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a b c d f g h i j l m n o p q r s t u v x z

Para onde vamos quando morremos? E o que significa “seio de Abraão”?

O homem não foi feito para morrer e sim para ter uma vida gloriosa de comunhão com seu Pai celeste. Assim que surgiu o pecado pela desobediência de nossos primeiros pais, este mundo passou a ser propriedade do inimigo de Deus, Satanás, que tem como único objetivo manchar a imagem de Deus e desmoralizá-Lo diante de Suas criaturas.
Não existe nada de bonito na morte. Ela é cruel; é um inimigo e não um amigo; é uma porta fechada e não uma linda passagem. Ela transformou o nosso planeta no cemitério do universo, um lugar onde todos morrem.
A Bíblia Viva traduz Eclesiastes 9:5 assim: “Pois os vivos pelo menos sabem que morrerão! Mas os mortos nada sabem”. A Palavra de Deus diz que os mortos, bons ou maus, simplesmente estão dormindo em suas sepulturas até a ressurreição do último dia. Quando Lázaro morreu, Jesus disse que ele dormia, veja: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo”. João 11:11. No versículo 14, Jesus disse claramente: “Lázaro morreu.” E note que Lázaro, quando foi chamado do seu túmulo depois de quatro dias, não tinha nenhuma história para contar sobre onde ele tinha estado durante todo aquele tempo; evidentemente, ele não tinha ido a parte alguma.
A Bíblia nos diz em Eclesiastes 12:7 o que acontece com a pessoa quando morre: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”
Que espírito é esse que retorna para Deus? Essa é a próxima pergunta lógica: “Porque assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tiago 2:26.
Temos aqui uma declaração muito interessante. O espírito é que mantém o corpo vivo. Então, o que é esse espírito que mantém o corpo com vida?
A palavra “espírito”, no original hebraico do Velho Testamento é “ruach”; o mesmo que “pneuma”, no original grego do Novo Testamento; e significa sopro. Dessa palavra tiramos nossos populares pneus cheios de ar, câmaras de ar, etc… Espírito ou “pneuma” simplesmente querem dizer “ar” ou “sopro”. Quando falta o espírito, a tradução correta é “morte”, pois um corpo sem “ar” está morto. As duas palavras, “sopro” e “espírito”, são usadas como sinônimos nas Escrituras.
“E formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” Gênesis 2:7. Observe o Criador em ação: “e formou o Senhor Deus o homem do pó da terra”. O homem está completo em cada detalhe; acaba de sair das mãos do Seu Criador, pronto para viver, pronto para amar e para agir, mas não está vivendo. Agora ouça: “E lhe soprou nas narinas o fôlego de vida; e o homem passou a ser alma vivente.” Não foi lhe dado uma alma. Tornou-se uma alma vivente, um ser vivente ou uma pessoa vivente.
O fôlego de Deus que foi colocado nas narinas do homem – o fôlego ou espírito – separa-se do corpo na morte e volta para Deus. O corpo retorna ao pó. Agora, esse espírito, esse fôlego, não consegue pensar, adorar ou cantar; esse espírito volta para Deus quer a pessoa seja santa ou pecadora. O homem simplesmente deixa de ser uma alma vivente, ou um ser vivente até o Doador da vida reunir os dois (corpo e espírito) na manhã da ressurreição.
As ilustrações têm seus pontos fracos, é claro, mas ajudam, e quando o assunto em questão é tão vital, vale a pena usá-las. Suponha que tenhamos um monte de tábuas e um monte de pregos. Pegamos as tábuas e as pregamos juntas de um certo modo. Já não temos mais um monte de tábuas e um monte de pregos, agora, temos uma caixa. De onde veio a tal caixa? Bem, não veio de lugar nenhum. É apenas o resultado da união do monte de tábuas e do monte de pregos. Vamos supor agora que já não queremos mais uma caixa. Arrancamos os pregos, os colocamos de um lado e as tábuas de outro. Para onde foi a caixa? Para lugar nenhum, ela simplesmente deixou de existir como caixa. Os pregos ainda existem, as tábuas existem, mas não pode haver caixa enquanto os dois não forem unidos de novo.
Assim, como no princípio, Deus formou o homem de duas coisas: do pó da terra e do sopro da vida. Como resultado da união dessas duas coisas, o homem se tornou alma vivente. Quando ele morre, as duas se separam, não vão a parte alguma, simplesmente perdem seu estado de consciência até a manhã da ressurreição, quando o corpo e o fôlego são unidos novamente.
Você crê na ressurreição? As Escrituras ensinam que ela ocorrerá no último dia, quando Jesus retornar. Mas por quê essa ressurreição no último dia, se já recebemos a nossa recompensa ou castigo quando morremos? Certamente, não iríamos descer do céu ou subir do inferno e entrarmos em nosso corpo outra vez; sermos ressuscitados e, em seguida, mandados de novo para a nossa recompensa ou castigo, não é mesmo?
Depois que Jesus ressuscitou, quando estava deixando a Terra e indo para o céu, prometeu: “Não se turbe o vosso coração: credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” João 14:1-3.
Se já estivéssemos no Céu, qual seria o propósito de Jesus em retornar e nos levar se já estávamos lá? Nenhum. A Bíblia não ensina esse tipo de confusão!
Concluímos que a morte não significa ir para o céu, para o fogo do inferno, para o purgatório ou para o mundo dos espíritos. A morte significa apenas a cessação da vida até a manhã da ressurreição.
Veja como o apóstolo Paulo descreve a ressurreição: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus; descerá dos céus e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles entre nuvens para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” I Tessalonicenses 4:16-17.
Que imagem! Que dia! Que esperança! Para aqueles que morreram, o próximo instante será ver Jesus chegando nas nuvens do Céu; não haverá sensação do passar do tempo na sepultura para eles.
Visualize esse dia: Jesus voltando triunfalmente para um planeta que uma vez O rejeitou, açoitou e crucificou, mas um planeta que Ele não consegue esquecer. E quando se aproxima dessa terra, Ele grita com voz de trovão: “Acordem vocês que dormem no pó da terra e venham para a vida eterna.” Pode haver melhor notícia? Gente de verdade com corpos de verdade, com casas e jardins; e um universo de maravilhas para explorar; tudo que seu coração jamais sonhou; e o melhor: Jesus vai estar lá! Ele será o centro de tudo.
O que Deus nos promete desse novo mundo, está em Apocalipse 21:3 e 4, “Agora a morada de Deus está com os homens! Deus vai morar com eles, e Ele será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos olhos deles. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram”. Nunca mais haverá morte, nunca mais! Graças a Deus!
Se você tem algum querido que já faleceu, não se desespere. Apenas confie nas maravilhosas promessas de Deus e prepare-se hoje para estar entre os salvos naquele glorioso dia e eternamente ao lado de Jesus.

