biblia.com.br

Armagedom

Últimos Dias

11 de abril de 2012

O que é o Armagedom? Seria uma terceira guerra mundial ou o conflito cósmico final entre o bem e o mal? Veja o que a Bíblia diz sobre o assunto.

Pr. Alejandro Bullón1

“Pastor” – dizia a carta – “este será o Natal mais triste de nossa vida. Teríamos preferido que Deus tirasse o dinheiro, os bens, a saúde e até a vida, mas que não nos deixasse ver o nosso filho na trágica situação em que se encontra.” Depois a carta falava das horas intermináveis de luta para tirar o filho das garras do vício.

Aos vinte e três anos, um jovem está apenas desabrochando para a vida, todavia, os pais daquele rapaz não vêem mais saída para ele. São oito meses de oração e súplicas a Deus por um milagre. Já o levaram para ser tratado por especialistas; já o internaram em centros de recuperação para drogados, e, mesmo assim, vêem o filho dia a dia sendo consumido por uma força incontrolável que o leva às drogas.

A carta tinha um clamor desesperado: “Será que esta luta vai acabar? Será que poderei ver meu filho completamente recuperado?”

A Bíblia nos assegura que a luta terrível entre o bem e o mal terá fim, sim. O diabo pode fazer hoje muita coisa para trazer dor à sua vida. Pode destruir lares e vidas como a daquele rapaz, mas o inimigo será finalmente destruído.

O sexto flagelo e o Armagedom

No capítulo anterior (As Sete Últimas Pragas), deixamos de considerar propositadamente o sexto flagelo, porque este tem que ver com o famoso Armagedom, a “mãe de todas as guerras”. O Texto bíblico o relata da seguinte maneira:

“Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do Sol. Então vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso. Então os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Apocalipse 16:12 a 16).

O fato da palavra Armagedom significar, em hebraico, “Monte de Megido”, fez com que muitos interpretes da Bíblia concentrasse a atenção no Oriente Médio como possível local da última batalha dos séculos. Se acrescentarmos a isso o fato de que os países que vivem em torno desse território estão constantemente em guerra, é fácil acreditar numa batalha literal, de proporções mundiais, entre Oriente e Ocidente.

Mas se não perdermos o fio do grande conflito universal que teve início no Céu, com a rebelião de Lúcifer, veremos que a grande guerra do Armagedom não é uma guerra literal de implicações políticas e sim uma guerra espiritual de conseqüências eternas.

Existe um inimigo tentando desestabilizar o governo divino. Atacou a Deus no Céu, perdeu a batalha e foi expulso junto com a terça parte dos anjos a quem conseguiu enganar. Apresentou-se, depois, no jardim do Éden e enganou Adão e Eva. Fez com que eles duvidassem de Deus. Aparentemente tinha vencido. Mas ele não contava com o plano de salvação, segundo o qual Jesus viria a este mundo para remir o ser humano e restaurar nele o caráter de Deus que o pecado tinha deformado.

O grande conflito entre Lúcifer e Deus prolongou-se através dos séculos, chegando à Igreja cristã. O diabo perseguiu a Igreja de Deus através de Herodes e dos imperadores romanos e, quando viu que este método não dava certo, mudou de estratégia: começou a misturar as verdades bíblicas com as tradições pagãs. Foi desse modo que entraram no seio da Igreja cristã doutrinas que nunca tiveram fundamento bíblico. Depois o inimigo usou essa igreja contaminada com o vírus do paganismo para perseguir os fiéis que “teimavam” em adorar ao único e verdadeiro Deus, e em obedecer à Sua Palavra.

Foram 1260 anos de perseguição, ao fim dos quais a estratégia do inimigo mudou novamente. Dessa vez levantou o racionalismo ateu para tentar abolir qualquer forma de religião. Como conseqüência disso, surgiu o evolucionismo que apresenta a teoria da evolução das espécies como possível origem da vida. Tentou destruir a Bíblia mandando queimar milhares de exemplares em praça pública e ordenou a morte de todo aquele que a estudasse. Mas o diabo não contou com o fato de que, na perseguição, o verdadeiro povo de Deus se fortalecia.

