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Os Mil Anos e as Duas Ressurreições – Parte 1

11 de abril de 2012

Essa profecia anuncia que o diabo será preso por um período de mil anos nos quais não poderá enganar mais ninguém. Como acontecerá isso? Para compreender, é melhor ter em mente o quadro completo a partir da volta de Cristo.

Pr. Alejandro Bullón[1]

Mil Anos de Paz

Juan perambulava uma noite pelas ruas da cidade. A névoa suave do mês de junho tornava a paisagem cinzenta e triste. Na realidade, nada tinha cor nem alegria para Juan. Recebia um ótimo salário mensal, possuía uma confortável casa e uma linda família, mas havia meses que vivia atormentado por uma angústia interior que parecia não ter fim.

Não era feliz. Passava noites inteira “contando cordeirinhos” para o sono aparecer, sem resultado. Por recomendação da família, visitou o médico, o psicólogo e o sacerdote, mas a crise existencial continuava levando-o ao desespero. Hoje, talvez disséssemos que estava estressado, mas naquela época o estresse não estava na moda e, consequentemente, Juan estava sendo visto como louco.

Por que às vezes, o ser humano tem tudo de que aparentemente precisa para ser feliz e, no entanto, sente um vazio estranho no coração? Somos frágeis por dentro, mas gritamos para esconder nossa fragilidade. Somos incoerentes. Machucamos as pessoas que amamos, ferimos nosso próprio corpo na louca corrida por um pouco de felicidade. Buscamos amor nos prazeres sensuais e isso nos faz sentir repugnantes.

O passado nos atormenta. São lembranças que batem e agitam o mundo da consciência. São páginas que gostaríamos de arrancar da história de nossa vida, mas então aí, lembrando-nos sempre que não importa o quanto aparentemos, existe um monstro escondido dentro de nós. Olhamos para o presente, e nada nos satisfaz. Contemplamos o futuro, e nos parece incerto. Apavora-nos a morte e nos angustia só a ideia de não saber para onde iremos quando a história deste mundo chegar ao fim.

Juan tomava uma montanha de comprimidos para poder dormir, mas ultimamente nem os comprimidos estavam dando certo. Essa é a tragédia das “soluções de plástico” que, às vezes, procuramos para a nossa vida. Você fuma um cigarro para sentir-se bem, mas com o decorrer do tempo descobre que um só não basta. Fuma dois, três, e um dia está consumindo um ou dois maços diários.

Você bebe um copo de uísque para perder a timidez e, quando abre os olhos um dia, descobre que já não pode mais viver longe da garrafa de álcool. O mesmo acontece com as drogas com a promiscuidade e com a busca desenfreada do prazer. São todas “soluções de plástico”. O efeito relaxante dura pouco. Depois fica a terrível sensação de querer mais, embora sabendo que estamos nos destruindo.

O segredo da felicidade

Foi naquela noite fria e nebulosa do mês de junho que Juan, perambulando pelas ruas da cidade, viu uma tenda de lona, com um letreiro enorme que anunciava: “O segredo da felicidade”. Era disso que ele precisava. Era a felicidade que ele perseguia e nunca alcançava. Era o “segredo”, a sua grande necessidade. Tudo nessa vida tem um segredo e descobri-lo é a chave de entrada para novos horizontes sem fim.

Juan entrou naquela tenda. O tema da noite era: “O Milênio”. Sabe, essa palavra tem perturbado muitas pessoas. Especialmente em nossos dias ela está sendo muito usada. Fala-se do terceiro milênio. Divulga-se o seriado de Chris Carter, O Milênio. Parece uma palavra misteriosa. Então, como um assunto tão estranho teria algo a ver com “o segredo da felicidade”, que anunciava na entrada daquela tenda de lona?

O milênio

Na Bíblia não está registrada a palavra “milênio”. Está registrado, sim, um período de mil anos, a qual chamamos de milênio. O texto literal diz assim: “Então, vi descer do Céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo” (Apocalipse 20:1 a 3).

Essa profecia anuncia que o diabo será preso por um período de mil anos nos quais não poderá enganar mais ninguém. Como acontecerá isso? Para compreender, é melhor ter em mente o quadro completo a partir da volta de Cristo. O apóstolo Paulo fala claramente da ressurreição dos justos no momento da volta de Cristo. Ele diz o seguinte: “Portanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do Arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicense 4:16).

A promessa da ressurreição por ocasião da volta de Jesus é para “os mortos em Cristo”; todos aqueles que, em vida, aceitaram a Jesus como Salvador e obedeceram à Sua Palavra. Está você certo de que Jesus é uma realidade em sua experiência, ou Ele não passa de um nome, uma filosofia, um adesivo que se coloca no carro ou um crucifixo que se carrega como se fosso um amuleto? Permite você que Jesus controle sua vida? Então não tenha medo da morte, porque ela será para você apenas um sono, do qual despertará por ocasião da volta de Cristo.

