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Gênesis – Capítulo 13

1 Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e Ló foi com ele.
2 Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.
3 Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente
4 e onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.
5 Ló, que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas.
6 E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los.
7 Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló. Nessa época os cananeus e os ferezeus habitavam aquela terra.
8 Então Abrão disse a Ló: Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos!
9 Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda.
10 Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra.
11 Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao leste. Assim os dois se separaram:
12 Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.
13 Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor.
14 Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: De onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste:
15 toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre.
16 Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência.
17 Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você.
18 Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.

Gênesis – Capítulo 20

1 Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar.
2 Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.
3 Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada”.
4 Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: Senhor, destruirias um povo inocente?
5 Não foi ele que me disse: “Ela é minha irmã”? E ela também não disse: “Ele é meu irmão”? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas.
6 Então Deus lhe respondeu no sonho: Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la.
7 Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta, e orará em seu favor, para que você não morra. Mas se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão.
8 Na manhã seguinte, Abimeleque convocou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo.
9 Depois Abimeleque chamou Abraão e disse: “O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém!”
10 E perguntou Abimeleque a Abraão: “O que te levou a fazer isso?”
11 Abraão respondeu: Eu disse a mim mesmo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher.
12 Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher.
13 E quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Assim você me provará sua lealdade: em qualquer lugar aonde formos, diga que sou seu irmão.
14 Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher.
15 E disse Abimeleque: “Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quiseres”.
16 A Sara ele disse: “Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofensa feita a você[74] diante de todos os seus; assim todos saberão que você é inocente”.
17 A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos,
18 porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.

Gênesis – Capítulo 21

1 O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.
2 Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
3 Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.
4 Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.
5 Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6 E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
7 E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”
8 O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
9 Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de[75] Isaque,
10 e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
11 Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.
12 Mas Deus lhe disse: Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.
13 Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente.
14 Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d'água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba[76].
15 Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto
16 e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar[77].
17 Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.
18 Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo.
19 Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
20 Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.
21 Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.
22 Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: Deus está contigo em tudo o que fazes.
23 Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata ­a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei.
24 Respondeu Abraão: “Eu juro!”
25 Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.
26 Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
27 Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
28 Abraão separou sete ovelhas do rebanho,
29 pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?”
30 Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
31 Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
32 Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.
33 Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.
34 E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.

Gênesis – Capítulo 22

1 Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui”.
2 Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto[78] num dos montes que lhe indicarei”.
3 Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.
4 No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.
5 Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”.
6 Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos,
7 Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai!” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”
8 Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos.
9 Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
10 Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.
11 Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
12 “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”
13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho.
14 Abraão deu àquele lugar o nome de “O ­SenhorProverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”.
15 Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão
16 e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o Senhor, “que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho,
17 esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos
18 e, por meio dela, todos os povos da terra serão abençoados, por­que você me obedeceu.
19 Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.
20 Passado algum tempo, disseram a Abraão que Milca dera filhos a seu irmão Naor:
21 Uz, o mais velho, Buz, seu irmão, Quemuel, pai de Arã,
22 Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel,
23 pai de Rebeca. Estes foram os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.
24 E sua concubina, chamada Reumá, teve os seguintes filhos: Tebá, Gaã, Taás e Maaca.

Gênesis – Capítulo 23

1 Sara viveu cento e vinte e sete anos
2 e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.
3 Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:
4 “Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.
5 Responderam os hititas a Abraão:
6 “Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus[79] em nosso meio. Enterre a sua mulher nu­ma de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.
7 Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,
8 e disse-lhes: Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
9 a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês.
10 Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:
11 “Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.
12 Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra
13 e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.
14 Efrom respondeu a Abraão:
15 “Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.
16 Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.
17 Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido
18 a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.
19 Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.
20 Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.

Gênesis – Capítulo 24

1 Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhorem tudo o abençoara.
2 Dis­se ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: Ponha a mão debaixo da minha coxa
3 e jure pelo Senhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo,
4 mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque.
5 O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”
6 “Cuidado!”, disse Abraão, “Não deixe o meu filho voltar para lá.
7 O Senhor, o Deus dos céus, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me prometeu sob juramento ­que à minha descendência daria esta terra, enviará o seu anjo adiante de você para que de lá traga uma mulher para meu filho.
8 Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá.
9 Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.
10 O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor. Partiu para a Mesopotâmia[80], em direção à cidade onde Naor tinha morado.
11 Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.
12 Então orou: Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão.
13 Como vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água.
14 Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber, e ela me responder: “Bebe. Também darei água aos teus camelos”, seja essa a que escolheste para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com o meu senhor.
15 Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.
16 A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.
17 O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
18 “Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.
19 Depois que lhe deu de beber, disse: “Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los”.
20 Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.
21 Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o Senhor tinha ou não coroado de êxito a sua missão.
22 Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis gramas[81] e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas[82],
23 e perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite”.
24 “Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela;
25 e acrescen­tou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.
26 Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor,
27 dizendo: “Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor. Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor”.
28 A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.
29 Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,
30 pois tinha visto o pendente e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.
31 E disse: “Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.
32 Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.
33 Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”. Disse Labão: “Então fale”.
34 E ele disse: Sou servo de Abraão.
35 O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.
36 Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui.
37 E meu senhor fez-me jurar, dizendo: “Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo,
38 mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho”.
39 Então perguntei a meu senhor: E se a mulher não quiser me acompanhar?
40 Ele respondeu: “O Senhor, a quem tenho servido, enviará seu anjo com você e coroará de êxito a sua missão, para que você traga para meu filho uma mulher do meu próprio clã, da família de meu pai.
41 Quando chegar aos meus parentes, você estará livre do juramento se eles se recusarem a entregá-la a você. Só então você estará livre do juramento”.
42 Hoje, quando cheguei à fonte, eu disse: Ó Senhor, Deus do meu senhor Abraão, se assim desejares, dá êxito à missão de que fui incumbido.
43 Aqui estou em pé diante desta fonte; se uma moça vier tirar água e eu lhe disser: Por favor, dê-me de beber um pouco de seu cântaro,
44 e ela me responder: “Bebe. Também darei água aos teus camelos”, seja essa a que o Senhor escolheu para o filho do meu senhor.
45 Antes de terminar de orar em meu coração, surgiu Rebeca, com o cântaro ao ombro. Dirigiu-se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Por favor, dê-me de beber.
46 Ela se apressou a tirar o cântaro do ombro e disse: “Bebe. Também darei água aos teus camelos”. Eu bebi, e ela deu de beber também aos camelos.
47 Depois lhe perguntei: De quem você é filha? Ela me respondeu: “De Betuel, filho de Naor e Milca”. Então coloquei o pendente em seu nariz e as pulseiras em seus braços,
48 e curvei-me em adoração ao Senhor. Bendisse ao ­Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para buscar para o filho dele a neta do irmão do meu senhor.
49 Agora, se quiserem mostrar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me também, para que eu decida o que fazer.
50 Labão e Betuel responderam: Isso vem do Senhor; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra.
51 Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor.
52 Quando o servo de Abraão ouviu o que disseram, curvou-se até o chão diante do Senhor.
53 Então o servo deu jóias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.
54 Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite. Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
55 Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você[83] poderá partir”.
56 Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.
57 Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”.
58 Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?” “Sim, quero”, respondeu ela.
59 Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.
60 E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos”.
61 Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
62 Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi[84], pois habitava no Neguebe.
63 Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.
64 Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo
65 e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?” “É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
66 Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
67 Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

Gênesis – Capítulo 29

1 Então Jacó seguiu viagem e chegou à Mesopotâmia[97].
2 Certo dia, olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra.
3 Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois recolocavam a pedra em seu lugar, sobre o poço.
4 Jacó perguntou aos pastores: “Meus amigos, de onde são vocês?” “Somos de Harã”, responderam.
5 “Vocês conhecem Labão, neto de Naor?”, perguntou-lhes Jacó. Eles responderam: “Sim, nós o conhecemos”.
6 Então Jacó perguntou: “Ele vai bem?” “Sim, vai bem”, disseram eles, “e ali vem sua filha Raquel com as ovelhas.”
7 Disse ele: “Olhem, o sol ainda vai alto e não é hora de recolher os rebanhos. Dêem de beber às ovelhas e levem-nas de volta ao pasto”.
8 Mas eles responderam: “Não podemos, enquanto os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas”.
9 Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora.
10 Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de seu tio Labão.
11 Depois Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto.
12 Então contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. E ela foi correndo contar tudo a seu pai.
13 Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, seu sobrinho, correu ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Depois, levou-o para casa, e Jacó contou-lhe tudo o que havia ocorrido.
14 Então Labão lhe disse: “Você é sangue do meu sangue[98]”. Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão,
15 quando este lhe disse: “Só por ser meu parente você vai trabalhar de graça? Diga-me qual deve ser o seu salário”.
16 Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel.
17 Lia tinha olhos meigos[99], mas Raquel era bonita e atraente.
18 Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: “Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova”.
19 Labão respondeu: “Será melhor dá-la a você do que a algum outro homem. Fique aqui comigo”.
20 Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.
21 Então disse Jacó a Labão: “Entregue-me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar-me com ela”.
22 Então Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa.
23 Mas quando a noite chegou, deu sua filha Lia a Jacó, e Jacó deitou-se com ela.
24 Labão também entregou sua serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.
25 Quando chegou a manhã, lá estava Lia. Então Jacó disse a Labão: “Que foi que você me fez? Eu não trabalhei por Raquel? Por que você me enganou?”
26 Labão respondeu: Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha.
27 Deixe passar esta semana de núpcias e lhe daremos também a mais nova, em troca de mais sete anos de traba­lho.
28 Jacó concordou. Passou aquela semana de núpcias com Lia, e Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher.
29 Labão deu a Raquel sua serva Bila, para que ficasse a serviço dela.
30 Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. E trabalhou para Labão outros sete anos.
31 Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, concedeu-lhe filhos; Raquel, porém, era estéril.
32 Lia engravidou, deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Rúben, pois dizia: “O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará”.
33 Lia engravidou de novo e, quando deu à luz outro filho, disse: “Porque o Senhor ouviu que sou desprezada, deu-me também este”. Pelo que o chamou Simeão.
34 De novo engravidou e, quando deu à luz mais um filho, disse: “Agora, finalmente, meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei três filhos”. Por isso deu-lhe o nome de Levi.
35 Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais outro filho, disse: “Desta vez louvarei o Senhor”. Assim deu-lhe o nome de Judá. Então parou de ter filhos.

Gênesis – Capítulo 33

1 Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando, com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.
2 Colocou as servas e os seus filhos à frente, Lia e seus filhos depois, e Raquel com José por último.
3 Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
4 Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.
5 Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes?” Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.
6 Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram.
7 Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.
8 Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho?” “Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.
9 Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.
10 Mas Jacó insistiu: Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!
11 Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.
12 Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.
13 Jacó, porém, lhe disse: Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.
14 Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir.
15 Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”. Jacó perguntou: “Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!”
16 Naquele dia Esaú voltou para Seir.
17 Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.
18 Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à[113] cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.
19 Por cem peças de prata[114] comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.
20 Ali edificou um altar e lhe cha­mou El Elohe Israel[115].

Gênesis – Capítulo 36

1 Esta é a história da família de Esaú, que é Edom.
2 Esaú casou-se com mulheres de Canaã: com Ada, filha de Elom, o hitita, e com Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão, o heveu;
3 e também com Basemate, filha de Ismael e irmã de Nebaiote.
4 Ada deu a Esaú um filho chamado Elifaz; Basemate deu-lhe Reuel;
5 e Ooli­bama deu-lhe Jeús, Jalão e Corá. Esses foram os filhos de Esaú que lhe nasceram em Canaã.
6 Esaú tomou suas mulheres, seus filhos e filhas e todos os de sua casa, assim como os seus rebanhos, todos os outros animais e todos os bens que havia adquirido em Canaã, e foi para outra região, para longe do seu irmão Jacó.
7 Os seus bens eram tantos que eles já não podiam morar juntos; a terra onde estavam vivendo não podia sustentá-los, por causa dos seus rebanhos.
8 Por isso Esaú, que é Edom, fixou-se nos montes de Seir.
9 Este é o registro da descendência de Esaú, pai dos edomitas, nos montes de Seir.
10 Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; e Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú.
11 Estes foram os filhos de Elifaz: Temã, Omar, Zefô, Gaetã e Quenaz.
12 Elifaz, filho de Esaú, tinha uma concubina chamada Timna, que lhe deu um filho chamado Amaleque. Foram esses os netos de Ada, mulher de Esaú.
13 Estes foram os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá. Foram esses os netos de Basemate, mulher de Esaú.
14 Estes foram os filhos de Oolibama, mulher de Esaú, filha de Aná e neta de Zibeão, os quais ela deu a Esaú: Jeús, Jalão e Corá.
15 Foram estes os chefes dentre os descendentes de Esaú: Os filhos de Elifaz, filho mais velho de Esaú: Temã, Omar, Zefô, Quenaz,
16 Corá[130], Gae­tã e Amaleque. Foram esses os chefes descendentes de Elifaz em Edom; eram netos de Ada.
17 Foram estes os filhos de Reuel, filho de Esaú: Os chefes Naate, Zerá, Samá e Mizá. Foram esses os chefes descendentes de Reuel em Edom; netos de Basemate, mulher de Esaú.
18 Foram estes os filhos de Oolibama, mulher de Esaú: Os chefes Jeús, Jalão e Corá. Foram esses os chefes descendentes de Oolibama, mulher de Esaú, filha de Aná.
19 Foram esses os filhos de Esaú, que é Edom, e esses foram os seus chefes.
20 Estes foram os filhos de Seir, o horeu, que estavam habitando aquela região: Lotã, So­bal, Zibeão e Aná,
21 Disom, Ézer e Disã. Esses filhos de Seir foram chefes dos horeus no território de Edom.
22 Estes foram os filhos de Lotã: Hori e Hemã. Timna era irmã de Lotã.
23 Estes foram os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.
24 Estes foram os filhos de Zibeão: Aiá e Aná. Foi este Aná que descobriu as fontes de águas quentes[131] no deserto, quando levava para pastar os jumentos de Zibeão, seu pai.
25 Estes foram os filhos de Aná: Disom e Oolibama, a filha de Aná.
26 Estes foram os filhos de Disom: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.
27 Estes foram os filhos de Ézer: Bilã, Zaavã e Acã.
28 Estes foram os filhos de Disã: Uz e Arã.
29 Estes foram os chefes dos horeus: Lotã, Sobal, Zibeão, Aná,
30 Disom, Ézer e Disã. Esses foram os chefes dos horeus, de acordo com as suas divisões tribais na região de Seir.
31 Estes foram os reis que reinaram no território de Edom antes de haver rei entre os israelitas:
32 Belá, filho de Beor, reinou em Edom. Sua cidade chamava-se Dinabá.
33 Quando Belá morreu, foi sucedido por Jobabe, filho de Zerá, de Bozra.
34 Jobabe morreu, e Husã, da terra dos temanitas, foi o seu sucessor.
35 Husã morreu, e Hadade, filho de Bedade, que tinha derrotado os midianitas na terra de Moabe, foi o seu sucessor. Sua cidade chamava-se Avite.
36 Hadade morreu, e Samlá de Masreca foi o seu sucessor.
37 Samlá morreu, e Saul, de Reobote, próxima ao Eufrates[132], foi o seu sucessor.
38 Saul morreu, e Baal-Hanã, filho de Acbor, foi o seu sucessor.
39 Baal-Hanã, filho de Acbor, morreu, e Hadade[133] foi o seu sucessor. Sua cidade chamava-se Paú, e o nome de sua mulher era Meetabel, filha de Matrede, neta de Mezaabe.
40 Estes foram os chefes descendentes de Esaú, conforme os seus nomes, clãs e regiões: Timna, Alva, Jetete,
41 Oolibama, Elá, Pi­nom,
42 Quenaz, Temã, Mibzar,
43 Mag­diel e Irã. Foram esses os chefes de Edom; cada um deles fixou-se numa região da terra que ocuparam. Os edomitas eram descendentes de Esaú.

Gênesis – Capítulo 37

1 Jacó habitou na terra de Canaã, onde seu pai tinha vivido como estrangeiro.
2 Esta é a história da família de Jacó: Quando José tinha dezessete anos, pastoreava os rebanhos com os seus irmãos. Ajudava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e contava ao pai a má fama deles.
3 Ora, Israel gostava mais de José do que de qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa[134].
4 Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que de qualquer outro filho, odiaram-no e não conseguiam falar com ele amigavelmente.
5 Certa vez, José teve um sonho e, quando o contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.
6 “Ouçam o sonho que tive”, disse-lhes.
7 “Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele.”
8 Seus irmãos lhe disseram: “Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai nos governar?” E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito.
9 Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: “Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.
10 Quando o contou ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e lhe disse: “Que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar até o chão diante de você?”
11 Assim seus irmãos tiveram ciúmes dele; o pai, no entanto, refletia naquilo.
12 Os irmãos de José tinham ido cuidar dos rebanhos do pai, perto de Siquém,
13 e Israel disse a José: “Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá”. “Sim, senhor”, respondeu ele.
14 Disse-lhe o pai: “Vá ver se está tudo bem com os seus irmãos e com os rebanhos, e traga-me notícias”. Jacó o enviou quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém;
15 um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: “Que é que você está procurando?”
16 Ele respondeu: “Procuro meus irmãos. Pode me dizer onde eles estão apascentando os rebanhos?”
17 Respondeu o homem: “Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: “Vamos para Dotã””. Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã.
18 Mas eles o viram de longe e, antes que chegasse, planejaram matá-lo.
19 “Lá vem aquele sonhador!”, diziam uns aos outros.
20 “É agora! Vamos matá-lo e jogá-lo num destes poços, e diremos que um animal selvagem o devorou. Veremos então o que será dos seus sonhos.”
21 Quando Rúben ouviu isso, tentou livrá-lo das mãos deles, dizendo: “Não lhe tiremos a vida!”
22 E acrescentou: “Não derramem sangue. Joguem-no naquele poço no deserto, mas não toquem nele”. Rúben propôs isso com a intenção de livrá-lo e levá-lo de volta ao pai.
23 Chegando José, seus irmãos lhe arranca­ram a túnica longa,
24 agarraram-no e o jogaram no poço, que estava vazio e sem água.
25 Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito.
26 Judá disse então a seus irmãos: Que ganharemos se matarmos o nosso irmão e escondermos o seu sangue?
27 Vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não tocaremos nele, afinal é nosso irmão, é nosso próprio sangue[135]. E seus irmãos concordaram.
28 Quando os mercadores ismaelitas de Midiã se aproximaram, seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.
29 Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá, rasgou suas vestes
30 e, voltando a seus irmãos, disse: “O jovem não está lá! Para onde irei agora?”
31 Então eles mataram um bode, mergulharam no sangue a túnica de José
32 e a mandaram ao pai com este recado: “Achamos isto. Veja se é a túnica de teu filho”.
33 Ele a reconheceu e disse: “É a túnica de meu filho! Um animal selvagem o devorou! José foi despedaçado!”
34 Então Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e chorou muitos dias por seu filho.
35 Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele recusou ser consolado, dizendo: “Não! Chorando descerei à sepultura[136] para junto de meu filho”. E continuou a chorar por ele.
36 Nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda.

Gênesis – Capítulo 38

1 Por essa época, Judá deixou seus ir­mãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira.
2 Ali Judá encontrou a filha de um cananeu chamado Suá, e casou-se com ela. Ele a possuiu,
3 ela engravidou e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.
4 Tornou a engravidar, teve um filho e deu-lhe o nome de Onã.
5 Quando estava em Quezibe, ela teve ainda outro filho e chamou-o Selá.
6 Judá escolheu uma mulher chamada Tamar para Er, seu filho mais velho.
7 Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou.
8 Então Judá disse a Onã: “Case-se com a mulher do seu irmão, cumpra as suas obrigações de cunhado para com ela e dê uma descendência a seu irmão”.
9 Mas Onã sabia que a descendência não seria sua; assim, toda vez que possuía a mulher do seu irmão, derramava o sêmen no chão para evitar que seu irmão tivesse descendência.
10 O Senhor reprovou o que ele fazia, e por isso o matou também.
11 Disse então Judá à sua nora Tamar: “More como viúva na casa de seu pai até que o meu filho Selá cresça”, porque temia que ele viesse a morrer, como os seus irmãos. Assim Tamar foi morar na casa do pai.
12 Tempos depois morreu a mulher de Judá, filha de Suá. Passado o luto, Judá foi ver os tosquiadores do seu rebanho em Timna com o seu amigo Hira, o adulamita.
13 Quando foi dito a Tamar: “Seu sogro está a caminho de Timna para tosquiar suas ovelhas”,
14 ela trocou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu para se disfarçar e foi sentar-se à entrada de Enaim, que fica no caminho de Tim­na. Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento.
15 Quando a viu, Judá pensou que fosse uma prostituta, porque ela havia encoberto o rosto.
16 Não sabendo que era a sua nora, dirigiu-se a ela, à beira da estrada, e disse: “Venha cá, quero deitar-me com você”. Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo?”
17 Disse ele: “Eu lhe mandarei um cabritinho do meu rebanho”. E ela perguntou: “Você me deixará alguma coisa como garantia até que o mande?”
18 Disse Judá: “Que garantia devo dar-lhe?” Respondeu ela: “O seu selo com o cordão, e o cajado que você tem na mão”. Ele os entre­gou e a possuiu, e Tamar engravidou dele.
19 Ela se foi, tirou o véu e tornou a vestir as roupas de viúva.
20 Judá mandou o cabritinho por meio de seu amigo adulamita, a fim de reaver da mulher sua garantia, mas ele não a encontrou,
21 e perguntou aos homens do lugar: “Onde está a prostituta cultual que costuma ficar à beira do caminho de Enaim?” Eles responderam: “Aqui não há nenhuma prostituta cultual”.
22 Assim ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar disseram que lá não há nenhuma prostituta cultual”.
23 Disse Judá: “Fique ela com o que lhe dei. Não quero que nos tornemos objeto de zombaria. Afinal de contas, mandei a ela este cabritinho, mas você não a encontrou”.
24 Cerca de três meses mais tarde, disseram a Judá: “Sua nora Tamar prostituiu-se, e na sua prostituição ficou grávida”. Disse Judá: “Tragam-na para fora e queimem-na viva!”
25 Quando ela estava sendo levada para fora, mandou o seguinte recado ao sogro: “Estou grávida do homem que é dono destas coisas”. E acrescentou: “Veja se o senhor reconhece a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado”.
26 Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.
27 Quando lhe chegou a época de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.
28 Enquanto ela dava à luz, um deles pôs a mão para fora; então a parteira pegou um fio vermelho e amarrou o pulso do menino, dizendo: “Este saiu primeiro”.
29 Mas quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu e ela disse: “Então você conseguiu uma brecha para sair!” E deu-lhe o nome de Perez.
30 Depois saiu seu irmão que estava com o fio vermelho no pulso, e foi-lhe dado o nome de Zerá.

Gênesis – Capítulo 39

1 José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.
2 O Senhor estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.
3 Quando este percebeu que o Senhor estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava,
4 agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.
5 Desde que o deixou cuidando de sua casa e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo.
6 Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida. José era atraente e de boa aparência,
7 e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”
8 Mas ele se recusou e lhe disse: Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
9 Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?
10 Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.
11 Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava.
12 Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: “Vamos, deite-se comigo!” Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.
13 Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão,
14 chamou os empregados e lhes disse: Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.
15 Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa.
16 Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse à casa.
17 Então repetiu-lhe a história: Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.
18 Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu.
19 Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.
20 Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,
21 mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.
22 Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.
23 O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o Senhor estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.

Gênesis – Capítulo 42

1 Quando Jacó soube que no Egito havia trigo, disse a seus filhos: “Por que estão aí olhando uns para os outros?”
2 Disse ainda: “Ouvi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e comprem trigo para nós, para que possamos continuar vivos e não morramos de fome”.
3 Assim dez dos irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.
4 Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com eles, temendo que algum mal lhe acontecesse.
5 Os filhos de Israel estavam entre outros que também foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã.
6 José era o governador do Egito e era ele que vendia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quando os irmãos de José chegaram, curvaram-se diante dele com o rosto em terra.
7 José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou asperamente: “De onde vocês vêm?” Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.
8 José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
9 Lembrou-se então dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram para ver onde a nossa terra está desprotegida”.
10 Eles responderam: Não, meu senhor. Teus servos vieram comprar comida.
11 Todos nós somos filhos do mesmo pai. Teus servos são homens honestos, e não espiões.
12 Mas José insistiu: “Não! Vocês vieram ver onde a nossa terra está desprotegida”.
13 E eles disseram: “Teus servos eram doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, na terra de Canaã. O caçula está agora em casa com o pai, e o outro já morreu”.
14 José tornou a afirmar: É como lhes falei: Vocês são espiões!
15 Vocês serão postos à prova. Juro pela vida do faraó que vocês não sairão daqui, enquanto o seu irmão caçula não vier para cá.
16 Mandem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam presos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!
17 E os deixou presos três dias.
18 No terceiro dia, José lhes disse: Eu tenho temor de Deus. Se querem salvar sua vida, façam o seguinte:
19 se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto os demais voltam, levando trigo para matar a fome das suas famílias.
20 Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que morrer.
21 Eles se prontificaram a fazer isso e disseram uns aos outros: “Certamente estamos sendo punidos pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando nos implorava por sua vida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angústia”.
22 Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseram me ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.
23 Eles, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de um intérprete.
24 Nisso José retirou-se e começou a chorar, mas logo depois voltou e conversou de novo com eles. Então escolheu Simeão e mandou acorrentá-lo diante deles.
25 Em seguida, José deu ordem para que enchessem de trigo suas bagagens, devolvessem a prata de cada um deles, colocando-a nas bagagens, e lhes dessem mantimentos para a viagem. E assim foi feito.
26 Eles puseram a carga de trigo sobre os seus jumentos e partiram.
27 No lugar onde pararam para pernoitar, um deles abriu a bagagem para pegar forragem para o seu jumento e viu a prata na boca da bagagem.
28 E disse a seus irmãos: “Devolveram a minha prata. Está aqui em minha bagagem”. Tomados de pavor em seu coração e tremendo, disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus fez conosco?”
29 Ao chegarem à casa de seu pai Jacó, na terra de Canaã, relataram-lhe tudo o que lhes acontecera, dizendo:
30 O homem que governa aquele país falou asperamente conosco e nos tratou como espiões.
31 Mas nós lhe asseguramos que somos homens honestos e não espiões.
32 Dissemos também que éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai, e que um já havia morrido e que o caçula estava com o nosso pai, em Canaã.
33 Então o homem que governa aquele país nos disse: “Vejamos se vocês são honestos: um dos seus irmãos ficará aqui comigo, e os outros poderão voltar e levar mantimentos para matar a fome das suas famílias.
34 Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que eu comprove que vocês não são espiões, mas sim, homens honestos. Então lhes devolverei o irmão e os autorizarei a fazer negócios nesta terra”.
35 Ao esvaziarem as bagagens, dentro da bagagem de cada um estava a sua bolsa cheia de prata. Quando eles e seu pai viram as bolsas cheias de prata, ficaram com medo.
36 E disse-lhes seu pai Jacó: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora sem Simeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim!”
37 Então Rúben disse ao pai: “Podes matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Deixa-o aos meus cuidados, e eu o trarei”.
38 Mas o pai respondeu: “Meu filho não descerá com vocês; seu irmão está morto, e ele é o único que resta. Se qualquer mal lhe acontecer na viagem que estão por fazer, vocês farão estes meus cabelos brancos descerem à sepultura[143] com tristeza”.

Gênesis – Capítulo 43

1 A fome continuava rigorosa na terra.
2 Assim, quando acabou todo o trigo que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós”.
3 Mas Judá lhe disse: O homem nos advertiu severamente: “Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão”.
4 Se enviares o nosso irmão conosco, desceremos e compraremos comida para ti.
5 Mas se não o enviares conosco, não iremos, porque foi assim que o homem falou: “Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão”.
6 Israel perguntou: “Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão?”
7 E lhe responderam: “Ele nos interrogou sobre nós e sobre nossa família. E também nos perguntou: “O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão?” Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levássemos o nosso irmão?”
8 Então disse Judá a Israel, seu pai: Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer.
9 Eu me comprometo pessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.
10 Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes.
11 Então Israel, seu pai, lhes disse: Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas.
12 Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem de vocês. Talvez isso tenha acontecido por engano.
13 Peguem também o seu irmão e voltem àquele homem.
14 Que o Deus todo-poderoso[144] lhes conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele permita que o seu outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quanto a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei.
15 Então os homens desceram ao Egito, levando o presente, prata em dobro e Benjamim, e foram à presença de José.
16 Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens à minha casa, mate um animal e prepare-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia”.
17 Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.
18 Eles ficaram com medo quando foram levados à casa de José, e pensaram: “Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primeira vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos jumentos”.
19 Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e lhe disseram à entrada da casa:
20 Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.
21 Mas no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos nossas bagagens e cada um de nós encontrou a prata que tinha trazido, na quantia exata. Por isso a trouxemos de volta conosco,
22 além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata em nossa bagagem.
23 “Fiquem tranqüilos”, disse o administrador. “Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foi quem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi.” Então soltou Simeão e o levou à presença deles.
24 Em seguida os levou à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.
25 Eles então prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, porque ficaram sabendo que iriam almoçar ali.
26 Quando José chegou, eles o presentearam com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.
27 Ele então lhes perguntou como passavam e disse em seguida: “Como vai o pai de vocês, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo?”
28 Eles responderam: “Teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem”. E se curvaram para prestar-lhe honra.
29 Olhando ao redor e vendo seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, José perguntou: “É este o irmão caçula de quem me falaram?” E acrescentou: “Deus lhe conceda graça, meu filho”.
30 Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e entrando em seu quarto, chorou.
31 Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: “Sirvam a comida”.
32 Serviram a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.
33 Seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.
34 Então ­lhes serviram da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam à vontade.

Gênesis – Capítulo 45

1 A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: “Façam sair a todos!” Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.
2 E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do faraó.
3 Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?” Mas os seus irmãos ficaram tão pasmados diante dele que não conseguiam responder-lhe.
4 “Cheguem mais perto”, disse José a seus irmãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito!
5 Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.
6 Já houve dois anos de fome na terra, e nos próximos cinco anos não haverá cultivo nem colheita.
7 Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento[146].
8 Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro[147] do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.
9 Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.
10 Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim — tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.
11 Eu te sustentarei ali, porque ainda haverá cinco anos de fome. Do contrário, tu, a tua família e todos os teus rebanhos acabarão na miséria.
12 Vocês estão vendo com os seus próprios olhos, e meu irmão Benjamim também, que realmente sou eu que estou falando com vocês.
13 Contem a meu pai quanta honra me prestam no Egito e tudo o que vocês mesmos testemunharam. E tragam meu pai para cá depressa.
14 Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando.
15 Em seguida beijou todos os seus irmãos e chorou com eles. E só depois os seus irmãos conseguiram conversar com ele.
16 Quando se ouviu no palácio do faraó que os irmãos de José haviam chegado, o faraó e todos os seus conselheiros se alegraram.
17 Disse então o faraó a José: Diga a seus irmãos que ponham as cargas nos seus animais, voltem para a terra de Canaã
18 e retornem para cá, trazendo seu pai e suas famílias. Eu lhes darei o melhor da terra do Egito e vocês poderão desfrutar a fartura desta terra.
19 Mande-os também levar carruagens do Egito para trazerem as suas mulheres, os seus filhos e seu pai.
20 Não se preocupem com os seus bens, pois o melhor de todo o Egito será de vocês.
21 Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carruagens, como o faraó tinha ordenado, e também mantimentos para a viagem.
22 A cada um deu uma muda de roupa nova, mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa nova.
23 E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do que havia no Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e outras provisões para a viagem.
24 Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao partirem, disse-lhes: “Não briguem pelo caminho!”
25 Assim partiram do Egito e voltaram a seu pai Jacó, na terra de Canaã,
26 e lhe deram a notícia: “José ainda está vivo! Na verdade ele é o governador de todo o Egito”. O coração de Jacó quase parou! Não podia acreditar neles.
27 Mas, quando lhe relataram tudo o que José lhes dissera, e vendo Jacó, seu pai, as carruagens que José enviara para buscá-lo, seu espírito reviveu.
28 E Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda está vivo. Irei vê-lo antes que eu morra”.

Gênesis – Capítulo 47

1 José foi dar as notícias ao faraó: “Meu pai e meus irmãos chegaram de Canaã com suas ovelhas, seus bois e tudo o que lhes pertence, e estão agora em Gósen”.
2 Depois escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao faraó.
3 Perguntou-lhes o faraó: “Em que vocês trabalham?” Eles lhe responderam: “Teus servos são pastores, como os nossos antepassados”.
4 Disseram-lhe ainda: “Viemos morar aqui por uns tempos, porque a fome é rigorosa em Canaã, e os rebanhos de teus servos não têm pastagem. Agora, por favor, permite que teus servos se estabeleçam em Gósen”.
5 Então o faraó disse a José: Seu pai e seus irmãos vieram a você,
6 e a terra do Egito está a sua disposição; faça com que seu pai e seus irmãos habitem na melhor parte da terra. Deixe-os morar em Gósen. E se você vê que alguns deles são competentes, coloque-os como responsáveis por meu rebanho.
7 Então José levou seu pai Jacó ao faraó e o apresentou a ele. Depois Jacó abençoou[156] o faraó,
8 e este lhe perguntou: “Quantos anos o senhor tem?”
9 Jacó respondeu ao faraó: “São cento e trinta os anos da minha peregrinação. Foram poucos e difíceis e não chegam aos anos da peregrinação dos meus antepassados”.
10 Então, Jacó abençoou[157] o faraó e retirou-se.
11 José instalou seu pai e seus irmãos e deu-lhes propriedade na melhor parte das terras do Egito, na região de Ramessés, conforme a ordem do faraó.
12 Providenciou também sustento para seu pai, para seus irmãos e para toda a sua família, de acordo com o número de filhos de cada um.
13 Não havia mantimento em toda a região, pois a fome era rigorosa; tanto o Egito como Canaã desfaleciam por causa da fome.
14 José recolheu toda a prata que circulava no Egito e em Canaã, dada como pagamento do trigo que o povo comprava, e levou-a ao palácio do faraó.
15 Quando toda a prata do Egito e de Canaã se esgotou, todos os egípcios foram suplicar a José: “Dá-nos comida! Não nos deixes morrer só porque a nossa prata acabou”.
16 E José lhes disse: “Tragam então os seus rebanhos, e em troca lhes darei trigo, uma vez que a prata de vocês acabou”.
17 E trouxeram a José os rebanhos, e ele deu-lhes trigo em troca de cavalos, ovelhas, bois e jumentos. Durante aquele ano inteiro ele os sustentou em troca de todos os seus rebanhos.
18 O ano passou, e no ano seguinte voltaram a José, dizendo: Não temos como esconder de ti, meu senhor, que uma vez que a nossa prata acabou e os nossos rebanhos lhe pertencem, nada mais nos resta para oferecer, a não ser os nossos próprios corpos e as nossas terras.
19 Não deixes que morramos e que as nossas terras pereçam diante dos teus olhos! Compra-nos, e compra as nossas terras, em troca de trigo, e nós, com as nossas terras, seremos escravos do faraó. Dá-nos sementes para que sobrevivamos e não morramos de fome, a fim de que a terra não fique desolada.
20 Assim, José comprou todas as terras do Egito para o faraó. Todos os egípcios tiveram que vender os seus campos, pois a fome os obrigou a isso. A terra tornou-se propriedade do faraó.
21 Quanto ao povo, José o reduziu à servidão[158], de uma à outra extremidade do Egito.
22 Somente as terras dos sacerdotes não foram compradas, porque, por lei, esses recebiam sustento regular do faraó, e disso viviam. Por isso não tiveram que vender as suas terras.
23 Então José disse ao povo: Ouçam! Hoje comprei vocês e suas terras para o faraó; aqui estão as sementes para que cultivem a terra.
24 Mas vocês darão a quinta parte das suas colheitas ao faraó. Os outros quatro quintos ficarão para vocês como sementes para os campos e como alimento para vocês, seus filhos e os que vivem em suas casas.
25 Eles disseram: “Meu senhor, tu nos salvaste a vida. Visto que nos favoreceste, seremos escravos do faraó”.
26 Assim, quanto à terra, José estabeleceu o seguinte decreto no Egito, que permanece até hoje: um quinto da produção pertence ao faraó. Somente as terras dos sacerdotes não se tornaram propriedade do faraó.
27 Os israelitas se estabeleceram no Egito, na região de Gósen. Lá adquiriram propriedades, foram prolíferos e multiplicaram-se muito.
28 Jacó viveu dezessete anos no Egito, e os anos da sua vida chegaram a cento e quarenta e sete.
29 Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e lhe disse: Se quer agradar-me, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será bondoso e fiel comigo: Não me sepulte no Egito.
30 Quando eu descansar com meus pais, leve-me daqui do Egito e sepulte-me junto a eles”. José respondeu: “Farei como o senhor me pede”.
31 Mas Jacó insistiu: “Jure-me”. E José lhe jurou, e Israel curvou-se apoiado em seu bordão[159].

Gênesis – Capítulo 49

1 Então Jacó chamou seus filhos e disse: Ajuntem-se a meu lado para que eu lhes diga o que lhes acontecerá nos dias que virão.
2 Reúnam-se para ouvir, filhos de Jacó; ouçam o que diz seu pai Israel.
3 Rúben, você é meu primogênito, minha força, o primeiro sinal do meu vigor, superior em honra, superior em poder.
4 Turbulento como as águas, já não será superior, porque você subiu à cama de seu pai, ao meu leito, e o desonrou.
5 Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são armas de violência.
6 Que eu não entre no conselho deles, nem participe da sua assembléia, porque em sua ira mataram homens e a seu bel-prazer aleijaram bois, cortando-lhes o tendão.
7 Maldita seja a sua ira, tão tremenda, e a sua fúria, tão cruel! Eu os dividirei pelas terras de Jacó e os dispersarei em Israel.
8 Judá, seus irmãos o louvarão, sua mão estará sobre o pescoço dos seus inimigos; os filhos de seu pai se curvarão diante de você.
9 Judá é um leão novo. Você vem subindo, filho meu, depois de matar a presa. Como um leão, ele se assenta; e deita-se como uma leoa; quem tem coragem de acordá-lo?
10 O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes[162], até que venha aquele a quem ele pertence[163], e a ele as nações obedecerão.
11 Ele amarrará seu jumento a uma videira e o seu jumentinho, ao ramo mais seleto; lavará no vinho as suas roupas, no sangue das uvas, as suas vestimentas.
12 Seus olhos serão mais escuros que o vinho; seus dentes, mais brancos que o leite[164].
13 Zebulom morará à beira-mar e se tornará um porto para os navios; suas fronteiras se estenderão até Sidom.
14 Issacar é um jumento forte, deitado entre as suas cargas[165].
15 Quando ele perceber como é bom o seu lugar de repouso e como é aprazível a sua terra, curvará seus ombros ao fardo e se submeterá a trabalhos forçados.
16 Dã defenderá o direito do seu povo como qualquer das tribos de Israel.
17 Dã será uma serpente à beira da estrada, uma víbora à margem do caminho, que morde o calcanhar do cavaloe faz cair de costas o seu cavaleiro.
18 Ó Senhor, eu espero a tua libertação!
19 Gade será atacado por um bando, mas é ele que o atacará e o perseguirá[166].
20 A mesa de Aser será farta; ele oferecerá manjares de rei.
21 Naftali é uma gazela solta, que por isso faz festa[167].
22 José é uma árvore frutífera, árvore frutífera à beira de uma fonte, cujos galhos passam por cima do muro. [168]
23 Com rancor arqueiros o atacaram, atirando-lhe flechas com hostilidade.
24 Mas o seu arco permaneceu firme, os seus braços fortes, ágeis para atirar, pela mão do Poderoso de Jacó, pelo nome do Pastor, a Rocha de Israel,
25 pelo Deus de seu pai, que ajuda você, o Todo-poderoso[169], que o abençoa com bênçãos dos altos céus, bênçãos das profundezas, bênçãos da fertilidade e da fartura[170].
26 As bênçãos de seu pai são superiores às bênçãos dos montes antigos, às delícias das colinas eternas[171]. Que todas essas bênçãos repousem sobre a cabeça de José, sobre a fronte daquele que foi separado de entre[172] os seus irmãos.
27 Benjamim é um lobo predador; pela manhã devora a presa e à tarde divide o despojo.
28 São esses os que formaram as doze tribos de Israel, e foi isso que seu pai lhes disse, ao abençoá-los, dando a cada um a bênção que lhe pertencia.
29 A seguir, Jacó deu-lhes estas instruções: Estou para ser reunido aos meus antepassados. Sepultem-me junto aos meus pais na caverna do campo de Efrom, o hitita,
30 na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, em Canaã, campo que Abraão comprou de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.
31 Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher, e Isaque e Rebeca, sua mulher; ali também sepultei Lia.
32 “Tanto o campo como a caverna que nele está foram comprados dos hititas”.
33 Ao acabar de dar essas instruções a seus filhos, Jacó deitou-se[173], expirou e foi reunido aos seus antepassados.

Gênesis – Capítulo 50

1 José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
2 Em seguida deu ordens aos médicos, que estavam ao seu serviço, que embalsamassem seu pai Israel. E eles o embalsamaram.
3 Levaram quarenta dias completos, pois esse era o tempo para o embalsamamento. E os egípcios choraram sua morte setenta dias.
4 Passados os dias de luto, José disse à corte do faraó: Se posso contar com a bondade de vocês, falem com o faraó em meu favor. Digam-lhe que
5 meu pai fez-me prestar-lhe o seguinte juramento: “Estou à beira da morte; sepulte-me no túmulo que preparei para mim na terra de Canaã”. Agora, pois, peçam-lhe que me permita partir e sepultar meu pai; logo depois voltarei.
6 Respondeu o faraó: “Vá e faça o sepultamento de seu pai como este o fez jurar”.
7 Então José partiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os conselheiros do faraó, as autoridades da sua corte e todas as autoridades do Egito,
8 e, além deles, todos os da família de José, os seus irmãos e todos os da casa de seu pai. Somente as crianças, as ovelhas ­e os bois foram deixados em Gósen.
9 Carruagens e cavaleiros[174] também o acompanharam. A comitiva era imensa.
10 Chegando à eira de Atade, perto do Jordão, lamentaram-se em alta voz, com grande amargura; e ali José guardou sete dias de pranto pela morte do seu pai.
11 Quando os cananeus que lá habitavam viram aquele pranto na eira de Atade, disseram: “Os egípcios estão celebrando uma cerimônia de luto solene”. Por essa razão, aquele lugar, próximo ao Jordão, foi chamado Abel-Mizraim.
12 Assim fizeram os filhos de Jacó o que este lhes havia ordenado:
13 Levaram-no à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que, com o campo, Abraão tinha comprado de Efrom, o hitita, para que lhe servisse de propriedade para sepultura.
14 Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito, com os seus irmãos e com todos os demais que o tinham acompanhado.
15 Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: “E se José tiver rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos?”
16 Então mandaram um recado a José, dizendo: Antes de morrer, teu pai nos ordenou
17 que te disséssemos o seguinte: “Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus irmãos que o trataram com tanta maldade!” Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai. Quando recebeu o recado, José chorou.
18 Depois vieram seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos. Somos teus escravos!”
19 José, porém, lhes disse: Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?
20 Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.
21 Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos. E assim os tranqüilizou e lhes falou amavelmente.
22 José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos
23 e viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus[175] os filhos de Maquir, filho de Manassés.
24 Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”.
25 E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui”.
26 Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi colocado num sarcófago no Egito.

Êxodo – Capítulo 2

1 Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo,
2 e ela engravidou e deu à luz um filho. Vendo que era boni­to, ela o escondeu por três meses.
3 Quan­do já não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo.
4 A irmã do meni­no ficou observando de longe para ver o que lhe aconteceria.
5 A filha do faraó descera ao Nilo para tomar banho. Enquanto isso, as suas servas andavam pela margem do rio. Nisso viu o cesto entre os juncos e mandou sua criada apanhá-lo.
6 Ao abri-lo, viu um bebê chorando. Ficou com pena dele e disse: “Este menino é dos hebreus”.
7 Então a irmã do menino aproximou-se e perguntou à filha do faraó: “A senhora quer que eu vá chamar uma mulher dos hebreus para amamentar e criar o menino?”
8 “Quero”, respondeu ela. E a moça foi chamar a mãe do menino.
9 Então a filha do faraó disse à mulher: “Leve este menino e amamente-o para mim, e eu lhe pagarei por is­so”. A mulher levou o menino e o amamentou.
10 Tendo o menino crescido, ela o levou à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: “Porque eu o tirei das águas”.
11 Certo dia, sendo Moisés já adulto, foi ao lugar onde estavam os seus irmãos e descobriu como era pesado o trabalho que realizavam. Viu também um egípcio espancar um dos hebreus.
12 Correu o olhar por todos os lados e, não vendo ninguém, matou o egípcio e o escondeu na areia.
13 No dia seguinte saiu e viu dois hebreus brigando. Então perguntou ao agressor: “Por que você está espancando o seu companheiro?”
14 O homem respondeu: “Quem o nomeou líder e juiz sobre nós? Quer matar-me como matou o egípcio?” Moisés teve medo e pensou: “Com certeza tudo já foi descoberto!”
15 Quando o faraó soube disso, procurou matar Moisés, mas este fugiu e foi morar na terra de Midiã. Ali assentou-se à beira de um poço.
16 Ora, o sacerdote de Midiã tinha sete filhas. Elas foram buscar água para encher os bebedouros e dar de beber ao rebanho de seu pai.
17 Alguns pastores se aproximaram e come­çaram a expulsá-las dali; Moisés, porém, veio em auxílio delas e deu água ao rebanho.
18 Quando as moças voltaram a seu pai Reuel[4], este lhes perguntou: “Por que voltaram tão cedo hoje?”
19 Elas responderam: “Um egípcio defendeu-nos dos pastores e ainda tirou água do poço para nós e deu de beber ao rebanho”.
20 “Onde está ele?”, perguntou o pai a elas. “Por que o deixaram lá? Convidem-no para comer conosco.”
21 Moisés aceitou e concordou também em morar na casa daquele homem; este lhe deu por mulher sua filha Zípora.
22 Ela deu à luz um menino, a quem Moisés deu o nome de Gérson, dizendo: “Sou imigrante em terra estra­ngeira”.
23 Muito tempo depois, morreu o rei do Egito. Os israelitas gemiam e clamavam debaixo da escravidão; e o seu clamor subiu até Deus.
24 Ouviu Deus o lamento deles e lembrou-se da aliança que fizera com Abraão, Isaque e Jacó.
25 Deus olhou para os israelitas e viu a situação deles.

Êxodo – Capítulo 8

1 O Senhor falou a Moisés: Vá ao faraó e diga-lhe que assim diz o Senhor: Deixe o meu povo ir para que me preste culto.
2 Se você não quiser deixá-lo ir, mandarei sobre todo o seu território uma praga de rãs.
3 O Nilo ficará infestado de rãs. Elas subirão e entrarão em seu palácio, em seu quarto, e até em sua cama; estarão também nas casas dos seus conselheiros e do seu povo, dentro dos seus fornos e nas suas amassadeiras.
4 As rãs subirão em você, em seus conselheiros e em seu povo.
5 Depois o Senhor disse a Moisés: “Diga a Arão que estenda a mão com a vara sobre os rios, sobre os canais e sobre os açudes, e faça subir deles rãs sobre a terra do Egito”.
6 Assim Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.
7 Mas os magos fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas: fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
8 O faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Orem ao Senhor para que ele tire estas rãs de mim e do meu povo; então deixarei o povo ir e oferecer sacrifícios ao Senhor”.
9 Moisés disse ao faraó: “Tua é a honra de dizer-me quando devo orar por ti, por teus conselheiros e por teu povo, para que tu e tuas casas fiquem livres das rãs e sobrem apenas as que estão no rio”.
10 “Amanhã”, disse o faraó. Moisés respondeu: “Será como tu dizes, para que saibas que não há ninguém como o Senhor, o nosso Deus.
11 As rãs deixarão a ti, a tuas casas, a teus conselheiros e a teu povo; sobrarão apenas as que estão no rio.
12 Depois que Moisés e Arão saíram da presença do faraó, Moisés clamou ao Senhor por causa das rãs que enviara sobre o faraó.
13 E o Senhor atendeu o pedido de Moisés; morreram as rãs que estavam nas casas, nos pátios e nos campos.
14 Foram ajuntadas em montões e, por isso, a terra cheirou mal.
15 Mas quando o faraó percebeu que houve alívio, obstinou-se em seu coração e não deu mais ouvidos a Moisés e a Arão, conforme o Senhor tinha dito.
16 Então o Senhor disse a Moisés: “Diga a Arão que estenda a sua vara e fira o pó da terra, e o pó se transformará em piolhos[16] por toda a terra do Egito”.
17 Assim fizeram e, quando Arão estendeu a mão e com a vara feriu o pó da terra, surgiram piolhos nos homens e nos animais. Todo o pó de toda a terra do Egito transformou-se em piolhos.
18 Mas, quando os magos tentaram fazer surgir piolhos por meio das suas ciências ocultas, não conseguiram. E os piolhos infestavam os homens e os animais.
19 Os magos disseram ao faraó: “Isso é o dedo de Deus”. Mas o coração do faraó permaneceu endurecido, e ele não quis ouvi-los, conforme o Senhor tinha dito.
20 Depois o Senhor disse a Moisés: Levante-se bem cedo e apresente-se ao faraó, quando ele estiver indo às águas. Diga-lhe que assim diz o Senhor: Deixe o meu povo ir para que me preste culto.
21 Se você não deixar meu povo ir, enviarei enxames de moscas para atacar você, os seus conselheiros, o seu povo e as suas casas. As casas dos egípcios e o chão em que pisam se encherão de moscas.
22 Mas naquele dia tratarei de maneira diferente a terra de Gósen, onde habita o meu povo; nenhum enxame de moscas se achará ali, para que você saiba que eu, o Senhor, estou nessa terra.
23 Farei distinção[17] entre o meu povo e o seu. Este sinal milagroso acontecerá amanhã.
24 E assim fez o Senhor. Grandes enxa­mes de moscas invadiram o palácio do faraó e as casas de seus conselheiros, e em todo o Egito a terra foi arruinada pelas moscas.
25 Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, mas não saiam do país”.
26 “Isso não seria sensato”, respondeu Moisés; “os sacrifícios que oferecemos ao Senhor, o nosso Deus, são um sacrilégio para os egípcios. Se oferecermos sacrifícios que lhes pareçam sacri­légio, isso não os levará a nos apedrejar?
27 Fare­mos três dias de viagem no deserto, e oferecere­mos sacrifícios ao Senhor, o nosso Deus, como ele nos ordena.
28 Disse o faraó: “Eu os deixarei ir e oferecer sacrifícios ao Senhor, o seu Deus, no deserto, mas não se afastem muito e orem por mim também”.
29 Moisés respondeu: “Assim que sair da tua presença, orarei ao Senhor, e amanhã os enxames de moscas deixarão o faraó, teus conselheiros e teu povo. Mas que o faraó não volte a agir com falsidade, impedindo que o povo vá oferecer sacrifícios ao Senhor”.
30 Então Moisés saiu da presença do faraó e orou ao Senhor,
31 e o Senhor atendeu o seu pedido: as moscas deixaram o faraó, seus conselheiros e seu povo; não restou uma só mosca.
32 Mas também dessa vez o faraó obstinou-se em seu coração e não deixou que o povo saísse.

Êxodo – Capítulo 10

1 O Senhor disse a Moisés: Vá ao faraó, pois tornei obstinado o coração dele e o de seus conselheiros, a fim de realizar estes meus prodígios entre eles,
2 para que você possa contar a seus filhos e netos como zombei dos egípcios e como realizei meus milagres entre eles. Assim vocês saberão que eu sou o Senhor.
3 Dirigiram-se, pois, Moisés e Arão ao faraó e lhe disseram: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: “Até quando você se recusará a humilhar-se perante mim? Deixe ir o meu povo, para que me preste culto.
4 Se você não quiser deixá-lo ir, farei vir gafanhotos sobre o seu território amanhã.
5 Eles cobrirão a face[18] da terra até não se poder enxergar o solo. Devorarão o pouco que ainda lhes restou da tempestade de granizo e todas as árvores que estiverem brotando nos campos.
6 Encherão os seus palácios e as casas de todos os seus conse­lheiros e de todos os egípcios: algo que os seus pais e os seus antepassados jamais viram, desde o dia em que se fixaram nesta terra até o dia de hoje”. A seguir Moisés virou as costas e saiu da presença do faraó.
7 Os conselheiros do faraó lhe disseram: “Até quando este homem será uma ameaça para nós? Deixa os homens irem prestar culto ao Senhor, o Deus deles. Não percebes que o Egito está arruinado?”
8 Então Moisés e Arão foram trazidos de volta à presença do faraó, que lhes disse: “Vão e prestem culto ao Senhor, o seu Deus. Mas, digam-me, quem irá?”
9 Moisés respondeu: “Temos que levar todos: os jovens e os velhos, os nossos filhos e as nossas filhas, as nossas ovelhas e os nossos bois, porque vamos celebrar uma festa ao Senhor”.
10 Disse-lhes o faraó: Vocês vão mesmo precisar do Senhor quando eu deixá-los ir com as mulheres e crianças! É claro que vocês estão com más intenções.
11 De forma alguma! Só os homens podem ir prestar culto ao Senhor, como vocês têm pedido. E Moisés e Arão foram expulsos da presença do faraó.
12 Mas o Senhor disse a Moisés: “Estenda a mão sobre o Egito para que os gafanhotos venham sobre a terra e devorem toda a vegetação, tudo o que foi deixado pelo granizo”.
13 Moisés estendeu a vara sobre o Egito, e o Senhor fez soprar sobre a terra um vento oriental durante todo aquele dia e toda aquela noite. Pela manhã, o vento havia trazido os gafanhotos,
14 os quais invadiram todo o Egito e desceram em grande número sobre toda a sua extensão. Nunca antes houve tantos gafanhotos, nem jamais haverá.
15 Eles cobriram toda a face da terra de tal forma que ela escureceu. Devoraram tudo o que o granizo tinha deixado: toda a vegetação e todos os frutos das árvores. Não restou nada verde nas árvores nem nas plantas do campo, em toda a terra do Egito.
16 O faraó mandou chamar Moisés e Arão imediatamente e disse-lhes: Pequei contra o Senhor, o seu Deus, e contra vocês!
17 Agora perdoem ainda esta vez o meu pecado e orem ao Senhor, o seu Deus, para que leve esta praga mortal para longe de mim.
18 Moisés saiu da presença do faraó e orou ao Senhor.
19 E o Senhor fez soprar com muito mais força o vento ocidental, e este envolveu os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho. Não restou um gafanhoto sequer em toda a extensão do Egito.
20 Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem.
21 O Senhor disse a Moisés: “Estenda a mão para o céu, e trevas cobrirão o Egito, trevas tais que poderão ser apalpadas”.
22 Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egito.
23 Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam.
24 Então o faraó mandou chamar Moisés e disse: “Vão e prestem culto ao Senhor. Deixem somente as ovelhas e os bois; as mulheres e as crianças podem ir”.
25 Mas Moisés contestou: Tu mesmo nos darás os animais para os nossos sacrifícios e holocaustos[19] que ofereceremos ao Senhor.
26 Além disso, os nossos rebanhos também irão conosco; nem um casco de animal será deixado. Temos que escolher alguns deles para pres­tar culto ao Senhor, o nosso Deus, e, enquanto não chegarmos ao local, não saberemos quais ani­mais sacrificaremos.
27 Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a deixá-los ir.
28 Disse o faraó a Moisés: “Saia da minha presença! Trate de não aparecer nunca mais diante de mim! No dia em que vir a minha face, você mor­rerá”.
29 Respondeu Moisés: “Será como disses­te; nunca mais verei a tua face”.

Êxodo – Capítulo 12

1 O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito:
2 Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês.
3 Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa.
4 Se uma família for pequena demais para um animal inteiro, deve dividi-lo com seu vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas e conforme o que cada um puder comer.
5 O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito.
6 Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol.
7 Passem, então, um pouco do sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas nas quais vocês comerão o animal.
8 Naquela mesma noite comerão a carne assada no fogo, com ervas amargas e pão sem fermento.
9 Não comam a carne crua, nem cozida em água, mas assada no fogo: cabeça, pernas e vísceras.
10 Não deixem sobrar nada até pela manhã; caso isso aconteça, queimem o que restar.
11 Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor.
12 Naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor!
13 O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito.
14 Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo.
15 Durante sete dias comam pão sem fermento. No primeiro dia tirem de casa o fermento, porque quem comer qualquer coisa fermentada, do primeiro ao sétimo dia, será eliminado de Israel.
16 Convoquem uma reunião santa no primeiro dia e outra no sétimo. Não façam nenhum trabalho nesses dias, exceto o da preparação da comida para todos. É só o que poderão fazer.
17 Celebrem a festa dos pães sem fermento, porque foi nesse mesmo dia que eu tirei os exércitos de vocês do Egito. Celebrem esse dia como decreto perpétuo por todas as suas gerações.
18 No primeiro mês comam pão sem fermento, desde o entardecer do décimo quarto dia até o entardecer do vigésimo primeiro.
19 Durante sete dias vocês não deverão ter fermento em casa. Quem comer qualquer coisa fermentada será eliminado da comunidade de Israel, seja estrangeiro, seja natural da terra.
20 Não comam nada fermentado. Onde quer que morarem, comam apenas pão sem fermento.
21 Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa!
22 Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer.
23 Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta, e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los.
24 Obedeçam a estas instruções como decreto perpétuo para vocês e para os seus descendentes.
25 Quando entrarem na terra que o Senhor prometeu lhes dar, celebrem essa cerimônia.
26 Quando os seus filhos lhes perguntarem: “O que significa esta cerimônia?”,
27 respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios. Então o povo curvou-se em adoração.
28 Depois os israelitas se retiraram e fizeram conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão.
29 Então, à meia-noite, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado.
30 No meio da noite o faraó, todos os seus conselheiros e todos os egípcios se levantaram. E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não tivesse um morto.
31 Naquela mesma noite o faraó mandou chamar Moisés e Arão e lhes disse: Saiam imediatamente do meio do meu povo, vocês e os israelitas! Vão prestar culto ao Senhor, como vocês pediram.
32 Levem os seus rebanhos, como tinham dito, e abençoem a mim também.
33 Os egípcios pressionavam o povo para que se apressasse em sair do país, dizendo: “Todos nós morreremos!”
34 Então o povo tomou a massa de pão ainda sem fermento e a carregou nos ombros, nas amassadeiras embrulhadas em suas roupas.
35 Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas.
36 O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
37 Os israelitas foram de Ramessés até Sucote. Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças.
38 Grande multidão de estrangeiros de todo tipo seguiu com eles, além de grandes rebanhos, tanto de bois como de ovelhas e cabras.
39 Com a massa que haviam trazido do Egito, fizeram pães sem fermento. A massa não tinha fermentado, pois eles foram expulsos do Egito e não tiveram tempo de preparar comida.
40 Ora, o período que os israelitas viveram no Egito[20] foi de quatrocentos e trinta anos.
41 No dia em que se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito.
42 Assim como o Senhor pas­sou em vigília aquela noite para tirar do Egito os israelitas, estes também devem passar em vigília essa mesma noite, para honrar o Senhor, por todas as suas gerações.
43 Disse o Senhor a Moisés e a Arão: Estas são as leis da Páscoa: Nenhum estrangei­ro poderá comê-la.
44 O escravo comprado poderá comer da Páscoa, depois de circuncidado,
45 mas o residente temporário e o trabalhador contratado dela não comerão.
46 Vocês a comerão numa só casa; não levem nenhum pedaço de carne para fora da casa, nem quebrem nenhum dos ossos.
47 Toda a comunidade de Israel terá que celebrar a Páscoa.
48 Qualquer estrangeiro residente entre vocês que quiser celebrar a Páscoa do Senhor terá que circuncidar todos os do sexo masculino da sua família; então poderá participar como o natural da terra. Nenhum incircunciso poderá participar.
49 A mesma lei se aplicará ao natural da terra e ao estrangeiro residente.
50 Todos os israelitas fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão.
51 No mesmo dia o Senhor tirou os israelitas do Egito, organizados segundo as suas divisões.

Êxodo – Capítulo 15

1 Então Moisés e os israelitas entoa­ram este cântico ao Senhor: Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavaloe o seu cavaleiro!
2 O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei!
3 O Senhor é guerreiro, o seu nome é Senhor.
4 Ele lançou ao maros carros de guerra e o exército do faraó. Os seus melhores oficiais afogaram-se no mar Vermelho.
5 Águas profundas os encobriram; como pedra desceram ao fundo.
6 Senhor, a tua mão direita foi majestosa em poder. Senhor, a tua mão direita despedaçou o inimigo.
7 Em teu triunfo grandioso, derrubaste os teus adversários. Enviaste o teu furor flamejante, que os consumiu como palha.
8 Pelo forte sopro das tuas narinas as águas se amontoaram. As águas turbulentas firmaram-se como muralha; as águas profundas congelaram-se no coração do mar.
9 O inimigo se gloriava: “Eu os perseguirei e os alcançarei, dividirei o despojo e os devorarei. Com a espada na mão, eu os destruirei”.
10 Mas enviaste o teu sopro, e o mar os encobriu. Afundaram como chumbo nas águas volumosas.
11 Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas?
12 Estendes a tua mão direita e a terra os engole.
13 Com o teu amor conduzes o povo que resgataste; com a tua força tu o levas à tua santa habitação.
14 As nações ouvem e estremecem; angústia se apoderado povo da Filístia.
15 Os chefes de Edomficam aterrorizados, os poderosos de Moabe são tomados de tremor, o povo de Canaã esmorece;
16 terror e medo caem sobre eles; pelo poder do teu braço ficam paralisados como pedra, até que passe o teu povo, ó Senhor, até que passe o povo que tu compraste[24].
17 Tu o farás entrar e o plantarás no monte da tua herança, no lugar, ó Senhor, que fizeste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.
18 O Senhor reinará eternamente.
19 Quando os cavalos, os carros de guerra e os cavaleiros[25] do faraó entraram no mar, o Senhor fez que as águas do mar se voltassem sobre eles, mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca.
20 Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando.
21 E Miriã lhes respondia, cantando: “Cantem ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro”.
22 Depois Moisés conduziu Israel desde o mar Vermelho até o deserto de Sur. Durante três dias caminharam no deserto sem encontrar água.
23 Então chegaram a Mara, mas não pude­ram beber das águas de lá porque eram amargas. Esta é a razão porque o lugar chama-se Mara.
24 E o povo começou a reclamar a Moisés, dizendo: “Que beberemos?”
25 Moisés clamou ao Senhor, e este lhe indicou um arbusto. Ele o lançou na água, e esta se tornou boa. Em Mara o Senhor lhes deu leis e ordenanças, e os colocou à prova,
26 dizendo-lhes: “Se vocês derem atenção ao Senhor, o seu Deus, e fizerem o que ele aprova, se derem ouvidos aos seus mandamentos e obedecerem a todos os seus decretos, não trarei sobre vocês nenhuma das doenças que eu trouxe sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que os cura”.
27 Depois chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto àquelas águas.

Êxodo – Capítulo 20

1 E Deus falou todas estas palavras:
2 Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão.
3 Não terás outros deuses além de mim.
4 Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.
5 Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam,
6 mas trato com bondade até mil gerações[35] aos que me amam e obedecem aos meus mandamentos.
7 Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.
8 Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo.
9 Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos,
10 mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades.
11 Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.
12 Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá.
13 Não matarás.
14 Não adulterarás.
15 Não furtarás.
16 Não darás falso testemunho contra o teu próximo.
17 “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.
18 Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte fumegando, todos tremeram assustados. Ficaram a distância
19 e disseram a Moisés: “Fa­la tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morra­mos”.
20 Moisés disse ao povo: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar”.
21 Mas o povo permaneceu a distância, ao passo que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava.
22 O Senhor disse a Moisés: Diga o seguinte aos israelitas: Vocês viram por si mes­mos que do céu lhes falei:
23 não façam ídolos de prata nem de ouro para me representarem.
24 Façam-me um altar de terra e nele sacrifiquem-me os seus holocaustos[36] e as suas ofertas de comunhão[37], as suas ovelhas e os seus bois. Onde quer que eu faça celebrar o meu nome, virei a vocês e os abençoarei.
25 Se me fizerem um altar de pedras, não o façam com pedras lavradas, porque o uso de ferramentas o profanaria.
26 Não subam por degraus ao meu altar, para que nele não seja exposta a sua nu­dez.

