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Alegria da salvação

11 de abril de 2012

Com muita frequência, somos levados a crer que são as circunstâncias que nos controlam, trazendo-nos alegria ou tristeza. Mas a verdadeira alegria vem de um relacionamento íntimo com nosso Deus.

Pr. Robert Folkenberg[1]

Abri a porta de meu quarto, no dormitório da Andrews University, de volta das férias em que trabalhara na cidade onde vivia minha família. Meu companheiro de quarto, Bob, estava sentado diante de sua escrivaninha e imediatamente virou-se na minha direção, com um sorriso de orelha a orelha. Ele balbuciou, emocionado, seu segredo: “Ela disse sim!” enquanto seu rosto dizia o resto. Quando ele perguntou a Marilyn: “Quer casar comigo” a resposta dela foi positiva. Antes que o sol desaparecesse atrás dos prédios da Andrews University naquele dia, todos os alunos sabiam que Bob estava noivo e iria casar-se em breve. Estava escrito em seu rosto.

Assim como Bob, Deus quer que Seu povo viva não apenas uma vida cheia de alegrias e vitórias, mas também uma vida abundante, que irradia alegria e felicidade. Esta verdade aparece à medida em que os autores da Bíblia usam palavras para transmitir a mensagem de Deus. Por exemplo, quando analisamos o uso de certas palavras-chave nos Evangelhos, descobrimos que a palavra traduzida por alegria é usada 26 vezes apenas nesses quatro livros. Fica claro que Deus quer que nos deleitemos em nossa caminhada com Ele.

Por que isso é importante? Como Seus seguidores, queremos falar sobre as coisas que Ele falava. É claro que Jesus falou de coisas como pecado, juízo e tristeza, pois estas fazem parte da vida. Mas Sua ênfase, bem como a dos apóstolos, era a alegria. E esta deve ser a nossa ênfase também. Hoje há uma estranha relutância, da parte de alguns cristãos, de juntar as ideias de santidade e felicidade na mesma embalagem. Por alguma razão, acham que um cristão dedicado deve ser grave e sério o tempo todo. A felicidade lhes parece algo estranho, de alguma forma maculada por um espírito contrário ao verdadeiro amor a Deus. Deste ponto de vista, alegria e Jesus simplesmente não combinam, e colocá-los juntos compromete a reverência devida a Deus.

Mas tais ideias não vêm de fonte bíblica. Ouça as declarações da palavra: “[Eu] os alegrarei na minha Casa de Oração” (Isaías 56:7). Lemos também: “Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome” (Salmo 5:11). Novamente o salmista canta: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Salmo 85:6). Que atitude entre os cristãos melhor reflete a vida e o ministério de Jesus? Os Evangelhos nos dizem que até as crianças se aproximavam alegremente do Salvador, e isto nos dá uma boa ideia sobre a atmosfera que envolvia Seu radioso rosto.

Mas não foi o nosso Senhor um “homem de dores e que sabe o que é padecer”? É claro que sim. Há na vida de cada cristão um lado sofrido, por causa das atitudes que causam tristeza a Deus. Todo cristão conhece a agonia da culpa que dilacera a alma e a dor da tragédia. Todos nós passamos por momentos de choro. Todo cristão conhece o pesar de ver pessoas a quem ama tomando decisões destrutivas. Mas a amizade com Jesus abre a possibilidade para uma jornada deleitosa, mesmo quando passamos por um caminho coberto de tristezas. Em Seu mais conhecido sermão, que chamamos Sermão do Monte, Jesus falou sobre a fórmula de alegria. Repetidamente, Ele apresentou Suas verdades começando com as palavras “Bem-aventurados são aqueles que”, e então prosseguiu, descrevendo como podemos encontrar a verdadeira alegria. Ele estava usando uma expressão de louvor encontrada com frequência nas Escrituras em hebraico, língua na qual esta expressão tem um profundo significado, que transmite a ideia de “oh, quão felizes…”. A partir desse poderoso sermão, fica claro que Jesus quer que Seu povo busque e encontre uma radiante alegria em servi-lo. Como pode uma geração presa ao juízo viver cheia de alegria? Encontramos a resposta no Salmo 98:4-9:

“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai com harpa louvores ao SENHOR, com harpa e voz de canto; com trombetas e ao som de buzinas, exultai perante o SENHOR, que é rei. Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes, na presença do SENHOR, porque ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade.”