Setor de Respostas Teológicas
A Voz da Profecia e “Está Escrito”

Comentarios

Este artigo teve "16 Comentários"

  • Júnior disse:

    Querido… O que falar sobre a transfiguração de Jesus, na qual apareceram Moisés e Elias? E o ladrão da cruz, para quem Jesus diz “ainda hoje ESTARÁS comigo no paraíso”? Caro, se o ladrão estará, então quer dizer que ele existe. Se Moisés e Elias estavam lá CONVERSANDO, então eles ainda existem. Cuidado para não propagar ideias incertas e ser como aqueles que ouviram de Jesus “Mateus 22:29 NTLH

    Jesus respondeu: — Como vocês estão errados, não conhecendo nem as Escrituras Sagradas nem o poder de Deus!”
    Gostaria de observar que não é minha intenção atacar qualquer um, mas uma pessoa morta vai para algum lugar sim. O “seio de Abraão” é um lugar sim. Não quer dizer que, porque a Bíblia não relata, Lázaro não tivesse algo para comentar acerca de sua experiência. Não quer dizer também que ele tivesse. Nós não podemos saber. Que Deus ilumine a mente de todos os irmãos.

    • Administrador disse:

      Elias não morreu, foi trasladado.
      Moisés foi ressuscitado, segundo Judas 1:9 – Contudo, nem mesmo o arcanjo Miguel, quando estava disputando com o Diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele, mas disse: “O Senhor o repreenda!”

  • VALDEMIR disse:

    Parabéns pelo excelente conteúdo do artigo ,realmente não há base bíblica para se sustentar um estado intermediário da alma pós morte e antes do arrebatamento. Todos os textos usados para defender essa crença se encontram totalmente fora de contexto , o que acaba se transformando em pretexto para qualquer coisa que se queira defender.

