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A questão do sofrimento de Jó

11 de abril de 2012

Tenho uma dúvida a respeito do que aconteceu com Jó. Mas o que eu vejo é que Deus instigou Satanás contra Jó. E eu pergunto, isso é justo?

“Tenho uma dúvida a respeito do que aconteceu com Jó.  Há os que acreditem que a culpa é de Satanás. Mas o que eu vejo é que Deus instigou Satanás contra Jó. ‘Disse então o SENHOR a Satanás: reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele’. E depois Deus deixou tudo de ruim acontecer com Jó, naquilo que nós chamamos de vontade permissiva de Deus. E eu pergunto, isso é justo? Sinceramente, isso que aconteceu com Jó não foi nem um pouco justo. Por favor, me ajude a compreender esse fato.”

Para entender essa questão, é preciso entender o cenário em que ele se desenrola. Há uma assembléia em que estão presentes os “filhos de Deus” diante do Senhor. Na versão Septuaginta traduz-se como “anjos de Deus”. De fato, existem seres que acompanham o desenrolar dos acontecimentos no Universo perante Deus, especialmente os que ocorrem na Terra. “Somos feitos espetáculos ao mundo, aos anjos e aos homens” (1 Coríntios 4:9).

Satanás não é apenas um nome de um ser. É um título. Em hebraico, HASSATAN, o artigo HA confere ao termo SATAN um título de “adversário” ou “acusador”, especialmente no contexto de demanda judicial, como em Zacarias 3:1. Está ocorrendo, portanto, uma disputa judicial referente à soberania sobre a Terra.

A pergunta de Deus: “De onde vens?” tem a conotação de “O que fazes aqui?”, “Com que direito te fazes presente?” Legalmente Satanás não poderia estar presente nesta Assembléia (Apocalipse 12:7-9).

A resposta de Satanás: “De rodear a terra, e passear por ela” deve ser entendido comparativamente. 2 Samuel 11:2 aparece Davi “passeando” pela sua casa. Gênesis 3:8 apresenta Deus “passeando” pelo jardim do Éden. A conotação é um soberano andar pelo seu reino para averiguar seu controle sobre ele. É uma inspeção real daquele que detém, ou que se acha detentor do poder, para verificar se não há oposição. Satanás é um usurpador da posição que pertenceria a Adão, caso não tivesse pecado. Ele se acha o príncipe deste mundo: “Agora é o tempo do juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (João 12:31).

Para as pretensões de Satanás é que Deus dá um xeque-mate: “Observaste o meu servo Jó?” A fidelidade de Jó a Deus era um testemunho contrário a reivindicação de domínio de Satanás. A presença constante de um remanescente ao longo da história atesta que a lei de Deus é justa e que é possível guardá-la pela graça de Cristo. As genealogias na Bíblia estão registradas para mostrar esta linhagem de remanescentes fiéis a Deus. Se Satanás conseguisse extingui-la obteria a sua reivindicação de pleno domínio sobre a Terra. Mas, “assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça” (Romanos 11:5).

A maravilhosa presciência de Deus faz com que Ele confie ao Seu remanescente a reivindicação do Seu caráter de amor e justiça diante das acusações de Satanás de ser Deus um Deus injusto. Neste momento surge a acusação de Satanás de que Jó era abençoado e servia a Deus por motivos egoístas e interesseiros, o que desencadeia todo o processo de sofrimento. Deus, que é onisciente, não precisava se expor à prova para comprovar a falsidade de Satanás e a Sua veracidade. Mas o fez por amor a outros seres que acompanham o desenrolar deste conflito.

Na questão da justiça de Deus e do pecado e engano incitado por Satanás, é necessário entender todos os seus desdobramentos, para que todos compreendam a malignidade do pecado e a maravilhosa graça divina que não mede esforços para ir até às últimas consequências. Deus não está alheio ao sofrimento de Jó. Aliás, há paralelos entre Jó e Jesus, o Servo sofredor (Salmo 22), que sofre injustiça muito maior do que a de Jó por amor a nós. O sofrimento pelo qual Deus passa ao ver Seus filhos sofrerem é muito maior do que o nosso. Jesus sofreu agonia inimaginável por nossa culpa.

Jó, portanto, representa o sofrimento pelos quais passamos por estar envolvidos neste grande conflito entre Deus e Satanás. Foi um erro de Adão, mas não foi uma opção nossa. Entretanto, é um privilégio para nós, por mais incrível que isto pareça, participar dos sofrimentos por amor a Cristo.

“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável. Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hebreus 10:32-39).

Embora o livro de Jó não forneça todas as respostas sobre sofrimento humano, o Grande Conflito que acontece nos bastidores de nossa existência e sua extensão cósmica, lançam luz para entendemos que o sofrimento humano pode ser causado por Satanás, pois ele é o originado do mal, mas pode também acontecer em decorrência de escolhas erradas que fazemos ou simplesmente por vivermos em um mundo imperfeito de pecado. Mas podemos ter a mesma certeza de Jó:

“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim” (Jó 19:25-27).

Equipe Biblia.com.br

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