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A Criação Bíblica

11 de abril de 2012

Frequentemente surge um novo ponto de discussão no debate entre os muitos ramos da ciência e a posição das Escrituras sobre a origem do mundo.

L. James Gibson, Ph. D.

A CRIAÇÃO BÍBLICA[1].

Frequentemente surge um novo ponto de discussão no debate entre os muitos ramos da ciência e a posição das Escrituras sobre a origem do mundo. E todos sabem que a maior parte da comunidade científica apresenta uma visão das origens radicalmente diferente da que é apresentada nas Escrituras.

Muitos eruditos cristãos tentam ajustar a descrição bíblica da criação ao conceito científico contemporâneo. E nessa busca de harmonia, muitas teorias têm sido construídas. Gostaríamos de brevemente descrever alguns desses modelos criacionistas e oferecer uma avaliação concisa de seus pontos altos e fracos.

Criação há milhões de anos.

A teoria da criação universal diz que o mundo surgiu em seis dias, milhões de anos atrás. Mas é inconcebível que as espécies vivendo juntas por milhões de anos pudessem ser fossilizadas seletivamente, para produzir a sequência fóssil observada. Alguma outra solução deve ser buscada.

Criação de uma vida.

A teoria da criação da vida na terra é a posição oficial Adventista. A criação foi global, executada por uma ordem (Gênesis 1:3) ou direta intervenção divina (Gênesis 2:7), e consumada em seis dias. Os ancestrais de todos os organismos vivos foram criados, juntamente com as condições ambientais requeridas para sua sobrevivência.

As três principais variantes dessa teoria diferem quanto à extensão da criação para além da biosfera:[2] (1) Todo o universo foi criado durante a semana da criação; (2) o relato da criação refere-se apenas à terra e ao sistema solar, tendo o restante do universo sido criado previamente; e (3) a narrativa da criação refere-se apenas à atmosfera, a superfície da Terra e aos organismos vivos. O universo, incluindo nosso planeta com sua água e seus minerais foram criados algum tempo antes. O texto bíblico não parece regulamentar quaisquer dessas variantes. O estudante das Escrituras aceita uma criação geral, em seis dias, embora haja alguns questionamentos a respeito de detalhes.[3] A interpretação tradicional do relato da criação provê um fundamento lógico para muitos ensinamentos bíblicos, tais como a queda do homem e o significado do Calvário.

As evidências científicas em apoio a essa teoria são mistas. Existe abundante evidência para um desígnio na natureza, e as descobertas geológicas oferecem grandes evidências de catástrofe. Mas o registro da geologia torna-se difícil de ser interpretado, se estiver baseado numa cronologia curta.[4]

Acho que uma criação recente, efetuada em seis dias, é a melhor teoria apoiada pelas Escrituras, embora muitos cientistas a contestem. Apesar disso, há uma base suficientemente sólida para que ela seja recomendada. A teoria apresenta uma visão muito mais favorável de Deus como Criador, do que qualquer outra alternativa. Mas existem outras ideias da natureza que pretendem construir uma harmonia mais satisfatória entre a Bíblia e a ciência.

Teoria da lacuna.

Segundo a teoria da ruína e restauração, ou teoria da lacuna[5], a terra foi habitada muito tempo atrás por organismos que agora estão preservados como fósseis. Todos eles foram destruídos em algum momento no passado. Posteriormente, Deus recriou a vida na terra, segundo o Gênesis. Numa variante, o mundo anterior foi controlado por Satanás, o que explica a evidência da destruição e sofrimento.

Esta teoria chegou a ser muito popular no século 19, mas hoje não é muito aceita. Seus defensores evocam Gênesis 1:2 que diz: “A terra, porém, era sem forma e vazia”. Eles raciocinam que Deus não poderia ter criado a terra em tais condições. Ela se tornara dessa maneira. O livro de Gênesis apenas relata a criação mais recente, quando a vida foi restaurada na terra.

As evidências científicas para esta teoria são confusas. A coluna geológica é o meio mais fácil para explicar uma longa cronologia. E alguém poderia esperar encontrar uma lacuna universal no registro fóssil, com tipos de organismos conhecidos e humanos acima da lacuna, e tipos de organismos extintos abaixo da lacuna. Nenhuma lacuna foi encontrada. Mudanças relativamente abruptas em fósseis são vistas algumas vezes na coluna geológica, mas elas são incompletas. Seres humanos e animais conhecidos não aparecem juntos abruptamente.

