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Sem Lei não tem Graça

deus

11 de maio de 2019

Algumas pessoas, às vezes bem intencionadas, acreditam que a lei e a graça são aspectos da religião cristã que não se harmonizam. Porém, não é isso o que a Bíblia ensina.

Algumas pessoas, às vezes bem intencionadas, acreditam que a lei e a graça são aspectos da religião cristã que não se harmonizam. Elas dizem: “Cristo aboliu a lei na cruz do Calvário” ou “O Antigo Testamento corresponde ao período da lei e o Novo Testamento é a dispensação da graça”. Já ouviu essa conversa? Essas pessoas colocam a lei e a graça no ringue de luta e, antes de soar o gongo, dão à graça vitória por nocaute. O texto chave para esse estudo é Efésios 2:8 a 10: “Porque pela graça sois salvos mediante a fé e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feituras dEle, criados em Cristo Jesus, para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Algumas coisas precisam ficar claras em nossa mente.

1º) A lei não nos salva. A graça sim. Simples não? A lei não serve para salvar. Guardar os dez mandamentos não fará uma pessoa herdar o reino de Deus. A salvação é obtida única e exclusivamente pela graça de Jesus que é oferecida a nós. O texto diz: “Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é um dom de Deus.” A graça é um dom de Deus. Um dom é um presente que você recebe, sem merecer, e não precisa pagar por ele. Como disse Strong: “A graça é favor imerecido concedido aos pecadores.” (A. H. Strong, Systematic Theology, p. 779). O sacrifício substitutivo de Jesus na cruz do Calvário e a aceitação deste dom em minha vida é o que me comunicam a vida eterna.

Durante uma conferência britânica a respeito de religiões comparadas, técnicos de todo o mundo debatiam qual a crença única da fé cristã, se é que existia essa crença. Eles começaram eliminando as possibilidades. Encarnação? Ressurreição? O debate prosseguiu durante algum tempo até que C. S. Lewis entrou no recinto. “A respeito do que é a confusão?”, ele perguntou, e ouviu a resposta dos seus colegas. Lewis respondeu: “Oh, isso é fácil. É a graça”.

Depois de alguma discussão, os conferencistas tiveram de concordar. A noção do amor de Deus vindo a nós livre de retribuição, sem cordas amarradas, parece ir contra cada instinto da humanidade. O caminho de oito passos do budismo, a doutrina hindu do karma, a aliança judaica, o código da lei muçulmana — cada um deles oferece um caminho para alcançar a aprovação. Apenas o cristianismo se atreve a dizer que o amor de Deus é incondicional. (Phillip Yancey, Maravilhosa Graça, p. 18). Alguém escreveu:

“Se a nossa maior necessidade fosse informação, Deus nos teria enviado um educador.

Se a nossa maior necessidade fosse tecnologia, Deus nos teria enviado um cientista.

Se a nossa maior necessidade fosse dinheiro, Deus nos teria enviado um economista.

Se a nossa maior necessidade fosse prazer, Deus nos teria enviado um artista.

Se a nossa maior necessidade fosse conduta, Deus nos teria enviado um legislador.

Mas a nossa maior necessidade é o perdão, então, Deus nos enviou um Salvador!”

Apenas Cristo pode nos salvar. Seu sacrifício foi todo suficiente para pagar a nossa dívida de pecado (Romanos 6:23). Mas e a lei? Se não serve para salvar, qual é o objetivo dela? Aceitar a graça de Cristo já não me garante a salvação? O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer popularizou nos meios teológicos a expressão “graça barata” por meio de seu livro Discipulado, escrito em 1937. Logo nas primeiras páginas, ele faz um alerta contra a graça barata dizendo:

“A graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja… Graça barata significa justificação do pecado, e não do pecador. (…) A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”.

Percebeu que texto esclarecedor? A graça de Cristo não faz com que tenhamos a mesma vida de pecado que tínhamos antes, mas promove uma mudança de pensamentos e atitudes, e isso deve ocorrer em nós de dentro para fora. Paulo escreveu: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17). O texto de Efésios 2:8-10 diz claramente que fomos criados em Jesus “para as boas obras”, ou seja, a partir do momento em que eu recebo a graça salvadora de Jesus, eu desenvolvo boas obras não para adquirir salvação, mas porque já fui salvo por Jesus. Elas são, portanto, um resultado da salvação que ocorreu e está ocorrendo em minha vida.

Lembra-se do texto sobre a Videira Verdadeira? Jesus disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Produzir fruto na vida cristã é resultado da permanência em Cristo – a Videira Verdadeira. A partir disso, receberemos vida da seiva e produziremos naturalmente os frutos que Cristo deseja. A lei de Deus atua nesse processo como um espelho, mostrando a sujeira do pecado em minha vida e não apenas isso: mostra o caminho que devo seguir, apontando a necessidade de um Salvador.

2º) Harmonizando lei e graça – Já ouviu aquela ideia de que a lei vigorou apenas no Antigo Testamento e a graça no Novo Testamento? Essa ideia é equivocada. Ambas sempre andaram de mãos dadas, cada uma cumprindo a sua função. A Bíblia diz que o “Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8), e que “a graça nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9). Portanto, os pecadores do Antigo Testamento também se salvaram pela graça. Eles deveriam manter a fé no Cordeiro de Deus que viria. Como afirmar que a graça veio depois da cruz?