E por que tanto júbilo? O verso continua: “Porque Ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade.” Toda a Terra, mesmo a Natureza, é instigada a celebrar com júbilo, porque o Senhor “vem julgar a Terra”! Mas por que a vinda do juízo deve nos fazer cantar e celebrar com alegria? Porque o juízo de Deus significa justificação, ou seja, as acusações que existem contra nós serão retiradas. Significa o fim da injustiça e da iniquidade. Significa que o próprio Deus será justificado perante todo o Universo. Significa que o reino do pecado estará terminado; que a harmonia entre o Criador e toda Sua criação será restaurada e não haverá mais tristeza, morte, sofrimento e lágrimas. Se não podemos sentir alegria em face do juízo, isso apenas quer dizer que não vemos o Juiz como nosso amigo. O povo de Deus – Sua igreja – deve irradiar uma alegria interior a todos com quem entra em contato. Nosso rosto deve clamar aos nossos amigos, vizinhos e colegas de trabalho: “Tenho grande alegria em minha vida porque confio em meu Senhor, e caminho junto com Ele.” Este tipo de alegria atrai as pessoas – homens e mulheres, meninos e meninas, adolescentes, avós e avôs, todos – ao nosso Senhor.

Para algumas pessoas, a vida e a igreja são como fortalezas que devem ser protegidas dos males que vêm do lado de fora. Enquanto, por um lado, os cristãos realmente devem ter sabedoria para lidar com as influências externas, a ilustração bíblica mostra um povo que não está tão preocupado em proteger, e sim, em atrair. A mentalidade da fortaleza é uma derrota, e não uma vitória. Jesus quer que aqueles que olham para Seu povo vejam crentes que visivelmente irradiem uma alegria irreprimível. Isso não acontece como resultado de se viver num ambiente ideal, mas de um íntimo relacionamento com Deus, que está acima da sombria realidade da vida cotidiana. As Escrituras falam da experiência do povo de Israel: “Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso estamos alegres” (Salmo 126:2 e 3). Tal alegria nunca será algo que nós mesmos podemos criar; ao contrário, ela vem do reconhecimento de tudo que Deus tem feito por nós.

Será que temos pintado o rosto do Pai em tons tão lúgubres que para muitos Ele não parece atraente? Será que temos sido tardios demais em reconhecer que a característica exterior mais visível do cristão nascido de novo é a alegria? Se esse for o caso, precisamos mudar. Não precisamos de frivolidade ou qualquer tipo de tolice superficial. O verdadeiro culto cristão não quer dizer que devemos contar piadas na igreja, pois isso é falta de reverência. Mas a experiência cristã é uma alegria profunda e insubstituível, que nos torna atraentes e estampa em nosso rosto um brilho que não pode ser apagado pelas circunstâncias. Qual é a fonte desse tipo de alegria? Vários versos em Neemias 8 contam uma história que não é lida com muita frequência. Israel estava a ponto de voltar-se da apostasia em que estivera mergulhado, reiniciando o culto a Deus. O reavivamento estava no ar enquanto eles ouviam novamente a Palavra de Deus.

Leram no livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia. Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam todo o povo lhe disseram: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não pranteeis, nem choreis. Porque todo O povo chorava, ouvindo as palavras da lei. Disse-lbes mais: ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não tem nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor: portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força (Neemias 8:8-10).

Os próximos versos nos contam que o povo se regozijou com grande alegria porque haviam ouvido as palavras do Senhor e compreenderam que Deus os aceitara. Com muita frequência, somos levados a crer que são as circunstâncias que nos controlam, trazendo-nos alegria ou tristeza. Mas a verdadeira alegria vem de um relacionamento íntimo com nosso Deus. As circunstâncias que nos cercam podem mudar, introduzindo novos fatores em nossa vida, mas ninguém pode tirar de nós a satisfação de sabermos que somos amados por um Deus que Se preocupa conosco. Jesus veio para que pudéssemos ter vida, e vida em abundância. A evidência pode ser vista na alegria que isto produz em Seus seguidores. Ellen White observou: “Honrar a Cristo, tornar-se semelhante a Ele, trabalhar por Ele, será a mais elevada ambição da vida e sua máxima alegria” (Educação, p. 297).

