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Análise de Colossenses – 1º posicionamento (1/4)

29 de dezembro de 2016

Estaria correto afirmar que em Colossenses o mandamento do Sábado é anulado?

O primeiro posicionamento que sugere ter sido abolido o 4º mandamento:

Além de Colossenses 2:16, os que assim se posicionam usam textos como Isaías 1:13, Oséias 2:11, Colossenses 2:14-17 [2], para dizer que o mandamento do sábado não está  mais em vigor em nossos dias. Alguns que adotam essa tese são: o Pr. João Flávio Martinez, do Centro Apologético “Cristão” de Pesquisas (CACP) e Natanael Rinaldi, do Instituto “Cristão” de Pesquisas (ICP). Citam mais frequentemente Colossenses 2:14-17 porque a passagem explicitamente fala de haver Cristo “cravado algo na cruz” (verso 14). Na compreensão deles, o que foi “cravado na cruz” foi a Lei.

Eles também argumentam que a palavra “sábado” ocorre aproximadamente 60 vezes no Novo Testamento e, se Colossenses 2:16 não estivesse tratando do Sábado semanal, seria a única vez na Bíblia que a palavra seria empregada de maneira diferente. Os adeptos da segunda teoria que estudaremos logo mais também raciocinam dessa forma, só que defendem a perpetuidade do mandamento. A interpretação de que Colossenses está anulando a lei do Sábado está errada pelas seguintes razões:

1) A Lei de Deus, mesmo não sendo o meio de salvação (somos salvos pela graça – Efésios 2:8, 9), é o padrão de conduta para todo crente que está sendo santificado pelo Espírito Santo: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Efésios 2:10). Claramente o verso de Efésios diz que não somos salvos pelas boas obras,  mas as devemos praticar. É por isso que Jesus diz que o cristão é “o sal da terra” e a “luz do mundo” (Mateus 5:13, 14). Sem obras, não podemos “dar sabor” (propósito do sal) à vida das pessoas e nem “iluminá-las”;

2) A Lei é o padrão de julgamento porque indicará se a nossa fé nos transformou ou não:

“Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez” (Apocalipse 22:12).
“Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade” (Tiago 2:12).
“Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2:17).
“Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (1 João 2:4).
“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (João 14:15).

Os anjos não são oniscientes como Deus e, por isso, precisam ver (assim como as pessoas a quem testemunhamos) que realmente aceitamos a Jesus e que vivemos como Ele viveu (1 João 2:6).

3) Sendo o padrão do julgamento divino e um reflexo do caráter amoroso dEle, a Lei é eterna:

“Há muito aprendi dos teus testemunhos que tu os estabeleceste para sempre” (Salmo 119:152).
“Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:17, 18) – Palavras de Jesus[3]
“Anulamos então a Lei pela fé? De maneira nenhuma! Ao contrário, confirmamos a Lei” (Romanos 3:31).

A Bíblia de Estudo Plenitude (Sociedade Bíblica do Brasil), elaborada por vários estudiosos evangélicos, afirma em sua nota de rodapé a respeito de Romanos 3:31: “As leis morais de Deus não são abolidas pelo evangelho de Cristo. Ao invés disso, todo o plano de salvação, incluindo a obediência de Cristo à Lei por nós e sua morte para pagar a penalidade por termos violado a Lei, mostra que os padrões morais de Deus são eternamente válidos”. E, de acordo com Êxodo 20:1-17 e Deuteronômio 5:1-21, o mandamento do Sábado é de ordem moral!

4) O livro de Atos foi escrito aproximadamente 62 anos depois da morte de Cristo na cruz e nele podemos ler que o Sábado continuou sendo observado como dia religioso pelos seguidores de Jesus (ver textos no item 5):

“De Perge prosseguiram até Antioquia da Pisídia. No sábado, entraram na sinagoga e se assentaram” (Atos 13:14).

“O povo de Jerusalém e seus governantes não reconheceram Jesus, mas, ao condená-lo, cumpriram as palavras dos profetas, que são lidas todos os sábados” (Atos 13:27).

5) Paulo era um observador do Sábado. Era o dia preferido para ele pregar o evangelho. Portanto, não poderia em um lugar guardar Sábado e noutro texto dizer que o mesmo foi “abolido”. Seria incoerente o apóstolo agir de um jeito e ensinar outra coisa:

“Quando Paulo e Barnabé estavam saindo da sinagoga, o povo os convidou a falar mais a respeito dessas coisas no sábado seguinte. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor” (Atos 13:42, 44).
“No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali” (Atos 16:13)[4]
“Segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras” (Atos 17:2).