Êxodo – Capítulo 33

1 Depois ordenou o Senhor a Moi­sés: Saia deste lugar, com o povo que você tirou do Egito, e vá para a terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: Eu a darei a seus descendentes.
2 Mandarei à sua frente um anjo e expulsarei os cananeus, os amor­reus, os hititas, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
3 Vão para a terra onde há leite e mel com fartura. Mas eu não irei com vocês, pois vocês são um povo obstinado, e eu poderia destruí-los no caminho.
4 Quando o povo ouviu essas palavras terríveis, começou a chorar, e ninguém usou enfeite algum.
5 Isso porque o Senhor ordenara que Moisés dissesse aos israelitas: “Vocês são um povo obstinado. Se eu fosse com vocês, ainda que por um só momento, eu os destruiria. Agora tirem os seus enfeites, e eu decidirei o que fazer com vocês”.
6 Por isso, do monte Horebe em diante, os israelitas não usaram mais nenhum enfeite.
7 Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar o Senhor ia à tenda, fora do acampamento.
8 Sempre que Moisés ia até lá, todo o povo se levantava e ficava em pé à entrada de suas tendas, observando-o, até que ele entrasse na tenda.
9 Assim que Moisés entrava, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés.
10 Quan­do o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da ten­da, todos prestavam adoração em pé, cada qual na entrada de sua própria tenda.
11 O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acam­pamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda.
12 Disse Moisés ao Senhor: Tu me ordenaste: “Conduza este povo”, mas não me permites saber quem enviarás comigo. Disseste: “Eu o conheço pelo nome e de você tenho me agradado”.
13 Se me vês com agrado, revela-me os teus propósitos, para que eu te conheça e continue sendo aceito por ti. Lembra-te de que esta nação é o teu povo.
14 Respondeu o Senhor: “Eu mesmo o acompanharei, e lhe darei descanso”.
15 Então Moisés lhe declarou: Se não fores conosco, não nos envies.
16 Como se saberá que eu e o teu povo podemos contar com o teu favor, se não nos acompanhares? Que mais poderá distinguir a mim e a teu povo de todos os demais povos da face da terra?
17 O Senhor disse a Moisés: “Farei o que me pede, porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome”.
18 Então disse Moisés: “Peço-te que me mostres a tua glória”.
19 E Deus respondeu: “Diante de você farei passar toda a minha bondade, e diante de você proclamarei o meu nome: o Senhor. Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericór­dia, e terei compaixão de quem eu quiser ter com­paixão”.
20 E acrescentou: “Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo”.
21 E prosseguiu o Senhor: Há aqui um lugar perto de mim, onde você ficará, em cima de uma rocha.
22 Quando a minha glória passar, eu o colocarei numa fenda da rocha e o cobrirei com a minha mão até que eu tenha acabado de passar.
23 Então tirarei a minha mão e você verá as minhas costas; mas a minha face ninguém poderá ver.

Levítico – Capítulo 10

1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados.
2 Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor.
3 Moisés então disse a Arão: “Foi isto que o Senhor disse: “Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei””. Arão, porém, ficou em silêncio.
4 Então Moisés chamou Misael e Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e lhes disse: “Venham cá; tirem os seus primos da frente do santuário e levem-nos para fora do acampamento”.
5 Eles foram e os puxaram pelas túnicas, para fora do acampamento, conforme Moisés tinha ordenado.
6 Então Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não andem descabelados, nem rasguem as roupas em sinal de luto, senão vocês morrerão e a ira do Senhor cairá sobre toda a comunidade. Mas os seus parentes, e toda a nação de Israel, poderão chorar por aqueles que o Senhor destruiu pelo fogo.
7 Não saiam da entrada da Tenda do Encontro, senão vocês morrerão, porquanto o óleo da unção do Senhor está sobre vocês. E eles fizeram con­forme Moisés tinha ordenado.
8 Depois o Senhor disse a Arão:
9 Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.
10 Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro,
11 e ensinar aos israelitas todos os decretos que o Senhor lhes deu por me­io de Moisés.
12 Então Moisés disse a Arão e aos seus filhos que ficaram vivos, Eleazar e Itamar: Pe­guem a oferta de cereal que sobrou das ofertas dedicadas ao Senhor, preparadas no fogo, e comam-na sem fermento junto ao altar, pois é santíssima.
13 Comam-na em lugar sagrado, por­quanto é a porção que lhes cabe por decreto, a você e a seus filhos, das ofertas dedicadas ao Senhor, preparadas no fogo; pois assim me foi ordenado.
14 O peito ritualmente movido e a coxa ofertada, você, seus filhos e suas filhas poderão comer num lugar cerimonialmente puro; essa porção foi dada a você e a seus filhos como parte das ofertas de comunhão dos israelitas.
15 A coxa ofertada e o peito ritualmente movido devem ser trazidos junto com as porções de gordura das ofertas preparadas no fogo, para serem movidos perante o Senhor como gesto ritual de apresentação. Esta será a porção por decreto perpétuo para você e seus descendentes, confor­me o Senhor tinha ordenado.
16 Quando Moisés procurou por toda parte o bode da oferta pelo pecado e soube que já fora queimado, irou-se contra Eleazar e Itamar, os filhos de Arão que ficaram vivos, e perguntou:
17 Por que vocês não comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o Senhor.
18 Como o sangue do animal não foi levado para dentro do Lugar Santo, vocês deviam tê-lo comido ali, conforme ordenei.
19 Arão respondeu a Moisés: “Hoje eles ofereceram o seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto perante o Senhor; mas, e essas coisas que aconteceram comigo? Será que teria agradado ao Senhor se eu tivesse comido a oferta pelo pecado hoje?”
20 Essa explicação foi satisfatória para Moisés.

Levítico – Capítulo 18

1 Disse o Senhor a Moisés:
2 Diga o seguinte aos israelitas: Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.
3 Não procedam como se proce­de no Egito, onde vocês moraram, nem como se procede na terra de Canaã, para onde os estou levando. Não sigam as suas práticas.
4 Pratiquem as minhas ordenanças, obedeçam aos meus decretos e sigam-nos. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.
5 Obedeçam aos meus decretos e ordenanças, pois o homem que os praticar viverá por eles. Eu sou o Senhor.
6 Ninguém poderá se aproximar de uma parenta próxima para se envolver sexualmente[28] com ela. Eu sou o Senhor.
7 Não desonre o seu pai, envolvendo-se sexualmente com a sua mãe. Ela é sua mãe; não se envolva sexualmente com ela.
8 Não se envolva sexualmente com a mulher do seu pai; isso desonraria seu pai.
9 Não se envolva sexualmente com a sua irmã, filha do seu pai ou da sua mãe, tenha ela nascido na mesma casa ou em outro lugar.
10 Não se envolva sexualmente com a filha do seu filho ou com a filha da sua filha; isso desonraria você.
11 Não se envolva sexualmente com a filha da mulher do seu pai, gerada por seu pai; ela é sua irmã.
12 Não se envolva sexualmente com a irmã do seu pai; ela é parenta próxima do seu pai.
13 Não se envolva sexualmente com a irmã da sua mãe; ela é parenta próxima da sua mãe.
14 Não desonre o irmão do seu pai aproximando-se da sua mulher para com ela se envolver sexualmente; ela é sua tia.
15 Não se envolva sexualmente com a sua nora. Ela é mulher do seu filho; não se envolva sexualmente com ela.
16 Não se envolva sexualmente com a mulher do seu irmão; isso desonraria seu irmão.
17 Não se envolva sexualmente com uma mulher e sua filha. Não se envolva sexual­mente com a filha do seu filho ou com a filha da sua filha; são parentes próximos. É perversidade.
18 Não tome por mulher a irmã da sua mulher, tornando-a rival, envolvendo-se sexual­mente com ela, estando a sua mulher ainda viva.
19 Não se aproxime de uma mulher para se envolver sexualmente com ela quando ela estiver na impureza da sua menstruação.
20 Não se deite com a mulher do seu próximo, contaminando-se com ela.
21 Não entregue os seus filhos para serem sacrificados a Moloque[29]. Não profanem o nome do seu Deus. Eu sou o Senhor.
22 Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante.
23 Não tenha relações sexuais com um animal, contaminando-se com ele. Mulher nenhuma se porá diante de um animal para ajuntar-se com ele; é depravação.
24 Não se contaminem com nenhuma dessas coisas, porque assim se contaminaram as nações que vou expulsar da presença de vocês.
25 Até a terra ficou contaminada; e eu castiguei a sua iniqüidade, e a terra vomitou os seus habitantes.
26 Mas vocês obedecerão aos meus decretos e às minhas leis. Nem o natural da terra nem o estrangeiro residente entre vocês farão nenhuma dessas abominações,
27 pois todas estas abominações foram praticadas pelos que habita­ram essa terra antes de vocês; por isso a terra ficou contaminada.
28 E, se vocês contaminarem a terra, ela os vomitará, como vomitou os povos que ali estavam antes de vocês.
29 Todo aquele que fizer alguma destas abominações, aqueles que assim procederem serão eliminados do meio do seu povo.
30 Obe­deçam aos meus preceitos, e não pratiquem os costumes repugnantes praticados antes de vocês, nem se contaminem com eles. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.

Levítico – Capítulo 23

1 Disse o Senhor a Moisés:
2 Diga o seguinte aos israelitas: Estas são as minhas fes­tas, as festas fixas do Senhor, que vocês proclamarão como reuniões sagradas:
3 Em seis dias realizem os seus trabalhos, mas o sétimo dia é sábado, dia de descanso e de reunião sagrada. Não realizem trabalho algum; onde quer que morarem, será sábado dedicado ao Senhor.
4 Estas são as festas fixas do Senhor, as reuniões sagradas que vocês proclamarão no tempo devido:
5 a Páscoa do Senhor, que começa no entardecer do décimo quarto dia do primeiro mês.
6 No décimo quinto dia daquele mês começa a festa do Senhor, a festa dos pães sem fermento; durante sete dias vocês comerão pães sem fermento.
7 No primeiro dia façam uma reunião sagrada e não realizem trabalho algum.
8 Durante sete dias apresentem ao Senhor ofertas preparadas no fogo. E no sétimo dia façam uma reunião sagrada e não realizem trabalho algum.
9 Disse o Senhor a Moisés:
10 Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou e fizerem colheita, tragam ao sacerdote um feixe do primeiro cereal que colherem.
11 O sacerdote moverá ritualmente o feixe perante o Senhor para que seja aceito em favor de vocês; ele o moverá no dia seguinte ao sábado.
12 No dia em que moverem o feixe, vocês oferecerão em holocausto ao Senhor um cordeiro de um ano de idade e sem defeito.
13 Apresentem também uma oferta de cereal de dois jarros[35] da melhor farinha amassada com óleo, oferta ao Senhor preparada no fogo, de aroma agra­dável, e uma oferta derramada de um litro[36] de vinho.
14 Vocês não poderão comer pão al­gum, nem cereal tostado, nem cereal novo, até o dia em que trouxerem essa oferta ao Deus de vocês. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações, onde quer que morarem.
15 A partir do dia seguinte ao sábado, o dia em que vocês trarão o feixe da oferta ritualmente movida, contem sete semanas completas.
16 Contem cinqüenta dias, até um dia depois do sétimo sábado, e então apresentem uma oferta de cereal novo ao Senhor.
17 Onde quer que morarem, tragam de casa dois pães feitos com dois jarros da melhor farinha, cozidos com fermento, como oferta movida dos primeiros frutos ao Senhor.
18 Junto com os pães apresentem sete cordeiros, cada um com um ano de idade e sem defeito, um novilho e dois carneiros. Eles serão um holocausto ao Senhor, juntamente com as suas ofertas de cereal e ofertas derramadas; é oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor.
19 Depois sacrifiquem um bode como oferta pelo pecado e dois cordeiros, cada um com um ano de idade, como oferta de comunhão.
20 O sacerdote moverá os dois cordeiros perante o Senhor como gesto ritual de apresentação, juntamente com o pão dos primeiros frutos. São uma oferta sagrada ao Senhor e pertencem ao sacerdote.
21 Naquele mesmo dia vocês proclamarão uma reunião sagrada e não realizarão trabalho algum. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações, onde quer que vocês morarem.
22 “Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham até as extremidades da sua lavoura, nem ajuntem as espigas caídas da sua colheita. Deixem-nas para o necessitado e para o estrangeiro. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês”.
23 Disse o Senhor a Moisés:
24 Diga também aos israelitas: No primeiro dia do sétimo mês vocês terão um dia de descanso, uma reunião sagrada, celebrada com toques de trombeta.
25 Não realizem trabalho algum, mas apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo.
26 Disse o Senhor a Moisés:
27 O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação[37]. Façam uma reunião sagrada e humilhem-se[38], e apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo.
28 Não realizem trabalho algum nesse dia, porque é o Dia da Expiação, quando se faz propiciação por vocês perante o Senhor, o Deus de vocês.
29 Quem não se humilhar nesse dia será eliminado do seu povo.
30 Eu destruirei do meio do seu povo todo aquele que realizar algum trabalho nesse dia.
31 Vocês não realizarão trabalho algum. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações, onde quer que vocês morarem.
32 É um sábado de descanso para vocês, e vocês se humilharão. Desde o entardecer do nono dia do mês até o entardecer do dia seguinte vocês guardarão esse sábado.
33 Disse o Senhor a Moisés:
34 Diga ainda aos israelitas: No décimo quinto dia deste sétimo mês começa a festa das cabanas[39] do Senhor, que dura sete dias.
35 No primeiro dia haverá reunião sagrada; não realizem trabalho algum.
36 Durante sete dias apresentem ao Senhor ofertas preparadas no fogo, e no oitavo dia façam outra reunião sagrada, e também apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo. É reunião solene; não realizem trabalho algum.
37 (Estas são as festas fixas do Senhor, que vocês proclamarão como reuniões sagradas para trazerem ao Senhor ofertas preparadas no fogo, holocaustos e ofertas de cereal, sacrifícios e ofertas derramadas exigidas para cada dia.
38 Isso fora as do sábado do Senhor e fora as[40] dádivas e os votos de vocês, e todas as ofertas voluntárias que vocês derem ao Senhor. )
39 Assim, começando no décimo quinto dia do sétimo mês, depois de terem colhido o que a terra produziu, celebrem a festa do Senhor durante sete dias; o primeiro dia e também o oitavo serão dias de descanso.
40 No primeiro dia vocês apanharão os melhores frutos das árvores, folhagem de tamareira, galhos frondosos e salgueiros, e se alegrarão perante o Senhor, o Deus de vocês, durante sete dias.
41 Celebrem essa festa do Senhor durante sete dias todos os anos. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações; celebrem-na no sétimo mês.
42 Morem em tendas durante sete dias; todos os israelitas de nascimento morarão em tendas,
43 para que os descendentes de vocês saibam que eu fiz os israelitas morarem em tendas quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.
44 Assim anunciou Moisés aos israelitas as festas fixas do Senhor.

Levítico – Capítulo 25

1 Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai:
2 Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor.
3 Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações.
4 Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas.
5 Não colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas, que não serão podadas. A terra terá um ano de descanso.
6 Vocês se sustentarão do que a terra produzir no ano de descanso, você, o seu escravo, a sua escrava, o trabalhador contratado e o residente temporário que vive entre vocês,
7 bem como os seus rebanhos e os animais selvagens de sua terra. Tudo o que a terra produzir poderá ser comido.
8 Contem sete semanas de anos, sete vezes sete anos; essas sete semanas de anos totalizam quarenta e nove anos.
9 Então façam soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês; no Dia da Expiação façam soar a trombeta por toda a terra de vocês.
10 Consagrem o qüinquagésimo ano e proclamem libertação por toda a terra a todos os seus moradores. Este lhes será um ano de jubileu, quando cada um de vocês voltará para a propriedade da sua família e para o seu próprio clã.
11 O qüinquagésimo ano lhes será jubileu; não semeiem e não ceifem o que cresce por si mesmo nem colham das vinhas não podadas.
12 É jubileu, e lhes será santo; comam apenas o que a terra produzir.
13 Nesse ano do Jubileu cada um de vo­cês voltará para a sua propriedade.
14 Se vocês venderem alguma propriedade ao seu próximo ou se comprarem alguma propriedade dele, não explorem o seu irmão.
15 O que comprarem do seu próximo será avaliado com base no número de anos desde o Jubileu. E ele fará a venda com base no número de anos que restam de colheitas.
16 Quando os anos forem muitos, vocês deverão aumentar o preço, mas quando forem poucos, deverão diminuir o preço, pois o que ele está lhes vendendo é o número de colheitas.
17 Não explorem um ao outro, mas temam o Deus de vocês. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.
18 Pratiquem os meus decretos e obedeçam às minhas ordenanças, e vocês viverão com segurança na terra.
19 Então a terra dará o seu fruto, e vocês comerão até fartar-se e ali viverão em segurança.
20 Vocês poderão perguntar: “Que iremos comer no sétimo ano, se não plantarmos nem fizermos a colheita?”
21 Saibam que eu lhes enviarei a minha bênção no sexto ano, e a terra produzirá o suficiente para três anos.
22 Quando vocês estiverem plantando no oitavo ano, comerão ainda da colheita anterior e dela continuarão a comer até a colheita do nono ano.
23 A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.
24 Em toda terra em que tiverem propriedade, concedam o direi­to de resgate da terra.
25 Se alguém do seu povo empobrecer e vender parte da sua propriedade, seu parente mais próximo virá e resgatará aquilo que o seu compatriota vendeu.
26 Se, contudo, um homem não tiver quem lhe resgate a terra, mas ele mes­mo prosperar e adquirir recursos para resgatá-la,
27 calculará os anos desde que a vendeu e devolverá a diferença àquele a quem a vendeu; então poderá voltar para a sua propriedade.
28 Mas, se não adquirir recursos para devolver-lhe o valor, a propriedade que vendeu permanecerá em posse do comprador até o ano do Jubileu. Será devolvida no Jubileu, e ele então poderá voltar para a sua propriedade.
29 Se um homem vender uma casa numa cidade murada, terá o direito de resgate até que se complete um ano após a venda. Nesse período poderá resgatá-la.
30 Se não for resgatada antes de se completar um ano, a casa da cidade murada pertencerá definitivamente ao comprador e aos seus descendentes; não será devolvida no Jubileu.
31 Mas as casas dos povoados sem muros ao redor serão consideradas campo aberto. Poderão ser resgatadas e serão devolvidas no Jubileu.
32 No caso das cidades dos levitas, eles sempre terão direito de resgatar suas casas nas cidades que lhes pertencem.
33 Assim, a propriedade dos levitas, isto é, uma casa vendida em qualquer cidade deles, é resgatável e deverá ser devolvida no Jubileu, porque as casas das cidades dos levitas são propriedade deles entre os israelitas.
34 Mas as pastagens pertencentes às suas cidades não serão vendidas; são propriedade permanente deles.
35 Se alguém do seu povo empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa continuar a viver entre vocês.
36 Não cobrem dele juro algum, mas temam o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês.
37 Vocês não poderão exigir dele juros nem emprestar-lhe mantimento visando lucro.
38 Eu sou o Senhor, o Deus de vocês, que os tirou da terra do Egito para dar-lhes a terra de Canaã e para ser o seu Deus.
39 Se alguém do seu povo empobrecer e se vender a algum de vocês, não o façam trabalhar como escravo.
40 Ele deverá ser tratado como trabalhador contratado ou como residente temporário; trabalhará para quem o comprou até o ano do Jubileu.
41 Então ele e os seus filhos estarão livres, e ele poderá voltar para o seu próprio clã e para a propriedade dos seus antepassados.
42 Pois os israelitas são meus servos, a quem tirei da terra do Egito; não poderão ser vendidos como escravos.
43 Não dominem impiedosamente sobre eles, mas temam o seu Deus.
44 Os seus escravos e as suas escravas deverão vir dos povos que vivem ao redor de vocês; deles vocês poderão comprar escravos e escravas.
45 Também poderão comprá-los entre os filhos dos residentes temporários que vivem entre vocês e entre os que pertencem aos clãs deles, ainda que nascidos na terra de vocês; eles se tornarão sua propriedade.
46 Vocês poderão deixá-los como herança para os seus filhos e poderão fazê-los escravos para sempre, mas sobre os seus irmãos israelitas vocês não pode­rão dominar impiedosamente.
47 Se um estrangeiro ou um residente temporário entre vocês enriquecer e alguém do seu povo empobrecer e se vender a esse estrangeiro ou a alguém que pertence ao clã desse estrangeiro,
48 manterá o direito de resgate mesmo depois de se vender. Um dos seus parentes poderá resgatá-lo:
49 ou tio, ou primo, ou qualquer parente próximo poderá resgatá-lo. Se, todavia, prosperar, poderá resgatar a si mesmo.
50 Ele e o seu comprador contarão o tempo desde o ano em que se vendeu até o ano do Jubileu. O preço do resgate se baseará no salário de um empregado contratado por aquele número de anos.
51 Se restarem muitos anos, pagará o seu resgate proporcionalmente ao preço de compra.
52 Se restarem apenas poucos anos até o ano do Jubileu, fará o cálculo, e pagará o seu resgate proporcionalmente aos anos.
53 Ele deverá ser tratado como um empregado contratado anualmente; não permitam que o seu senhor domine impiedosamente sobre ele.
54 Se não for resgatado por nenhuma dessas maneiras, ele e os seus filhos estarão livres no ano do Jubileu,
55 porque os israelitas são meus servos, os quais tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.

Levítico – Capítulo 26

1 Não façam ídolos, nem imagens, nem colunas sagradas para vocês, e não colo­quem nenhuma pedra esculpida em sua terra para curvar-se diante dela. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.
2 Guardem os meus sábados e reverenciem o meu santuário. Eu sou o Senhor.
3 Se vocês seguirem os meus decretos e obedecerem aos meus mandamentos, e os colocarem em prática,
4 eu lhes mandarei chuva na estação certa, e a terra dará a sua colheita e as árvores do campo darão o seu fruto.
5 A debulha prosseguirá até a colheita das uvas, e a colheita das uvas prosseguirá até a época da plantação, e vocês comerão até ficarem satisfeitos e viverão em segurança em sua terra.
6 Estabelecerei paz na terra, e vocês se deitarão, e ninguém os amedrontará. Farei desaparecer da terra os animais selvagens, e a espa­da não passará pela sua terra.
7 Vocês perseguirão os seus inimigos, e estes cairão à espada diante de vocês.
8 Cinco de vocês perseguirão cem, cem de vocês perseguirão dez mil, e os seus inimigos cairão à espada diante de vocês.
9 Eu me voltarei para vocês e os farei prolíferos; e os multiplicarei e guardarei a minha aliança com vocês.
10 Vocês ainda estarão comendo da colheita armazenada no ano anterior, quando terão que se livrar dela para dar espaço para a nova colheita.
11 Estabelecerei a minha habitação entre vocês e não os rejeitarei.
12 Andarei entre vocês e serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo.
13 Eu sou o Senhor, o Deus de vocês, que os tirou da terra do Egito para que não mais fossem escravos deles; quebrei as traves do jugo que os prendia e os fiz andar de cabeça erguida.
14 Mas, se vocês não me ouvirem e não colocarem em prática todos esses mandamen­tos,
15 e desprezarem os meus decretos, rejeitarem as minhas ordenanças, deixarem de colocar em prática todos os meus mandamentos e forem infiéis à minha aliança,
16 então assim os tratarei: eu lhes trarei pavor repentino, doenças e febre que lhes tirarão a visão e lhes definharão a vida. Vocês semearão inutilmente, porque os seus inimigos comerão as suas sementes.
17 O meu rosto estará contra vocês, e vocês serão derrotados pelos inimigos; os seus adversários os dominarão, e vocês fugirão mesmo quando ninguém os estiver perseguindo.
18 Se depois disso tudo vocês não me ouvirem, eu os castigarei sete vezes mais pelos seus pecados.
19 Eu lhes quebrarei o orgulho rebelde e farei que o céu sobre vocês fique como ferro e a terra de vocês fique como bronze.
20 A força de vocês será gasta em vão, porque a terra não lhes dará colheita, nem as árvores da terra lhes darão fruto.
21 Se continuarem se opondo a mim e recusarem ouvir-me, eu os castigarei sete vezes mais, conforme os seus pecados.
22 Mandarei contra vocês animais selvagens que matarão os seus filhos, acabarei com os seus rebanhos e reduzirei vocês a tão poucos que os seus cami­nhos ficarão desertos.
23 Se apesar disso vocês não aceitarem a minha disciplina, mas continuarem a oporse a mim,
24 eu mesmo me oporei a vocês e os cas­tigarei sete vezes mais por causa dos seus pecados.
25 E trarei a espada contra vocês para vingar a aliança. Quando se refugiarem em suas cidades, eu lhes mandarei uma praga, e vocês serão entregues em mãos inimigas.
26 Quando eu lhes cortar o suprimento de pão, dez mulheres assarão o pão num único forno e repartirão o pão a peso. Vocês comerão, mas não ficarão satisfeitos.
27 Se apesar disso tudo vocês ainda não me ouvirem, mas continuarem a opor-se a mim,
28 então com furor me oporei a vocês, e eu mesmo os castigarei sete vezes mais por causa dos seus pecados.
29 Vocês comerão a carne dos seus filhos e das suas filhas.
30 Destruirei os seus altares idólatras, despedaçarei os seus altares de incenso[42] e empilharei os seus cadáveres sobre os seus ídolos mortos, e rejeitarei vocês.
31 Deixarei as cidades de vocês em ruínas e arrasarei os seus santuários, e não terei prazer no aroma das suas ofertas.
32 Desolarei a terra ao ponto de ficarem perplexos os seus inimigos que vierem ocupá-la.
33 Espa­lharei vocês entre as nações e empunharei a espada contra vocês. Sua terra ficará desolada, e as suas cidades, em ruínas.
34 Então a terra desfrutará os seus anos sabáticos enquanto estiver desolada e enquanto vocês estiverem na terra dos seus inimigos; e a terra descansará e desfrutará os seus sábados.
35 Enquanto estiver desolada, a terra terá o descanso sabático que não teve quando vocês a habitavam.
36 Quanto aos que sobreviverem, eu lhes encherei o coração de tanto medo na terra do inimigo, que o som de uma folha levada pelo vento os porá em fuga. Correrão como quem foge da espada, e cairão, sem que ninguém os persiga.
37 Tropeçarão uns nos outros, como que fugindo da espada, sem que ninguém os esteja perseguindo. Assim vocês não poderão subsistir diante dos inimigos.
38 Vocês perecerão entre as nações, e a terra dos seus inimigos os devorará.
39 Os que sobreviverem apodrecerão na terra do inimigo por causa dos seus pecados, e também por causa dos pecados dos seus antepassados.
40 Mas, se confessarem os seus pecados e os pecados dos seus antepassados, sua infidelidade e oposição a mim,
41 que me levaram a oporme a eles e a enviá-los para a terra dos seus inimigos; se o seu coração obstinado[43] se humilhar, e eles aceitarem o castigo do seu pecado,
42 eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, da minha aliança com Isaque, e da minha aliança com Abraão, e também me lembrarei da terra,
43 que por eles será abandonada e desfrutará os seus sábados enquanto permanecer desolada. Receberão o castigo pelos seus pecados porque desprezaram as minhas ordenanças e rejeitaram os meus decretos.
44 Apesar disso, quando estiverem na terra do inimigo, não os desprezarei, nem os rejeitarei, para destruí-los totalmente, quebrando a minha aliança com eles, pois eu sou o Senhor, o Deus deles.
45 Mas por amor deles eu me lembrarei da aliança com os seus antepassados que tirei da terra do Egito à vista das nações, para ser o Deus deles. Eu sou o Senhor.
46 São esses os decretos, as ordenanças e as leis que o Senhor estabeleceu no monte Sinai entre ele próprio e os israelitas, por inter­médio de Moisés.

Números – Capítulo 14

1 Naquela noite toda a comunidade começou a chorar em alta voz.
2 Todos os israelitas queixaram-se contra Moisés e contra Arão, e toda a comunidade lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido no Egito! Ou neste deserto!
3 Por que o Senhor está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão tomados como despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito?
4 E disseram uns aos outros: “Escolheremos um chefe e voltaremos para o Egito!”
5 Então Moisés e Arão prostraram-se com o rosto em terra, diante de toda a assembléia dos israelitas.
6 Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que haviam observado a terra, rasgaram as suas vestes
7 e disseram a toda a comunidade dos israelitas: A terra que percorremos em missão de reconhecimento é excelente.
8 Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde há leite e mel com fartura, e a dará a nós.
9 Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles!
10 Mas a comunidade toda falou em apedrejá-los. Então a glória do Senhor apareceu a todos os israelitas na Tenda do Encontro.
11 E o Senhor disse a Moisés: Até quando este povo me tratará com pouco caso? Até quando se recusará a crer em mim, apesar de todos os sinais que realizei entre eles?
12 Eu os ferirei com praga e os destruirei, mas farei de você uma nação maior e mais forte do que eles.
13 Moisés disse ao Senhor: Então os egípcios ouvirão que pelo teu poder fizeste este povo sair dentre eles,
14 e falarão disso aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás com este povo e que te vêem face a face, Senhor, e que a tua nuvem paira sobre eles, e que vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia e numa coluna de fogo de noite.
15 Se exterminares este povo, as nações que ouvirem falar do que fizeste dirão:
16 “O Senhor não conseguiu levar esse povo à terra que lhes prometeu em juramento; por isso os matou no deserto”.
17 Mas agora, que a força do Senhor se manifeste, segundo prometeste:
18 “O Senhor é muito paciente e grande em fidelidade, e perdoa a iniqüidade e a rebelião, se bem que não deixa o pecado sem punição, e castiga os filhos pela iniqüidade dos pais até a terceira e quarta geração”.
19 Segundo a tua grande fidelidade, perdoa a iniqüidade deste povo, como a este povo tens perdoado desde que saíram do Egito até agora.
20 O Senhor respondeu: Eu o perdoei, conforme você pediu.
21 No entanto, juro pela glória do Senhor que enche toda a terra,
22 que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais milagrosos que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes —
23 nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.
24 Mas, como o meu servo Calebe tem outro espírito e me segue com integridade, eu o farei entrar na terra que foi observar, e seus descendentes a herdarão.
25 Visto que os amalequitas e os cananeus habitam nos vales, amanhã dêem meia-volta e partam em direção ao deserto pelo caminho que vai para o mar Vermelho.
26 Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão:
27 Até quando esta comunidade ímpia se queixará contra mim? Tenho ouvido as queixas desses israelitas murmuradores.
28 Diga-lhes: Juro pelo meu nome, declara o Senhor, que farei a vocês tudo o que pediram:
29 Cairão neste deserto os cadáveres de todos vocês, de vinte anos para cima, que foram contados no recenseamento e que se queixaram contra mim.
30 Nenhum de vocês entrará na terra que, com mão levantada, jurei dar-lhes para sua habitação, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
31 Mas, quanto aos seus filhos, sobre os quais vocês disseram que seriam tomados como despojo de guerra, eu os farei entrar para desfrutarem a terra que vocês rejeitaram.
32 Os cadáveres de vocês, porém, cairão neste deserto.
33 Seus filhos serão pastores[28] aqui durante quarenta anos, sofrendo pela infidelidade de vocês, até que o último cadáver de vocês seja destruído no deserto.
34 Durante quarenta anos vocês sofrerão a conseqüência dos seus pecados e experimentarão a minha rejeição; cada ano corresponderá a cada um dos quarenta dias em que vocês observaram a terra.
35 Eu, o Senhor, falei, e certamente farei essas coisas a toda esta comunidade ímpia, que conspirou contra mim. Encontrarão o seu fim neste deserto; aqui morrerão.
36 Os homens enviados por Moisés em missão de reconhecimento daquela terra voltaram e fizeram toda a comunidade queixar-se contra ele ao espalharem um relatório negativo;
37 esses homens responsáveis por espalhar o relatório negativo sobre a terra morreram subitamente de praga perante o Senhor.
38 De todos os que foram observar a terra, somente Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, sobreviveram.
39 Quando Moisés transmitiu essas palavras a todos os israelitas, eles choraram amargamente.
40 Na madrugada seguinte subiram para o alto da região montanhosa, e disseram: “Subiremos ao lugar que o Senhor prometeu, pois cometemos pecado”.
41 Moisés, porém, disse: Por que vocês estão desobedecendo à ordem do Senhor? Isso não terá sucesso!
42 Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos,
43 pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada. Visto que deixaram de seguir o Senhor, ele não estará com vocês.
44 Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do Senhor saíram do acampamento.
45 Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram, derrotaram-nos e os perseguiram até Hormá.

Números – Capítulo 22

1 Os israelitas partiram e acamparam nas campinas de Moabe, para além do Jordão, perto de Jericó[37].
2 Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel tinha feito aos amorreus,
3 e Moabe teve muito medo do povo, porque era muita gente. Moabe teve pavor dos israelitas.
4 Então os moabitas disseram aos líderes de Midiã: “Essa multidão devorará tudo o que há ao nosso redor, como o boi devora o capim do pasto”. Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe naquela época,
5 enviou mensageiros para chamar Balaão, filho de Beor, que estava em Petor, perto do Eufrates[38], em sua terra natal. A mensagem de Balaque dizia: Um povo que saiu do Egito cobre a face da terra e se estabeleceu perto de mim.
6 Venha agora lançar uma maldição contra ele, pois é forte demais para mim. Talvez então eu tenha condições de derrotá-lo e de expulsá-lo da terra. Pois sei que aquele que você abençoa é abençoado, e aquele que você amaldiçoa é amaldiçoado.
7 Os líderes de Moabe e os de Midiã partiram, levando consigo a quantia necessária para pagar os encantamentos mágicos. Quando chegaram, comunicaram a Balaão o que Balaque tinha dito.
8 Disse-lhes Balaão: “Passem a noite aqui, e eu lhes trarei a resposta que o Senhor me der”. E os líderes moabitas ficaram com ele.
9 Deus veio a Balaão e lhe perguntou: “Quem são esses homens que estão com você?”
10 Balaão respondeu a Deus: Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe, enviou-me esta mensagem:
11 “Um povo que saiu do Egito cobre a face da terra. Venha agora lançar uma maldição contra ele. Talvez então eu tenha condições de derrotá-lo e de expulsá-lo”.
12 Mas Deus disse a Balaão: “Não vá com eles. Você não poderá amaldiçoar este povo, porque é povo abençoado”.
13 Na manhã seguinte Balaão se levantou e disse aos líderes de Balaque: “Voltem para a sua terra, pois o Senhor não permitiu que eu os acompanhe”.
14 Os líderes moabitas voltaram a Bala­que e lhe disseram: “Balaão recusou-se a acompanhar-nos”.
15 Balaque enviou outros líderes, em maior número e mais importantes do que os primeiros.
16 Eles foram a Balaão e lhe disseram: Assim diz Balaque, filho de Zipor: “Que nada o impeça de vir a mim,
17 porque o recompensarei generosamente e farei tudo o que você me disser. Venha, por favor, e lance para mim uma maldição contra este povo”.
18 Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que vá além da ordem do Senhor, o meu Deus.
19 Agora, fiquem vocês também aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me.
20 Naquela noite Deus veio a Balaão e lhe disse: “Visto que esses homens vieram chamá-lo, vá com eles, mas faça apenas o que eu lhe disser”.
21 Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e foi com os líderes de Moabe.
22 Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o Anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam.
23 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e prosseguiu pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho.
24 Então o Anjo do Senhor se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.
25 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo.
26 O Anjo do Senhor foi adiante e se colocou num lugar estreito, onde não havia espaço para desviar-se, nem para a direita nem para a esquerda.
27 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com uma vara.
28 Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”
29 Balaão respondeu à jumenta: “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”.
30 Mas a jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?” “Não”, disse ele.
31 Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o Anjo do Senhor parado no caminho, empunhando a sua espada. Então Balaão inclinou-se e prostrou-se com o rosto em terra.
32 E o Anjo do Senhor lhe perguntou: Por que você bateu três vezes em sua jumenta? Eu vim aqui para impedi-lo de prosseguir por­que o seu caminho me desagrada.
33 A jumenta me viu e se afastou de mim por três vezes. Se ela não se afastasse, certamente eu já o teria matado; mas a jumenta eu teria poupado.
34 Balaão disse ao Anjo do Senhor: “Pequei. Não percebi que estavas parado no caminho para me impedires de prosseguir. Agora, se o que estou fazendo te desagrada, eu voltarei”.
35 Então o Anjo do Senhor disse a Balaão: “Vá com os homens, mas fale apenas o que eu lhe disser”. Assim Balaão foi com os príncipes de Balaque.
36 Quando Balaque soube que Balaão estava chegando, foi ao seu encontro na cidade moabita da fronteira do Arnom, no limite do seu território.
37 E Balaque disse a Balaão: “Não mandei chamá-lo urgentemente? Por que não veio? Acaso não tenho condições de recompensá-lo?”
38 “Aqui estou!”, respondeu Balaão. “Mas, seria eu capaz de dizer alguma coisa? Direi somente o que Deus puser em minha boca”.
39 Então Balaão foi com Balaque até Quiriate-Huzote.
40 Balaque sacrificou bois e ovelhas, e deu parte da carne a Balaão e aos líderes que com ele estavam.
41 Na manhã seguinte Balaque levou Balaão até o alto de Bamote-Baal, de onde viu uma parte do povo.

Números – Capítulo 32

1 As tribos de Rúben e de Gade, donas de numerosos rebanhos, viram que as terras de Jazar e de Gileade eram próprias para a criação de gado.
2 Por isso foram a Moisés, ao sacerdote Eleazar e aos líderes da comunidade, e disseram:
3 Atarote, Dibom, Jazar, Ninra, Hesbom, Eleale, Sebã, Nebo e Beom,
4 terras que o Senhor subjugou perante a comunidade de Israel, são próprias para a criação de gado, e os seus servos possuem gado.
5 E acrescentaram: “Se podemos contar com o favor de vocês, deixem que essa terra seja dada a estes seus servos como herança. Não nos façam atravessar o Jordão”.
6 Moisés respondeu aos homens de Gade e de Rúben: E os seus compatriotas irão à guerra enquanto vocês ficam aqui?
7 Por que vocês desencorajam os israelitas de entrar na terra que o Senhor lhes deu?
8 Foi isso que os pais de vocês fizeram quando os enviei de Cades-Barnéia para verem a terra.
9 Depois de subirem ao vale de Escol e examinarem a terra, desencorajaram os israelitas de entrar na terra que o Senhor lhes tinha dado.
10 A ira do Senhor se acendeu naquele dia, e ele fez este juramento:
11 “Como não me seguiram de coração íntegro, nenhum dos homens de vinte anos para cima que saíram do Egito verá a terra que prometi sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó,
12 com exceção de Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, e Josué, filho de Num, que seguiram o Senhor com integridade de coração”.
13 A ira do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele os fez andar errantes no deserto durante quarenta anos, até que passou toda a geração daqueles que lhe tinham desagradado com seu mau procedimento.
14 E aí estão vocês, raça de pecadores, pondo-se no lugar dos seus antepassados e acendendo ainda mais a ira do Senhor contra Israel.
15 Se deixarem de segui-lo, de novo ele os abandonará no deserto, e vocês serão o motivo da destruição de todo este povo.
16 Então se aproximaram de Moisés e disseram: Gostaríamos de construir aqui currais para o nosso gado e cidades para as nossas mulheres e para os nossos filhos.
17 Mas nós nos armaremos e estaremos prontos para ir à frente dos israelitas até que os tenhamos levado ao seu lugar. Enquanto isso, nossas mulheres e nossos filhos morarão em cidades fortificadas para se protegerem dos habitantes da terra.
18 Não retornaremos aos nossos lares enquanto todos os israelitas não receberem a sua herança.
19 Não receberemos herança alguma com eles do outro lado do Jordão, uma vez que a nossa herança nos seja dada no lado leste do Jordão.
20 Disse-lhes Moisés: Se fizerem isso, se perante o Senhor vocês se armarem para a guerra,
21 e se, armados, todos vocês atravessarem o Jordão perante o Senhor até que ele tenha expulsado os seus inimigos da frente dele,
22 então, quando a terra estiver subjugada perante o Senhor, vocês poderão voltar e estarão livres da sua obrigação para com o Senhor e para com Israel. E esta terra será propriedade de vocês perante o Senhor.
23 Mas, se vocês não fizerem isso, estarão pecando contra o Senhor; e estejam certos de que vocês não escaparão do pecado cometido.
24 Construam cidades para as suas mulheres e crianças, e currais para os seus rebanhos, mas façam o que vocês prometeram.
25 Então os homens de Gade e de Rúben disseram a Moisés: Nós, seus servos, faremos como o meu senhor ordena.
26 Nossos filhos e nossas mulheres, e todos os nossos rebanhos ficarão aqui nas cidades de Gileade.
27 Mas os seus servos, todos os homens armados para a batalha, atravessarão para lutar perante o Senhor, como o meu senhor está dizendo.
28 Moisés deu as seguintes instruções acerca deles ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Num, e aos chefes de família das tribos israelitas:
29 Se os homens de Gade e de Rúben, todos eles armados para a batalha, atravessarem o Jordão com vocês perante o Senhor, então, quando a terra for subjugada perante vocês, entreguem-lhes como propriedade a terra de Gileade.
30 Mas, se não atravessarem armados com vocês, terão que aceitar a propriedade deles com vocês em Canaã.
31 Os homens de Gade e de Rúben responderam: Os seus servos farão o que o Senhor disse.
32 Atravessaremos o Jordão perante o Senhor e entraremos armados em Canaã, mas a propriedade que receberemos como herança estará deste lado do Jordão.
33 Então Moisés deu às tribos de Gade e de Rúben e à metade da tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seom, rei dos amorreus, e o reino de Ogue, rei de Basã, toda a terra com as suas cidades e o território ao redor delas.
34 A tribo de Gade construiu Dibom, Atarote, Aroer,
35 Atarote-Sofã, Jazar, Jogbeá,
36 Bete-Ninra e Bete-Harã como cidades fortificadas, e fez currais para os seus rebanhos.
37 E a tribo de Rúben reconstruiu Hesbom, Eleale e Quiriataim,
38 bem como Nebo e Baal-Meom (esses nomes foram mudados) e Sibma. E deu outros nomes a essas cidades.
39 Os descendentes de Maquir, filho de Manassés, foram a Gileade, tomaram posse dela e expulsaram os amorreus que lá estavam.
40 Então Moisés deu Gileade aos maquiritas, descen­dentes de Manassés, e eles passaram a habitar ali.
41 Jair, descendente de Manassés, conquistou os povoados deles e os chamou Havote-Jair[61].
42 E Noba conquistou Quenate e os seus povoados e a chamou Noba, dando-lhe seu próprio nome.

Números – Capítulo 33

1 Estas são as jornadas dos israelitas quando saíram do Egito, organizados segundo as suas divisões, sob a liderança de Moisés e Arão.
2 Por ordem do Senhor Moisés registrou as etapas da jornada deles. Esta foi a jornada deles, por etapas:
3 Os israelitas partiram de Ramessés no décimo quinto dia do primeiro mês, no dia seguinte ao da Páscoa. Saíram, marchando desafiadoramente à vista de todos os egípcios,
4 enquanto estes sepultavam o primeiro filho de cada um deles, que o Senhor matou. O Senhor impôs castigo aos seus deuses.
5 Os israelitas partiram de Ramessés e acamparam em Sucote.
6 Partiram de Sucote e acamparam em Etã, nos limites do deserto.
7 Partiram de Etã, voltaram para Pi-Hairote, a leste de Baal-Zefom, e acamparam perto de Migdol.
8 Partiram de Pi-Hairote e atravessaram o mar, chegando ao deserto, e, depois de viajarem três dias no deserto de Etã, acamparam em Mara.
9 Partiram de Mara e foram para Elim, onde havia doze fontes e setenta palmeiras, e acamparam ali.
10 Partiram de Elim e acamparam junto ao mar Vermelho.
11 Partiram do mar Vermelho e acamparam no deserto de Sim.
12 Partiram do deserto de Sim e acamparam em Dofca.
13 Partiram de Dofca e acamparam em Alus.
14 Partiram de Alus e acamparam em Refidim, onde não havia água para o povo beber.
15 Partiram de Refidim e acamparam no deserto do Sinai.
16 Partiram do deserto do Sinai e acamparam em Quibrote-Hataavá.
17 Partiram de Quibrote-Hataavá e acamparam em Hazerote.
18 Partiram de Hazerote e acamparam em Ritmá.
19 Partiram de Ritmá e acamparam em Rimom-Perez.
20 Partiram de Rimom-Perez e acamparam em Libna.
21 Partiram de Libna e acamparam em Rissa.
22 Partiram de Rissa e acamparam em Queelata.
23 Partiram de Queelata e acamparam no monte Séfer.
24 Partiram do monte Séfer e acamparam em Harada.
25 Partiram de Harada e acamparam em Maquelote.
26 Partiram de Maquelote e acamparam em Taate.
27 Partiram de Taate e acamparam em Terá.
28 Partiram de Terá e acamparam em Mitca.
29 Partiram de Mitca e acamparam em Hasmona.
30 Partiram de Hasmona e acamparam em Moserote.
31 Partiram de Moserote e acamparam em Bene-Jaacã.
32 Partiram de Bene-Jaacã e acamparam em Hor-Gidgade.
33 Partiram de Hor-Gidgade e acamparam em Jotbatá.
34 Partiram de Jotbatá e acamparam em Abrona.
35 Partiram de Abrona e acamparam em Eziom-Geber.
36 Partiram de Eziom-Geber e acamparam em Cades, no deserto de Zim.
37 Partiram de Cades e acamparam no monte Hor, na fronteira de Edom.
38 Por ordem do Senhor, o sacerdote Arão subiu o monte Hor, onde morreu no primeiro dia do quinto mês do quadragésimo ano depois que os israelitas saíram do Egito.
39 Arão tinha cento e vinte e três anos de idade quando morreu no monte Hor.
40 O rei cananeu de Arade, que vivia no Neguebe, na terra de Canaã, soube que os israelitas estavam chegando.
41 Eles partiram do monte Hor e acamparam em Zalmona.
42 Partiram de Zalmona e acamparam em Punom.
43 Partiram de Punom e acamparam em Obote.
44 Partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim, na fronteira de Moabe.
45 Partiram de Ijim[62] e acamparam em Dibom-Gade.
46 Partiram de Dibom-Gade e acamparam em Almom-Diblataim.
47 Partiram de Almom-Diblataim e acam­param nos montes de Abarim, defronte de Nebo.
48 Partiram dos montes de Abarim e acamparam nas campinas de Moabe junto ao Jordão, frente a Jericó.
49 Nas campinas de Moabe eles acamparam junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim.
50 Nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, frente a Jericó, o Senhor disse a Moisés:
51 Diga aos israelitas: Quando vocês atravessarem o Jordão para entrar em Canaã,
52 expulsem da frente de vocês todos os habitantes da terra. Destruam todas as imagens esculpidas e todos os ídolos fundidos, e derrubem todos os altares idólatras deles.
53 Apoderem-se da terra e instalem-se nela, pois eu lhes dei a terra para que dela tomem posse.
54 Distribuam a terra por sorteio, de acordo com os seus clãs. Aos clãs maiores vocês darão uma herança maior, e aos menores, uma herança menor. Cada clã receberá a terra que lhe cair por sorte. Distribuam-na entre as tribos dos seus antepassados.
55 Se, contudo, vocês não expulsarem os habitantes da terra, aqueles que vocês permitirem ficar se tornarão farpas em seus olhos e espinhos em suas costas. Eles lhes causarão problemas na terra em que vocês irão morar.
56 Então farei a vocês o mesmo que planejo fazer a eles.

Números – Capítulo 35

1 Nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, frente a Jericó, o Senhor disse a Moisés:
2 Ordene aos israelitas que, da herança que possuem, dêem cidades para os levitas morarem. E dêem-lhes também pasta­gens ao redor das cidades.
3 Assim eles terão cidades para habitar e pastagens para o gado, para os rebanhos e para todos os seus outros animais de criação.
4 As pastagens ao redor das cidades que vocês derem aos levitas se estenderão para fora quatrocentos e cinqüenta metros[67], a partir do muro da cidade.
5 Do lado de fora da cidade, meçam novecentos metros para o lado leste, para o lado sul, para o lado oeste e para o lado norte, tendo a cidade no centro. Eles terão essa área para pastagens das cidades.
6 Seis das cidades que vocês derem aos levitas serão cidades de refúgio, para onde poderá fugir quem tiver matado alguém. Além disso, dêem a eles outras quarenta e duas cidades.
7 Ao todo, vocês darão aos levitas quarenta e oito cidades, juntamente com as suas pastagens.
8 As cidades que derem aos levitas, das terras dos israelitas, deverão ser dadas proporcionalmente à herança de cada tribo; tomem muitas cidades da tribo que tem muitas, mas poucas da que tem poucas.
9 Disse também o Senhor a Moisés:
10 Diga aos israelitas: Quando vocês atravessarem o Jordão e entrarem em Canaã,
11 escolham algumas cidades para serem suas cidades de refúgio, para onde poderá fugir quem tiver matado alguém sem intenção.
12 Elas serão locais de refúgio contra o vingador da vítima, a fim de que alguém acusado de assassinato não morra antes de apresentar-se para julgamento perante a comunidade.
13 As seis cidades que vocês derem serão suas cidades de refúgio.
14 Designem três cidades de refúgio deste lado do Jordão e três outras em Canaã.
15 As seis cidades servirão de refúgio para os israelitas, para os estrangeiros residentes e para quaisquer outros estrangeiros que vivam entre eles, para que todo aquele que tiver matado alguém sem intenção possa fugir para lá.
16 Se um homem ferir alguém com um objeto de ferro de modo que essa pessoa morra, ele é assassino; o assassino terá que ser executado.
17 Ou, se alguém tiver nas mãos uma pedra que possa matar, e ferir uma pessoa de modo que ela morra, é assassino; o assassino terá que ser executado.
18 Ou, se alguém tiver nas mãos um pedaço de madeira que possa matar, e ferir uma pessoa de modo que ela morra, é assassino; o assassino terá que ser executado.
19 O vingador da vítima matará o assassino; quando o encontrar o matará.
20 Se alguém, com ódio, empurrar uma pessoa premeditadamente ou atirar alguma coisa contra ela de modo que ela morra,
21 ou se com hostilidade der-lhe um soco provocando a sua morte, ele terá que ser executado; é assassino. O vingador da vítima matará o assassino quando encontrá-lo.
22 Todavia, se alguém, sem hostilidade, empurrar uma pessoa ou atirar alguma coisa contra ela sem intenção,
23 ou se, sem vê-la, dei­xar cair sobre ela uma pedra que possa matá-la, e ela morrer, então, como não era sua inimiga e não pretendia feri-la,
24 a comunidade deverá julgar entre ele e o vingador da vítima de acordo com essas leis.
25 A comunidade protegerá o acusado de assassinato do vingador da vítima e o enviará de volta à cidade de refúgio para onde tinha fugido. Ali permanecerá até a morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o óleo santo.
26 Se, contudo, o acusado sair dos limites da cidade de refúgio para onde fugiu
27 e o vingador da vítima o encontrar fora da cidade, ele poderá matar o acusado sem ser culpado de assassinato.
28 O acusado deverá permanecer em sua cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote; somente depois da morte do sumo sa­cerdote poderá voltar à sua propriedade.
29 Estas exigências legais serão para vocês e para as suas futuras gerações, onde quer que vocês vivam.
30 Quem matar uma pessoa terá que ser executado como assassino mediante depoimento de testemunhas. Mas ninguém será executado mediante o depoimento de apenas uma testemunha.
31 Não aceitem resgate pela vida de um assassino; ele merece morrer. Certamente terá que ser executado.
32 Não aceitem resgate por alguém que tenha fugido para uma cidade de refúgio, permitindo que ele retorne e viva em sua própria terra antes da morte do sumo sacerdote.
33 Não profanem a terra onde vocês estão. O derramamento de sangue profana a terra, e só se pode fazer propiciação em favor da terra em que se derramou sangue, mediante o sangue do assassino que o derramou.
34 Não contaminem a terra onde vocês vivem e onde eu habito, pois eu, o Senhor, habito entre os israelitas.

Deuteronômio – Capítulo 1

1 Estas são as palavras ditas por Moisés a todo o Israel no deserto, a leste do Jordão, na Arabá, defronte de Sufe, entre Parã e Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe.
2 Em onze dias se vai de Horebe a Cades-Barnéia pelo caminho dos montes de Seir.
3 No quadragésimo ano, no primeiro dia do décimo primeiro mês, Moisés proclamou aos israelitas todas as ordens do Senhor acerca deles.
4 Isso foi depois que ele derrotou Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e, em Edrei, derrotou Ogue, rei de Basã, que habitava em Asterote.
5 A leste do Jordão, na terra de Moabe, Moisés tomou sobre si a responsabilidade de expor esta lei:
6 O Senhor, o nosso Deus, disse-nos em Horebe: “Vocês já ficaram bastante tempo nesta montanha.
7 Levantem acampamento e avancem para a serra dos amorreus; vão a todos os povos vizinhos na Arabá, nas montanhas, na Sefelá[1], no Neguebe e ao longo do litoral, à terra dos cananeus e ao Líbano, até o grande rio, o Eufrates.
8 Ponho esta terra diante de vocês. Entrem e tomem posse da terra que o Senhor prometeu sob juramento dar aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, e aos seus descendentes.
9 Naquela ocasião eu lhes disse: Não posso levá-los sozinho.
10 O Senhor, o seu De­us, os fez multiplicar-se de tal modo que hoje vocês são tão numerosos quanto as estrelas do céu.
11 Que o Senhor, o Deus dos seus antepassados, os multiplique mil vezes mais e os abençoe, conforme lhes prometeu!
12 Mas como poderei levar sozinho as suas cargas, os seus problemas, e as suas disputas?
13 Escolham homens sábios, criteriosos e experientes de cada uma de suas tribos, e eu os colocarei como chefes de vocês.
14 Vocês me disseram que essa era uma boa proposta.
15 Então convoquei os chefes das tribos, homens sábios e experientes, e os designei para chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez, além de oficiais para cada tribo.
16 Naquela ocasião ordenei aos seus juízes: Atendam as demandas de seus irmãos e julguem com justiça, não só as questões entre os seus compatriotas mas também entre um israe­lita e um estrangeiro.
17 Não sejam parciais no julgamento! Atendam tanto o pequeno como o grande. Não se deixem intimidar por ninguém, pois o veredicto pertence a Deus. Tragam-me os casos mais difíceis e eu os ouvirei.
18 Naquela ocasião eu lhes ordenei tudo o que deveriam fazer.
19 Depois, conforme o Senhor, o nosso Deus, nos tinha ordenado, partimos de Horebe e fomos para a serra dos amorreus, passando por todo aquele imenso e terrível deserto que vocês viram, e assim chegamos a Cades-Barnéia.
20 Então eu lhes disse: Vocês chegaram à serra dos amorreus, a qual o Senhor, o nosso Deus, nos dá.
21 Vejam, o Senhor, o seu Deus, põe diante de vocês esta terra. Entrem na terra e tomem posse dela, conforme o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes disse. Não tenham medo nem desanimem.
22 Vocês todos vieram dizer-me: Mandemos alguns homens à nossa frente em missão de reconhecimento da região, para que nos indiquem por qual caminho subiremos e a quais cidades iremos.
23 A sugestão pareceu-me boa; por isso escolhi doze de vocês, um homem de cada tribo.
24 Eles subiram a região montanhosa, chegaram ao vale de Escol e o exploraram.
25 Trouxeram alguns frutos da região, com o seguinte relato: “Essa terra que o Senhor, o nosso Deus, nos dá é boa”.
26 Vocês, contudo, não quiseram ir, e se rebelaram contra a ordem do Senhor, o seu Deus.
27 Queixaram-se em suas tendas, dizendo: “O Senhor nos odeia; por isso nos trouxe do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e destruir-nos.
28 Para onde iremos? Nossos compatriotas nos desanimaram quando disseram: “O povo é mais forte e mais alto do que nós; as cidades são grandes, com muros que vão até o céu. Vimos ali os enaquins”.
29 Então eu lhes disse: Não fiquem apavo­rados; não tenham medo deles.
30 O Senhor, o seu Deus, que está indo à frente de vocês, lutará por vocês, diante de seus próprios olhos, como fez no Egito.
31 Também no deserto vocês viram como o Senhor, o seu Deus, os carregou, como um pai carrega seu filho, por todo o caminho que percorreram até chegarem a este lugar.
32 Apesar disso, vocês não confiaram no Senhor, o seu Deus,
33 que foi à frente de vocês, numa coluna de fogo de noite e numa nuvem de dia, procurando lugares para vocês acampa­rem e mostrando-lhes o caminho que deviam seguir.
34 Quando o Senhor ouviu o que vocês diziam, irou-se e jurou:
35 “Ninguém desta geração má verá a boa terra que jurei dar aos seus antepassados,
36 exceto Calebe, filho de Jefoné. Ele a verá, e eu darei a ele e a seus descendentes a terra em que pisou, pois seguiu o Senhor de todo o coração”.
37 Por causa de vocês o Senhor irou-se contra mim e me disse: “Você também não entrará na terra.
38 Mas o seu auxiliar, Josué, filho de Num, entrará. Encoraje-o, pois ele fará com que Israel tome posse dela.
39 E as crianças que vocês disseram que seriam levadas como despojo, os seus filhos que ainda não distinguem entre o bem e o mal, eles entrarão na terra. Eu a darei a eles, e eles tomarão posse dela.
40 Mas quanto a vocês, dêem meia-volta e partam para o deserto pelo caminho do mar Vermelho”.
41 Então vocês responderam: “Pecamos contra o Senhor. Nós subiremos e lutaremos, conforme tudo o que o Senhor, o nosso Deus, nos ordenou”. Cada um de vocês preparou-se com as suas armas de guerra, achando que seria fácil subir a região montanhosa.
42 Mas o Senhor me disse: “Diga-lhes que não subam nem lutem, porque não estarei com eles. Serão derrotados pelos seus inimigos”.
43 Eu lhes disse isso, mas vocês não me deram ouvidos, rebelaram-se contra o Senhor e, com presunção, subiram a região montanhosa.
44 Os amorreus que lá viviam os atacaram, os perseguiram como um enxame de abelhas e os arrasaram desde Seir até Hormá.
45 Vocês voltaram e choraram perante o Senhor, mas ele não ouviu o seu clamor nem lhes deu atenção.
46 Então vocês ficaram em Cades, onde permaneceram muito tempo.

Deuteronômio – Capítulo 11

1 Amem o Senhor, o seu Deus e obedeçam sempre aos seus preceitos, aos seus decretos, às suas ordenanças e aos seus mandamentos.
2 Lembrem-se hoje de que não foram os seus filhos que experimentaram e viram a disciplina do Senhor, o seu Deus, a sua majestade, a sua mão poderosa, o seu braço forte.
3 Vocês viram os sinais que ele realizou e tudo o que fez no coração do Egito, tanto com o faraó, rei do Egito, quanto com toda a sua terra;
4 o que fez com o exército egípcio, com os seus cavalos e carros, como os surpreendeu com as águas do mar Vermelho, quando estavam perseguindo vocês, e como o Senhor os destruiu para sempre.
5 Vocês também viram o que ele fez por vocês no deserto até chegarem a este lugar,
6 e o que fez a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, da tribo de Rúben, quando a terra abriu a boca no meio de todo o Israel e os engoliu com suas famílias, suas tendas e tudo o que lhes pertencia.
7 Vocês mesmos viram com os seus próprios olhos todas essas coisas grandiosas que o Senhor fez.
8 Obedeçam, portanto, a toda a lei que hoje lhes estou dando, para que tenham forças para invadir e conquistar a terra para onde estão indo,
9 e para que vivam muito tempo na terra que o Senhor jurou dar aos seus antepassados e aos descendentes deles, terra onde há leite e mel com fartura.
10 A terra da qual vocês vão tomar posse não é como a terra do Egito, de onde vocês vieram e onde plantavam as sementes e tinham que fazer a irrigação a pé, como numa horta.
11 Mas a terra em que vocês, atravessando o Jordão, vão entrar para dela tomar posse, é terra de montes e vales, que bebe chuva do céu.
12 É uma terra da qual o Senhor, o seu Deus, cuida; os olhos do Senhor, o seu Deus, estão continuamente sobre ela, do início ao fim do ano.
13 Portanto, se vocês obedecerem fielmente aos mandamentos que hoje lhes dou, amando o Senhor, o seu Deus, e servindo-o de todo o coração e de toda a alma,
14 então, no devido tempo, enviarei chuva sobre a sua terra, chuva de outono e de primavera, para que vocês recolham o seu cereal, e tenham vinho novo e azeite.
15 Ela dará pasto nos campos para os seus rebanhos, e quanto a vocês, terão o que comer e ficarão satisfeitos.
16 Por isso, tenham cuidado para não serem enganados e levados a desviar-se para adorar outros deuses e a prostrar-se perante eles.
17 Caso contrário, a ira do Senhor se acenderá contra vocês e ele fechará o céu para que não chova e para que a terra nada produza, e assim vocês logo desaparecerão da boa terra que o Senhor lhes está dando.
18 Gravem estas minhas palavras no coração e na mente; amarrem-nas como sinal nas mãos e prendam-nas na testa.
19 Ensinem-nas a seus filhos, conversando a respeito delas quando estiverem sentados em casa e quando estiverem ­andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se levantarem.
20 Escrevam-nas nos batentes das portas de suas casas, e nos seus portões,
21 para que, na terra que o Senhor jurou que daria aos seus antepassados, os seus dias e os dias dos seus filhos sejam muitos, sejam tantos como os dias durante os quais o céu está acima da terra.
22 Se vocês obedecerem a todos os mandamentos que lhes mando cumprir, amando o Senhor, o seu Deus, andando em todos os seus caminhos e apegando-se a ele,
23 então o Senhor expulsará todas essas nações da presença de vocês, e vocês despojarão nações maiores e mais fortes do que vocês.
24 Todo lugar onde vocês puserem os pés será de vocês. O seu território se estenderá do deserto do Líbano e do rio Eufrates ao mar Ocidental[14].
25 Nin­guém conseguirá resisti-los. O Senhor, o seu Deus, conforme lhes prometeu, trará pavor e medo de vocês a todos os povos daquela terra, aonde quer que vocês forem.
26 Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição.
27 Vocês terão bênção, se obedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, que hoje lhes estou dando;
28 mas terão maldição, se desobedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir deuses desconhecidos.
29 Quando o Senhor, o seu Deus, os tiver levado para a terra da qual vão tomar posse, vocês terão que proclamar a bênção no monte Gerizim, e a maldição no monte Ebal.
30 Como sabem, esses montes estão do outro lado do Jordão, a oeste da estrada[15], na direção do poente, perto dos carvalhos de Moré, no território dos cananeus que vivem na Arabá, próximos de Gilgal.
31 Vocês estão a ponto de atravessar o Jordão e de tomar posse da terra que o Senhor, o seu Deus, lhes está dando. Quando vocês a tiverem conquistado e estiverem vivendo nela,
32 tenham o cuidado de obedecer a todos os decretos e ordenanças que hoje estou dando a vocês.