Nem a Bíblia nem a ciência sugerem essa visão da história. Não há razão para adotá-la em detrimento da interpretação do Gênesis.

Visão intervencionista.

Os termos “criação antiga” ou “criação progressiva” são usados aqui para uma categoria de modelos propondo a criação direta, intervencionista, de organismos vivos através de longos períodos. Muitos desses modelos existem, com ampla variação de detalhes. Qualquer modelo de criação deve abordar o tempo e o processo da criação. As interpretações dos seis “dias” aplicadas aos modelos de criação antiga ou progressiva geralmente caem em três dos seguintes grupos:

(1) Os dias da criação são literais de 24 horas, mas não necessariamente consecutivos ou recentes. Exemplo disso é a hipótese da criação intermitente.

(2) Os dias da criação são sequências, períodos consecutivos de tempo, mas de duração indefinida. É o que propõe a hipótese do dia-ano.

(3) Os dias da criação são apenas uma divisa literária: são sequenciais ou de duração definida, como exemplifica a hipótese da estrutura.

Por sua vez, as interpretações do processo da criação convergem, na maior parte, para um dos seguintes grupos:

(1) Novas formas de vida foram criadas diretamente ex nihilo.

(2) Novas formas de vida foram criadas diretamente de matérias não viventes.

(3) Novas formas de vida foram produzidas por modificação direta de outras formas de vida.

Algumas formas importantes de criação antiga ou progressiva são rapidamente descritas nos tópicos seguintes.

Hipóteses de criação antiga.

Algumas hipóteses (não teorias) têm sido propostas no sentido de explicar os seis dias da criação em lugar de uma semana literal.

Hipótese do dia-ano[6]. A hipótese do dia ano propõe que os dias da criação foram muito mais longos do que os dias comuns, provavelmente estendendo-se por milhões de anos. Os defensores dessa hipótese usam passagens tais como Salmo 90:4 ou 2 Pedro 3:8, que dizem respectivamente: “Pois mil anos aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi, e como a vigília da noite”. “Para com o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia”. Entretanto, nada há na Bíblia que sugira a aplicação desses versos aos dias da criação.

Hipótese do dia relativo[7] Pode ser considerada uma variante da hipótese do dia-ano. A criação ocorreu na sequência indicada no Gênesis. Todavia, o período de tempo envolvido depende da localização do observador, tal como a teoria de relatividade de Einstein. Isto é, os eventos da criação tiveram lugar em seis dias, do ponto de vista de Deus. Mas os mesmo eventos ocupam bilhões de anos a partir da observação dos homens.

Hipótese do dia intermitente[8]. Supõe que os dias da criação foram literais, comuns, mas foram separados por longos períodos. Em certos dias, Deus interveio para criar certas características. Os processos ordinários da natureza ocorreram durante longos séculos entre os dias da criação.

Toda teoria envolvendo longos períodos para a criação enfrenta o problema teológico de tentar explicar a presença do sofrimento, destruição e morte, antes da entrada do pecado no mundo (Romanos 5:8).[9] Outro problema é que cada um dos dias da criação tem um período escuro (tarde) e uma parte clara (manhã), indicando um dia literal de 24 horas.[10]Igualmente, toda a teoria que aceita a natureza sequencial dos dias da criação através de longos períodos, está em conflito com a sequência fóssil. A sequência dos atos criativos difere grandemente da sequência dos grupos fósseis. Não vemos razão para se adotar quaisquer dessas ideais a respeito da criação, e rejeitar o relato de Gênesis.

Hipótese da estrutura. Os dias da criação são simplesmente uma estrutura literária usada para ensinar a verdade teológica que Deus é o Criador de tudo. Nem os períodos de tempo, nem a sequência, nem as descrições dos eventos devem ser considerados literalmente. Duas variantes relacionadas com essa hipótese são ocasionalmente usadas para tentar explicar os seis dias como tempo literal. Uma delas, a “hipótese da revelação”, propõe que os dias mencionados em Gênesis 1 foram seis dias sucessivos de visões, nas quais Deus revelou-se como Criador a Moisés. As visões foram simbólicas e não representam os eventos reais da criação.