  • linda sotero disse:

    foi ótimo e bem esclarecido

  • Pedro disse:

    não respondeu o que quer dizer SEIOS DE ABRAAO

    • Instrutor disse:

      Nos desculpe querido irmão e amigo, seio (de Abraão), kolpon, em Lucas 16:22, aparece no caso acusativo, singular masculino. Como região, enseada, o mesmo sentido usado em Jo 1:18.

      Três expressões eram comumente usadas entre os Judeus para expressar o futuro estado da bem-aventurança, a saber: 1 – o Jardim do Éden (ou paraíso), 2 – o trono da glória, e 3 – o seio de Abraão. Na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16:20), é usada a terceira dessas expressões, a qual também era a mais comumente usada entre as três.

      Para os judeus, a comunidade do AntigoTestamento o termo:Hêq, sulco, dobra, colo, regaço, seio. Possuía uma variedade de idéias abstratas e figurativas.

      É usado para enfatizar a intimidade familiar (Dt 28:54). O cuidado atencioso e o desvelo podem ser por ele expresso, como no caso do desvelo da viúva para com seu filho enfermo (I Rs 17:19) e da promessa divina de carregar seu povo junto ao seio (Isa 40:11). Colocar as esposas do rei morto ou deposto no regaço do novo rei representava a autoridade desse monarca (II Sm 12:8, cf. também II Sm 16:20-23), Noemi colocou formalmente o filho de Rute no seu regaço como símbolo de que o menino era seu legítimo herdeiro (e também herdeiro de seu falecido marido) Rt 4:16.1Portanto este termo poderia significar: hospede favorecido do céu.

      A idéia de filiação era um importante conceito judaico sobre a salvação.3 Um homem justo ou justificado é um filho de Abraão, que está sendo transformado à imagem do Filho (Rm 8:29, II Co 3:18), alguém que terminará por participar de toda a plenitude de Deus(Ef 3:19) e de sua natureza divina (II Pe 2:4).

      Na passagem de João 18:23 nota-se que jazer no seio era o lugar dos convivas mais favorecidos. A expressão “seio de Abraão” do N.T transmite a idéia de consolo, paz e segurança, visto que Abraão, como progenitor da nação judaica, naturalmente preocupava-se com o bem estar de todos os seus descendentes.

      Depois nos diga a sua opinião, conte sempre conosco, que Deus abençoe muito você, um grande abraço.

  • fernando disse:

    ola’, eu gostaria de saber o que o você sabe a respeito de projeção astral, pareçe estranho mais tem muito a ver com o assunto, eu sinceramento não sei se e’ real, mas tambem não duvido, isso de certa forma mexeu com minha cabeça, ja que eu gosto de estudar novos assuntos, aprofundar meu conhecimento, so’ que tudo sempre era facil de discernir, mas esse assunto da projeção astral, me deixou confuso, se for possivel me ajude, obrigado

    • Instrutor disse:

      Veja querido irmão, um texto nos ajuda a compreender melhor a vontade de Deus sobre este assunto:
      “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador , nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor… (Deuteronômio 18:10-14)
      Deus não deseja que usemos estes tipos de coisas para sabermos algo, o mais importante em nossas vidas é nos aproximar de Deus e de Sua Palavra, o que você pensa a respeito?
      Conte sempre conosco, que Deus abençoe muito você, um grande abraço do amigo Roberto.

  • Valdeck disse:

    Obrigado pela resposta!!!

    Veja bem, percebo uma certa “resposta pronta” para o assunto, já que minha primeira afirmação é que CONCORDAVA que se trata de uma PARÁBOLA, dessa forma creio que foi desnecessário discorrer sobre o assunto. Concordo com essa citação:

    Smith, em seu conhecido dicionário bíblico, conclui: “É impossível firmar a prova de uma importante doutrina teológica numa passagem que reconhecidamente é abundante em metáforas judaicas.” – Dr. William Smith, Dictionary of the Bible, vol. 2, pág. 1038.

    Não creio que essa parábola tenha o objetivo de ensinar o destino da alma; perceba que minha contestação é sobre um aspecto específico: a interpretação dada ao termo SEIO de Abraão. Gostaria, se possivel, que você trouxesse a essa pequena reflexão o original em grego e quais as possiveis traduções de seio; é sempre associado a peito, estrutura anatômica humana ou teria outro sentido? Já li sobre o simbolismo de seio de Abraão, mas gostaria de uma tradução específica do termo SEIO!