Deuteronômio – Capítulo 12

1 Estes são os decretos e ordenanças que vocês devem ter o cuidado de cumprir enquanto viverem na terra que o Senhor, o Deus dos seus antepassados, deu a vocês como herança.
2 Destruam completamente todos os lugares nos quais as nações que vocês estão desalojando adoram os seus deuses, tanto nos altos montes como nas colinas e à sombra de toda árvore frondosa.
3 Derrubem os seus altares, esmigalhem as suas colunas sagradas e queimem os seus postes sagrados; despedacem os ídolos dos seus deuses e eliminem os nomes deles daqueles lugares.
4 Vocês, porém, não adorarão o Senhor, o seu Deus, como eles adoram os seus deuses.
5 Mas procurarão o local que o Senhor, o seu Deus, escolher dentre todas as tribos para ali pôr o seu Nome e sua habitação. Para lá vocês deverão ir
6 e levar holocaustos[16] e sacrifícios, dízimos e dádivas especiais, o que em voto tiverem prometido, as suas ofertas voluntárias e a primeira cria de todos os rebanhos.
7 Ali, na presença do Senhor, o seu Deus, vocês e suas famílias comerão e se alegrarão com tudo o que tiverem feito, pois o Senhor, o seu Deus, os terá abençoado.
8 Vocês não agirão como estamos agindo aqui, cada um fazendo o que bem entende,
9 pois ainda não chegaram ao lugar de descanso e à herança que o Senhor, o seu Deus, lhes está dando.
10 Mas vocês atravessarão o Jordão e se estabelecerão na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá como herança, e ele lhes concederá descanso de todos os inimigos que os cercam, para que vocês vivam em segurança.
11 Então, para o lugar que o Senhor, o seu Deus, escolher como habitação do seu Nome, vocês levarão tudo o que eu lhes ordenar: holocaustos e sacrifícios, dízimos e dádivas especiais e tudo o que tiverem prometido em voto ao Senhor.
12 E regozijem-se ali perante o Senhor, o seu Deus, vocês, os seus filhos e filhas, os seus servos e servas, e os levitas que vivem nas cidades de vocês por não terem recebido terras nem propriedades.
13 Tenham o cuidado de não sacrificar os seus holocaustos em qualquer lugar que lhes agrade.
14 Ofereçam-nos somente no local que o Senhor escolher numa das suas tribos, e ali ponham em prática tudo o que eu lhes ordenar.
15 No entanto, vocês poderão abater os seus animais em qualquer das suas cidades e comer quanta carne desejarem, como se fosse carne de gazela ou de veado, de acordo com a bênção que o Senhor, o seu Deus, lhes der. Tanto quem estiver cerimonialmente impuro quanto quem estiver puro poderá comê-la.
16 Mas não poderão comer o sangue; derramem-no no chão como se fosse água.
17 Vocês não poderão comer em suas próprias cidades o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, nem a primeira cria dos rebanhos, nem o que, em voto, tiverem prometido, nem as suas ofertas voluntárias ou dádivas especiais.
18 Ao invés disso, vocês os comerão na presença do Senhor, o seu Deus, no local que o Senhor, o seu Deus, escolher; vocês, os seus filhos e filhas, os seus servos e servas, e os levitas das suas cidades. Alegrem-se perante o Senhor, o seu Deus, em tudo o que fizerem.
19 Tenham o cuidado de não aban­donar os levitas enquanto vocês viverem na sua própria terra.
20 Quando o Senhor, o seu Deus, tiver aumentado o seu território conforme lhes prometeu, e vocês desejarem comer carne e disserem: “Gostaríamos de um pouco de carne”, poderão comer o quanto quiserem.
21 Se o local que o Senhor, o seu Deus, escolher para pôr o seu Nome ficar longe demais, vocês poderão abater animais de todos os rebanhos que o Senhor lhes der, conforme lhes ordenei, e em suas próprias cidades poderão comer quanta carne desejarem.
22 Vo­cês a comerão como comeriam carne de gazela ou de veado. Tanto os cerimonialmente impuros quanto os puros poderão comer.
23 Mas não comam o sangue, porque o sangue é a vida, e vocês não poderão comer a vida com o sangue.
24 Vocês não comerão o sangue; derramem-no no chão como se fosse água.
25 Não o comam, para que tudo vá bem com vocês e com os seus filhos, porque estarão fazendo o que é justo perante o Senhor.
26 Todavia, apanhem os seus objetos consagrados e o que, em voto, tiverem prometido, e dirijam-se ao local que o Senhor escolher.
27 Apresentem os seus holocaustos colocando-os no altar do Senhor, o seu Deus, tanto a carne quanto o sangue. O sangue dos seus sacrifícios será derramado ao lado do altar do Senhor, o seu Deus, mas vocês poderão comer a carne.
28 Tenham o cuidado de obedecer a todos estes regulamentos que lhes estou dando, para que sempre vá tudo bem com vocês e com os seus filhos, porque estarão fazendo o que é bom e certo perante o Senhor, o seu Deus.
29 O Senhor, o seu Deus, eliminará da sua presença as nações que vocês estão a ponto de invadir e expulsar. Mas, quando vocês as tiverem expulsado e tiverem se estabelecido na terra delas,
30 e depois que elas forem destruídas, tenham cuidado para não serem enganados e para não se interessarem pelos deuses delas, dizendo: “Como essas nações servem aos seus deuses? Faremos o mesmo!”
31 Não adorem o Senhor, o seu Deus, da maneira como fazem essas nações, porque, ao adorarem os seus deuses, elas fazem todo tipo de coisas repugnantes que o Senhor odeia, como queimar seus filhos e filhas no fogo em sacrifícios aos seus deuses.
32 Apliquem-se a fazer tudo o que eu lhes ordeno; não acrescentem nem tirem coisa alguma.

Deuteronômio – Capítulo 13

1 Se aparecer entre vocês um profeta ou al­guém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio,
2 e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: “Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los”,
3 não dêem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma.
4 Sigam somente o Senhor, o seu Deus, e temam a ele somente. Cumpram os seus mandamentos e obedeçam-lhe; sirvam-no e apeguem-se a ele.
5 Aquele profeta ou sonhador terá que ser morto, pois pregou rebelião contra o Senhor, o seu Deus, que os tirou do Egito e os redimiu da terra da escravidão; ele tentou afastá-los do caminho que o Senhor, o seu Deus, lhes ordenou que seguissem. Eliminem o mal do meio de vocês.
6 Se o seu próprio irmão ou filho ou filha, ou a mulher que você ama ou o seu amigo mais chegado secretamente instigá-lo, dizendo: “Vamos adorar outros deuses!” — deuses que nem você nem os seus antepassados conheceram,
7 deuses dos povos que vivem ao seu redor, quer próximos, quer distantes, de um ao outro lado da terra —
8 não se deixe convencer nem ouça o que ele diz. Não tenha piedade nem compaixão dele e não o proteja.
9 Você terá que matá-lo. Seja a sua mão a primeira a levantar-se para matá-lo, e depois as mãos de todo o povo.
10 Apedreje-o até a morte, porque tentou desviá-lo do Senhor, o seu Deus, que o tirou do Egito, da terra da escravidão.
11 Então todo o Israel saberá disso; todos temerão e ninguém tornará a cometer uma maldade dessas.
12 Se vocês ouvirem dizer que numa das cidades que o Senhor, o seu Deus, lhes dá para nelas morarem,
13 surgiram homens perversos e desviaram os seus habitantes, dizendo: “Vamos adorar outros deuses!”, deuses que vocês não conhecem,
14 vocês deverão verificar e investigar. Se for verdade e ficar comprovado que se praticou esse ato detestável entre vocês,
15 matem ao fio da espada todos os que viverem naquela cidade. Destruam totalmente a cidade, matando tanto os seus habitantes quanto os seus animais.
16 Ajuntem todos os despojos no meio da praça pública e queimem totalmente a cidade e todos os seus despojos, como oferta ao Senhor, o seu Deus. Fique ela em ruínas para sempre, e nunca mais seja reconstruída.
17 Não seja encontrado em suas mãos nada do que foi destinado à destruição, para que o Senhor se afaste do fogo da sua ira. Ele terá misericórdia e compaixão de vocês, e os fará multiplicar-se, conforme prometeu sob juramento aos seus antepassados,
18 somente se obedecerem ao Senhor, o seu Deus, guardando todos os seus mandamentos, que lhes estou dando, e fazendo o que é justo para ele.

Deuteronômio – Capítulo 22

1 Se o boi ou a ovelha de um israelita se extraviar e você o vir, não ignore o fato, mas faça questão de levar o animal de volta ao dono.
2 Se este não morar perto de você ou se você não o conhecer, leve o animal para casa e fique com ele até que o seu compatriota venha procurá-lo e você possa devolvê-lo.
3 Faça o mesmo com o jumento, com a capa e com qualquer coisa perdida que encontrar. Não ignore o fato.
4 Se você vir o jumento ou o boi de um israelita caído no caminho, não o ignore. Ajude-o a pôr o animal em pé.
5 A mulher não usará roupas de homem, e o homem não usará roupas de mulher, pois o Senhor, o seu Deus, tem aversão por todo aquele que assim procede.
6 Se você passar por um ninho de pássaros, numa árvore ou no chão, e a mãe estiver sobre os filhotes ou sobre os ovos, não apanhe a mãe com os filhotes.
7 Você poderá apanhar os filhotes, mas deixe a mãe solta, para que tudo vá bem com você e você tenha vida longa.
8 Quando você construir uma casa nova, faça um parapeito em torno do terraço, para que não traga sobre a sua casa a culpa pelo derramamento de sangue inocente, caso alguém caia do terraço.
9 Não plante dois tipos de semente em sua vinha; se o fizer, tanto a semente que plantar como o fruto da vinha estarão contaminados[27].
10 Não are a terra usando um boi e um jumento sob o mesmo jugo.
11 Não use roupas de lã e de linho misturados no mesmo tecido.
12 Faça borlas nas quatro pontas do manto que você usa para cobrir-se.
13 Se um homem casar-se e, depois de deitar-se com a mulher, rejeitá-la
14 e falar mal dela e difamá-la, dizendo: “Casei-me com esta mulher, mas quando me cheguei a ela, descobri que não era virgem”,
15 o pai e a mãe da moça trarão aos líderes da cidade, junto à porta, a prova da sua virgindade.
16 Então o pai da moça dirá aos líderes: “Dei a minha filha em casamento a este homem, mas ele a rejeita.
17 Ele também a difamou e disse: “Descobri que a sua filha não era virgem”. Mas aqui está a prova da virgindade da minha filha”. Então os pais dela apresentarão a prova aos líderes da cidade,
18 e eles castigarão o homem.
19 Aplicarão a ele a multa de cem peças de prata, que serão dadas ao pai da moça, pois aquele homem prejudicou a reputação de uma virgem israelita. E ele não poderá divorciar-se dela enquanto viver.
20 Se, contudo, a acusação for verdadeira e não se encontrar prova de virgindade da moça,
21 ela será levada à porta da casa do seu pai e ali os homens da sua cidade a apedrejarão até a morte. Ela cometeu um ato vergonhoso em Israel, prostituindo-se enquanto estava na casa de seu pai. Eliminem o mal do meio de vocês.
22 Se um homem for surpreendido deitado com a mulher de outro, os dois terão que morrer, o homem e a mulher com quem se deitou. Eliminem o mal do meio de Israel.
23 Se numa cidade um homem se encontrar com uma jovem prometida em casamento e se deitar com ela,
24 levem os dois à porta daquela cidade e apedrejem-nos até a morte: a moça porque estava na cidade e não gritou por socorro, e o homem porque desonrou a mulher doutro homem. Eliminem o mal do meio de vocês.
25 Se, contudo, um homem encontrar no campo uma jovem prometida em casamento e a forçar, somente o homem morrerá.
26 Não façam nada à moça, pois ela não cometeu pecado algum que mereça a morte. Este caso é semelhante ao daquele que ataca e mata o seu próximo,
27 pois o homem encontrou a moça virgem no campo, e, ainda que a jovem prometida em casamento gritasse, ninguém poderia socorrê-la.
28 Se um homem se encontrar com uma moça sem compromisso de casamento e a violentar, e eles forem descobertos,
29 ele pagará ao pai da moça cinqüenta peças de prata e terá que casar-se com a moça, pois a violentou. Jamais poderá divorciar-se dela.
30 Nenhum homem poderá tomar por mulher a mulher do seu pai, pois isso desonraria a cama de seu pai.

Deuteronômio – Capítulo 25

1 Quando dois homens se envolverem numa briga, terão que levar a causa ao tribunal, e os juízes decidirão a questão, absolvendo o inocente e condenando o culpado.
2 Se o culpado merecer açoitamento, o juiz ordenará que ele se deite e seja açoitado em sua presença com o número de açoites que o seu crime merecer,
3 desde que nunca ultrapasse quarenta açoites. Açoitá-lo além disso seria humilhar publicamente um israelita.
4 Não amordacem o boi enquanto está debulhando o cereal.
5 Se dois irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem deixar filhos, a sua viúva não se casará com alguém de fora da família. O irmão do marido se casará com ela e cumprirá com ela o dever de cunhado.
6 O primeiro filho que ela tiver levará o nome do irmão falecido, para que o seu nome não seja apagado de Israel.
7 Se, todavia, ele não quiser casar-se com a mulher do seu irmão, ela irá aos líderes do lugar, à porta da cidade, e dirá: “O irmão do meu marido está se recusando a dar continuidade ao nome do seu irmão em Israel. Ele não quer cumprir para comigo o dever de cunhado”.
8 Os líderes da cidade o convocarão e conversarão com ele. Se ele insistir em dizer: “Não quero me casar com ela”,
9 a viúva do seu irmão se aproximará dele, na presença dos líderes, tirará uma das sandálias dele, cuspirá no seu rosto e dirá: “É isso que se faz com o homem que não perpetua a descendência do seu irmão”.
10 E a descendência daquele homem será conhecida em Israel como “a família do descalçado”.
11 Se dois homens estiverem brigando, e a mulher de um deles vier para livrar o marido daquele que o ataca e pegá-lo pelos órgãos genitais,
12 cortem a mão dela. Não tenham piedade.
13 Não tenham na bolsa dois padrões para o mesmo peso, um maior e outro menor.
14 Não tenham em casa dois padrões para a mesma medida, um maior e outro menor.
15 Tenham pesos e medidas exatos e honestos, para que vocês vivam muito tempo na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá.
16 Pois o Senhor, o seu Deus, detesta quem faz essas coisas, quem negocia desonestamente.
17 Lembrem-se do que os amalequitas lhes fizeram no caminho, quando vocês saíram do Egito.
18 Quando vocês estavam cansados e exaus­tos, eles se encontraram com vocês no caminho e eliminaram todos os que ficaram para trás; não tiveram temor de Deus.
19 Quando o Senhor, o seu Deus, der a vocês o descanso de todos os inimigos ao seu redor, na terra que ele lhes dá para dela tomarem posse como herança, vocês farão que os amalequitas sejam esquecidos debaixo do céu. Não se esqueçam!

Deuteronômio – Capítulo 28

1 Se vocês obedecerem fielmente ao Senhor, o seu Deus, e seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje lhes dou, o Senhor, o seu Deus, os colocará muito acima de todas as nações da terra.
2 Todas estas bênçãos virão sobre vocês e os acompanharão, se vocês obedecerem ao Senhor, o seu Deus:
3 Vocês serão abençoados na cidade e serão abençoados no campo.
4 Os filhos do seu ventre serão abençoados, como também as colheitas da sua terra e os bezerros e os cordeiros dos seus rebanhos.
5 A sua cesta e a sua amassadeira serão abençoadas.
6 Vocês serão abençoado sem tudo o que fizerem.
7 O Senhor concederá que sejam derrotados diante de vocês os inimigos que os atacarem. Virão a vocês por um caminho, e por sete fugirão.
8 O Senhor enviará bênçãos aos seus celeiros e a tudo o que as suas mãos fizerem. O Senhor, o seu Deus, os abençoará na terra que lhes dá.
9 O Senhor fará de vocês o seu povo santo, conforme prometeu sob juramento, se obedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e andarem nos caminhos dele.
10 Então todos os povos da terra verão que vocês pertencem ao Senhor e terão medo de vocês.
11 O Senhor lhes concederá grande prosperidade, no fruto do seu ventre, nas crias dos seus animais e nas colheitas da sua terra, nesta terra que ele jurou aos seus antepassados que daria a vocês.
12 O Senhor abrirá o céu, o depósito do seu tesouro, para enviar chuva à sua terra no devido tempo e para abençoar todo o trabalho das suas mãos. Vocês emprestarão a muitas nações, e de nenhuma tomarão emprestado.
13 O Senhor fará de vocês a cabeça das nações, e não a cauda. Se obedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, que hoje lhes dou e os seguirem cuidadosamente, vocês estarão sempre por cima, nunca por baixo.
14 Não se desviem, nem para a direita nem para a esquerda, de qualquer dos mandamentos que hoje lhes dou, para seguir outros deuses e prestar-lhes culto.
15 Entretanto, se vocês não obedecerem ao Senhor, o seu Deus, e não seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos e decretos que hoje lhes dou, todas estas maldições cairão sobre vocês e os atingirão:
16 Vocês serão amaldiçoados na cidadee serão amaldiçoados no campo.
17 A sua cesta e a sua amassadeira serão amaldiçoadas.
18 Os filhos do seu ventre serão amaldiçoados, como também as colheitas da sua terra, e os bezerros e os cordeiros dos seus rebanhos.
19 Vocês serão amaldiçoados em tudo o que fizerem.
20 O Senhor enviará sobre vocês maldições, confusão e repreensão em tudo o que fizerem, até que vocês sejam destruídos e sofram repentina ruína pelo mal que praticaram ao se esquecerem dele[33].
21 O Senhor os encherá de doenças até banilos da terra em que vocês estão entrando para dela tomar posse.
22 O Senhor os ferirá com doenças devastadoras, febre e inflamação, com calor abrasador e seca, com ferrugem e mofo, que os infestarão até que morram.
23 O céu sobre a sua cabeça será como bronze; o chão debaixo de vocês, como ferro.
24 Na sua terra o Senhor transformará a chuva em cinza e pó, que descerão do céu até que vocês sejam destruídos.
25 O Senhor fará que vocês sejam derrotados pelos inimigos. Vocês irão a eles por um caminho, e por sete fugirão, e vocês se tornarão motivo de horror para todos os reinos da terra.
26 Os seus cadáveres servirão de alimento para todas as aves do céu e para os animais da terra e não haverá quem os espante.
27 O Senhor os castigará com as úlceras do Egito e com tumores, feridas purulentas e sarna, males dos quais vocês não poderão curar-se.
28 O Senhor os afligirá com loucura, cegueira e confusão mental.
29 Ao meio-dia vocês ficarão tateando às voltas, como um cego na escuridão. Vocês não serão bem-sucedidos em nada que fizerem; dia após dia serão oprimidos e roubados, sem que ninguém os salve.
30 Você ficará noivo de uma mulher, mas outro homem a possuirá. Construirá uma casa, mas não morará nela. Plantará uma vinha, mas não provará dos seus frutos.
31 O seu boi será abatido diante dos seus olhos, mas você não comerá da sua carne. O seu jumento lhe será tirado à força e não lhe será devolvido. As suas ovelhas serão dadas aos inimigos, e ninguém as livrará.
32 Os seus filhos e as suas filhas serão entregues a outra nação e os seus olhos se consumirão à espera deles, dia após dia, sem que você possa erguer uma só mão para trazê-los de volta.
33 Um povo que vocês não conhecem comerá aquilo que a terra e o seu trabalho produzirem, e vocês sofrerão opressão cruel todos os seus dias.
34 Aquilo que os seus olhos virem os levará à loucura.
35 O Senhor afligirá os seus joelhos e as suas pernas com feridas dolorosas e incuráveis, que se espalharão sobre vocês desde a sola do pé até o alto da cabeça.
36 O Senhor os levará, e também o rei que os governar, a uma nação que vocês e seus antepassados nunca conheceram. Lá vocês adorarão outros deuses, deuses de madeira e de pedra.
37 Vocês serão motivo de horror e objeto de zombaria e de riso para todas as nações para onde o Senhor os levar.
38 Vocês semearão muito em sua terra, mas colherão bem pouco, porque gafanhotos devorarão quase tudo.
39 Plantarão vinhas e as cultivarão, mas não beberão o vinho nem colherão as uvas, porque os vermes as comerão.
40 Vocês terão oliveiras em todo o país, mas vocês mesmos não utilizarão o azeite, porque as azeitonas cairão.
41 Os seus filhos e filhas não ficarão com vocês, porque serão levados para o cativeiro.
42 Enxames de gafanhotos se apoderarão de todas as suas árvores e das plantações da sua terra.
43 Os estrangeiros que vivem no meio de vocês progredirão cada vez mais, e cada vez mais vocês regredirão.
44 Eles lhes emprestarão dinheiro, mas vocês não emprestarão a eles. Eles serão a cabeça, e vocês serão a cauda.
45 Todas essas maldições cairão sobre vocês. Elas os perseguirão e os alcançarão até que sejam destruídos, porque não obedeceram ao Senhor, o seu Deus, nem guardaram os man­damentos e decretos que ele lhes deu.
46 Essas maldições serão um sinal e um prodígio para vocês e para os seus descendentes para sempre.
47 Uma vez que vocês não serviram com júbilo e alegria ao Senhor, o seu Deus, na época da prosperidade,
48 então, em meio à fome e à sede, em nudez e pobreza extrema, vocês servirão aos inimigos que o Senhor enviará contra vocês. Ele porá um jugo de ferro sobre o seu pescoço, até que os tenha destruído.
49 O Senhor trará de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês como a águia em mergulho, nação cujo idioma não compreenderão,
50 nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços.
51 Ela devorará as crias dos seus animais e as plantações da sua terra até que vocês sejam destruídos. Ela não lhes deixará cereal, vinho, azeite, como também nenhum bezerro ou cordeiro dos seus rebanhos, até que vocês sejam arruinados.
52 Ela sitiará todas as cidades da sua terra, até que caiam os altos muros fortificados em que vocês confiam. Sitiará todas as suas cidades, em toda a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá.
53 Por causa do sofrimento que o seu inimigo lhes infligirá durante o cerco, vocês comerão o fruto do seu próprio ventre, a carne dos filhos e filhas que o Senhor, o seu Deus, lhes deu.
54 Até mesmo o homem mais gentil e educa­do entre vocês não terá compaixão do seu irmão, da mulher que ama e dos filhos que sobreviverem,
55 de modo que não dará a nenhum deles nenhum pedaço da carne dos seus filhos que estiver comendo, pois nada lhe sobrará devido aos sofrimentos que o seu inimigo lhe infligirá durante o cerco de todas as suas cidades.
56 A mulher mais gentil e delicada entre vocês, tão delicada e gentil que não ousaria encostar no chão a sola do pé, será mesquinha com o marido a quem ama e com o filho e a filha,
57 não lhes dando a placenta do ventre nem os filhos que gerar. Pois a intenção dela é comê-los secretamente durante o cerco e no sofrimento que o seu inimigo infligirá a vocês em suas cidades.
58 Se vocês não seguirem fielmente todas as palavras desta lei, escritas neste livro, e não temerem este nome glorioso e terrível, o Senhor, o seu Deus,
59 ele enviará pestes terríveis sobre vocês e sobre os seus descendentes, desgraças horríveis e prolongadas, doenças graves e persistentes.
60 Ele trará sobre vocês todas as temíveis doenças do Egito, e vocês as contrairão.
61 O Senhor também fará vir sobre vocês todo tipo de enfermidade e desgraça não registradas neste Livro da Lei, até que sejam destruí­dos.
62 Vocês, que no passado foram tantos quanto as estrelas do céu, ficarão reduzidos a um pequeno número, porque não obedeceram ao Senhor, o seu Deus.
63 Assim como foi agradável ao Senhor fazê-los prosperar e aumentar em número, também lhe será agradável arruiná-los e destruí-los. Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse.
64 Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra. Ali vocês adorarão outros deuses; deuses de madeira e de pedra, que vocês e os seus antepassados nunca conheceram.
65 No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa.
66 Vocês viverão em constante incerteza, cheios de terror, dia e noite, sem nenhuma segurança na vida.
67 De manhã dirão: “Quem me dera fosse noite!” E de noite: “Ah, quem me dera fosse dia!”, por causa do terror que lhes encherá o coração e por aqui­lo que os seus olhos verão.
68 O Senhor os envi­ará de volta ao Egito, ou em navios ou pelo caminho que eu lhes disse que nunca mais poderiam percorrer. Lá vocês serão postos à venda como escravos e escravas, mas ninguém os comprará.

Deuteronômio – Capítulo 29

1 São estes os termos da aliança que o Senhor ordenou que Moisés fizesse com os israelitas em Moabe, além da aliança que tinha feito com eles em Horebe.
2 Moisés convocou todos os israelitas e lhes disse: Os seus olhos viram tudo o que o Senhor fez no Egito ao faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra.
3 Com os seus próprios olhos vocês viram aquelas grandes provas, aqueles sinais e grandes maravilhas.
4 Mas até hoje o Senhor não lhes deu mente que entenda, olhos que vejam, e ouvidos que ouçam.
5 “Durante os quarenta anos em que os conduzi pelo deserto”, disse ele, “nem as suas roupas, nem as sandálias dos seus pés se gastaram.
6 Vocês não comeram pão, nem beberam vinho, nem qualquer outra bebida fermentada. Fiz isso para que vocês soubessem que eu sou o Senhor, o seu Deus.”
7 Quando vocês chegaram a este lugar, Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã, atacaram-nos, mas nós os derrotamos.
8 Conquistamos a terra deles e a demos por herança às tribos de Rúben e de Gade e à metade da tribo de Manassés.
9 Sigam fielmente os termos desta aliança, para que vocês prosperem em tudo o que fizerem.
10 Hoje todos vocês estão na presença do Senhor, o seu Deus: os seus chefes e homens destacados, os seus líderes e oficiais, e todos os demais homens de Israel,
11 juntamente com os seus filhos e as suas mulheres e os estrangeiros que vivem nos seus acampamentos cortando lenha e carregando água para vocês.
12 Vocês estão aqui presentes para entrar em aliança com o Senhor, o seu Deus, aliança que ele está fazendo com vocês hoje, selando-a sob juramento,
13 para hoje confirmá-los como seu povo, para que ele seja o seu Deus, conforme lhes prometeu e jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó.
14 Não faço esta aliança, sob juramento, somente com vocês
15 que estão aqui conosco na presença do Senhor, o nosso Deus, mas também com aqueles que não estão aqui hoje.
16 Vocês mesmos sabem como vivemos no Egito e como passamos por várias nações até chegarmos aqui.
17 Vocês viram nelas as suas imagens e os seus ídolos detestáveis, feitos de madeira, de pedra, de prata e de ouro.
18 Cuidem que não haja entre vocês nenhum homem ou mulher, clã ou tribo cujo coração se afaste do Senhor, o nosso Deus, para adorar os deuses daquelas nações, e para que não haja no meio de vocês nenhuma raiz que produza esse veneno amargo.
19 Se alguém, cujo coração se afastou do Senhor para adorar outros deuses, ouvir as palavras deste juramento, invocar uma bênção sobre si mesmo e pensar: “Estarei em segurança, muito embora persista em seguir o meu próprio caminho”, trará desgraça tanto à terra irrigada quanto à terra seca.
20 O Senhor jamais se disporá a perdoá-lo; a sua ira e o seu zelo se acen­derão contra tal pessoa. Todas as maldições escritas neste livro cairão sobre ela, e o Senhor apagará o seu nome de debaixo do céu.
21 O Senhor a separará de todas as tribos de Israel para que sofra desgraça, de acordo com todas as maldições da aliança escrita neste Livro da Lei.
22 Os seus filhos, os seus descendentes e os estrangeiros que vierem de terras distantes verão as desgraças que terão caído sobre a terra e as doenças com que o Senhor a terá afligido.
23 A terra inteira será um deserto abrasador de sal e enxofre, no qual nada que for plantado brotará, onde nenhuma vegetação crescerá. Será como a destruição de Sodoma e Gomorra, de Admá e Zeboim, que o Senhor destruiu com ira e furor.
24 Todas as nações perguntarão: “Por que o Senhor fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor?”
25 E a resposta será: “Foi porque este povo abandonou a aliança do Senhor, o Deus dos seus antepassados, aliança feita com eles quando os tirou do Egito.
26 Eles foram adorar outros deuses e se prostraram diante deles, deuses que eles não conheciam antes, deuses que o Senhor não lhes tinha dado.
27 Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra esta terra, e ele trouxe sobre ela todas as maldições escritas neste livro.
28 Cheio de ira, indignação e grande furor, o Senhor os desarraigou da sua terra e os lançou numa outra terra, como hoje se vê”.
29 As coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.

Deuteronômio – Capítulo 31

1 Moisés disse ainda estas palavras a todo o Israel:
2 Estou com cento e vinte anos de idade e já não sou capaz de liderá-los. O Senhor me disse: “Você não atravessará o Jordão”.
3 O Senhor, o seu Deus, o atravessará pessoalmente à frente de vocês. Ele destruirá estas nações perante vocês, e vocês tomarão posse da terra delas. Josué também atravessará à frente de vocês, conforme o Senhor disse.
4 E o Senhor fará com elas como fez com Seom e Ogue, os reis dos amorreus, os quais destruiu juntamente com a sua terra.
5 O Senhor as en­tregará a vocês, e vocês deverão fazer com elas tudo o que lhes ordenei.
6 Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará.
7 Então Moisés convocou Josué e lhe disse na presença de todo o Israel: Seja forte e corajoso, pois você irá com este povo para a terra que o Senhor jurou aos seus antepassados que lhes daria, e você a repartirá entre eles como herança.
8 O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não desani­me!
9 Moisés escreveu esta lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que transportavam a arca da aliança do Senhor, e a todos os líderes de Israel.
10 E Moisés lhes ordenou: Ao final de cada sete anos, no ano do cancelamento das dívidas, durante a festa das cabanas[36],
11 quando todo o Israel vier apresentar-se ao Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher, vocês lerão esta lei perante eles para que a escutem.
12 Reúnam o povo, homens, mulheres e crianças, e os estrangeiros que morarem nas suas cidades, para que ouçam e aprendam a temer o Senhor, o seu Deus, e sigam fielmente todas as palavras desta lei.
13 Os seus filhos, que não conhecem esta lei, terão que ouvi-la e aprender a temer o Senhor, o seu Deus, enquanto vocês viverem na terra da qual tomarão posse quando atravessarem o Jordão.
14 O Senhor disse a Moisés: O dia da sua morte se aproxima. Chame Josué e apresentem-se na Tenda do Encontro, onde darei incumbências a ele. Então Moisés e Josué vieram e se apresentaram na Tenda do Encontro.
15 Então o Senhor apareceu na Tenda, numa coluna de nuvem, e a coluna pairou sobre a entrada da Tenda.
16 E o Senhor disse a Moi­sés: Você vai descansar com os seus antepassados, e este povo logo irá prostituir-se, seguindo aos deuses estrangeiros da terra em que vão entrar. Eles se esquecerão de mim e quebrarão a aliança que fiz com eles.
17 Naquele dia se acenderá a minha ira contra eles e eu me esquecerei deles; esconderei deles o meu rosto, e eles serão destruídos. Muitas desgraças e sofrimentos os atingirão, e naquele dia perguntarão: “Será que essas desgraças não estão acontecendo conosco porque o nosso Deus não está mais conosco?”
18 E com certeza esconderei deles o meu rosto naquele dia, por causa de todo o mal que praticaram, voltando-se para outros deuses.
19 Agora escrevam para vocês esta canção, ensinem-na aos israelitas e façam-nos cantá-la, para que seja uma testemunha a meu favor contra eles.
20 Quando eu os tiver introdu­zido na terra onde há leite e mel com fartura, terra que prometi sob juramento aos seus antepassados, e quando tiverem comido à vontade e tiverem prosperado, eles se voltarão para outros deuses e os adorarão, rejeitando-me e quebrando a minha aliança.
21 E, quando muitas desgraças e dificuldades lhes sobrevierem, esta canção testemunhará contra eles, porque não será esquecida pelos seus descendentes. Sei o que estão dispostos a fazer antes mesmo de levá-los para a terra que lhes prometi sob juramento.
22 Então, naquele dia, Moisés escreveu esta canção e ensinou-a aos israelitas.
23 O Senhor deu esta ordem a Josué, filho de Num: “Seja forte e corajoso, pois você conduzirá os israelitas à terra que lhes prometi sob juramento, e eu mesmo estarei com você”.
24 Depois que Moisés terminou de escre­ver num livro as palavras desta lei do início ao fim,
25 deu esta ordem aos levitas que transportavam a arca da aliança do Senhor:
26 Coloquem este Livro da Lei ao lado da arca da aliança do Senhor, do seu Deus, onde ficará como testemunha contra vocês.
27 Pois sei quão rebeldes e obstinados vocês são. Se vocês têm sido rebeldes contra o Senhor enquanto ainda estou vivo, quanto mais depois que eu morrer!
28 Reúnam na minha presença todos os líderes das suas tribos e todos os seus oficiais, para que eu fale estas palavras de modo que ouçam, e ainda invoque os céus e a terra para testemunharem contra eles.
29 Pois sei que depois da minha morte vocês com certeza se corromperão e se afastarão do caminho que lhes ordenei. Nos dias futuros a desgraça cairá sobre vocês, porque vocês farão o que o Senhor reprova e o provocarão à ira por aquilo que as mãos de vocês terão feito.
30 E Moisés recitou as palavras desta can­ção, do começo ao fim, na presença de toda a assembléia de Israel:

Deuteronômio – Capítulo 32

1 Escutem, ó céus, e eu falarei; ouça, ó terra, as palavras da minha boca.
2 Que o meu ensino caia como chuvae as minhas palavras desçam como orvalho, como chuva branda sobre o pasto novo, como garoa sobre tenras plantas.
3 Proclamarei o nome do Senhor. Louvem a grandeza do nosso Deus!
4 Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é.
5 Seus filhos têm agido corruptamente para com ele, e não como filhos; que vergonha! São geração corrompida e depravada. [37]
6 É assim que retribuem ao Senhor, povo insensato e ignorante? Não é ele o Pai de vocês, o seu Criador[38], que os fez e os formou?
7 Lembrem-se dos dias do passado; considerem as gerações há muito passadas. Perguntem aos seus pais, e estes lhes contarão, aos seus líderes, e eles lhes explicarão.
8 Quando o Altíssimo deu às nações a sua herança, quando dividiu toda a humanidade, estabeleceu fronteiras para os povos de acordo com o número dos filhos de Israel[39].
9 Pois o povo preferido do Senhor é este povo, Jacó é a herança que lhe coube.
10 Numa terra deserta ele o encontrou, numa região árida e de ventos uivantes. Ele o protegeu e dele cuidou; guardou-o como a menina dos seus olhos,
11 como a águiaque desperta a sua ninhada, paira sobre os seus filhotes, e depois estende as asaspara apanhá-los, levando-os sobre elas.
12 O Senhor sozinho o levou; nenhum deus estrangeiro o ajudou.
13 Ele o fez cavalgarnos lugares altos da terra e o alimentou com o fruto dos campos. Ele o nutriu com mel tirado da rocha, e com óleo extraído do penhasco pedregoso,
14 com coalhada e leite do gado e do rebanho, e com cordeiros e bodes cevados; com os melhores carneiros de Basãe com as mais excelentes sementes de trigo. Você bebeu o espumososangue das uvas.
15 Jesurum[40] engordou e deu pontapés; você engordou, tornou-se pesado e farto de comida. Abandonou o Deus que o fez e rejeitou a Rocha, que é o seu Salvador.
16 Eles o deixaram com ciúmes por causa dos deuses estrangeiros, e o provocaram com os seus ídolos abomináveis.
17 Sacrificaram a demônios que não são Deus, a deuses que não conheceram, a deuses que surgiram recentemente, a deuses que os seus antepassados não adoraram.
18 Vocês abandonaram a Rocha, que os gerou; vocês se esqueceram do Deus que os fez nascer.
19 O Senhor viu isso e os rejeitou, porque foi provocado pelos seus filhos e suas filhas.
20 “Esconderei o meu rosto deles”, disse, “e verei qual o fim que terão; pois são geração perversa, filhos infiéis.
21 Provocaram-me os ciúmes com aquilo que nem deus é e irritaram-me com seus ídolos inúteis. Farei que tenham ciúmes de quem não é meu povo; eu os provocarei à ira por meio de uma nação insensata.
22 Pois um fogo foi aceso pela minha ira, fogo que queimará até as profundezas do Sheol[41]. Ele devorará a terra e as suas colheitas e consumirá os alicerces dos montes.
23 “Amontoarei desgraças sobre eles e contra eles gastarei as minhas flechas.
24 Enviarei dentes de feras, uma fome devastadora, uma peste avassaladora e uma praga mortal; enviarei contra eles dentes de animais selvagens, e veneno de víboras que se arrastam no pó.
25 Nas ruas a espadaos deixará sem filhos; em seus lares reinará o terror. Morrerão moços e moças, crianças e homens já grisalhos.
26 Eu disse que os dispersaria e que apagaria da humanidade a lembrança deles.
27 Mas temi a provocação do inimigo, que o adversário entendesse male dissesse: “A nossa mão triunfou; o Senhor nada fez”.”
28 É uma nação sem juízo e sem discernimento.
29 Quem dera fossem sábios e entendessem; e compreendessem qual será o seu fim!
30 Como poderia um só homem perseguir mil, ou dois porem em fuga dez mil, a não ser que a sua Rocha os tivesse vendido, a não ser que o Senhor os tivesse abandonado?
31 Pois a rocha deles não é como a nossa Rocha, com o que até mesmo os nossos inimigos concordam.
32 A vinha deles é de Sodomae das lavouras de Gomorra. Suas uvas estão cheias de veneno, e seus cachos, de amargura.
33 O vinho delesé a peçonha das serpentes, o veneno mortal das cobras.
34 “Acaso não guardei isto em segredo? Não o selei em meus tesouros? "
35 A mim pertence a vingança e a retribuição. No devido tempo os pés deles escorregarão; o dia da sua desgraça está chegando e o seu próprio destino se apressa sobre eles.”
36 O Senhor defenderá o seu povoe terá compaixão dos seus servos, quando vir que a força deles se esvaiu e que ninguém sobrou, nem escravo nem livre.
37 Ele dirá: “Agora, onde estão os seus deuses, a rocha em que se refugiaram,
38 os deuses que comeram a gordura dos seus sacrifícios e beberam o vinho das suas ofertas derramadas? Que eles se levantem para ajudá-los! Que eles lhes ofereçam abrigo!
39 Vejam agora que eu sou o único, eu mesmo. Não há Deus além de mim. Faço morrer e faço viver, feri e curarei, e ninguém é capaz de livrar-se da minha mão.
40 Ergo a minha mão para os céus e declaro: Juro pelo meu nome que,
41 quando eu afiara minha espada refulgente e a minha mão empunhá-la para julgar, eu me vingarei dos meus adversários e retribuirei àqueles que me odeiam.
42 Embeberei as minhas flechas em sangue, enquanto a minha espada devorar carne: o sangue dos mortos e dos cativos, as cabeças dos líderes inimigos”.
43 “Cantem de alegria, ó nações, com o povo dele, [42] [43]pois ele vingaráo sangue dos seus servos; retribuirá com vingança aos seus adversários e fará propiciação por sua terra e por seu povo”.
44 Moisés veio com Josué[44], filho de Num, e recitou todas as palavras dessa canção na presença do povo.
45 Quando Moisés terminou de recitar todas essas palavras a todo o Israel,
46 disse-lhes: Guardem no coração todas as palavras que hoje lhes declarei solenemente, para que ordenem aos seus filhos que obedeçam fielmente a todas as palavras desta lei.
47 Elas não são palavras inúteis. São a sua vida. Por meio delas vocês viverão muito tempo na terra da qual tomarão posse do outro lado do Jordão.
48 Naquele mesmo dia o Senhor disse a Moisés:
49 Suba as montanhas de Abarim, até o monte Nebo, em Moabe, em frente de Jericó, e contemple Canaã, a terra que dou aos israelitas como propriedade.
50 Ali, na montanha que você tiver subido, você morrerá e será reunido aos seus antepassados, assim como o seu irmão Arão morreu no monte Hor e foi reunido aos seus antepassados.
51 Assim será porque vocês dois foram infiéis para comigo na presença dos israelitas, junto às águas de Meribá, em Cades, no deserto de Zim, e porque vocês não sustentaram a minha santidade no meio dos israelitas.
52 Portanto, você verá a terra somente a distância, mas não entrará na terra que estou dando ao povo de Israel.

Deuteronômio – Capítulo 34

1 Então, das campinas de Moabe Moisés subiu ao monte Nebo, ao topo do Pisga, em frente de Jericó. Ali o Senhor lhe mostrou a terra toda: de Gileade a Dã,
2 toda a região de Naftali, o território de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até o mar ocidental[48],
3 o Neguebe e toda a região que vai do vale de Jericó, a cidade das Palmeiras, até Zoar.
4 E o Senhor lhe disse: “Esta é a terra que prometi sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, quando lhes disse: Eu a darei a seus descendentes. Permiti que você a visse com os seus próprios olhos, mas você não atravessará o rio, não entrará nela”.
5 Moisés, o servo do Senhor, morreu ali, em Moabe, como o Senhor dissera.
6 Ele o sepultou[49] em Moabe, no vale que fica diante de Bete-Peor, mas até hoje ninguém sabe onde está localizado seu túmulo.
7 Moisés tinha cento e vinte anos de idade quando morreu; todavia, nem os seus olhos nem o seu vigor tinham se enfraquecido.
8 Os israelitas choraram Moisés nas campinas de Moabe durante trinta dias, até passar o período de pranto e luto.
9 Ora, Josué, filho de Num, estava cheio do Espírito[50] de sabedoria, porque Moisés tinha imposto as suas mãos sobre ele. De modo que os israelitas lhe obedeceram e fizeram o que o Senhor tinha ordenado a Moisés.
10 Em Israel nunca mais se levantou profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face,
11 e que fez todos aqueles sinais e maravilhas que o Senhor o tinha enviado para fazer no Egito, contra o faraó, contra todos os seus servos e contra toda a sua terra.
12 Pois ninguém jamais mostrou tamanho poder como Moisés nem executou os feitos temíveis que Moisés realizou aos olhos de todo o Israel.

Josué – Capítulo 20

1 Disse o Senhor a Josué:
2 Diga aos israelitas que designem as cidades de refúgio, como lhes ordenei por meio de Moisés,
3 para que todo aquele que matar alguém sem intenção e acidentalmente possa fugir para lá e proteger-se do vingador da vítima.
4 Quando o homicida involuntário fugir para uma dessas cidades, terá que colocar-se junto à porta da cidade e expor o caso às autoridades daquela cidade. Eles o receberão e lhe darão um local para morar entre eles.
5 Caso o vingador da vítima o persiga, eles não o entregarão, pois matou seu próximo acidentalmente, sem maldade e sem premeditação.
6 Todavia, ele terá que permanecer naquela cidade até com­parecer a julgamento perante a comunidade e até morrer o sumo sacerdote que estiver servindo naquele período. Então poderá voltar para a sua própria casa, à cidade de onde fugiu.
7 Assim eles separaram Quedes, na Galiléia, nos montes de Naftali, Siquém, nos montes de Efraim, e Quiriate-Arba, que é Hebrom, nos montes de Judá.
8 No lado leste do Jordão, perto de Jericó, designaram Bezer, no planalto desértico da tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, na tribo de Gade; e Golã, em Basã, na tribo de Manassés.
9 Qual­quer israelita ou estrangeiro residente que matasse alguém sem intenção, poderia fugir para qualquer dessas cidades para isso designadas e escapar do vingador da vítima, antes de com­parecer a julgamento perante a comunidade.

Josué – Capítulo 24

1 Então Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais de Israel, e eles compareceram diante de Deus.
2 disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: “Há muito tempo, os seus antepassados, inclusive Terá, pai de Abra­ão e de Naor, viviam além do Eufrates[32] e presta­vam culto a outros deuses.
3 Mas eu tirei seu pai Abraão da terra que fica além do Eufrates e o conduzi por toda a Canaã e lhe dei muitos descendentes. Dei-lhe Isaque,
4 e a Isaque dei Jacó e Esaú. A Esaú dei os montes de Seir, mas Jacó e seus filhos desceram para o Egito.
5 Então enviei Moisés e Arão e feri os egípcios com pragas, com as quais os castiguei, e depois tirei vocês de lá.
6 Quando tirei os seus antepassados do Egito, vocês vieram para o mar, e os egípcios os perseguiram com carros de guerra e cavaleiros[33] até o mar Vermelho.
7 Mas os seus antepassados clamaram a mim, e eu coloquei trevas entre vocês e os egípcios; fiz voltar o mar sobre eles e os encobrir. Vocês viram com os seus próprios olhos o que eu fiz com os egípcios. Depois disso vocês viveram no deserto longo tempo.
8 “Eu os trouxe para a terra dos amorreus que viviam a leste do Jordão. Eles lutaram contra vocês, mas eu os entreguei nas suas mãos. Eu os destruí diante de vocês, e vocês se apossaram da terra deles.
9 Quando Balaque, rei de Moabe, filho de Zipor, se preparava para lutar contra Israel, mandou buscar Balaão, filho de Beor, para lançar maldição sobre vocês.
10 Mas eu não quis ouvir Balaão, de modo que ele os abençoou vez após vez, e eu os livrei das mãos dele.
11 “Depois vocês atravessaram o Jordão e chegaram a Jericó. Os chefes de Jericó lutaram contra vocês, assim como os amorreus, os fere­zeus, os cananeus, os hititas, os girgaseus, os heveus e os jebuseus, mas eu os entreguei nas mãos de vocês.
12 Eu lhes causei pânico[34] para expulsá-los de diante de vocês, como fiz aos dois reis amorreus. Não foram a espada e o arco que lhes deram a vitória.
13 Foi assim que lhes dei uma terra que vocês não cultivaram e cida­des que vocês não construíram. Nelas vocês moram, e comem de vinhas e olivais que não plantaram”.
14 Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor.
15 Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família servi­remos ao Senhor.
16 Então o povo respondeu: Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses!
17 Foi o próprio Senhor, o nosso Deus, que nos tirou, a nós e a nossos pais, do Egito, daquela terra de escravidão, e realizou aquelas gran­des maravilhas diante dos nossos olhos. Ele nos protegeu no caminho e entre as nações pelas quais passamos.
18 Além disso, o Senhor expulsou de diante de nós todas as nações, inclusive os amorreus, que viviam nesta terra. Nós tam­bém serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus.
19 disse ao povo: Vocês não têm condições de servir ao Senhor. Ele é Deus san­to! É Deus zeloso! Ele não perdoará a rebelião e o pecado de vocês.
20 Se abandonarem o Senhor e servirem a deuses estrangeiros, ele se voltará contra vocês e os castigará. Mesmo de­pois de ter sido bondoso com vocês, ele os exterminará.
21 O povo, porém, respondeu a Josué: “De maneira nenhuma! Nós serviremos ao Senhor”.
22 Disse então Josué: “Vocês são testemunhas contra vocês mesmos de que escolheram servir ao Senhor”. “Somos”, responderam eles.
23 Disse Josué: “Agora, então, joguem fora os deuses estrangeiros que estão com vocês e voltem-se de coração para o Senhor, o Deus de Israel”.
24 E o povo disse a Josué: “Serviremos ao Senhor, o nosso Deus, e lhe obedeceremos”.
25 Naquele dia Josué firmou um acordo com o povo em Siquém, e lhe deu decretos e leis.
26 registrou essas coisas no Livro da Lei de Deus. Depois ergueu uma grande pedra ali, sob a Grande Árvore, perto do santuário do Senhor.
27 Então disse ele a todo o povo: “Vejam esta pedra! Ela será uma testemunha contra nós, pois ouviu todas as palavras que o Senhor nos disse. Será uma testemunha contra vocês, caso sejam infiéis ao seu Deus”.
28 Depois Josué despediu o povo, e cada um foi para a sua propriedade.
29 Passado algum tempo, Josué, filho de Num, servo do Senhor, morreu. Tinha cento e dez anos de idade.
30 E o sepultaram na terra que tinha recebido por herança, em Timnate-Sera, nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás.
31 Israel serviu ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que lhe sobreviveram e que sabiam de tudo o que o Senhor fizera em favor de Israel.
32 Os ossos de José, que os israelitas haviam trazido do Egito, foram enterrados em Siquém, no quinhão de terra que Jacó havia comprado dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata[35]. Aquele terreno tornou-se herança dos descendentes de José.
33 Sucedeu também que Eleazar, filho de Arão, morreu e foi sepultado em Gibeá, que fora dada a seu filho Finéias, nos montes de Efraim.

Juízes – Capítulo 2

1 O Anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim e disse: Tirei vocês do Egito e os trouxe para a terra que prometi com juramento dar a seus antepassados. Eu disse: Jamais quebrarei a minha aliança com vocês.
2 E vocês não farão acordo com o povo desta terra, mas demolirão os seus altares. Por que vocês não me obedeceram?
3 Portanto, agora lhes digo que não os expulsarei da presença de vocês; eles serão seus adversários, e os deuses deles serão uma armadilha para vocês.
4 Quando o Anjo do Senhor acabou de falar a todos os israelitas, o povo chorou em alta voz,
5 e ao lugar chamaram Boquim[7]. Ali ofereceram sacrifícios ao Senhor.
6 Depois que Josué despediu os israelitas, eles saíram para ocupar a terra, cada um a sua herança.
7 O povo prestou culto ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que sobreviveram a Josué e que tinham visto todos os grandes feitos do Senhor em favor de Israel.
8 Josué, filho de Num, servo do ­Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos.
9 Foi sepultado na terra de sua herança, em Timnate-Heres[8], nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás.
10 Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel.
11 Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins.
12 Abandonaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do Senhor.
13 Abandonaram o Senhore prestaram culto a Baal e a Astarote.
14 A ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de invasores que os saquearam. Ele os entregou aos inimigos ao seu redor, aos quais já não conseguiam resistir.
15 Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do Senhor era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava.
16 Então o Senhor levantou juízes[9], que os libertaram das mãos daqueles que os atacavam.
17 Mesmo assim eles não quiseram ouvir os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do Senhor.
18 Sem­pre que o Senhor lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o Senhor tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam.
19 Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado.
20 Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele disse: Como este povo violou a aliança que fiz com os seus antepassados e não tem ouvido a minha voz,
21 não expulsarei de diante dele nenhuma das nações que Josué deixou quando morreu.
22 Eu as usarei para pôr Israel à prova e ver se guardará o caminho do Senhor e se andará nele como o fizeram os seus antepassados.
23 O Senhor havia permitido que essas nações permanecessem; não as expulsou de imediato, e não as entregou nas mãos de Josué.

Juízes – Capítulo 11

1 Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Sua mãe era uma prostituta; seu pai chamava-se Gileade.
2 A mulher de Gileade também lhe deu filhos, que, quando já estavam grandes, expulsaram Jefté, dizendo: “Você não vai receber nenhuma herança de nossa família, pois é filho de outra mulher”.
3 Então Jefté fugiu dos seus irmãos e se estabeleceu em Tobe. Ali um bando de vadios uniu-se a ele e o seguia.
4 Algum tempo depois, quando os amonitas entraram em guerra contra Israel,
5 os líderes de Gileade foram buscar Jefté em Tobe.
6 “Venha”, disseram. “Seja nosso comandante, para que possamos combater os amonitas.”
7 Disse-lhes Jefté: “Vocês não me odiavam e não me expulsaram da casa de meu pai? Por que me procuram agora, quando estão em dificuldades?”
8 “Apesar disso, agora estamos apelando para você”, responderam os líderes de Gileade. “Venha conosco combater os amonitas, e você será o chefe de todos os que vivem em Gileade.”
9 Jefté respondeu: “Se vocês me levarem de volta para combater os amonitas e o Senhor os entregar a mim, serei o chefe de vocês?”
10 Os líderes de Gileade responderam: “O Senhor é nossa testemunha; faremos conforme você diz”.
11 Assim Jefté foi com os líderes de Gileade, e o povo o fez chefe e comandante sobre todos. E ele repetiu perante o Senhor, em Mispá, todas as palavras que tinha dito.
12 Jefté enviou mensageiros ao rei amonita com a seguinte pergunta: “Que é que tens contra nós, para teres atacado a nossa terra?”
13 O rei dos amonitas respondeu aos mensageiros de Jefté: “Quando Israel veio do Egito tomou as minhas terras, desde o Arnom até o Jaboque e até o Jordão. Agora, devolvam-me essas terras pacificamente”.
14 Jefté mandou de novo mensageiros ao rei amonita,
15 dizendo: Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe, e tampouco a terra dos amonitas.
16 Quando veio do Egito, Israel foi pelo deserto até o mar Vermelho e daí para Cades.
17 Então Israel enviou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: “Deixa-nos atravessar a tua terra”, mas o rei de Edom não quis ouvi-lo. Enviou o mesmo pedido ao rei de Moabe, e ele também não consentiu. Assim Israel permaneceu em Cades.
18 Em seguida os israelitas viajaram pelo deserto e contornaram Edom e Moabe; passaram a leste de Moabe e acamparam do outro lado do Arnom. Não entraram no território de Moabe, pois o Arnom era a sua fronteira.
19 Depois Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, em Hesbom, e lhe pediu: “Deixa-nos atravessar a tua terra para irmos ao lugar que nos pertence!”
20 Seom, porém, não acreditou que Israel fosse apenas[35] atravessar o seu território; assim convocou todos os seus homens, acampou em Jaza e lutou contra Israel.
21 Então o Senhor, o Deus de Israel, entregou Seom e todos os seus homens nas mãos de Israel, e este os derrotou. Israel tomou posse de todas as terras dos amorreus que viviam naquela região,
22 conquistando-a por inteiro, desde o Arnom até o Jaboque, e desde o deserto até o Jordão.
23 Agora que o Senhor, o Deus de Israel, expulsou os amorreus da presença de Israel, seu povo, queres tu tomá-la?
24 Acaso não tomas posse daquilo que o teu deus Camos te dá? Da mesma forma tomaremos posse do que o Senhor, o nosso Deus, nos deu.
25 És tu melhor do que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? Entrou ele alguma vez em conflito com Israel ou lutou com ele?
26 Durante trezentos anos Israel ocupou Hesbom, Aroer, os povoados ao redor e todas as cidades às margens do Arnom. Por que não os reconquistaste todo esse tempo?
27 Nada fiz contra ti, mas tu estás cometendo um erro, lutando contra mim. Que o Senhor, o Juiz, julgue hoje a disputa entre os israelitas e os amonitas.
28 Entretanto, o rei de Amom não deu atenção à mensagem de Jefté.
29 Então o Espírito do Senhor se apossou de Jefté. Este atravessou Gileade e Manassés, passou por Mispá de Gileade, e daí avançou contra os amonitas.
30 E Jefté fez este voto ao Senhor: Se entregares os amonitas nas minhas mãos,
31 aquele que estiver saindo da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu retornar da vitória sobre os amonitas, será do Senhor, e eu o oferecerei em holocausto.
32 Então Jefté foi combater os amonitas, e o Senhor os entregou nas suas mãos.
33 Ele conquistou vinte cidades, desde Aroer até as vizinhanças de Minite, chegando a Abel-Queramim. Assim os amonitas foram subjugados pelos israelitas.
34 Quando Jefté chegou à sua casa em Mispá, sua filha saiu ao seu encontro, dançando ao som de tamborins. E ela era filha única. Ele não tinha outro filho ou filha.
35 Quando a viu, rasgou suas vestes e gritou: “Ah, minha filha! Estou angustiado e desesperado por sua causa, pois fiz ao Senhor um voto que não posso quebrar”.
36 “Meu pai”, respondeu ela, “sua palavra foi dada ao Senhor. Faça comigo o que prometeu, agora que o Senhor o vingou dos seus inimigos, os amonitas.”
37 E prosseguiu: “Mas conceda-me dois meses para vagar pelas colinas e chorar com as minhas amigas, porque jamais me casarei”.
38 “Vá!”, disse ele. E deixou que ela fosse por dois meses. Ela e suas amigas foram para as colinas e choraram porque ela jamais se casaria.
39 Passados os dois meses, ela voltou a seu pai, e ele fez com ela o que tinha prometido no voto. Assim, ela nunca deixou de ser virgem. Daí vem o costume em Israel
40 de saírem as moças durante quatro dias, todos os anos, para celebrar a memória da filha de Jefté, o gileadita.

Juízes – Capítulo 17

1 Havia um homem chamado Mica, dos montes de Efraim,
2 que disse certa vez à sua mãe: “Os treze quilos[45] de prata que lhe foram roubados e pelos quais eu a ouvi pronunciar uma maldição, na verdade a prata está comigo; eu a peguei”. Disse-lhe sua mãe: “O Senhor o abençoe, meu filho!”
3 Quando ele devolveu os treze quilos de prata à mãe, ela disse: “Consagro solenemente a minha prata ao Senhor para que o meu filho faça uma imagem esculpida e um ídolo de metal. Eu a devolvo a você”.
4 Mas ele devolveu a prata à sua mãe, e ela separou dois quilos e quatrocentos gramas, e os deu a um ourives, que deles fez a imagem e o ídolo. E estes foram postos na casa de Mica.
5 Ora, esse homem, Mica, possuía um santuário, fez um manto sacerdotal e alguns ídolos da família e pôs um dos seus filhos como seu sacerdote.
6 Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.
7 Um jovem levita de Belém de Judá, procedente do clã de Judá,
8 saiu daquela cidade em busca de outro lugar para morar. Em sua viagem[46], chegou à casa de Mica, nos montes de Efraim.
9 Mica lhe perguntou: “De onde você vem?” “Sou levita, de Belém de Judá”, respondeu ele. “Estou procurando um lugar para morar.”
10 “Fique comigo”, disse-lhe Mica. “Seja meu pai e sacerdote, e eu lhe darei cento e vinte gramas de prata por ano, roupas e comida.”
11 O jovem levita concordou em ficar com Mica, e tornou-se como um dos seus filhos.
12 Mica acolheu o levita, e o jovem se tornou seu sacerdote, e ficou morando em sua casa.
13 E Mica disse: “Agora sei que o Senhor me tratará com bondade, pois esse levita se tornou meu sacerdote”.

Juízes – Capítulo 20

1 Então todos os israelitas, de Dã a Berseba, e de Gileade, saíram como um só homem e se reuniram em assembléia perante o Senhor, em Mispá.
2 Os líderes de todo o povo das tribos de Israel tomaram seus lugares na assembléia do povo de Deus, quatrocentos mil soldados armados de espada.
3 (Os benjamitas souberam que os israelitas haviam subido a Mispá. ) Os israelitas perguntaram: “Como aconteceu essa perversidade?”
4 Então o levita, marido da mulher assassinada, disse: Eu e a minha concubina chegamos a Gibeá de Benjamim para passar a noite.
5 Durante a noite os homens de Gibeá vieram para atacar-me e cercaram a casa, com a intenção de matar-me. Então violentaram minha concubina, e ela morreu.
6 Peguei minha concubina, cortei-a em pedaços e enviei um pedaço a cada região da herança de Israel, pois eles cometeram essa perversidade e esse ato vergonhoso em Israel.
7 Agora, todos vocês israelitas, manifestem-se e dêem o seu veredicto.
8 Todo o povo se levantou como se fosse um só homem, dizendo: Nenhum de nós irá para casa. Nenhum de nós voltará para o seu lar.
9 Mas é isto que faremos agora contra Gibeá: separaremos, por sorteio, de todas as tribos de Israel,
10 de cada cem homens dez, de cada mil homens cem, de cada dez mil homens mil, para conseguirem provisões para o exército poder chegar a Gibeá[51] de Benjamim e dar a eles o que merecem por esse ato vergonhoso cometido em Israel.
11 E todos os israelitas se ajuntaram e se uniram como um só homem contra a cidade.
12 As tribos de Israel enviaram homens a toda a tribo de Benjamim, dizendo: O que vocês dizem dessa maldade terrível que foi cometida no meio de vocês?
13 Agora, entreguem esses canalhas de Gibeá, para que os matemos e eliminemos esse mal de Israel. Mas os benjamitas não quiseram ouvir seus irmãos israelitas.
14 Vindos de suas cidades, reuniram-se em Gibeá para lutar contra os israelitas.
15 Naquele dia os benjamitas mobilizaram vinte e seis mil homens armados de espada que vieram das suas cidades, além dos setecentos melhores soldados que viviam em Gibeá.
16 Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar com a funda uma pedra num cabelo sem errar.
17 Israel, sem os de Benjamim, convocou quatrocentos mil homens armados de espada, todos eles homens de guerra.
18 Os israelitas subiram a Betel[52] e consultaram a Deus. “Quem de nós irá lutar primeiro contra os benjamitas?”, perguntaram. O Senhor respondeu: “Judá irá primeiro”.
19 Na manhã seguinte os israelitas se levantaram e armaram acampamento perto de Gibeá.
20 Os homens de Israel saíram para lutar contra os benjamitas e tomaram posição de combate contra eles em Gibeá.
21 Os benjamitas saíram de Gibeá e naquele dia mataram vinte e dois mil israelitas no campo de batalha.
22 Mas os homens de Israel procuraram animar-se uns aos outros, e novamente ocuparam as mesmas posições do primeiro dia.
23 Os israelitas subiram, choraram perante o Senhor até a tarde, e consultaram o Senhor: “Devemos atacar de novo os nossos irmãos benjamitas?” O Senhor respondeu: “Vocês devem atacar”.
24 Então os israelitas avançaram contra os benjamitas no segundo dia.
25 Dessa vez, quando os benjamitas saíram de Gibeá para enfrentá-los, derrubaram outros dezoito mil israelitas, todos eles armados de espada.
26 Então todos os israelitas subiram a Betel, e ali se assentaram, chorando perante o Senhor. Naquele dia jejuaram até a tarde e apresentaram holocaustos e ofertas de comunhão[53] ao Senhor.
27 E os israelitas consultaram ao Senhor. (Naqueles dias a arca da aliança estava ali,
28 e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava perante ela. ) Perguntaram: “Sairemos de novo ou não, para lutar contra os nossos irmãos benjamitas?” O Senhor respondeu: “Vão, pois amanhã eu os entregarei nas suas mãos”.
29 Então os israelitas armaram uma emboscada em torno de Gibeá.
30 Avançaram contra os benjamitas no terceiro dia e tomaram posição contra Gibeá, como tinham feito antes.
31 Os benjamitas saíram para enfrentá-los e foram atraídos para longe da cidade. Começaram a ferir alguns dos israelitas como tinham feito antes, e uns trinta homens foram mortos em campo aberto e nas estradas, uma que vai para Betel e a outra que vai para Gibeá.
32 Enquanto os benjamitas diziam: “Nós os derrotamos como antes”, os israelitas diziam: “Vamos retirar-nos e atraí-los para longe da cidade, para as estradas”.
33 Todos os homens de Israel saíram dos seus lugares e ocuparam posições em Baal-Tamar, e a emboscada israelita atacou da sua posição a oeste[54] de Gibeá.
34 Então dez mil dos melhores soldados de Israel iniciaram um ataque frontal contra Gibeá. O combate foi duro, e os benjamitas não perceberam que a desgraça estava próxima deles.
35 O Senhor derrotou Benjamim perante Israel, e naquele dia os israelitas feriram vinte e cinco mil e cem benjamitas, todos armados de espada.
36 Então os benjamitas viram que estavam derrotados. Os israelitas bateram em retirada diante de Benjamim, pois confiavam na emboscada que tinham preparado perto de Gibeá.
37 Os da emboscada avançaram repentinamente para dentro de Gibeá, espalharam-se e mataram todos os habitantes da cidade à espada.
38 Os israelitas tinham combinado com os da emboscada que estes fariam subir da cidade uma grande nuvem de fumaça,
39 e então os israelitas voltariam a combater. Os benjamitas tinham começado a ferir os israelitas, matando cerca de trinta deles, e disseram: “Nós os derrotamos como na primeira batalha”.
40 Mas, quando a coluna de fumaça começou a se levantar da cidade, os benjamitas se viraram e viram a fumaça subindo ao céu.
41 Então os israelitas se voltaram contra eles, e os homens de Benjamim ficaram apavorados, pois perceberam que a sua desgraça havia chegado.
42 Assim, fugiram da presença dos israelitas tomando o caminho do deserto, mas não conseguiram escapar do combate. E os homens de Israel que saíram das cidades os mataram ali.
43 Cercaram os benjamitas e os perseguiram, e facilmente os alcançaram nas proximidades de Gibeá, no lado leste.
44 Dezoito mil benjamitas morreram, todos eles soldados valentes.
45 Quando se viraram e fugiram rumo ao deserto, para a rocha de Rimom, os israelitas abateram cinco mil homens ao longo das estradas. Até Gidom eles pressionaram os benjamitas e mataram mais de dois mil homens.
46 Naquele dia vinte e cinco mil benjamitas que portavam espada morreram, todos eles soldados valentes.
47 Seiscentos homens, porém, viraram as costas e fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom, onde ficaram durante quatro meses.
48 Os israelitas voltaram a Benjamim e passaram todas as cidades à espada, matando inclusive os animais e tudo o que encontraram nelas. E incendiaram todas as cidades por onde passaram.

