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A nova aliança aboliu os Dez Mandamentos?

11 de abril de 2012

O pacto eterno é simplesmente o que Deus tem disposto para a salvação da raça humana. Em sua essência, o "pacto eterno" é um sinônimo do "plano de redenção".

Pr. Valdeci G. da Silva Jr.

“A Bíblia diz que o antigo concerto foi abolido. Isto significa que os dez mandamentos também foram…?”.

“Na Bíblia aparecem dois pactos: um ‘antigo’ e outro ‘novo’. Na realidade, não há mais que um pacto: existe apenas um plano de salvação, que é um ‘pacto eterno’ por meio de Jesus (Apocalipse 13:8). O que se fala de um ‘pacto antigo’ – o que foi confirmado no Sinai – e um ‘pacto novo’ – o que foi confirmado no calvário – pode contribuir para uma confusão. O pacto eterno é simplesmente o que Deus tem disposto para a salvação da raça humana. Em sua essência, o ‘pacto eterno’ é um sinônimo do ‘plano de redenção’. Este pacto foi feito com Adão no Éden (Gênesis 3:15) e mais tarde foi renovado com Abraão, um plano mediante o qual o homem poderia ser restabelecido à posição que havia perdido.

O homem necessitava receber o perdão de suas transgressões. Este perdão só foi possível por meio da obra que o Filho de Deus haveria de realizar em Sua encarnação, vida e morte. O caráter do homem necessitava ser posto novamente em harmonia com a imagem divina. Prometeu-se ao homem o poder divino, o qual, uma vez aceito pelo ser humano, expulsaria da vida o pecado e incorporaria no ser os traços da piedade. Este pacto ou convênio para a salvação foi feito com Adão, porém se aplica igualmente aos homens de todas as idades. No Novo Testamento, este mesmo pacto se denominou ‘novo pacto’, simplesmente porque sua validação mediante o sacrifício de Cristo ocorreu depois da validação do antigo pacto, realizado no Sinai.

O antigo pacto foi feito no Sinai. Já que existia uma disposição adequada para a salvação dos homens, por que foi necessário que se fizesse este outro pacto? O pacto antigo nunca teve o propósito de ocupar o lugar do pacto eterno. Tampouco devia servir como outra maneira para alcançar a salvação. Se for estudado o marco histórico, se compreenderá com maior clareza seu propósito. Enquanto haviam sido escravos no Egito, os israelitas haviam perdido o conhecimento de Deus e dos requerimentos divinos. Necessitar-se-ia algum tempo para voltar a compreendê-los.

A verdade espiritual só pode compreender-se na forma gradual. Só quando se tem aprendido uma verdade, pode-se entender bem outra. Deus começou Sua instrução no Sinai dizendo ao povo que o propósito de Seu plano era o de harmonizar a vida deles com o caráter divino. Todavia, este propósito foi expresso em forma objetiva ‘Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações. Embora toda a terra seja minha, vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’ (Êxodo 19:5, 6). Nesse momento os israelitas pouco entendiam o que isto implicava. Concordaram com a ampla declaração de propósitos e responderam: ‘Tudo o que Jeová disse, faremos’ (Êxodo 19:8).  Deus tinha um plano de prosseguir a partir deste ponto, e instruir o povo de modo a conseguir esses objetivos. De forma gradual, à medida em que pudessem compreender, Deus se proporia ensinar-lhes todos os detalhes do pacto eterno…”

“Desgraçadamente, o povo nunca pôde prosseguir mais além da primeira lição em sua instrução espiritual. Captou a ideia de que era necessário obedecer. Essa filosofia já haviam aprendido no Egito. Portanto, procurou o favor de Deus esforçando-se em render uma obediência externa aos requerimentos divinos. Foram repelidos todos os intentos divinos de mostrar que era necessário ter um coração novo, e que era indispensável a graça divina para que tal obediência fosse possível. Salvo poucas exceções individuais, esta atitude continuou durante todo o período do Antigo Testamento, apesar de os profetas repetidas vezes instarem ao povo para que aceitassem essa relação mais excelsa…”[1]