A segunda variante é a “hipótese da proclamação”, segundo a qual o Gênesis relata a série real das ordens criativas dadas por Deus, mas ao invés de elas serem cumpridas imediatamente, foram realizadas através de longos períodos. Os escritores bíblicos usam importantes elementos dos primeiros capítulos de Gênesis, incluindo o relato da criação, como base para explicar a realidade. Todo escritor do Novo Testamento revela aceitação de algum momento dos primeiros onze capítulos de Gênesis.[11] Com base no uso escriturístico, a literalidade dos dias e eventos da criação parece-nos acima de qualquer controvérsia.

Na realidade, a preocupação dessa hipótese é como interpretar o livro de Gênesis. Ela não aborda questões científicas, mas deve ser incorporada num modelo de criação tal como os dois próximos a serem discutidos.

Criação individual.

A teoria da criação individual[12] ou local múltiplo propõe que Deus criou diretamente novas espécies, ou grupos de espécies, em muitos atos separados através de longos períodos. Por exemplo, a criação dos seres humanos e do jardim do Éden poderia ser considerada como o mais recente exemplo. Parece difícil considerar essa teoria com a descrição em Gênesis de uma Terra “sem forma e vazia”. Um problema mais sério ainda é como explicar a presença da morte antes da entrada do pecado no tempo de Adão e Eva.

O proposto aparecimento abrupto de seres humanos parece contradizer à convencional interpretação “longos períodos” de sequência de crescimento dos hominídeos fósseis modernos.

Isso parece ser uma teoria “Deus das lacunas” que explica qualquer aspecto da sequência fóssil dizendo simplesmente que Deus interveio naquele ponto. Embora ela reduza o conflito entre a ciência e as Escrituras sobre alguns assuntos, a hipótese ainda conserva sérios conflitos sobre outras questões. Ela não oferece a solução que estamos buscando.

Evolução providencial.

A expressão “evolução providencial” será aplicada aqui a qualquer teoria afirmativa de que (1) todos os organismos vivos têm um único ancestral comum; e (2) a queda com modificações foi diretamente dirigia por Deus. Segundo alegam alguns estudiosos, Deus poderia ter guiado a queda com modificações, por conduzir o processo de mutações [13] ou por selecionar indivíduos preferidos. Isso poderia ocorrer esporadicamente, ou Ele poderia estar experimentando constantemente.[14] As duas ideias podem ser combinadas já que Deus estaria controlando os dois processos.

Não existe apoio bíblico direto para essas hipóteses. Elas parecem implicar Deus como responsável pela morte. Adão e Eva não existiram, portanto, não houve queda, muito menos há a necessidade de salvação. A evolução providencial parece contrariar o espírito e a letra das Escrituras. A evidência científica para essa teoria é também confusa. Repetimos, a coluna geológica é o meio mais fácil para explicar uma cronologia longa. Mas tanto o registro fóssil como a experiência da seleção sugere existência de múltiplas linhagens com origens separadas. A ciência convencional sustenta que a mutação e a seleção são explicáveis sem a intervenção divina.

Essa teoria parece uma outra “Deus das lacunas” que invoca a intervenção sobrenatural somente para construir lacunas que não tem explicação presente”. Parece contradizer tanto a Bíblia como a ciência. Também não vemos razão alguma para rejeitar a interpretação tradicional de Gênesis e aceitá-la.[15]

Fonte mais confiável

Não tenho encontrado qualquer teoria a respeito das origens que explique completamente todos os fatos. Todas as teorias têm deficiências em termos de sua possível coerência com a ciência, a Bíblia ou com as duas fontes. Não podemos, e não devemos reivindicar a posse da compreensão completa a respeito de nossas origens. Não necessitamos, porém, ser agnósticos.

A teoria de uma criação feita em seis dias, universal, e recente, parece-nos inteiramente coerente com o relato bíblico. Todas as outras teorias têm implicações que parecem contradizer pontos importantes para a aceitação das Escrituras. As pessoas que adotam esta teoria provavelmente o fazem em virtude de seu maior peso em favor das Escrituras do que da ciência. Mas devem reconhecer que o modelo deixa-nos com algumas interrogações a respeito da ciência.

Os vários modelos de longos períodos propõem melhores explicações para alguns dados científicos. Quem dá preferência a uma dessas teorias talvez o faça por causa da evidência científica. Mas todo o modelo falha em explicar certos fatos da própria ciência. Parece não haver respostas científicas completamente satisfatórias para as questões relacionadas com as origens. Os modelos de longos períodos também falham em dar explicações satisfatórias para algumas importantes evidências bíblicas. Quem optar por esses deve reconhecer que eles também nos deixam com muitas interrogações sem respostas a respeito das Escrituras Sagradas.

