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A inutilidade da vingança

Vingança

27 de fevereiro de 2017

Vingança! Algo tão valorizado pelas mídias sociais atualmente. Vale a pena se vingar? O que significa “olho por olho, dente por dente”?

“Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu porém, vos digo: Não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-lhe a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes” (Mateus 5:38-41).

Oprimidos pelo domínio político, social, militar e comercial do império romano, os judeus nutriam um sentimento de revolta e abandono. De fato, em muitos aspectos, os judeus não eram amparados pelas leis romanas. Por exemplo, quando um judeu estava indo ou voltando do seu trabalho, ou caminhando para a sinagoga em um dia de sábado, um soldado romano poderia obrigá-lo a carregar seu equipamento por uma milha ou duas fora do seu caminho. A lei romana não justificava esse tipo de atitude, mas o cidadão judeu não poderia reclamar com a administração romana, uma vez que não teria nenhum amparo legal para essa reclamação.

Diante de situações como esta, os líderes judaicos, bem como muitos revolucionários nutriram no povo um sentimento de vingança. Porém, esse sentimento permeou também o meio social judaico, fazendo os judeus pensarem que poderiam se vingar do seu irmão em qualquer situação de litígio.

A base para isso foi a lei do talião, ou da retaliação, citada em Levítico 24:20 e Deuteronômio 19:21. Essa lei era um princípio legal de restituição ou retribuição a alguém pelos danos causados por um delito ou uma transação ilegal. Porém, “a lei era um estatuto civil, e a punição devia ser dada com a supervisão de um tribunal” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Vol. 5, pg. 350, 351). Essa lei determinava que, sob um processo jurídico, um criminoso deveria pagar a condenação exatamente proporcional ao crime que cometeu. Se ele furou um olho de sua vítima, o máximo que ele deveria sofrer é ter um olho vazado, nada além disso. Atualmente, essa lei poderia ser comparada ao Código Penal, que retribui a punição proporcional ao crime cometido.

Porém, a lei do talião jamais regulamentou ou justificou a vingança. Mas muitos judeus passaram a mal interpretá-la, utilizando-a como um princípio dado por Deus para regulamentar o seu desejo de vingança pessoal. Jesus, em Seu sermão, colocou essa lei de volta ao seu devido lugar. Ao Jesus dizer: “não resistais ao perverso”, Ele  reforçou o tema central do sermão da montanha (Mateus 5-7), que é o amor. O amor é o verdadeiro cumprimento da lei (Mateus 5:17-19). Deve ser demonstrado, não somente aos amigos e familiares, mas, sobretudo aos inimigos (Mateus 5:43-47), seguindo a atitude de amor do próprio Pai celeste.

Tendo o amor como base de conduta, Jesus diz que o verdadeiro adorador deve demonstrar uma atitude salvífica de tolerância para com o perverso. Oferecer a outra face, deixar a túnica, andar a segunda milha, atender a pedidos e necessidades: por mais absurdas que sejam, essas atitudes contra nossos inimigos foram exatamente o que Jesus realizou ao andar entre nós. O próprio Jesus, o verdadeiro Messias, ao contrário de todas as expectativas judaicas, não Se voltou contra o domínio romano, mas Se sujeitou a ele, e aconselhou que Seus irmãos fossem submissos à essa autoridade.

Por que essa atitude é salvífica? Porque, da mesma forma que o Filho do homem “não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28), nós devemos demonstrar o mesmo amor, com o interesse de conduzir corações perversos à cruz, a fim de que ganhem vida eterna. Agindo assim, seremos perfeitos como o nosso Pai Celeste, a exemplo de Jesus, que pediu perdão a Deus pelos Seus opressores (Lucas 23:34). Não precisamos definir por que surge a vingança. É claro que esse sentimento geralmente deriva das injustiças e males sofridos. É enganadora, pois nos move a fazer “justiça” com as próprias mãos. Porém, embora traga uma satisfação momentânea à nossa ira, a vingança não vai trazer de volta o tempo e as pessoas perdidas, ou os danos causados. Ela só é uma demonstração da maldade e do pecado que fazem parte da nossa natureza.

Logo, diante disso, os conselhos de Jesus são vitais para quem se sente indignado. Não precisamos atrair sobre nós sofrimento adicional às injustiças da vida, devemos retribuir “o mal com o bem” (Romanos 12:21). Os resultados de quem escolhe uma atitude positiva no lugar da vingança já começam a surgir no momento em se assume essa posição. Entre eles estão a alegria, que é o sentimento de estar agindo em conformidade com seus princípios; a consciência de que não há nada que o condene; a paciência que traz resistência e sabedoria; a paz e a certeza de que há um Deus que veio salvar a bons e maus, que está vendo tudo, e vai recompensar cada um segundo as suas obras (Apocalipse 22:12).

“Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade… Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade… Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente isso acabará mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no Senhor possuirão a Terra” (cv. Salmo 37:1-11).

Aqui, vemos que quem pratica o mal deixará de existir. Isso pode acontecer de três formas: A primeira, por força das circunstâncias, quando seus planos maus não derem certo. A segunda será com certeza quando Jesus voltar para matar pecado e pecador “com o sopro da Sua boca” (2 Tessalonicenses 2:8). Porém, a melhor forma de destruir ímpio é quando ele converte o seu coração para Jesus, ao ver o amor e o perdão demonstrados por quem ele ofendeu. Embora seja raro, isso é possível! Para as três formas, devemos deixar a vingança para Deus.

Logo, “…tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas deixai a ira para Deus; porque está escrito: A mim Me pertence a vingança; Eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas sobre a sua cabeça” (Romanos 12:18-20).

Equipe Biblia.com.br