Rute – Capítulo 1

1 Na época dos juízes houve fome na terra. Um homem de Belém de Judá, com a mulher e os dois filhos, foi viver por algum tempo nas terras de Moabe.
2 O homem chamava-se Elimeleque, sua mulher Noemi e seus dois filhos Malom e Quiliom. Eram efrateus de Belém de Judá. Chegaram a Moabe, e lá ficaram.
3 Morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ela ficou sozinha, com seus dois filhos.
4 Eles se casaram com mulheres moabitas, uma chamada Orfa e a outra Rute. Depois de terem morado lá por quase dez anos,
5 morreram também Malom e Quiliom, e Noemi ficou sozinha, sem os seus dois filhos e sem o seu marido.
6 Quando Noemi soube em Moabe que o Senhor viera em auxílio do seu povo, dando-lhe alimento, decidiu voltar com suas duas noras para a sua terra.
7 Assim, ela, com as duas noras, partiu do lugar onde tinha morado. Enquanto voltavam para a terra de Judá,
8 disse-lhes Noemi: Vão! Retornem para a casa de suas mães! Que o Senhor seja leal com vocês, como vocês foram leais com os falecidos e comigo.
9 O Senhor conceda que cada uma de vocês encontre segurança no lar doutro marido. Então deu-lhes beijos de despedida. Mas elas começaram a chorar alto
10 e lhe disseram: “Não! Voltaremos com você para junto de seu povo!”
11 Disse, porém, Noemi: Voltem, minhas filhas! Por que viriam comigo? Poderia eu ainda ter filhos, que viessem a ser seus maridos?
12 Vol­tem, minhas filhas! Vão! Estou velha demais para ter outro marido. E mesmo que eu pensasse que ainda há esperança para mim — ainda que eu me casasse esta noite e depois desse à luz filhos,
13 iriam vocês esperar até que eles crescessem? Ficariam sem se casar à espera deles? De jeito nenhum, minhas filhas! Para mim é mais amar­go do que para vocês, pois a mão do Senhor voltou-se contra mim!
14 Elas, então, começaram a chorar alto de novo. Depois Orfa deu um beijo de despedida em sua sogra, mas Rute ficou com ela.
15 Então Noemi a aconselhou: “Veja, sua concunhada está voltando para o seu povo e para o seu deus. Volte com ela!”
16 Rute, porém, respondeu: Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povoe o teu Deus será o meu Deus!
17 Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti!
18 Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais.
19 Prosseguiram, pois, as duas até Belém. Ali chegando, todo o povoado ficou alvoroçado por causa delas. “Será que é Noemi?”, perguntavam as mulheres.
20 Mas ela respondeu: Não me chamem Noemi[1], melhor que me chamem de Mara[2], pois o Todo-poderoso[3] tornou minha vida muito amarga!
21 De mãos cheias eu parti, mas de mãos vazias o Senhor me trouxe de volta. Por que me chamam Noemi? O Senhor colocou-se contra mim! [4] O Todo-poderoso me trouxe desgraça!
22 Foi assim que Noemi voltou das terras de Moabe, com sua nora Rute, a moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada.

1 Samuel – Capítulo 1

1 Havia certo homem de Ramataim, zufita[1], dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.
2 Ele tinha duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não tinha.
3 Todos os anos esse homem subia de sua cidade a Siló para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos. Lá, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, eram sacerdotes do Senhor.
4 No dia em que Elcana oferecia sacrifícios, dava porções à sua mulher Penina e a todos os filhos e filhas dela.
5 Mas a Ana dava uma porção dupla, porque a amava, apesar de que o Senhor a tinha deixado estéril.
6 E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a fim de irritá-la.
7 Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela chorava e não comia.
8 Elcana, seu marido, lhe perguntava: “Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está triste? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos?”
9 Certa vez quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado numa cadeira junto à entrada do santuário do Senhor, Ana se levantou
10 e, com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor.
11 E fez um voto, dizendo: “Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados”.
12 Enquanto ela continuava a orar diante do Senhor, Eli observava sua boca.
13 Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz. Então Eli pensou que ela estivesse embriagada
14 e lhe disse: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho!”
15 Ana respondeu: Não se trata disso, meu senhor. Sou uma mulher muito angustiada. Não bebi vinho nem bebida fermentada; eu estava derramando minha alma diante do Senhor.
16 Não julgues tua serva uma mulher vadia; estou orando aqui até agora por causa de minha grande angústia e tristeza.
17 Eli respondeu: “Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu”.
18 Ela disse: “Espero que sejas benevolente para com tua serva!” Então ela seguiu seu caminho, comeu, e seu rosto já não estava mais abatido.
19 Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram o Senhor; então voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com sua mulher Ana, e o Senhor se lembrou dela.
20 Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel[2], dizendo: “Eu o pedi ao Senhor”.
21 Quando no ano seguinte Elcana subiu com toda a família para oferecer o sacrifício anual ao Senhor e para cumprir o seu voto,
22 Ana não foi e disse a seu marido: “Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao Senhor, e ele morará ali para sempre”.
23 Disse Elcana, seu marido: “Faça o que lhe parecer melhor. Fique aqui até desmamá-lo; que o Senhor apenas confirme a palavra[3]dele!” Então ela ficou em casa e criou seu filho até que o desmamou.
24 Depois de desmamá-lo, levou o menino, ainda pequeno, à casa do Senhor, em Siló, com um novilho de três anos de idade, [4]uma arroba[5]de farinha e uma vasilha de couro cheia de vinho.
25 Eles sacrificaram o novilho e levaram o menino a Eli,
26 e ela lhe disse: Meu senhor, juro por tua vida que eu sou a mulher que esteve aqui a teu lado, orando ao Senhor.
27 Era este menino que eu pedia, e o Senhor concedeu-me o pedido.
28 Por isso, agora, eu o dedico ao Senhor. Por toda a sua vida será dedicado ao Senhor. E ali adorou o Senhor.

1 Samuel – Capítulo 2

1 Então Ana orou assim: Meu coração exulta no Senhor; no Senhor minha força[6]é exaltada. Minha boca se exalta sobre os meus inimigos, pois me alegro em tua libertação.
2 Não há ninguém santo[7]como o Senhor; não há outro além de ti; não há rocha alguma como o nosso Deus.
3 Não falem tão orgulhosamente, nem saia de suas bocas tal arrogância, pois o Senhor é Deus sábio; é ele quem julga os atos dos homens.
4 O arco dos fortes é quebrado, mas os fracos são revestidos de força.
5 Os que tinham muito, agora trabalham por comida, mas os que estavam famintos, agora não passam fome. A que era estéril deu à luz sete filhos, mas a que tinha muitos filhos ficou sem vigor.
6 O Senhor mata e preserva a vida; ele faz descer à sepultura[8]e dela resgata.
7 O Senhor é quem dá pobreza e riqueza; ele humilha e exalta.
8 Levanta do pó o necessitado e do monte de cinzas ergue o pobre; ele os faz sentar-se com príncipes e lhes dá lugar de honra. Pois os alicerces da terra são do Senhor; sobre eles estabeleceu o mundo.
9 Ele guardará os pés dos seus santos, mas os ímpios serão silenciados nas trevas, pois não é pela força que o homem prevalece.
10 Aqueles que se opõem ao Senhor serão despedaçados. Ele trovejará do céu contra eles; o Senhor julgará até os confins da terra. “Ele dará poder a seu rei e exaltará a força do seu ungido”.
11 Então Elcana voltou para casa em Ramá, mas o menino começou a servir o Senhor sob a direção do sacerdote Eli.
12 Os filhos de Eli eram ímpios; não se importavam com o Senhor
13 nem cumpriam os deveres de sacerdotes para com o povo; sempre que alguém oferecia um sacrifício, o auxiliar do sacerdote vinha com um garfo de três dentes,
14 e, enquanto a carne estava cozinhando, ele enfiava o garfo na panela, ou travessa, ou caldeirão, ou caçarola, e o sacerdote pegava para si tudo o que vinha no garfo. Assim faziam com todos os israelitas que iam a Siló.
15 Mas, antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o auxiliar do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: “Dê um pedaço desta carne para o sacerdote assar; ele não aceitará de você carne cozida, somente crua”.
16 Se o homem lhe dissesse: “Deixe primeiro a gordura se queimar e então pegue o que quiser”, o auxiliar respondia: “Não. Entregue a carne agora. Se não, eu a tomarei à força”.
17 O pecado desses jovens era muito grande à vista do Senhor, pois eles estavam tratando com desprezo a oferta do Senhor.
18 Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o Senhor, vestindo uma túnica de linho.
19 Todos os anos sua mãe fazia uma pequena túnica e a levava para ele, quando subia a Siló com o marido para oferecer o sacrifício anual.
20 Eli abençoava Elcana e sua mulher, dizendo: “O Senhor dê a você filhos desta mulher no lugar daquele por quem ela pediu e dedicou ao Senhor”. Então voltavam para casa.
21 O Senhor foi bondoso com Ana; ela engravidou e deu à luz três filhos e duas filhas. Enquanto isso, o menino Samuel crescia na presença do Senhor.
22 Eli, já bem idoso, ficou sabendo de tudo o que seus filhos faziam a todo o Israel e que eles se deitavam com as mulheres que serviam junto à entrada da Tenda do Encontro.
23 Por isso lhes perguntou: Por que vocês fazem estas coisas? De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem.
24 Não, meus filhos; não é bom o que escuto se espalhando entre o povo do Senhor.
25 Se um homem pecar contra outro homem, os juízes poderão[9] intervir em seu favor; mas, se pecar contra o Senhor, quem intercederá por ele? Seus filhos, contudo, não deram atenção à repreensão de seu pai, pois o Senhor queria matá-los.
26 E o menino Samuel continuava a crescer, sendo cada vez mais estimado pelo Senhor e pelo povo.
27 E veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o Senhor: “Acaso não me revelei claramente à família de seu pai, quando eles estavam no Egito, sob o domínio do faraó?
28 Escolhi seu pai dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, subir ao meu altar, queimar incenso e usar um colete sacerdotal na minha presença. Também dei à família de seu pai todas as ofertas preparadas no fogo pelos israelitas.
29 Por que vocês zombam de meu sacrifício e da oferta que determinei para a minha habitação? Por que você honra seus filhos mais do que a mim, deixando-os engordar com as melhores partes de todas as ofertas feitas por Israel, o meu povo?”
30 Portanto, o Senhor, o Deus de Israel, declara: “Prometi à sua família e à linhagem de seu pai, que ministrariam diante de mim para sempre”. Mas agora o Senhor declara: “Longe de mim tal coisa! Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo.
31 É chegada a hora em que eliminarei a sua força e a força da família[10]de seu pai, e não haverá mais nenhum idoso na sua família,
32 e você verá aflição na minha habitação. Embora Israel prospere, na sua família ninguém alcançará idade avançada.
33 E todo descendente seu que eu não eliminar de meu altar será poupado apenas para lhe consumir os olhos com lágrimas[11]e para lhe entristecer o coração, e todos os seus descendentes morrerão no vigor da vida.
34 “E o que acontecer a seus dois filhos, Hofni e Finéias, será um sinal para você: os dois morrerão no mesmo dia.
35 Levantarei para mim um sacerdote fiel, que agirá de acordo com o meu coração e o meu pensamento. Edificarei firmemente a família dele, e ele ministrará sempre perante o meu rei ungido.
36 Então todo o que restar da sua família virá e se prostrará perante ele, para obter uma moeda de prata e um pedaço de pão. E lhe implorará que o ponha em alguma função sacerdotal, para ter o que comer”.

1 Samuel – Capítulo 11

1 O amonita Naás avançou contra a cidade de Jabes-Gileade e a cercou. E os homens de Jabes lhe disseram: “Faça um tratado conosco, e nos sujeitaremos a você”.
2 Contudo, Naás, o amonita, respondeu: “Só farei um tratado com vocês sob a condição de que eu arranque o olho direito de cada um de vocês e assim humilhe todo o Israel”.
3 As autoridades de Jabes lhe disseram: “Dê-nos sete dias para que possamos enviar mensageiros a todo o Israel; se ninguém vier nos socorrer, nós nos renderemos”.
4 Quando os mensageiros chegaram a Gibeá, cidade de Saul, e relataram essas coisas ao povo, todos choraram em alta voz.
5 Naquele momento, Saul estava trazendo o gado do campo e perguntou: “O que há com o povo? Por que estão chorando?” Então lhe contaram o que os homens de Jabes tinham dito.
6 Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele ficou furioso.
7 Apanhou dois bois, cortou-os em pedaços e, por meio dos mensageiros, enviou os pedaços a todo o Israel, proclamando: “Isto é o que acontecerá aos bois de quem não seguir Saul e Samuel”. Então o temor do Senhor caiu sobre o povo, e eles vieram unânimes.
8 Quan­do Saul os reuniu em Bezeque, havia trezentos mil homens de Israel e trinta mil de Judá.
9 E disseram aos mensageiros de Jabes: “Digam aos homens de Jabes-Gileade: “Amanhã, na hora mais quente do dia, haverá libertação para vocês””. Quando relataram isso aos habitantes de Jabes, eles se alegraram.
10 Então, os homens de Jabes disseram aos amonitas: “Ama­nhã nós nos renderemos a vocês, e poderão fazer conosco o que quiserem”.
11 No dia seguinte, Saul dividiu seus soldados em três grupos; entraram no acampamento amonita na alta madrugada e os mataram até a hora mais quente do dia. Aqueles que sobreviveram se dispersaram de tal modo que não ficaram dois juntos.
12 Então o povo disse a Samuel: “Quem foi que perguntou: “Será que Saul vai reinar sobre nós?” Traze-nos esses homens, e nós os mataremos”.
13 Saul, porém, disse: “Hoje ninguém será morto, pois neste dia o Senhor trouxe libertação a Israel”.
14 Então Samuel disse ao povo: “Venham, vamos a Gilgal e reafirmemos ali o reino”.
15 Assim, todo o povo foi a Gilgal e proclamou Saul como rei na presença do Senhor. Ali ofereceram sacrifícios de comunhão[28]ao Senhor, e Saul e todos os israelitas tiveram momentos de grande alegria.

1 Samuel – Capítulo 12

1 Samuel disse a todo o Israel: Atendi tudo o que vocês me pediram e estabeleci um rei para vocês.
2 Agora vocês têm um rei que os governará. Quanto a mim, estou velho e de cabelos brancos, e meus filhos estão aqui com vocês. Tenho vivido diante de vocês desde a minha juventude até agora.
3 Aqui estou. Se tomei um boi ou um jumento de alguém, ou se explorei ou oprimi alguém, ou se das mãos de alguém aceitei suborno, fechando os olhos para a sua culpa, testemunhem contra mim na presença do Senhor e do seu ungido. Se alguma dessas coisas pratiquei, eu farei restituição.
4 E responderam: “Tu não nos exploraste nem nos oprimiste. Tu não tiraste coisa alguma das mãos de ninguém”.
5 Samuel lhes disse: “O Senhor é testemunha diante de vocês, como também o seu ungido é hoje testemunha, de que vocês não encontraram culpa alguma em minhas mãos”. E disseram: “Ele é testemunha”.
6 Então Samuel disse ao povo: O Senhor designou Moisés e Arão e tirou os seus antepassados do Egito.
7 Agora, pois, fiquem aqui, porque vou entrar em julgamento com vocês perante o Senhor, com base nos atos justos realizados pelo Senhor em favor de vocês e dos seus antepassados.
8 Depois que Jacó entrou no Egito, eles clamaram ao Senhor, e ele enviou Moisés e Arão para tirar os seus antepassados do Egito e os estabelecer neste lugar.
9 Seus antepassados, porém, se esqueceram do Senhor seu Deus; então ele os vendeu a Sísera, o comandante do exército de Hazor, aos filisteus e ao rei de Moabe, que lutaram contra eles.
10 Eles clamaram ao Senhor, dizendo: “Pecamos, abandonando o Senhor e prestando culto aos baalins e aos postes sagrados. Agora, porém, liberta-nos das mãos dos nossos inimigos, e nós prestaremos culto a ti”.
11 Então o Senhor enviou Jerubaal[29], Baraque[30], Jefté e Samuel[31], e os libertou das mãos dos inimigos que os rodeavam, de modo que vocês viveram em segurança.
12 Quando porém, vocês viram que Naás, rei dos amonitas, estava avançando contra vocês, me disseram: “Não! Escolha um rei para nós”, embora o Senhor, o seu Deus, fosse o rei.
13 Agora, aqui está o rei que vocês escolheram, aquele que vocês pediram; o Senhor deu um rei a vocês.
14 Se vocês temerem, servirem e obedecerem ao Senhor, e não se rebelarem contra suas ordens, e, se vocês e o rei que reinar sobre vocês seguirem o Senhor, o seu Deus, tudo lhes irá bem!
15 Todavia, se vocês desobedecerem ao Senhor e se rebelarem contra o seu mandamento, sua mão se oporá a vocês da mesma forma como se opôs aos seus antepassados.
16 Agora, preparem-se para ver este grande feito que o Senhor vai realizar diante de vocês!
17 Não estamos na época da colheita do trigo? Pedirei ao Senhor que envie trovões e chuva para que vocês reconheçam que fizeram o que o Senhor reprova totalmente, quando pediram um rei.
18 Então Samuel clamou ao Senhor, e naquele mesmo dia o Senhor enviou trovões e chuva. E assim todo o povo temeu grandemente o Senhor e Samuel.
19 E todo o povo disse a Samuel: “Ora ao Senhor, o teu Deus, em favor dos teus servos, para que não morramos, pois a todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir um rei”.
20 Respondeu Samuel: Não tenham medo. De fato, vocês fizeram todo esse mal. Contudo, não deixem de seguir o Senhor, mas sirvam o Senhor de todo o coração.
21 Não se desviem, para seguir ídolos inúteis, que de nada valem nem podem livrá-los, pois são inúteis.
22 Por causa de seu grande nome, o Senhor não os rejeitará, pois o Senhor teve prazer em torná-los o seu próprio povo.
23 E longe de mim esteja pecar contra o Senhor, deixando de orar por vocês. Também lhes ensinarei o caminho que é bom e direito.
24 Somente temam o Senhor e sirvam-no fielmente de todo o coração; e considerem as grandes coisas que ele tem feito por vocês.
25 Todavia, se insistirem em fazer o mal, vocês e o seu rei serão destruídos.

1 Samuel – Capítulo 15

1 Samuel disse a Saul: Eu sou aquele a quem o Senhor enviou para ungi-lo como rei de Israel, o povo dele; por isso escute agora a mensagem do Senhor.
2 Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Castigarei os amalequitas pelo que fizeram a Israel, atacando-o quando saía do Egito.
3 Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao Senhor para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos”.
4 Então convocou Saul os homens e os reuniu em Telaim: duzentos mil soldados de infantaria e dez mil homens de Judá.
5 Saul foi à cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale.
6 Depois disse aos queneus: “Retirem-se, saiam do meio dos amalequitas para que eu não os destrua junto com eles; pois vocês foram bondosos com os israelitas, quando eles estavam vindo do Egito”. Então os queneus saíram do meio dos amalequitas.
7 E Saul atacou os amalequitas por todo o caminho, desde Havilá até Sur, a leste do Egito.
8 Capturou vivo Agague, rei dos amalequitas, e exterminou o seu povo.
9 Mas Saul e o exército pouparam Agague e o melhor das ovelhas e dos bois, os bezerros gordos e os cordeiros. Pouparam tudo o que era bom, mas tudo o que era desprezível e inútil destruíram por completo.
10 Então o Senhor falou a Samuel:
11 “Arrependo-me de ter posto Saul como rei, pois ele me abandonou e não seguiu as minhas instruções”. Samuel ficou irado e clamou ao Senhor toda aquela noite.
12 De madrugada Samuel foi ao encontro de Saul, mas lhe disseram: “Saul foi para o Carmelo, onde ergueu um monumento em sua própria honra e depois foi para Gilgal”.
13 Quando Samuel o encontrou, Saul disse: “O Senhor te abençoe! Eu segui as instruções do Senhor”.
14 Samuel, porém, perguntou: “Então que balido de ovelhas é esse que ouço com meus próprios ouvidos? Que mugido de bois é esse que estou ouvindo?”
15 Respondeu Saul: “Os soldados os trouxeram dos amalequitas; eles pouparam o melhor das ovelhas e dos bois para sacrificarem ao Senhor, o teu Deus, mas destruímos totalmente o restante”.
16 Samuel disse a Saul: “Fique quieto! Eu lhe direi o que o Senhor me falou esta noite”. Respondeu Saul: “Dize-me”.
17 E Samuel disse: Embora pequeno aos seus próprios olhos, você não se tornou o líder das tribos de Israel? O Senhor o ungiu como rei sobre Israel
18 e o enviou numa missão, ordenando: “Vá e destrua completamente aquele povo ímpio, os amalequitas; guerreie contra eles até que os tenha eliminado”.
19 Por que você não obedeceu ao Senhor? Por que se lançou sobre os despojos e fez o que o Senhor reprova?
20 Disse Saul: Mas eu obedeci ao Senhor! Cumpri a missão que o Senhor me designou. Trouxe Agague, o rei dos amalequitas, mas exterminei os amalequitas.
21 Os soldados tomaram ovelhas e bois do despojo, o melhor do que estava consagrado a Deus para destruição, a fim de os sacrificarem ao Senhor seu Deus, em Gilgal.
22 Samuel, porém, respondeu: Acaso tem o Senhor tanto prazerem holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros.
23 Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria. Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, ele o rejeitou como rei.
24 “Pequei”, disse Saul. “Violei a ordem do Senhor e as instruções que tu me deste. Tive medo dos soldados e os atendi.
25 Agora eu te imploro, perdoa o meu pecado e volta comigo, para que eu adore o Senhor.
26 Samuel, contudo, lhe disse: “Não voltarei com você. Você rejeitou a palavra do Senhor, e o Senhor o rejeitou como rei de Israel!”
27 Quando Samuel se virou para sair, Saul agarrou-se à barra do manto dele, e o manto se rasgou.
28 E Samuel lhe disse: O Senhor rasgou de você, hoje, o reino de Israel, e o entregou a alguém que é melhor que você.
29 Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende, pois não é homem para se arrepender.
30 Saul repetiu: “Pequei. Agora, honra-me perante as autoridades do meu povo e perante Israel; volta comigo, para que eu possa adorar o Senhor, o teu Deus”.
31 E assim Samuel voltou com ele, e Saul adorou o Senhor.
32 Então Samuel disse: “Traga-me Agague, o rei dos amalequitas”. Agague veio confiante, pensando[52]: “Com certeza já passou a amargura da morte”.
33 Samuel, porém, disse: “Assim como a sua espada deixou mulheres sem filhos, também sua mãe, entre as mulheres, ficará sem o seu filho”. E Samuel despedaçou Agague perante o Senhor, em Gilgal.
34 Então Samuel partiu para Ramá, e Saul foi para a sua casa, em Gibeá de Saul.
35 Nunca mais Samuel viu Saul, até o dia de sua morte, embora se entristecesse por causa dele porque o Senhor arrependeu-se de ter estabelecido Saul como rei de Israel.

1 Samuel – Capítulo 30

1 Quando Davi e seus soldados chegaram a Ziclague, no terceiro dia, os amalequitas tinham atacado o Neguebe e incendiado a cidade de Ziclague.
2 Levaram como prisioneiros todos os que lá estavam: as mulheres, os jovens e os idosos. A ninguém mataram, mas os levaram consigo, quando prosseguiram seu caminho.
3 Ao chegarem a Ziclague, Davi e seus soldados encontraram a cidade destruída pelo fogo e viram que suas mulheres, seus filhos e suas filhas tinham sido levados como prisioneiros.
4 Então Davi e seus soldados choraram em alta voz até não terem mais forças.
5 As duas mulheres de Davi também tinham sido levadas: Ainoã, de Jezreel, e Abigail, de Carmelo, a que fora mulher de Nabal.
6 Davi ficou profundamente angustiado, pois os homens falavam em apedrejá-lo; todos estavam amargurados por causa de seus filhos e de suas filhas. Davi, porém, fortaleceu-se no Senhor, o seu Deus.
7 Então Davi disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: “Traga-me o colete sacerdotal”. Abiatar o trouxe a Davi,
8 e ele perguntou ao Senhor: “Devo perseguir esse bando de invasores? Irei alcançá-los?” E o Senhor respondeu: “Persiga-os; é certo que você os alcançará e conseguirá libertar os prisioneiros”.
9 Davi e os seiscentos homens que estavam com ele foram ao ribeiro de Besor, onde ficaram alguns,
10 pois duzentos deles estavam exaustos demais para atravessar o ribeiro. Todavia, Davi e quatrocentos homens continuaram a perseguição.
11 Encontraram um egípcio no campo e o trouxeram a Davi. Deram-lhe água e comida:
12 um pedaço de bolo de figos prensados e dois bolos de uvas passas. Ele comeu e recobrou as forças, pois tinha ficado três dias e três noites sem comer e sem beber.
13 Davi lhe perguntou: “A quem você pertence e de onde vem?” Ele respondeu: “Sou um jovem egípcio, servo de um amalequita. Meu senhor me abandonou quando fiquei doente há três dias.
14 Nós atacamos o Neguebe dos queretitas, o território que pertence a Judá e o Neguebe de Calebe. E incendiamos a cidade de Ziclague.
15 Davi lhe perguntou: “Você pode levar-me até esse bando de invasores?” Ele respondeu: “Jura, diante de Deus, que não me matarás nem me entregarás nas mãos de meu senhor, e te levarei até eles”.
16 Quando ele levou Davi até lá, os amalequitas estavam espalhados pela região, comendo, bebendo e festejando os muitos bens que haviam tomado da terra dos filisteus e de Judá.
17 Davi os atacou no dia seguinte, desde o amanhecer até a tarde, e nenhum deles escapou, com exceção de quatrocentos jovens que montaram em camelos e fugiram.
18 Davi recuperou tudo o que os amalequitas tinham levado, incluindo suas duas mulheres.
19 Nada faltou: nem jovens, nem velhos, nem filhos, nem filhas, nem bens, nem qualquer outra coisa que fora levada. Davi recuperou tudo.
20 E tomou também todos os rebanhos dos amalequitas, e seus soldados os conduziram à frente dos outros animais, dizendo: “Estes são os despojos de Davi”.
21 Então Davi foi até os duzentos homens que estavam exaustos demais para segui-lo e tinham ficado no ribeiro de Besor. Eles saíram para receber Davi e os que estavam com ele. Ao se aproximar com seus soldados, Davi os saudou.
22 Mas todos os elementos maus e vadios que tinham ido com Davi disseram: “Uma vez que não saíram conosco, não repartiremos com eles os bens que recuperamos. No entanto, cada um poderá pegar sua mulher e seus filhos e partir”.
23 Davi respondeu: Não, meus irmãos! Não façam isso com o que o Senhor nos deu. Ele nos protegeu e entregou em nossas mãos os bandidos que vieram contra nós.
24 Quem concordará com o que vocês estão dizendo? A parte de quem ficou com a bagagem será a mesma de quem foi à batalha. Todos receberão partes iguais.
25 Davi fez disso um decreto e uma ordenança para Israel, desde aquele dia até hoje.
26 Quando Davi chegou a Ziclague, enviou parte dos bens às autoridades de Judá, que eram seus amigos, dizendo: “Eis um presente para vocês, tirado dos bens dos inimigos do Senhor”.
27 Ele enviou esse presente às autoridades de Betel, de Ramote do Neguebe, de Jatir,
28 de Aroer, de Sifmote, de Estemoa,
29 de Racal, das cidades dos jerameelitas e dos queneus,
30 de Hormá, de Corasã, de Atace,
31 de Hebrom e de todos os lugares onde Davi e seus soldados tinham passado.

2 Samuel – Capítulo 5

1 Representantes de todas as tribos de Israel foram dizer a Davi, em Hebrom: Somos sangue do teu sangue[6].
2 No passado, mesmo quando Saul era rei, eras tu quem liderava Israel em suas batalhas. E o Senhor te disse: “Você pastoreará Israel, o meu povo, e será o seu governante”.
3 Então todas as autoridades de Israel foram ao encontro do rei Davi em Hebrom; o rei fez um acordo com eles em Hebrom perante o Senhor, e eles ungiram Davi rei de Israel.
4 Davi tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou durante quarenta anos.
5 Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio, e em Jerusalém reinou sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.
6 O rei e seus soldados marcharam para Jerusalém para atacar os jebuseus que viviam lá. E os jebuseus disseram a Davi: “Você não entrará aqui! Até os cegos e os aleijados podem se defender de você”. Eles achavam que Davi não conseguiria entrar,
7 mas Davi conquistou a fortaleza de Sião, que veio a ser a Cidade de Davi.
8 Naquele dia disse Davi: “Quem quiser vencer os jebuseus terá que utilizar a passagem de água para chegar àqueles cegos e aleijados, inimigos de Davi[7]”. É por isso que dizem: “Os “cegos e aleijados” não entrarão no palácio[8]”.
9 Davi passou a morar na fortaleza e chamou-a Cidade de Davi. Construiu defesas na parte interna da cidade desde o Milo[9].
10 E ele se tornou cada vez mais poderoso, pois o Senhor, o Deus dos Exércitos estava com ele.
11 Pouco depois Hirão, rei de Tiro, enviou a Davi uma delegação, que trouxe toras de cedro e também carpinteiros e pedreiros que construíram um palácio para Davi.
12 Então Davi teve certeza de que o Senhor o confirmara como rei de Israel e que seu reino estava prosperando por amor de Israel, o seu povo.
13 Depois de mudar-se de Hebrom para Jerusalém, Davi tomou mais concubinas e esposas, e gerou mais filhos e filhas.
14 Estes são os nomes dos que lhe nasceram ali: Samua, Sobabe, Natã, Salomão,
15 Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia,
16 Elisama, Eliada e Elifelete.
17 Ao saberem que Davi tinha sido ungido rei de Israel, os filisteus foram com todo o exército prendê-lo, mas Davi soube disso e foi para a fortaleza.
18 Tendo os filisteus se espalhado pelo vale de Refaim,
19 Davi perguntou ao Senhor: “Devo atacar os filisteus? Tu os entregarás nas minhas mãos?” O Senhor lhe respondeu: “Vá, eu os entregarei nas suas mãos”.
20 Então Davi foi a Baal-Perazim e lá os derrotou. E disse: “Assim como as águas de uma enchente causam destruição, pelas minhas mãos o Senhor destruiu os meus inimigos diante de mim”. Então aquele lugar passou a ser chamado Baal-Perazim[10].
21 Como os filisteus haviam abandonado os seus ídolos ali, Davi e seus soldados os apanharam.
22 Mais uma vez os filisteus marcharam e se espalharam pelo vale de Refaim;
23 então Davi consultou o Senhor de novo, que lhe respondeu: Não ataque pela frente, mas dê a volta por trás deles e ataque-os em frente das amoreiras.
24 Assim que você ouvir um som de passos por cima das amoreiras, saia rapidamente, pois será esse o sinal de que o Senhor saiu à sua fren­te para ferir o exér­cito filisteu.
25 Davi fez como o Senhor lhe tinha ordenado, e derrotou os filisteus por todo o caminho, desde Gibeom[11]até Gezer.

2 Samuel – Capítulo 7

1 O rei Davi já morava em seu palácio e o Senhor lhe dera descanso de todos os seus inimigos ao redor.
2 Certo dia ele disse ao profeta Natã: “Aqui estou eu, morando num palácio de cedro, enquanto a arca de Deus permanece numa simples tenda”.
3 Natã respondeu ao rei: “Faze o que tiveres em mente, pois o Senhor está contigo”.
4 E naquela mesma noite o Senhor falou a Natã:
5 Vá dizer a meu servo Davi que assim diz o Senhor: Você construirá uma casa para eu morar?
6 Não tenho morado em nenhuma casa desde o dia em que tirei os israelitas do Egito. Tenho ido de uma tenda para outra, de um tabernáculo para outro.
7 Por onde tenho acom­panhado os israelitas, alguma vez perguntei a algum líder deles, a quem ordenei que pastoreasse Israel, o meu povo: Por que você não me construiu um templo de cedro?
8 Agora, pois, diga ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu o tirei das pastagens, onde você cuidava dos rebanhos, para ser o soberano de Israel, o meu povo.
9 Sempre estive com você por onde você andou, e eliminei todos os seus inimigos. Agora eu o farei tão famoso quanto os homens mais importantes da terra.
10 E providenciarei um lugar para Israel, o meu povo, e os plantarei lá, para que tenham o seu próprio lar e não mais sejam incomodados. Povos ímpios não mais os oprimirão, como fizeram no início
11 e têm feito desde a época em que nomeei juízes sobre Israel, o meu povo. Também subjugarei todos os seus inimigos. Saiba também que eu, o Senhor, lhe estabelecerei uma dinastia.
12 Quan­do a sua vida chegar ao fim e você descansar com os seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, um fruto do seu próprio corpo, e eu estabelecerei o reino dele.
13 Será ele quem construirá um templo em honra ao meu nome, e eu firmarei o trono dele para sempre.
14 Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Quando ele cometer algum erro, eu o punirei com o castigo dos homens, com açoites aplicados por homens.
15 Mas nunca retirarei dele o meu amor, como retirei de Saul, a quem tirei do seu caminho.
16 Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim[18]; o seu trono será estabelecido para sempre.
17 E Natã transmitiu a Davi tudo o que o Senhor lhe tinha falado e revelado.
18 Então o rei Davi entrou no tabernáculo, assentou-se diante do Senhor, e orou: Quem sou eu, ó Soberano Senhor, e o que é a minha família, para que me trouxesses a este ponto?
19 E, como se isso não bastasse para ti, ó Soberano Senhor, também falaste sobre o futuro da família deste teu servo. É assim que procedes com os homens, ó Soberano Senhor?
20 Que mais Davi poderá dizer-te? Tu conheces o teu servo, ó Soberano Senhor.
21 Por amor de tua palavra e de acordo com tua vontade, realizaste este feito grandioso e o revelaste ao teu servo.
22 Quão grande és tu, ó Soberano Senhor! Não há ninguém como tu, nem há outro Deus além de ti, conforme tudo o que sabemos.
23 E quem é como Israel, o teu povo, a única nação da terra que tu, ó Deus, resgataste para dela fazeres um povo para ti mesmo, e assim tornaste o teu nome famoso, realizaste grandes e impressionantes maravilhas ao expulsar nações e seus deuses de diante desta mesma nação que libertaste do Egito[19]?
24 Tu mesmo fizeste de Israel o teu povo particular para sempre, e tu, ó Senhor, te tornaste o seu Deus.
25 Agora, Senhor Deus, confirma para sempre a promessa que fizeste a respeito de teu servo e de sua descendência. Faze conforme prometeste,
26 para que o teu nome seja engrandecido para sempre e os homens digam: “O Senhor dos Exércitos é o Deus de Israel!” E a descendência de teu servo Davi se manterá firme diante de ti.
27 Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, tu mesmo o revelaste a teu servo, quando disseste: “Estabelecerei uma dinastia para você”. Por isso o teu servo achou coragem para orar a ti.
28 Ó Soberano Senhor, tu és Deus! Tuas palavras são verdadeiras, e tu fizeste essa boa promessa a teu servo.
29 Agora, por tua bondade, abençoa a família de teu servo, para que ela continue para sempre na tua presença. Tu, ó Soberano Senhor, o prometeste! E, abençoada por ti, bendita será para sempre a família de teu servo.

2 Samuel – Capítulo 9

1 Certa ocasião Davi perguntou: “Resta ainda alguém da família de Saul a quem eu possa mostrar lealdade, por causa de minha amizade com Jônatas?”
2 Então chamaram Ziba, um dos servos de Saul, para apresentar-se a Davi, e o rei lhe perguntou: “Você é Ziba?” “Sou teu servo”, respondeu ele.
3 Perguntou-lhe Davi: “Resta ainda alguém da família de Saul a quem eu possa mostrar a lealdade de Deus?” Respondeu Ziba: “Ainda há um filho de Jônatas, aleijado dos pés”.
4 “Onde está ele?”, perguntou o rei. Ziba respondeu: “Na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar”.
5 Então o rei Davi mandou trazê-lo de Lo-Debar.
6 Quando Mefibosete, filho de Jônatas e neto de Saul, compareceu diante de Davi, prostrou-se com o rosto em terra. “Mefibosete?”, perguntou Davi. Ele respondeu: “Sim, sou teu servo”.
7 “Não tenha medo”, disse-lhe Davi, “pois é certo que eu o tratarei com bondade por causa de minha amizade com Jônatas, seu pai. Vou devolver-lhe todas as terras que pertenciam a seu avô Saul, e você comerá sempre à minha mesa.”
8 Mefibosete prostrou-se e disse: “Quem é o teu servo, para que te preocupes com um cão morto como eu?”
9 Então o rei convocou Ziba e disse-lhe: Devolvi ao neto de Saul, seu senhor, tudo o que pertencia a ele e à família dele.
10 Você, seus filhos e seus servos cultivarão a terra para ele. Você trará a colheita para que haja provisões na casa do neto de seu senhor. Mas Mefibosete comerá sempre à minha mesa. Ziba tinha quinze filhos e vinte servos.
11 Então Ziba disse ao rei: “O teu servo fará tudo o que o rei, meu senhor, ordenou”. Assim, Mefibosete passou a comer à mesa de Davi[26]como se fosse um dos seus filhos.
12 Mefibosete tinha um filho ainda jovem chamado Mica. E todos os que moravam na casa de Ziba tornaram-se servos de Mefibosete.
13 Então Mefibosete, que era aleijado dos pés, foi morar em Jerusalém, pois passou a comer sempre à mesa do rei.

2 Samuel – Capítulo 11

1 Na primavera, época em que os reis saíam para a guerra, Davi enviou para a batalha Joabe com seus oficiais e todo o exército de Israel; e eles derrotaram os amonitas e cercaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém.
2 Uma tarde Davi levantou-se da cama e foi passear pelo terraço do palácio. Do terraço viu uma mulher muito bonita tomando banho,
3 e mandou alguém procurar saber quem era. Disseram-lhe: “É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o hitita”.
4 Davi mandou que a trouxessem, e se deitou com ela, que havia acabado de se purificar da impureza da sua mens­truação. Depois, voltou para casa.
5 A mulher engravidou e mandou um recado a Davi, dizendo que estava grávida.
6 Em face disso, Davi mandou esta men­sagem a Joabe: “Envie-me Urias, o hitita”. E Joabe o enviou.
7 Quando Urias chegou, Davi perguntou-lhe como estavam Joabe e os soldados e como estava indo a guerra;
8 e lhe disse: “Vá descansar um pouco em sua casa”. Urias saiu do palácio e logo lhe foi mandado um presente da parte do rei.
9 Mas Urias dormiu na entrada do palácio, onde dormiam os guardas de seu senhor, e não foi para casa.
10 Quando informaram a Davi que Urias não tinha ido para casa, ele lhe perguntou: “Depois da viagem que você fez, por que não foi para casa?”
11 Urias respondeu: “A arca e os homens de Israel e de Judá repousam em tendas; o meu senhor Joabe e os seus soldados estão acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa para comer, beber e deitar-me com minha mulher? Juro por teu nome e por tua vida que não farei uma coisa dessas!”
12 Então Davi lhe disse: “Fique aqui mais um dia; amanhã eu o mandarei de volta”. Urias ficou em Jerusalém, mas no dia seguinte
13 Davi o convidou para comer e beber, e o embriagou. À tarde, porém, Urias saiu para dormir em sua esteira onde os guardas de seu senhor dormiam, e não foi para casa.
14 De manhã, Davi enviou uma carta a Joabe por meio de Urias.
15 Nela escreveu: “Ponha Urias na linha de frente e deixe-o onde o combate estiver mais violento, para que seja ferido e morra”.
16 Como Joabe tinha cercado a cidade, colocou Urias no lugar onde sabia que os inimigos eram mais fortes.
17 Quando os homens da cidade saíram e lutaram contra Joabe, alguns dos oficiais da guarda de Davi morreram, e morreu também Urias, o hitita.
18 Joabe enviou a Davi um relatório completo da batalha,
19 dando a seguinte instrução ao men­sageiro: Ao­ acabar de apresentar ao rei este relatório,
20 pode ser que o rei fique muito indignado e lhe pergunte: “Por que vocês se aproximaram tanto da cidade para combater? Não sabiam que eles atirariam flechas da muralha?
21 Em Tebes, quem matou Abimeleque, filho de Jerubesete[30]? Não foi uma mulher que da muralha atirou-lhe uma pedra de moinho, e ele morreu? Por que vocês se aproximaram tanto da muralha?” Se ele perguntar isso, diga-lhe: E mor­reu também o teu servo Urias, o hitita.
22 O mensageiro partiu e, ao chegar, contou a Davi tudo o que Joabe lhe havia man­dado falar,
23 dizendo: Eles nos sobrepujaram e saíram contra nós em campo aberto, mas nós os fizemos retroceder para a porta da cidade.
24 Então os flecheiros atiraram do alto da muralha contra os teus servos, e mataram alguns deles. E morreu também o teu servo Urias, o hitita.
25 Davi mandou o mensageiro dizer a Joabe: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar. Reforce o ataque à cidade até destruí-la”. E ainda insistiu com o mensageiro que encorajasse Joabe.
26 Quando a mulher de Urias soube que o seu marido havia morrido, chorou por ele.
27 Passado o luto, Davi mandou que a trouxessem para o palácio; ela se tornou sua mulher e teve um filho dele. Mas o que Davi fez desagradou ao Senhor.

2 Samuel – Capítulo 13

1 Depois de algum tempo, Amnom, filho de Davi, apaixonou-se por Tamar; ela era muito bonita e era irmã de Absalão, outro filho de Davi.
2 Amnom ficou angustiado ao ponto de adoecer por causa de sua meia-irmã Tamar, pois ela era virgem, e parecia-lhe impossível aproximar-se dela.
3 Amnom tinha um amigo muito astuto chamado Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi.
4 Ele perguntou a Amnom: “Filho do rei, por que todo dia você está abatido? Quer me contar o que se passa?” Amnom lhe disse: “Estou apaixonado por Tamar, irmã de meu irmão Absalão”.
5 “Vá para a cama e finja estar doente”, disse Jonadabe. “Quando seu pai vier visitá-lo, diga-lhe: Permite que minha irmã Tamar venha dar-me de comer. Gostaria que ela preparasse a comida aqui mesmo e me servisse. Assim poderei vê-la.”
6 Amnom aceitou a idéia e deitou-se, fingindo-se doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom lhe disse: “Eu gostaria que minha irmã Tamar viesse e preparasse dois bolos aqui mesmo e me servisse”.
7 Davi mandou dizer a Tamar no palácio: “Vá à casa de seu irmão Amnom e prepare algo para ele comer”.
8 Tamar foi à casa de seu irmão, que estava deitado. Ela amassou a farinha, preparou os bolos na presença dele e os assou.
9 Depois pegou a assadeira e lhe serviu os bolos, mas ele não quis comer. Então Amnom deu ordem para que todos saíssem e, depois que todos saíram,
10 disse a Tamar: “Traga os bolos e sirva-me aqui no meu quarto”. Tamar levou os bolos que havia preparado ao quarto de seu irmão.
11 Mas quando ela se aproximou para servi-lo, ele a agarrou e disse: “Deite-se comigo, minha irmã”.
12 Mas ela lhe disse: Não, meu irmão! Não me faça essa violência. Não se faz uma coisa dessas em Israel! Não cometa essa loucura.
13 O que seria de mim? Como eu poderia livrar-me da minha desonra? E o que seria de você? Você cairia em desgraça em Israel. Fale com o rei; ele deixará que eu me case com você.
14 Mas Amnom não quis ouvi-la e, sendo mais forte que ela, violentou-a.
15 Logo depois Amnom sentiu uma forte aversão por ela, mais forte que a paixão que sentira. E lhe disse: “Levante-se e saia!”
16 Mas ela lhe disse: “Não, meu irmão, mandar-me embora seria pior do que o mal que você já me fez”. Ele, porém, não quis ouvi-la
17 e, chamando seu servo, disse-lhe: “Ponha esta mulher para fora daqui e tranque a porta”.
18 Então o servo a pôs para fora e trancou a porta. Ela estava vestindo uma túnica longa[35], pois esse era o tipo de roupa que as filhas virgens do rei usavam desde a puberdade.
19 Tamar pôs cinza na cabeça, rasgou a túnica longa que estava usando e se pôs a caminho, com as mãos sobre a cabeça e chorando em alta voz.
20 Absalão, seu irmão, lhe perguntou: “Seu irmão, Amnom, lhe fez algum mal? Acalme-se, minha irmã; ele é seu irmão! Não se deixe dominar pela angústia”. E Tamar, muito triste, ficou na casa de seu irmão Absalão.
21 Ao saber de tudo isso, o rei Davi ficou indignado.
22 E Absalão não falou nada com Amnom, nem bem, nem mal, embora o odiasse por ter violentado sua irmã Tamar.
23 Dois anos depois, quando os tosquiadores de ovelhas de Absalão estavam em Baal-Hazor, perto da fronteira de Efraim, Absalão convidou todos os filhos do rei para se reunirem com ele.
24 Absalão foi ao rei e lhe disse: “Eu, teu servo, estou tosquiando as ovelhas e gostaria que o rei e os seus conselheiros estivessem comigo”.
25 Respondeu o rei: “Não, meu filho. Não iremos todos, pois isso seria um peso para você”. Embora Absalão insistisse, ele se recusou a ir, mas o abençoou.
26 Então Absalão lhe disse: “Se não queres ir, permite, por favor, que o meu irmão Amnom vá conosco”. O rei perguntou: “Por que ele iria com você?”
27 Mas Absalão insistiu tanto que o rei acabou deixando que Amnom e os seus outros filhos fossem com ele.
28 Absalão ordenou aos seus homens: “Ouçam! Quando Amnom estiver embriagado de vinho e eu disser: Matem Amnom! , vocês o matarão. Não tenham medo; eu assumo a responsabilidade. Sejam fortes e corajosos!”
29 Assim os homens de Absalão mataram Amnom, obedecendo às suas ordens. Então todos os filhos do rei montaram em suas mulas e fugiram.
30 Estando eles ainda a caminho, chegou a seguinte notícia ao rei: “Absalão matou todos os teus filhos; nenhum deles escapou”.
31 O rei levantou-se, rasgou as suas vestes, prostrou-se com o rosto em terra, e todos os conselheiros que estavam com ele também rasgaram as vestes.
32 Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, disse: Não pense o meu senhor que mataram todos os seus filhos. Somente Amnom foi morto. Essa era a intenção de Absalão desde o dia em que Amnom violentou Tamar, irmã dele.
33 O rei, meu senhor, não deve acreditar que todos os seus filhos estão mortos. Apenas Amnom mor­reu.
34 Enquanto isso, Absalão fugiu. Nesse meio tempo a sentinela viu muita gente que vinha pela estrada de Horonaim, descendo pela encosta da colina, e disse ao rei: “Vejo homens vindo pela estrada de Horonaim, na encosta da colina” [36].
35 E Jonadabe disse ao rei: “São os filhos do rei! Aconteceu como o teu servo disse”.
36 Acabando de falar, os filhos do rei chegaram, chorando em alta voz. Também o rei e todos os seus conselheiros choraram muito.
37 Absalão fugiu para o território de Talmai, filho de Ami­úde, rei de Gesur. E o rei Davi pranteava por seu filho todos os dias.
38 Depois que Absalão fugiu para Gesur e lá permaneceu três anos,
39 a ira do rei contra Absalão cessou[37], pois ele se sentia consolado da morte de Amnom.

2 Samuel – Capítulo 15

1 Algum tempo depois, Absalão adquiriu uma carruagem, cavalos e uma escolta de cinqüenta homens.
2 Ele se levantava cedo e ficava junto ao caminho que levava à porta da cidade. Sempre que alguém trazia uma causa para ser decidida pelo rei, Absalão o chamava e perguntava de que cidade vinha. A pessoa respondia que era de uma das tribos de Israel,
3 e Absalão dizia: “A sua causa é válida e legítima, mas não há nenhum representante do rei para ouvi-lo”.
4 E Absalão acrescentava: “Quem me dera ser designado juiz desta terra! Todos os que tivessem uma causa ou uma questão legal viriam a mim, e eu lhe faria justiça”.
5 E sempre que alguém se aproximava dele para prostrar-se em sinal de respeito, Absalão estendia a mão, abraçava-o e beijava-o.
6 Absalão agia assim com todos os israelitas que vinham pedir que o rei lhes fizesse justiça. Assim ele foi conquistando a lealdade dos homens de Israel.
7 Ao final de quatro[40]anos, Absalão disse ao rei: Deixa-me ir a Hebrom para cumprir um voto que fiz ao Senhor.
8 Quando o teu servo estava em Gesur, na Síria, fez este voto: Se o Senhor me permitir voltar a Jerusalém, prestarei culto a ele em Hebrom[41].
9 “Vá em paz!”, disse o rei. E ele foi para Hebrom.
10 Absalão enviou secretamente mensageiros a todas as tribos de Israel, dizendo: “Assim que vocês ouvirem o som das trombetas, digam: Absalão é rei em Hebrom”.
11 Absalão levou duzentos homens de Jerusalém. Eles tinham sido convidados e nada sabiam nem suspeitavam do que estava acontecendo.
12 Depois de oferecer sacrifícios, Absalão mandou chamar Aitofel, da cidade de Gilo, conselheiro de Davi. A conspiração ganhou força, e cresceu o número dos que seguiam Absalão.
13 Então um mensageiro chegou e disse a Davi: “Os israelitas estão com Absalão!”
14 Em vista disso, Davi disse aos conselheiros que estavam com ele em Jerusalém: “Vamos fugir; caso contrário não escaparemos de Absalão. Se não partirmos imediatamente ele nos alcançará, causará a nossa ruína e matará o povo à espada”.
15 Os conselheiros do rei lhe responderam: “Teus servos estão dispostos a fazer tudo o que o rei, nosso senhor, decidir”.
16 O rei partiu, seguido por todos os de sua família; deixou, porém, dez concubinas para tomarem conta do palácio.
17 Assim, o rei partiu com todo o povo. Pararam na última casa da cidade,
18 e todos os seus soldados marcharam, passando por ele: todos os queretitas e peletitas, e os seiscentos giteus que o acompanhavam desde Gate.
19 O rei disse então a Itai, de Gate: Por que você está indo conosco? Volte e fique com o novo rei, pois você é estrangeiro, um exilado de sua terra.
20 Faz pouco tempo que você chegou. Como eu poderia fazê-lo acompanhar-me? Volte e leve consigo os seus irmãos. Que o Senhor o trate com bondade e fidelidade!
21 Itai, contudo, respondeu ao rei: “Juro pelo nome do Senhor e por tua vida que onde quer que o rei, meu senhor, esteja, ali estará o seu servo, para viver ou para morrer!”
22 Então Davi disse a Itai: “Está bem, pode ir adiante”. E Itai, o giteu, marchou, com todos os seus soldados e com as famílias que estavam com ele.
23 Todo o povo do lugar chorava em alta voz enquanto o exército passava. O rei atravessou o vale do Cedrom e todo o povo foi com ele em direção ao deserto.
24 Zadoque também estava lá, e com ele todos os levitas que carregavam a arca da aliança de Deus; Abiatar também estava lá. Puseram no chão a arca de Deus até que todo o povo saísse da cidade.
25 Então o rei disse a Zadoque: Leve a arca de Deus de volta para a cidade. Se o Senhor mostrar benevolência a mim, ele me trará de volta e me deixará ver a arca e o lugar onde ela deve permanecer.
26 Mas, se ele disser que já não sou do seu agrado, aqui estou! Faça ele comigo a sua vontade.
27 Disse ainda o rei ao sacerdote Zadoque: Fique alerta! Volte em paz para a cidade, você, Aimaás, seu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.
28 Pelos desfiladeiros do deserto ficarei esperando notícias de vocês.
29 Então Zadoque e Abiatar levaram a arca de Deus de volta para Jerusalém, e lá permaneceram.
30 Davi, porém, continuou subindo o monte das Oliveiras, caminhando e chorando, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todos os que iam com ele também tinham a cabeça coberta e subiam chorando.
31 Quando informaram a Davi que Aitofel era um dos conspiradores que apoiavam Absalão, Davi orou: “Ó Senhor, transforma em loucura os conselhos de Aitofel”.
32 Quando Davi chegou ao alto do monte, ao lugar onde o povo costumava adorar a Deus, veio ao seu encontro o arquita Husai, com a roupa rasgada e com terra sobre a cabeça.
33 E Davi lhe disse: Não adianta você vir comigo.
34 Mas se voltar à cidade, poderá dizer a Absalão: Estarei a teu serviço, ó rei. No passado estive a serviço de teu pai, mas agora estarei a teu serviço. Assim você me ajudará, frustrando o conselho de Aitofel.
35 Os sacerdotes Zadoque e Abiatar estarão lá com você. Informe-os do que você souber no palácio.
36 Também estão lá os dois filhos deles: Aimaás e Jônatas. Por meio deles me informe de tudo o que você ouvir.
37 Husai, amigo de Davi, chegou a Jerusalém quando Absalão estava entrando na cidade.

1 Reis – Capítulo 2

1 Quando se aproximava o dia de sua morte, Davi deu instruções ao seu filho Salomão:
2 Estou para seguir o caminho de toda a terra. Por isso, seja forte e seja homem.
3 Obedeça ao que o Senhor, o seu Deus, exige: ande nos seus caminhos e obedeça aos seus decretos, aos seus mandamentos, às suas ordenanças e aos seus testemunhos, conforme se acham escritos na Lei de Moisés; assim você prosperará em tudo o que fizer e por onde quer que for,
4 e o Senhor manterá a promessa que me fez: “Se os seus descendentes cuidarem de sua conduta, e se me seguirem fielmente de todo o coração e de toda a alma, você jamais ficará sem descendente no trono de Israel”.
5 Você sabe muito bem o que Joabe, filho de Zeruia, me fez; o que fez com os dois comandantes dos exércitos de Israel, Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jéter. Ele os matou, derramando sangue em tempos de paz; agiu como se estivesse em guerra, e com aquele sangue manchou o seu cinto e as suas sandálias.
6 Proceda com a sabedoria que você tem, e não o deixe envelhecer e descer em paz à sepultura[3].
7 Mas seja bondoso com os filhos de Barzilai, de Gileade; admita-os entre os que comem à mesa com você, pois eles me apoiaram quando fugi do seu irmão Absalão.
8 Saiba que também está com você Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim. Ele lançou terríveis maldições contra mim no dia em que fui a Maanaim. Mas depois desceu ao meu encontro no Jordão e lhe prometi, jurando pelo Senhor, que não o mataria à espada.
9 Mas, agora, não o considere inocente. Você é um homem sábio e saberá o que fazer com ele. Apesar de ele já ser idoso, faça-o descer ensangüentado à sepultura.
10 Então Davi descansou com os seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi.
11 Ele reinou quarenta anos em Israel: sete anos em Hebrom e trinta e três em Jerusalém.
12 Salomão assentou-se no trono de Davi, seu pai, e o seu reinado foi firmemente estabelecido.
13 Adonias, o filho de Hagite, foi até Bate-Seba, mãe de Salomão, que lhe perguntou: “Você vem em paz?” Ele respondeu: “Sim”.
14 E acrescentou: “Tenho algo para lhe dizer”. Ela disse: “Fale!”
15 “Você sabe”, disse ele, “que o reino era meu. Todo o Israel me via como o seu rei. Mas as circunstâncias mudaram, e o reino foi para o meu irmão; pois o Senhor o concedeu a ele.
16 Agora, quero fazer-lhe um pedido e espero que não me seja negado.” Ela disse: “Fale!”
17 Então ele prosseguiu: “Peça, por favor, ao rei Salomão que me dê a sunamita Abisague por mulher, pois ele não deixará de atender você”.
18 “Está bem”, respondeu Bate-Seba, “falarei com o rei em seu favor.”
19 Quando Bate-Seba foi falar ao rei em favor de Adonias, Salomão levantou-se para recebê-la e inclinou-se diante dela. Depois assentou-se no seu trono, mandou que trouxessem um trono para a sua mãe, e ela se assentou à sua direita.
20 “Tenho um pequeno pedido para lhe fazer”, disse ela. “Não deixe de me atender.” O rei respondeu: “Faça o pedido, minha mãe; não deixarei de atendê-lo”.
21 Então ela disse: “Dê a sunamita Abisague por mulher a seu irmão Adonias”.
22 O rei Salomão perguntou à sua mãe: “Por que você pede somente a sunamita Abisague para Adonias? Peça logo o reino para ele, para o sacerdote Abiatar e para Joabe, filho de Zeruia; afinal ele é o meu irmão mais velho!”
23 Então o rei Salomão jurou pelo Senhor: Que Deus me castigue com todo o rigor, se isso que Adonias falou não lhe custar a sua própria vida!
24 E agora eu juro pelo nome do Senhor, que me estabeleceu no trono de meu pai Davi, e, conforme prometeu, fundou uma dinastia para mim, que hoje mesmo Ado­nias será morto!
25 E o rei Salomão deu ordem a Benaia, filho de Joiada, e este feriu e matou Adonias.
26 Ao sacerdote Abiatar o rei ordenou: “Vá para Anatote, para as suas terras! Você merece morrer, mas hoje eu não o matarei, pois você carregou a arca do Soberano, o Senhor, diante de Davi, meu pai, e partilhou de todas as aflições dele”.
27 Então Salomão expulsou Abiatar do sacerdócio do Senhor, cumprindo a palavra que o Senhor tinha dito em Siló a respeito da família de Eli.
28 Quando a notícia chegou a Joabe, que havia conspirado com Adonias, ainda que não com Absalão, ele fugiu para a Tenda do Senhor e agarrou-se às pontas do altar.
29 Foi dito ao rei Salomão que Joabe havia se refugiado na Tenda do Senhor e estava ao lado do altar. Então Salomão ordenou a Benaia, filho de Joiada: “Vá matá-lo!”
30 Então Benaia entrou na Tenda do Senhor e disse a Joabe: “O rei lhe ordena que saia”. “Não”, respondeu ele, “Vou morrer aqui.” Benaia relatou ao rei a resposta de Joabe.
31 Então o rei ordenou a Benaia: Faça o que ele diz. Mate-o e sepulte-o, e assim você retirará de mim e da minha família a culpa do sangue inocente que Joabe derramou.
32 O Senhor fará recair sobre a cabeça dele o sangue que derramou: ele atacou dois homens mais justos e melhores do que ele, sem o conhecimento de meu pai Davi, e os matou à espada. Os dois homens eram Abner, filho de Ner, comandante do exército de Israel, e Amasa, filho de Jéter, comandante do exército de Judá.
33 Que o sangue deles recaia sobre a cabeça de Joabe e sobre a dos seus descendentes para sempre. Mas que a paz do Senhor esteja para sempre sobre Davi, sobre os seus descendentes, sobre a sua dinastia e sobre o seu trono.
34 Então Benaia, filho de Joiada, atacou Joabe e o matou, e ele foi sepultado em sua casa no campo[4].
35 No lugar dele o rei nomeou Benaia, filho de Joiada, para o comando do exército, e o sacerdote Zadoque no lugar de Abiatar.
36 Depois o rei mandou chamar Simei e lhe ordenou: Construa para você uma casa em Jerusalém. Você morará nela e não poderá ir para nenhum outro lugar.
37 Esteja certo de que no dia em que sair e atravessar o vale de Cedrom, você será morto; e você será responsável por sua própria morte.
38 Simei respondeu ao rei: “A ordem do rei é boa! O teu servo te obedecerá”. E Simei permaneceu em Jerusalém por muito tempo.
39 Mas três anos depois, dois escravos de Simei fugiram para a casa de Aquis, filho de Maaca, rei de Gate. Alguém contou a Simei: “Seus escravos estão em Gate”.
40 Então Simei selou um jumento e foi até Aquis, em Gate, procurar os seus escravos. E de lá Simei trouxe os escravos de volta.
41 Quando Salomão soube que Simei tinha ido a Gate e voltado a Jerusalém,
42 mandou chamá-lo e lhe perguntou: Eu não fiz você jurar pelo Senhor e não o adverti: No dia em que for para qualquer outro lugar, esteja certo de que você morrerá? E você me respondeu: “Esta ordem é boa! Obedecerei”.
43 Por que não manteve o juramento ao Senhor e não obedeceu à ordem que lhe dei?
44 E acrescentou: No seu coração você sabe quanto você prejudicou o meu pai Davi. Agora o Senhor faz recair sua maldade sobre a sua cabeça.
45 Mas o rei Salomão será abençoado, e o trono de Davi será estabelecido perante o Senhor para sempre.
46 Então o rei deu ordem a Benaia, filho de Joiada, e este atacou Simei e o matou. Assim o reino ficou bem estabelecido nas mãos de Salomão.

