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Perdeu Cristo alguns de Seus atributos divinos quando Se tornou humano?

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11 de abril de 2012

Aquele que era divino Se tornou o que nós devemos ser, servos; servos de Deus e dos outros. Para Ele isto significou estar disposto a humilhar-Se perante Deus, ser- Lhe obediente, sujeitar-Se a Ele a ponto de morrer, até mesmo a morte de cruz.

Pr. Angel Manuel Rodríguez, Th.D.

A Encarnação, juntamente com a cruz, é e permanecerá sendo um mistério insondável da natureza do sacrifício de Deus pelo ser humano. Nossas explicações serão para sempre incompletas e poderão até distorcê-lo. A pergunta acima procura entender o que aconteceu quando Deus Se tornou ser humano. Eu não tenho a resposta para a questão total, mas posso dar algumas sugestões acerca da sua pergunta específica.

1. Confirmando a Encarnação: O Novo Testamento deixa indiscutivelmente claro que Jesus era um ser humano. Ele nasceu de uma mulher (Gálatas 4:4), cresceu e Se desenvolveu como uma criança normal (Lucas 2:40), aprendeu a obedecer (Hebreus 5:8), sofreu e morreu (Mateus 26:38; Lucas 23:46). Fica claro também que Ele era divino – Deus em carne humana (João 1:1 e 2 e 14; Hebreus 1:3). A confirmação desses dois ensinos suscita o tipo de pergunta que você faz. É difícil, senão impossível, compreender como Deus Se tornou humano e, contudo permaneceu totalmente divino. As limitações da natureza humana sugerem que a divindade de Jesus tinha de ser limitada ou modificada de alguma forma na Encarnação. No entanto, a Bíblia confirma tanto Sua total divindade quanto Sua total humanidade.

2. Diversidade de opiniões. Muitos intérpretes da Bíblia acreditam que a Bíblia aborda a sua pergunta em Filipenses 2:7, onde Paulo escreve que Cristo “esvaziou-Se [keno] a Si mesmo, vindo a ser servo, tornando-Se semelhante aos homens”.* O verbo keno significa “tornar-se vazio, esvaziar”. Tem havido muita discussão na teologia cristã sobre a natureza desse esvaziar-se. Durante o século dezenove alguns teólogos sugeriram que durante a Encarnação houve uma separação entre os atributos metafísicos de Deus (como onipotência, onisciência e onipresença) e os morais (como amor e santidade). Outros foram tão longe que praticamente esvaziaram Jesus de todos os Seus atributos divinos, tornando o uso do vocábulo encarnação sem significado algum. Se Deus Se tornou humano, então a plenitude de Deus deve ter residido na humanidade. É exatamente isso que Paulo disse quando escreveu: “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Colossenses 2:9)* (conferir com 1:19). Se na Encarnação um ou vários dos atributos divinos foram perdidos, não teríamos a Encarnação de Deus.

3. Esvaziar-Se e tomar a forma de servo. Filipenses 2:7 parece explicar o que Paulo quis dizer ao escrever que Cristo “aniquilou-Se [esvaziou-Se]”. No verso 6 ele declarou que Cristo Jesus “tinha a natureza de Deus” [NTLH], igual a Deus, antes da Encarnação. Ele, então, prossegue dizendo o que aconteceu na Encarnação: Cristo tomou “a natureza de servo, tornando-Se assim igual aos seres humanos” [NTLH] (verso 7). Aquele que era divino Se tornou o que nós devemos ser, servos; servos de Deus e dos outros. Para Ele isto significou estar disposto a humilhar-Se perante Deus, ser- Lhe obediente, sujeitar-Se a Ele a ponto de morrer, até mesmo a morte de cruz. Em outro lugar Paulo descreve isso usando uma linguagem diferente: “Sendo rico, Se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de Sua pobreza vocês se tornassem ricos”. (2 Coríntios 8:9).* A referência é feita principalmente ao evento que ocorreu na cruz, quando Ele Se tornou o mais pobre dos pobres – o que nós éramos.

É seguro concluir que o esvaziar-Se de Jesus Cristo esteja relacionado não ao que aconteceu a Seus atributos divinos, mas ao que Ele estava disposto a fazer como ser divino a fim de nos salvar. Tem que ver com a experiência, não com a natureza, de um dos membros da Divindade. Cristo Se tornou servo, isto é, Ele voluntariamente Se recusou a usar Seus poderes divinos, a não ser, provavelmente, quando sob a ordem do Pai. Ele colocou tudo sob a autoridade do Pai. Ao fazer isso, porém, não Se despojou de nenhum de Seus atributos divinos. Ele era verdadeiramente Deus em carne humana. Alguém poderia sugerir que houve uma ocultação do divino em Jesus; contudo, a divindade estava presente.

Paulo usou a disposição de Cristo de humilhar a Si mesmo perante o Pai, no contexto de Filipenses 2, para nos exortar a ter o mesmo sentimento: “Nada façam por ambição egoísta”,* mas sirvam uns aos outros com humildade (verso 3).

Equipe Biblia.com.br

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* Os textos assinalados foram extraídos da Nova Versão Internacional.

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