Dicionário Bíblico

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deuteronômio

Quinto livro do A.T., e último do Pentateuco. o nome, derivado dos assuntos que encerra, significa ‘Segunda Lei’. Quanto às suas matérias, podem elas ser resumidas da seguinte maneira: i. introdução, ou Prefácio, tendo por fim chamar a atenção do povo: 1. Comemoração das bênçãos que os israelitas tinham recebido, ou em tempo de paz com relação aos dons de uma sábia e religiosa magistratura, ou em tempo de guerra com relação às vitórias alcançadas sobre os reis de Hesbom e Basã (1,2,3). 2. Em seguida é descrita a Lei preciosa que lhes foi dada, com referências ao seu Autor, à sua promulgação miraculosa, ao seu assunto e aos benefícios que lhes adviriam na sua observância (4.1 a 40). ii. Segunda Parte contém: l. os essenciais princípios da religião, nos Dez Mandamentos (4.44 a 49.5): segue-se uma declaração relativa ao fim da Lei – a obediência, com uma exortação a esse respeito (6), e razões dissuasivas dos atos que a pudessem impedir, como a comunicação com as nações pagãs (7), o esquecimento dos benefícios de Deus (8), e a justificação própria. Vem depois a lembrança do abatimento de israel, motivado por suas freqüentes rebeliões, murmurações, e provocações, fazendo-se também menção da livre graça e amor de Deus para com Seu Povo (9,10.1 a 11). 2. Exortações práticas, deduzidas desses princípios, tendo como introdução um apelo fervoroso e impressivo (10.12 a 22 -11). Estas advertências dizem respeito principalmente à adoração a Deus, quanto ao seu lugar próprio, e forma de culto (12) – à ação de evitar os que arrastavam o povo à idolatria, e ao castigo destes transgressores (13) – à alimentação, proibindo-se a comida de animais imundos (14.1 a 21) – e aos tempos e estações próprias dos serviços religiosos, com inclusão do ano sabático (15), e das festas anuais (16.1 a 17): também é considerada a direção do Aomem, na sua obediência à autoridade civil ou à autoridade eclesiástica (16. 18 a 22 – 17 e 18), tratando-se, de uma maneira geral, dos nossos deveres para com Deus e para com o próximo, e do cumprimento das diversas leis, morais, judiciais, e cerimoniais (19 a 26). iii. Conclusão. Depois de uma solene repetição da lei, vêm: 1. As exortações, chamando o povo à obediência com promessas de bênçãos e denunciação de maldições (28), recordando as grandes maravilhas de Deus em benefício dos israelitas, fazendo-lhes ver ao mesmo tempo a obrigação no caminho da Lei por um reverente pacto, (29), e finalmente incitando-os ao arrependimento (30). 2. Também há que considerar a parte histórica: Moisés resigna o seu cargo, e encarrega Josué de guiar os israelitas para a Terra Prometida, dando igualmente a lei aos sacerdotes (31.1 a 21) – compõe um cântico profético que ele entrega ao povo (31.22 a 30 – e 32) – pronuncia uma bênção sobre cada tribo em particular (33) – avista a Terra Prometida, em que não devia entrar – morre, e é sepultado (34). Foi do livro de Deuteronômio que Jesus três vezes citou aquelas palavras, com que respondeu ao tentador no deserto (cp. Mt 4.4,7,10 com Dt 8.3, 6.16, e 6.13). A predição acerca de um profeta, no Deuteronômio 1S.15 a 19, é duas vezes aplicada a Jesus Cristo no Novo Testamento – pelo Apóstolo Pedro e pelo mártir Estêvão (At 3.22 e 7.37). Há provas de que essas palavras eram, também, consideradas pelos judeus como referentes à vinda do Messias. *veja Jo 1.30,31,45 e 5.45 a 47. Não há dúvida de que a linguagem de Moisés teve geral cumprimento no fato de uma sucessão profética, culminando no aparecimento e obra de Jesus Cristo, a Quem por conseqüência as palavras mosaicas se referem de um modo eminente. As numerosas citações do livro de Deuteronômio no Novo Testamento deixam ver a consideração em que o livro era tido logo nos primeiros dias da igreja cristã. (*veja Pentateuco.)