Noé achou graça diante de Deus (Gênesis 6:8), Abraão foi salvo pela graça, (Gálatas 3:8; Romanos 4:3), Davi não se salvou pelos próprios méritos, mas pela fé em Cristo (Romanos 4:6). Então, a graça é o meio universal e eterno de Deus salvar os pecadores. E a lei, não foi cravada na cruz? Não estamos agora, “debaixo da graça”? Romanos 3:31 diz: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.” Jesus veio nos libertar da condenação que a lei nos impunha.

Isso significa que não estamos mais “debaixo da lei”. Se a lei tivesse sido abolida, não haveria transgressão (1 João 3:4) e, necessariamente, não haveria condenação. E não havendo condenação, não há necessidade de graça. Sem lei não há graça. Uma pressupõe a outra. A graça, além de nos salvar da condenação da lei, habilita-nos a viver em harmonia com os preceitos celestiais, com o padrão divino. Não há contradição, mas uma interdependência entre lei e graça. Elas se harmonizam e completam-se em suas funções. Como escreveu um autor evangélico: “A graça não importa em liberdade para pecar, mas numa mudança de senhores, e numa nova obediência e serviço. A graça não anula a santa Lei de Deus, mas unicamente a falsa relação do homem para com ela.” (Vincent, Word Studies, vol. 3, p. 11).

3º) A essência da graça – Pergunte às pessoas o que elas devem fazer para ir para o céu e a maioria vai responder: “Ser bom”. As histórias de Jesus contradizem essa resposta. Tudo que devemos fazer é clamar: “Socorro!” Deus está esperando de braços abertos para receber Seus filhos. Lembra-se da história do filho pródigo? O pai aguardava ansiosamente a volta do filho arrependido. Essa é a manifestação da graça de Deus em nossa vida. Jesus desceu a essa Terra e personificou a graça de Deus. Ele viveu de acordo com as exigências da lei e tomou sobre si a punição do pecado. “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele” (Isaías 53:4). Na cruz, a justiça e a paz se beijaram (Salmos 85:10). Ali foi demonstrado não apenas a justiça de Deus, mas que Deus é justo. Existe amor maior do que este?

Imagine a seguinte situação: Num belo dia, você toma o seu filho e vai para um horto florestal. Ali, passa lindos momentos com aquele menino que você ama imensamente. De repente, em meio ao passeio, você olha para trás e não enxerga mais o garoto. Começa a chamar pelo nome, mas nenhuma resposta aparece. Desesperado, começa a perguntar para outras pessoas, chama os bombeiros, a polícia, mas novamente sem nenhum resultado. O desespero é total. Os dias se passam e nada do menino aparecer. Até que num dia fatídico, o policial o chama para ir à delegacia e diz: “O seu menino foi encontrado morto, com sinais de abuso e violência. Nós já achamos o sujeito que fez essa barbaridade. Ele está preso e se encontra aqui nesse prédio. Eu quero dar a liberdade para você ir bem ali, atrás daquela porta, e você pode fazer o que quiser com ele. Ninguém ficará sabendo”.
E aí, o que você faria se estivesse numa situação dessas? Você teria, pelo menos, três opções:
Você poderia entrar por aquela porta e, por causa da dor que sente em seu coração, tirar a vida daquele homem. Ele matou seu filho, é justo que a vida dele seja tirada. “Olho por olho, dente por dente”, diz um dos mais antigos códigos de conduta da Humanidade. Isso se chamaria justiça.
A segunda opção seria você entrar naquela sala, olhar nos olhos daquele homem, e dizer: “Eu não sei porque você fez isso, você me causou muita dor, mas eu não tenho raiva de você. Eu quero que você saia daqui e que recomece uma nova vida. Aproveite essa oportunidade que estou lhe dando e tome decisões diferentes pra sua vida”. Isso seria perdão.
Finalmente, você teria uma última opção, eu imagino. Você caminha em direção a porta, abre-a com todo o cuidado e enxerga o sujeito amarrado atrás da mesa. A cena é aterradora. Você se assenta e diz: “Eu não sei quem você é. Muito menos onde mora. Apenas sei que fez algo terrível com o meu filho. Mas eu quero perdoar você. Quero que você saia dessa prisão e venha morar em minha casa. Quero que você durma no quarto do meu filho e coma junto à minha mesa. Quero chamá-lo de filho e quero que você me chame de pai”.
E aí, o que você acha dessa terceira opção? Loucura? Insanidade? Bem, esse absurdo chama-se graça. Um favor imerecido. Uma dívida impagável perdoada. Deus é capaz de perdoar um assassino e colocar em sua cabeça uma coroa. Ele perdoa uma prostituta e diz: “Vai e não peques mais”. Ele chama os ladrões de filhos e os mentirosos de candidatos ao reino de Deus.
Nós matamos o Filho de Deus, e, mesmo assim, Ele nos aceita, perdoa e convida para morar com Ele nos Céus. A Bíblia nos diz em João 1:11 e 12 que Jesus “veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”. Esse é o absurdo do amor de Deus, ciência que estudaremos por toda eternidade.
Aceitar a graça de Deus em nossa vida é a maior honra que podemos ter nessa vida. Essa honra será completa se vivermos de acordo com a graça que recebemos de Deus. Para isso, Deus nos deixou os dez mandamentos, expressão da vontade de Deus para nós.

Equipe Biblia.com.br

 

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