    Percebi que esse provavelmente é um site adventista, já estudei sobre algumas coisas das doutrinas dessa igreja, de forma que quando li essa citação acima me veio à mente: a doutrina do Santuário/Juizo Investigativo com sua porta fechada, que tem uma forte influência da parábola das 10 virgens, mas enfim, isso é outra história!

    Mais uma vez agradeço pela atenção!

  • Valdeck disse:

    “Não se pode deixar de lado o propósito do uso das parábolas, que era em primeiro lugar clarear a mente para ali introduzir uma verdade fundamental, não sendo em si própria uma verdade.”

    Exemplifique, querido!!! Mostre-me uma parábola em que um substantivo concreto não tem sentido literal!

    • Instrutor disse:

      Veja querido irmão e amigo, em uma parábola, pode-se dar nomes aos personagens. Não há uma regra literária que proíba ou mesmo condene o uso de nomes próprios em uma parábola, sendo que o objetivo desta é apenas ensinar uma lição moral e não servir de doutrina.

      O fato de Jesus ter dado nome aos personagens não indica que ambos existiram e que o relato seja literal. “Sendo uma alegoria, os personagens não podem ser reais, por isso cremos, que nem o rico nem lázaro existiram. Se a declaração fosse real, nela haveria idéias pagãs, conceitos de tradição talmúdica e metáforas judaicas” . – Pedro Apolinário, Leia e Compreenda Melhor a Bíblia, [Instituto Adventista de Ensino, agosto de 1985. 2a Edição Ampliada], pág. 219.

      Jesus contou esta história após uma seqüência de parábolas; por que este único relato não o seria? Com base nas melhores regras de interpretação do texto, se no mesmo bloco de assunto ( – Lucas 15 a 17:10 – perícope) há uma séria de parábolas, é claro que a do rico e Lázaro também o é!

      Comentaristas não adventistas (conquanto sejam imortalistas) crêem que este relato de Lucas 16:19-31 é uma parábola, entre eles: Hastings, Rand, Smith, Davis, Angus, entre muitos. Vamos a algumas citações:

      “A narrativa por certo não foi engendrada por Jesus para a circunstância que a motivou. Isto porque há casos análogas e paralelos na literatura rabínica, e o Prof. Gressman os identifica como de origem egípcia, representados principalmente pelo conto SI-USIRE, o qual relata, com o realismo de quem conhece os segredos do além, como um mendigo de Mênfis, queimado sem honras, foi visto vestido de linho real no reino de Osíris, enquanto um homem rico que recebera suntuoso sepultamento na terra fora conduzido ao Hades.” – William Manson, The Gospel of Luke, The Moffatt New Testament Commentary (Harper and Brothers), pág. 190.

      “Não há, na parábola, o propósito de dar informações acerca do mundo invisível. Nela é mantida a idéia geral de que a glória e a miséria depois da morte são determinadas pela conduta do homem antes da morte; mas os pormenores da história são extraídos das crenças judaicas relacionadas com a situação de almas no Sheol, e devem ser entendidas de conformidade com essas crenças. As condições dos corpos dos personagens são atribuídas a almas a fim de nos permitir compreender o enredo da narrativa.” – Rev. Alfred Plummer, Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According St. Luke – New York – Scribners – 1920, pág. 393.

      “Não há evidência clara de que os judeus nos dias de Jesus cressem num estado intermediário, e é inseguro ver nesta expressão [seio de Abraão] uma referência a tal crença.” – Sailer Mathews, art. “Seio de Abraão”, Dictionary of the Bible, James Hastings, pág. 6.

      Smith, em seu conhecido dicionário bíblico, conclui: “É impossível firmar a prova de uma importante doutrina teológica numa passagem que reconhecidamente é abundante em metáforas judaicas.” – Dr. William Smith, Dictionary of the Bible, vol. 2, pág. 1038.

      Edershein, em seu livro Life and Times of Jesus the Messiah, afirma categoricamente que a doutrina da vida além da morte não pode ser extraída desta parábola.

      Diz um outro autor evangélico:

      “Coisas omitidas da narrativa: o sangue que faz remissão, a graça que perdoa os arrependidos e a fé que descansa numa obra expiatória.” – S. E. Mc Nair. Guia do Pregador, vol. 1, pág. 36

      O estudioso Charles L. Lewis, (evangélico) pondera:

      “Não se admite, como pretendem muitos, que o seio de Abraão seja uma expressão figurativa da mais elevada felicidade celestial, pois o próprio Abraão em pessoa aparece na cena. Se, pois, ele próprio se acha presente numa cena literal, é incorreto usar seu seio, ao mesmo tempo, em sentido figurativo. Se seu seio é figurado, então o próprio Abraão também o é, e também a narrativa inteira” – Charles B. Ives, The Bible Doctrine of the Soul, 1877, págs. 54 e 55.