Em nossos dias, o inimigo de Deus está usando talvez a estratégia que melhores resultados está lhe dando: o secularismo, a Nova Era, o espiritismo e o cristianismo descompromissado. Deus deixou de ser Deus pessoal para tornar-se apenas uma “energia”, uma canção bonita ou um adesivo que se coloca no carro. Deixou de ser o soberano Criador do Céu e da Terra, que merece adoração e obediência. O homem diz acreditar em Deus, mas não se compromete com Ele. Vive como se Deus não existisse. Dita suas próprias regras e estabelece seu próprio código moral.

Uma guerra espiritual

A grande batalha do Armagedom não tem nada ver com alguma guerra política entre Oriente e Ocidente, por causa do petróleo do Oriente Médio. O Armagedom é a última batalha entre o bem e o mal que está tendo lugar, hoje, em cada coração humano.

“Ao longo dos séculos, muitas idéias têm sido expressas sobre o Armagedom. Profecias não cumpridas têm sido sempre um fértil campo para especulação humana. A Palestina pode muito bem ser o centro da tormenta de um conflito mundial, mas a batalha do dia de Deus Todo-Poderoso não estará limitada a qualquer terra em particular. Os acontecimentos são muito maiores do que muitos têm imaginado. Não é à situação geográfica que o Senhor dá ênfase, mas sim à revelação daquilo que está em jogo. A Terra será envolvida, porque toda ela será o cenário desta última grande batalha.” – Roy A. Anderson, Revelações do Apocalipse, 2.ª ed., 1988, pág. 186.

Ninguém pode permanecer neutro. Você é ou não é. A guerra não é com canhões e bombas. É uma guerra de ideais. Deus reclamando para Si adoração e obediência, e o inimigo exigindo para si as mesmas coisas. Ou então, direcionando a adoração e a obediência para qualquer criatura ou objeto, menos para Deus.

O Apocalipse nos apresenta, em várias ocasiões, facetas dessa grande batalha entre o dragão e Cristo, representado por Sua Igreja na Terra. Vejamos:

“Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes de sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Apocalipse 12:17). Percebe-se aqui que a ira do dragão é contra pessoas que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”. Obediência e adoração. Lembra-se?

“Vi emergir do mar uma besta… Foi-lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse…” (Apocalipse 13:1 e 7)

“… vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres. Os dez chifres que viste são dez reis… Pelejarão eles contra o Cordeiro e o Cordeiro os vencerá….” (Apocalipse 17:3; Apocalipse 17:12 e 14)

“E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem com Aquele que estava montado no cavalo e contra o Seu exército.” (Apocalipse 19:19)
Aqui, fala-se dos reis da Terra, com seus exércitos, congregados para a grande peleja. Ao derramar o sexto anjo a sua taça, também vemos três espíritos imundos semelhantes a rãs e estão congregando os reis do mundo inteiro para peleja. Que tipo de congregação é esta? Como é que o inimigo de Deus está congregando seus exércitos para a batalha final?

O exército do Cordeiro

Primeiro é preciso saber que o Cordeiro também está congregando Seus remidos para a grande batalha. Veja como o apóstolo João narra esta cena:

“Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte de Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o Seu nome e o nome do Pai.” (Apocalipse 14:1)
Aqui encontramos o Cordeiro – Jesus – reunido com cento e quarenta e quatro mil fiéis no Monte Sião. No Velho Testamento, o Monte Sião era chamado o Monte das Convocações Santas, porque nele se reuniam os filhos de Deus para receber as Suas ordens. Agora vemos aqui Jesus com um grupo de fiéis que, segundo o anjo que deu a visão a João, “são eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram reunidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro.” – Hoje Jesus está querendo reunir Seus filhos no Monte Sião.

Como? Quer dizer que todos os seguidores de Jesus devem pegar um avião e viajar às terras bíblicas para encontrar-se com Jesus?
Não. Lembre-se de que o Apocalipse é um livro simbólico. O Cordeiro simboliza Jesus; os cento e quarenta e quatro mil simboliza os filhos fiéis a Deus, que O adoram e Lhe obedecem. E o que deve simbolizar o Monte Sião? Para entender isso é preciso saber o que era o Monte Sião no Velho Testamento.