1 Reis – Capítulo 8

1 Então o rei Salomão reuniu em Jerusalém as autoridades de Israel, todos os líderes das tribos e os chefes das famílias israelitas, para levarem de Sião, a Cidade de Davi, a arca da aliança do Senhor.
2 E todos os homens de Israel uniram-se ao rei Salomão por ocasião da festa, no mês de etanim[29], que é o sétimo mês.
3 Quando todas as autoridades de Israel chegaram, os sacerdotes pegaram
4 a arca do Senhor e a levaram, com a Tenda do Encontro e com todos os seus uten­sílios sagrados. Foram os sacerdotes e os levitas que levaram tudo.
5 O rei Salomão e toda a comunidade de Israel, que se havia reunido a ele diante da arca, sacrificaram tantas ovelhas e bois que nem era possível contar.
6 Os sacerdotes levaram a arca da ali­ança do Senhor para o seu lugar no santuário interno do templo, isto é, no Lugar Santíssimo, e a colocaram debaixo das asas dos querubins.
7 Os querubins tinham suas asas estendidas sobre o lugar da arca e cobriam a arca e as varas utilizadas para o transporte.
8 Essas varas eram tão compridas que as suas pontas, que se estendiam para fora da arca, podiam ser vistas da frente do santuário interno, mas não de fora dele; e elas estão lá até hoje.
9 Na arca havia só as duas tábuas de pedra que Moisés tinha colocado quando estava em Horebe, onde o Senhor fez uma aliança com os israelitas depois que saíram do Egito.
10 Quando os sacerdotes se retiraram do Lugar Santo, uma nuvem encheu o templo do Senhor,
11 de forma que os sacerdotes não podiam desempenhar o seu serviço, pois a glória do Senhor encheu o seu templo.
12 E Salomão exclamou: O Senhor disse que habitaria numa nuvem escura!
13 Na realidade construí para ti um templo magnífico, um lugar para nele habitares para sempre!
14 Depois o rei virou-se e abençoou toda a assembléia de Israel, que estava ali em pé.
15 E disse: Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, que com sua mão cumpriu o que com sua própria boca havia prometido a meu pai Davi, quando lhe disse:
16 “Desde o dia em que tirei Israel, o meu povo, do Egito, não escolhi nenhuma cidade das tribos de Israel para nela construir um templo em honra ao meu nome. Mas escolhi Davi para governar Israel, o meu povo”.
17 Meu pai Davi tinha no coração o propósito de construir um templo em honra ao nome do Senhor, o Deus de Israel.
18 Mas o Senhor lhe disse: “Você fez bem em ter no coração o plano de construir um templo em honra ao meu nome;
19 no entanto, não será você que o construirá, mas o seu filho, que procederá de você; ele construirá o templo em honra ao meu nome”.
20 E o Senhor cumpriu a sua promessa: Sou o sucessor de meu pai Davi, e agora ocupo o trono de Israel, como o Senhor tinha prometido, e construí o templo em honra ao nome do Senhor, o Deus de Israel.
21 Providenciei nele um lugar para a arca, na qual estão as tábuas da aliança do Senhor, aliança que fez com os nossos antepassados quando os tirou do Egito.
22 Depois Salomão colocou-se diante do altar do Senhor, diante de toda a assembléia de Israel, levantou as mãos para o céu
23 e orou: Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu em cima nos céus nem embaixo na terra! Tu que guardas a tua aliança de amor com os teus servos que, de todo o coração, andam segundo a tua vontade.
24 Cumpri­ste a tua promessa a teu servo Davi, meu pai; com tua boca prometeste e com tua mão a cumpriste, conforme hoje se vê.
25 Agora, Senhor, Deus de Israel, cumpre a outra promessa que fizeste a teu servo Davi, meu pai, quando disseste: “Você nunca deixará de ter, diante de mim, um descendente que se assente no trono de Israel, se tão-somente os seus descendentes tiverem o cuidado de, em tudo, andarem segundo a minha vontade, como você tem feito”.
26 Agora, ó Deus de Israel, que se confirme a palavra que falaste a teu servo Davi, meu pai.
27 Mas será possível que Deus habite na terra? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te. Muito menos este templo que construí!
28 Ainda assim, atende à oração do teu servo e ao seu pedido de misericórdia, ó Senhor, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que o teu servo faz hoje na tua presença.
29 Estejam os teus olhos voltados dia e noite para este templo, lugar do qual disseste que nele porias o teu nome, para que ouças a oração que o teu servo fizer voltado para este lugar.
30 Ouve as súplicas do teu servo e de Israel, o teu povo, quando orarem voltados para este lugar. Ouve dos céus, lugar da tua habitação, e, quando ouvires, dá-lhes o teu perdão.
31 Quando um homem pecar contra seu próximo e tiver que fazer um juramento, e vier jurar diante do teu altar neste templo,
32 ouve dos céus e age. Julga os teus servos; condena o culpado, fazendo recair sobre a sua própria cabeça a conseqüência da sua conduta, e declara sem culpa o inocente, dando-lhe o que a sua inocência merece.
33 Quando Israel, o teu povo, for derrotado por um inimigo por ter pecado contra ti, e voltar-se para ti e invocar o teu nome, orando e suplicando a ti neste templo,
34 ouve dos céus e perdoa o pecado de Israel, o teu povo, e traze-o de volta à terra que deste aos seus antepassados.
35 Quando se fechar o céu, e não houver chuva por haver o teu povo pecado contra ti, e, se o teu povo, voltado para este lugar, invocar o teu nome e afastar-se do seu pecado por o haveres castigado,
36 ouve dos céus e perdoa o pecado dos teus servos, de Israel, teu povo. Ensina-lhes o caminho certo e envia chuva sobre a tua terra, que deste por herança ao teu povo.
37 Quando houver fome ou praga no país, ferrugem e mofo, gafanhotos peregrinos e gafanhotos devastadores, ou quando inimigos sitiarem suas cidades, quando, em meio a qualquer praga ou epidemia,
38 uma oração ou súplica por misericórdia for feita por um israelita ou por todo o Israel, teu povo, cada um sentindo as suas próprias aflições e dores, estendendo as mãos na direção deste templo,
39 ouve dos céus, o lugar da tua habitação. Perdoa e age; trata cada um de acordo com o que merece, visto que conheces o seu coração. Sim, só tu conheces o coração do homem.
40 Assim eles te temerão durante todo o tempo em que viverem na terra que deste aos nossos antepassados.
41 Quanto ao estrangeiro, que não pertence a Israel, o teu povo, e que veio de uma terra distante por causa do teu nome —
42 pois ouvirão acerca do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço forte — quando ele vier e orar voltado para este templo,
43 ouve dos céus, lugar da tua habitação, e atende o pedido do estrangeiro, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome e te temam, como faz Israel, o teu povo, e saibam que este templo que construí traz o teu nome.
44 Quando o teu povo for à guerra contra os seus inimigos, por onde quer que tu o enviares, e orar ao Senhor voltado para a cidade que escolheste e para o templo que construí em honra ao teu nome,
45 ouve dos céus a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
46 Quando pecarem contra ti, pois não há ninguém que não peque, e ficares irado com eles e os entregares ao inimigo, que os leve prisioneiros para a sua terra, distante ou próxima;
47 se eles caírem em si, na terra para a qual tiverem sido deportados, e se arrependerem e lá orarem: “Pecamos, praticamos o mal e fomos rebeldes”;
48 e se lá eles se voltarem para ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra dos inimigos que os tiverem levado como prisioneiros, e orarem voltados para a terra que deste aos seus antepassados, para a cidade que escolheste e para o templo que construí em honra ao teu nome,
49 então, desde os céus, o lugar da tua habitação, ouve a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
50 Perdoa o teu povo, que pecou contra ti; perdoa todas as transgressões que cometeram contra ti, e faze com que os seus conquistadores tenham misericórdia deles;
51 pois são o teu povo e a tua herança, que tiraste do Egito, da fornalha de fundição.
52 Que os teus olhos estejam abertos para a súplica do teu servo e para a súplica de Israel, o teu povo, e que os ouças sempre que clamarem a ti.
53 Pois tu os escolheste dentre todos os povos da terra para serem a tua herança, como declaraste por meio do teu servo Moisés, quando tu, ó Soberano Senhor, tiraste os nossos antepassados do Egito.
54 Quando Salomão terminou a oração e a súplica ao Senhor, levantou-se diante do altar do Senhor, onde tinha se ajoelhado e estendido as mãos para o céu.
55 Pôs-se em pé e abençoou em alta voz toda a assembléia de Israel, dizendo:
56 Bendito seja o Senhor, que deu descanso a Israel, o seu povo, como havia prometido. Não ficou sem cumprimento nem uma de todas as boas promessas que ele fez por meio do seu servo Moisés.
57 Que o Senhor, o nosso Deus, esteja conosco, assim como esteve com os nossos antepassados. Que ele jamais nos deixe nem nos abandone!
58 E faça com que de coração nos voltemos para ele, a fim de andarmos em todos os seus caminhos e obedecermos aos seus mandamentos, decretos e ordenanças, que deu aos nossos antepassados.
59 E que as palavras da minha súplica ao Senhor tenham acesso ao Senhor, o nosso Deus, dia e noite, para que ele defenda a causa do seu servo e a causa de Israel, o seu povo, de acordo com o que precisarem.
60 Assim, todos os povos da terra saberão que o Senhor é Deus e que não há nenhum outro.
61 Mas vocês, tenham coração íntegro para com o Senhor, o nosso Deus, para viverem por seus decretos e obedecerem aos seus mandamentos, como acontece hoje.
62 Então o rei Salomão e todo o Israel ofereceram sacrifícios ao Senhor;
63 ele ofereceu em sacrifício de comunhão[30]ao Senhor vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os israelitas fizeram a dedicação do templo do Senhor.
64 Naquele mesmo dia o rei consagrou a parte central do pátio, que ficava na frente do templo do Senhor, e ali ofereceu holocaustos[31], ofertas de cereal e a gordura das ofertas de comunhão, pois o altar de bronze diante do Senhor era pequeno demais para comportar os holocaustos, as ofertas de cereal e a gordura das ofertas de comunhão.
65 E foi assim que Salomão, com todo o Israel, celebrou a festa naquela data; era uma grande multidão, gente vinda desde Lebo-Hamate até o ribeiro do Egito. Celebraram-na diante do Senhor, o nosso Deus, durante sete dias[32].
66 No oitavo dia Salomão mandou o povo para casa. Eles abençoaram o rei e foram embora, jubilosos e de coração alegre por todas as coisas boas que o Senhor havia feito por seu servo Davi e por Israel, o seu povo.

1 Reis – Capítulo 11

1 O rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha do faraó. Eram mulheres moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas.
2 Elas eram das nações a respeito das quais o Senhor tinha dito aos israelitas: “Vocês não poderão tomar mulheres dentre essas nações, porque elas os farão desviar-se para seguir os seus deuses”. No entanto, Salomão apegou-se amorosamente a elas.
3 Casou com setecentas princesas e trezentas concubinas, e as suas mulheres o levaram a desviar-se.
4 À medida que Salomão foi envelhecendo, suas mulheres o induziram a voltar-se para outros deuses, e o seu coração já não era totalmente dedicado ao Senhor, o seu Deus, como fora o coração do seu pai Davi.
5 Ele seguiu Astarote, a deusa dos sidônios, e Moloque, o repugnante deus dos amonitas.
6 Dessa forma Salomão fez o que o Senhor reprova; não seguiu completamente o Senhor, como o seu pai Davi.
7 No monte que fica a leste de Jerusalém, Salomão construiu um altar para Camos, o repugnante deus de Moabe, e para Moloque, o repugnante deus dos amonitas.
8 Também fez altares para os deuses de todas as suas outras mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e ofereciam sacrifícios a eles.
9 O Senhor irou-se contra Salomão por ter se desviado do Senhor, o Deus de Israel, que lhe havia aparecido duas vezes.
10 Embora ele tivesse proibido Salomão de seguir outros deuses, Salomão não lhe obedeceu.
11 Então o Senhor lhe disse: Já que essa é a sua atitude e você não obedeceu à minha aliança e aos meus decretos, os quais lhe ordenei, certamente lhe tirarei o reino e o darei a um dos seus servos.
12 No entanto, por amor a Davi, seu pai, não farei isso enquanto você viver. Eu o tirarei da mão do seu filho.
13 Mas, não tirarei dele o reino inteiro, eu lhe darei uma tribo por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi.
14 Então o Senhor levantou contra Salomão um adversário, o edomita Hadade, da linhagem real de Edom.
15 Anteriormente, quando Davi estava lutando contra Edom, Joabe, o comandante do exército, que tinha ido para lá enterrar os mortos, exterminara todos os homens de Edom.
16 Joabe e todo o exército israelita permaneceram lá seis meses, até matarem todos os edomitas.
17 Mas Hadade, sendo ainda menino, fugiu para o Egito com alguns dos oficiais edomitas que tinham servido a seu pai.
18 Partiram de Midiã e foram a Parã. Lá reuniram alguns homens e foram ao Egito, até o faraó, rei do Egito, que deu uma casa e terras a Hadade e lhe forneceu alimento.
19 O faraó acolheu bem a Hadade, ao ponto de dar-lhe em casamento uma irmã de sua própria mulher, a rainha Tafnes.
20 A irmã de Tafnes deu-lhe um filho, chamado Genubate, que fora criado por Tafnes no palácio real. Ali Genubate viveu com os próprios filhos do faraó.
21 Enquanto estava no Egito, Hadade soube que Davi tinha descansado com seus antepassados e que Joabe, o comandante do exército, também estava morto. Então Hadade disse ao faraó: “Deixa-me voltar para a minha terra”.
22 “O que lhe falta aqui para que você queira voltar para a sua terra?”, perguntou o faraó. “Nada me falta”, respondeu Hadade, “mas deixa-me ir!”
23 E Deus fez um outro adversário levantar-se contra Salomão: Rezom, filho de Eliada, que tinha fugido do seu senhor, Hadadezer, rei de Zobá.
24 Quando Davi destruiu o exército de Zobá, Rezom reuniu alguns homens e tornou-se líder de um bando de rebeldes. Eles foram para Damasco, onde se instalaram e assumiram o controle.
25 Rezom foi adversário de Israel enquanto Salomão viveu, e trouxe-lhe muitos problemas, além dos causados por Hadade. Assim Rezom governou a Síria e foi hostil a Israel.
26 Também Jeroboão, filho de Nebate, rebelou-se contra o rei. Ele era um dos oficiais de Salomão, um efraimita de Zeredá, e a sua mãe era uma viúva chamada Zerua.
27 Foi assim que ele se revoltou contra o rei: Salomão tinha construído o Milo[50]e havia tapado a abertura no muro da Cidade de Davi, seu pai.
28 Ora, Jeroboão era homem capaz, e, quando Salomão viu como ele fazia bem o seu trabalho, encarregou-o de todos os que faziam trabalho forçado, pertencentes às tribos de José.
29 Naquela ocasião, Jeroboão saiu de Jerusalém, e Aías, o profeta de Siló, que estava usando uma capa nova, encontrou-se com ele no caminho. Os dois estavam sozinhos no campo,
30 e Aías segurou firmemente a capa que estava usando, rasgou-a em doze pedaços
31 e disse a Jeroboão: Apanhe dez pedaços para você, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: “Saiba que vou tirar o reino das mãos de Salomão e dar a você dez tribos.
32 Mas, por amor ao meu servo Davi e à cidade de Jerusalém, a qual escolhi dentre todas as tribos de Israel, ele terá uma tribo.
33 Farei isso porque eles me abandonaram[51]e adoraram Astarote, a deusa dos sidônios, Camos, deus dos moabitas, e Moloque, deus dos amonitas, e não andaram nos meus caminhos, nem fizeram o que eu aprovo, nem obedeceram aos meus decretos e às minhas ordenanças, como fez Davi, pai de Salomão.
34 “Mas não tirarei o reino todo das mãos de Salomão; eu o fiz governante todos os dias de sua vida por amor ao meu servo Davi, a quem escolhi e que obedeceu aos meus mandamentos e aos meus decretos.
35 Tirarei o reino das mãos do seu filho e darei dez tribos a você.
36 Darei uma tribo ao seu filho a fim de que o meu servo Davi sempre tenha diante de mim um descendente no trono[52]em Jerusalém, a cidade onde eu quis pôr o meu nome.
37 Quanto a você, eu o farei reinar sobre tudo o que o seu coração desejar; você será rei de Israel.
38 Se você fizer tudo o que eu lhe ordenar e andar nos meus caminhos e fizer o que eu aprovo, obedecendo aos meus decretos e aos meus mandamentos, como fez o meu servo Davi, estarei com você. Edificarei para você uma dinastia tão permanente quanto a que edifiquei para Davi, e darei Israel a você.
39 Humilharei os descendentes de Davi por causa disso, mas não para sempre”.
40 Salomão tentou matar Jeroboão, mas ele fugiu para o Egito, para o rei Sisaque, e lá permaneceu até a morte de Salomão.
41 Os demais acontecimentos do reinado de Salomão, tudo o que fez e a sabedoria que teve, estão todos escritos nos registros históricos de Salomão.
42 Salomão reinou quarenta anos em Jerusalém sobre todo o Israel.
43 Então descansou com os seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi, seu pai. E o seu filho Roboão foi o seu sucessor.

1 Reis – Capítulo 12

1 Roboão foi a Siquém, onde todos os israelitas tinham se reunido para proclamá-lo rei.
2 Assim que ­Jeroboão, filho de Nebate, que estava no Egito para onde tinha fugido do rei Salomão, soube disso, voltou de lá.
3 Depois disso mandaram chamá-lo. Então ele e toda a assembléia de Israel foram ao encontro de Roboão e disseram:
4 “Teu pai colocou sobre nós um jugo pesado, mas agora diminui o trabalho árduo e este jugo pesado, e nós te serviremos”.
5 Roboão respondeu: “Voltem a mim daqui a três dias”. Então o povo foi embora.
6 O rei Roboão perguntou às autoridades que haviam servido ao seu pai Salomão durante a vida dele: “Como vocês me aconselham a responder a este povo?”
7 Eles responderam: “Se hoje fores um servo deste povo e servi-lo, dando-lhe uma resposta favorável, eles sempre serão teus servos”.
8 Roboão, contudo, rejeitou o conselho que as autoridades de Israel lhe tinham dado e consultou os jovens que haviam crescido com ele e o estavam servindo.
9 Perguntou-lhes: “Que conselho vocês me dão? Como devemos responder a este povo que me diz: “Diminui o jugo que teu pai colocou sobre nós”?”
10 Os jovens que haviam crescido com ele responderam: A este povo que te disse: “Teu pai colocou sobre nós um jugo pesado; torna-o mais leve”, dize: Meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura do meu pai.
11 Pois bem, meu pai lhes impôs um jugo pesado; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos[53].
12 Três dias depois, Jeroboão e todo o povo voltaram a Roboão, segundo a orientação dada pelo rei: “Voltem a mim daqui a três dias”.
13 E o rei lhes respondeu asperamente. Rejeitando o conselho das autoridades de Israel,
14 seguiu o conselho dos jovens e disse: “Meu pai lhes tornou pesado o jugo; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos”.
15 E o rei não ouviu o povo, pois esta mudança nos acontecimentos vinha da parte do Senhor, para que se cumprisse a palavra que o Senhor havia falado a Jeroboão, filho de Nebate, por meio do silonita Aías.
16 Quando todo o Israel viu que o rei se recusava a ouvi-los, respondeu ao rei: “Que temos em comum com Davi? Que temos em comumcom o filho de Jessé? Para as suas tendas, ó Israel! Cuide da sua própria casa, ó Davi!” E assim os israelitas foram para as suas casas.
17 Quanto, porém, aos israelitas que moravam nas cidades de Judá, Roboão continuou como rei deles.
18 O rei Roboão enviou Adonirão[54], chefe do trabalho forçado, mas todo o Israel o apedrejou até a morte. O rei, contudo, conseguiu subir em sua carruagem e fugir para Jerusalém.
19 Dessa forma Israel se rebelou contra a dinastia de Davi, e assim permanece até hoje.
20 Quando todos os israelitas souberam que Jeroboão tinha voltado, mandaram chamá-lo para a reunião da comunidade e o fizeram rei sobre todo o Israel. Somente a tribo de Judá permaneceu leal à dinastia de Davi.
21 Quando Roboão, filho de Salomão, chegou em Jerusalém, convocou cento e oitenta mil homens de combate, das tribos de Judá e de Benjamim, para guerrearem contra Israel e recuperarem o reino.
22 Entretanto, veio esta palavra de Deus a Semaías, homem de Deus:
23 Diga a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, às tribos de Judá e Benjamim, e ao restante do povo:
24 Assim diz o Senhor: Não saiam à guerra contra os seus irmãos israelitas. Voltem para casa, todos vocês, pois fui eu que fiz isso. E eles obedeceram à palavra do Senhor e voltaram para as suas casas, conforme o Senhor tinha ordenado.
25 Jeroboão fortificou Siquém, nos montes de Efraim, onde passou a morar. Depois saiu e fortificou Peniel.
26 Jeroboão pensou: O reino agora provavelmente voltará para a dinastia de Davi.
27 Se este povo subir a Jerusalém para oferecer sacrifícios no templo do Senhor, novamente dedicarão sua lealdade ao senhor deles, Roboão, rei de Judá. Eles vão me matar e vão voltar para o rei Roboão.
28 Depois de aconselhar-se, o rei fez dois bezerros de ouro e disse ao povo: “Vocês já subiram muito a Jerusalém. Aqui estão os seus deuses, ó Israel, que tiraramavocês do Egito”.
29 Mandou pôr um bezerro em Betel, e o outro em Dã.
30 E isso veio a ser um pecado, pois o povo ia até Dã para adorar aquele bezerro.
31 Jeroboão construiu altares idólatras e designou sacerdotes dentre o povo, apesar de não serem levitas.
32 Instituiu uma festa no décimo quinto dia do oitavo mês, semelhante à festa realizada em Judá, e ofereceu sacrifícios no altar. Ele fez isso em Betel, onde sacrificou aos bezerros que havia feito. Também estabeleceu lá sacerdotes nos seus altares idólatras.
33 No décimo quinto dia do oitavo mês, data que ele mesmo escolheu, ofereceu sacrifícios no altar que havia construído em Betel. Assim ele instituiu a festa para os israelitas e foi ao altar para queimar incenso.

1 Reis – Capítulo 13

1 Por ordem do Senhor um homem de Deus foi de Judá a Betel, quando Jeroboão estava em pé junto ao altar para queimar incenso.
2 Ele clamou contra o altar, segundo a ordem do Senhor: “Ó altar, ó altar! Assim diz o Senhor: “Um filho nascerá na família de Davi e se chamará Josias. Sobre você ele sacrificará os sacerdotes dos altares idólatras que agora queimam incenso aqui, e ossos humanos serão queimados sobre você””.
3 Naquele mesmo dia o homem de Deus deu um sinal: “Este é o sinal que o Senhor declarou: O altar se fenderá, e as cinzas que estão sobre ele se derramarão”.
4 Quando o rei Jeroboão ouviu o que o homem de Deus proclamava contra o altar de Betel, apontou para ele e ordenou: “Prendam-no!” Mas o braço que ele tinha estendido ficou paralisado, e não voltava ao normal.
5 Além disso, o altar se fendeu, e as suas cinzas se derramaram, conforme o sinal dado pelo homem de Deus por ordem do Senhor.
6 Então o rei disse ao homem de Deus: “Interceda junto ao Senhor, o seu Deus, e ore por mim para que meu braço se recupere”. O homem de Deus intercedeu junto ao Senhor, e o braço do rei recuperou-se e voltou ao normal.
7 O rei disse ao homem de Deus: “Venha à minha casa e coma algo, e eu o recompensarei”.
8 Mas o homem de Deus respondeu ao rei: Mesmo que me desse a metade dos seus bens, eu não iria com você, nem comeria, nem beberia nada neste lugar.
9 Pois recebi estas ordens pela palavra do Senhor: “Não coma pão nem beba água nem volte pelo mesmo caminho por onde foi”.
10 Por isso, quando ele voltou, não foi pelo caminho por onde tinha vindo a Betel.
11 Ora, havia um certo profeta, já idoso, que morava em Betel. Seus filhos lhe contaram tudo o que o homem de Deus havia feito naquele dia e também o que ele dissera ao rei.
12 O pai lhes perguntou: “Por qual caminho ele foi?” E os seus filhos lhe mostraram por onde tinha ido o homem de Deus que viera de Judá.
13 Então disse aos filhos: “Selem o jumento para mim”. E, depois de selarem o jumento, ele montou
14 e cavalgou à procura do homem de Deus, até que o encontrou sentado embaixo da Grande Árvore. E lhe perguntou: “Você é o homem de Deus que veio de Judá?” “Sou”, respondeu.
15 Então o profeta lhe disse: “Venha à minha casa comer alguma coisa”.
16 O homem de Deus disse: Não posso ir com você, nem posso comer pão ou beber água neste lugar.
17 A palavra do Senhor deu-me esta ordem: “Não coma pão nem beba água lá, nem volte pelo mesmo caminho por onde você foi”.
18 O profeta idoso respondeu: “Eu também sou profeta como você. E um anjo me disse por ordem do Senhor: “Faça-o voltar com você para a sua casa para que coma pão e beba água””. Mas ele estava mentindo.
19 E o homem de Deus voltou com ele e foi comer e beber em sua casa.
20 Enquanto ainda estavam sentados à mesa, a palavra do Senhor veio ao profeta idoso que o havia feito voltar
21 e ele bradou ao homem de Deus que tinha vindo de Judá: Assim diz o Senhor: “Você desafiou a palavra do Senhor e não obedeceu à ordem que o Senhor, o seu Deus, lhe deu.
22 Você voltou e comeu pão e bebeu água no lugar onde ele lhe falou que não comesse nem bebesse. Por isso o seu corpo não será sepultado no túmulo dos seus antepassados”.
23 Quando o homem de Deus acabou de comer e beber, o profeta idoso selou seu jumento para ele.
24 No caminho, um leão o atacou e o matou, e o seu corpo ficou estendido no chão, ao lado do leão e do jumento.
25 Algumas pessoas que passaram viram o cadáver estendido ali, com o leão ao lado, e foram dar a notícia na cidade onde o profeta idoso vivia.
26 Quando este soube disso, exclamou: “É o homem de Deus que desafiou a palavra do Senhor! O Senhor o entregou ao leão, que o feriu e o matou, conforme a palavra do ­Senhoro tinha advertido”.
27 O profeta disse aos seus filhos: “Selem o jumento para mim”, e eles o fizeram.
28 Ele foi e encontrou o cadáver caído no caminho, com o jumento e o leão ao seu lado. O leão não tinha comido o corpo nem ferido o jumento.
29 O profeta apanhou o corpo do homem de Deus, colocou-o sobre o jumento, e o levou de volta para Betel[55], a fim de chorar por ele e sepultá-lo.
30 Ele o pôs no seu próprio túmulo, e se lamentaram por ele, cada um exclamando: “Ah, meu ir­mão!”
31 Depois de sepultá-lo, disse aos seus filhos: Quando eu morrer, enterrem-me no túmulo onde está sepultado o homem de Deus; ponham os meus ossos ao lado dos ossos dele.
32 Pois a mensagem que declarou por ordem do Senhor contra o altar de Betel e contra todos os altares idólatras das cidades de Samaria certamente se cumprirá.
33 Mesmo depois disso Jeroboão não mudou o seu mau procedimento, mas continuou a nomear dentre o povo sacerdotes para os altares idólatras. Ele consagrava para esses altares todo aquele que quisesse tornar-se sacerdote.
34 Esse foi o pecado da família de Jeroboão, que levou à sua queda e à sua eliminação da face da terra.

1 Reis – Capítulo 14

1 Naquela época, Abias, filho de Jeroboão, ficou doente,
2 e este disse à sua mulher: Use um disfarce para não ser reconhecida como a mulher de Jeroboão, e vá a Siló, onde vive o profeta Aías, aquele que me disse que eu seria rei sobre este povo.
3 Leve para ele dez pães, alguns bolos e uma garrafa de mel. Ele lhe dirá o que vai acontecer com o menino.
4 A mulher de Jeroboão atendeu o seu pedido e foi à casa de Aías, em Siló. Ora, Aías já não conseguia enxergar; tinha ficado cego por causa da idade.
5 Mas o Senhor lhe tinha dito: “A mulher de Jeroboão está vindo para lhe perguntar acerca do filho dela, pois ele está doente, e você deve responder-lhe assim e assim. Quando ela chegar, vai fingir que é outra pessoa”.
6 Quando Aías ouviu o som dos passos junto da porta, disse: Entre, mulher de Jeroboão. Por que esse fingimento? Fui encarregado de lhe dar más notícias.
7 Vá dizer a Jeroboão que é isto o que o Senhor, o Deus de Israel, diz: “Tirei-o dentre o povo e o tornei líder sobre Israel, o meu povo.
8 Tirei o reino da família de Davi e o dei a você, mas você não tem sido como o meu servo Davi, que obedecia aos meus mandamentos e me seguia de todo o coração, fazendo apenas o que eu aprovo.
9 Você tem feito mais mal do que todos os que viveram antes de você, pois fez para si outros deuses, ídolos de metal; você provocou a minha ira e voltou as costas para mim.
10 “Por isso, trarei desgraça à família de Jeroboão. Matarei de Jeroboão até o último indivíduo do sexo masculino[56]em Israel, seja escravo ou livre. Queimarei a família de Jeroboão até o fim como quem queima esterco.
11 Dos que pertencem a Jeroboão, os cães comerão os que morrerem na cidade, e as aves do céu se alimentarão dos que morrerem no campo. O Senhor falou!”
12 Quanto a você, volte para casa. Quando você puser os pés na cidade, o menino morrerá.
13 Todo o Israel chorará por ele e o sepultará. Ele é o único da família de Jeroboão que será sepultado, pois é o único da família de Jeroboão em quem o Senhor, o Deus de Israel, encontrou alguma coisa boa.
14 O Senhor levantará para si um rei sobre Israel que eliminará a família de Jeroboão. O dia virá! Quando? Agora mesmo.
15 E o Senhor ferirá Israel, de maneira que ficará como junco balançando na água. Ele desarraigará Israel desta boa terra que deu aos seus antepassados e os espalhará para além do Eufrates[57], pois provocaram a ira do Senhor com os postes sagrados que fizeram.
16 E ele abandonará Israel por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e tem feito Israel cometer.
17 Então a mulher de Jeroboão levantou-se e voltou para Tirza. Assim que entrou em casa, o menino morreu.
18 Eles o sepultaram, e todo o Israel chorou por ele, conforme o Senhor predissera por meio do seu servo, o profeta Aías.
19 Os demais acontecimentos do reinado de Jeroboão, suas guerras e como governou, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel.
20 Ele reinou durante vinte e dois anos, e então descansou com os seus antepassados. E o seu filho Nadabe foi o seu sucessor.
21 Roboão, filho de Salomão, foi rei de Judá. Tinha quarenta e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, cidade que o Senhor havia escolhido dentre todas as tribos de Israel para nela pôr o seu nome. Sua mãe, uma amonita, chamava-se Naamá.
22 Judá fez o que o Senhor reprova. Pelos pecados que cometeram, eles despertaram a sua ira zelosa mais do que os seus antepassados o tinham feito.
23 Também construíram para si altares idólatras, colunas sagradas e postes sagrados sobre todos os montes e debaixo de todas as árvores frondosas.
24 Havia no país até prostitutos cultuais; o povo se envolvia em todas as práticas detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas.
25 No quinto ano do reinado de Roboão, Sisaque, rei do Egito, atacou Jerusalém.
26 Levou embora todos os tesouros do templo do Senhor e do palácio real, inclusive os escudos de ouro que Salomão havia feito.
27 Por isso o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze para substituí-los, e os entregou aos chefes da guarda da entrada do palácio real.
28 Sempre que o rei ia ao templo do Senhor, os guardas empunhavam os escudos, e, em seguida, os devolviam à sala da guarda.
29 Os demais acontecimentos do reinado de Roboão, e tudo o que fez, estão escritos nos registros históricos dos reis de Judá.
30 Houve guerra constante entre Roboão e Jeroboão.
31 Roboão descansou com os seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. Sua mãe, uma amonita, chamava-se Naamá. E o seu filho Abias foi o seu sucessor.

1 Reis – Capítulo 21

1 Algum tempo depois houve um incidente envolvendo uma vinha que pertencia a Nabote, de Jezreel. A vinha ficava em Jezreel, ao lado do palácio de Acabe, rei de Samaria.
2 Acabe tinha dito a Nabote: “Dê-me a sua vinha para eu usar como horta, já que fica ao lado do meu palácio. Em troca eu lhe darei uma vinha melhor ou, se preferir, eu lhe pagarei, seja qual for o seu valor”.
3 Nabote, contudo, respondeu: “O Senhor me livre de dar a ti a herança dos meus pais!”
4 Então Acabe foi para casa aborrecido e indignado porque Nabote, de Jezreel, lhe dissera: “Não te darei a herança dos meus pais”. Deitou-se na cama, virou o rosto para a parede e recusou-se a comer.
5 Sua mulher Jezabel entrou e lhe perguntou: “Por que você está tão aborrecido? Por que não come?”
6 Ele respondeu-lhe: “Porque eu disse a Nabote, de Jezreel: Venda-me a sua vinha; ou, se preferir, eu lhe darei outra vinha em lugar dessa. Mas ele disse: “Não te darei minha vinha””.
7 Disse-lhe Jezabel, sua mulher: “É assim que você age como rei de Israel? Levante-se e coma! Anime-se. Conseguirei para você a vinha de Nabote, de Jezreel”.
8 Então ela escreveu cartas em nome de Acabe, pôs nelas o selo do rei, e as enviou às autoridades e aos nobres da cidade de Nabote.
9 Naquelas cartas ela escreveu: Decretem um dia de jejum e ponham Nabote sentado num lugar de destaque entre o povo.
10 E mandem dois homens vadios sentar-se em frente dele e façam com que testemunhem que ele amaldiçoou tanto a Deus quanto ao rei. Levem-no para fora e apedrejem-no até a morte.
11 As autoridades e os nobres da cidade de Nabote fizeram conforme Jezabel os orientara nas cartas que lhes tinha escrito.
12 Decretaram jejum e fizeram Nabote sentar-se num local destacado no meio do povo.
13 Então dois homens vadios vieram e se sentaram em frente dele e o acusaram diante do povo, dizendo: “Nabote amaldiçoou tanto a Deus quanto ao rei”. Por isso o levaram para fora da cidade e o apedrejaram até a morte.
14 Então mandaram informar a Jezabel: “Nabote foi apedrejado e está morto”.
15 Assim que Jezabel soube que Nabote tinha sido apedrejado até a morte, disse a Acabe: “Levante-se e tome posse da vinha que Nabote, de Jezreel, recusou-se a vender-lhe. Ele não está mais vivo; está morto!”
16 Quando Acabe ouviu que Nabote estava morto, levantou-se e foi tomar posse da vinha.
17 Então a palavra do Senhor veio ao tesbita Elias:
18 Vá encontrar-se com Acabe, o rei de Israel, que reina em Samaria. Agora ele está na vinha de Nabote para tomar posse dela.
19 Diga-lhe que assim diz o Senhor: “Você assassinou um homem e ainda se apossou de sua propriedade?” E acrescente: Assim diz o Senhor: “No local onde os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão também o seu sangue; isso mesmo, o seu sangue!”
20 Acabe disse a Elias: “Então você me encontrou, meu inimigo!” “Eu o encontrei”, ele respondeu, “porque você se vendeu para fazer o que o Senhor reprova.
21 E ele diz: “Vou trazer desgraça sobre você. Devorarei os seus descendentes e eliminarei da sua família todos os do sexo masculino[66]em Israel, sejam escravos ou livres.
22 Farei à sua família o que fiz à de Jeroboão, filho de Nebate, e à de Baasa, filho de Aías, pois você provocou a minha ira e fez Israel pecar”.
23 E acerca de Jezabel o Senhor diz: “Os cães devorarão Jezabel junto ao muro de[67]Jezreel”.
24 “Os cães comerão os que pertencem a Acabe e que morrerem na cidade, e as aves do céu se alimentarão dos que morrerem no campo”.
25 (Nunca existiu ninguém como Acabe que, pressionado por sua mulher Jezabel, vendeu-se para fazer o que o Senhor reprova.
26 Ele se comportou da maneira mais detestável possível, indo atrás de ídolos, como faziam os amorreus, que o Senhor tinha expulsado de diante de Israel. )
27 Quando Acabe ouviu essas palavras, rasgou as suas vestes, vestiu-se de pano de saco e jejuou. Passou a dormir sobre panos de saco e agia com mansidão.
28 Então a palavra do Senhor veio ao tesbita Elias:
29 “Você notou como Acabe se humilhou diante de mim? Visto que se humilhou, não trarei essa desgraça durante o seu reinado, mas durante o reinado de seu filho”.

2 Reis – Capítulo 5

1 Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era muito respeitado e honrado pelo seu senhor, pois por meio dele o Senhor dera vitória à Síria. Mas esse grande guerreiro ficou leproso.
2 Ora, tropas da Síria haviam atacado Israel e levado cativa uma menina, que passou a servir à mulher de Naamã.
3 Um dia ela disse à sua senhora: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra”.
4 Naamã foi contar ao seu senhor o que a menina israelita dissera.
5 O rei da Síria respondeu: “Vá. Eu lhe darei uma carta que você entregará ao rei de Israel”. Então Naamã partiu, levando consigo trezentos e cinqüenta quilos de prata, setenta e dois quilos de ouro e dez mudas de roupas finas.
6 A carta que levou ao rei de Israel dizia: “Junto com esta carta estou te enviando meu oficial Naamã, para que o cures da lepra”.
7 Assim que o rei de Israel leu a carta, rasgou as vestes e disse: “Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte? Por que este homem me envia alguém para que eu o cure da lepra? Vejam como ele procura um motivo para se desentender comigo!”
8 Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado suas vestes, mandou-lhe esta mensagem: “Por que rasgaste tuas vestes? Envia o homem a mim, e ele saberá que há profeta em Israel”.
9 Então Naamã foi com seus cavalos e carros e parou à porta da casa de Eliseu.
10 "Eliseu enviou um mensageiro para lhe dizer: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado”."
11 Mas Naamã ficou indignado e saiu dizendo: “Eu estava certo de que ele sairia para receber-me, invocaria em pé o nome do Senhor ,o seu Deus, moveria a mão sobre o lugar afetado e me curaria da lepra.
12 Não são os rios Abana e Farfar, em Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Será que não poderia lavar-me neles e ser purificado?” E foi embora dali furioso.
13 Mas os seus servos lhe disseram: “Meu pai, se o profeta lhe tivesse pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais quando ele apenas lhe diz que se lave, e será purificado!”
14 "Assim ele desceu ao Jordão, mergulhou sete vezes conforme a ordem do homem de Deus e foi purificado; sua pele tornou-se como a de uma criança."
15 Então Naamã e toda a sua comitiva voltaram à casa do homem de Deus. Ao chegar diante do profeta, Naamã lhe disse: “Ago­ra sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel. Por favor, aceita um presente do teu servo”.
16 O profeta respondeu: “Juro pelo nome do Senhor , a quem sirvo, que nada aceitarei”. Embora Naamã insistisse, ele recusou.
17 E disse Naamã: “Já que não aceitas o presente, ao menos permite que eu leve duas mulas carregadas de terra, pois teu servo nunca mais fará holocaustos e sacrifícios a nenhum outro deus senão ao Senhor .
18 Mas que o Senhor me perdoe por uma única coisa: quando meu senhor vai adorar no templo de Rimom, ­eu também tenho que me ajoelhar ali, pois ele se apóia em meu braço. Que o Senhor perdoe o teu servo por isso”.
19 Disse Eliseu: “Vá em paz”.Quando Naamã já estava a certa distância,
20 Geazi, servo de Eliseu, o homem de Deus, pensou: “Meu senhor foi bom demais para Naamã, aquele arameu, não aceitando o que ele lhe ofereceu. Juro pelo nome do Senhor que correrei atrás dele para ver se ganho alguma coisa”.
21 Então Geazi correu para alcançar Naamã, que, vendo-o se aproximar, desceu da carruagem para encontrá-lo e perguntou: “Está tudo bem?”
22 Geazi respondeu: “Sim, tudo bem. Mas o meu senhor enviou-me para dizer que dois jovens, discípulos dos profetas, acabaram de chegar, vindos dos montes de E­fraim. Por favor, dê-lhes trinta e cinco quilos de prata e duas mudas de roupas finas”.
23 “Claro”, respondeu Naamã, “leve setenta quilos”. Ele insistiu com Geazi para que os aceitasse e colocou os setenta quilos de prata em duas sacolas, com as duas mudas de roupas, entregando tudo a dois de seus servos, os quais foram à frente de Geazi, levando as sacolas.
24 Quan­do Geazi chegou à colina onde morava, pegou as sacolas das mãos dos servos e as guardou em casa. Mandou os homens de volta, e eles partiram.
25 Depois entrou e apresentou-se ao seu senhor Eliseu.E este perguntou: “Onde você esteve, Geazi?”Geazi respondeu: “Teu servo não foi a lugar algum”.
26 Mas Eliseu lhe disse: “Você acha que eu não estava com você em espírito quando o homem desceu da carruagem para encontrar-se com você? Este não era o momento de aceitar prata nem roupas, nem de cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas.
27 Por isso a lepra de Naamã atingirá você e os seus descendentes para sempre”. Então Geazi saiu da presença de Eliseu já leproso, parecendo neve.

2 Reis – Capítulo 8

1 Eliseu tinha prevenido a mãe do menino que ele havia ressuscitado: “Saia do país com sua família e vá morar onde puder, pois o Senhor determinou para esta terra uma fome, que durará sete anos”.
2 A mulher seguiu o conselho do homem de Deus, partiu com sua família e passou sete anos na terra dos filisteus.
3 Ao final dos sete anos ela voltou a Israel e fez um apelo ao rei para readquirir sua casa e sua propriedade.
4 O rei estava conversando com Geazi, servo do homem de Deus, e disse: “Conte-me todos os prodígios que Eliseu tem feito”.
5 Enquanto Geazi contava ao rei como Eliseu havia ressuscitado o menino, a própria mãe chegou para apresentar sua petição ao rei a fim de readquirir sua casa e sua propriedade.Geazi exclamou: “Esta é a mulher, ó rei, meu senhor, e este é o filho dela, a quem Eliseu ressuscitou”.
6 O rei pediu que ela contasse o ocorrido, e ela confirmou os fatos.Então ele designou um oficial para cuidar do caso dela e lhe ordenou: “Devolva tudo o que lhe pertencia, inclusive toda a renda das colheitas, desde que ela saiu do país até hoje”.
7 Certa ocasião, Eliseu foi a Damasco. Ben-Hadade, rei da Síria, estava doente. Quando disseram ao rei: “O homem de Deus está na cidade”,
8 "ele ordenou a Hazael: “Vá encontrar-se com o homem de Deus e leve-lhe um presente. Consulte o Senhor por meio dele; pergunte-lhe se vou me recuperar desta doença”."
9 Hazael foi encontrar-se com Eliseu, levando consigo de tudo o que havia de melhor em Damasco, um presente carregado por quarenta camelos. Ao chegar diante dele, Hazael disse: “Teu filho Ben-Hadade, rei da Síria, enviou-me para perguntar se ele vai recuperar-se da sua doença”.
10 Eliseu respondeu: “Vá e diga-lhe: ‘Com certeza te recuperarás’, no entanto o Senhor me revelou que de fato ele vai morrer”.
11 Eliseu ficou olhando fixamente para Hazael até deixá-lo constrangido. Então o homem de Deus começou a chorar.
12 E perguntou Hazael: “Por que meu senhor está chorando?”Ele respondeu: “Porque sei das coisas terríveis que você fará aos israelitas. Você incendiará suas fortalezas, matará seus jovens à espada, esmagará as crianças e rasgará o ventre das suas mulheres grávidas”.
13 Hazael disse: “Como poderia teu servo, que não passa de um cão, realizar algo assim?”Respondeu Eliseu: “O Senhor me mostrou que você se tornará rei da Síria”.
14 Então Hazael saiu dali e voltou para seu senhor. Quando Ben-Hadade perguntou: “O que Eliseu lhe disse?”, Hazael respondeu: “Ele me falou que certamente te recuperarás”.
15 Mas, no dia seguinte, ele apanhou um cobertor, encharcou-o e com ele sufocou o rei, até matá-lo. E assim Hazael foi o seu sucessor.
16 No quinto ano de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, sendo ainda Josafá rei de Judá, Jeorão, seu filho, começou a reinar em Judá.
17 Ele tinha trinta e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém.
18 Andou nos caminhos dos reis de Israel, como a família de Acabe havia feito, pois se casou com uma filha de Acabe. E fez o que o Senhor reprova.
19 Entretanto, por amor ao seu servo Davi, o Senhor não quis destruir Judá. Ele havia prometido manter para sempre um descendente de Davi no trono.
20 Nos dias de Jeorão, os edomitas rebelaram-se contra o domínio de Judá, proclamando seu próprio rei.
21 Por isso Jeorão foi a Zair com todos os seus carros de guerra. Lá os edomitas cercaram Jeorão e os chefes dos seus carros de guerra, mas ele os atacou de noite e rompeu o cerco inimigo, e seu exército conseguiu fugir para casa.
22 E até hoje Edom continua independente de Judá. Nessa mesma época, a cidade de Libna também tornou-se independente.
23 Os demais acontecimentos do reinado de Jeorão e todas as suas realizações estão escritos nos registros históricos dos reis de Judá.
24 Jeorão descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. E seu filho Acazias foi o seu sucessor.
25 No décimo segundo ano do reinado de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá, começou a reinar.
26 Ele tinha vinte e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou um ano em Jerusalém. O nome de sua mãe era Atalia, neta de Onri, rei de Israel.
27 Ele andou nos caminhos da família de Acabe e fez o que o Senhor reprova, como a família de Acabe havia feito, pois casou-se com uma mulher da família de Acabe.
28 Acazias aliou-se a Jorão, filho de Acabe, e saiu à guerra contra Hazael, rei da Síria, em Ramote-Gileade. Jorão foi ferido
29 e voltou a Jezreel para recuperar-se dos ferimentos sofridos em Ramote, na batalha contra Hazael, rei da Síria.Acazias, rei de Judá, foi a Jezreel visitar Jorão, que se recuperava de seus ferimentos.

2 Reis – Capítulo 9

1 Enquanto isso o profeta Eliseu chamou um dos discípulos dos profetas e lhe disse: “Ponha a capa por dentro do cinto, pegue este frasco de óleo e vá a Ramote-Gileade.
2 Quando lá chegar, procure Jeú, filho de Josafá e neto de Ninsi. Dirija-se a ele e leve-o para uma sala, longe dos seus companheiros.
3 Depois pegue o frasco, derrame o óleo sobre a cabeça dele e declare: ‘Assim diz o Senhor : Eu o estou ungindo rei sobre Israel’. Em seguida abra a porta e fuja sem demora!”
4 Então o jovem profeta foi a Ramote-Gileade.
5 Ao chegar, encontrou os comandantes do exército reunidos e disse: “Trago uma mensagem para ti, comandante”.“Para qual de nós?”, perguntou Jeú.Ele respondeu: “Para ti, comandante”.
6 Jeú levantou-se e entrou na casa. Então o jovem profeta derramou o óleo na cabeça de Jeú e declarou-lhe: “Assim diz o Senhor , o Deus de Israel: ‘Eu o estou ungindo rei de Israel, o povo do Senhor .
7 Você dará fim à família de Acabe, seu senhor, e assim eu vingarei o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do Senhor ,derramado por Jezabel.
8 Toda a família de Acabe perecerá. Eliminarei todos os de sexo masculino de sua família em Israel, seja escravo seja livre.
9 Tratarei a família de Acabe como tratei a de Jeroboão, filho de Nebate, e a de Baasa, filho de Aías.
10 E Jezabel será devorada por cães num terreno em Jezreel, e ninguém a sepultará’ ”. Então ele abriu a porta e saiu correndo.
11 Quando Jeú voltou para junto dos outros oficiais do rei, um deles lhe perguntou: “Está tudo bem? O que esse louco queria com você?”Jeú respondeu: “Vocês conhecem essa gente e sabem as coisas que eles dizem”.
12 Mas insistiram: “Não nos engane! Conte-nos o que ele disse”.Então Jeú contou: “Ele me disse o seguinte: ‘Assim diz o Senhor : Eu o estou ungindo rei sobre Israel’ ”.
13 Imediatamente eles pegaram os seus mantos e os estenderam sobre os degraus diante dele. Em seguida tocaram a trombeta e gritaram: “Jeú é rei!”
14 Então Jeú, filho de Josafá e neto de Ninsi, começou uma conspiração contra o rei Jorão, na época em que este defendeu, com todo o Israel, Ramote-Gileade contra Hazael, rei da Síria.
15 O rei Jorão tinha voltado a Jezreel para recuperar-se dos ferimentos sofridos na batalha contra Hazael, rei da Síria. Jeú propôs: “Se vocês me apóiam, não deixem ninguém sair escondido da cidade para nos denunciar em Jezreel”.
16 "Então ele subiu em seu carro e foi para Jezreel, porque Jorão estava lá se recuperando; e Acazias, rei de Judá, tinha ido visitá-lo."
17 Quando a sentinela que estava na torre de vigia de Jezreel percebeu a tropa de Jeú se aproximando, gritou: “Estou vendo uma tropa!”Jorão ordenou: “Envie um cavaleiro ao encontro deles para perguntar se eles vêm em paz”.
18 O cavaleiro foi ao encontro de Jeú e disse: “O rei pergunta: ‘Vocês vêm em paz?’ ”Jeú respondeu: “Não me venha falar em paz. Saia da minha frente”.A sentinela relatou: “O mensageiro chegou a eles, mas não está voltando”.
19 Então o rei enviou um segundo cavaleiro. Quando chegou a eles disse: “O rei pergunta: ‘Vocês vêm em paz?’ ”Jeú respondeu: “Não me venha falar em paz. Saia da minha frente”.
20 "A sentinela relatou: “Ele chegou a eles, mas também não está voltando”. E acrescentou: “O jeito do chefe da tropa guiar o carro é como o de Jeú, neto de Ninsi; dirige como louco”."
21 Jorão ordenou que preparassem seu carro de guerra. Assim que ficou pronto, Jorão, rei de Israel, e Acazias, rei de Judá, saíram, cada um em seu carro, ao encontro de Jeú. Eles o encontraram na propriedade que havia pertencido a Nabote, de Jezreel.
22 Quando Jorão viu Jeú, perguntou: “Você vem em paz, Jeú?”Jeú respondeu: “Como pode haver paz, enquanto continuam toda a idolatria e as feitiçarias de sua mãe Jezabel?”
23 Jorão deu meia-volta e fugiu, gritando para Acazias: “Traição, Acazias!”
24 Então Jeú disparou seu arco com toda a força e atingiu Jorão nas costas. A flecha atravessou-lhe o coração e ele caiu morto.
25 Jeú disse a Bidcar, seu oficial: “Pegue o cadáver e jogue-o nesta propriedade que pertencia a Nabote, de Jezreel. Lembre-se da advertência que o Senhor proferiu contra Acabe, pai dele, quando juntos acompanhávamos sua comitiva. Ele disse:
26 ‘On­tem, vi o sangue de Nabote e o sangue dos seus filhos, declara o Senhor , e com certeza farei você pagar por isso nesta mesma propriedade, declara o Senhor ’. Agora, então, pegue o cadáver e jogue-o nesta propriedade, conforme a palavra do Senhor ”.
27 Vendo isso, Acazias, rei de Judá, fugiu na direção de Bete-Hagã. Mas Jeú o perseguiu, gritando: “Matem-no também!” Eles o atingiram em seu carro de guerra na subida para Gur, perto de Ibleã, mas ele conseguiu refugiar-se em Megido, onde morreu.
28 Seus oficiais o levaram a Jerusalém e o sepultaram com seus antepassados em seu túmulo, na Cidade de Davi.
29 Acazias havia se tornado rei de Judá no décimo primeiro ano de Jorão, filho de Acabe.
30 Em seguida Jeú entrou em Jezreel. Ao saber disso, Jezabel pintou os olhos, arrumou o cabelo e ficou olhando de uma janela do palácio.
31 Quando Jeú passou pelo portão, ela gritou: “Como vai, Zinri, assassino do seu senhor?”
32 Ele ergueu os olhos para a janela e gritou: “Quem de vocês está do meu lado?” Dois ou três oficiais olharam para ele.
33 Então Jeú ordenou: “Joguem essa mulher para baixo!” Eles a jogaram e o sangue dela espirrou na parede e nos cavalos, e Jeú a atropelou.
34 "Jeú entrou, comeu, bebeu e ordenou: “Peguem aquela maldita e sepultem-na; afinal era filha de rei”."
35 Mas, quando foram sepultá-la, só encontraram o crânio, os pés e as mãos.
36 Então voltaram e contaram isso a Jeú, que disse: “Cumpriu-se a palavra do Senhor anunciada por meio do seu servo Elias, o tesbita: Num terreno em Jezreel cães devorarão a carne de Jezabel,
37 os seus restos mortais serão espalhados num terreno em Jezreel, como esterco no campo, de modo que ninguém será capaz de dizer: ‘Esta é Jezabel’ ”.

2 Reis – Capítulo 10

1 Ora, viviam em Samaria setenta descendentes de Acabe. Jeú escreveu uma carta e a enviou a Samaria, aos líderes da cidade, às autoridades e aos tutores dos descendentes de Acabe. A carta dizia:
2 “Assim que receberem esta carta, vocês, que cuidam dos filhos do rei e que têm carros de guerra e cavalos, uma cidade fortificada e armas,
3 escolham o melhor e o mais capaz dos filhos do rei e coloquem-no no trono de seu pai. E lutem pela dinastia de seu senhor”.
4 Eles, porém, estavam aterrorizados e disseram: “Se dois reis não puderam enfrentá-lo, como poderemos nós?”
5 Por isso o administrador do palácio, o governador da cidade, as autoridades e os tutores enviaram esta mensagem a Jeú: “Somos teus servos e faremos tudo o que exigires de nós. Não proclamaremos nenhum rei. Faze o que achares melhor”.
6 Então Jeú escreveu-lhes uma segunda carta que dizia: “Se vocês estão do meu lado e estão dispostos a obedecer-me, tragam-me as cabeças dos descendentes de seu senhor a Jezreel, amanhã a esta hora”.Os setenta descendentes de Acabe estavam sendo criados pelas autoridades da cidade.
7 Logo que receberam a carta, decapitaram todos os setenta, colocaram as cabeças em cestos e as enviaram a Jeú, em Jezreel.
8 Ao ser informado de que tinham trazido ­as cabeças, Jeú ordenou: “Façam com elas dois montes junto à porta da cidade, para que fiquem expostas lá até amanhã”.
9 Na manhã seguinte Jeú saiu e declarou a todo o povo: “Vocês são inocentes! Fui eu que conspirei contra meu senhor e o matei, mas quem matou todos estes?
10 Saibam, então, que não deixará de se cumprir uma só palavra que o Senhor falou contra a família de Acabe. O Senhor fez o que prometeu por meio de seu servo Elias”.
11 Então Jeú matou todos os que restavam da família de Acabe em Jezreel, bem como todos os seus aliados influentes, os seus amigos pessoais e os seus sacerdotes, não lhe deixando sobrevivente algum.
12 Depois Jeú partiu para Samaria. Em Bete-Equede dos Pastores
13 encontrou alguns parentes de Acazias, rei de Judá, e perguntou: “Quem são vocês?”Eles responderam: “Somos parentes de Acazias e estamos indo visitar as famílias do rei e da rainha-mãe”.
14 Então Jeú ordenou aos seus soldados: “Peguem-nos vivos!” Então os pegaram e os mataram junto ao poço de Bete-Equede. Eram quarenta e dois homens, e nenhum deles foi deixado vivo.
15 Saindo dali, Jeú encontrou Jonadabe, filho de Recabe, que tinha ido falar com ele. Depois de saudá-lo Jeú perguntou: “Você está de acordo com o que estou fazendo?”Jonadabe respondeu: “Estou”.E disse Jeú: “Então, dê-me a mão”. Jonadabe estendeu-lhe a mão, e Jeú o ajudou a subir no carro,
16 e lhe disse: “Venha comigo e veja o meu zelo pelo Senhor ”. E o levou em seu carro.
17 "Quando Jeú chegou a Samaria, matou todos os que restavam da família de Acabe na cidade; ele os exterminou, conforme a palavra que o Senhor tinha dito a Elias."
18 "Jeú reuniu todo o povo e declarou: “Acabe não cultuou o deus Baal o bastante; eu, Jeú, o cultuarei muito mais."
19 Por isso convoquem todos os profetas de Baal, todos os seus ministros e todos os seus sacerdotes. Ninguém deverá faltar, pois oferecerei um grande sacrifício a Baal. Quem não vier, morrerá”. Mas Jeú estava agindo traiçoeiramente, a fim de exterminar os ministros de Baal.
20 Então Jeú ordenou: “Convoquem uma assembléia em honra a Baal”. Foi feita a proclamação
21 "e ele enviou mensageiros por todo o Israel. Todos os ministros de Baal vieram; nem um deles faltou. Eles se reuniram no templo de Baal, que ficou completamente lotado."
22 E Jeú disse ao encarregado das vestes cultuais: “Traga os mantos para todos os ministros de Baal”. E ele os trouxe.
23 Depois Jeú entrou no templo com Jonadabe, filho de Recabe, e disse aos ministros de Baal: “Olhem em volta e certifiquem-se de que nenhum servo do Senhor está aqui com vocês, mas somente ministros de Baal”.
24 E eles se aproximaram para oferecer sacrifícios e holocaustos. Jeú havia posto oitenta homens do lado de fora, fazendo-lhes esta advertência: “Se um de vocês deixar escapar um só dos homens que estou entregando a vocês, será a sua vida pela dele”.
25 Logo que Jeú terminou de oferecer o holocausto, ordenou aos guardas e oficiais: “Entrem e matem todos! Não deixem ninguém escapar!” E eles os mataram ao fio da espada, jogaram os corpos para fora e depois entraram no santuário interno do templo de Baal.
26 Levaram a coluna sagrada para fora do templo de Baal e a queimaram.
27 Assim destruíram a coluna sagrada de Baal e demoliram o seu templo, e até hoje o local tem sido usado como latrina.
28 Assim Jeú eliminou a adoração a Baal em Israel.
29 No entanto, não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, pois levou Israel a cometer o pecado de adorar os bezerros de ouro em Betel e em Dã.
30 E o Senhor disse a Jeú: “Como você executou corretamente o que eu aprovo, fazendo com a família de Acabe tudo o que eu queria, seus descendentes ocuparão o trono de Israel até a quarta geração”.
31 Entretanto, Jeú não se preocupou em obedecer de todo o coração à lei do Senhor , Deus de Israel, nem se afastou dos pecados que Jeroboão levara Israel a cometer.
32 Naqueles dias, o Senhor começou a reduzir o tamanho de Israel. O rei Hazael conquistou todo o território israelita
33 a leste do Jordão, incluindo toda a terra de Gileade. Conquistou desde Aroer, junto à garganta do Arnom, até Basã, passando por Gileade, terras das tribos de Gade, de Rúben e de Manassés.
34 Os demais acontecimentos do reinado de Jeú, todos os seus atos e todas as suas realizações, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel.
35 Jeú descansou com os seus antepassados e foi sepultado em Samaria. Seu filho Jeoacaz foi seu sucessor.
36 Reinou Jeú vinte e oito anos sobre Israel em Samaria.

2 Reis – Capítulo 13

1 No vigésimo terceiro ano do reinado de Joás, filho de Acazias, rei de Judá, Jeoacaz, filho de Jeú, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou dezessete anos.
2 "Ele fez o que o Senhor reprova, seguindo os pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer; e não se afastou deles."
3 Por isso a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e por longo tempo ele os manteve sob o poder de Hazael, rei da Síria, e de seu filho Ben-Hadade.
4 Então Jeoacaz buscou o favor do Senhor , e este o atendeu, pois viu quanto o rei da Síria oprimia Israel.
5 O Senhor providenciou um libertador para Israel, que escapou do poder da Síria. Assim os israelitas moraram em suas casas como anteriormente.
6 Mas continuaram a praticar os pecados que a dinastia de Jeroboão havia levado Israel a cometer, permanecendo neles. Inclusive o poste sagrado permanecia em pé em Samaria.
7 De todo o exército de Jeoacaz só restaram cinqüenta cavaleiros, dez carros de guerra e dez mil soldados de infantaria, pois o rei da Síria havia destruído a maior parte, reduzindo-a a pó.
8 Os demais acontecimentos do reinado de Jeoacaz, os seus atos e tudo o que realizou, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel.
9 Jeoacaz descansou com os seus antepassados e foi sepultado em Samaria. Seu filho Jeoás foi o seu sucessor.
10 No trigésimo sétimo ano do reinado de Joás, rei de Judá, Jeoás, filho de Jeoacaz, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou dezesseis anos.
11 "Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer; antes permaneceu neles."
12 Os demais acontecimentos do reinado de Jeoás, os seus atos e as suas realizações, inclusive sua guerra contra Amazias, rei de Judá, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Israel.
13 Jeoás descansou com os seus antepassados e Jeroboão o sucedeu no trono. Jeoás foi sepultado com os reis de Israel em Samaria.
14 Ora, Eliseu estava sofrendo da doença da qual morreria. Então Jeoás, rei de Israel, foi visitá-lo e, curvado sobre ele, chorou gritando: “Meu pai! Meu pai! Tu és como os carros e os cavaleiros de Israel!”
15 E Eliseu lhe disse: “Traga um arco e algumas flechas”, e ele assim fez.
16 “Pegue o arco em suas mãos”, disse ao rei de Israel. Quando pegou, Eliseu pôs suas mãos sobre as mãos do rei
17 e lhe disse: “Abra a janela que dá para o leste e atire”. O rei o fez, e Eliseu declarou: “Esta é a flecha da vitória do Senhor , a flecha da vitória sobre a Síria! Você destruirá totalmente os arameus, em Afeque”.
18 Em seguida Eliseu mandou o rei pegar as flechas e golpear o chão. Ele golpeou o chão três vezes e parou.
19 "O homem de Deus ficou irado com ele e disse: “Você deveria ter golpeado o chão cinco ou seis vezes; assim iria derrotar a Síria e a destruiria completamente. Mas agora você a vencerá somente três vezes”."
20 Então Eliseu morreu e foi sepultado.Ora, tropas moabitas costumavam entrar no país a cada primavera.
21 "Certa vez, enquanto alguns israelitas sepultavam um homem, viram de repente uma dessas tropas; então jogaram o corpo do homem no túmulo de Eliseu e fugiram. Assim que o cadáver encostou nos ossos de Eliseu, o homem voltou à vida e se levantou."
22 Hazael, rei da Síria, oprimiu os israelitas durante todo o reinado de Jeoacaz.
23 Mas o Senhor foi bondoso para com eles, teve compaixão e mostrou preocupação por eles, por causa da sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó. Até hoje ele não se dispôs a destruí-los ou a eliminá-los de sua presença.
24 E Hazael, rei da Síria, morreu, e seu filho Ben-Hadade foi o seu sucessor.
25 Então Jeoás, filho de Jeoacaz, conquistou de Ben-Hadade, filho de Hazael, as cidades que em combate Hazael havia tomado de seu pai Jeoacaz. Três vezes Jeoás o venceu e, assim, reconquistou aquelas cidades israelitas.

2 Reis – Capítulo 17

1 No décimo segundo ano do reinado de Acaz, rei de Judá, Oséias, filho de Elá, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou nove anos.
2 Ele fez o que o Senhor reprova, mas não como os reis de Israel que o precederam.
3 Salmaneser, rei da Assíria, foi atacar Oséias, que fora seu vassalo e lhe pagara tributo.
4 Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias era um traidor, pois havia mandado emissários a Sô, rei do Egito, e já não pagava mais o tributo, como costumava fazer anualmente. Por isso, Salmaneser mandou lançá-lo na prisão.
5 O rei da Assíria invadiu todo o país, marchou contra Samaria e a sitiou por três anos.
6 No nono ano do reinado de Oséias, o rei assírio conquistou Samaria e deportou os israelitas para a Assíria. Ele os colocou em Hala, em Gozã do rio Habor e nas cidades dos medos.
7 Tudo isso aconteceu porque os israelitas haviam pecado contra o Senhor ,o seu Deus, que os tirara do Egito, de sob o poder do faraó, rei do Egito. Eles prestaram culto a outros deuses
8 e seguiram os costumes das nações que o Senhor havia expulsado de diante deles, bem como os costumes que os reis de Israel haviam introduzido.
9 Os israelitas praticaram o mal secretamente contra o Senhor ,o seu Deus. Em todas as suas cidades, desde as torres das sentinelas até as cidades fortificadas, eles construíram altares idólatras.
10 Ergueram colunas sagradas e postes sagrados em todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa.
11 Em todos os altares idólatras queimavam incenso, como faziam as nações que o Senhor havia expulsado de diante deles. Fizeram males que provocaram o Senhor à ira.
12 Prestaram culto a ídolos, embora o Senhor houvesse dito: “Não façam isso”.
13 O Senhor advertiu Israel e Judá por meio de todos os seus profetas e videntes: “Desviem-se de seus maus caminhos. Obedeçam às minhas ordenanças e aos meus decretos, de acordo com toda a Lei que ordenei aos seus antepassados que obedecessem e que lhes entreguei por meio de meus servos, os profetas”.
14 Mas eles não quiseram ouvir e foram obstinados como seus antepassados, que não confiaram no Senhor ,o seu Deus.
15 Rejeitaram os seus decretos, a aliança que ele tinha feito com os seus antepassados e as suas advertências. Seguiram ídolos inúteis, tornando-se eles mesmos inúteis. Imitaram as nações ao seu redor, embora o Senhor lhes tivesse ordenado: “Não as imitem”.
16 Abandonaram todos os mandamentos do Senhor ,o seu Deus, e fizeram para si dois ídolos de metal na forma de bezerros e um poste sagrado de Aserá. Inclinaram-se diante de todos os exércitos celestiais e prestaram culto a Baal.
17 Queimaram seus filhos e filhas em sacrifício. Praticaram adivinhação e feitiçaria e venderam-se para fazer o que o Senhor reprova, provocando-o à ira.
18 Então o Senhor indignou-se muito contra Israel e os expulsou da sua presença. Só a tribo de Judá escapou,
19 mas nem ela obedeceu aos mandamentos do Senhor ,o seu Deus. Seguiram os costumes que Israel havia introduzido.
20 "Por isso o Senhor rejeitou todo o povo de Israel; ele o afligiu e o entregou nas mãos de saqueadores, até expulsá-lo da sua presença."
21 Quando o Senhor separou Israel da dinastia de Davi, os israelitas escolheram como rei Jeroboão, filho de Nebate, que induziu Israel a deixar de seguir o Senhor e o levou a cometer grande pecado.
22 Os israelitas permaneceram em todos os pecados de Jeroboão e não se desviaram deles,
23 até que o Senhor os afastou de sua presença, conforme os havia advertido por meio de todos os seus servos, os profetas. Assim, o povo de Israel foi tirado de sua terra e levado para o exílio na Assíria, onde ainda hoje permanecem.
24 O rei da Assíria trouxe gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim e os estabeleceu nas cidades de Samaria para substituir os israelitas. Eles ocuparam Samaria e habitaram em suas cidades.
25 "Quando começaram a viver ali, não adoravam o Senhor ; por isso ele enviou leões para o meio deles, que mataram alguns dentre o povo."
26 Então informaram o rei da Assíria: “Os povos que deportaste e fizeste morar nas cidades de Samaria não sabem o que o Deus daquela terra exige. Ele enviou leões para matá-los, pois desconhecem as suas exigências”.
27 Então o rei da Assíria deu esta ordem: “Façam um dos sacerdotes de Samaria que vocês levaram prisioneiros retornar e viver ali para ensinar as exigências do deus da terra”.
28 Então um dos sacerdotes exilados de Samaria veio morar em Betel e lhes ensinou a adorar o Senhor .
29 No entanto, cada grupo fez seus próprios deuses nas diversas cidades em que moravam e os puseram nos altares idólatras que o povo de Samaria havia feito.
30 "Os da Babilônia fizeram Sucote-Benote, os de Cuta fizeram Nergal e os de Hamate fizeram Asima;"
31 "os aveus fizeram Nibaz e Tartaque; os sefarvitas queimavam seus filhos em sacrifício a Adrameleque e Anameleque, deuses de Sefarvaim."
32 Eles adoravam o Senhor , mas também nomeavam qualquer pessoa para lhes servir como sacerdote nos altares idólatras.
33 Adoravam o Senhor , mas também prestavam culto aos seus próprios deuses, conforme os costumes das nações de onde haviam sido trazidos.
34 Até hoje eles continuam em suas antigas práticas. Não adoram o Senhor nem se comprometem com os decretos, com as ordenanças, com as leis e com os mandamentos que o Senhor deu aos descendentes de Jacó, a quem deu o nome de Israel.
35 Quando o Senhor fez uma aliança com os israelitas, ele lhes ordenou: “Não adorem outros deuses, não se inclinem diante deles, não lhes prestem culto nem lhes ofereçam sacrifício.
36 Mas o Senhor, que os tirou do Egito com grande poder e com braço forte, é quem vocês adorarão. Diante dele vocês se inclinarão e lhe oferecerão sacrifícios.
37 Vocês sempre tomarão o cuidado de obedecer aos decretos, às ordenanças, às leis e aos mandamentos que lhes prescreveu. Não adorem outros deuses.
38 Não esqueçam a aliança que fiz com vocês e não adorem outros deuses.
39 "Antes, adorem o Senhor ,o seu Deus; ele os livrará das mãos de todos os seus inimigos."
40 Contudo, eles não lhe deram atenção, mas continuaram em suas antigas práticas.
41 Mesmo quando esses povos adoravam o Senhor , também prestavam culto aos seus ídolos. Até hoje seus filhos e seus netos continuam a fazer o que os seus antepassados faziam.