      “Jesus serve-Se da concepção e crença comuns de Seu povo, a respeito de um estado intermediário entre a morte e a ressurreição final, para, num diálogo sublime e simbólico mantido no mundo invisível entre Abraão e o rico…” – Sátilas Amaral Camargo, Ensinos de Jesus Através de Suas Parábolas, pág. 165.

      Conforme exposto pelo Professor Pedro Apolinário, “Bloomfield declarou com segurança: ‘Os melhores co¬mentadores, tanto antigos, como modernos, com razão consideram-na uma parábola’”.

      O relato de Lucas 16, quando examinado pormenorizadamente, evidencia claramente que o mesmo deve se tratar de uma parábola; caso fosse literal, muitos absurdos (um “espírito” sente sede, proximidade entre o Céu e o inferno a ponto de os mortos poderem conversar, Abraão seria o intercessor ao invés de Jesus, Deus não está presente no Céu, etc) teriam de ser aceitos como doutrina.

      Analisando a parábola

      É oportuno deter-nos em alguns aspectos da narração de Jesus a fim de que compreendamos se a mesma era literal ou seria apenas uma ilustração. O objetivo de Cristo certamente não era dar um estudo sobre a morte, pois Ele acreditava ser esta um “sono” (cf. João 11:11-14). Se o Senhor tivesse o propósito de falar acerca do mundo dos mortos teríamos de aceitar que:

      Verso 23: o inferno está tão próximo do paraíso que de lá os ímpios podem enxergar os justos, inclusive conversar com eles;

      Verso 24: um espírito bebe água, possui dentes e língua. Na verdade, isto mais parece um corpo humano do que um “espírito” (não poderia ser um corpo espiritual, pois a ressurreição ainda não ocorreu – cf. Verso 31);

      Versos 24 e 27: Abraão é o intercessor entre Deus e os homens, ao invés do Senhor Jesus (ler 1 Timóteo 2:5);

      Verso 25: Lázaro foi salvo por ser pobre, ou seja, pelas suas obras (ver Efésios 2:8 e 9);

      Há na história contada por Jesus outros aspectos que nos levam a crer que a mesma não era literal: (1) por que a presença de Deus não foi notada no Céu, sendo que Ele está lá? (2) Se o “seio de Abraão” é o lugar para onde vão os salvos por ocasião da morte, para onde foram aqueles que morreram antes de Abraão sendo que ele morreu uns dois mil anos antes de Jesus ter vindo? (antes de Abraão morrer, muitos já não existiam…).

      Sendo assim, é impossível crer na existência de um inferno com base na parábola do Rico e Lázaro.

      Cristo apenas usou uma crença popular da época a fim de ensinar aos seus ouvintes que uma pessoa não irá para o Céu por ser rica, pois os fariseus achavam que aqueles que eram prósperos eram abençoados por Deus e os pobres, amaldiçoados (leia João 9:1-3).

      Jesus inverteu os papeís para mostrar que a riqueza não é uma prova de que Deus está no comando da vida de alguém ou indicação de que esta pessoa será salva. E que a pobreza não determina a perdição.

      E, a principal lição do Senhor está no final da parábola: “Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” Lucas 16:31. Se a pessoa não ouvir e crer na mensagem de Moisés e dos profetas (em todo o Antigo Testamento), não será convencida de que precisa ser salva mesmo que ressuscite uma pessoa dos mortos.

      Aguardamos seu retorno, que Deus abençoe muito você, um grande abraço.

  • Valdeck disse:

    Percebo que se trata de uma parábola, realmente, no entanto, o sentido de seio que o comentarista tenta dar não harmoniza com o texto:

    Todas as parábolas são usadas como ilustração no seu sentido literal, ou seja, toda a história contada conta com elementos reais; é a partir das histórias que se faz uma relação de comparação, o principio do ensinamento por parábolas; citarei alguns exemplos: na parábola do filho pródigo, as bolotas eram literalmente bolotas, a herança era realmente material, o pai era realmente o pai e o filho realmente o filho; na parábola dos talentos, o talento era realmente o talento moeda, não tinha sentido figurado; na parábola das virgens, as lâmpadas eram literalmente lâmpadas e o azeite era realmente azeite e por aí vai; a partir das histórias que eram contadas, com componentes literais cotidianos, Jesus conseguia fazer com que as pessoas abstraissem e fossem ensinadas; era a partir daí que Jesus dava sentido conotativo a elas e não o contrário. No texto da parábola, temos o seguinte:

    (Lucas 16:22) – E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.