Duas ressurreições

Agora surge uma pergunta natural: “O que acontecerá com os que morreram sem Cristo? O que acontecerá com as pessoas que rejeitaram seguir a Jesus e obedecer à Sua voz, e que morreram antes da volta de Cristo?” A Bíblia fala de duas ressurreições, da seguinte forma: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão, os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:28 e 29).

Você percebe? Uns ressuscitarão para a vida e, outros, para a morte. Evidentemente, por ocasião da volta de Cristo, só ressuscitarão os justos que viveram uma vida de amizade e companheirismo com Jesus. O Apocalipse revela essa fato assim:

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele mil anos” (Apocalipse 20:6).

Aqui se fala de uma primeira ressurreição da qual só participarão os justos. E quando ressuscitarão os que rejeitaram a Jesus? Esse será um assunto que veremos mais adiante. Continuemos agora construindo o quadro a partir da volta de Cristo. Ao soar a trombeta, os mortos em Cristo ressuscitam. E os vivos? O que acontecerá com eles?

Eles também terão dois destinos diferentes. Vejamos o que diz São Paulo com relação aos que faziam parte do povo de Deus, cujas características foram crer em Jesus e nos Seus mandamentos: “Depois, nós, os vivos, os que ficamos, seremos arrebatados juntamente com eles [os justos ressuscitados], entre as nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

Uma triste surpresa

E os que estiverem vivos naquela ocasião e que não aceitaram a Jesus como Salvador, que será deles? A Bíblia responde da seguinte maneira: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o Dilúvio e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem Se manifestar” (Lucas 17:26, 27 e 30).

As pessoas estarão, como todos os dias, participando de suas atividades rotineiras. Os escritórios estarão cheios; as fábricas, também. As máquinas e computadores funcionarão normalmente. Nas ruas, as pessoas se movimentarão como sempre, agitadas de um lado para outro. As crianças de rua e mendigos continuarão nas esquinas estendendo a mão à espera de uma esmola. Nos bancos, as transações financeiras, como de costume, movimentarão milhões, e as Bolsas de Valores, nervosas, atuarão com a expectativa de sempre. Nas prisões, os reclusos verão o tempo passar lentamente, como todos os dias.

Mas, de repente, as forças da Natureza serão convulsionadas. O Apocalipse descreve a cena assim: “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então todos os montes e ilhas foram movidos dos seus lugares. Os reis da Terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: caí sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira dEles; e quem pode sustentar-se?” (Apocalipse 6:14 a 17).

Que dia de desespero será aquele para os que rejeitaram a Jesus e Sua Palavra. Saber que a história acabou e eles estiveram do lado errado. O mais triste é que, naquele dia, haverá gente sincera que estará do lado errado. Jesus mesmo o profetizou assim: “Nem todo o que Me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: ‘Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos milagres?’ Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:21 a 23).

Você vê? existirá naquele dia gente que se perderá tendo crido em Jesus e até tendo feito milagres e prodígios. Não parece incoerente? Qual é o motivo de se perderem? Jesus responde: Eles não fizeram a vontade do Pai que está nos Céus. Eles não adoraram ao Verdadeiro Deus nem fizeram Sua vontade. E onde está essa vontade do Pai? Na Bíblia, sem dúvida.

Ao longo da História, o inimigo tentou levar os homens a adorarem qualquer coisa e a desobedecerem a Deus. Às vezes, o objeto dessa adoração foi algo bom e a desobediência foi por causas “justas”, do ponto de vista humano. Mas não foi adoração ao Verdadeiro Deus, nem foi obediência a Sua palavra. Mas o dia final chegou e a verdade foi desvendada. Só que já é tarde para quem não quis seguir a Jesus e obedecer-Lhe conforme Sua Palavra. A Bíblia diz que essas pessoas estarão dizendo : “Paz e segurança, e eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz” (1 Tessalonicenses 5:3).

Um dia glorioso e feliz

Do outro lado, porém, os que humildemente seguiram a Jesus e obedeceram à Sua Palavra, ainda que isso significasse risco, abrirão os braços para receber a Jesus e serão arrebatados, juntamente com os justos ressuscitados, para encontrar-se com o Salvador nos ares.

Que dia glorioso será aquele! Você poderá rever amigos que lhe foram arrancados pela morte. Você poderá abraçar seu filho, seu pai ou seu irmão para nunca mais se separarem. Se alguém morreu com câncer, ressuscitará completamente curado. Os defeitos físicos, as mutilações, tudo acabará. Os mortos ressuscitarão com um corpo transformado. São Paulo diz:

“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E quando o corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está ó morte o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:51 a 55). Não gostaria você de estar ali, naquela manhã gloriosa, para contemplar a vitória definitiva sobre a morte?

Equipe Biblia.com.br

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[1] Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio e as Profecias do Apocalipse (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1.ª ed., 1998, pág. 151).

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