2 Reis – Capítulo 18

1 No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.
2 Ele tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias.
3 Ele fez o que o Senhor aprova, tal como tinha feito Davi, seu predecessor.
4 Removeu os altares idólatras, quebrou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois até aquela época os israelitas lhe queimavam incenso. Era chamada Neustã.
5 Ezequias confiava no Senhor , o Deus de Israel. Nunca houve ninguém como ele entre todos os reis de Judá, nem antes nem depois dele.
6 "Ele se apegou ao Senhor e não deixou de segui-lo; obedeceu aos mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés."
7 "E o Senhor estava com ele; era bem-sucedido em tudo o que fazia. Rebelou-se contra o rei da Assíria e deixou de submeter-se a ele."
8 Desde as torres das sentinelas até a cidade fortificada, ele derrotou os filisteus, até Gaza e o seu território.
9 No quarto ano do reinado do rei Ezequias, o sétimo ano do reinado de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Salmaneser, rei da Assíria, marchou contra Samaria e a cercou.
10 Ao fim de três anos, os assírios a tomaram. Assim a cidade foi conquistada no sexto ano do reinado de Ezequias, o nono ano do reinado de Oséias, rei de Israel.
11 O rei assírio deportou os israelitas para a Assíria e os estabeleceu em Hala, em Gozã do rio Habor e nas cidades dos medos.
12 Isso aconteceu porque os israelitas não obedeceram ao Senhor ,o seu Deus, mas violaram a sua aliança: tudo o que Moisés, o servo do Senhor , tinha ordenado. Não o ouviram nem lhe obedeceram.
13 No décimo quarto ano do reinado do rei Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e as conquistou.
14 Então Ezequias, rei de Judá, enviou esta mensagem ao rei da Assíria, em Laquis: “Cometi um erro. Pára de atacar-me, e eu pagarei tudo o que exigires”. O rei da Assíria cobrou de Ezequias, rei de Judá, dez toneladas e meia de prata e um mil e cinqüenta quilos de ouro.
15 Assim, Ezequias lhes deu toda a prata que se encontrou no templo e na tesouraria do palácio real.
16 Nessa ocasião Ezequias, rei de Judá, retirou o ouro com que havia coberto as portas e os batentes do templo do Senhor , e o deu ao rei da Assíria.
17 De Laquis o rei da Assíria enviou ao rei Ezequias, em Jerusalém, seu general, seu oficial principal e seu comandante de campo com um grande exército. Eles subiram a Jerusalém e pararam no aqueduto do açude superior, na estrada que leva ao campo do Lavandeiro.
18 "Eles chamaram pelo rei; e o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista real Joá, filho de Asafe, foram ao seu encontro."
19 O comandante de campo lhes disse: “Digam isto a Ezequias:“Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: ‘Em que você baseia sua confiança?
20 Você pensa que meras palavras já são estratégia e poderio militar. Em quem você está confiando para se rebelar contra mim?
21 Você está confiando no Egito, aquele caniço quebrado que espeta e perfura a mão do homem que nele se apóia! Assim o faraó, rei do Egito, retribui a quem confia nele.
22 "Mas, se vocês me disserem: “Estamos confiando no Senhor ,o nosso Deus”; não é ele aquele cujos santuários e altares Ezequias removeu, dizendo a Judá e Jerusalém: “Vocês devem adorar diante deste altar em Jerusalém”?’"
23 “Aceite, pois, agora, o desafio do meu senhor, o rei da Assíria: ‘Eu lhe darei dois mil cavalos, se você tiver cavaleiros para eles!’
24 Como você pode derrotar o mais insignificante guerreiro do meu senhor? Você confia no Egito para lhe dar carros de guerra e cavaleiros?
25 Além disso, será que vim atacar e destruir este local sem uma palavra da parte do Senhor ? O próprio Senhor me disse que marchasse contra este país e o destruísse”.
26 Então Eliaquim, filho de Hilquias, Sebna e Joá disseram ao comandante de campo: “Por favor, fala com teus servos em aramaico, porque entendemos essa língua. Não fales em hebraico, pois assim o povo que está sobre os muros o entenderá”.
27 O comandante, porém, respondeu: “Será que meu senhor enviou-me para dizer essas coisas somente para o seu senhor e para você, e não para os que estão sentados no muro, que, como vocês, terão que comer as próprias fezes e beber a própria urina?”
28 Então o comandante levantou-se e gritou em hebraico: “Ouçam a palavra do grande rei, o rei da Assíria!
29 Assim diz o rei: ‘Não deixem que Ezequias os engane. Ele não poderá livrá-los de minha mão.
30 "Não deixem Ezequias convencê-los a confiar no Senhor, quando diz: “Com certeza o Senhor nos livrará; esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria” ’."
31 “Não dêem ouvidos a Ezequias. Assim diz o rei da Assíria: ‘Façam paz comigo e rendam-se. Então cada um de vocês comerá de sua própria videira e de sua própria figueira e beberá água de sua própria cisterna,
32 até que eu venha e os leve para uma terra igual à de vocês, terra de cereais, de vinho, terra de pão e de vinhas, terra de oliveiras e de mel. Escolham a vida e não a morte! Não dêem ouvidos a Ezequias, pois ele os está iludindo, quando diz: “O Senhor nos livrará” ’.
33 “Será que o deus de alguma nação conseguiu livrar sua terra das mãos do rei da Assíria?
34 Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, de Hena e de Iva? Acaso livraram Samaria das minhas mãos?
35 Qual dentre todos os deuses dessas nações conseguiu livrar sua terra do meu poder? Como então o Senhor poderá livrar Jerusalém das minhas mãos?”
36 Mas o povo permaneceu calado e nada disse em resposta, pois o rei tinha ordenado: “Não lhe respondam”.
37 Então o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista real Joá, filho de Asafe, retornaram com as vestes rasgadas a Ezequias e lhe relataram o que o comandante de campo tinha dito.

1 Crônicas – Capítulo 11

1 Todo o Israel reuniu-se com Davi em Hebrom e disse: Somos sangue do teu sangue[59].
2 No passado, mesmo quando Saul era rei, eras tu quem liderava Israel em suas batalhas. E o Senhor, o teu Deus, te disse: “Você pastoreará Israel, o meu povo, e será o seu governante”.
3 Então todas as autoridades de Israel foram ao encontro do rei Davi em Hebrom, onde este fez um acordo com elas perante o Senhor, e ali ungiram Davi rei de Israel, conforme o Senhor havia anunciado por meio de Samuel.
4 Davi e todos os israelitas marcharam para Jerusalém, que é Jebus. Os jebuseus, habitantes da cidade,
5 disseram a Davi: “Você não entrará aqui”. No entanto, Davi conquistou a fortaleza de Sião, a Cidade de Davi.
6 Naquele dia Davi disse: “O primeiro que atacar os jebuseus se tornará o comandante do exército”. Joabe, filho de Zeruia, foi o primeiro e por isso recebeu o comando do exército.
7 Davi passou a morar na fortaleza e por isso ela foi chamada Cidade de Davi.
8 Ele reconstruiu a cidade ao redor da fortaleza, desde o Milo[60]até os muros ao redor, e Joabe restaurou o restante da cidade.
9 E Davi ia se tornando cada vez mais poderoso, pois o Senhor dos Exércitos estava com ele.
10 Estes foram os chefes dos principais guerreiros de Davi, que junto com todo o Israel, deram um grande apoio para estender o seu reinado a todo o país, conforme o Senhor havia prometido.
11 Esta é a lista deles: Jasobeão[61], um hacmonita, chefe dos oficiais[62]; foi ele que, empunhando sua lança, matou trezentos homens numa mesma batalha.
12 Depois, Eleazar, filho de Dodô, de Aoí, um dos três principais guerreiros.
13 Ele estava com Davi na plantação de cevada de Pas-Damim, onde os filisteus se reuniram para a guerra. As tropas israelitas fugiram dos filisteus,
14 mas eles mantiveram sua posição no meio da plantação. Eles a defenderam e feriram os filisteus, e o Senhor lhes deu uma grande vitória.
15 Quando um grupo de filisteus estava acampado no vale de Refaim, três chefes do batalhão dos Trinta foram encontrar Davi na rocha que há perto da caverna de Adulão.
16 Estando Davi nessa fortaleza e o destacamento filisteu em Belém,
17 Davi expressou seu desejo: “Quem me dera me trouxessem água da cisterna que fica junto à porta de Belém!”
18 Então aqueles três infiltraram-se no acampamento filisteu, tiraram água daquela cisterna e a trouxeram a Davi. Mas ele se recusou a bebê-la; em vez disso, derramou-a como uma oferta ao Senhor.
19 “Longe de mim fazer isso, ó meu Deus!”, disse Davi. “Esta água representa o sangue desses homens que arriscaram a própria vida!” Eles arriscaram a vida para trazê-la. E não quis bebê-la. Foram essas as proezas dos três principais guerreiros.
20 Abisai, o irmão de Joabe, era o chefe do batalhão dos Trinta[63]. Com uma lança enfrentou trezentos homens e os matou, tornando-se famoso como os três.
21 Foi honrado duas vezes mais do que o batalhão dos Trinta e se tornou chefe deles, mas nunca igualou-se aos três principais guerreiros.
22 Benaia, filho de Joiada, era um corajoso soldado de Cabzeel, e realizou grandes feitos. Matou dois dos melhores guerreiros de Moabe e, num dia de neve, desceu ao fundo de uma cova e matou um leão.
23 Também matou um egípcio de dois metros e vinte e cinco centímetros[64]de altura. Embora o egípcio tivesse na mão uma lança parecida com uma lançadeira de tecelão, Benaia o enfrentou com um cajado. Arrancou a lança da mão do egípcio e com ela o matou.
24 Esses foram os grandes feitos de Benaia, filho de Joiada, que também foi famoso como os três principais guerreiros de Davi.
25 Foi mais honrado do que qualquer dos Trinta, mas nunca igualou-se aos três. E Davi lhe deu o comando da sua guarda pessoal.
26 Os outros guerreiros foram: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém;
27 Samote, de Haror; Helez, de Pelom;
28 Ira, filho de Iques, de Tecoa; Abiezer, de Anatote;
29 Sibecai, de Husate; Ilai, de Aoí;
30 Maarai, de Netofate; Helede, filho de Baaná, de Netofate;
31 Itai, filho de Ribai, de Gibeá de Benjamim; Benaia, de Piratom;
32 Hurai, dos riachos de Gaás; Abiel, de Arbate;
33 Azmavete, de Baurim; Eliaba, de Saalbom;
34 os filhos de Hasém, de Gizom; Jônatas, filho de Sage, de Harar;
35 Aião, filho de Sacar, de Harar; Elifal, filho de Ur;
36 Héfer, de Mequerate; Aías, de Pelom;
37 Hezro, de Carmelo; Naarai, filho de Ezbai;
38 Joel, irmão de Natã; Mibar, filho de Hagri;
39 o amonita Zeleque; Naarai, de Beerote, escudeiro de Joabe, filho de Zeruia;
40 Ira e Garebe, de Jatir;
41 Urias, o hitita; Zabade, filho de Alai;
42 Adina, filho de Siza, de Rúben, chefe dos rubenitase do batalhão dos Trinta;
43 Hanã, filho de Maaca; Josafá, de Mitene;
44 Uzia, de Asterote; Sama e Jeiel, filhos de Hotão, de Aroer;
45 Jediael, filho de Sinri; seu irmão, Joá, de Tiz;
46 Eliel, de Maave; Jeribai e Josavias, filhos de Elnaão; Itma, um moabita,
47 e Eliel, Obede e Jaasiel, de Mezoba.

1 Crônicas – Capítulo 17

1 O rei Davi já morava em seu palácio quando, certo dia, disse ao profeta Natã: “Aqui estou eu, morando num palácio de cedro, enquanto a arca da aliança do Senhor permanece numa simples tenda”.
2 Natã respondeu a Davi: “Faze o que tiveres em mente, pois Deus está contigo”.
3 E naquela mesma noite Deus falou a Natã:
4 Vá dizer ao meu servo Davi que assim diz o Senhor: Não é você que vai construir uma casa para eu morar.
5 Não tenho morado em nenhuma casa, desde o dia em que tirei Israel do Egito, mas fui de uma tenda para outra, e de um tabernáculo para outro.
6 Por onde tenho acompanhado todo o Israel, alguma vez perguntei a algum líder deles, que mandei pastorear o meu povo: Por que você não me construiu um templo de cedro?
7 Agora pois, diga ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu o tirei das pastagens, onde você cuidava dos rebanhos, para ser o soberano sobre Israel, o meu povo.
8 Sempre estive com você por onde você andou, e eliminei todos os seus inimigos. Agora eu o farei tão famoso quanto os homens mais importantes da terra.
9 E providenciarei um lugar para Israel, o meu povo, e os plantarei lá, para que tenham o seu próprio lar e não mais sejam incomodados. Povos ímpios não mais os oprimirão, como fizeram no início
10 e têm feito desde a época em que nomeei juízes sobre Israel, o meu povo. Também subjugarei todos os seus inimigos. Saiba também que eu, o Senhor, lhe estabelecerei uma dinastia.
11 Quan­do a sua vida chegar ao fim e você se juntar aos seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, e eu estabelecerei o reino dele.
12 É ele que vai construir um templo para mim, e eu firmarei o trono dele para sempre.
13 Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Nunca retirarei dele o meu amor, como retirei de Saul.
14 Eu o farei líder do meu povo e do meu reino para sempre; seu reinado será estabelecido para sempre.
15 E Natã transmitiu a Davi tudo o que o Senhor lhe tinha falado e revelado.
16 Então o rei Davi entrou no tabernáculo, assentou-se diante do Senhor, e orou: Quem sou eu, ó Senhor Deus, e o que é a minha família, para que me trouxesses a este ponto?
17 E, como se isso não bastasse para ti, ó Deus, tu falaste sobre o futuro da família deste teu servo. Tens me tratado como um homem de grande importância, ó Senhor Deus.
18 O que mais Davi poderá dizer-te por honrares o teu servo? Tu conheces o teu servo,
19 ó Senhor. Por amor do teu servo e de acordo com tua vontade, realizaste este feito grandioso e tornaste conhecidas todas essas grandes promessas.
20 Não há ninguém como tu, ó Senhor, nem há outro Deus além de ti, conforme tudo o que sabemos.
21 E quem é como Israel, o teu povo, a única nação da terra que tu, ó Deus, resgataste para ti mesmo, e assim tornaste o teu nome famoso, realizando grandes e impressionantes maravilhas ao expulsar nações de diante do povo que libertaste do Egito?
22 Tu fizeste de Israel o teu povo especial para sempre, e tu, ó Senhor, te tornaste o seu Deus.
23 Agora, Senhor, que a promessa que fizeste a respeito de teu servo e de sua descendência se confirme para sempre. Faze conforme prometeste,
24 para que tudo se confirme, para que o teu nome seja engrandecido para sempre e os homens digam: “O Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, é Deus para Israel!” E a descendência de teu servo Davi se manterá firme diante de ti.
25 Tu, meu Deus, revelaste a teu servo que formarás uma dinastia para ele. Por isso teu servo achou coragem para orar a ti.
26 Ó Senhor, tu és Deus! Tu fizeste essa boa promessa a teu servo.
27 Agora, por tua bondade, abençoa a família de teu servo, para que ela continue para sempre na tua presença; pois o que tu, ­Senhor, abençoas, abençoado está para sempre.

2 Crônicas – Capítulo 6

1 E Salomão exclamou: O Senhor disse que habitaria numa nuvem escura!
2 Na realidade construí para ti um templo magnífico, um lugar para nele habitares para sempre!
3 Depois o rei virou-se e abençoou toda a assembléia de Israel, que estava ali em pé.
4 E disse: Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, que por suas mãos cumpriu o que prometeu com sua própria boca a meu pai Davi, quando lhe disse:
5 “Desde o dia em que tirei meu povo do Egito, não escolhi nenhuma cidade das tribos de Israel para nela construir um templo em honra ao meu nome, nem escolhi ninguém para ser o líder de Israel, o meu povo.
6 Mas, agora, escolhi Jerusalém para o meu nome ali estar e escolhi Davi para governar Israel, o meu povo”.
7 Meu pai Davi tinha no coração o propósito de construir um templo em honra ao nome do Senhor, o Deus de Israel.
8 Mas o Senhor lhe disse: “Você fez bem em ter no coração o plano de construir um templo em honra ao meu nome;
9 no entanto, não será você que o construirá, mas o seu filho, que procederá de você; ele construirá o templo em honra ao meu nome”.
10 E o Senhor cumpriu a sua promessa. Sou o sucessor de meu pai Davi, e agora ocupo o trono de Israel, como o Senhor tinha prometido, e construí o templo em honra ao nome do Senhor, o Deus de Israel.
11 Coloquei nele a arca, na qual estão as tábuas da aliança do Senhor, aliança que ele fez com os israelitas.
12 Depois Salomão colocou-se diante do altar do Senhor, e de toda a assembléia de Israel, e levantou as mãos para orar.
13 Ele havia mandado fazer uma plataforma de bronze com dois metros e vinte e cinco centímetros[22]de comprimento e de largura, e um metro e trinta e cinco centímetros de altura, no centro do pátio externo. O rei ficou em pé na plataforma e depois ajoelhou-se diante de toda a assembléia de Israel, levantou as mãos para o céu,
14 e orou: Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu nos céus e na terra! Tu que guardas a tua aliança de amor com os teus servos que, de todo o coração, andam segundo a tua vontade.
15 Cumpriste a tua promessa a teu servo Davi, meu pai; com tua boca a fizeste e com tua mão a cumpriste, conforme hoje se vê.
16 Agora, Senhor, Deus de Israel, cumpre a outra promessa que fizeste a teu servo Davi, meu pai, quando disseste: “Você nunca deixará de ter, diante de mim, um descendente que se assente no trono de Israel, se tão-somente os seus descendentes tiverem o cuidado de, em tudo, andar segundo a minha lei, como você tem feito”.
17 Agora, ó Senhor, Deus de Israel, que se confirme a palavra que falaste a teu servo Davi­.
18 Mas será possível que Deus habite na terra com os homens? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te. Muito menos este templo que construí!
19 Ainda assim, atende à oração do teu servo e ao seu pedido de misericórdia, ó Senhor, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que teu servo faz hoje na tua presença.
20 Estejam os teus olhos voltados dia e noite para este templo, lugar do qual disseste que nele porias o teu nome, para que ouças a oração que o teu servo fizer voltado para este lugar.
21 Ouve as súplicas do teu servo e de Israel, o teu povo, quando orarem voltados para este lugar. Ouve desde os céus, lugar da tua habitação, e, quando ouvires, dá-lhes o teu perdão.
22 Quando um homem pecar contra seu próximo e tiver que fazer um juramento, e vier jurar diante do teu altar neste templo,
23 ouve dos céus e age. Julga os teus servos; retribui ao culpado, fazendo recair sobre a sua própria cabeça o resultado da sua conduta, e declara sem culpa o inocente, dando-lhe o que a sua inocência merece.
24 Quando Israel, o teu povo, for derrotado por um inimigo por ter pecado contra ti, e voltar-se para ti e invocar o teu nome, orando e suplicando a ti neste templo,
25 ouve dos céus e perdoa o pecado de Israel, o teu povo, e traze-o de volta à terra que deste a ele e aos seus antepassados.
26 Quando se fechar o céu, e não houver chuva por haver o teu povo pecado contra ti, e o teu povo, voltado para este lugar, invocar o teu nome e afastar-se do seu pecado por o haveres castigado,
27 ouve dos céus e perdoa o pecado dos teus servos, de Israel, o teu povo. Ensina-lhes o caminho certo e envia chuva sobre a tua terra, que deste por herança ao teu povo.
28 Quando houver fome ou praga no país, ferrugem e mofo, gafanhotos peregrinos e gafanhotos devastadores, ou quando inimigos sitiarem suas cidades, quando, em meio a qualquer praga ou epidemia,
29 uma oração ou uma súplica por misericórdia for feita por um israelita ou por todo o Israel, teu povo, cada um sentindo as suas próprias aflições e dores, estendendo as mãos na direção deste templo,
30 ouve dos céus, o lugar da tua habitação. Perdoa e trata cada um de acordo com o que merece, visto que conheces o seu coração. Sim, só tu conheces o coração do homem.
31 Assim eles te temerão, e andarão segundo a tua vontade durante todo o tempo em que viverem na terra que deste aos nossos antepassados.
32 Quanto ao estrangeiro, que não pertence a Israel, o teu povo, e que veio de uma terra distante por causa do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço forte; quando ele vier e orar voltado para este templo,
33 ouve dos céus, lugar da tua habitação, e atende o pedido do estrangeiro, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome e te temam, como faz Israel, o teu povo, e saibam que este templo que construí traz o teu nome.
34 Quando o teu povo for à guerra contra os seus inimigos, por onde quer que tu o enviares, e orar a ti, voltado para a cidade que escolheste e para o templo que construí em honra ao teu nome,
35 ouve dos céus a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
36 Quando pecarem contra ti, pois não há ninguém que não peque, e ficares irado com eles e os entregares ao inimigo, e este os levar prisioneiros para uma terra distante ou próxima;
37 se eles caírem em si, na terra para a qual foram deportados, e se arrependerem e lá orarem: “Pecamos, praticamos o mal e fomos rebeldes”;
38 e se lá eles se voltarem para ti de todo o coração e de toda a sua alma, na terra de seu cativeiro para onde foram levados, e orarem voltados para a terra que deste aos seus antepassados, para a cidade que escolheste e para o templo que construí em honra ao teu nome,
39 então, dos céus, lugar da tua habitação, ouve a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa. Perdoa o teu povo, que pecou contra ti.
40 Assim, meu Deus, que os teus olhos estejam abertos e teus ouvidos atentos às orações feitas neste lugar.
41 Agora, levanta-te, ó Senhor, ó Deus, e vem para o teu lugar de descanso, tu e a arca do teu poder. Estejam os teus sacerdotes vestidos de salvação, ó Senhor, ó Deus; que os teus santos se regozijem em tua bondade.
42 Ó Senhor, ó Deus, não rejeites o teu ungido. Lembra-te da fidelidade prometida a teu servo Davi.

2 Crônicas – Capítulo 7

1 Assim que Salomão acabou de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios, e a glória do Senhor encheu o templo.
2 Os sacerdotes não conseguiam entrar no templo do Senhor, porque a glória do Senhor o enchia.
3 Quando todos os israelitas viram o fogo descendo e a glória do Senhor sobre o templo, ajoelharam-se no pavimento com o rosto em terra, adoraram e deram graças ao Senhor, dizendo: “Ele é bom; o seu amor dura para sempre”.
4 Então o rei e todo o Israel ofereceram sacrifícios ao Senhor.
5 O rei Salomão ofereceu em sacrifício vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todo o povo fizeram a dedicação do templo de Deus.
6 Os sacerdotes tomaram seus lugares, bem como os levitas, com os instrumentos musicais do Senhor feitos pelo rei Davi para louvar o Senhor, cantando: “O seu amor dura para sempre”. No outro lado, de frente para os levitas, os sacerdotes tocavam suas cornetas. Todo o povo estava em pé.
7 Salomão consagrou a parte central do pátio, que ficava na frente do templo do Senhor, e ali ofereceu holocaustos e a gordura das ofertas de comunhão[23], pois o altar de bronze que Salomão tinha construído não comportava os holocaustos, as ofertas de cereal e as porções de gordura.
8 Durante sete dias, Salomão, com todo o Israel, celebrou a festa; era uma grande multidão, gente vinda desde Lebo-Hamate até o ribeiro do Egito.
9 No oitavo dia realizaram uma assembléia solene. Levaram sete dias para a dedicação do altar, e a festa se prolongou por mais sete dias.
10 No vigésimo terceiro dia do sétimo mês, o rei mandou o povo para as suas casas. E todos se foram, jubilosos e de coração alegre pelas coisas boas que o Senhor havia feito por Davi e Salomão e por Israel, o seu povo.
11 Quando Salomão acabou de construir o templo do Senhor e o palácio real, executando bem tudo o que pretendia realizar no templo do Senhor e em seu próprio palácio,
12 o Senhor lhe apareceu de noite e disse: Ouvi sua oração, e escolhi este lugar para mim, como um templo para sacrifícios.
13 Se eu fechar o céu para que não chova ou mandar que os gafanhotos devorem o país ou sobre o meu povo enviar uma praga,
14 se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.
15 De hoje em diante os meus olhos estarão abertos e os meus ouvidos atentos às orações feitas neste lugar.
16 Escolhi e consagrei este templo para que o meu nome esteja nele para sempre. Meus olhos e meu coração nele sempre estarão.
17 E se você andar segundo a minha vontade, como fez seu pai Davi, e fizer tudo o que eu lhe ordeno, obedecendo aos meus decretos e às minhas leis,
18 firmarei o seu trono, conforme a aliança que fiz com Davi, seu pai, quando eu lhe disse: Você nunca deixará de ter um descendente para governar Israel.
19 Mas, se vocês se afastarem de mim e abandonarem os decretos e os mandamentos que lhes dei, e prestarem culto a outros deuses e adorá-los,
20 desarraigarei Israel da minha terra, que lhes dei, e lançarei para longe da minha presença este templo que consagrei ao meu nome. Farei que ele se torne objeto de zombaria entre todos os povos.
21 E todos os que passarem por este templo, agora imponente, ficarão espantados e perguntarão: “Por que o Senhor fez uma coisa dessas a esta terra e a este templo?”
22 E a resposta será: “Porque abandonaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os tirou do Egito, e se apegaram a outros deuses, adorando-os e prestando-lhes culto; por isso ele trouxe sobre eles toda esta desgraça”.

2 Crônicas – Capítulo 8

1 Depois de vinte anos, durante os quais Salomão construiu o templo do Senhor e o seu próprio palácio,
2 ele reconstruiu as cidades que Hirão lhe tinha dado, e nelas estabeleceu israelitas.
3 Depois atacou Hamate-Zobá e a conquistou.
4 Também reconstruiu Tadmor, no deserto, e todas as cidades-armazéns que havia construído em Hamate.
5 Reconstruiu Bete-Horom Alta e Bete-Horom Baixa, cidades fortificadas com muros, portas e trancas,
6 e também Baalate e todas as cidades-armazéns que possuía, e todas as cidades onde ficavam os seus carros e os seus cavalos[24]. Construiu tudo o que desejou em Jerusalém, no Líbano e em todo o território que governou.
7 Todos os que não eram israelitas, descendentes dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus,
8 que não tinham sido mortos pelos israelitas, Salomão recrutou para o trabalho forçado, e nisso continuam até hoje.
9 Mas Salomão não obrigou nenhum israelita a trabalhos forçados; eles eram seus homens de guerra, chefes de seus capitães, comandantes dos seus carros e condutores de carros.
10 Também eram israelitas os principais oficiais do rei Salomão, duzentos e cinqüenta oficiais que supervisionavam os trabalhadores.
11 Salomão levou a filha do faraó da Cidade de Davi para o palácio que ele havia construído para ela, pois dissera: “Minha mulher não deve morar no palácio de Davi, rei de Israel, pois os lugares onde entrou a arca do Senhor são sagrados”.
12 Sobre o altar do Senhor, que havia construído diante do pórtico, Salomão passou a sacrificar holocaustos ao Senhor,
13 conforme as determinações de Moisés acerca das ofertas diárias e dos sábados, das luas novas e das três festas anuais: a festa dos pães sem fermento, a festa das semanas[25]e a festa das cabanas[26].
14 De acordo com a ordem de seu pai Davi, designou os grupos dos sacerdotes para as suas tarefas, e os levitas para conduzirem o louvor e ajudarem os sacerdotes, conforme as determinações diárias. Também designou, por divisões, os porteiros das várias portas, conforme o que Davi, homem de Deus, tinha ordenado.
15 Todas as ordens dadas pelo rei aos sacerdotes e aos levitas, inclusive as ordens relativas aos tesouros, foram seguidas à risca.
16 Todo o trabalho de Salomão foi executado, desde o dia em que foram lançados os alicerces do templo do Senhor até seu término. Assim foi concluído o templo do Senhor.
17 Depois Salomão foi a Eziom-Geber e a Elate, no litoral de Edom.
18 E Hirão enviou-lhe navios comandados por seus próprios marinheiros, homens que conheciam o mar. Eles navegaram com os marinheiros de Salomão até Ofir, e de lá trouxeram quinze mil e setecentos e cinqüenta quilos[27]de ouro para o rei Salomão.

2 Crônicas – Capítulo 21

1 Josafá descansou com os seus antepassados e foi sepultado junto deles na Cidade de Davi, e seu filho Jeorão foi o seu sucessor.
2 Os irmãos de Jeorão, filhos de Josafá, foram Azarias, Jeiel, Zacarias, Azarias, Micael e Sefatias. Todos eles foram filhos de Josafá, rei de Israel[52].
3 Ele deu-lhes muitos presentes de prata, de ouro e de objetos de valor, bem como cidades fortificadas em Judá, mas o reino, deu a Jeorão, porque este era seu filho mais velho.
4 Logo Jeorão se fortaleceu no reino de seu pai, e matou à espada todos os seus irmãos e alguns líderes de Israel.
5 Ele tinha trinta e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém.
6 Andou nos caminhos dos reis de Israel, como a família de Acabe havia feito, pois se casou com uma filha de Acabe. E fez o que o Senhor reprova.
7 Entretanto, por causa da aliança que havia feito com Davi, o Senhor não quis destruir a dinastia dele. Ele havia prometido manter para sempre um descendente de Davi no trono[53].
8 Nos dias de Jeorão, os edomitas rebelaram-se contra o domínio de Judá, proclamando seu pró­prio rei.
9 Por isso­ Jeorão foi combatê-los com seus líderes e com todos os seus carros de guerra. Os edomitas cercaram Jeorão e os chefes dos seus carros de guerra, mas ele os atacou de noite e rompeu o cerco inimigo.
10 E até hoje Edom continua independente de Judá. Nessa mesma época, a cidade de Libna também tornou-se independente, pois Jeorão havia abandonado o Senhor, o Deus dos seus antepassados.
11 Ele até ­construiu altares idólatras nas colinas de Judá, levando o povo de Jerusalém a prostituir-se e Judá a desviar-se.
12 Então Jeorão recebeu uma carta do profeta Elias, que dizia: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, seu antepassado: “Você não tem andado nos caminhos de seu pai Josafá nem de Asa, rei de Judá,
13 mas sim nos caminhos dos reis de Israel, levando Judá e o povo de Jerusalém a se prostituírem na idolatria como a família de Acabe. E ainda assassinou seus próprios irmãos, membros da família de seu pai, homens que eram melhores do que você.
14 Por isso o Senhor vai ferir terrivelmente seu povo, seus filhos, suas mulheres e tudo o que é seu.
15 Você ficará muito doente; terá uma enfermidade no ventre, que irá piorar até que saiam os seus intestinos”.
16 O Senhor despertou contra Jeorão a hostilidade dos filisteus e dos árabes que viviam perto dos etíopes[54].
17 Eles atacaram o reino de Judá, invadiram-no e levaram todos os bens que encontraram no palácio do rei, e também suas mulheres e seus filhos. Só ficou Acazias[55], o filho mais novo.
18 Depois de tudo isso, o Senhor afligiu Jeorão com uma doença incurável nos intestinos.
19 Al­gum tempo depois, ao fim do segundo ano, tanto se agravou a doença que os seus intestinos saíram, e ele morreu sofrendo dores horríveis. Seu povo não fez nenhuma fogueira em sua homenagem, como havia feito para os seus antepassados.
20 Jeorão tinha trinta e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém. Morreu sem que ninguém o lamentasse, e foi sepultado na Cidade de Davi, mas não nos túmulos dos reis.

2 Crônicas – Capítulo 28

1 Acaz tinha vinte anos de idade quan­do começou a reinar, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Ao contrário de Davi, seu predecessor, não fez o que o Senhor aprova.
2 Ele andou nos caminhos dos reis de Israel e fez ídolos de metal a fim de adorar os baalins.
3 Queimou sacrifícios no vale de Ben-Hinom e chegou até a queimar seus filhos em sacrifício, imitando os costumes detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas.
4 Também ofereceu sacrifícios e queimou incenso nos altares idólatras, no alto das colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
5 Por isso o Senhor, o seu Deus, entregou-o nas mãos do rei da Síria. Os arameus o derrotaram, fizeram muitos prisioneiros entre o seu povo e os levaram para Damasco. Israel também lhe infligiu grande derrota.
6 Num único dia, Peca, filho de Remalias, matou cento e vinte mil soldados corajosos de Judá; pois Judá havia abandonado o Senhor, o Deus dos seus antepassados.
7 Zicri, guerreiro efraimita, matou Maaséias, filho do rei, Azricão, oficial encarregado do palácio, e Elcana, o braço direito do rei.
8 Os israelitas levaram para Samaria duzentos mil prisioneiros dentre os seus parentes, incluindo mulheres, meninos e meninas. Também levaram muitos despojos.
9 Mas um profeta do Senhor, chamado Odede, estava em Samaria e saiu ao encontro do exér­cito. Ele lhes disse: Estando irado contra Judá, o Senhor, o Deus dos seus antepassados, entregou-os nas mãos de vocês. Mas a fúria com que vocês os mataram chegou aos céus.
10 E agora ainda pretendem escravizar homens e mulheres de Judá e de Jerusalém! Vocês também não são culpados de pecados contra o Senhor, o seu Deus?
11 Agora, ouçam-me! Mandem de volta seus irmãos que vocês fizeram prisioneiros, pois o fogo da ira do Senhor está sobre vo­cês.
12 Então Azarias, filho de Joanã, Berequias, filho de Mesilemote, Jeizquias, filho de Salum, e Amasa, filho de Hadlai, que eram alguns dos chefes de Efraim, questionaram os que estavam chegando da guerra, dizendo:
13 “Não tragam os prisioneiros para cá. Caso contrário seremos culpados diante do Senhor. Vocês querem aumentar ainda mais o nosso pecado e a nossa culpa? A nossa culpa já é grande, e o fogo da sua ira está sobre Israel”.
14 Então os soldados libertaram os prisioneiros e colocaram os despojos na presença dos líderes e de toda a assembléia.
15 Aqueles homens citados nominalmente apanharam os prisioneiros e com as roupas e as sandálias dos despojos vestiram todos os que estavam nus. Deram-lhes comida, bebida, e bálsamo medicinal. Puseram sobre jumentos todos aqueles que estavam fracos. Assim os levaram de volta a seus patrícios residentes em Jericó, a cidade das Palmeiras, e voltaram para Samaria.
16 Nessa época, o rei Acaz enviou mensageiros ao rei[74]da Assíria para pedir-lhe ajuda.
17 Os edomitas tinham voltado a atacar Judá fazendo prisioneiros,
18 e os filisteus atacaram cidades na Sefelá e no sul de Judá. Conquistaram e ocuparam Bete-Semes, Aijalom e Gederote, bem como Socó, Timna e Ginzo, com os seus povoados.
19 O Senhor humilhou Judá por causa de Acaz, rei de Israel[75], por sua conduta desregrada em Judá, muito infiel ao Senhor.
20 Quando chegou Tiglate-Pileser, rei da Assíria, causou-lhe problemas em vez de ajudá-lo.
21 Acaz apanhou algumas coisas do templo do Senhor, do palácio real e dos líderes e ofereceu-as ao rei da Assíria, mas isso não adiantou.
22 Mesmo nessa época em que passou por tantas dificuldades, o rei Acaz tornou-se ainda mais infiel ao Senhor.
23 Ele ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco que o haviam derrotado, pois pensava: “Já que os deuses da Síria os têm ajudado, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem também”. Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel.
24 Acaz juntou os utensílios do templo de Deus e os retirou de lá[76]. Trancou as portas do templo do Senhor e ergueu altares em todas as esquinas de Jerusalém.
25 Em todas as cidades de Judá construiu altares idólatras para queimar sacrifícios a outros deuses e provocou a ira do Senhor, o Deus dos seus antepassados.
26 Os demais acontecimentos de seu reinado e todos os seus atos, do início ao fim, estão escritos nos registros históricos dos reis de Judá e de Israel.
27 Acaz descansou com os seus antepassados e foi sepultado na cidade de Jerusalém, mas não nos túmulos dos reis de Israel. Seu filho Ezequias foi o seu sucessor.

2 Crônicas – Capítulo 29

1 Ezequias tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias.
2 Ele fez o que o Senhor aprova, tal como tinha feito Davi, seu predecessor.
3 No primeiro mês do primeiro ano de seu reinado, ele reabriu as portas do templo do Senhor e as consertou.
4 Convocou os sacerdotes e os levitas, reuniu-os na praça que fica no lado leste
5 e disse: Escutem-me, levitas! Consagrem-se agora e consagrem o templo do Senhor, o Deus dos seus antepassados. Retirem tudo o que é impuro do santuário.
6 Nossos pais foram infiéis; fizeram o que o Senhor, o nosso Deus, reprova e o abandonaram. Desviaram o rosto do local da habitação do Senhor e deram-lhe as costas.
7 Também fecharam as portas do pórtico e apagaram as lâmpadas. Não queimaram incenso nem apresentaram holocausto no santuário para o Deus de Israel.
8 Por isso a ira do Senhor caiu sobre Judá e sobre Jerusalém; e ele fez deles objeto de espanto, horror e zombaria, conforme vocês podem ver com os seus próprios olhos.
9 Por isso os nossos pais caíram à espada e os nossos filhos, as nossas filhas e as nossas mulheres foram levados como prisioneiros.
10 Pretendo, pois, agora fazer uma aliança com o Senhor, o Deus de Israel, para que o fogo da sua ira se afaste de nós.
11 Meus filhos, não sejam negligentes agora, pois o Senhor os escolheu para estarem diante dele e o servirem, para ministrarem perante ele e quei­marem incenso.
12 Então estes levitaspuseram-se a trabalhar: dentre os descendentes de Coate: Maate, filho de Amasai, e Joel, filho de Azarias; dentre os descendentes de Merari: Quis, filho de Abdi, e Azarias, filho de Jealelel; dentre os descendentes de Gérson: Joá, filho de Zima, e Éden, filho de Joá;
13 dentre os descendentes de Elisafã: Sinri e Jeuel; dentre os descendentes de Asafe: Zacarias e Matanias;
14 dentre os descendentes de Hemã: Jeuel e Simei; dentre os descendentes de Jedutum: Semaías e Uziel.
15 Tendo reunido e consagrado os seus parentes, os levitas foram purificar o templo do Senhor, conforme o rei havia ordenado, em obediência à palavra do Senhor.
16 Os sacerdotes entraram no santuário do Senhor para purificá-lo e trouxeram para o pátio do templo do Senhor todas as coisas impuras que lá havia, e os levitas as levaram para o vale de Cedrom.
17 Começaram a consagração no primeiro dia do primeiro mês e no oitavo dia chegaram ao pórtico do Senhor. Durante mais oito dias consagraram o templo do Senhor propriamente dito, terminando tudo no décimo sexto dia.
18 Depois foram falar com o rei Ezequias e lhe relataram: Purificamos todo o templo do Senhor, o altar dos holocaustos e a mesa do pão consagrado, ambos com todos os seus utensílios.
19 Preparamos e consagramos todos os utensílios que o rei Acaz, em sua infidelidade, retirou durante o seu reinado. Eles estão em frente do altar do Senhor.
20 Cedo, na manhã seguinte, o rei Ezequias reuniu os líderes da cidade e, juntos, subiram ao templo do Senhor,
21 levando sete novilhos, sete carneiros, sete cordeiros e sete bodes como oferta pelo pecado, em favor da realeza, do santuário e de Judá. O rei ordenou que os sacerdotes, descendentes de Arão, sacrificassem os animais no altar do Senhor.
22 Então os sacerdotes abateram os novilhos e aspergiram o sangue sobre o altar; em seguida fizeram o mesmo com os carneiros e com os cordeiros.
23 Depois, os bodes para a oferta pelo pecado foram levados para diante do rei e da assembléia, que impuseram as mãos sobre eles.
24 Os sacerdotes abateram os bodes e apresentaram o sangue sobre o altar como oferta pelo pecado, para fazer propiciação por todo o Israel, pois era em favor de todo o Israel que o rei havia ordenado o holocausto e a oferta pelo pecado.
25 O rei posicionou os levitas no templo do Senhor, com címbalos, liras e harpas, segundo a prescrição de Davi, de Gade, vidente do rei, e do profeta Natã; isso foi ordenado pelo Senhor, por meio de seus profetas.
26 Assim os levitas ficaram em pé, preparados com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as cornetas.
27 Então Ezequias ordenou que sacrificassem o holocausto sobre o altar. Iniciado o sacrifício, começou também o canto em louvor ao Senhor, ao som das cornetas e dos instrumentos de Davi, rei de Israel.
28 Toda a assembléia prostrou-se em adoração, enquanto os músicos cantavam e os corneteiros tocavam, até que terminou o holocausto.
29 Então o rei e todos os presentes ajoelharam-se e adoraram.
30 O rei Ezequias e seus oficiais ordenaram aos levitas que louvassem o Senhor com as palavras de Davi e do vidente Asafe. Eles o louvaram com alegria, depois inclinaram suas cabeças e o adoraram.
31 Disse então Ezequias: “Agora que vocês se dedicaram ao Senhor, tragam sacrifícios e ofertas de gratidão ao templo do Senhor”. Assim, a comunidade levou sacrifícios e ofertas de gratidão, e alguns, espontaneamente, levaram também holocaustos.
32 Esses holocaustos que a assembléia ofertou ao Senhor foram setenta bois, cem carneiros e duzentos cordeiros.
33 Os animais consagrados como sacrifícios chegaram a seiscentos bois e três mil ovelhas e bodes.
34 Como os sacerdotes eram muito poucos para tirar a pele de todos os holocaustos, os seus parentes, os levitas, os ajudaram até o fim da tarefa e até que outros sacerdotes se consagrassem, pois os levitas demoraram menos que os sacerdotes para consagrar-se.
35 Houve holocaustos em grande quantidade, oferecidos com a gordura das ofertas de comunhão[77]e com as ofertas derramadas que acompanhavam esses holocaustos. Assim foi restabelecido o culto no templo do Senhor.
36 Ezequias e todo o povo regozijavam-se com o que Deus havia feito por seu povo, e tudo em tão pouco tempo.

2 Crônicas – Capítulo 32

1 Depois de tudo o que Ezequias fez com tanta fidelidade, Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu Judá e sitiou as cidades fortificadas para conquistá-las.
2 Quando Ezequias viu que Senaqueribe pretendia guerrear contra Jerusalém,
3 consultou os seus oficiais e os comandantes do exército sobre a idéia de mandarfechar a passagem de água das fontes do lado de fora da cidade; e eles concordaram.
4 Assim, ajuntaram-se muitos ­homens, e fecharam todas as fontes e o riacho que atravessava a região. Eles diziam: “Por que deixar que os reis[79]da Assíria venham e encontrem toda essa ­água?”
5 Depois, com grande empenho reparou todos os trechos quebrados do muro e construiu torres sobre ele. Construiu outro muro do lado de fora do primeiro e reforçou o Milo[80]da Cidade de Davi; e mandou fazer também muitas lanças e muitos escudos.
6 Nomeou sobre o povo oficiais militares e os reuniu na praça, junto à porta da cidade, animando-os com estas palavras:
7 Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem desanimem por causa do rei da Assíria e do seu enorme exército, pois conosco está um poder maior do que o que está com ele.
8 Com ele está somente o poder humano[81], mas conosco está o Senhor, o nosso Deus, para nos ajudar e para travar as nossas batalhas. E o povo ganhou confiança com o que disse Ezequias, rei de Judá.
9 Mais tarde, quando Senaqueribe, rei da Assíria, e todas as suas forças estavam sitiando Laquis, mandou oficiais a Jerusalém com a seguinte mensagem a Ezequias e a todo o povo de Judá que morava lá:
10 Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que vocês baseiam a sua confiança, para permanecerem cercados em Jerusalém?
11 Quando Ezequias diz: “O Senhor, o nosso Deus, nos salvará das mãos do rei da Assíria”, ele os está enganando, para deixá-los morrer de fome e de sede.
12 Mas não foi o próprio Ezequias que retirou os altares desse deus, dizendo a Judá e a Jerusalém: “Vocês devem adorar diante de um só altar e sobre ele queimar incenso”?
13 Vocês não sabem o que eu e os meus antepassados fizemos a todos os povos das outras terras? Acaso alguma vez os deuses daquelas nações conseguiram livrar das minhas mãos a terra deles?
14 De todos os deuses das nações que os meus antepassados destruíram, qual deles conseguiu salvar o seu povo de mim? Como então o deus de vocês poderá livrá-los das minhas mãos?
15 Portanto, não deixem Ezequias enganá-los ou iludilos dessa maneira. Não acre­ditem nele, pois nenhum deus de qualquer nação ou reino jamais conseguiu livrar o seu povo das minhas mãos ou das mãos de meus antepassados. Muito menos o deus de vocês conseguirá livrá-los das minhas mãos!
16 Os oficiais de Senaqueribe desafiaram ainda mais a Deus, o Senhor, e ao seu servo Ezequias.
17 Senaqueribe também escreveu cartas insultando o Senhor, o Deus de Israel, e o desafiando: “Assim como os deuses dos povos das outras terras não livraram o povo deles das minhas mãos, também o deus de Ezequias não livrará o seu povo das minhas mãos”.
18 Então os oficiais gritaram na língua dos judeus ao povo de Jerusalém que estava sobre o muro, para assustá-lo e amedrontá-lo, com o intuito de conquistarem a cidade.
19 Referiram-se ao Deus de Jerusalém como falavam dos deuses dos outros povos da terra, que não passam de obra das mãos dos homens.
20 Por tudo isso o rei Ezequias e o profeta Isaías, filho de Amoz, clamaram em oração aos céus.
21 E o Senhor enviou um anjo, que matou todos os homens de combate e todos os líderes e oficiais no acampamento do rei assírio, de forma que este se retirou envergonhado para a sua terra. E certo dia, ao adentrar o templo do seu deus, alguns dos seus filhos o mataram à espada.
22 Assim o Senhor salvou Ezequias e o povo de Jerusalém das mãos de Senaqueribe, rei da Assíria, e das mãos de todos os outros; e cuidou deles[82]em todas as fronteiras.
23 Muitos trouxeram a Jerusalém ofertas para o Senhor e presentes valiosos para Ezequias, rei de Judá. Daquela ocasião em diante ele foi muito respeitado por todas as nações.
24 Naquele tempo Ezequias ficou doente, e quase morreu. Ele orou ao Senhor, que lhe respondeu dando-lhe um sinal milagroso.
25 Mas Ezequias tornou-se orgulhoso, e não correspondeu à bondade com que foi tratado; por isso a ira do Senhor veio sobre ele, sobre Judá e sobre Jerusalém.
26 Então Ezequias humilhou-se, reconhecendo o seu orgulho, como também ­o povo de Jerusalém; por isso a ira do Senhor não veio sobre eles durante o reinado de Ezequias.
27 Possuía Ezequias muitíssimas riquezas e glória; construiu depósitos para guardar prata, ouro, pedras preciosas, especiarias, escudos e todo tipo de objetos de valor.
28 Também construiu armazéns para estocar trigo, vinho e azeite; fez ainda estábulos para os seus diversos rebanhos e para as ovelhas.
29 Construiu cidades e adquiriu muitos rebanhos, pois Deus lhe dera muitas riquezas.
30 Foi Ezequias que bloqueou o manancial superior da fonte de Giom e canalizou a água para a parte oeste da Cidade de Davi. Ele foi bem-sucedido em tudo o que se propôs a fazer.
31 Mas quando os governantes da Babilônia enviaram uma delegação para perguntar-lhe acerca do sinal milagroso que havia ocorrido no país, Deus o deixou, para prová-lo e para saber tudo o que havia em seu coração.
32 Os demais acontecimentos do reinado de Ezequias e os seus atos piedosos estão escritos na visão do profeta Isaías, filho de Amoz, no livro dos reis de Judá e de Israel.
33 Ezequias descansou com os seus antepassados e foi sepultado na colina onde estão os túmulos dos descendentes de Davi. Todo o Judá e o povo de Jerusalém prestaram-lhe homenagens por ocasião da sua morte. E seu filho Manassés foi o seu sucessor.

2 Crônicas – Capítulo 35

1 Josias celebrou a Páscoa do Senhor em Jerusalém, e o cordeiro da Páscoa foi abatido no décimo quarto dia do primeiro mês.
2 Ele nomeou os sacerdotes para as suas responsabilidades e os encorajou a se dedicarem ao serviço no templo do Senhor.
3 Ele disse aos levitas que instruíam todo o Israel e haviam sido consagrados ao Senhor: Ponham a arca sagrada no templo construído por Salomão, filho de Davi, rei de Israel. Vocês não precisam mais levá-la de um lado para outro sobre os ombros. Agora sirvam ao Senhor, o seu Deus, e a Israel, o povo dele.
4 Preparem-se por famílias, em suas divisões, de acordo com a orientação escrita por Davi, rei de Israel, e por seu filho Salomão.
5 Fiquem no Lugar Santo com um grupo de levitas para cada subdivisão das famílias do povo.
6 Abatam os cordeiros da Páscoa, consagrem-se e preparem os cordeiros para os seus irmãos israelitas, fazendo o que o Senhor ordenou por meio de Moisés.
7 Josias deu a todo o povo que ali estava um total de trinta mil ovelhas e cabritos para as ofertas da Páscoa, além de três mil bois; tudo foi tirado dos bens pessoais do rei.
8 Seus oficiais também contribuíram voluntariamente para o povo, para os sacerdotes e para os levitas. Hilquias, Zacarias e Jeiel, os administradores do templo de Deus, deram aos sacerdotes duas mil e seiscentas ovelhas e cabritos e trezentos bois.
9 Também Conanias, com seus irmãos Semaías e Natanael, e os líderes dos levitas Hasabias, Jeiel e Jozabade, ofereceram aos levitas cinco mil ovelhas e cabritos e quinhentos bois.
10 O serviço foi organizado e os sacerdotes assumiram os seus lugares com os levitas em seus turnos, conforme o rei ordenara.
11 Os cordeiros da Páscoa foram abatidos, e os sacerdotes aspergiram o sangue que lhes fora entregue, enquanto os levitas tiravam a pele dos animais.
12 Eles separaram também os holocaustos para dá-los aos grupos das famílias do povo, para que elas os oferecessem ao Senhor, conforme está escrito no Livro de Moisés; e fizeram o mesmo com os bois.
13 Assaram os animais da Páscoa sobre o fogo, conforme prescrito, cozinharam as ofertas sagradas em potes, caldeirões e panelas, e serviram rapidamente todo o povo.
14 Depois disso, os levitas prepararam a parte deles e a dos sacerdotes, pois estes, descendentes de Arão, ficaram sacrificando os holocaustos e as porções de gordura até o anoitecer. Foi por isso que os levitas prepararam a parte deles e a dos sacerdotes, descendentes de Arão.
15 Os músicos, descendentes de Asafe, estavam nos locais prescritos por Davi e por Asafe, Hemã e Jedutum, vidente do rei. Os porteiros que guardavam cada porta não precisaram deixar os seus postos, pois os seus colegas levitas prepararam as ofertas para eles.
16 Assim, naquele dia, todo o serviço do Senhor foi executado para a celebração da Páscoa e para a apresentação de holocaustos no altar do Senhor, conforme o rei Josias havia ordenado.
17 Os israelitas que estavam presentes celebraram a Páscoa naquele dia e durante sete dias celebraram a festa dos pães sem fermento.
18 A Páscoa não havia sido celebrada dessa maneira em Israel desde os dias do profeta Samuel; e nenhum dos reis de Israel havia celebrado uma Páscoa como esta, como o fez Josias, com os sacerdotes, os levitas e todo o Judá e Israel que estavam ali com o povo de Jerusalém.
19 Esta Páscoa foi celebrada no décimo oitavo ano do reinado de Josias.
20 Depois de tudo o que Josias fez, e depois de colocar em ordem o templo, Neco, rei do Egito, saiu para lutar em Carquemis, junto ao Eufrates, e Josias marchou para combatê-lo.
21 Neco, porém, enviou-lhe mensageiros, dizendo: “Não interfiras nisso, ó rei de Judá. Desta vez não estou atacando a ti, mas a outro reino com o qual estou em guerra. Deus me disse que me apressasse; por isso pára de te opores a Deus, que está comigo; caso contrário ele te destruirá”.
22 Josias, contudo, não quis voltar atrás, e disfarçou-se para enfrentá-lo em combate. Ele não quis ouvir o que Neco lhe dissera por ordem de Deus, e foi combatê-lo na planície de Megido.
23 Na batalha, flecheiros atingiram o rei Josias, pelo que disse aos seus oficiais: “Tirem-me daqui. Estou gravemente ferido”.
24 Eles o tiraram do seu carro, colocaram-no em outro e o levaram para Jerusalém, onde morreu. Ele foi sepultado nos túmulos dos seus antepassados, e todos os moradores de Judá e de Jerusalém choraram por ele.
25 compôs um cântico de lamento em homenagem a Josias, e até hoje todos os cantores e cantoras homenageiam Josias com cânticos de lamento. Estes se tornaram uma tradição em Israel e estão escritos na coletânea de lamentações.
26 Os demais acontecimentos do reinado de Josias e os seus atos piedosos, de acordo com o que está escrito na Lei do Senhor,
27 todos os acontecimentos, do início ao fim, estão escritos nos registros históricos dos reis de Israel e de Judá.

Esdras – Capítulo 3

1 Quando chegou o sétimo mês e os israelitas já estavam em suas cidades, o povo se reuniu como um só homem em Jerusalém.
2 Então Jesua, filho de Jozadaque, e seus colegas, os sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus companheiros começaram a construir o altar do Deus de Israel para nele sacrificarem holocaustos[6], conforme o que está escrito na Lei de Moisés, homem de Deus.
3 Apesar do receio que tinham dos povos ao redor, construí­ram o altar sobre a sua base e nele sacrificaram holocaustos ao Senhor, tanto os sacrifícios da manhã como os da tarde.
4 Depois, de acordo com o que está escrito, celebraram a festa das cabanas[7] com o número determinado de holocaustos prescritos para cada dia.
5 A seguir apresentaram os holocaustos regulares, os sacrifícios da lua nova e os sacrifícios requeri­dos para todas as festas sagradas determinadas pelo Senhor, bem como os que foram trazidos como ofertas voluntárias ao Senhor.
6 A partir do primeiro dia do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao Senhor, embora ainda não tivessem sido lançados os alicerces do templo do Senhor.
7 Então eles deram dinheiro aos pedrei­ros e aos carpinteiros, e deram comida, bebida e azeite ao povo de Sidom e de Tiro, para que, pelo mar, trouxessem do Líbano para Jope toras de cedro. Isso tinha sido autorizado por Ciro, rei da Pérsia.
8 No segundo mês do segundo ano depo­is de chegarem ao templo de Deus em Jerusa­lém, Zorobabel, filho de Sealtiel, Jesua, filho de Jozadaque, e o restante dos seus irmãos — os sacerdotes, os levitas e todos os que tinham voltado do cativeiro para Jerusalém — começa­ram o trabalho, designando levitas de vinte anos para cima para supervisionarem a constru­ção do templo do Senhor.
9 Jesua, seus filhos e seus irmãos, e Cadmiel e seus filhos, descen­dentes de Hodavias[8], e os filhos de Henadade e seus filhos e seus irmãos, todos eles levitas, uniram-se para supervisionar os que trabalha­vam no templo de Deus.
10 Quando os construtores lançaram os alicerces do templo do Senhor, os sacerdotes, com suas vestes e suas trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, tomaram seus lugares para louvar o Senhor, conforme prescrito por Davi, rei de Israel.
11 Com louvor e ações de graças, cantaram responsivamente ao Senhor: “Ele é bom; seu amor a Israel dura para sempre”. E todo o povo louvou o Senhor em alta voz, pois haviam sido lançados os alicerces do templo do Senhor.
12 Mas muitos dos sacer­dotes, dos levitas e dos chefes das famílias mais velhos, que tinham visto o antigo templo, choraram em alta voz quando viram o lança­mento dos alicerces desse templo; muitos, porém, gritavam de alegria.
13 Não era possível distinguir entre o som dos gritos de alegria e o som do choro, pois o povo fazia enorme baru­lho. E o som foi ouvido a grande distância.

Neemias – Capítulo 5

1 Ora, o povo, homens e mulheres, começou a reclamar muito de seus irmãos judeus.
2 Alguns diziam: “Nós, nossos filhos e nossas filhas somos numerosos; precisamos de trigo para comer e continuar vivos”.
3 Outros diziam: “Tivemos que penhorar nossas terras, nossas vinhas e nossas casas para conseguir trigo para matar a fome”.
4 E havia ainda outros que diziam: Tivemos que tomar dinheiro emprestado para pagar o imposto cobrado sobre as nossas terras e as nossas vinhas.
5 Apesar de sermos do mesmo sangue[12] dos nossos compatriotas, e de nossos filhos serem tão bons quanto os deles, ainda assim temos que sujeitar os nossos filhos e as nossas filhas à escravidão. E, de fato, algumas de nossas filhas já foram entregues como escravas e não podemos fazer nada, pois as nossas terras e as nossas vinhas pertencem a outros.
6 Quando ouvi a reclamação e essas acusações, fiquei furioso.
7 Fiz uma avaliação de tudo e então repreendi os nobres e os oficiais, dizendo-lhes: “Vocês estão cobrando juros dos seus compatriotas!” Por isso convoquei uma grande reunião contra eles
8 e disse: Na medida do possível nós compramos de volta nossos irmãos judeus que haviam sido vendidos aos outros povos. Agora vocês estão até vendendo os seus irmãos! Assim eles terão que ser vendidos a nós de novo! Eles ficaram em silêncio, pois não tinham resposta.
9 Por isso prossegui: O que vocês estão fazendo não está certo. Vocês devem andar no temor do nosso Deus para evitar a zombaria dos outros povos, os nossos inimigos.
10 Eu, os meus irmãos e os meus homens de confiança também estamos emprestando dinheiro e trigo ao povo. Mas vamos acabar com a cobrança de juros!
11 Devolvam-lhes imediatamente suas terras, suas vinhas, suas oliveiras e suas casas, e também os juros que cobraram deles, a centésima parte do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite.
12 E eles responderam: “Nós devolveremos tudo o que você citou, e não exigiremos mais nada deles. Vamos fazer o que você está pedindo”. Então convoquei os sacerdotes e os fiz declarar sob juramento que cumpririam a promessa feita.
13 Também sacudi a dobra do meu manto e disse: Deus assim sacuda de sua casa e de seus bens todo aquele que não mantiver a sua promessa. Tal homem seja sacudido e esvaziado! Toda a assembléia disse: “Amém!”, e louvou o Senhor. E o povo cumpriu o que prometeu.
14 Além disso, desde o vigésimo ano do rei Artaxerxes, quando fui nomeado governador deles na terra de Judá, até o trigésimo segundo ano do seu reinado, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos a comida destinada ao governador.
15 Mas os governantes anteriores, aqueles que me precederam, puseram um peso sobre o povo e tomavam dele quatrocentos e oitenta gramas[13] de prata, além de comida e vinho. Até os seus auxiliares oprimiam o povo. Mas, por temer a Deus, não agi dessa maneira.
16 Ao contrário, eu mesmo me dediquei ao trabalho neste muro. Todos os meus homens de confiança foram reunidos ali para o trabalho; e não compramos[14] nenhum pedaço de terra.
17 Além do mais, cento e cinqüenta homens, entre judeus do povo e seus oficiais, comiam à minha mesa, como também pessoas das nações vizinhas que vinham visitar-nos.
18 Todos os dias eram preparados, à minha custa, um boi, seis das melhores ovelhas e aves, e a cada dez dias eu recebia uma grande remessa de vinhos de todo tipo. Apesar de tudo isso, jamais exigi a comida destinada ao governador, pois eram demasiadas as exigências que pesavam sobre o povo.
19 Lembra-te de mim, ó meu Deus, levando em conta tudo o que fiz por este povo.

Neemias – Capítulo 8

1 Quando chegou o sétimo mês e os israelitas tinham se instalado em suas cidades, todo o povo juntou-se como se fosse um só homem na praça, em frente da porta das Águas. Pediram ao escriba Esdras que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o Senhor dera a Israel.
2 Assim, no primeiro dia do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembléia, que era constituída de homens e mulheres e de todos os que podiam entender.
3 Ele a leu em alta voz desde o raiar da manhã até o meio-dia, de frente para a praça, em frente da porta das Águas, na presença dos homens, mulheres e de outros que podiam entender. E todo o povo ouvia com atenção a leitura do Livro da Lei.
4 O escriba Esdras estava numa plataforma elevada, de madeira, construída para a ocasião. Ao seu lado, à direita, estavam Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à esquerda estavam Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão.
5 abriu o Livro diante de todo o povo, e este podia vê-lo, pois ele estava num lugar mais alto. E, quando abriu o Livro, o povo todo se levantou.
6 louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: “Amém! Amém!” Então eles adoraram o Senhor, prostrados com o rosto em terra.
7 Os levitas Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã e Pelaías, instruíram o povo na Lei, e todos permaneciam ali.
8 Leram o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido.
9 Então Neemias, o governador, Esdras, o sacerdote e escriba, e os levitas que estavam instruindo o povo disseram a todos: “Este dia é consagrado ao Senhor, o nosso Deus. Nada de tristeza e de choro!” Pois todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da Lei.
10 E Neemias acrescentou: “Podem sair, e comam e bebam do melhor que tiverem, e repartam com os que nada têm preparado. Este dia é consagrado ao nosso Senhor. Não se entristeçam, porque a alegria do Senhor os fortalecerá”.
11 Os levitas tranqüilizaram todo o povo, dizendo: “Acalmem-se, porque este é um dia santo. Não fiquem tristes!”
12 Então todo o povo saiu para comer, beber, repartir com os que nada tinham preparado e para celebrar com grande alegria, pois agora compreendiam as palavras que lhes foram explicadas.
13 No segundo dia do mês, os chefes de todas as famílias, os sacerdotes e os levitas reuniram-se com o escriba Esdras para estudarem as palavras da Lei.
14 Descobriram na Lei que o Senhor tinha ordenado, por meio de Moisés, que os israelitas deveriam morar em tendas durante a festa do sétimo mês.
15 Por isso anunciaram em todas as suas cidades e em Jerusalém: “Saiam às montanhas e tragam ramos de oliveiras cultivadas, de oliveiras silvestres, de murtas, de tamareiras e de árvores frondosas, para fazerem tendas, conforme está escrito[23]”.
16 Então o povo saiu e trouxe os ramos, e eles mesmos construíram tendas nos seus terraços, nos seus pátios, nos pátios do templo de Deus e na praça junto à porta das Águas e na que fica junto à porta de Efraim.
17 Todos os que tinham voltado do exílio construíram tendas e moraram nelas. Desde os dias de Josué, filho de Num, até aquele dia, os israelitas não tinham celebrado a festa dessa maneira. E grande foi a alegria deles.
18 Dia após dia, desde o primeiro até o último dia da festa, Esdras leu o Livro da Lei de Deus. Eles celebraram a festa durante sete dias, e no oitavo dia, conforme o ritual, houve uma reunião solene.