    (Lucas 16:23) – E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.

    Seio aqui tem sentido literal, dando uma ideal espacial evidente. Como alguém pode VER algo que é imaterial, um sentimento, por exemplo??

    Ou seja, Jesus sempre partia do LITERAL para o ABSTRATO no que diz respeito ao seu ensinamento por parábolas; de forma que, o SEIO de Abraão, na parábola, tem sentido ESPACIAL LITERAL. Por mais que não consigamos definir exatamente a forma, é claro que se trata de algo visivel, com suas dimensões, assim como o corpo de Abraão.

    O fato de acreditar na Doutrina do sono da alma não pode nos tornar céticos quanto a fatos bíblicos claros, por mais absurdos que pareçam; não podemos ter a pretensão de dominar tudo o que se relaciona com a chamada escatologia bíblica, correndo risco de entrarmos em “parafuso”, elaborando retóricas infindáveis desnecessariamente: Onisciente só existe UM!

  • Carol disse:

    Não ficou claro para mim o que seria o “Seio de Abraão”. Obrigada, Carol

    • Instrutor disse:

      Será uma alegria enorme poder te ajudar nesta questão querida irmã e amiga, primeiramente precisamos compreender alguns pontos.
      Hades, o além, o mundo subterrâneo dos mortos é traduzido também por inferno.

      Na LXX, Hades ocorre mais de 100 vezes, na maioria das vezes para traduzir o hebraico Sheol, o mundo subterrâneo que recebe todos os mortos. É uma terra de trevas, onde não há lembrança de Deus (Jo 10:21-22, 26:5, Sl 6:5, 30:9 [LXX 29:9], 15:17 [LXX 13:25], Pv 1:12, 27:20, Isa 5:14).

      Portanto, para compreendermos o significado real de Hades é necessário estudarmos o significado de Sheol no AntigoTestamento.

      Sheol: Sepultura, inferno, cova.3 O vocábulo não ocorre fora do A.T, à exceção de uma única vez é nos papiros judaicos de Elefantina, em que é usado com o sentido de Sepultura.4A palavra obviamente se refere de alguma maneira ao lugar dos mortos.

      Há grande divergência de opinião acerca do significado do termo, o que é em parte causado por diferentes maneiras de entender o ensino do Antigo Testamento sobre a questão da morte e ressurreição.

      Um dos problemas de Sheol é que homens tantos bons (Jacó, Gn 37:35) quantos maus (Core, Data, etc., Nm 16:30) vão para lá. Mas a melhor tradução para Sheol parece ser “sepultura”. De acordo com o seu uso na Bíblia.

      No judaísmo rabínico, sob influência persa e helênica apareceu a doutrina da imortalidade da alma, alterando-se, assim, o conceito de Hades. A atestação mais antiga desta doutrina é em Enoque 22.

      Um fator contribuinte neste ponto é a substituição da doutrina neotestamentária da ressurreição dos mortos (1Co 15) pela doutrina grega da imortalidade da alma. Assim acontece no cristianismo irrefletido, que fracassa por não perguntar se a crença se fundamenta no N.T ou no pensamento grego pagão.

      Ao chamar Abraão de Pai Abraão (16:24, 27 e 30), o rico está apelando para a afinidade sangüínea com o Pai desta Nação. Entretanto, essa atividade genética, física, especialmente na teologia de Lucas (3:8), nada significa. Segundo uma lenda judaica, Abraão estará sentado à entrada do inferno a fim de certificar-se de que nenhum israelita circuncidado seja atirado ali. Entretanto, até mesmo para os israelitas sentenciados a passar algum tempo no inferno, Abraão detém a autoridade de retirá-los de lá e recepcioná-los, encaminhando-os ao céu. Provavelmente essas tradições deram ao rico da parábola a esperança de que Abraão pudesse confortá-lo.

      Seio (de Abraão), kolpon, em Lucas 16:22, aparece no caso acusativo, singular masculino. Como região, enseada, o mesmo sentido usado em Jo 1:18.

