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A Força de Sansão Estava em Seu Cabelo?

voto

31 de julho de 2019

A verdadeira grandeza do homem é medida pela força dos sentimentos que ele domina, e não pelos sentimentos que o dominam.

“Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal” (Provérbios 13:20, NVI).

O período dos juízes foi um tempo de quase quatrocentos anos de tensão para o povo de Israel. Durante esse tempo, o povo vivia em altos e baixos espirituais. Quando se atingia um período de paz, os israelitas se misturavam com os povos pagãos de Canaã, e caiam em apostasia. Da apostasia, vinha a servidão a esses povos que os saqueavam e oprimiam. Quando o povo se arrependia e pedia um juiz que os libertasse, Deus levantava um juiz que os comandava na batalha pela libertação e, liderava o povo nos caminhos do Senhor até a sua morte. É interessante, mas a história dos juízes parece a história de muitos de nós, que vivemos esses altos e baixos em nossa vida particular

Sansão foi um desses líderes. Quando Israel tornou a fazer o que era mal perante o Senhor, e caiu nas mãos dos filisteus por quarenta anos, Deus apareceu a Manoá e sua esposa, em Zorá, na tribo de Dã, e prometeu que eles teriam um filho. Esse filho seria um dos libertadores de Israel da mão dos filisteus. Porém, eles deveriam seguir algumas condições.

“Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe” (Juízes 13:4, 5). Seu nome seria Sansão, cujo original hebraico pode significar “pequeno sol” ou “alegria”.

Sansão era um nazireu. Ser um “nazireu” significa ser “separado” ou “dedicado”. O voto do nazireado significa se dedicar ao serviço exclusivo ao Senhor por um determinado tempo. O privilégio estava aberto tanto a homens quanto a mulheres. Durante esse voto, além de seguir a lei de Moisés, o nazireu não poderia tomar vinho ou qualquer bebida forte. Ele não poderia tocar em cadáveres, nem mesmo se algum familiar próximo morresse. Como um sinal visível do seu voto, ele não deveria passar navalha sobre o cabelo da sua cabeça. Essas determinações deveriam ser cumpridas durante todo o período do voto de nazireado (Números 6:1-8).

Sansão, porém, deveria ser um nazireu durante toda a sua vida. Tanto é que a esposa de Manoá não deveria tomar vinho ou nenhuma bebida forte durante a gravidez. Desde o seu nascimento, a vida de Sansão estava consagrada ao Senhor. “O menino cresceu, e o Senhor o abençoou. E o Espírito do Senhor passou a incitá-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol” (Juízes 13:24, 25). Deus o abençoou com força física, coragem e bravura, de modo que não havia homem tão forte como ele na Terra.

Sansão se tornou um herói nacional em pouco tempo, realizando incríveis façanhas. Ele matou um leão com as suas próprias mãos, rasgando-o no meio (Juízes 14:5, 6); matou trinta asquelonitas para tomar as suas roupas de festa após o enigma do seu casamento (14:19); colocou fogo nas plantações dos filisteus atando tochas a trezentas raposas pela calda, depois de saber que sua esposa filisteia havia sido entregue a outro homem (15:4, 5); feriu os filisteus que mataram a família da sua esposa (15:8); matou mil soldados filisteus usando uma queixada de jumento como espada (15:14-17); e tomou os portões de Gaza e os levou sobre seus ombros (16:3).

Sansão julgou a Israel por vinte anos. Mas enquanto seu corpo tinha grande força, seu caráter era fraco. Durante a sua vida, Sansão violou os mandamentos de pureza que Deus estabelecera para os nazireus. A primeira transgressão foi tocar em um cadáver. Ao voltar de Gaza para sua casa, Sansão viu no leão que havia matado uma colmeia de abelhas. Ele se aproximou do esqueleto, “tomou o favo nas mãos e se foi andando e comendo dele; e chegando a seu pai e a sua mãe e deu-lhes do mel, e comeram; porém não lhes deu a saber que do corpo do leão é que o tomara” (Juízes 14:9). Sansão numa atitude dissimulada, quebrou o primeiro mandamento do nazireado.