Representaria alguma surpresa que os eruditos Adventistas sejam desafiados por essa situação? Nós os que esperamos harmonizar as Escrituras com a natureza, ficamos perplexos, porque, em lugar disso, encontramos tensão. Mas esse estado de coisas foi descrito um século atrás.[16] Como um Adventista do 7o Dia, eu considero a Bíblia mais confiável do que a ciência, como um registro da atividade sobrenatural tal como se encontra no Gênesis. Aceito uma criação feia em seis dias, não devido a que a ciência não me dê alternativas, mas porque essa é a minha melhor compreensão do que a Bíblia ensina.

A questão crucial é se a Bíblia é mais confiável em questões de origem, ou se nossas atuais percepções e compreensão científicas são mais confiáveis do que a Bíblia. Essa decisão não é, e realmente não pode ser, uma simples decisão científica. Ao contrário, ela é determinada pela escolha de pressupostos que alguém faz. E isso pode ser chamado de fé. Esperamos que este artigo tenha sido útil; para que você obtenha mais conhecimento acerca do assunto e para que tenha argumentos convincentes acerca do criacionismo, recomendo a leitura dos seguintes livros:

“História da Vida”, de Michelsom Borges;

“Origens – Relacionando a Ciência com a Bíblia” – Ariel A. Roth.

Estes livros podem ser adquiridos diretamente da editora:

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Deus lhe abençoe em suas pesquisas.

Terminamos com um pensamento para reflexão: “de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação, para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós” (Atos 17:26-27 RA).

Equipe Biblia.com.br


Bibliografia:

[1] Revista Ministério, Setembro-Outubro de 2000 – Artigo de L. James Gibson, Ph. D., Diretor do Instituto de Geociência da Universidade de Loma Linda, Estados Unidos, p. 23-25.

[2] A.A. Roth, Origins: Linking Science and Scripture (Hagerstown, Md: Review and herald Publishing Association, 1998), p. 315-318).

[3] Ver site http://www.grisda.org/resources/reftheosda.htm.

[4] Há muitos livros disponíveis sobre este assunto: Alan Hayward, Creation and Evolution: Rethinking the Evidence from Science and the Bible (Minneapolis, Minn: Bethany House Publishers, 1995); Daniel E. Wonderly, Neglect of Geologic Data: Sedimentary Strata Compared whith Young-Earth Creationist Writings (Hatfield, Pa: Interdisciplinary Biblical Research Institute, 1987).

[5] W.W. Fields, Unformed and Enfilled: The Gap Theory (Philipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Pub. Co., 1978).

[6] Hugh Ross, The Genesis Question (colorado Springs: Nav. Press, 1998).

[7] G.L. Schroeder, Genesis and Big Ban: The Discovery oh Harmony Between Modern Science and the Bible (Nova York: Bantam, 1990.

[8] Robert C. Newman, “Progressive creationism” in J. P. Moreland and John Mark Reynolds (eds.), Three Views on Creation (Grand Rapids. Ml: Zondervan, 1999), p. 105-133.

[9] John T. Balddwin, “Progressive creation and biblical revelation: some theological implications”, Origins 18 (2, 1991), p. 53-65.

[10] Gerhard Hasel, “The days of creations in Genesis I: literal ‘days’ or figurative ‘periods/epochs’ of time?”, Origins 21 (5, 1994), p. 5-38.

[11] Richard Davidson, “In the beginning: how to interpret Genesis I”, Diálogo 6, 1994, p. 9-12.

[12] Bernard Ramm, The Christian View of Science (Grand Rapids. Ml: Eerdmans Pub., 1954).

[13] G.C. Mills, “A theory of theistic evolution as an alternative to the naturalistic theory”, Perspectives on Science and Christian Faith 47  (2, 1995), p. 112-122.

[14] James O. Morse, “The great experimenter?”, Perspectives on Science and Christian Faith 49 (2, 1997), p. 108-110.

[15] L.J. Gibson, “Theistic evolution: is it for adventist?”, Ministry (01/1992), p. 22-25.

[16] Ellen G. White, Evangelismo, p. 593 e 594; Testemonies for the Church, p. 255-262.

O que a Bíblia diz sobre o coração?