Veja que Paulo não guardava o Sábado para “agradar os judeus”. Era costume dele obedecer ao mandamento. Fazia parte do estilo de vida dele! Mesmo porque, em Atos 16:13, quando guardou o Sábado, ele estava em território Macedônico (a norte da Grécia) e não em território judeu! “E, uma vez que tinham a mesma profissão, ficou morando e trabalhando com eles, pois eram fabricantes de tendas. Todos os sábados ele debatia na sinagoga, e convencia judeus e gregos” (Atos 18:3, 4). Paulo não construía tendas aos Sábados, obedecendo ao mandamento de Êxodo 20:8-11. De acordo com Atos 18:11, o apóstolo ficou um ano e meio em Corinto, o que indica que só nessa cidade ele guardou 78 Sábados! Não há como ter dúvidas de que o dia do Senhor não é (e nunca será) o domingo. [5]

6) Deus disse para “lembrarmos” do Sábado. Não haveria necessidade de tal ênfase no mandamento se ele estivesse sendo abolido em Colossenses 2:16. “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo” (Êxodo 20:8).

7) Em Apocalipse 14:6-12 há os Três Últimos Recados de Deus à Humanidade, conhecidos como “Três Mensagens Angélicas”. Elas estão no contexto do “evangelho eterno” (Apocalipse 14:6), indicando que fazem parte do mesmo. A primeira mensagem (ou recado) é uma ordem para guardarmos o Sábado como memorial do Deus Criador e memorial do Deus Salvador: “Ele disse em alta voz: ‘Temam a Deus e glorifiquem-no, pois chegou a hora do seu juízo. Adorem aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas’”. Essas palavras sublinhadas estão parafraseando Êxodo 20:11, que nos dá razão para santificarmos o sétimo dia! “Pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar…”.

8) Não devemos dizer que a Lei do Senhor foi abolida porque assim estaremos desrespeitando ao Juiz de toda a terra. Davi, o homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), disse que já nos dias dele a Lei estava sendo ignorada e profetizou que um dia o Justo Juiz (João 5:22) virá para julgar tais pessoas: “Já é tempo de agires, SENHOR, pois a tua lei está sendo desrespeitada” (Salmo 119:126).

9) Na Nova Terra iremos observar o sétimo dia (Isaías 66:23) da semana para louvar o Criador e também a Festa de Lua Nova, período mensal em que comeremos da árvore da vida, segundo Apocalipse 22:2. “‘De uma lua nova a outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá e se inclinará diante de mim’, diz o SENHOR” (Isaías 66:23). Se o Sábado será celebrado na Nova Terra, precisamos nos acostumar a observá-lo nos dias de hoje, antes da volta de Jesus! (ler Hebreus 3:13).

<<Veja agora o que diz o 2º Posicionamento>>

Equipe Biblia.com.br
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[2] Se desejar, solicite gratuitamente à Escola Bíblica estudos sobre tais versos, entre outros, que são mal interpretados.

[3] O próprio Cristo tinha por costume guardar o Sábado: Lucas 4:16, 31. Mulheres piedosas como Maria faziam o mesmo (Lucas 23:54-56). Como lemos em Mateus 5:17, 18, Jesus não aboliu a lei; a palavra grega para “cumprir” (pleroo), empregada em Mateus 5:17 significa “completar”, “encher”. Isso indica que ao curar no Sábado (João 5:1-14) e colher espigas para se alimentar no dia santo (Mateus 12:1-8), Cristo não estava abolindo o mandamento, mas, “completando-o”, dando-lhe o verdadeiro significado (que havia sido distorcido pelos líderes judeus da época). Ele tinha poder para isso porque é o “Senhor do Sábado” (Mateus 12:8; Marcos 2:28). Cristo não era contra o mandamento, mas sim contra a maneira errada como era observado naqueles dias.

[4] Veja que Paulo nos dá uma dica maravilhosa sobre o que fazermos durante o Sábado, ele diz que devemos sair da correria da cidade e ir em meio à natureza, próximo a um rio, para orarmos, descansarmos e louvarmos a Deus!
[5] Quanto à falsa interpretação de Apocalipse 1:10, solicite à Escola Bíblica uma resposta sobre o assunto.

Análise de Colossenses – 2º posicionamento (2/4)
Olho por olho e dente por dente