Ester – Capítulo 4

1 Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz.
2 Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permissão de entrar.
3 Em cada província onde chegou o decreto com a ordem do rei, houve grande pranto entre os judeus, com jejum, choro e lamento. Muitos se deitavam em pano de saco e em cinza.
4 Quando as criadas de Ester e os oficiais responsáveis pelo harém lhe contaram o que se passava com Mardoqueu, ela ficou muito aflita e mandou-lhe roupas para que as vestisse e tirasse o pano de saco; mas ele não quis aceitá-las.
5 Então Ester convocou Hatá, um dos oficiais do rei, nomeado para ajudá-la, e deu-lhe ordens para descobrir o que estava perturbando Mardoqueu e por que ele estava agindo assim.
6 Hatá foi falar com Mardoqueu na praça da cidade, em frente da porta do palácio real.
7 Mardoqueu contou-lhe tudo o que lhe tinha acontecido e quanta prata Hamã tinha prometido depositar na tesouraria real para a destruição dos judeus.
8 Deu-lhe também uma cópia do decreto que falava do extermínio e que tinha sido anunciado em Susã, para que ele o mostrasse a Ester e insistisse com ela para que fosse à presença do rei implorar misericórdia e interceder em favor do seu povo.
9 Hatá retornou e relatou a Ester tudo o que Mardoqueu lhe tinha dito.
10 Então ela o instruiu que dissesse o seguinte a Mardoqueu:
11 “Todos os oficiais do rei e o povo das províncias do império sabem que existe somente uma lei para qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei no pátio interno sem por ele ser chamado: será morto, a não ser que o rei estenda o cetro de ouro para a pessoa e lhe poupe a vida. E eu não sou chamada à presença do rei há mais de trinta dias”.
12 Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester,
13 mandou dizer-lhe: Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará,
14 pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família do seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?
15 Então Ester mandou esta resposta a Mardoqueu:
16 “Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.
17 Mardoqueu retirou-se e cumpriu todas as instruções de Ester.

Ester – Capítulo 7

1 O rei e Hamã foram ao banquete com a rainha Ester,
2 e, enquanto estavam bebendo vinho no segundo dia, o rei perguntou de novo: “Rainha Ester, qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? Mesmo que seja a metade do reino, isso lhe será concedido”.
3 Então a rainha Ester respondeu: Se posso contar com o favor do rei, e se isto lhe agrada, poupe a minha vida e a vida do meu povo; este é o meu pedido e o meu desejo.
4 Pois eu e meu povo fomos vendidos para destruição, morte e aniquilação. Se apenas tivéssemos sido vendidos como escravos e escravas, eu teria ficado em silêncio, porque nenhuma aflição como essa justificaria perturbar o rei. [11]
5 O rei Xerxes perguntou à rainha Ester: “Quem se atreveu a uma coisa dessas? Onde está ele?”
6 Respondeu Ester: “O adversário e inimigo é Hamã, esse perverso”. Diante disso, Hamã ficou apavorado na presença do rei e da rainha.
7 Furioso, o rei levantou-se, deixou o vinho, saiu dali e foi para o jardim do palácio. E percebendo Hamã que o rei já tinha decidido condená-lo, ficou ali para implorar por sua vida à rainha Ester.
8 E voltando o rei do jardim do palácio ao salão do banquete, viu Hamã caído sobre o assento onde Ester estava reclinada. E então exclamou: “Chegaria ele ao cúmulo de violentar a rainha na minha presença e em minha própria casa?” Mal o rei terminou de dizer isso, alguns oficiais cobriram o rosto de Hamã.
9 E um deles, chamado Harbona, que estava a serviço do rei, disse: “Há uma forca de mais de vinte metros[12] de altura junto à casa de Hamã, que ele fez para Mardoqueu, aquele que intercedeu pela vida do rei”. Então o rei ordenou: “Enforquem-no nela!”
10 Assim Hamã morreu na forca que tinha preparado para Mardoqueu; e a ira do rei se acalmou.

Ester – Capítulo 8

1 Naquele mesmo dia, o rei Xerxes deu à rainha Ester todos os bens de Hamã, o inimigo dos judeus. E Mardoqueu foi trazido à presença do rei, pois Ester lhe dissera que ele era seu parente.
2 O rei tirou seu anel-selo, que havia tomado de Hamã, e o deu a Mardoqueu; e Ester o nomeou administrador dos bens de Hamã.
3 Mas Ester tornou a implorar ao rei, chorando aos seus pés, que revogasse o plano maligno de Hamã, o agagita, contra os judeus.
4 Então o rei estendeu o cetro de ouro para Ester, e ela se levantou diante dele e disse:
5 Se for do agrado do rei, se posso contar com o seu favor, e se ele considerar justo, que se escreva uma ordem revogando as cartas que Hamã, filho do agagita Hamedata, escreveu para que os judeus fossem extermina­dos em todas as províncias do império.
6 Pois, como suportarei ver a desgraça que cairá sobre o meu povo? Como suportarei a destruição da minha própria família?
7 O rei Xerxes respondeu à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Mandei enforcar Hamã e dei os seus bens a Ester porque ele atentou contra os judeus.
8 Escrevam agora outro decreto em nome do rei, em favor dos judeus, como melhor lhes parecer, e selem-no com o anel-selo do rei, pois nenhum documento escrito em nome do rei e selado com o seu anel pode ser revoga­do.
9 Isso aconteceu no vigésimo terceiro dia do terceiro mês, o mês de sivã[13]. Os secretários do rei foram imediatamente convocados e escreveram todas as ordens de Mardoqueu aos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos nobres das cento e vinte e sete províncias que se estendiam da Índia até a Etiópia[14]. Essas ordens foram redigidas na língua e na escrita de cada província e de cada povo, e também na língua e na escrita dos judeus.
10 Mardoqueu escreveu em nome do rei Xerxes, selou as cartas com o anel-selo do rei, e as enviou por meio de mensageiros montados em cavalos velozes, das estrebarias do próprio rei.
11 O decreto do rei concedia aos judeus de cada cidade o direito de se reunirem e de se prote­gerem, de destruir, matar e aniquilar qualquer força armada de qualquer povo ou província que os ameaçasse, a eles, suas mulheres e seus filhos[15], e o direito de saquear os bens dos seus inimigos.
12 O decreto entrou em vigor nas províncias do rei Xerxes no décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar[16].
13 Uma cópia do decreto foi publicada como lei em cada província e levada ao conhecimento do povo de cada nação, a fim de que naquele dia os judeus estivessem prontos para vingar-se dos seus inimigos.
14 Os mensageiros, montando cavalos das estrebarias do rei, saíram a galope, por causa da ordem do rei. O decreto também foi publicado na cidadela de Susã.
15 Mardoqueu saiu da presença do rei usando vestes reais em azul e branco, uma grande coroa de ouro e um manto púrpura de linho fino. E a cidadela de Susã exultava de alegria.
16 Para os judeus foi uma ocasião de felicidade, alegria, júbilo e honra.
17 Em cada província e em cada cidade, onde quer que chegasse o decreto do rei, havia alegria e júbilo entre os judeus, com banquetes e festas. Muitos que pertenciam a outros povos do reino tornaram-se judeus, porque o temor dos judeus tinha se apoderado deles.

Ester – Capítulo 9

1 No décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar[17], entraria em vigor o decreto do rei. Naquele dia os inimigos dos judeus esperavam vencê-los, mas aconteceu o contrário: os judeus dominaram aqueles que os odiavam,
2 reunindo-se em suas cidades, em todas as províncias do rei Xerxes, para atacar os que buscavam a sua destruição. Ninguém conse­guia resistir-lhes, porque todos os povos estavam com medo deles.
3 E todos os nobres das províncias, os sátrapas, os governadores e os administradores do rei apoiaram os judeus, porque o medo que tinham de Mardoqueu havia se apoderado deles.
4 Mardoqueu era influente no palácio; sua fama espalhou-se pelas províncias, e ele se tornava cada vez mais poderoso.
5 Os judeus feriram todos os seus inimi­gos à espada, matando-os e destruindo-os, e fizeram o que quiseram com eles.
6 Na cidadela de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens.
7 Também mataram Parsandata, Dalfom, Aspata,
8 Porata, Ada­lia, Aridata,
9 Farmasta, Arisai, Aridai e Vaisata,
10 os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus. Mas não se apossaram dos seus bens.
11 Naquele mesmo dia o total de mortos na cidadela de Susã foi relatado ao rei,
12 que disse à rainha Ester: “Os judeus mataram e destruíram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã na cidadela de Susã. Que terão feito nas outras províncias do império? Agora, diga qual é o seu pedido, e você será atendida. Tem ainda algum desejo? Este lhe será concedido”.
13 Respondeu Ester: “Se for do agrado do rei, que os judeus de Susã tenham autorização para executar também amanhã o decreto de hoje, para que os corpos dos dez filhos de Hamã sejam pendurados na forca”.
14 Então o rei deu ordens para que assim fosse feito. O decreto foi publicado em Susã, e os corpos dos dez filhos de Hamã foram pendurados na forca.
15 Os judeus de Susã ajuntaram-se no décimo quarto dia do mês de adar e mataram trezentos homens em Susã, mas não se apossaram dos seus bens.
16 Enquanto isso, o restante dos judeus que viviam nas províncias do império, também se ajuntaram para se protegerem e se livrarem dos seus inimigos. Eles mataram setenta e cinco mil deles, mas não se apossaram dos seus bens.
17 Isso aconteceu no décimo terceiro dia do mês de adar, e no décimo quarto dia descansaram e fizeram dessa data um dia de festa e de alegria.
18 Os judeus de Susã, porém, tinham se reunido no décimo terceiro e no décimo quarto dias, e no décimo quinto descansaram e dele fizeram um dia de festa e de alegria.
19 Por isso os judeus que vivem em vilas e povoados comemoram o décimo quarto dia do mês de adar como um dia de festa e de alegria, um dia de troca de presentes.
20 Mardoqueu registrou esses aconteci­mentos e enviou cartas a todos os judeus de todas as províncias do rei Xerxes, próximas e distantes,
21 determinando que anualmente se comemorassem o décimo quarto e o décimo quinto dias do mês de adar,
22 pois nesses dias os judeus livraram-se dos seus inimigos; nesse mês a sua tristeza tornou-se em alegria, e o seu pranto, num dia de festa. Escreveu-lhes dizendo que comemorassem aquelas datas como dias de festa e de alegria, de troca de presentes e de ofertas aos pobres.
23 E assim os judeus adotaram como costume aquela comemoração, conforme o que Mardoqueu lhes tinha ordenado por escrito.
24 Pois Hamã, filho do agagita Hamedata, inimigo de todos os judeus, tinha tramado contra eles para destruí-los e tinha lançado o pur, isto é, a sorte para a ruína e destruição deles.
25 Mas quando isso chegou ao conhecimento do rei[18], ele deu ordens escritas para que o plano maligno de Hamã contra os judeus se voltasse contra a sua própria cabeça, e para que ele e seus filhos fossem enforcados.
26 Por isso aqueles dias foram chamados Purim, da palavra pur. Considerando tudo o que estava escrito nessa carta, o que tinham visto e o que tinha acontecido,
27 os judeus decidiram estabelecer o costume de que eles e os seus descendentes e todos os que se tornassem judeus não deixariam de comemorar anualmente esses dois dias, na forma prescrita e na data certa.
28 Esses dias seriam lembrados e comemorados em cada família de cada geração, em cada província e em cada cidade, e jamais deveriam deixar de ser comemorados pelos judeus. E os seus descendentes jamais deveriam esquecer-se de tais dias.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu escreveram com toda a autoridade uma segunda carta para confirmar a primeira, acerca do Purim.
30 Mardoqueu enviou cartas a todos os judeus das cento e vinte e sete províncias do império de Xerxes, desejando-lhes paz e segurança,
31 e confirmando que os dias de Purim deveriam ser comemorados nas datas determinadas, conforme o judeu Mardoqueu e a rainha Ester tinham decretado e estabelecido para si mesmos, para todos os judeus e para os seus descendentes, e acrescentou observações sobre tempos de jejum e de lamentação.
32 O decreto de Ester confirmou as regras do Purim, e isso foi escrito nos registros.

Jó – Capítulo 2

1 Num outro dia os anjos[5] vieram apresentar-se ao Senhor, e Satanás também veio com eles para apresentar-se.
2 O Senhor perguntou a Satanás, “De onde você ve­io?” Satanás respondeu ao Senhor: “De perambular pela terra e andar por ela”.
3 Disse então o Senhor a Satanás: “Repa­rou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal. Ele se mantém ínte­gro, apesar de você me haver instigado contra ele para arruiná-lo sem motivo”.
4 “Pele por pele!”, respondeu Satanás. “Um homem dará tudo o que tem por sua vida.
5 Estende a tua mão e fere a sua carne e os seus ossos, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face.
6 O Senhor disse a Satanás: “Pois bem, ele está nas suas mãos; apenas poupe a vida dele”.
7 Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor e afligiu Jó com feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça.
8 Então Jó apanhou um caco de louça e com ele se raspava, senta­do entre as cinzas.
9 Então sua mulher lhe disse: “Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!”
10 Ele respondeu: “Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” Em tudo isso Jó não pecou com seus lábios.
11 Quando três amigos de Jó, Elifaz, de Temã, Bildade, de Suá, e Zofar, de Naamate, souberam de todos os males que o haviam atingido, saíram, cada um da sua região. Combinaram encontrar-se para, juntos, irem mostrar solidarie­dade a Jó e consolá-lo.
12 Quando o viram a distância, mal puderam reconhecê-lo e começa­ram a chorar em alta voz. Cada um deles rasgou seu manto e colocou terra sobre a cabeça.
13 Depo­is os três se assentaram no chão com ele, durante sete dias e sete noites. Ninguém lhe disse uma pala­vra, pois viam como era grande o seu sofrimen­to.

Jó – Capítulo 6

1 Então Jó respondeu:
2 Se tão-somente pudessem pesar a minha aflição e pôr na balança a minha desgraça!
3 Veriam que o seu peso é maior que o da areia dos mares. Por isso as minhas palavras são tão impetuosas.
4 As flechas do Todo-poderoso estão cravadas em mim, e o meu espírito suga delas o veneno; os terrores de Deus me assediam.
5 Zurra o jumento selvagem, se tiver capim? Muge o boi, se tiver forragem?
6 Come-se sem sal uma comida insípida? E a clara do ovo, tem algum sabor?
7 Recuso-me a tocar nisso; esse tipo de comida causa-me repugnância.
8 Se tão-somente fosse atendido o meu pedido, se Deus me concedesse o meu desejo,
9 se Deus se dispusesse a esmagar-me, a soltar a mão protetora e eliminar-me!
10 Pois eu ainda teria o consolo, minha alegria em meio à dor implacável, de não ter negado as palavras do Santo.
11 Que esperança posso ter, se já não tenho forças? Como posso ter paciência, se não tenho futuro?
12 Acaso tenho a força da pedra? Acaso a minha carne é de bronze?
13 Haverá poder que me ajude, agora que os meus recursos se foram?
14 Um homem desesperado deve recebera compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-poderoso.
15 Mas os meus irmãos enganaram-me como riachos temporários, como os riachos que transbordam
16 quando o degelo os torna turvos e a neve que se derrete os faz encher,
17 mas que param de fluir no tempo da seca, e no calor desaparecem dos seus leitos.
18 As caravanas se desviam de suas rotas; sobem para lugares desertos e perecem.
19 Procuram água as caravanas de Temá, olham esperançosos os mercadores de Sabá.
20 Ficam tristes, porque estavam confiantes; lá chegaram tão-somente para sofrer decepção.
21 Pois agora vocês de nada me valeram; contemplam minha temível situação, e se enchem de medo.
22 Alguma vez lhes pedi que me dessem alguma coisa? Ou que da sua riqueza pagassem resgate por mim?
23 Ou que me livrassem das mãos do inimigo? Ou que me libertassem das garras de quem me oprime?
24 Ensinem-me, e eu me calarei; mostrem-me onde errei.
25 Como doem as palavras verdadeiras! Mas o que provamos argumentos de vocês?
26 Vocês pretendem corrigir o que digo e tratar como vento as palavras de um homem desesperado?
27 Vocês seriam capazes de pôr em sorteio o órfão e de vender um amigo por uma bagatela!
28 Mas agora, tenham a bondade de olhar para mim. Será que eu mentiria na frente de vocês?
29 Reconsiderem a questão, não sejam injustos; tornem a analisá-la, pois a minha integridade está em jogo[13].
30 Há alguma iniqüidade em meus lábios? Será que a minha boca não consegue discernir a maldade?

Jó – Capítulo 7

1 Não é pesado o labor do homem na terra? Seus dias não são como os de um assalariado?
2 Como o escravo que anseia pelas sombras do entardecer, ou como o assalariado que espera ansioso pelo pagamento,
3 assim me deram meses de ilusão, e noites de desgraça me foram destinadas.
4 Quando me deito, fico pensando: Quanto vai demorar para eu me levantar? A noite se arrasta, e eu fico me virando na cama até o amanhecer.
5 Meu corpo está coberto de vermes e cascas de ferida, minha pele está rachada e vertendo pus.
6 Meus dias correm mais depressa que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem nenhuma esperança.
7 Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida não passa de um sopro; meus olhos jamais tornarão a ver a felicidade.
8 Os que agora me vêem, nunca mais me verão; puseste o teu olhar em mim, e já não existo.
9 Assim como a nuvem se esvai e desaparece, assim quem desce à sepultura[14]não volta.
10 Nunca mais voltará ao seu lar; a sua habitação não mais o conhecerá.
11 Por isso não me calo; na aflição do meu espírito desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas.
12 Sou eu o mar, ou o monstro das profundezas, para que me ponhas sob guarda?
13 Quando penso que a minha cama me consolará e que o meu leito aliviará a minha queixa,
14 mesmo aí me assustas com sonhos e me aterrorizas com visões.
15 É melhor ser estrangulado e morrer do que sofrer assim[15];
16 sinto desprezo pela minha vida! Não vou viver para sempre; deixa-me, pois os meus dias não têm sentido.
17 Que é o homem, para que lhe dês importância e atenção,
18 para que o examines a cada manhã e o proves a cada instante?
19 Nunca desviarás de mim o teu olhar? Nunca me deixarás a sós, nem por um instante?
20 Se pequei, que mal te causei, ó tu que vigias os homens? Por que me tornaste teu alvo? Acaso tornei-me um fardo para ti? [16]
21 Por que não perdoas as minhas ofensa se não apagas os meus pecados? Pois logo me deitarei no pó; tu me procurarás, mas eu já não existirei.

Jó – Capítulo 8

1 Então Bildade, de Suá, respondeu:
2 Até quando você vai falar desse modo? Suas palavras são um grande vendaval!
3 Acaso Deus torce a justiça? Será que o Todo-poderosotorce o que é direito?
4 Quando os seus filhos pecaram contra ele, ele os castigou pelo mal que fizeram.
5 Mas, se você procurar a Deus e implorar junto ao Todo-poderoso,
6 se você for íntegro e puro, ele se levantará agora mesmo em seu favor e o restabelecerá no lugar que por justiça cabe a você.
7 O seu começo parecerá modesto, mas o seu futuro será de grande prosperidade.
8 Pergunte às gerações anteriores e veja o que os seus pais aprenderam,
9 pois nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias na terra não passam de uma sombra.
10 Acaso eles não o instruirão, não lhe falarão? Não proferirão palavras vindasdo entendimento?
11 Poderá o papiro crescer senão no pântano? Sem água cresce o junco?
12 Mal cresce e, antes de ser colhido, seca-se, mais depressa que qualquer grama.
13 Esse é o destino de todo o que se esquece de Deus; assim perece a esperança dos ímpios.
14 Aquilo em que ele confia é frágil, aquilo em que se apóia é uma teia de aranha.
15 Encosta-se em sua teia, mas ela cede; agarra-se a ela, mas ela não agüenta.
16 Ele é como uma planta bem regada ao brilho do sol, espalhando seus brotos pelo jardim;
17 entrelaça as raízes em torno de um monte de pedras e procura um lugar entre as rochas.
18 Mas, quando é arrancada do seu lugar, este a rejeita e diz: “Nunca a vi”.
19 Esse é o fim da sua vida, e do solo brotam outras plantas.
20 Pois o certo é que Deus não rejeita o íntegro, e não fortalece as mãos dos que fazem o mal.
21 Mas, quanto a você, ele encherá de riso a sua boca e de brados de alegria os seus lábios.
22 Seus inimigos se vestirão de vergonha, e as tendas dos ímpios não mais existirão.

Jó – Capítulo 9

1 Então Jó respondeu:
2 Bem sei que isso é verdade. Mas como pode o mortal ser justo diante de Deus?
3 Ainda que quisesse discutir com ele, não conseguiria argumentar nem uma vez em mil.
4 Sua sabedoria é profunda, seu poder é imenso. Quem tentou resistir-lhe e saiu ileso?
5 Ele transporta montanhas sem que elas o saibam, e em sua ira as põe de cabeça para baixo.
6 Sacode a terra e a tira do lugar, e faz suas colunas tremerem.
7 Fala com o sol, e ele não brilha; ele veda e esconde a luz das estrelas.
8 Só ele estende os céus e anda sobre as ondas do mar.
9 Ele é o Criador da Ursa e do Órion, das Plêiades e das constelações do sul.
10 Realiza maravilhas que não se pode perscrutar, milagres incontáveis.
11 Quando passa por mim, não posso vê-lo; se passa junto de mim, não o percebo.
12 Se ele apanha algo, quem pode pará-lo? Quem pode dizer-lhe: “O que fazes?”
13 Deus não refreia a sua ira; até o séquito de Raabe[17] encolheu-se diante dos seus pés.
14 Como então poderei eu discutir com ele? Como achar palavras para com ele argumentar?
15 Embora inocente, eu seria incapaz de responder-lhe; poderia apenas implorar misericórdia ao meu Juiz.
16 Mesmo que eu o chamasse e ele me respondesse, não creio que me daria ouvidos.
17 Ele me esmagaria com uma tempestade e sem motivo multiplicaria minhas feridas.
18 Não me permitiria recuperar o fôlego, mas me engolfaria em agruras.
19 Recorrer à força? Ele é mais poderoso! Ao tribunal? Quem o[18] intimará?
20 Mesmo sendo eu inocente, minha boca me condenaria; se eu fosse íntegro, ela me declararia culpado.
21 Conquanto eu seja íntegro, já não me importo comigo; desprezo a minha própria vida.
22 É tudo a mesma coisa; por isso digo: Ele destrói tanto o íntegro como o ímpio.
23 Quando um flagelo causa morte repentina, ele zomba do desespero dos inocentes.
24 Quando um país cai nas mãos dos ímpios, ele venda os olhos de seus juízes. Se não é ele, quem é então?
25 Meus dias correm mais velozes que um atleta; eles voam sem um vislumbre de alegria.
26 Passam como barcos de papiro, como águias que mergulham sobre as presas.
27 Se eu disser: Vou esquecer a minha queixa, vou mudar o meu semblante e sorrir,
28 ainda assim me apavoro com todos os meus sofrimentos, pois sei que não me considerarás inocente.
29 Uma vez que já fui considerado culpado, por que deveria eu lutar em vão?
30 Mesmo que eu me lavasse com sabão[19]e limpasse as minhas mãos com soda de lavadeira,
31 tu me atirarias num poço de lodo, para que até as minhas roupas me detestassem.
32 Ele não é homem como eu, para que eu lhe responda e nos enfrentemos em juízo.
33 Se tão-somente houvesse alguém para servir de árbitro entre nós, para impor as mãos sobre nós dois,
34 alguém que afastasse de mima vara de Deus, para que o seu terror não mais me assustasse!
35 Então eu falaria sem medo; mas não é esse o caso.

Jó – Capítulo 15

1 Então Elifaz, de Temã, respondeu:
2 Responderia o sábio com idéias vãs, ou encheria o estômago com o vento?
3 Argumentaria com palavras inúteis, com discursos sem valor?
4 Mas você sufoca a piedade e diminui a devoção a Deus.
5 O seu pecado motiva a sua boca; você adota a linguagem dos astutos.
6 É a sua própria boca que o condena, e não a minha; os seus próprios lábiosdepõem contra você.
7 Será que você foi o primeiro a nascer? Acaso foi gerado antes das colinas?
8 Você costuma ouviro conselho secreto de Deus? Só a você pertence a sabedoria?
9 O que você sabe, que nós não sabemos? Que compreensão tem você, que nós não temos?
10 Temos do nosso lado homens de cabelos brancos, muito mais velhos que o seu pai.
11 Não lhe basta mas consolações divinas e as nossas palavras amáveis?
12 Por que você se deixa levar pelo coração, e por que esse brilho nos seus olhos?
13 Pois contra Deus é que você dirige a sua ira e despeja da sua boca essas palavras!
14 Como o homem pode ser puro? Como pode ser justo quem nasce de mulher?
15 Pois se nem nos seus santos Deus confia, e se nem os céus são puros aos seus olhos,
16 quanto menos o homem, que é impuro e corrupto, e que bebe iniqüidade como á­gua.
17 Escute-me, e eu lhe explicarei; vou dizer-lhe o que vi,
18 o que os sábios declaram sem esconder o que receberam dos seus pais,
19 a quem foi dada a terra, e a mais ninguém; nenhum estrangeiro passou entre eles:
20 O ímpio sofre tormentosa vida toda, como também o homem cruel, nos poucos anos que lhe são reservados.
21 Só ouve ruídos aterrorizantes; quando se sente em paz, ladrões o atacam.
22 Não tem esperança de escapar das trevas; sente-se destinado ao fio da espada.
23 Fica perambulando; é comida para os abutres; [30]sabe muito bem que logo virão sobre ele as trevas.
24 A aflição e a angústia o apavoram e o dominam como um rei pronto para atacar,
25 porque agitou os punhos contra Deus, e desafiou o Todo-poderoso,
26 afrontando-o com arrogância, com um escudo grosso e resistente.
27 Apesar de ter o rosto coberto de gordura e a cintura estufada de carne,
28 habitará em cidades prestes a arruinar-se, em casas inabitáveis, caindo aos pedaços.
29 Nunca mais será rico; sua riqueza não durará, e os seus bens não se propagarão pela terra.
30 Não poderá escapar das trevas; o fogo chamuscará os seus renovos, e o sopro da boca de Deus o arrebatará.
31 Que ele não se iluda em confiar no que não tem valor, pois nada receberá como compensação.
32 Terá completa paga antes do tempo, e os seus ramos não florescerão.
33 Será como a vinha despojada de suas uvas verdes, como a oliveira que perdeu a sua floração,
34 pois o companheirismo dos ímpios nada lhe trará, e o fogo devorará as tendas dos que gostam de subornar.
35 Eles concebem maldade e dão à luz a iniqüidade; seu ventre gera engano.

Jó – Capítulo 16

1 Então Jó respondeu:
2 Já ouvi muitas palavras como essas. Pobres consoladores são vocês todos!
3 Esses discursos inúteis nunca terminarão? E você, o que o leva a continuar discutindo?
4 Bem que eu poderia falar como vocês, se estivessem em meu lugar; eu poderia condená-los com belos discursos, e menear a cabeça contra vocês.
5 Mas a minha boca procuraria encorajá-los; a consolação dos meus lábioslhes daria alívio.
6 Contudo, se falo, a minha dor não se alivia; se me calo, ela não desaparece.
7 Sem dúvida, ó Deus, tu me esgotaste as forças; deste fim a toda a minha família.
8 Tu me deixaste deprimido, o que é uma testemunha disso; a minha magreza se levanta e depõe contra mim.
9 Deus, em sua ira, ataca-me e faz-me em pedaços, e range os dentes contra mim; meus inimigos fitam-me com olhar ferino.
10 Os homens abrem sua boca contra mim, esmurram meu rosto com zombaria e se unem contra mim.
11 Deus fez-me cair nas mãos dos ímpios e atirou-me nas garras dos maus.
12 Eu estava tranqüilo, mas ele me arrebentou; agarrou-me pelo pescoço e esmagou-me. Fez de mim o seu alvo;
13 seus flecheiros me cercam. Ele traspassou sem dó os meus rins e derramou na terra a minha bílis.
14 Lança-se sobre mim uma e outra vez; ataca-me como um guerreiro.
15 Costurei veste de lamento sobre a minha pele e enterrei a minha testa no pó.
16 Meu rosto está rubro de tanto eu chorar, e sombras densas circundam os meus olhos,
17 apesar de não haver violência em minhas mãos e de ser pura a minha oração.
18 Ó terra, não cubra o meu sangue! Não haja lugar de repouso para o meu clamor!
19 Saibam que agora mesmo a minha testemunha está nos céus; nas alturas está o meu advogado.
20 O meu intercessor é meu amigo, [31]quando diante de Deus correm lágrimas dos meus olhos;
21 ele defende a causa do homem perante Deus, como quem defende a causa de um amigo.
22 Pois mais alguns anos apenas, e farei a viagem sem retorno.

Jó – Capítulo 20

1 Então Zofar, de Naamate, respondeu:
2 Agitam-se os meus pensamentos e levam-me a responder porque estou profundamente perturbado.
3 Ouvi uma repreensão que me desonra, e o meu entendimento faz-me contestar.
4 Certamente você sabe que sempre foi assim, desde a antigüidade; desde que o homem[41] foi posto na terra,
5 o riso dos maus é passageiro, e a alegria dos ímpios dura apenas um instante.
6 Mesmo que o seu orgulho chegue aos céus e a sua cabeça toque as nuvens,
7 ele perecerá para sempre, como o seu próprio excremento; os que o tinham visto perguntarão: “Onde ele foi parar?”
8 Ele voa e vai-se como um sonho, para nunca mais ser encontrado, banido como uma visão noturna.
9 O olho que o viu não o verá mais, nem o seu lugar o tornará a ver.
10 Seus filhos terão que indenizar os pobres; ele próprio, com suas mãos, terá que refazer sua riqueza.
11 O vigor juvenil que enche os seus ossos jazerá com ele no pó.
12 Mesmo que o mal seja doce em sua boca e ele o esconda sob a língua,
13 mesmo que o retenha na boca para saboreá-lo,
14 ainda assim a sua comida azedará no estômago; e será como veneno de cobra em seu interior.
15 Ele vomitará as riquezas que engoliu; Deus fará seu estômago lançá-las fora.
16 Sugará veneno de cobra; as presas de uma víbora o matarão.
17 Não terá gosto na contemplação dos regatos e dos rios que vertem mel e nata.
18 Terá que devolver aquilo pelo que lutou, sem aproveitá-lo, e não desfrutará dos lucros do seu comércio.
19 Sim, pois ele tem oprimido os pobres e os tem deixado desamparados; apoderou-se de casas que não construiu.
20 Certo é que a sua cobiça não lhe trará descanso, e o seu tesouro não o salvará.
21 Nada lhe restou para devorar; sua prosperidade não durará muito.
22 Em meio à sua fartura, a aflição o dominará; a força total da desgraça o atingirá.
23 Quando ele estiver de estômago cheio, Deus dará vazão às tremendas chamas de sua ira, e sobre ele despejará o seu furor.
24 Se escapar da arma de ferro, o bronze da sua flecha o atravessará.
25 Ele a arrancará das suas costas, a ponta reluzente saindo do seu fígado. Grande pavor virá sobre ele;
26 densas trevas estarão à esperados seus tesouros. Um fogo não assoprado o consumirá e devorará o que sobrar em sua tenda.
27 Os céus revelarão a sua culpa; a terra se levantará contra ele.
28 Uma inundação arrastará a sua casa, águas avassaladoras[42], no dia da ira de Deus.
29 Esse é o destino que Deus dá aos ímpios, é a herança designada por Deus para eles.

Jó – Capítulo 21

1 Então Jó respondeu:
2 Escutem com atenção as minhas palavras; seja esse o consolo que vocês haverão de dar-me.
3 Suportem-me enquanto eu estiver falando; depois que eu falar poderão zombar de mim.
4 Acaso é dos homens que me queixo? Por que não deveria eu estar impaciente?
5 Olhem para mim, e ficarão atônitos; tapem a boca com a mão.
6 Quando penso nisso, fico aterrorizado; todo o meu corpo se põe a tremer.
7 Por que vivem os ímpios? Por que chegam à velhice e aumentam seu poder?
8 Eles vêem os seus filhos estabelecidos ao seu redor, e os seus descendentes diante dos seus olhos.
9 Seus lares estão seguros e livres do medo; a vara de Deus não os vem ferir.
10 Seus touros nunca deixam de procriar; suas vacas dão crias e não abortam.
11 Eles soltam os seus filhos como um rebanho; seus pequeninos põem-se a dançar.
12 Cantam, acompanhando a música do tamborim e da harpa; alegram-se ao som da flauta.
13 Os ímpios passam a vida na prosperidade e descem à sepultura[43] em paz[44].
14 Contudo, dizem eles a Deus: “Deixa-nos! Não queremos conhecer os teus caminhos.
15 Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos? Que vantagem temos em orar a Deus?”
16 Mas não depende deles a prosperidade que desfrutam; por isso fico longe do conselho dos ímpios.
17 Pois, quantas vezes a lâmpada dos ímpios se apaga? Quantas vezes a desgraça cai sobre eles, o destino que em sua ira Deus lhes dá?
18 Quantas vezes o vento os leva como palha, e o furacão os arrebata como cisco?
19 Dizem que Deus reserva o castigo de um homem para os seus filhos. ­Que o próprio pai o receba, para que aprenda a lição!
20 Que os seus próprios olhos vejam a sua ruína; que ele mesmo beba da irado Todo-poderoso! [45]
21 Pois, que lhe importará a família que deixará atrás de si quando chegarem ao fim os meses que lhe foram destinados?
22 Haverá alguém que o ensine a conhecer a Deus, uma vez que ele julga até os de mais alta posição?
23 Um homem morre em pleno vigor, quando se sentia bem e seguro,
24 tendo o corpo bem nutrido e os ossos cheios de tutano.
25 Já outro morre tendo a alma amargurada, sem nada ter desfrutado.
26 Um e outro jazem no pó, ambos cobertos de vermes.
27 Sei muito bem o que vocês estão pensando, as suas conspirações contra mim.
28 “Onde está agora a casado grande homem?”, vocês perguntam. “Onde a tenda dos ímpios?”
29 Vocês nunca fizeram perguntas aos que viajam? Não deram atenção ao que eles contam?
30 Pois eles dizem que o mau é poupado da calamidade, e que do dia da ira recebe livramento.
31 Quem o acusa, lançando em rosto a sua conduta? Quem lhe retribui o mal que fez?
32 Pois o levam para o túmulo, e vigiam a sua sepultura.
33 Para ele é macio o terreno do vale; todos o seguem, e uma multidão incontável o precede. [46]
34 “Por isso, como podem vocês consolar-me com esses absurdos? O que sobra das suas respostas é pura falsidade!”

Jó – Capítulo 22

1 Então, Elifaz, de Temã, respondeu:
2 Pode alguém ser útil a Deus? Mesmo um sábio, pode ser-lhe de algum proveito?
3 Que prazer você daria ao Todo-poderoso se você fosse justo? Que é que ele ganharia se os seus caminhos fossem irrepreensíveis?
4 É por sua piedade que ele o repreende e lhe faz acusações?
5 Não é grande a sua maldade? Não são infindos os seus pecados?
6 Sem motivo você exigia penhores dos seus irmãos; você despojava das roupas os que quase nenhuma tinham.
7 Você não deu água ao sedento e reteve a comida do faminto,
8 sendo você poderoso, dono de terras e delas vivendo, e honrado diante de todos.
9 Você mandou embora de mãos vazias as viúvas e quebrou a força dos órfãos.
10 Por isso está cercado de armadilhas e o perigo repentino o apavora.
11 Também por isso você se vê envolto em escuridão que o cega, e o cobrem as águas, em tremenda inundação.
12 Não está Deus nas alturas dos céus? E em que altura estão as estrelas mais distantes!
13 Contudo, você diz: “O que sabe Deus? Poderá julgar através de tão grande escuridão?
14 Nuvens espessas o cobrem, e ele não pode ver-nos quando percorre a abóbada dos céus”.
15 Você vai continuar no velho caminho que os perversos palmilharam?
16 Estes foram levados antes da hora; seus alicerces foram arrastados por uma enchente.
17 Eles disseram a Deus: “Deixa-nos! O que o Todo-poderoso poderá fazer conosco?”
18 Contudo, foi ele que encheu de bens as casas deles; por isso fico longe do conselho dos ímpios.
19 Os justos vêem a ruína deles, e se regozijam; os inocentes zombam deles, dizendo:
20 “Certo é que os nossos inimigos foram destruídos, e o fogo devorou a sua riqueza”.
21 Sujeite-se a Deus, fique em paz com ele, e a prosperidade virá a você.
22 Aceite a instrução que vem da sua boca e ponha no coração as suas palavras.
23 Se você voltar para o Todo-poderoso, voltará ao seu lugar. Se afastar da sua tenda a injustiça,
24 lançar ao pó as suas pepitas, o seu ouro puro de Ofir às rochas dos vales,
25 o Todo-poderoso será o seu ouro, será para você prata seleta.
26 É certo que você achará prazer no Todo-poderoso e erguerá o rosto para Deus.
27 A ele orará, e ele o ouvirá, e você cumprirá os seus votos.
28 O que você decidir se fará, e a luz brilhará em seus caminhos.
29 Quando os homens forem humilhados e você disser: “Levanta-os!”, ele salvará o abatido.
30 Livrará até o que não é inocente, que será liberto graças à pureza que há em você, nas suas mãos.

Jó – Capítulo 27

1 E Jó prosseguiu em seu discurso:
2 Pelo Deus vivo, que me negou justiça, pelo Todo-poderoso, que deu amargura à minha alma,
3 enquanto eu tiver vida em mim, o sopro de Deus em minhas narinas,
4 meus lábios não falarão maldade, e minha língua não proferirá nada que seja falso.
5 Nunca darei razão a vocês! Minha integridade não negarei jamais, até a morte.
6 Manterei minha retidão, e nunca a deixarei; enquanto eu viver, a minha consciência não me repreenderá.
7 Sejam os meus inimigos como os ímpios, e os meus adversários como os injustos!
8 Pois, qual é a esperança do ímpio, quando é eliminado, quando Deus lhe tira a vida?
9 Ouvirá Deus o seu clamor quando vier sobre ele a aflição?
10 Terá ele prazer no Todo-poderoso? Chamará a Deus a cada instante?
11 Eu os instruirei sobre o poder de Deus; não esconderei de vocês os caminhos do Todo-poderoso.
12 Pois a verdade é que todos vocês já viram isso. Então por que essa conversa sem sentido?
13 Este é o destino que Deus determinou para o ímpio, a herança que o mau recebedo Todo-poderoso:
14 Por mais filhos que o ímpio tenha, o destino deles é a espada; sua prole jamais terá comida suficiente.
15 A epidemia sepultará aqueles que lhe sobreviverem, e as suas viúvas não chorarão por eles.
16 Ainda que ele acumule prata como pó e amontoe roupas como barro,
17 o que ele armazenar ficará para os justos, e os inocentes dividirão sua prata.
18 A casa que ele constrói é como casulo de traça, como cabana feita pela sentinela.
19 Rico ele se deita, mas nunca mais o será! Quando abre os olhos, tudo se foi.
20 Pavores vêm sobre ele como uma enchente; de noite a tempestade o leva de roldão.
21 O vento oriental o leva, e ele desaparece; arranca-o do seu lugar.
22 Atira-se contra ele sem piedade, enquanto ele foge às pressas do seu poder.
23 Bate palmas contra ele e com assobios o expele do seu lugar.

Jó – Capítulo 30

1 Mas agora eles zombam de mim, homens mais jovens que eu, homens cujos pais eu teria rejeitado, não lhes permitindo sequer estar com os cães de guarda do rebanho.
2 De que me serviria a força de suas mãos, já que desapareceu o seu vigor?
3 Desfigurados de tanta necessidade e fome, perambulavam pela[57] terra ressequida, em sombrios e devastados desertos.
4 Nos campos de mato rasteiro colhiam ervas, e a raiz da gi esta era a sua comida[58].
5 Da companhia dos amigos foram expulsos aos gritos, como se fossem ladrões.
6 Foram forçados a morar nos leitos secos dos rios, entre as rochas e nos buracos da terra.
7 Rugiam entre os arbustos e se encolhiam sob a vegetação.
8 Prole desprezível e sem nome, foram expulsos da terra.
9 E agora os filhos deles zombam de mim com suas canções; tornei-me um provérbio entre eles.
10 Eles me detestam e se mantêm a distância; não hesitam em cuspir em meu rosto.
11 Agora que Deus afrouxou a corda do meu arco e me afligiu, eles ficam sem freios na minha presença.
12 À direita os embrutecidos me atacam; preparam armadilhas para os meus pés e constroem rampas de cerco contra mim.
13 Destroem o meu caminho; conseguem destruir-me sem a ajuda de ninguém.
14 Avançam como através de uma grande brecha; arrojam-se entre as ruínas.
15 Pavores apoderam-se de mim; a minha dignidade é levada como pelo vento, a minha segurança se desfaz como nuvem.
16 E agora esvai-se a minha vida; estou preso a dias de sofrimento.
17 A noite penetra os meus ossos; minhas dores me corroem sem cessar.
18 Em seu grande poder, Deus é como a minha roupa[59]; ele me envolve como a gola da minha veste.
19 Lança-me na lama, e sou reduzido a pó e cinza.
20 Clamo a ti, ó Deus, mas não me respondes; fico em pé, mas apenas olhas para mim.
21 Contra mim te voltas com dureza e me atacas com a força de tua mão.
22 Tu me apanhas e me levas contra o vento, e me jogas de um lado a outro na tempestade.
23 Sei que me farás descer até a morte, ao lugar destinado a todos os viventes.
24 A verdade é que ninguém dá a mão ao homem arruinado, quando este, em sua aflição, grita por socorro.
25 Não é certo que chorei por causados que passavam dificuldade? E que a minha alma se entristeceu por causa dos pobres?
26 Mesmo assim, quando eu esperava o bem, veio o mal; quando eu procurava luz, vieram trevas.
27 Nunca pára a agitação dentro de mim; dias de sofrimento me confrontam.
28 Perambulo escurecido, mas não pelo sol; levanto-me na assembléia e clamo por ajuda.
29 Tornei-me irmão dos chacais, companheiro das corujas.
30 Minha pele escurece e cai; meu corpo queima de febre.
31 Minha harpa está afinada para cantos fúnebres, e minha flauta para o som de pranto.

Jó – Capítulo 31

1 Fiz acordo com os meus olhos de não olhar com cobiça para as moças.
2 Pois qual é a porção que o homem recebe de Deus lá de cima? Qual a sua herança do Todo-poderoso, que habita nas alturas?
3 Não é ruína para os ímpios, desgraça para os que fazem o mal?
4 Não vê ele os meus caminhos, e não considera cada um de meus passos?
5 Se me conduzi com falsidade, ou se meus pés se apressaram a enganar,
6 — Deus me pese em balança justa, e saberá que não tenho culpa —
7 se meus passos desviaram-se do caminho, se o meu coração foi conduzido por meus olhos, ou se minhas mãos foram contaminadas,
8 que outros comam o que semeei, e que as minhas plantações sejam arrancadas pelas raízes.
9 Se o meu coração foi seduzido por mulher, ou se fiquei à espreita junto à porta do meu próximo,
10 que a minha esposa moa cereal de outro homem, e que outros durmam com ela.
11 Pois fazê-lo seria vergonhoso, crime merecedor de julgamento.
12 Isso é um fogo que consome até a Destruição[60]; teria extirpado a minha colheita.
13 Se neguei justiça aos meus servos e servas, quando reclamaram contra mim,
14 que farei quando Deus me confrontar? Que responderei quando chamado a prestar contas?
15 Aquele que me fez no ventre materno não os fez também? Não foi ele que nos formou, a mim e a eles, no interior de nossas mães?
16 Se não atendi os desejos do pobre, ou se fatiguei os olhos da viúva,
17 se comi meu pão sozinho, sem compartilhá-lo com o órfão,
18 sendo que desde a minha juventude o criei como se fosse seu pai, e desde o nascimento guiei a viúva;
19 se vi alguém morrendo por falta de roupa, ou um necessitado sem cobertor,
20 e o seu coração não me abençoou porque o aqueci com a lã de minhas ovelhas,
21 se levantei a mão contra o órfão, ciente da minha influência no tribunal,
22 que o meu braço descaia do ombro, e se quebre nas juntas.
23 Pois eu tinha medo que Deus me destruísse, e, temendo o seu esplendor, não podia fazer tais coisas.
24 Se pus no ouro a minha confiança e disse ao ouro puro: Você é a minha garantia,
25 se me regozijei por ter grande riqueza, pela fortuna que as minhas mãos obtiveram,
26 se contemplei o sol em seu fulgor e a lua a mover-se esplêndida,
27 e em segredo o meu coração foi seduzido e a minha mão lhes ofereceu beijos de veneração,
28 esses também seriam pecados merecedores de condenação, pois eu teria sido infiel a Deus, que está nas alturas.
29 Se a desgraça do meu inimigo me alegrou, ou se os problemas que teve me deram prazer;
30 eu, que nunca deixei minha boca pecar, lançando maldição sobre ele;
31 se os que moram em minha casa nunca tivessem dito: “Quem não recebeu de Jô um pedaço de carne?”,
32 sendo que nenhum estrangeiro teve que passar a noite na rua, pois a minha porta sempre esteve aberta para o viajante;
33 se escondi o meu pecado, como outros fazem[61], acobertando no coração a minha culpa,
34 com tanto medo da multidão e do desprezo dos familiares que me calei e não saí de casa...
35 (Ah, se alguém me ouvisse! Agora assino a minha defesa. Que o Todo-poderoso me responda; que o meu acusador faça a denúncia por escrito.
36 Eu bem que a levaria nos ombros e a usaria como coroa.
37 Eu lhe falaria sobre todos os meus passos; como um príncipe eu me aproximaria dele. )
38 Se a minha terra se queixar de mime todos os seus sulcos chorarem,
39 se consumi os seus produtos sem nada pagar, ou se causei desânimo aos seus ocupantes,
40 que me venham espinhos em lugar de trigoe ervas daninhas em lugar de cevada. Aqui terminam as palavras de Jó.

Jó – Capítulo 37

1 Diante disso o meu coração bate aceleradamente e salta do seu lugar.
2 Ouça! Escute o estrondo da sua voz, o trovejar da sua boca.
3 Ele solta os seus relâmpagos por baixo de toda a extensão do céu e os manda para os confins da terra.
4 Depois vem o som do seu grande estrondo: ele troveja com sua majestosa voz. Quando a sua voz ressoa, nada o faz recuar.
5 A voz de Deus troveja maravilhosamente; ele faz coisas grandiosas, acima do nosso entendimento.
6 Ele diz à neve: “Caia sobre a terra”, e à chuva: “Seja um forte aguaceiro”.
7 Ele paralisa o trabalho de cada homem, a fim de que todos os que ele criou conheçam a sua obra. [76]
8 Os animais vão para os seus esconderijos, e ficam nas suas tocas.
9 A tempestade sai da sua câmara, e dos ventos vem o frio.
10 O sopro de Deus produz gelo, e as vastas águas se congelam.
11 Também carrega de umidade as nuvens, e entre elas espalha os seus relâmpagos.
12 Ele as faz girar, circulando sobre a superfície de toda a terra, para fazerem tudo o que ele lhes ordenar.
13 Ele traz as nuvens, ora para castigar os homens, ora para regar a sua terra[77]e lhes mostrar o seu amor.
14 Escute isto, Jó; pare e reflita nas maravilhas de Deus.
15 Acaso você sabe como Deus comanda as nuvens e faz brilhar os seus relâmpagos?
16 Você sabe como ficam suspensas as nuvens, essas maravilhas daquele que tem perfeito conhecimento?
17 Você, que em sua roupa desfalece de calor quando a terra fica amortecida sob o vento sul,
18 pode ajudá-lo a estender os céus, duros como espelho de bronze?
19 Diga-nos o que devemos dizer a ele; não podemos elaborar a nossa defesa por causa das nossas trevas.
20 Deve-se dizer-lhe o que lhe quero falar? Quem pediria para ser devorado?
21 Ninguém pode olhar para o fulgor do sol nos céus, depois que o vento os clareia.
22 Do norte vem luz dourada; Deus vem em temível majestade.
23 Fora de nosso alcance está o Todo-poderoso, exaltado em poder; mas, em sua justiça e retidão, não oprime ninguém.
24 Por isso os homens o temem; não dá ele atenção a todos os sábios de coração? [78]

Jó – Capítulo 41

1 Você consegue pescar com anzol o Leviatã[88]ou prender sua língua com uma corda?
2 Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz ou atravessar seu queixo com um gancho?
3 Você imagina que ele vai lhe implorar misericórdia e falar-lhe palavras amáveis?
4 Acha que ele vai fazer a cor do com você, para que o tenha como escravo pelo resto da vida?
5 Acaso você consegue fazer dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho, ou pôr-lhe uma coleira para dá-lo às suas filhas?
6 Poderão os negociantes vendê-lo? Ou reparti-lo entre os comerciantes?
7 Você consegue encher de arpões o seu couro, e de lanças de pesca a sua cabeça?
8 Se puser a mão nele, a luta ficará em sua memória, e nunca mais você tornará a fazê-lo.
9 Esperar vencê-lo é ilusão; apenas vê-lo já é assustador.
10 Ninguém é suficientemente corajoso para despertá-lo. Quem então será capaz de resistir a mim?
11 Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertence.
12 Não deixarei de falar de seus membros, de sua força e de seu porte gracioso.
13 Quem consegue arrancar sua capa externa? Quem se aproximaria delecom uma rédea?
14 Quem ousa abrir as portas de sua boca, cercada com seus dentes temíveis?
15 Suas costas possuem[89]fileiras de escudos firmemente unidos;
16 cada um está tão junto do outro que nem o ar passa entre eles;
17 estão tão interligados que é impossível separá-los.
18 Seu forte sopro atira lampejos de luz; seus olhos são como os raios da alvorada.
19 Tições saem da sua boca; fagulhas de fogo estalam.
20 Das suas narinas sai fumaça como de panela fervente sobre fogueira de juncos.
21 Seu sopro acende o carvão, e da sua boca saltam chamas.
22 Tanta força reside em seu pescoço que o terror vai adiante dele.
23 As dobras da sua carne são fortemente unidas; são tão firmes que não se movem.
24 Seu peito é duro como pedra, rijo como a pedra inferior do moinho.
25 Quando ele se ergue, os poderosos se apavoram; fogem com medo dos seus golpes.
26 A espada que o atinge nada lhe faz, nem a lança nem a flecha nem o dardo.
27 Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre.
28 As flechas não o afugentam, as pedras das fundas são como cisco para ele.
29 O bastão lhe parece fiapo de palha; o brandir da grande lança o faz rir.
30 Seu ventre é como caco denteado, e deixa rastro na lama como o trilho de debulhar.
31 Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de ungüento.
32 Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossemos cabelos brancos do abismo.
33 Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida!
34 Com desdém olha todos os altivos; reina soberano sobre todos os orgulhosos.

Jó – Capítulo 42

1 Então Jó respondeu ao Senhor:
2 Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planospode ser frustrado.
3 Tu perguntaste: “Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento?”Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.
4 Tu disseste: “Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá”.
5 Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.
6 Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.
7 Depois que o Senhor disse essas pala­vras a Jó, disse também a Elifaz, de Temã: Estou indignado com você e com os seus dois amigos, pois vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó.
8 Vão agora até meu servo Jó, levem sete novilhos e sete carneiros, e com eles apresentem holocaustos[90] em favor de vocês mesmos. Meu servo Jó orará por vocês; eu aceitarei a oração dele e não lhes farei o que vocês merecem pela loucura que cometeram. Vocês não falaram o que é certo a meu respeito, como fez meu servo Jó.
9 Então Elifaz, de Temã, Bildade, de Suá, e Zofar, de Naamate, fizeram o que o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a oração de Jó.
10 Depois que Jó orou por seus amigos, o Senhor o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes.
11 Todos os seus irmãos e irmãs, e todos os que o haviam conhecido anteriormente vieram comer com ele em sua casa. Eles o consolaram e o confortaram por todas as tribulações que o Senhor tinha trazido sobre ele, e cada um lhe deu uma peça de prata[91] e um anel de ouro.
12 O Senhor abençoou o final da vida de Jó mais do que o início. Ele teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e mil jumentos.
13 Também teve ainda sete filhos e três filhas.
14 À primeira filha deu o nome de Jemima, à segunda o de Quézia e à terceira o de Quéren-Hapuque.
15 Em parte alguma daquela terra havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó, e seu pai lhes deu herança junto com os seus irmãos.
16 Depois disso Jó viveu cento e quarenta anos; viu seus filhos e os descendentes deles até a quarta geração.
17 E então morreu, em idade muito avançada.

Salmos – Capítulo 6

1 Senhor, não me castigues na tua ira nem me disciplines no teu furor.
2 Misericórdia, Senhor, pois vou desfalecendo! Cura-me, Senhor, pois os meus ossos tremem:
3 todo o meu ser estremece. Até quando, Senhor, até quando?
4 Volta-te, Senhor, e livra-me; salva-me por causa do teu amor leal.
5 Quem morreu não se lembra de ti. Entre os mortos[11], quem te louvará?
6 Estou exausto de tanto gemer. De tanto chorar inundo de noite a minha cama; de lágrimas encharco o meu leito.
7 Os meus olhos se consomem de tristeza; fraquejam por causa de todos os meus adversários.
8 Afastem-se de mim todos vocês que praticam o mal, porque o Senhor ouviu o meu choro.
9 O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor aceitou a minha oração.
10 Serão humilhados e aterrorizados todos os meus inimigos; frustrados, recuarão de repente.

Salmos – Capítulo 15

1 Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte?
2 Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade
3 e não usa a língua para difamar, que nenhum mal faz ao seu semelhante e não lança calúnia contra o seu próximo,
4 que rejeita quem merece desprezo, mas honra os que temem o Senhor, que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado,
5 que não empresta o seu dinheiro visando lucro nem aceita suborno contra o inocente. Quem assim procede nunca será abalado!

Salmos – Capítulo 21

1 O rei se alegra na tua força, ó Senhor! Como é grande a sua exultação pelas vitórias que lhe dás!
2 Tu lhe concedeste o desejo do seu coração e não lhe rejeitaste o pedido dos seus lábios. Pausa
3 Tu o recebeste dando-lhe ricas bênçãos, e em sua cabeça puseste uma coroa de ouro puro.
4 Ele te pediu vida, e tu lhe deste! Vida longa e duradoura.
5 Pelas vitórias que lhe deste, grande é a sua glória; de esplendor e majestade o cobriste.
6 Fizeste dele uma grande bênção para sempre e lhe deste a alegria da tua presença.
7 O rei confia no Senhor: por causa da fidelidade do Altíssimo ele não será abalado.
8 Tua mão alcançará todos os teus inimigos; tua mão direita atingirá todos os que te odeiam.
9 No dia em que te manifestares farás deles uma fornalha ardente. Na sua ira o Senhor os devorará, um fogo os consumirá.
10 Acabarás com a geração deles na terra, com a sua descendência entre os homens.
11 Embora tramem o mal contra ti e façam planos perversos, nada conseguirão;
12 pois tu os porás em fuga quando apontares para eles o teu arco.
13 Sê exaltado, Senhor, na tua força! Cantaremos e louvaremos o teu poder.

Salmos – Capítulo 22

1 Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia?
2 Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!
3 Tu, porém, és o Santo, és rei, és o louvor de Israel.
4 Em ti os nossos antepassados puseram a sua confiança; confiaram, e os livraste.
5 Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram, e não se decepcionaram.
6 Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo.
7 Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim, dizendo:
8 “Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem!”
9 Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança junto ao seio de minha mãe.
10 Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.
11 Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra.
12 Muitos touros me cercam, sim, rodeiam-me os poderosos de Basã.
13 Como leão voraz rugindo, escancaram a boca contra mim.
14 Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo.
15 Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.
16 Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés.
17 Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo.
18 Dividiram as minhas roupas entre si, e lançaram sortes pelas minhas vestes.
19 Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro!
20 Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães.
21 Salva-me da boca dos leões, e dos chifres dos bois selvagens. E tu me respondeste.
22 Proclamarei o teu nome a meus irmãos; na assembléia te louvarei.
23 Louvem-no, vocês que temem o Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel!
24 Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro.
25 De ti vem o tema do meu louvor na grande assembléia; na presença dos que te[37] temem cumprirei os meus votos.
26 Os pobres comerão até ficarem satisfeitos; aqueles que buscam o Senhor o louvarão! Que vocês tenham vida longa!
27 Todos os confins da terras e lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele,
28 pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.
29 Todos os ricos da terras e banquetearão e o adorarão; haverão de ajoelhar-se diante dele todos os que descem ao pó, cuja vida se esvai.
30 A posteridade o servirá; gerações futuras ouvirão falar do Senhor,
31 e a um povo que ainda não nasceu proclamarão seus feitos de justiça, pois ele agiu poderosamente.

Salmos – Capítulo 37

1 Não se aborreça por causa dos homens maus e não tenha inveja dos perversos;
2 pois como o capim logo secarão, como a relva verde logo murcharão.
3 Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança.
4 Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração.
5 Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá:
6 ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente.
7 Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal.
8 Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal.
9 Pois os maus serão eliminados, mas os que esperam no Senhor receberão a terra por herança.
10 Um pouco de tempo, e os ímpios não mais existirão; por mais que você os procure, não serão encontrados.
11 Mas os humildes receberão a terra por herança e desfrutarão pleno bem-estar.
12 Os ímpios tramam contra os justos e rosnam contra eles;
13 o Senhor, porém, ri dos ímpios, pois sabe que o dia deles está chegando.
14 Os ímpios desembainham a espada e preparam o arco para abaterem o necessitado e o pobre, para matarem os que andam na retidão.
15 Mas as suas espadas irão atravessar-lhes o coração, e os seus arcos serão quebrados.
16 Melhor é o pouco do justo do que a riqueza de muitos ímpios;
17 pois o braço forte dos ímpios será quebrado, mas o Senhor sustém os justos.
18 O Senhor cuida da vida dos íntegros, e a herança deles permanecerá para sempre.
19 Em tempos de adversidade não ficarão decepcionados; em dias de fome desfrutarão fartura.
20 Mas os ímpios perecerão; os inimigos do Senhor murcharão como a beleza dos campos; desvanecerão como fumaça.
21 Os ímpios tomam emprestado e não devolvem, mas os justos dão com generosidade;
22 aqueles que o Senhor abençoa receberão a terra por herança, mas os que ele amaldiçoa serão eliminados.
23 O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada;
24 ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão.
25 Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado, nem seus filhos mendigando o pão.
26 Ele é sempre generoso e empresta com boa vontade; seus filhos serão abençoados.
27 Desvie-se do mal e faça o bem; e você terá sempre onde morar.
28 Pois o Senhor ama quem pratica a justiça, e não abandonará os seus fiéis. Para sempre serão protegidos, mas a descendência dos ímpios será eliminada;
29 os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre.
30 A boca do justo profere sabedoria, e a sua língua fala conforme a justiça.
31 Ele traz no coração a lei do seu Deus; nunca pisará em falso.
32 O ímpio fica à espreita do justo, querendo matá-lo;
33 mas o Senhor não o deixará cairem suas mãos, nem permitirá que o condenem quando julgado.
34 Espere no Senhor e siga a sua vontade. Ele o exaltará, dando-lhe a terra por herança; quando os ímpios forem eliminados, você o verá.
35 Vi um homem ímpio e cruel florescendo como frondosa árvore nativa,
36 mas logo desapareceu e não mais existia; embora eu o procurasse, não pôde ser encontrado.
37 Considere o íntegro, observe o justo; há futuro[65] para o homem de paz.
38 Mas todos os rebeldes serão destruídos; futuro para os ímpios nunca haverá.
39 Do Senhor vem a salvação dos justos; ele é a sua fortaleza na hora da adversidade.
40 O Senhor os ajuda e os livra; ele os livra dos ímpios e os salva, porque nele se refugiam.

Salmos – Capítulo 57

1 Misericórdia, ó Deus; misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia. Eu me refugiarei à sombra das tuas asas, até que passe o perigo.
2 Clamo ao Deus Altíssimo, a Deus, que para comigo cumpre o seu propósito.
3 Dos céus ele me envia a salvação, põe em fuga os que me perseguem de perto; Pausa Deus envia o seu amor e a sua fidelidade.
4 Estou em meio a leões, ávidos para devorar; seus dentes são lanças e flechas, suas línguas são espadas afiadas.
5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus! Sobre toda a terra esteja a tua glória!
6 Preparam armadilhas para os meus pés; fiquei muito abatido. Abriram uma cova no meu caminho, mas foram eles que nela caíram. Pausa
7 Meu coração está firme, ó Deus, meu coração está firme; cantarei ao som de instrumentos!
8 Acorde, minha alma! Acordem, harpa e lira! Vou despertar a alvorada!
9 Eu te louvarei, ó Senhor, entre as nações; cantarei teus louvores entre os povos.
10 Pois o teu amor é tão grande que alcança os céus; a tua fidelidade vai até as nuvens.
11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus! Sobre toda a terra esteja a tua glória!