      Três expressões eram comumente usadas entre os Judeus para expressar o futuro estado da bem-aventurança, a saber: 1 – o Jardim do Éden (ou paraíso), 2 – o trono da glória, e 3 – o seio de Abraão. Na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16:20), é usada a terceira dessas expressões, a qual também era a mais comumente usada entre as três.

      Para os judeus, a comunidade do AntigoTestamento o termo:Hêq, sulco, dobra, colo, regaço, seio. Possuía uma variedade de idéias abstratas e figurativas.

      É usado para enfatizar a intimidade familiar (Dt 28:54). O cuidado atencioso e o desvelo podem ser por ele expresso, como no caso do desvelo da viúva para com seu filho enfermo (I Rs 17:19) e da promessa divina de carregar seu povo junto ao seio (Isa 40:11). Colocar as esposas do rei morto ou deposto no regaço do novo rei representava a autoridade desse monarca (II Sm 12:8, cf. também II Sm 16:20-23), Noemi colocou formalmente o filho de Rute no seu regaço como símbolo de que o menino era seu legítimo herdeiro (e também herdeiro de seu falecido marido) Rt 4:16.1Portanto este termo poderia significar: hospede favorecido do céu.

      A idéia de filiação era um importante conceito judaico sobre a salvação.3 Um homem justo ou justificado é um filho de Abraão, que está sendo transformado à imagem do Filho (Rm 8:29, II Co 3:18), alguém que terminará por participar de toda a plenitude de Deus(Ef 3:19) e de sua natureza divina (II Pe 2:4).

      Na passagem de João 18:23 nota-se que jazer no seio era o lugar dos convivas mais favorecidos. A expressão “seio de Abraão” do N.T transmite a idéia de consolo, paz e segurança, visto que Abraão, como progenitor da nação judaica, naturalmente preocupava-se com o bem estar de todos os seus descendentes.

      A Parábola do rico e Lázaro encontrada em Lucas 16:19-31 têm levantado interpretações incorretas sobre o que Jesus estava falando com esta ilustração.

      Não se pode deixar de lado o propósito do uso das parábolas, que era em primeiro lugar clarear a mente para ali introduzir uma verdade fundamental, não sendo em si própria uma verdade.

      No contexto de Lucas 16 vários grupos de pessoas estavam envolvidas, porém o objetivo desta parábola é direcionado especialmente aos fariseus. Esta seita judaica cria na doutrina da predestinação, imortalidade da alma, assim como também nas recompensas e castigos na vida futura. As almas dos ímpios eram lançadas em prisões, enquanto as dos justos, reviveriam em outros corpos.

      Ao estudar as palavras do texto relevantes como seio de Abraão, e Hades, nota-se que a esperança do povo judeu, e não só do grupo de fariseus, depositavam suas esperanças no fato de serem descendentes de Abraão e que por ele ser seu progenitor salvaria toda a sua semente.
      Portanto Jesus estava usando as crenças dos fariseus para lhes dar uma mensagem fundamental de quê o destino de cada homem fica determinado pela forma que aproveita as oportunidades nesta vida.

      A aplicação mais relevante desta parábola reside na metodologia de Jesus em levar a mensagem do Evangelho. Cristo usou a crença dos fariseus, para lhes ensinar uma verdade fundamental que significa a oportunidade de vida que existe enquanto o homem vive. O que hoje é aparentemente um problema ao se ler a Bíblia, foi a solução para dar a mensagem àqueles homens. Jesus em Lucas 16:19-31, não estava interessado em provar o que era errado e sim o que era certo, pois Ele é a Verdade, Cristo estava mais preocupado em salvar as almas, quebrando paradigmas, conceitos e preconceitos, pois Ele fez tudo para salvar as pessoas. E a mensagem foi dada.portanto uma obra de transformação.

      Conte sempre conosco, aguardamos sua opinião, que Deus abençoe muito você, um grande abraço.

  • Daiane dos Santos disse:

    Muito obrigada perdi meu irmão há 9 meses com apenas 23 anos ele tinha cancer,mas era um homem de Deus e através deste contexto esclareci minhas duvidas!!!

  • Diác. Bruno Belfort - Recife disse:

    Muito bom o comentário, em linguagem clara para que pessoas que não tem um bom entendimento a compreenda.
    Parabens.

    20/06/2012

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