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Por que Jesus demora tanto em vir?

esperança

12 de novembro de 2014

Com respeito a Cristo, devemos nos lembrar de que, pelo fato de ser divino, Ele é presciente (sabe por antecipação o que vai ocorrer) e (2) tem intenso desejo de retornar logo a este mundo para buscar aqueles que aceitaram o plano  da salvação e levá-los para o Céu. Esses dois fatores são importantes para o entendimento da promessa contida em  Apocalipse 22:20.

É certo que Cristo, em Sua presciência, sabia (e sabe) que se passaria um período de mais de dois mil anos desde que ascendesse ao Céu até o momento de Seu retorno à Terra. Mas também é certo que tinha (e tem) grande desejo de estar junto com aqueles que O aceitam como Senhor e Salvador. Ele mesmo afirmou: “Voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também” (João 14:3). Então, a expressão “Venho sem demora” deve ser entendida no contexto do grande desejo de Cristo em estar com Sua igreja, e não em termos de Sua presciência.

Sobre isso o Comentário Bíblico Adventista (SDABC, v. 7, p. 729, 730) diz: “As declarações do anjo do Apocalipse a João em relação à iminência da volta de Cristo para pôr fim ao reinado do pecado devem ser entendidas como uma expressão da  vontade de Deus e de Seu propósito. Deus nunca pensou em demorar a consumação do plano de salvação; sempre expressou Sua vontade de que a volta de nosso Senhor não demorasse muito. “É verdade que Deus sabia de antemão que a vinda de Cristo demoraria uns dois mil anos; mas quando enviou Suas mensagens à igreja por meio dos apóstolos, expressou essas mensagens em termos de Sua vontade e propósito a

respeito do dito acontecimento para que Seu povo estivesse informado de que, na providência divina, não havia necessidade de uma demora. Portanto, as […] declarações do Apocalipse em relação à proximidade da vinda de Cristo devem ser entendidas como uma expressão da vontade e do propósito de Deus […], e não como declarações apoiadas no conhecimento prévio de Deus. Nesse fato devemos, sem dúvidas, ver a harmonia entre as passagens que exortam a estar preparados para a iminente vinda de Cristo e aqueles períodos proféticos que revelam quão distante se acha em realidade o dia de nosso Senhor Jesus Cristo. (Itálicos acrescentados.)

É ainda possível ver na promessa de Cristo a João (“Venho sem demora”) um elemento de condicionalidade: caso a igreja dos dias apostólicos tivesse se aprontado e levado

o mundo gentio a se aprontar também, Cristo poderia ter vindo naquele tempo. O mesmo pode ser dito com respeito ao movimento adventista depois da decepção de 1844. (SDABC, v. 7, p. 729). Mas o fato é que o devido preparo da igreja e do mundo para a segunda vinda de Cristo não ocorreu nos dias apostólicos, nem no movimento adventista pós-decepção. E Cristo, por ser presciente, sabia disso. Por essa razão, mencionou ao profeta João o longo período profético dos 1.260 anos (os 42 meses de Apocalipse 13:5) de poderio papal (538-1798) que ocorreria antes de Sua segunda vinda.

Em resumo: A promessa “Venho sem demora” deve ser entendida (1) como expressão do desejo de Cristo de voltar e levar Seus filhos para ficar para sempre com Ele, e (2) como promessa condicional, que teria se cumprido caso a igreja tivesse feito sua parte em seu preparo espiritual e no preparo do mundo para o encontro com Cristo na segunda vinda. Mas alguém poderia imaginar se Deus ficaria refém de cada um de nós para voltar a este mundo. O fato é que Ele não fica refém de nada. Em Sua presciência, Ele sabe que haverá, nos dias finais da história, pessoas fiéis que estarão aguardando Sua vinda, “a bendita esperança” (Tito 2:13), com as quais poderá contar e que elas, por palavras e exemplo, levarão a boa notícia do retorno de Jesus. Isso indica que, se alguém escolhe se envolver na pregação do evangelho será para ela um privilégio. Se não se envolver, poderá perder a salvação, ao passo que outros se envolverão e “será pregado o evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mateus 24:14).

A expressão “será pregado” está no que chamamos de “passivo divino”, e quando isso ocorre é para mostrar que Deus empregará Seus meios e as pessoas que Lhe estiverem disponíveis para o cumprimento de Seus planos. Ou seja, a iniciativa de se concluir a tarefa da pregação do evangelho não é nossa, mas de Deus. Mas Ele espera poder contar conosco, para nosso próprio bem espiritual. E uma última pergunta: Se Jesus viesse hoje estaria você pronto e feliz com Seu retorno?

Por Ozeas C. Moura, doutor em Teologia Bíblica e professor no Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP.

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