dias seguintes, Jonas viu uma reforma acontecer na cidade, do mais pobre até o rei. Todo o povo se arrependeu da sua crueldade, idolatria e imoralidade, e jejuou nas cinzas, vestindo-se de pano de saco e pensando “Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos” (Jonas 3:9)?

Registros arqueológicos mencionam que Adade-Nirari III promoveu uma reforma espiritual monoteísta. Nabu, o deus de Borsipa, parece ter sido proclamado único, ou, pelo menos, o deus principal. Alguns veem uma possível conexão entre essa revolução monoteísta e a missão de Jonas em Nínive. O fato é que esse sinal foi tão importante para a Assíria e Israel que o próprio Jesus citou a Jonas como um sinal de que alguém maior que ele estava pregando o arrependimento. Um povo cruel se arrependeu, mas o povo de Deus estava rejeitando a graça.

Embora Jonas esteja inserido no grupo dos profetas menores, a sua mensagem era simples: “Ainda quarenta dias, e Nínive será totalmente destruída” (Jonas 3:4), apenas isso! O foco do livro não é a mensagem do profeta, mas o que ele aprendeu com essa advertência, repleta de graça e misericórdia.

No capítulo 4, Jonas espera ansioso a destruição dos seus inimigos, mas nada acontece. “Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado… Peço-te, pois, o Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jonas 4:1-3). A ira de Jonas era totalmente ilógica (Jonas 4:4). Por meio de uma planta que nasceu num dia e morreu no outro, Deus procurou fazer Jonas entender que era preciso ter misericórdia por pessoas “que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda”.

A mesma graça que Deus estava exercendo sobre Nínive, era oferecida a Jonas. Não há diferença entre eles. Todos são pecadores. Todos deveriam morrer por causa dos seus pecados, não importa quantos fossem. A raça humana é pecadora e o salário do pecado é a morte. Não há diferença entre cristão ou ateu. O pecado é inerente à nossa natureza, e todos deveríamos morrer.

Mas Deus é amor. Jesus tomou sobre si o pecado do mundo inteiro (João 1:29) e morreu para a salvação de toda a raça humana. Mas é necessário crer para herdar a vida eterna. Em Nínive, aquela geração creu na misericórdia de Deus. Jonas creu na misericórdia de Deus. Por isso a cidade e o profeta foram perdoados e salvos.

A mesma misericórdia é oferecida a nós hoje, mais de 2.700 anos após essa fantástica história. A graça de Jesus Cristo que salvou a Jonas e a Nínive está disponível a você. Às vezes ela nos impelirá a fazer o que não queremos para salvar mais pessoas. Haverá momentos em que nos sentiremos sepultados no estômago de um peixe, ou ameaçados de destruição pelas dificuldades da vida. Mas a graça de Cristo estará sempre ao nosso lado, renovando-se a cada manhã. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha vida eterna” (João 3:16). Que você e eu possamos crer, como fez Jonas, e nos achegar com fé ao trono da graça para obter misericórdia na hora da necessidade (Hebreus 4:15, 16).

Equipe Biblia.com.br

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Denis Versiani é Mestre em Teologia.

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