Sião era o lugar onde Deus falava. “O Senhor brama de Sião e Se fará ouvir de Jerusalém.” (Joel 3:16)
Sião era o lugar onde Deus prometia habitar. “Sabereis, assim, que Eu o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, Meu santo monte.” (Joel, Casa Publicadora Brasileira. 3:17)
Sião era o lugar onde Deus queria congregar seus remidos. “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque, no Monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos…” (Joel 2:32)
Perguntamos hoje:

Qual é o lugar onde Deus quer fala hoje aos Seus filhos?
Qual é o lugar onde Ele promete que, se dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, Ele estará presente?
Qual é o lugar onde Deus está congregando seus fiéis de todos os cantos da Terra, aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”?
A resposta é óbvia: Deus está reunindo hoje Seus filhos em Sua Igreja. Essa é a visão de Apocalipse 14. Essa reunião está acontecendo hoje, em nossos dias. De que maneira? Vejamos:

A Tríplice Mensagem Angélica

Deus tem um instrumento para chamar Seus filhos e congregá-los na Sua Igreja hoje. Esse instrumento é a tríplice mensagem angélica apresentada no mesmo capítulo 14 de Apocalipse:

1.ª A primeira mensagem diz: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Apocalipse 14:7). Este é um chamado a adorar ao verdadeiro Deus e é também o anúncio da hora do juízo.
2.ª A Segunda mensagem diz: Caiu, Caiu, a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria de sua prostituição.” (Apocalipse 14:8). Este é um chamado para estar alerta diante das adulterações da pura doutrina bíblica.
3.ª A terceira mensagem declara: “Se alguém adorar a besta e sua imagem e recebe sua marca na fronte ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, no cálice da Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro.” (Apocalipse. 14:9 e 10). Este é um chamado à obediência e a observância do dia do Sábado como dia de repouso, que é o selo de Deus. A única maneira de não receber o selo da besta. (Ezequiel 20:11 e 12; Ezequiel 20:19 e 20) – Veja também em Próximos do Fim: A marca da apostasia.
É através da proclamação dessas três mensagens distintas que Deus está reunindo hoje Seus filhos, no Monte de Sião, símbolo da Igreja.

Todos aqueles que ouvem e aceitam a mensagem de Apocalipse 14, que entregam o coração a Jesus, decidem adorá-Lo e obedecer aos Seus mandamentos, aceitam o convite para congregar-se no Monte de Sião.

Por outro lado, o inimigo de Deus também está congregando seus súditos no vale do Armagedom, utilizando uma tríplice mensagem angélica falsa. “Então” – diz a profecia – “Vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos, semelhante a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso.” (Apocalipse 16:13 e 14)

“Adore qualquer coisa menos a Deus, embora você pense que O está adorando.”
“A alma não morre, ela é eterna. Reencarna ou continua vivendo como um espírito desencarnado.”
“Não obedeça à Palavra de Deus. Não dê importância aos Seus mandamentos porque eles são obsoletos.”
Esse é o quadro geral. O mundo está se preparando para o fim do grande conflito universal. O mal terá um fim definitivo. Mas antes dele findar, o diabo fará tudo que puder para arruinar o maior número possível de vidas. Para tanto, usará suas ferramentas favoritas: o engano, o disfarce, a sedução e, quando isso não der certo, a perseguição. Lembre-se que esses “espíritos de demônios” são “operadores de sinais”. Eles vêm acompanhados de “milagres” e “prodígios”; de “curas através de médiuns”; de “seres extraterrestres”; enfim, tantas maravilhas que enganarão até os mais avisados.

Felizmente, Deus nos deixou a Sua Palavra. Ela é a nossa única garantia. Ela á a luz em meio às trevas. Ela é a âncora em meio ao mar agitado e turbulento em que o nosso mundo vive. Você pode confiar nela.

Equipe Biblia.com.br

_______________

1 Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio, e as Profecias do Apocalipse (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1.ª ed., 1998) p. 131.