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Vãs repetições na oração

11 de abril de 2012

Oração não é uma fórmula, mantra ou reza. Oração deve ser o abrir do coração a Deus. A advertência de Jesus era contra uma prática muito comum e que pode ocorrer em nossos dias.

Quando Jesus fala que não devemos usar de vãs repetições Ele está dizendo que não devemos orar de forma mecânica ou sem compreensão. Deus vê o nosso coração, e quando oramos temos que orar com entendimento, com sinceridade e desejo de conhecer a vontade de Deus.

O termo grego empregado para “vãs repetições” é “battologeõ”; essa palavra “ocorre apenas neste versículo no Novo Testamento. Sugerem-se os seguintes significados: ‘balbuciar’, ‘dizer a mesma coisa várias vezes’, ‘murmurar’, ‘falar rapidamente’, ‘falar sem se prestar atenção no que se fala’. Jesus não proibiu que se repetissem pedidos em orações, pois Ele mesmo empregou essas repetições (Mateus 26:44).” [1]

Há exemplos na Bíblia que nos ajudam a compreender como os gentios oravam e usavam as “vãs repetições”:

Primeiro exemplo: O desafio entre os adoradores de Baal e o profeta Elias, que era adorador do único Deus verdadeiro. O livro de Reis descreve esse episódio:

“Tomaram o novilho que lhes fora dado, prepararam-no e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém não havia uma voz que respondesse; e, manquejando, se movimentavam ao redor do altar que tinham feito. Ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo: Clamai em altas vozes, porque ele é deus; pode ser que esteja meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir e despertará. E eles clamavam em altas vozes e se retalhavam com facas e com lancetas, segundo o seu costume, até derramarem sangue” (1 Reis 18:26-28).

Em contraste com a atitude dos idólatras, a oração de Elias foi simples, racional, com sentimento e reverência, reconhecendo-se a soberania divina. Elias orou a Deus dizendo:

“Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas. Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, SENHOR, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles” (1 Reis 18:36, 37).

Segundo exemplo: Os habitantes de Éfeso eram politeístas e fizeram um tumulto na cidade para conter a pregação de Paulo e dos obreiros que afirmavam “não serem deuses os que são feitos por mãos humanas” (Atos 19:27). Diana ou Ártemis era uma conhecida deusa da fertilidade. Havia um grande templo em Éfeso, uma das maravilhas do mundo antigo. Ali ficava a sede para sua adoração. Festas anuais em culto a Diana ou Ártemis levavam riqueza à cidade. Por isso que a pregação de que Jeová é único Deus, criador de todas as coisas e único digno de receber adoração, gerou uma reação contrária, conforme descrita no seguinte texto:

“Todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!” (Atos 19:34).

Portanto, o ensinamento de Jesus advertia contra a prática de orações mecânicas, longas, repetitivas como se estas características fossem uma demonstração de verdadeira piedade. Era uma advertência contra o exibicionismo e verbosidade, muito praticadas pelos judeus daquela época. “Havia outras formas de repetição que os judeus, como todos os povos orientais, sentiam-se inclinados a utilizar e às vezes em demasia.”[2]

Oração não é uma fórmula, mantra ou reza. Oração deve ser o abrir do coração a Deus. Salomão escreveu: “Que as palavras do homem perante Deus sejam breves, tal como está escrito: ‘Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras'” (Eclesiastes 5:1-2). O texto não está dizendo que Deus se cansa ou que Ele não aprecia nossas orações. Pelo contrário. Em toda a Bíblia vemos Deus desejoso de se comunicar com o pecador e a oração é chave nas mãos da fé através da qual adentramos Santuário de Deus, perante Seu trono, “trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16). O que Salomão está dizendo é que devemos ser cautelosos em relação ao que prometemos a Deus, ou seja, não devemos fazer votos precipitados.

Falar com Deus também é uma maneira de manter comunhão com Ele, desenvolvendo um relacionamento de intimidade e confiança. Deus nos fala por meio de Sua Palavra. Nós devemos estudá-la diariamente, de forma correta e com o desejo sincero de conhecer a vontade divina. Assim, ao conversarmos com Deus, nossos pensamentos e desejos estarão mais em harmonia com a Sua vontade revelada nas Escrituras Sagradas.

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14:13).

Equipe Biblia.com.br

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[1] Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, vol. 5, p. 404).

[2] William Barclay (Comentário Bíblico de Mateus, p. 212).

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