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Jesus morreu numa cruz ou estaca?

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11 de abril de 2012

Em fins do ano de 1970, arqueólogos israelenses encontraram o esqueleto de um crucificado há cerca de dois mil anos. Esse achado foi minuciosamente estudado por especialistas, e trouxe muita luz sobre o suplício da cruz.

Na verdade, deve-se dizer que originalmente a “cruz” não era o que hoje se entende por ela, mas compunha-se de uma só peça de madeira ou poste, terminado numa ponta. Denominava-se em hebraico ’es (pau) e aparece na Bíblia, pela primeira vez em Gênesis 40:19. José disse ao padeiro que ele seria pendurado num madeiro. A palavra ’es aparece também em Josué 8:29, onde lemos que Josué mandou retirar do madeiro o cadáver do rei de Ai. Também a forca de Mordecai (Ester 5:14) é designada como ’es. Posteriormente os latinos ao descreverem esse madeiro, denominavam-no acuta crux. Temos essa designação em Sêneca, Epistola XVII, 1, 10, referindo-se especificamente a esse instrumento de suplício.

Há, contudo, entre os autores latinos, referências muito claras a outra espécie de instrumento de execução, designado simplesmente por crux, sem o modificativo acuta. E alguns são mais explícitos e mencionam que essa crux se compunha de duas peças de madeira. A mais sólida prova está nas citações de Plauto (comediógrafo e poeta cômico latino – 254-184 A C.) Portanto, dois séculos antes de Cristo ele descreveria a cruz tendo duas peças. A maior era o stipes, o esteio, o tronco mais longo e pesado, que se fincava no solo. A menor era o patibulum, a travessa da cruz (também chamada antenna). Um texto de Plauto acha-se em Mostellaria, livro I, 1, 56, que diz textualmente: “Ita te ferabunt patibulutum pervias stimuli.” (Deste modo carregaste teu patibulum pelas ruas sob açoites.) Mais adiante: “Tibi esse pereundum extra portam dispansis manibus, patibulum quom habebis” (a ti, que hás de morrer fora da porta, de mão estendida, depois de trazeres o patibulum).

O mesmo autor clássico Plauto em sua obra Carbonaria, fragmento 2, faz outra referência à segunda peça da cruz. “Platibulum ferat per urben deinde adfigatur cruci” (O patibulum era carregado através da cidade, em seguida pregado na cruz). Estas palavras foram escritas bem mais de um século e meio antes de Cristo. Tertuliano, em fins do século II, em Adversus Nationes, livro II, afirma: “Tota crux impatur cum antenna scilicet sua, et com illo sedilis excessu”. (Toda cruz, assim suspensa com sua verga atravessada, e nela sobressai o “assento”).

Temos, nas citações acima, primeiro o testemunho de um pagão, depois o de um pai da Igreja. Ambos viveram no tempo em que se crucificavam pessoas, e testemunharam a forma da cruz. Há também um testemunho que reputamos valioso. Maternus Julius Firmicus, escritor latino pagão, que viveu no tempo de Constantino, afirma na sua Mathermatica, VI, 31: “Patíbulo suffixus in crucen tollitur”. (O patibulum era pregado na cruz levantada). Ainda segundo outra descrição de Plauto (Cap. 2) o patibulum ou trave da cruz era levado pelo réu simplesmente sobre o ombro, ou passando-o por detrás do pescoço, segurando a trave com as mãos, uma de cada lado.

Rehault de Fleury foi talvez o mais notável pesquisador da cruz. Ele consultou obras antigas, descrições, iconografias e viajou muito. Depois de longos anos de pesquisa, escreveu sua famosa Mémoire sur lês Instruments de la Passion, que publicou em Paris em 1870. Na página 73 dessa obra ele afirma que a cruz em que Cristo morreu era feita de uma árvore conífera – espécie de pinheiro oriental – e consistia de uma haste vertical e outra transversal. Baseando-se em testemunhos comparativos, conclui que a cruz deveria ter o stipes (o tronco propriamente dito) de 4,80m, e patibulum (haste transversal) de 2,30 a 2,60m. Seu peso era de cerca de 100 quilos. Isto coincide com as dados de outro estudioso, Busy que, em sua nota ao Evangelho de S. Mateus (p. 371) afirma que as cruzes pesavam geralmente 100 quilos, sendo que 70Kg era o peso do stipes. Nesse caso, o patibulum deveria pesar cerca de 30 Kg. Outro paciente pesquisador da cruz foi Holzmeister. Em seu livro Christus Dominus Spinis Coronatur, p. 17 diz que a cruz constava de dois travessões: um vertical, chamado stipes ou palus, e outro horizontal, chamado patibulum.

O stipes estava ordinariamente cravado no solo, no lugar do suplício.

A Enciclopédia Católica diz: “O stipes da cruz era erguido no local do suplício, fixado no solo antes da execução. Nenhum texto diz que a cruz era carregada inteira. Isto não seria possível no caso de Jesus, pois a cruz teria mais de 4 m e um peso tal que, não apenas um homem enfraquecido pela flagelação seria incapaz de levar, mas mesmo um homem são e robusto. Além do mais alto exigia muito trabalho, esforço e tempo sem nenhuma utilidade. O réu, na verdade, levava às costas somente o patibulum (…) A fixação do condenado na cruz era feita na cruz já montada. O condenado era fixado primeiramente no patibulum estendido no solo. A seguir era o condenado erguido pelos executores, o patibulum era encaixado ou pregado no stipes, e concluía-se com a cravação dos pés do condenado.” Outros testemunhos variam, afirmando que, outras vezes, o stipes já se achava fincado no chão. Com o auxílio de escadas os executores erguiam o réu já cravado no patibulum, e completavam o trabalho da execução. Esse pormenor, entretanto, é irrelevante. O que é fora de dúvida é que a cruz, desde antes da era cristã, compunha-se de duas peças, e assim o era a cruz latina.