“Os israelitas não haviam cumprido com os requerimentos divinos porque haviam procurado ser justos por meio de seus próprios esforços inúteis. O Senhor conhece esta tendência inerente no homem, e lhe prometeu “um novo pacto” (ou concerto), e por meio desse pacto o homem chega a ser santo pela fé no Redentor e Santificador (Gálatas 3; Hebreus 8:8-10). Deus desejava que os repatriados experimentassem de todo o coração e com toda a alma a realidade do novo pacto. Porém, a nação não alcançou este ideal…”[2]

“O pacto que Deus fez com Israel no Sinai geralmente é chamado de ‘velho’ pacto (Hebreus 8:13). Devido ao fracasso do povo em avaliar plenamente o propósito de Deus, e por não haver entrado no verdadeiro espírito do pacto, o velho pacto ressaltou-se em contraste com o novo, o Evangelho, da seguinte maneira: (1) Era mais elementar (Gálatas 4:1-5). (2) Estava mais estritamente relacionado com ritos externos e cerimônias (Hebreus 9:1). (3) Seus motivos consistiam principalmente em castigos e recompensas, pois sendo ‘filhos’, estes eram os únicos incentivos que os israelitas estavam preparados para compreender (Gálatas 4:3; Patriarcas e Profetas, p.387). (4) Suas bênçãos eram temporais. (5) Dependia das relações humanas e de boas obras mais do que da graça divina e de um Salvador do pecado… A bênção extraordinária do novo pacto é que pela fé em Cristo se é dado poder ao crente para cumprir ‘a justiça da lei’ (Romanos 8:1-4; conferir Atos 13:37-39).

“Deus permitiu que Israel se ocupasse em guardar a lei para que pudesse dar-se conta de sua incapacidade de o fazer, o que, erroneamente, se sentiu capaz de realizar. Assim, iam ser apartados da confiança própria para confiar em Deus; da confiança em seus esforços próprios para a fé na realização divina. Assim, a lei chegaria a converter-se no meio de conduzir-lhes a Cristo como seu único Salvador do pecado (Gálatas 3:23-26). Dessa maneira se preparou o caminho para a relação do novo pacto, o Evangelho da graça divina, a lei guardada em Cristo mediante Ele (Jeremias 31:33-34; Romanos 3:21-31; 8:1-4; Hebreus 8:7-11). Como Paulo declara, essa relação do novo pacto não invalida a lei ‘pela fé’ (Romanos 3:31). A lei permanece como a norma do dever, a norma de uma prática santa. O novo pacto estabelece a lei como o código eterno de justiça, sem o qual não pode haver nenhuma conduta santa”[3]

Hebreus 9:19 está dizendo que os Dez Mandamentos foram abolidos?

Leiamos o verso: “porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomaram o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, e lã tinta de escarlate, e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também sobre todo o povo” (Hebreus 9:19). Depois de uma leitura atenta perceba que de maneira alguma o texto está tratando do assunto dos mandamentos.

O sangue dos animais sacrificados nos dias do Antigo Testamento simbolizava o sangue de Cristo (João 1:29) que seria derramado em nosso favor. Aquele sangue simbolizava o sangue de Jesus que viria morrer pelo pecador, assim Moisés iniciou o antigo pacto aspergindo sangue sobre o povo e a lei. Os Dez mandamentos eram a base do velho concerto, como igualmente o são do novo; mas não eram o velho concerto em si[4].

O concerto (o mesmo que “acordo”) dependia do decálogo, mas o decálogo não dependia do concerto. No velho concerto a aliança foi feita pelo sangue de animais (símbolo do sangue de Jesus); no novo, é feito pelo sangue do próprio Cristo (Lucas 22:20). Mas isso não anula a lei de Deus. Veja:

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33).

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Hebreus 8:10).

“Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei” (Hebreus 10:16).

Percebeu qual é a diferença entre o velho e novo concerto?

1)      No velho concerto a lei era guardada pelo povo somente pela letra (porque escolheram assim) e não com o coração;

2)      No novo concerto Deus mudou isso: imprimiu a lei na mente e no coração dos crentes, ensinando assim que só podemos ser obedientes pela graça de Cristo.

