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Análise de Colossenses – 3º posicionamento (3/4)

29 de dezembro de 2016

O texto de Colossenses 2:16 estaria fazendo menção aos sábados “cerimoniais” ou festas anuais (Levíticos 23), que apontavam para Cristo?

O terceiro posicionamento diz que o texto de Colossenses 2:16 está fazendo menção aos sábados “cerimoniais” ou festas anuais (Levíticos 23), que apontavam para Cristo.

Assim como o Dr. Bacchiocchi, o grande apologista e pastor Francis D. Nichol também admite que a palavra Sábado aparece 60 vezes no Novo Testamento. Mas, para ele, as 59 vezes em que aparece trata-se do Sábado semanal e na sexagésima (Colossenses 2:16), o Sábado cerimonial é que está em questão. Essa festa cerimonial estaria apontando para Cristo (Colossenses 2:17) e, na compreensão dele (e de outros estudiosos), é sobre este tipo de “dia de descanso” cerimonial que Paulo está discutindo. A argumentação é que “o sábado jamais poderia ser uma sombra, como afirma Colossenses 2:17, de um evento futuro – a salvação em Cristo – sendo que foi criado no passado, no Éden”. Também, que o termo “ordenanças”, usado em Colossenses 2:14, se refere às ordenanças e leis cerimoniais do Antigo Testamento e, a expressão “escrito de dívida”, poderia ser “uma referência à lei mosaica, especialmente tal como a interpretavam os judeus. A semelhança da linguagem com Efésios 2: 15 e a proximidade entre as duas epístolas, fez pensar que o “escrito de dívida” e a “lei dos mandamentos em forma de ordenanças” são uma mesma coisa…”[8]

Nichol argumenta:

Nenhuma dessas referências (59 encontradas) sugere que o Sábado havia perdido, estava em processo de perder, ou deveria perder algo da santidade que o havia distinguido até ali. Portanto, se o Novo Testamento ensina a abolição do Sábado, este ensino deve ser encontrado nessa única sexagésima referência. [9]

O mesmo escritor tem um comentário importante sobre a abolição da lei:

… a alegação de que o Decálogo (Dez Mandamentos) foi abolido na cruz assume um caráter monstruoso e sacrílego. Quando Cristo morreu na cruz, foi mudada a natureza moral de Deus? É um sacrilégio fazer essa pergunta. Enquanto Deus for de natureza imutável, os princípios morais que irradiam de Sua natureza permanecem imutáveis. Enquanto a natureza de Deus abominar a mentira, o furto, o homicídio, o adultério, a cobiça e os falsos deuses, o Universo, até às suas extremidades mais remotas, será controlado por leis morais contra esses maus atos. [10]

Outros estudiosos também afirmam que os Sábados mencionados são os cerimoniais, e isso com base em Levíticos 23:3, 27 e 38, que fazem distinção entre os aspectos moral e o cerimonial do Sábado:

“Em seis dias realizem os seus trabalhos, mas o sétimo dia é sábado, dia de descanso e de reunião sagrada. Não realizem trabalho algum; onde quer que morarem, será sábado dedicado ao SENHOR (Levíticos 23:3 – Sábado semanal).

“O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação. Façam uma reunião sagrada e humilhem-se, e apresentem ao SENHOR uma oferta preparada no fogo. É um sábado de descanso para vocês, e vocês se humilharão. Desde o entardecer do nono dia do mês até o entardecer do dia seguinte vocês guardarão esse sábado” (Levíticos 23:27 e 32 – Sábado anual).

“Além dos sábados do Senhor…” Levíticos 23:38 – segundo essa linha de estudiosos, aqui é feita uma separação entre os Sábados cerimoniais e morais. Vejamos a opinião de alguns eruditos evangélicos a respeito de Colossenses 2:16:

Albert Barnes, presbiteriano: “Não há nenhuma evidência nessa passagem de que Paulo ensinasse que não havia mais obrigação de observar qualquer tempo sagrado, pois não há a mais leve razão para crer que ele quisesse ensinar que um dos Dez Mandamentos havia cessado de ser obrigatório á humanidade. Se ele tivesse escrito a palavra ‘o sábado’, no singular, então, certamente estaria claro que ele quisesse ensinar que aquele mandamento (o quarto) cessou de ser obrigatório, e que o sábado não mais deveria ser observado. Mas o uso do termo no plural, e a sua conexão, mostram que o apóstolo tinha em vista o grande número de dias que eram observados pelos hebreus como festivais, como uma parte de sua lei cerimonial e típica, e não a lei moral, ou os Dez Mandamentos. Nenhuma parte da lei moral – nenhum dos Dez Mandamentos – poderia ser referido como ‘sombra das coisas futuras’. Estes mandamentos são, pela natureza da lei moral, de obrigação perpétua e universal”. [11]

Adam Clarke, metodista: “… O sábado semanal se apóia numa base mais permanente, tendo sido instituído no Éden, para comemorar o término da criação em seis dias. Levíticos 23:38 expressamente distingue ‘o sábado do Senhor’ dos outros sábados. Um preceito positivo é bom porque é ordenado e deixa de ser obrigatório quando ab-rogado; um preceito moral é mandato eterno, por ser eternamente justo”. [12]

O que foi dito anteriormente é suficiente para esclarecer que Paulo jamais pretendeu abolir, em Colossenses 2:16 e 17, a obrigatoriedade moral do quarto mandamento, que por ter sido instituído na criação (Gênesis 2:1-3) e fazer parte da lei moral (Êxodo 20:8-11), também é um mandamento ‘santo justo e bom’ (Romanos 7:12)”. [13]

Jamieson, Fausset e Brown (comentaristas evangélicos muito reconhecidos) dizem que os Sábados anuais “tiveram um fim com os serviços judaicos aos quais pertenciam”. E continuam: “O sábado semanal repousa sobre um fundamento mais permanente, tendo sido instituído no Paraíso para comemorar o término da criação em seis dias.” [14]

>>Veja a Conclusão<<

Equipe Biblia.com.br
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[8] Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Disponível em ellenwhitebooks.com Acesso em: 2 de junho de 2008.

[9] NICHOL, Francis de. Respostas a Objeções – Uma defesa bíblica da doutrina adventista, p. 148. Casa Publicadora Brasileira, 2005.

[10] Ibidem, p. 141.
[11] Notes on the Testament. Citado por Arnaldo B. Christianini em Sutilezas do Erro, p. 125.
[12] CLARKE (Comentário Bíblico), Adam. Vol. 6, p. 524. Ibidem, p. 70.
[13] TIM, Alberto Ronald. O Sábado nas Escrituras, p. 70, 71.

[14] Citado por Francis D. Nichol em Resposta a Objeções – Uma defesa bíblica da doutrina adventista, p. 146. Casa Publicadora Brasileira, 2005.

Análise de Colossenses - Conclusão (4/4)
Análise de Colossenses – 2º posicionamento (2/4)