E o “Staurós”?

Bem, os escritores gregos usam geralmente a palavra staurós para designar a cruz. Segundo a autorizada International Standard Bible Encyclopaedia, a palavra cruz tem duas designações no grego: stauroós, “uma cruz”, e skólps, “uma estaca”, “um poste”. Esta última indica especificamente uma estaca. A outra, ocasionalmente. Perto de dez dos melhores léxicos gregos são unânimes em definir staurós como: 1. pau; 2. paliçada; 3. estaca; 4. patíbulo; 5. instrumento de suplício; 6. cruz. Ora, é um contra-senso pretender que a palavra tenha apenas UM desses significados. Da mesma forma, o verbo stauroô, significa levantar uma paliçada, proteger com paus, empalar, crucificar. Tau é a designação grega da letra T. E o T assemelha-se à cruz. Há até um tipo de cruz exatamente com essa forma. A forma de um T ou, no grego, de um TAU. O verbo stauroô, etimogicamente significa “colocar num TAU” (isto é, num T). A palavra “tau” está dentro de staurós e stauroô. Daí o sentido de crucificar.

A cruz, pois, evoluiu da simples estaca para o instrumento de suplício com duas peças. O fato de Constantino ter exaltado a cruz a ponto de tornar-se objeto de veneração, o fato de a cruz, entre os antigos povos pagãos, ter sido símbolo de fertilidade, dos órgãos de reprodução, e também das coisas ignóbeis, não invalida a veracidade histórica da forma da cruz. Prova apenas que Cristo sofreu a maior humilhação.

Primeiro Testemunho Arqueológico da Cruz

O mundo todo ficou emocionado com a notícia amplamente divulgada pelos meios de comunicação de massa. Em fins do ano de 1970, arqueólogos israelenses encontraram o esqueleto de um crucificado há cerca de dois mil anos. Esse achado foi minuciosamente estudado por especialistas, e trouxe muita luz sobre o suplício da cruz. Nas escavações que se faziam para uma construção civil, encontrou-se um túmulo muito antigo. O Dr. Niqu Hás, Diretor da Seção de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade Hebraica (uma das mais famosas do mundo) fez acurados estudos sobre o achado, concluindo que era de “considerável importância antropológica e histórica”.

Segundo esses estudos, o crucificado tinha a estatura de 1,67m, e idade variável de 24 a 28 anos. No ossário havia inscrito o nome Iehohanan, forma hebraica do nome João. Outro cientista, o Professor Vassilios Tzaferis, arqueólogo do Departamento de Antiguidades, da mesma Universidade, conclui que a execução ocorrera no primeiro século da Era Cristã. E isto é muito importante, porque se pode estabelecer um paralelo entre esta crucificação e a de Cristo. A cruz ora descoberta tinha um minúsculo assento, ou sedicula, onde a vítima podia apoiar uma única nádega. Sua finalidade era evitar que o crucificado morresse mais rapidamente e, portanto, prolongar o suplício.

As observações anatômicas indicavam que o homem fora pregado na cruz na posição mais antinatural possível. Seus pés foram superpostos e pregados com um único cravo, ficando as pernas quase paralelas. Um cravo foi pregado em cada pulso, o que contraria a suposição de alguns, de que as mãos receberam um só cravo, acima da cabeça, juntas, como se em vez de cruz fosse uma simples estaca ou poste, sem a travessa à altura da cabeça. Os joelhos foram dobrados, com o direito sobre o esquerdo, “os braços estendidos em sentido horizontal” e o tronco estava contorcido. Estas palavras são reproduzidas de extenso artigo intitulado “Achado Esclarece o Suplício da Cruz”, publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 05-01-1971. Ambas as tíbias do réu haviam sido fraturadas. Niqu Hás concluiu que as pernas foram quebradas por algozes, talvez como um golpe de misericórdia.

O grande arqueólogo Siegfried S. Horn também escreveu a respeito. Foi a descoberta arqueológica do século, igual em importância à do achado dos papiros do Mar Morto. Diz Horn, num trabalho sobre o acontecimento, intitulado O Primeiro Testemunho Arqueológico da Crucificação, reproduzido em várias revistas especializadas: “Verificou-se, depois de detido exame, que os cravos perfuraram não as palmas das mãos, mas sim os braços. Neste caso, o peso do corpo teria dilacerado os ligamentos de cada mão. A descoberta deste crucificado demonstrou que os braços e não as mãos foram perfuradas cada um por um cravo.”

Minucioso estudo dos vestígios das perfurações em ambos os antebraços da vítima, perto do pulso, revelou que ambos apresentavam o mesmo sinal de um cravo para cada antebraço. Fosse o caso de um só cravo para pregar os dois pulsos, o primeiro teria perfuração mais larga, e o segundo mais estreita, devido à forma afunilada e pontiaguda do cravo, o qual tinha 18 centímetros. Parece que, em casos de muita robustez do réu, perfuravam-se os pulsos ou o antebraço, no geral, porém, perfuravam-se as palmas das mãos. Como ocorreu com Cristo.1

Equipe Biblia.com.br

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1 Extraído do livro “Radiografia do Jeovismo” p. 190-196 – Autor Arnaldo B. Christianini – Casa Publicadora Brasileira.

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