Paradoxalmente, para o cristão a alegria começa na cruz, no momento do crime mais hediondo da história. Pode esse evento tornar-se o início da alegria definitiva? Somente um Deus soberano poderia transformar tal momento de agonia no evento mais significativo de todos os tempos. Mas para o cristão que foi tocado por Seu poder benéfico, sabemos que isto é verdade, pois é na cruz que somos libertados. A razão pela qual a cruz traz alegria é que, a partir daquele ponto, não somos mais condenados à escravidão. O único traço honesto e universal que trazemos à cruz é nossa culpa. Esta culpa pesa sobre nós como um fardo, sussurrando em nossos ouvidos, durante a noite, clamando pela condenação de nossas ações e motivos que não podemos negar, mostrando-nos dolorosos replays nas telas de nossa mente. Vivemos cambaleantes, mutilados pela culpa durante toda a vida, enquanto o diabo faz acusações contra nós que, infelizmente, são muito precisas. Mas a cruz modifica tudo isso, pois ali Deus reescreve nossa história. Na cruz, Ele carimba “Perdoado” nas páginas manchadas de nossos registros. Isto é mais do que riscar uma inscrição anotada em alguma ata celestial. Através de um ato judicial que nunca compreenderemos em sua totalidade, Ele torna possível apresentarmo-nos perante todo o universo como se nunca tivéssemos pecado! A isto chamamos graça – preciosa graça. Há um hino que descreve melhor esse processo:

“Foi na cruz, foi na cruz
Em que ao fim percebi:
Meu pecado recaiu em Jesus!
Foi então, pela fé,
que meus olhos abri;
Que prazer sinto agora em Sua luz!”

Por causa da graça de Deus, podemos ter prazer – podemos ter alegria – todos os dias. Você precisa experimentar esse tipo de alegria espiritual hoje! Pela primeira vez em sua vida, pode ter o desejo de entregar sua vida a Jesus, pedir que Seu sacrifício no Calvário seja creditado em sua conta. Ou você pode sentir que precisa do toque renovador do Seu perdão. Se você estiver num desses dois grupos, eu o convido a pedir agora mesmo que Ele remova os fardos de seu coração e lhe dê a alegria que vem de conhecer o perdão total e completo. Ao tomarmos consciência de que o perdão de nossos pecados pode ser uma realidade acompanhada de completa paz com Deus, só nos resta clamar: “Senhor, transforma aquilo que somos por natureza!” E Ele faz exatamente isso. Ele não apenas tira as ervas daninhas. Ele promete arrancar a raiz. Aqui está uma das declarações mais estimulantes, escrita pela mensageira do Senhor, a qual conquista o coração e que jamais poderemos esquecer. Nós a encontramos em O Desejado de Todas as Nações’, p. 668:

“Se consentirmos, Ele por tal forma Se identificará com os nossos pensamentos e ideais, dirigirá nosso coração e espírito em tanta conformidade com o Seu querer, que, obedecendo-Lhe, não estaremos senão seguindo nossos próprios impulsos… Quando conhecermos a Deus como nos é dado o privilégio de O conhecer, nossa vida será de contínua obediência. Mediante o apreço do caráter de Cristo, por meio da comunhão com Deus, o pecado se nos tornará aborrecível.”

O grande conflito entre o bem e o mal já dura muito tempo, e em breve Deus intervirá para restaurar os estragos feitos pelo pecado. Por milênios, o povo de Deus tem esperado pela volta de Cristo, a qual, juntamente com o Calvário, é o assunto dominante nas cortes celestiais. Jesus promete nos levar para o lar, não apenas como amigos, mas como filhos e filhas, herdeiros do trono (Romanos 8:17). Temos o privilégio de experimentar a alegria da salvação hoje, sabendo que seu completo cumprimento se dará no reino de glória em breve. É verdade. Somos totalmente dependentes da graça salvadora de nosso Senhor, mas louvamos a Deus, pois tudo que era necessário foi providenciado. O banquete está servido, e muito em breve nos sentaremos à mesa do Senhor na eternidade. A verdadeira alegria é contagiante. Vamos começar uma epidemia, irradiando todos os dias a alegria que vem de nosso relacionamento pessoal com nosso Senhor.

Equipe Biblia.com.br

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[1] Robert Folkenberg, Revista Adventista, outubro de 1997, p. 3-5.

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