Se Deus no novo concerto imprime Suas leis em nossa mente e coração, é lógico que esta lei não foi abolida! “É oportuno lembrar que o insucesso do velho concerto não estava na lei de Deus, mas no povo. Em Hebreus 8:9 se diz que Deus os repreendeu, porque eram repreensíveis. A tradução inglesa diz: ‘Porque sendo eles (o povo) achado em falta…’. ”[5]

“O velho concerto era um pacto de obras, feito sobre promessas humanas, e o seu fracasso demonstrou falibilidade do homem em pretender, por esforço próprio, guardar os mandamentos de Deus, ou pôr-se em harmonia com a lei do Céu. Quão significativas foram as palavras de Paulo, ao dizer que “a inclinação da carne” – a mente carnal que caracterizou o Israel rebelde – “não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o poder ser” (Romanos 8:7).

“Isto significa que, quando pelo evangelho somos transformados do carnal para o espiritual, então a lei de Deus pode ser escrita em nossos corações, e o novo concerto – ratificado com o precioso sangue de Cristo – é efetivado em nossa vida. Quem não tem um novo coração e não se põe em harmonia com a lei do céu, nunca nasceu de novo, pois quem vive transgredindo a lei de Deus continuamente está em pecado, porque “o pecado é a transgressão da lei”, segundo a melhor tradução de 1 João 3:4 e o mais autorizado conceito teológico”[6].

Devemos ter claro em nossa mente que não existe um plano de salvação para as pessoas que viveram na época do antigo testamento e outro para os que vivem no novo testamento. Há um meio de salvação – pela graça – para toda a humanidade:

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2:11).

“Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pedro 1:10-11).

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei muito abalado” (Salmo 62:1-2).

A Salvação pela graça não é privilégio apenas do povo que vive sob o novo concerto. Já pensou um dia, você chegar ao céu, encontrar Abraão e dizer a ele: “Abraão, eu fui salvo pela graça”. Abraão poderia argumentar: “eu fui salvo pela lei…? Que história é essa? Uns devem guardar a Lei e outros não? Como isso?” O Céu seria uma verdadeira confusão, pois a salvação seria mais fácil para os que vivem na época do novo concerto (Deus estaria fazendo acepção de pessoas!).

Abraão também foi salvo pela graça e assim como ele foi obediente a Deus (Gênesis 26:5), pela atuação do Espírito Santo em nós (Filipenses 2:13), precisamos ser transformados para nos tornarmos fiéis aos mandamentos do nosso Criador, pois somos descendentes espirituais de Abraão, o “Israel espiritual”! (Gálatas 6:16).

A graça não anula a lei. Ela nos capacita a obedecer e viver em conformidade com os ensinamentos de Deus; não foi dada para nos dar permissão para pecarmos, como lemos em Romanos 6:6-8. Paulo mesmo afirma: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Romanos 3:31).

Portanto, as expressões “velho concerto” e “novo concerto” não se referem a períodos diferentes em que num deles a lei era válida e noutro, não. O termo “velho concerto” também é com base no “sangue” e é chamado de “velho” porque foi dado no Sinai. Já o “novo” é chamado de “novo concerto” não porque não existia (Apocalipse 13:8), mas porque foi validada pelo sangue de Cristo na cruz. Deus tem um plano de salvação estabelecido na eternidade (1 Pedro 1:18-20).

A lei nunca foi o meio de salvação e nem o será; é apenas a base para o concerto. O cristão deve guardá-la como demonstração de fé e de que teve seu caráter realmente convertido. A obediência é uma prova de amor a Jesus (João 14:15). Eis alguns versos para nosso estudo e reflexão:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos”? (Romanos 6:1-2).

“E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum! Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:15-16).

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça. Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.  Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:26-31).

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 João 5:3).

“Quanto às tuas prescrições, a muito sei que as estabeleceste para sempre” (Salmo 119: 1520).

“Aquele que diz: eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 João 2:4).

“Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor” (Isaías 30:9).

Equipe Biblia.com.br

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