Deus ordenou que os filhos de Israel não se casassem com descendentes das nações pagãs ao seu redor, para não se desviarem dele (Deuteronômio 7:3, 4). Sansão violou as diretrizes do casamento, e se casou com uma filistéia (Juízes 14:1, 2, 10-17). Durante as festas do casamento, Sansão tomou bebidas fortes. O original hebraico para “banquete”, em Juízes 14:10 significa literalmente “uma bebida” ou “ocasião para bebida”. Esse era um costume dos filisteus, e, como anfitrião, Sansão bebeu junto com seus inimigos, violando o segundo voto do nazireado.

Dentre as suas transgressões, o livro dos Juízes também relata que Sansão se prostituiu com uma filisteia, filhas dos inimigos do seu povo, em Gaza (Juízes 16:1). Sansão estava brincando com o inimigo, ao desobedecer a Deus e não se apegar a ele como fonte das suas bênçãos.

O ato derradeiro foi quando ele se envolveu com Dalila (16:4), a causa final da sua derrocada. Subornada pelos filisteus, Dalila se aproveitou do afeto que Sansão tinha por ela, e conseguiu arrancar o segredo da sua força. “Por isso ele lhe contou o segredo: Jamais se passou navalha em minha cabeça, disse ele, pois sou nazireu, desde o ventre materno. Se fosse rapado o cabelo da minha cabeça, a minha força se afastaria de mim, e eu ficaria tão fraco como qualquer outro homem” (Juízes 16:17). Assim, Sansão entregou nas mãos do inimigo o segredo da sua força.

A força de Sansão não estava nos cabelos. O fato de Sansão revelar o segredo do nazireado a Dalila foi o momento em que Deus o abandonou. Sansão desperdiçou a sua última chance de realizar um ministério digno do seu chamado. Por isso, Deus retirou de Sansão a sua bênção, e ele se tornou como um homem comum no momento em que cortaram seu cabelo.

Com os olhos vazados, o derrotado foi levado a prisão e condenado a fazer trabalhos forçados. Até aquele momento, Sansão havia feito os filisteus de burros. Mais tarde, eles o transformaram num burro de carga (Juízes 16:21, 22). Triste ironia para quem foi o homem mais forte da história.

No festival a Dagom os filisteus levaram Sansão, o grande troféu da conquista do seu deus. Embora tenha crescido, o cabelo de Sansão não era grande como antes. Mas, ao se agarrar nas colunas do templo, Sansão rogou que Deus se lembrasse dele por mais uma vez. Pela fé, Sansão se apegou à graça de Deus e lhe pediu força para vencer os filisteus uma última vez. “E disse: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes, e sobre todo o povo que nela estava; e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida” (Juízes 16:30).

Fisicamente falando, Sansão foi o homem mais forte da Terra; mas no domínio de si mesmo, na integridade e firmeza de caráter, foi um dos mais fracos. Muitos justificam suas paixões como traços de caráter que não podem ser mudados. Mas a verdade é que aquele que é dominado pelas suas paixões é um homem fraco. A verdadeira grandeza do homem é medida pela força dos sentimentos que ele domina, e não pelos sentimentos que o dominam.

Sansão só viu isso após ter seus olhos cegados. Ele só encontrou a verdadeira força quando se tornou fraco. Ele entendeu que somente em sua fraqueza, o poder de Deus pode ser aperfeiçoado no caráter (2 Coríntios 16:9). Após compreender isso, Sansão morreu como um herói da fé.

Satanás emprega os seus maiores recursos para desviar justamente aqueles que Deus se propõe a usar como seus instrumentos para uma obra especial. Ele ataca os nossos pontos fracos, procurando, pelos nossos defeitos, obter domínio sobre o homem todo, e sabe que, se esses defeitos forem acalentados, ele vai conseguir seu objetivo. Se você luta contra suas falhas, mas sempre sucumbe à tentação, saiba que ninguém precisa ser vencido. Você não é deixado só para vencer o poder do mal pelos seus fracos esforços. O auxílio de Deus está à sua disposição, e será dado a você sempre que, de coração, você desejar. Anjos de Deus, que sobem e descem darão a força para você vencer o pecado e a tentação, sempre que você desejar.

Equipe Biblia.com.br

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Denis Versiani é Mestre em Telogia.

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