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A oração muda alguma coisa?

17 de janeiro de 2017

O que muda com a oração? Deus muda? As circunstâncias e as pessoas mudam? E você, muda?

Por Leith Anderson

Existe por aí, pendurado na parede de muitas casas, um quadrinho com os dizeres: “A Oração Muda Tudo”. Será que isso é verdade? A oração muda mesmo? Tenho certeza de que muitos irão responder logo:”Claro! Se não mudasse, para que iríamos orar? O objetivo da oração não é justamente mudar as coisas?” Antes de tentar responder a essas perguntas, pensemos nelas um instante. Oração é comunhão com Deus, é uma forma de comunicação usada num relacionamento. Na verdade, em seu cerne, a oração não tem nada a ver com mudanças. Tem a ver com o nosso amor a Deus e nosso relacionamento com Ele.

Suponhamos que um rapaz e uma moça tenham começado a namorar. Certo dia ele dá uma festa em seu apartamento e convida a jovem. Ali, em dado momento, ela vê um quadrinho na parede com os dizeres: “O casamento muda tudo”. A princípio, ela acha graça. Depois, porém, percebendo que ele leva a ideia muito a sério, indaga-lhe o que aquilo significa para ele.

– Tem uma porção de coisas na minha vida que estou querendo mudar, explica o moço. Bebo demais. Estou desempregado e atolado em dívidas. Todas as minhas ex-namoradas têm raiva de mim. Quero casar para mudar tudo isso, para ter o que quero e ser feliz.

A moça sente-se meio perplexa diante do que ouve e pergunta:

_ Mas se o casamento não operar essas mudanças que você está querendo?

_ Ué, replica ele, se o casamento não modificar essas situações, então não me casarei.

Se essa jovem for esperta, dará um jeito de terminar o namoro o mais depressa possível, mesmo que ele seja o rapaz mais simpático do mundo. Certamente ela irá querer alguém que se case com ela porque a ama, porque deseja estar ao seu lado e relacionar-se com ela e não porque deseja modificar alguns aspectos de sua vida. (É claro que algumas mudanças irão mesmo ocorrer após o casamento.)

Meu irmão, Deus também tem sentimentos. Não há dúvida de que Ele acolhe todas as nossas orações. Contudo, em seu cerne a oração tem a ver é com nosso amor ao Senhor, nosso relacionamento e comunhão com Ele. Não podemos vê-lo como uma espécie de “gênio da lâmpada de Aladim”, que está ali só para atender aos nossos pedidos. É verdade que no decorrer de nosso relacionamento com Ele, ocorrerão algumas mudanças. Sabemos também que a oração é um dos meios que Deus usa para isso. Entretanto, mesmo que nada mude, a oração constitui um privilégio maravilhoso e glorioso, pois é o veículo pelo qual nos comunicamos com Deus. O Senhor deve estar em primeiro lugar, não as mudanças que desejamos. Para entendermos o que diz respeito à oração, as mudanças são de importância secundária, vamos examinar essa questão dividindo-a em quatro partes.

1. A oração muda Deus?

Na extraordinária história do rei Ezequias, narrada em 2 Reis 20:1-11, o profeta Isaías comunicou ao rei que ele iria morrer em breve. Ao ouvir a notícia, o rei chorou amargamente e clamou a Deus. Então o profeta voltou e entregou-lhe a seguinte mensagem de Deus: “Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos…” (v.5,6). Esse episódio não significa que Deus vá conceder mais quinze anos de vida a todo doente em fase terminal que lhe fizer uma oração assim. É fato que isso aconteceu com Ezequias. O mesmo Deus que anunciou sua morte iminente ouviu sua petição e ampliou seu tempo de vida. Nesse caso, a oração mudou Deus. Contudo alguns teólogos objetam a essa ideia, afirmando que Ele nunca muda. Para comprovar isso, citam alguns termos bíblicos como “imutável”, é o texto de Malaquias 3:6 : “Porque Eu, o Senhor, não mudo…”

Nessa questão, achamo-nos diante de um dos mistérios divinos. Dizem alguns que se alguém orou e uma mudança ocorreu é porque Deus já havia decidido operá-la. Sabia que a pessoa iria pedi-la e que sua resposta seria positiva. Outros pensam que Ele deixa mesmo algumas opções em aberto, dependendo de nós pedirmos ou não. E ainda outros creem que aquele que ora é que se muda para ajustar-se à vontade de Deus.

A verdade é que não sabemos exatamente como tudo se passa. Entretanto não temos dúvidas de que Deus opera. Os fiéis oram e Ele opera certos atos que para nós parecem mudanças. É pouco provável que Ezequias tenha discutido com o profeta os detalhes do que lhe sucedeu. O que interessava era que havia orado e Deus mudara o que havia determinado. Isso bastava!

