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Explicação de Hebreus 6:6

11 de abril de 2012

De acordo com Hebreus 6:6, é impossível o arrependimento para quem se apostatou?

“Gostaria de uma explicação, referente à Hebreus 6:4-8. É impossível o arrependimento para quem se apostatou?”

Em Hebreus 6:4-6 lemos: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”.

Estes versos, através dos séculos, têm deixado seus leitores angustiados e perplexos, por que a primeira vista parecem ensinar que não há esperança de arrependimento ou de aceitação divina para aqueles que aceitaram a Cristo e depois o rejeitaram. Para melhor compreensão do problema, Hebreus 6:4 deve ser estudado juntamente com as declarações que tratam do mesmo assunto em Hebreus 10:26-31 e 12:15-17; 25-29.

Há várias interpretações sugeridas para solucionar os aparentes paradoxos desta passagem com as demais doutrinas escriturísticas, destacando-se entre estas as arminianas e as calvinistas, apresentadas por Russell Champlin em o novo Testamento Interpretado, vol. 5, págs 537 e 538. Em uma coisa os comentaristas estão de acordo, há neste trecho referências ao pecado da apostasia.

O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia declara: “Entre as várias opiniões que têm sido sugeridas, duas são dignas de consideração: 1) Que a apostasia aqui referida é o ato de cometer o pecado imperdoável (Mateus 12:31-32), uma vez que esta é a única forma de apostasia que é sem esperança; 2) Que a passagem corretamente compreendida não ensina a absoluta desesperança da apostasia aqui descrita, mas uma desesperança condicional (Hebreus 6:6). A maioria dos comentaristas aceita a primeira alternativa, embora a segunda tenha méritos e possa ser baseada no grego.”

Como bem salientou Cotton: “nada pode existir nesta passagem que nos leve a duvidar da total misericórdia de Deus, pois do contrário, esta passagem destruiria o evangelho”. Deduzimos da leitura de Hebreus 6:4-6 e das outras passagens correlatas, que “o autor” fala de pessoas que propositadamente rejeitaram a Cristo e os princípios do evangelho. As afirmações aqui consignadas … trouxeram sérios problemas para a igreja cristã, especialmente durante as perseguições, quando alguns fraquejaram e posteriormente arrependidos de terem sido tíbios na fé quiseram voltar, muitas comunidades cristãs não queriam aceitá-los escudados em Hebreus 6:6.

A seguinte verdade não pode ser esquecida: Cristo está sempre de braços abertos para receber o mais indigno pecador, que reconhece o erro e apela pelo perdão, como nos relata Mateus 18:22 e se comprova na triste experiência de Pedro. Em contrapartida, outra verdade escriturística deve ser lembrada: não há esperança para quem consciente e deliberadamente rejeita os ensinamentos de Cristo e o seu sacrifício vicário em nosso favor.

Algumas ponderações esclarecedoras: “caíram (v.6) significa não pecados grosseiros, mas antes, nada menos que apostasia deliberada, uma completa rejeição e execração à fé de Cristo. No que lhes diz respeito (isto é para si mesmos) tais pessoas expulsam Cristo de suas próprias vidas, ou rejeitam sua reivindicação de ser o Filho de Deus, por ação similar à daqueles que procuraram livrar-se dele ao crucificá-lo. Desse modo expõem Cristo publicamente à vergonha”. (O Novo Comentário da Bíblia Editado em Português por Russell P. Shedd).

“Há aqui referências aos apostatados do cristianismo, àqueles que rejeitaram todo o sistema cristão e seu autor, o Senhor Jesus”. O “autor” se refere também àqueles que se uniram com os judeus blasfemos, chamando a Cristo de impostor, sustentando que sua morte na cruz foi consequência de ser um mal feitor. Este procedimento tornou impossível sua salvação, porque de maneira obstinada e maliciosa rejeitaram o Senhor que os resgatara. Ninguém, que creia em Cristo como o grande sacrifício pelo pecado e conhece o cristianismo como uma revelação divina está aqui incluído, embora ele possa ter desventuradamente apostatado de algum aspecto da salvação de Deus.

Estão crucificando novamente a Jesus Cristo, isto é, eles mostram abertamente que julgam a Cristo como digno da morte que Ele sofreu, tornando-se um exemplo público por ter sido crucificado. “Isto mostra que é a apostasia final, pela total rejeição do Evangelho e blasfêmia ao Salvador dos homens, que o apóstolo tem em vista neste relato.” (Notas de Adão Clarke sobre Hebreus 6:4 a 6).

“Algumas pessoas ficam perturbadas com estes textos, pensando que é possível que eles se refiram ao apostatado comum, que em seu coração jamais rejeitou ao Senhor, e que está constantemente pensando que algum dia voltará a servi-lo novamente. E muitas vezes, quando ele começa a penar seriamente em fazer isto o mais depressa possível, então o inimigo das almas confronta com estes textos, da mesma forma que confrontou o próprio Cristo com textos da Escritura, procurando dar-lhes uma aplicação errônea.

O texto fala de indivíduos verdadeiramente iluminados. Verdadeiramente provaram o dom celestial, e sabem por experiência o que ele significa. Tornaram-se participantes do Espírito Santo. Provaram a Palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro. Sua experiência alcançou as profundezas de um conhecimento definido, de forma que conheceram os explícitos fundamentos do divino dom. E então esses indivíduos se afastam de tudo isto, e, segundo o texto citado do décimo capítulo de Hebreus, consideram o sangue da aliança, pelo qual foram sacrificados, como coisa profana, comum. Desprezaram o Espírito da graça.

O texto fala de uma deserção real que leva um homem a renunciar as coisas que ele realmente sabe serem a verdade, e a tratar com desrespeito e desprezo ao Espírito Santo, cujas influências em toda a sua bendita realidade ele sentiu no próprio coração e vida. E tendo desertado desta maneira pode ser prontamente visto que ele se desligou de todas as influências que o atrairiam ao céu, e propositada e determinadamente se colocou numa posição sem esperança e fora do alcance de Deus. O texto mostra que ele fez isto voluntariamente – exercitou sua vontade para fazê-lo.

Mas o pobre apostatado, em vez de exercitar qualquer poder de vontade simplesmente deixou que sua vontade fosse vencida e destronada pelos persistentes ataques de Satanás; e para todos estes, o Senhor envia muitos apelos gracioso em sua Palavra, como Jeremias 3:12-14,22. De todos os benditos atributos de Deus, há um que ele destacou como preeminente: “O Senhor… tem prazer na misericórdia” (Miquéias 7:18)”. (Questions and Answers. F. M, vol. II, págs. 210-212).

Equipe Biblia.com.br

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Fonte: Pedro Apolinário, Leia e Compreenda Melhor a Bíblia (São Paulo: Instituto Adventista de Ensino, Agosto de 1985, 2ª ed., p. 111-114).

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