2. A oração muda as circunstâncias?

Se Ezequias nos visse hoje, era possível até que dissesse:”Não fiquem aí especulando! Eu orei e Deus mudou as circunstâncias!” No entanto não nos achamos limitados apenas à experiência de Ezequias. Temos também uma declaração direta de Deus em Tiago 5:16-18: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por  três anos e seis meses, não choveu. E orou de novo, e o  céu deu chuva , e a terra fez germinar seus frutos.” A mensagem desse texto é clara: as orações do justo são poderosas e eficazes. E o exemplo citado é Elias – ele orou e interferiu no clima.

Certa vez tive uma experiência semelhante. Achava-me num sítio em Colorado, onde se cultivava beterraba. Estava chovendo havia vários dias e o solo encontrava-se encharcado. Era época de colheita, mas, devido às chuvas, estava sendo impossível efetuar-se o serviço. Os tratores atolavam na lama. A previsão da meteorologia era de mais chuva para a região. Então oramos, pedindo a Deus que ela parasse. Naquela noite, o noticiário da televisão anunciou que as condições climáticas haviam mudado inesperadamente, e que a previsão era de tempo bom.

3. A oração muda as pessoas?

Uma das orações mais fervorosas que fazemos é a intercessora: a petição no sentido de que alguém se modifique. Os pais oram pelos filhos. Mulheres oram pelo marido. Homens oram pela esposa. Algumas pessoas oram por amigos. Outras oram por igrejas, empresas e até mesmo países. Todos os dias milhares de indivíduos pedem a Deus que modifique alguém.

O texto de Tiago 5:13-15 nos dá orientações muito específicas a esse respeito. “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecado, ser-lhe-ão perdoados”.

Obviamente a resposta da Bíblia para a pergunta “A oração muda as pessoas?” é afirmativa. Aliás, ela ordena que oremos para que Deus modifique outros. Eu mesmo já presenciei mudanças em outras pessoas, não apenas em resposta as minhas orações, mas também às de terceiros. Entretanto acredito que precisamos ser cautelosos. Não podemos achar que nossa oração modificará a vontade de outrem ou passará por cima de seus pecados. Lembremos que, segundo Tiago 5:14, é o próprio enfermo que deve pedir que orem por ele.

Deus dá a todo mundo a liberdade de tomar suas próprias decisões – até mesmo a de errar ou pecar. As decisões que tomamos podem causar aos outros terríveis males ou enormes benefícios. Se uma pessoa decidir matar alguém, ou viver na imoralidade, ou maltratar outros, ou cometer algum outro tipo de erro, ninguém pode forçá-la a modificar-se e resolver fazer o que é certo – nem mesmo pela oração. Ela tem de tomar essa deliberação sozinha. Contudo podemos orar a Deus para que Ele a coloque em situações nas quais venha a tomar a decisão acertada.

4. A oração me modifica?

Esse talvez seja o aspecto mais importante da questão. E para Jesus a resposta era positiva. Na véspera de Sua morte, quando orava, foi conversar com seus três amigos mais chegados e disse-lhes: “Orai, para que não entreis em tentação”. Ele sabia que a vida é um campo de batalha espiritual. Todo crente acha-se nessa guerra. É como se houvesse minas no chão e balas cortando os ares. Todos nós corremos o risco de cair em pecado e ser destruído por ele. A melhor proteção de que podemos lançar mão é orar por nós mesmos. É claro que não é a oração que nos protege. Ela é apenas o meio pelo qual as forças do exército divino se colocam em ordem de batalha a nosso favor.

Quando oro, meu objetivo não é que Deus mude seus planos e faça tudo do meu jeito. Oro para que Ele me modifique e eu aja de modo que Ele quer. É como fazer o alinhamento do carro. Depois de rodarmos algum tempo, fazendo conversões, batendo em buracos e saliências da pista, as rodas ficam desalinhadas em relação ao veículo. Então o levamos à oficina. E o que o mecânico faz para corrigir o defeito? Desentorta o carro para emparelhá-lo com as rodas? Não. Ele ajusta as rodas para emparelhá-las com o carro. Assim também nós, todos os dias, precisamos fazer o alinhamento do nosso ser com Deus: nossos pensamentos com os dEle, nossa vontade com a dEle e nossa vida com a dEle. É, a oração muda a gente.

Outro aspecto dessa questão é que não adianta mudar sem Cristo. Por outro lado, é impossível estar em Cristo sem mudar. Portanto, ao orarmos, temos de colocar no centro de tudo a pessoa de Jesus, e não aquilo que desejamos ver mudado. Precisamos buscar a Cristo mais do que as mudanças, para obtermos o máximo do Senhor e delas.

Equipe Biblia.com.br

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Fonte: Mensagem da Cruz – Abril- Junho/96. p. 3-6.

[Extraído do livro: Winning the Values War in a Changing Culture (Ganhando a Guerra dos valores numa sociedade em constantes mudanças), 1994.]

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