Salmos – Capítulo 78

1 Povo meu, escute o meu ensino; incline os ouvidos para o que eu tenho a dizer.
2 Em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado;
3 o que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram.
4 Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez.
5 Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e ordenou aos nossos antepassados que a ensinassem aos seus filhos,
6 de modo que a geração seguinte a conhecesse, e também os filhos que ainda nasceriam, e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos.
7 Então eles porão a confiança em Deus; não esquecerão os seus feitos e obedecerão aos seus mandamentos.
8 Eles não serão como os seus antepassados, obstinados e rebeldes, povo de coração desleal para com Deus, gente de espírito infiel.
9 Os homens de Efraim, flecheiros armados, viraram as costas no dia da batalha;
10 não guardaram a aliança de Deus e se recusaram a viver de acordo com a sua lei.
11 Esqueceram o que ele tinha feito, as maravilhas que lhes havia mostrado.
12 Ele fez milagres diante dos seus antepassados, na terra do Egito, na região de Zoã.
13 Dividiu o mar para que pudessem passar; fez a água erguer-se como um muro.
14 Ele os guiou com a nuvem de dia e com a luz do fogo de noite.
15 Fendeu as rochas no deserto e deu-lhes tanta água como a que flui das profundezas;
16 da pedra fez sair regatos e fluir água como um rio.
17 Mas contra ele continuaram a pecar, revoltando-se no deserto contra o Altíssimo.
18 Deliberadamente puseram Deus à prova, exigindo o que desejavam comer.
19 Duvidaram de Deus, dizendo: Poderá Deus preparar uma mesa no deserto?
20 Sabemos que quando ele feriu a rocha a água brotou e jorrou em torrentes. Mas conseguirá também dar-nos de comer? Poderá suprir de carne o seu povo?
21 O Senhor os ouviu e enfureceu-se; com fogo atacou Jacó, e sua ira levantou-se contra Israel,
22 pois eles não creram em Deus nem confiaram no seu poder salvador.
23 Contudo, ele deu ordens às nuvens e abriu as portas dos céus;
24 fez chover maná para que o povo comesse, deu-lhe o pão[131] dos céus.
25 Os homens comeram o pão dos anjos; enviou-lhes comida à vontade.
26 Enviou dos céus o vento oriental e pelo seu poder fez avançar o vento sul.
27 Fez chover carne sobre eles como pó, bandos de aves como a areia da praia.
28 Levou-as a cair dentro do acampamento, ao redor das suas tendas.
29 Comeram à vontade, e assim ele satisfez o desejo deles.
30 Mas, antes de saciarem o apetite, quando ainda tinham a comida na boca,
31 acendeu-se contra eles a ira de Deus; e ele feriu de morte os mais fortes dentre eles, matando os jovens de Israel.
32 A despeito disso tudo, continuaram pecando; não creram nos seus prodígios.
33 Por isso ele encerrou os dias deles como um sopro e os anos deles em repentino pavor.
34 Sempre que Deus os castigava com a morte, eles o buscavam; com fervor se voltavam de novo para ele.
35 Lembravam-se de que Deus era a sua Rocha, de que o Deus Altíssimo era o seu Redentor.
36 Com a boca o adulavam, com a língua o enganavam;
37 o coração deles não era sincero; não foram fiéis à sua aliança.
38 Contudo, ele foi misericordioso; perdoou-lhes as maldade se não os destruiu. Vez após vez conteve a sua ira, sem despertá-la totalmente.
39 Lembrou-se de que eram meros mortais, brisa passageira que não retorna.
40 Quantas vezes mostraram-se rebeldes contra ele no deserto e o entristeceram na terra solitária!
41 Repetidas vezes puseram Deus à prova; irritaram o Santo de Israel.
42 Não se lembravam da sua mão poderosa, do dia em que os redimiu do opressor,
43 do dia em que mostrou os seus prodígios no Egito, as suas maravilhas na região de Zoã,
44 quando transformou os rios e os riachos dos egípcios em sangue, e eles não mais conseguiam beber das suas águas,
45 e enviou enxames de moscas que os devoraram, e rãs que os devastaram;
46 quando entregou as suas plantações às larvas, a produção da terra aos gafanhotos,
47 e destruiu as suas vinhas com a saraiva e as suas figueiras bravas, com a geada;
48 quando entregou o gado deles ao granizo, os seus rebanhos aos raios;
49 quando os atingiu com a sua ira ardente, com furor, indignação e hostilidade, com muitos anjos destruidores.
50 Abriu caminho para a sua ira; não os poupou da morte, mas os entregou à peste.
51 Matou todos os primogênitos do Egito, as primícias do vigor varonildas tendas de Cam.
52 Mas tirou o seu povo como ovelhas e o conduziu como a um rebanho pelo deserto.
53 Ele os guiou em segurança, e não tiveram medo; e os seus inimigos afundaram-se no mar.
54 Assim os trouxe à fronteirada sua terra santa, aos montes que a sua mão direita conquistou.
55 Expulsou nações que lá estavam, distribuiu-lhes as terras por herança e deu suas tendas às tribos de Israel para que nelas habitassem.
56 Mas eles puseram Deus à prova e foram rebeldes contra o Altíssimo; não obedeceram aos seus testemunhos.
57 Foram desleais e infiéis, como os seus antepassados, confiáveis como um arco defeituoso.
58 Eles o irritaram com os altares idólatras; com os seus ídolos lhe provocaram ciúmes.
59 Sabendo-o Deus, enfureceu-se e rejeitou totalmente Israel;
60 abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda onde habitava entre os homens.
61 Entregou o símbolo do seu poder ao cativeiro, e o seu esplendor, nas mãos do adversário.
62 Deixou que o seu povo fosse morto à espada, pois enfureceu-se com a sua herança.
63 O fogo consumiu os seus jovens, e as suas moças não tiveram canções de núpcias;
64 os sacerdotes foram mortos à espada! As viúvas já nem podiam chorar!
65 Então o Senhor despertou como que de um sono, como um guerreiro despertado do domínio do vinho.
66 Fez retroceder a golpes os seus adversários e os entregou a permanente humilhação.
67 Também rejeitou as tendas de José, e não escolheu a tribo de Efraim;
68 ao contrário, escolheu a tribo de Judá e o monte Sião, o qual amou.
69 Construiu o seu santuário como as alturas; como a terra o firmou para sempre.
70 Escolheu o seu servo Davi e o tirou do aprisco das ovelhas,
71 do pastoreio de ovelhas, para ser o pastor de Jacó, seu povo, de Israel, sua herança.
72 E de coração íntegro Davi os pastoreou; com mãos experientes os conduziu.

Salmos – Capítulo 79

1 Ó Deus, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a ruínas.
2 Deram os cadáveres dos teus servos às aves do céu por alimento, a carne dos teus fiéis, aos animais selvagens.
3 Derramaram o sangue deles como água ao redor de Jerusalém, e não há ninguém para sepultá-los.
4 Somos objeto de zombaria para os nossos vizinhos, de riso e menosprezo para os que vivem ao nosso redor.
5 Até quando, Senhor? Ficarás irado para sempre? Arderá o teu ciúme como o fogo?
6 Derrama a tua ira sobre as nações que não te reconhecem, sobre os reinos que não invocam o teu nome,
7 pois devoraram Jacó, deixando em ruínas a sua terra.
8 Não cobres de nós as maldades dos nossos antepassados; venha depressa ao nosso encontroa tua misericórdia, pois estamos totalmente desanimados!
9 Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, para a glória do teu nome; livra-nos e perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome.
10 Por que as nações haverão de dizer: “Onde está o Deus deles?” Diante dos nossos olhos, mostra às nações a tua vingança pelo sangue dos teus servos.
11 Cheguem à tua presença os gemidos dos prisioneiros. Pela força do teu braço preserva os condenados à morte.
12 Retribui sete vezes mais aos nossos vizinhos as afrontas com que te insultaram, Senhor!
13 Então nós, o teu povo, as ovelhas das tuas pastagens, para sempre te louvaremos; de geração em geração cantaremos os teus louvores.

Salmos – Capítulo 86

1 Inclina os teus ouvidos, ó Senhor, e responde-me, pois sou pobre e necessitado.
2 Guarda a minha vida, pois sou fiel a ti. Tu és o meu Deus; salva o teu servo que em ti confia!
3 Misericórdia, Senhor, pois clamo a ti sem cessar.
4 Alegra o coração do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.
5 Tu és bondoso e perdoador, Senhor, rico em graça para com todos os que te invocam.
6 Escuta a minha oração, Senhor; atenta para a minha súplica!
7 No dia da minha angústia clamarei a ti, pois tu me responderás.
8 Nenhum dos deuses é comparável a ti, Senhor, nenhum deles pode fazer o que tu fazes.
9 Todas as nações que tu formaste virão e te adorarão, Senhor, e glorificarão o teu nome.
10 Pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos; só tu és Deus!
11 Ensina-me o teu caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome.
12 De todo o meu coração te louvarei, Senhor, meu Deus; glorificarei o teu nome para sempre.
13 Pois grande é o teu amor para comigo; tu me livraste das profundezas do Sheol[145].
14 Os arrogantes estão me atacando, ó Deus; um bando de homens cruéis, gente que não faz caso de ti procura tirar-me a vida.
15 Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, muito paciente, rico em amor e em fidelidade.
16 Volta-te para mim! Tem misericórdia de mim! Concede a tua força a teu servo e salva o filho da tua serva[146].
17 Dá-me um sinal da tua bondade, para que os meus inimigos veja me sejam humilhados, pois tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

Salmos – Capítulo 102

1 Ouve a minha oração, Senhor! Chegue a ti o meu grito de socorro!
2 Não escondas de mim o teu rosto quando estou atribulado. Inclina para mim os teus ouvidos; quando eu clamar, responde-me depressa!
3 Esvaem-se os meus dias como fumaça; meus ossos queimam como brasas vivas.
4 Como a relva ressequida está o meu coração; esqueço até de comer!
5 De tanto gemer estou reduzido a pele e osso.
6 Sou como a coruja do deserto[173], como uma coruja entre as ruínas.
7 Não consigo dormir; pareço um pássaro solitário no telhado.
8 Os meus inimigos zombam de mimo tempo todo; os que me insultam usam o meu nome para lançar maldições.
9 Cinzas são a minha comida, e com lágrimas misturo o que bebo,
10 por causa da tua indignação e da tua ira, pois me rejeitaste e me expulsaste para longe de ti.
11 Meus dias são como sombras crescentes; sou como a relva que vai murchando.
12 Tu, porém, Senhor, no trono reinarás para sempre; o teu nome será lembrado de geração em geração.
13 Tu te levantarás e terás misericórdia de Sião, pois é hora de lhe mostrares compaixão; o tempo certo é chegado.
14 Pois as suas pedras são amadas pelos teus servos, as suas ruínas os enchem de compaixão.
15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a sua glória.
16 Porque o Senhor reconstruirá Sião e se manifestará na glória que ele tem.
17 Responderá à oração dos desamparados; as suas súplicas não desprezará.
18 Escreva-se isto para as futuras gerações, e um povo que ainda será criado louvará o Senhor, proclamando:
19 Do seu santuário nas alturas o Senhor olhou; dos céus observou a terra,
20 para ouvir os gemidos dos prisioneiros e libertar os condenados à morte.
21 Assim o nome do Senhor será anunciado em Sião e o seu louvor, em Jerusalém,
22 quando os povos e os reinos se reunirem para adorar o Senhor.
23 No meio da minha vida ele me abateu com sua força; abreviou os meus dias.
24 Então pedi: Ó meu Deus, não me leves no meio dos meus dias. Os teus dias duram por todas as gerações!
25 No princípio firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos.
26 Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocará se serão jogados fora.
27 Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim.
28 Os filhos dos teus servos terão uma habitação; os seus descendentes serão estabelecidos na tua presença.

Salmos – Capítulo 105

1 Dêem graças ao Senhor, proclamem o seu nome; divulguem os seus feitos entre as nações.
2 Cantem para ele e louvem-no; relatem todas as suas maravilhas.
3 Gloriem-se no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor.
4 Recorram ao Senhor e ao seu poder; busquem sempre a sua presença.
5 Lembrem-se das maravilhas que ele fez, dos seus prodígios e das sentenças de juízo que pronunciou,
6 ó descendentes de Abraão, seu servo, ó filhos de Jacó, seus escolhidos.
7 Ele é o Senhor, o nosso Deus; seus decretos são para toda a terra.
8 Ele se lembra para sempre da sua aliança, por mil gerações, da palavra que ordenou,
9 da aliança que fez com Abraão, do juramento que fez a Isaque.
10 Ele o confirmou como decreto a Jacó, a Israel como aliança eterna, quando disse:
11 “Darei a você a terra de Canaã, a herança que lhe pertence”.
12 Quando ainda eram poucos, um punhado de peregrinos na terra,
13 e vagueavam de nação em nação, de um reino a outro,
14 ele não permitiu que ninguém os oprimisse, mas a favor deles repreendeu reis, dizendo:
15 “Não toquem nos meus ungidos; não maltratem os meus profetas”.
16 Ele mandou vir fome sobre a terra e destruiu todo o seu sustento;
17 mas enviou um homem adiante deles, José, que foi vendido como escravo.
18 Machucaram-lhe os pés com correntes e com ferros prenderam-lhe o pescoço,
19 até cumprir-se a sua predição e a palavra do Senhor confirmar o que dissera.
20 O rei mandou soltá-lo, o governante dos povos o libertou.
21 Ele o constituiu senhor de seu palácio e administrador de todos os seus bens,
22 para instruir os seus oficiais como desejasse e ensinar a sabedoria às autoridades do rei.
23 Então Israel foi para o Egito, Jacó viveu como estrangeiro na terra de Cam.
24 Deus fez proliferar o seu povo, tornou-o mais poderosodo que os seus adversários,
25 e mudou o coração deles para que odiassem o seu povo, para que tramassem contra os seus servos.
26 Então enviou seu servo Moisés, e Arão, a quem tinha escolhido,
27 por meio dos quais realizou os seus sinais milagrosos e as suas maravilhas na terra de Cam.
28 Ele enviou trevas, e houve trevas, e eles não se rebelaram[178] contra as suas palavras.
29 Ele transformou as águas deles em sangue, causando a morte dos seus peixes.
30 A terra deles ficou infestada de rãs, até mesmo os aposentos reais.
31 Ele ordenou, e enxames de moscas e piolhos[179]invadiram o território deles.
32 Deu-lhes granizo, em vez de chuva, e raios flamejantes por toda a sua terra;
33 arrasou as suas videiras e figueiras e destruiu as árvores do seu território.
34 Ordenou, e vieram enxames de gafanhotos, gafanhotos inumeráveis,
35 e devoraram toda a vegetação daquela terra, e consumiram tudo o que a lavoura produziu.
36 Depois matou todos os primogênitos da terra deles, todas as primícias da sua virilidade.
37 Ele tirou de lá Israel, que saiu cheio de prata e ouro. Não havia em suas tribos quem fraquejasse.
38 Os egípcios alegraram-se quando eles saíram, pois estavam com verdadeiro pavor dos israelitas.
39 Ele estendeu uma nuvem para lhes dar sombra, e fogo para iluminar a noite.
40 Pediram, e ele enviou codornizes, e saciou-os com pão do céu.
41 Ele fendeu a rocha, e jorrou água, que escorreu como um rio pelo deserto.
42 Pois ele se lembrou da santa promessa que fizera ao seu servo Abraão.
43 Fez o seu povo sair cheio de júbilo, e os seus escolhidos, com cânticos alegres.
44 Deu-lhes as terras das nações, e eles tomaram posse do fruto do trabalho de outros povos,
45 para que obedecessem aos seus decretos e guardassem as suas leis. Aleluia!

Salmos – Capítulo 106

1 Aleluia! Dêem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre.
2 Quem poderá descrever os feitos poderosos do Senhor, ou declarar todo o louvor que lhe é devido?
3 Como são felizes os que perseveram na retidão, que sempre praticam a justiça!
4 Lembra-te de mim, Senhor, quando tratares com bondade o teu povo; vem em meu auxílio quando o salvares,
5 para que eu possa testemunhar[180]o bem-estar dos teus escolhidos, alegrar-me com a alegria do teu povo, e louvar-te junto com a tua herança.
6 Pecamos como os nossos antepassados; fizemos o mal e fomos rebeldes.
7 No Egito, os nossos antepassados não deram atenção às tuas maravilhas; não se lembraram das muitas manifestações do teu amor leal e rebelaram-se junto ao mar, o mar Vermelho.
8 Contudo, ele os salvou por causa do seu nome, para manifestar o seu poder.
9 Repreendeu o mar Vermelho, e este secou; ele os conduziu pelas profundezas como por um deserto.
10 Salvou-os das mãos daqueles que os odiavam; das mãos dos inimigos os resgatou.
11 As águas cobriram os seus adversários; nenhum deles sobreviveu.
12 Então creram nas suas promessas e a ele cantaram louvores.
13 Mas logo se esqueceram do que ele tinha feito e não esperaram para saber o seu plano.
14 Dominados pela gula no deserto, puseram Deus à prova nas regiões áridas.
15 Deu-lhes o que pediram, mas mandou sobre eles uma doença terrível.
16 No acampamento tiveram inveja de Moisés e de Arão, daquele que fora consagrado ao Senhor.
17 A terra abriu-se, engoliu Datã e sepultou o grupo de Abirão;
18 fogo surgiu entre os seus seguidores; as chamas consumiram os ímpios.
19 Em Horebe fizeram um bezerro, adoraram um ídolo de metal.
20 Trocaram a Glória delespela imagem de um boi que come capim.
21 Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera coisas grandiosas no Egito,
22 maravilhas na terra de Came feitos temíveis junto ao mar Vermelho.
23 Por isso, ele ameaçou destruí-los; mas Moisés, seu escolhido, intercedeu[181] diante dele, para evitar que a sua ira os destruísse.
24 Também rejeitaram a terra desejável; não creram na promessa dele.
25 Queixaram-se em suas tendas e não obedeceram ao Senhor.
26 Assim, de mão levantada, ele jurou que os abateria no deserto
27 e dispersaria os seus descendentes entre as nações e os espalharia por outras terras.
28 Sujeitaram-se ao jugo de Baal-Peore comeram sacrifícios oferecidos a ídolos mortos;
29 provocaram a ira do Senhor com os seus atos, e uma praga irrompeu no meio deles.
30 Mas Finéias se interpôs para executar o juízo, e a praga foi interrompida.
31 Isso lhe foi creditado como um ato de justiça que para sempre será lembrado, por todas as gerações.
32 Provocaram a ira de Deus junto às águas de Meribá; e, por causa deles, Moisés foi castigado;
33 rebelaram-se contra o Espírito de Deus, e Moisés[182] falou sem refletir.
34 Eles não destruíram os povos, como o Senhor tinha ordenado,
35 em vez disso, misturaram-se com as nações e imitaram as suas práticas.
36 Prestaram culto aos seus ídolos, que se tornaram uma armadilha para eles.
37 Sacrificaram seus filhos e suas filhasaos demônios.
38 Derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e filhas sacrificados aos ídolos de Canaã; e a terra foi profanada pelo sangue deles.
39 Tornaram-se impuros pelos seus atos; prostituíram-se por suas ações.
40 Por isso acendeu-se a ira do Senhor contra o seu povoe ele sentiu aversão por sua herança.
41 Entregou-os nas mãos das nações, e os seus adversários dominaram sobre eles.
42 Os seus inimigos os oprimiram e os subjugaram com o seu poder.
43 Ele os libertou muitas vezes, embora eles persistissem em seus planos de rebelião e afundassem em sua maldade.
44 Mas Deus atentou para o sofrimento deles quando ouviu o seu clamor.
45 Lembrou-se da sua aliança com eles, e arrependeu-se, por causa do seu imenso amor leal.
46 Fez com que os seus captores tivessem misericórdia deles.
47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus! Ajunta-nos dentre as nações, para que demos graças ao teu santo nome e façamos do teu louvor a nossa glória.
48 Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, por toda a eternidade. Que todo o povo diga: “Amém!” Aleluia! QUINTO LIVRO

Salmos – Capítulo 139

1 Senhor, tu me sondas e me conheces.
2 Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.
3 Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos são bem conhecidos por ti.
4 Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor.
5 Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim.
6 Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance; é tão elevado que não o posso atingir.
7 Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?
8 Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura[225], também lá estás.
9 Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar,
10 mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá.
11 Mesmo que eu diga que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor,
12 verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz.
13 Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.
14 Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável[226]. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção.
15 Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
16 Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.
17 Como são preciosos para mimos teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!
18 Se eu os contasse, seriam mais do que os grãos de areia. Se terminasse de contá-los[227], eu ainda estaria contigo.
19 Quem dera matasses os ímpios, ó Deus! Afastem-se de mim os assassinos!
20 Porque falam de ti com maldade; em vão rebelam-se contra ti.
21 Acaso não odeio os que te odeiam, Senhor? E não detesto os que se revoltam contra ti?
22 Tenho por eles ódio implacável! Considero-os inimigos meus!
23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações.
24 Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno.

Salmos – Capítulo 143

1 Ouve, Senhor, a minha oração, dá ouvidos à minha súplica; responde-me por tua fidelidade e por tua justiça.
2 Mas não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém é justo diante de ti.
3 O inimigo persegue-me e esmaga-me ao chão; ele me faz morar nas trevas, como os que há muito morreram.
4 O meu espírito desanima; o meu coração está em pânico.
5 Eu me recordo dos tempos antigos; medito em todas as tuas obras e considero o que as tuas mãos têm feito.
6 Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti. Pausa
7 Apressa-te em responder-me, Senhor! O meu espírito se abate. Não escondas de mim o teu rosto, ou serei como os que descem à cova.
8 Faze-me ouvir do teu amor leal pela manhã, pois em ti confio. Mostra-me o caminho que devo seguir, pois a ti elevo a minha alma.
9 Livra-me dos meus inimigos, Senhor, pois em ti eu me abrigo.
10 Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; que o teu bondoso Espírito me conduza por terreno plano.
11 Preserva-me a vida, Senhor, por causa do teu nome; por tua justiça, tira-me desta angústia.
12 E no teu amor leal, aniquila os meus inimigos; destrói todos os meus adversários, pois sou teu servo.

Salmos – Capítulo 145

1 Eu te exaltarei, meu Deus e meu rei; bendirei o teu nome para todo o sempre!
2 Todos os dias te bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre!
3 Grande é o Senhor e digno de ser louvado; sua grandeza não tem limites.
4 Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos.
5 Proclamarão o glorioso esplendor da tua majestade, e meditarei nas maravilhas que fazes. [234]
6 Anunciarão o poder dos teus feitos temíveis, e eu falarei das tuas grandes obras.
7 Comemorarão a tua imensa bondade e celebrarão a tua justiça.
8 O Senhor é misericordioso e compassivo, paciente e transbordante de amor.
9 O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas.
10 Rendam-te graças todas as tuas criaturas, Senhor, e os teus fiéis te bendigam.
11 Eles anunciarão a glória do teu reino e falarão do teu poder,
12 para que todos saibam dos teus feitos poderosos e do glorioso esplendor do teu reino.
13 O teu reino é reino eterno, e o teu domínio permanece de geração em geração. O Senhor é fiel em todas as suas promessas e é bondoso em tudo o que faz. [235]
14 O Senhor ampara todos os que caem e levanta todos os que estão prostrados.
15 Os olhos de todos estão voltados para ti, e tu lhes dás o alimento no devido tempo.
16 Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos.
17 O Senhor é justo em todos os seus caminhos e é bondoso em tudo o que faz.
18 O Senhor está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam com sinceridade.
19 Ele realiza os desejos daqueles que o temem; ouve-os gritar por socorro e os salva.
20 O Senhor cuida de todos os que o amam, mas a todos os ímpios destruirá.
21 Com meus lábios louvarei o Senhor. Que todo ser vivo bendiga o seu santo nome para todo o sempre!

Provérbios – Capítulo 19

1 Melhor é o pobre que vive com integridade do que o tolo que fala perversamente.
2 Não é bom ter zelo sem conhecimento, nem ser precipitado e perder o caminho.
3 É a insensatez do homem que arruína a sua vida, mas o seu coração se ira contra o Senhor.
4 A riqueza traz muitos amigos, mas até o amigo do pobre o abandona.
5 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras não sairá livre.
6 Muitos adulam o governante, e todos são amigos de quem dá presentes.
7 O pobre é desprezado por todos os seus parentes, quanto mais por seus amigos! Embora os procure, para pedir-lhes ajuda, não os encontra em lugar nenhum.
8 Quem obtém sabedoria ama-se a si mesmo; quem acalenta o entendimento prospera.
9 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras perecerá.
10 Não fica bem o tolo viver no luxo; quanto pior é o servo dominar príncipes!
11 A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas.
12 A ira do rei é como o rugido do leão, mas a sua bondade é como o orvalho sobre a relva.
13 O filho tolo é a ruína de seu pai, e a esposa briguenta é como uma goteira constante.
14 Casas e riquezas herdam-se dos pais, mas a esposa prudente vem do Senhor.
15 A preguiça leva ao sono profundo, e o preguiçoso passa fome.
16 Quem obedece aos mandamentos preserva a sua vida, mas quem despreza os seus caminhos morrerá.
17 Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor, e ele o recompensará.
18 Discipline seu filho, pois nisso há esperança; não queira a morte dele.
19 O homem de gênio difícil precisa do castigo; se você o poupar, terá que poupá-lo de novo.
20 Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio.
21 Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.
22 O que se deseja ver num homem é amor perene; [35]melhor é ser pobre do que mentiroso.
23 O temor do Senhor conduz à vida: quem o teme pode descansar em paz, livre de problemas.
24 O preguiçoso põe a mão no prato, e não se dá ao trabalho de levá-la à boca!
25 Açoite o zombador, e os inexperientes aprenderão a prudência; repreenda o homem de discernimento, e ele obterá conhecimento.
26 O filho que rouba o pai e expulsa a mãe é causador de vergonha e desonra.
27 Se você parar de ouvir a instrução, meu filho, irá afastar-se das palavras que dão conhecimento.
28 A testemunha corrupta zomba da justiça, e a boca dos ímpios tem fome de iniqüidade.
29 Os castigos estão preparados para os zombadores, e os açoites para as costas dos tolos.

Provérbios – Capítulo 30

1 Ditados de Agur, filho de Jaque; oráculo: [63] Este homem declarou a Itiel; a Itiel e a Ucal: [64]
2 Sou o mais tolo dos homens; não tenho o entendimento de um ser humano.
3 Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do Santo.
4 Quem subiu aos céus e desceu? Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem embrulhou as águas em sua capa? Quem fixou todos os limites da terra? Qual é o seu nome, e o nome do seu filho? Conte-me, se você sabe!
5 Cada palavra de Deus é comprovadamente pura; ele é um escudo para quem nele se refugia.
6 Nada acrescente às palavras dele, do contrário, ele o repreenderá e mostrará que você é mentiroso.
7 Duas coisas peço que me dês antes que eu morra:
8 Mantém longe de mima falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário.
9 Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: “Quem é o Senhor?”Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.
10 Não fale mal do servo ao seu senhor; do contrário, o servo o amaldiçoará, e você levará a culpa.
11 Existem os que amaldiçoam seu pai e não abençoam sua mãe;
12 os que são puros aos seus próprios olhos e que ainda não foram purificados da sua impureza;
13 os que têm olhos altivos e olhar desdenhoso;
14 pessoas cujos dentes são espada se cujas mandíbulas estão armadas de facas para devorarem os necessitados desta terra e os pobres da humanidade.
15 Duas filhas tem a sanguessuga. “Dê! Dê!”, gritam elas. Há três coisas que nunca estão satisfeitas, quatro que nunca dizem: “É o bastante!”:
16 o Sheol[65], o ventre estéril, a terra, cuja sede nunca se aplaca, e o fogo, que nunca diz: “É o bastante!”
17 Os olhos de quem zomba do pai, e, zombando, nega obediência à mãe, serão arrancados pelos corvos do vale, e serão devorados pelos filhotes do abutre.
18 Há três coisas misteriosas demais para mim, quatro que não consigo entender:
19 o caminho do abutre no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto-mar, e o caminho do homem com uma moça.
20 Este é o caminho da adúltera: ela come e limpa a boca, e diz: “Não fiz nada de errado”.
21 Três coisas fazem tremer a terra, e quatro ela não pode suportar:
22 o escravo que se torna rei, o insensato farto de comida,
23 a mulher desprezada que por fim se casa, e a escrava que toma o lugar de sua senhora.
24 Quatro seres da terra são pequenos, e, no entanto, muito sábios:
25 as formigas, criaturas de pouca força, contudo, armazenam sua comida no verão;
26 os coelhos, criaturas sem nenhum poder, contudo, habitam nos penhascos;
27 os gafanhotos, que não têm rei, contudo, avançam juntos em fileiras;
28 a lagartixa, que se pode apanhar com as mãos, contudo, encontra-se nos palácios dos reis.
29 Há três seres de andar elegante, quatro que se movem com passo garboso:
30 o leão, que é poderoso entre os animais e não foge de ninguém;
31 o galo de andar altivo; o bode; e o rei à frente do seu exército.
32 Se você agiu como tolo e exaltou-se a si mesmo, ou se planejou o mal, tape a boca com a mão!
33 Pois assim como bater o leite produz manteiga, e assim como torcer o nariz produz sangue, também suscitar a raiva produz contenda.

Eclesiastes – Capítulo 1

1 As palavras do mestre, filho de Davi, rei em Jerusalém:
2 “Que grande inutilidade!”, diz o mestre. “Que grande inutilidade! Nada faz sentido!”
3 O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol?
4 Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre.
5 O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.
6 O vento sopra para o sule vira para o norte; dá voltas e voltas, seguindo sempre o seu curso.
7 Todos os rios vão para o mar, contudo, o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, para lá voltam a correr.
8 Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir.
9 O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.
10 Haverá algo de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época.
11 Ninguém se lembrados que viveram na antigüidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles. [1]
12 Eu, o mestre, fui rei de Israel em Jerusalém.
13 Dediquei-me a investigar e a usar a sabedoria para explorar tudo o que é feito debaixo do céu. Que fardo pesado Deus pôs sobre os homens!
14 Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento!
15 O que é torto não pode ser endireitado; o que está faltando não pode ser contado.
16 Fiquei pensando: Eu me tornei famoso e ultrapassei em sabedoria todos os que governaram Jerusalém antes de mim; de fato adquiri muita sabedoria e conhecimento.
17 Por isso me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento.
18 Pois quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto.

Eclesiastes – Capítulo 3

1 Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:
2 Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,
3 tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir,
4 tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar,
5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter,
6 tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora,
7 tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar,
8 tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.
9 O que ganha o trabalhador com todo o seu esforço?
10 Tenho visto o fardo que Deus impôs aos homens.
11 Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.
12 Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive.
13 Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho é um presente de Deus.
14 Sei que tudo o que Deus faz permanecerá para sempre; a isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus assim faz para que os homens o temam.
15 Aquilo que é, já foi, e o que será, já foi anteriormente; Deus investigará[4] o passado.
16 Descobri também que debaixo do sol: No lugar da justiça havia impiedade, no lugar da retidão, ainda mais impiedade.
17 Fiquei pensando: O justo e o ímpio, Deus julgará ambos, pois há um tempo para todo propósito, um tempo para tudo o que acontece.
18 Também pensei: Deus prova os homens para que vejam que são como os animais.
19 O destino do homem é o mesmo do animal; o mesmo destino os aguarda. Assim como morre um, também morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida[5]; o homem não tem vantagem alguma sobre o animal. Nada faz sentido!
20 Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão.
21 Quem pode dizer se o fôlego do homem sobe às alturas e se o fôlego do animal desce[6] para a terra?
22 Por isso concluí que não há nada melhor para o homem do que desfrutar do seu trabalho, porque esta é a sua recompensa. Pois, quem poderá fazê-lo ver o que acontecerá depois de morto?

Isaías – Capítulo 2

1 Foi isto que Isaías, filho de Amoz, viu a respeito de Judá e de Jerusalém:
2 Nos últimos dias o monte do templo do Senhor será estabelecido como o principal; será elevado acima das colinas, e todas as nações correrão para ele.
3 Virão muitos povos e dirão: “Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas veredas”. Pois a lei sairá de Sião, de Jerusalém virá a palavra do Senhor.
4 Ele julgará entre as nações e resolverá contendas de muitos povos. Eles farão de suas espadas arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não mais pegará em armas para atacar outra nação, elas jamais tornarão a preparar-separa a guerra.
5 Venha, ó descendência de Jacó, andemos na luz do Senhor!
6 Certamente abandonaste o teu povo, os descendentes de Jacó, porque eles se encheram de superstições dos povos do leste, praticam adivinhações como os filisteus e fazem acordos com pagãos.
7 Sua terra está cheia de prata e ouro; seus tesouros são incontáveis. Sua terra está cheia de cavalos; seus carros não têm fim.
8 Sua terra está cheia de ídolos. Eles se inclinam diante da obradas suas mãos, diante do que os seus dedos fizeram.
9 Por isso a humanidade será abatida e o homem será humilhado; não os perdoes[4]!
10 Entre no meio das rochas, esconda-se no pó, por causa do terror que vem do Senhor e do esplendor da sua majestade!
11 Os olhos do arrogante serão humilhados e o orgulho dos homens será abatido; somente o Senhor será exaltado naquele dia.
12 O Senhor dos Exércitos tem um dia reservado para todos os orgulhosos e altivos, para tudo o que é exaltado, para que eles sejam humilhados;
13 para todos os cedros do Líbano, altos e altivos, e todos os carvalhos de Basã;
14 para todos os montes elevados e todas as colinas altas;
15 para toda torre imponente e todo muro fortificado;
16 para todo navio mercante[5]e todo barco de luxo.
17 A arrogância dos homens será abatida, e o seu orgulho será humilhado. Somente o Senhor será exaltado naquele dia,
18 e os ídolos desaparecerão por completo.
19 Os homens fugirão para as cavernas das rochas e para os buracos da terra, por causa do terror que vem do Senhor e do esplendor da sua majestade, quando ele se levantar para sacudir a terra.
20 Naquele dia os homens atirarão aos ratos e aos morcegos os ídolos de prata e os ídolos de ouro, que fizeram para adorar.
21 Fugirão para as cavernas das rochas e para as brechas dos penhascos, por causa do terror que vem do Senhor e do esplendor da sua majestade, quando ele se levantar para sacudir a terra.
22 Parem de confiar no homem, cuja vida não passa de um sopro em suas narinas. Que valor ele tem?

Isaías – Capítulo 9

1 Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o cami­nho do mar, junto ao Jordão.
2 O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte[28]raiou uma luz.
3 Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha.
4 Pois tu destruíste o jugo que os oprimia, a canga que estava sobre os seus ombros, e a vara de castigo do seu opressor, como no dia da derrota de Midiã.
5 Pois toda bota de guerreiro usada em combate e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, como lenha no fogo.
6 Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro[29], Deus Podero­so, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
7 Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso.
8 O Senhor enviou uma mensagem contra Jacó, e ela atingiu Israel.
9 Todo o povo ficará sabendo, tanto Efraim como os habitantes de Samaria, que dizem com orgulho e arrogância de coração:
10 “Os tijolos caíram, mas nós reconstruiremos com pedras lavradas; as figueiras bravas foram derrubadas, mas nós as substituiremos por cedros”.
11 Mas o Senhor fortaleceu os adversários de Rezim para atacá-los e incitou contra eles os seus inimigos.
12 Os arameus do leste e os filisteus do oeste devoraram Israel, escancarando a boca. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida.
13 Mas o povo não voltou para aquele que o feriu, nem buscou o Senhor dos Exércitos.
14 Por essa razão o Senhor corta de Israel tanto a cabeça como a cauda, tanto a palma como o junco, num único dia;
15 as autoridades e os homens de destaque são a cabeça, os profetas que ensinam mentiras são a cauda.
16 Aqueles que guiam este povo o desorientam, e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro.
17 Por isso o Senhor não terá nos jovens motivo de alegria, nem terá piedade dos órfãos e das viúvas, pois todos são hipócritas e perversos, e todos falam loucuras. Apesar disso tudo, a ira dele não se desviou; sua mão continua erguida.
18 Porque a impiedade queima como fogo; consome roseiras bravas e espinheiros, põe em chamas os matagais da floresta, fazendo nuvens de fumaça.
19 Pela ira do Senhor dos Exércitos a terra será ressecada, e o povo será como lenha no fogo; ninguém poupará seu irmão.
20 À direita devorarão, mas ainda estarão com fome; à esquerda comerão, mas não ficarão satisfeitos. Cada um comerá a carne do seu próprio irmão[30].
21 Manassés contra Efraim, Efraim contra Manassés, e juntos eles se voltarão contra Judá. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida.

Isaías – Capítulo 15

1 Advertência contra Moabe: Sim, na noite em que foi destruída, Ar, em Moabe, ficou arruinada! E na noite em que foi destruída, Quir, em Moabe, ficou arruinada!
2 Sobe-se ao templo em Dibom, a seus altares idólatras, para chorar; por causa de Nebo e de Medeba Moabe pranteia. Todas as cabeças estão rapadas e toda barba foi cortada.
3 Nas ruas andam vestidos de roupas de lamento; nos terraços e nas praças públicas todos pranteiam e se prostram chorando.
4 Hesbom e Eleale clamam; até Jaaz as suas vozes são ouvidas. Por isso os homens armados de Moabe gritam, e o coração deles treme.
5 O meu coração clama por causa de Moabe! Os seus fugitivos vão até Zoar, até Eglate-Selisia. Sobem pelo caminho de Luíte, caminhando e chorando. Pela estrada de Horonaim levantam clamor em face da destruição,
6 porque as águas de Ninrim secaram-se, a pastagem secou-se e a vegetação morreu; todo o verde desapareceu!
7 Por isso, a riqueza que adquiriram e armazenaram eles levam para além do riacho dos Salgueiros.
8 Com efeito, seu clamor espalha-se por todo o território de Moabe; sua lamentação até Eglaim, até Beer-Elim.
9 Ainda que as águas de Dimom[44]estejam cheias de sangue, trarei mais mal sobre Dimom: um leão sobre os fugitivos de Moabe e sobre aqueles que permanecem na terra.

Isaías – Capítulo 22

1 Advertência contra o vale da Visão: O que está perturbando vocês agora, o que os levou a se refugiarem nos terraços,
2 cidade cheia de agitação, cidade de tumulto e alvoroço? Na verdade, seus mortos não foram mortos à espada, nem morreram em combate.
3 Todos os seus líderes fugiram juntos; foram capturados sem resistência. Todos vocês foram encontrados e presos, embora tendo fugido para bem longe.
4 Por isso eu disse: Afastem-se de mim; deixem-me chorar amargamente. Não tentem consolar-me pela destruiçãodo meu povo.
5 Pois o Soberano, o Senhor dos Exércitos, enviou um dia de tumulto, pisoteamento e pavor ao vale da Visão; dia de derrubar muros e de gritar por socorro pelos montes.
6 Elão apanhou a aljava, e avança com seus carros e cavalos; Quir ostenta o escudo.
7 Os vales mais férteis de Judá ficaram cheios de carros, e cavaleiros tomaram posição junto às portas das cidades;
8 Judá ficou sem defesas. Naquele dia vocês olharam para as armas do palácio da Floresta
9 e viram que a Cidade de Davi tinha muitas brechas em seus muros. Vocês armazenaram água no açude inferior,
10 contaram as casas de Jerusalém e derrubaram algumas para fortalecer os muros.
11 Vocês construíram um reservatório entre os dois muros para a água do açude velho, mas não olharam para aquele que fez estas coisas, nem deram atenção àquele que há muito as planejou.
12 Naquele dia o Soberano, o Senhor dos Exércitos, os chamou para que chorassem e pranteassem, arrancassem os seus cabelos e usassem vestes de lamento.
13 Mas, ao contrário, houve júbilo e alegria, abate de gado e matança de ovelhas, muita carne e muito vinho! E vocês diziam: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”.
14 O Senhor dos Exércitos revelou-me isso: “Até o dia de sua morte não haverá propiciação em favor desse pecado”, diz o Soberano, o Senhor dos Exércitos.
15 Assim diz o Soberano, o Senhor dos Exércitos: Vá dizer a esse Sebna, administrador do palá­cio:
16 Que faz você aqui, e quem lhe deu permissão para abrir aqui um túmulo, você que o está lavrando no alto do monte e talhando na rocha o seu lugar de descanso?
17 Veja que o Senhor vai agarrar você e atirá-lo para bem longe, ó homem poderoso!
18 Ele o embrulhará como uma bola e o atirará num vasto campo. Lá você morrerá e lá os seus poderosos carros se tornarão a vergonha da casa do seu senhor!
19 Eu o demitirei das suas funções, e do seu cargo você será deposto.
20 Naquele dia convocarei o meu servo Eliaquim, filho de Hilquias.
21 Eu o vestirei com o manto que pertencia a você, com o seu cinto o revestirei de força e a ele entregarei a autoridade que você exercia. Ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para os morado­res de Judá.
22 Porei sobre os ombros dele a chave do reino de Davi; o que ele abrir nin­guém conseguirá fechar, e o que ele fechar ninguém conseguirá abrir.
23 Eu o fincarei como uma estaca em terreno firme; ele será para o reino de seu pai um trono de glória[53].
24 Toda a glória de sua família dependerá dele: sua prole e seus descendentes — todos os seus utensílios menores, das bacias aos jarros.
25 “Naquele dia”, anuncia o Senhor dos Exércitos, “a estaca fincada em terreno firme cederá; será arrebentada e desabará, e o peso sobre ela cairá”. Pois o Senhor o declarou.

Isaías – Capítulo 27

1 Naquele dia, o Senhor, com sua espada severa, longa e forte, castigará o Leviatã[61], serpente veloz, o Leviatã, serpente tortuosa; matará no mar a serpente aquática.
2 Naquele dia se dirá: Cantem sobre a vinha frutífera!
3 Eu, o Senhor, sou o seu vigia, rego-a constantemente e a protejo dia e noite para impedir que lhe façam dano.
4 Não estou irado. Se espinheiros e roseiras bravas me enfrentarem, eu marcharei contra eles e os destruirei a fogo.
5 A menos que venham buscar refúgio em mim; que façam as pazes comigo. Sim, que façam as pazes comigo.
6 Nos dias vindouros Jacó lançará raízes, Israel terá botões e flores e encherá o mundo de frutos.
7 Acaso o Senhor o feriu como àqueles que o feriram? Acaso ele foi morto como foram mortos os que o feriram?
8 Pelo desterro e pelo exílio o julga, com seu sopro violento ele o expulsa, como num dia de rajadas do vento oriental.
9 Assim será perdoada a maldade de Jacó, e será este o fruto da remoção do seu pecado: quando ele fizer com que as pedras do altar sejam esmigalhadas e fiquem como pó de giz, os postes sagrados e os altares de incenso não permanecerão em pé.
10 A cidade fortificada está abandonada, desabitada e esquecida como o deserto; ali os bezerros pastam e se deitam, e desfolham os seus ramos.
11 Quando os seus ramos estão secos e se quebram, as mulheres fazem fogo com eles, pois esse é um povo sem entendimento. Por isso aquele que o fez não tem compaixão dele, aquele que o formou não lhe mostra misericórdia.
12 Naquele dia o Senhor debulhará as suas espigas desde as margens do Eufrates[62] até o ribeiro do Egito, e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um.
13 E naquele dia soará uma grande trombeta. Os que estavam perecendo na Assíria e os que estavam exilados no Egito virão e adorarão o Senhor no monte santo, em Jerusalém.

Isaías – Capítulo 29

1 Ai de Ariel! Ariel, a cidade onde acampou Davi. Acrescentem um ano a outro e deixem seguir o seu ciclo de festas.
2 Mas eu sitiarei Ariel, que vai chorar e lamentar-se, e para mim será como uma fornalha de altar[66].
3 Acamparei ao seu redor; eu a cercarei de torres e instalarei contra você minhas obras de cerco.
4 Lançada ao chão, de lá você falará; do pó virão em murmúrio as suas palavras. Fantasmagórica, subirá sua voz da terra; um sussurro vindo do pó será sua voz.
5 Mas os seus muitos inimigos se tornarão como o pó fino, as hordas cruéis, como palha levada pelo vento. Repentinamente, num instante,
6 o Senhor dos Exércitos virá com trovões e terremoto e estrondoso ruído, com tempestade e furacão e chamas de um fogo devorador.
7 Então as hordas de todas as nações que lutam contra Ariel, que investem contra ele e contra a sua fortaleza e a sitiam, serão como acontece num sonho, numa visão noturna,
8 como quando um homem faminto sonha que está comendo, mas acorda e sua fome continua; como quando um homem sedento sonha que está bebendo, mas acorda enfraquecido, sem ter saciado a sede. Assim será com as hordas de todas as nações que lutam contra o monte Sião.
9 Pasmem e fiquem atônitos! Ceguem-se a si mesmos e continuem cegos! Estão bêbados, porém, não de vinho, cambaleiam, mas não pela bebida fermentada.
10 O Senhor trouxe sobre vocês um sono profundo: fechou os olhos de vocês, que são os profetas; cobriu a cabeça de vocês, que são os videntes.
11 Para vocês toda esta visão não passa de palavras seladas num livro[67]. E se vocês derem o livro a alguém que saiba ler e lhe disserem: “Leia, por favor”, ele responderá: “Não posso; está lacrado”.
12 Ou, se vocês derem o livro a alguém que não saiba ler e lhe disserem: “Leia, por favor”, ele responderá: “Não sei ler”.
13 O Senhor diz: Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens. [68]
14 Por isso uma vez mais deixarei atônito esse povo com maravilha e mais maravilha; a sabedoria dos sábios perecerá, a inteligência dos inteligentes se desvanecerá.
15 Ai daqueles que descem às profundezas para esconder seus planos do Senhor, que agem nas trevas e pensam: “Quem é que nos vê? Quem ficará sabendo?”
16 Vocês viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar que o oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer àquele que o formou: “Ele não me fez”? E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”?
17 Acaso o Líbano não será logo transformado em campo fértil, e não se pensará que o campo fértil é uma floresta?
18 Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e, não mais em trevas e escuridão, os olhos dos cegos tornarão a ver.
19 Mais uma vez os humildes se alegrarão no Senhor, e os necessitados exultarão no Santo de Israel.
20 Será o fim do cruel, o zombador desaparecerá e todos os de olhos inclinados para o mal serão eliminados,
21 os quais com uma palavra tornam réu o inocente, no tribunal trapaceiam contra o defensor e com testemunho falso impedem que se faça justiça ao inocente.
22 Por isso o Senhor, que redimiu Abraão, diz à descendência de Jacó: Jacó não será mais humilhado; e o seu rosto não tornará a empalidecer.
23 Quando ele vir em seu meio os seus filhos, a obra de minhas mãos, proclamará o meu santo nome; reconhecerá a santidade do Santo de Jacó,
24 e no temor do Deus de Israel permanecerá. Os desorientados de espírito obterão entendimento; e os queixosos vão aceitar instrução.

Isaías – Capítulo 30

1 “Ai dos filhos obstinados”, declara o Senhor, “que executam planos que não são meus, fazem acordo sem minha aprovação, para ajuntar pecado sobre pecado,
2 que descem ao Egito sem consultar-me, para buscar proteção no poder do faraó, e refúgio na sombra do Egito.
3 Mas a proteção do faraó lhes trará vergonha, e a sombra do Egito lhes causará humilhação.
4 Embora seus líderes tenham ido a Zoãe seus enviados tenham chegado a Hanes,
5 todos se envergonharão por causa de um povo que lhes é inútil, que não traz ajuda nem vantagem, mas apenas vergonha e zombaria.
6 Advertência contra os animais do Neguebe: Atravessando uma terra hostil e severa, de leões e leoas, de víboras e serpentes velozes, os enviados transportam suas riquezas no lombo de jumentos, seus tesouros, nas corcovas de camelos, para aquela nação inútil,
7 o Egito, cujo socorro é totalmente inútil. Por isso eu o chamo Monstro[69] inofensivo.
8 Agora vá, escreva isso numa tábua para eles, registre-o num livro, para que nos dias vindouros seja um testemunho eterno.
9 Esse povo é rebelde; são filhos mentirosos, filhos que não querem saber da instrução do Senhor.
10 Eles dizem aos videntes: “Não tenham mais visões!” e aos profetas: “Não nos revelem o que é certo! Falem-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões.
11 Deixem esse caminho, abandonem essa vereda, e parem de confrontar-nos com o Santo de Israel!
12 Por isso diz o Santo de Israel: Como vocês rejeitaram esta mensagem, apelaram para a opressão e confiaram nos perversos,
13 este pecado será para vocês como um muro alto, rachado e torto, que de repente desaba, inesperadamente.
14 Ele o fará em pedaços como um vaso de barro, tão esmigalhado que entre os seus pedaços não se achará um caco que sirva para pegar brasas de uma lareira ou para tirar água da cisterna.
15 Diz o Soberano, o Senhor, o Santo de Israel: No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram.
16 Vocês disseram: “Não, nós vamos fugir a cavalo”. E fugirão! Vocês disseram: “Cavalgaremos cavalos velozes”. Velozes serão os seus perseguidores!
17 Mil fugirão diante da ameaça de um; diante da ameaça de cinco todos vocês fugirão, até que vocês sejam deixados como um mastro no alto de um monte, como uma bandeira numa colina.
18 Contudo, o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; ele ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de justiça. Como são felizes todos os que nele esperam!
19 Ó povo de Sião, que mora em Jerusa­lém, você não vai chorar mais. Como ele será bondoso quando você clamar por socorro! Assim que ele ouvir, lhe responderá.
20 Embora o Senhor lhe dê o pão da adversidade e a água da aflição, o seu mestre não se esconderá mais; com seus próprios olhos você o verá.
21 Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: “Este é o caminho; siga-o”.
22 Então você tratará como impuras as suas imagens revestidas de prata e os seus ídolos recobertos de ouro; você os jogará fora como um trapo imundo e lhes dirá: “Fora!”
23 Ele também lhe mandará chuva para a semente que você semear, e a terra dará ali­mento rico e farto. Naquele dia o seu gado pastará em grandes prados.
24 Os bois e os jumentos que lavram o solo comerão forragem e sal espalhados com forcado e pá.
25 No dia do grande massacre, quando caírem as torres, regatos de água fluirão sobre todo monte elevado e sobre toda colina altaneira.
26 A luz da lua brilhará como o sol, e a luz do sol será sete vezes mais brilhante, como a luz de sete dias completos, quando o Senhor cuidar das contusões do seu povo e curar as feridas que lhe causou.
27 Vejam! De longe vem o Nome do Senhor, com sua ira em chamas, e densas nuvens de fumaça; seus lábios estão cheios de ira, e sua língua é fogo consumidor.
28 Seu sopro é como uma torrente impetuosa que sobe até o pescoço. Ele faz sacudir as nações na peneira da destruição; ele coloca na boca dos povos um freio que os desencaminha.
29 E vocês cantarão como em noite de festa sagrada; seus corações se regozijarão como quando se vai, ao som da flauta, ao monte do Senhor, à Rocha de Israel.
30 O Senhor fará que os homens ouçam sua voz majestosa e os levará a ver seu braço descendo com ira impetuosa e fogo consumidor, com aguaceiro, tempestades de raios e saraiva.
31 A voz do Senhor despedaçará a Assí­ria; com seu cetro a ferirá.
32 Cada pancada que com a varao Senhor desferir para a castigar será dada ao som de tamborins e harpas, enquanto a estiver combatendo com os golpes do seu braço.
33 Tofete está pronta já faz tempo; foi preparada para o rei. Sua fogueira é funda e larga, com muita lenha e muito fogo; o sopro do Senhor, como uma torrente de enxofre ardente, a incendeia.

Isaías – Capítulo 31

1 Ai dos que descem ao Egitoem busca de ajuda, que contam com cavalos. Eles confiam na multidão dos seus carros e na grande força dos seus cavaleiros, mas não olham para o Santo de Israel, nem buscam a ajuda que vem do Senhor!
2 Contudo, ele é também sábio e pode trazer a desgraça; ele não volta atrás em suas palavras. Ele se levantará contra a casa dos perversos, contra quem ajuda os maus.
3 Mas os egípcios são homens, e não Deus; seus cavalos são carne, e não espírito. Quando o Senhor estender a mão, aquele que ajuda tropeçará, aquele que é ajudado cairá; ambos perecerão juntos.
4 Assim me diz o Senhor: Assim como quando o leão, o leão grande, ruge ao lado da presa, e contra ele se junta um bando de pastores, e ele não se intimida com os gritos deles e não se perturba com o seu clamor, assim o Senhor dos Exércitos descerá para combater nas alturas do monte Sião.
5 Como as aves dão proteção aos filhotes com suas asas, o Senhor dos Exércitos protegerá Jerusalém; ele a protegerá e a livrará; ele a poupará[70] e a salvará.
6 Voltem para aquele contra quem vocês se revoltaram tão tremendamente, ó israelitas!
7 Pois naquele dia cada um de vocês rejeitará os ídolos de prata e de ouro que suas mãos pecaminosas fizeram.
8 A Assíria cairá por uma espada que não é de homem; uma espada, não de mortais, a devorará. Todos fugirão da espada e os seus jovens serão sujeitos a trabalhos forçados.
9 Sua fortaleza cairá por causa do pavor; ao verem a bandeira da batalha, seus líderes entrarão em pânico, anuncia o Senhor, cujo fogo está em Sião, cuja fornalha está em Jerusalém.

Isaías – Capítulo 36

1 No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e se apossou delas.
2 Então, de Laquis, o rei da Assíria enviou seu comandante com um grande exército a Jerusalém, ao rei Ezequias. Quando o comandante parou no aqueduto do açude superior, na estrada que leva ao campo do Lavandeiro,
3 o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista real Joá, filho de Asafe, foram ao encontro dele.
4 E o comandante de campo falou: Digam a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: “Em que você está baseando essa sua confian­ça?
5 Você diz que tem estratégia e força militar; mas não passam de palavras vãs. Em quem você confia, para rebelar-se contra mim?
6 Pois veja! Agora você está confiando no Egito, aquela cana esmagada, que fura a mão de quem nela se apóia! Assim é o faraó, o rei do Egito, para todos os que dele dependem.
7 E se você me disser: “No Senhor, o nosso Deus, confia­mos”; não são dele os altos e os altares que Ezequias removeu, dizendo a Judá e a Jerusa­lém: “Vocês devem adorar aqui, diante deste altar”?”
8 Faça, agora, um acordo com o meu senhor, o rei da Assíria: Eu lhe darei dois mil cavalos — se você puder pôr cavaleiros neles!
9 Como então você poderá repelir um só dos menores oficiais do meu senhor, confiando que o Egito lhe dará carros e cavalei­ros?
10 Além disso, você pensa que vim atacar e destruir esta nação sem o Senhor? O próprio Senhor me mandou marchar contra esta nação e destruí-la.
11 Então Eliaquim, Sebna e Joá disseram ao comandante: “Por favor, fala com os teus servos em aramaico, pois entendemos essa língua. Não fales em hebraico, pois assim o povo que está sobre os muros entenderá”.
12 O comandante, porém, respondeu: “Pensam que o meu senhor mandou-me dizer estas coisas só a vocês e ao seu senhor, e não aos homens que estão sentados no muro? Pois, como vocês, eles terão que comer as próprias fezes e beber a própria urina!”
13 E o comandante se pôs em pé e falou alto, em hebraico: Ouçam as palavras do grande rei, do rei da Assíria!
14 Não deixem que Ezequias os engane. Ele não poderá livrá-los!
15 Não deixem Ezequias convencê-los a confiar no Senhor, quando diz: “Certamente o Senhor nos livrará; esta cidade não será entre­gue nas mãos do rei da Assíria”.
16 Não dêem atenção a Ezequias. Assim diz o rei da Assíria: “Venham fazer as pazes comigo. Então cada um de vocês comerá de sua própria videira e de sua própria figueira, e beberá água de sua própria cisterna,
17 até que eu os leve a uma terra como a de vocês: terra de cereal e de vinho, terra de pão e de vinhas.
18 “Não deixem que Ezequias os engane quando diz que o Senhor os livrará. Alguma vez o deus de qualquer nação livrou sua terra das mãos do rei da Assíria?
19 Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Eles livraram Samaria das minhas mãos?
20 Quem dentre todos os deuses dessas nações conseguiu livrar a sua terra? Como então o Senhor poderá livrar Jerusalém das minhas mãos?”
21 Mas o povo ficou em silêncio e nada respondeu, porque o rei dera esta ordem: “Não lhe respondam”.
22 Então o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista Joá, filho de Asafe, com as vestes rasgadas, foram contar a Ezequias o que dissera o comandante.

Isaías – Capítulo 45

1 Assim diz o Senhor ao seu ungido: a Ciro, cuja mão direita eu seguro com firmeza para subjugar as nações diante dele e arrancar a armadura de seus reis, para abrir portas diante dele, de modo que as portas não estejam trancadas:
2 Eu irei adiante de você e aplainarei montes; derrubarei portas de bronze e romperei trancas de ferro.
3 Darei a você os tesouros das trevas, riquezas armazenadas em locais secretos, para que você saiba que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que o convoca pelo nome.
4 Por amor de meu servo Jacó, de meu escolhido Israel, eu o convoco pelo nome e lhe concedo um título de honra, embora você não me reconheça.
5 Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus. Eu o fortalecerei, ainda que você não tenha me admitido,
6 de forma que do nascente ao poente saibam todos que não há ninguém além de mim. Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro.
7 Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas.
8 Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o Senhor, a criei.
9 Ai daquele que contende com seu Criador, daquele que não passa de um caco entre os cacos no chão. Acaso o barro pode dizer ao oleiro: “O que você está fazendo?”Será que a obra que você faz pode dizer: “Você não tem mãos?”
10 Ai daquele que diz a seu pai: “O que você gerou?”, ou à sua mãe: “O que você deu à luz?”
11 Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, o seu Criador: A respeito de coisas vindouras, você me pergunta sobre meus filhos, ou me dá ordens sobre o trabalho de minhas mãos?
12 Fui eu que fiz a terra e nela criei a humanidade. Minhas próprias mãos estenderam os céus; eu dispus o seu exército de estrelas.
13 Eu levantarei esse homem em minha retidão: farei direitos todos os seus caminhos. Ele reconstruirá minha cidade e libertará os exilados, sem exigir pagamento nem qualquer recompensa, diz o Senhor dos Exércitos.
14 “Assim diz o Senhor: Os produtos do Egito e as mercadorias da Etiópia[94], e aqueles altos sabeus, passarão para o seu lado e lhe pertencerão, ó Jerusalém; eles a seguirão, acorrentados, passarão para o seu lado. Eles se inclinarão diante de você e lhe implorarão, dizendo: “Certamente Deus está com você, e não há outro; não há nenhum outro Deus””.
15 Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel.
16 Todos os que fazem ídolos serão envergonhados e constrangidos; juntos cairão em constrangimento.
17 Mas Israel será salvo pelo Senhor com uma salvação eterna; vocês jamais serão envergonhado sou constrangidos, por toda a eternidade.
18 Pois assim diz o Senhor, que criou os céus, ele é Deus; que moldou a terra e a fez, ele fundou-a; não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada; ele diz: Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro.
19 Não falei secretamente, de algum lugar numa terra de trevas; eu não disse aos descendentes de Jacó: Procurem-me à toa. Eu, o Senhor, falo a verdade; eu anuncio o que é certo.
20 Ajuntem-se e venham; reúnam-se, vocês, fugitivos das nações. São ignorantes aqueles que levam de um lado para outro imagens de madeira, que oram a deuses que não podem salvar.
21 Declarem o que deve ser, apresentem provas. Que eles juntamente se aconselhem. Quem há muito predisse isto, quem o declarou desde o passado distante? Não fui eu, o Senhor? E não há outro Deus além de mim, um Deus justo e salvador; não há outro além de mim.
22 Voltem-se para mim e sejam salvos, todos vocês, confins da terra; pois eu sou Deus, e não há nenhum outro.
23 Por mim mesmo eu jurei, a minha boca pronunciou com toda a integridade uma palavra que não será revogada: Diante de mim todo joelho se dobrará; junto a mim toda língua jurará.
24 Dirão a meu respeito: “Somente no Senhor estão a justiça e a força”. Todos os que o odeiam virão a ele e serão envergonhados.
25 Mas no Senhor todos os descendentes de Israel serão considerados justos e exultarão.

Isaías – Capítulo 49

1 Escutem-me, vocês, ilhas; ouçam, vocês, nações distantes: Antes de eu nascer o Senhor me chamou; desde o meu nascimento ele fez menção de meu nome.
2 Ele fez de minha boca uma espada afiada, na sombra de sua mão ele me escondeu; ele me tornou uma flecha polida e escondeu-me na sua aljava.
3 Ele me disse: “Você é meu servo, Israel, em quem mostrarei o meu esplendor”.
4 Mas eu disse: Tenho me afadigado sem qualquer propósito; tenho gastado minha força em vão e para nada. Contudo, o que me é devido está na mão do Senhor, e a minha recompensa está com o meu Deus.
5 E agora o Senhor diz, aquele que me formou no ventre para ser o seu servo, para trazer de volta Jacó e reunir Israel a ele mesmo, pois sou honrado aos olhos do Senhor, e o meu Deus tem sido a minha força;
6 ele diz: “Para você é coisa pequena demais ser meu servo para restaurar as tribos de Jacó e trazer de volta aqueles de Israel que eu guardei. Também farei de você uma luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até os confins da terra”.
7 Assim diz o Senhor, o Redentor, o Santo de Israel, àquele que foi desprezado e detestado pela nação, ao servo de governantes: “Reis o verão e se levantarão, líderes o verão e se encurvarão, por causa do Senhor, que é fiel, o Santo de Israel, que o escolheu”.
8 Assim diz o Senhor: No tempo favorável eu lhe responderei, e no dia da salvação eu o ajudarei; eu o guardarei e farei que você seja uma aliança para o povo, para restaurar a terra e distribuir suas propriedades abandonadas,
9 para dizer aos cativos: Saiam, e àqueles que estão nas trevas: Apareçam! Eles se apascentarão junto aos caminhos e acharão pastagem em toda colina esté­ril.
10 Não terão fome nem sede; o calor do deserto e o sol não os atingirão. Aquele que tem compaixão deles os guiará e os conduzirá para as fontes de água.
11 Transformarei todos os meus montes em estradas, e os meus caminhos serão erguidos.
12 Veja, eles virão de bem longe; alguns do norte, alguns do oeste, alguns de Assuã[97].
13 Gritem de alegria, ó céus, regozije-se, ó terra; irrompam em canção, ó montes! Pois o Senhor consola o seu povoe terá compaixão de seus afligidos.
14 Sião, porém, disse: “O Senhor me abandonou, o Senhor me desamparou”.
15 Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mamãe não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!
16 Veja, eu gravei você nas palmas das minhas mãos; seus muros estão sempre diante de mim.
17 Seus filhos apressam-se em voltar, e aqueles que a despojaram afastam-se de você.
18 Erga os olhos e olhe ao redor; todos os seus filhos se ajuntam e vêm até você. Juro pela minha vida que você se vestirá deles todos como ornamento; você se vestirá deles como uma noiva, declara o Senhor.
19 Apesar de você ter sido arruinada e abandonada e apesar de sua terra ter sido arrasada, agora você será pequena demais para o seu povo, e aqueles que a devoraram estarão bem distantes.
20 Os filhos nascidos durante seu luto ainda dirão ao alcance dos seus ouvidos: “Este lugar é pequeno demais para nós; dê-nos mais espaço para nele vivermos”.
21 Então você dirá em seu coração: “Quem me gerou estes filhos? Eu estava enlutada e estéril; estava exilada e rejeitada. Quem os criou? Fui deixada totalmente só, mas estes... de onde vieram?”
22 Assim diz o Soberano, o Senhor: Veja, eu acenarei para os gentios, erguerei minha bandeira para os povos; eles trarão nos braços os seus filhos e carregarão nos ombros as suas filhas.
23 Reis serão os seus padrastos, e suas rainhas serão as suas amas de leite. Eles se inclinarão diante de você, com o rosto em terra; lamberão o pó dos seus pés. Então você saberá que eu sou o Senhor; aqueles que esperam em mim não ficarão decepcionados.
24 Será que se pode tirar o despojo dos guerreiros, ou será que os prisioneiros podem ser resgatados do poder dos violentos[98]?
25 Assim, porém, diz o Senhor:
26 “Sim, prisioneiros serão tirados de guerreiros, e despojo será retomado dos violentos; brigarei com os que brigam com você, e seus filhos, eu os salvarei. Farei seus opressores comerem sua própria carne; ficarão bêbados com seu próprio sangue, como com vinho. Então todo mundo saberá que eu, o Senhor, sou o seu Salvador, seu Redentor, o Poderoso de Jacó”.

Isaías – Capítulo 51

1 Escutem-me, vocês que buscam a retidão e procuram o Senhor: Olhem para a rocha da qual foram cortados e para a pedreira de onde foram cavados;
2 olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que lhes deu à luz. Quando eu o chamei, ele era apenas um, e eu o abençoei e o tornei muitos.
3 Com certeza o Senhor consolará Sião e olhará com compaixão para todas as ruínas dela; ele tornará seus desertos como o Éden, seus ermos, como o jardim do Senhor. Alegria e contentamento serão achados nela, ações de graças e som de canções.
4 Escute-me, povo meu; ouça-me, nação minha: A lei sairá de mim; minha justiça se tornará uma luz para as nações.
5 Minha retidão logo virá, minha salvação está a caminho, e meu braço trará justiça às nações. As ilhas esperarão em mim e aguardarão esperançosamente pelo meu braço.
6 Ergam os olhos para os céus, olhem para baixo, para a terra; os céus desaparecerão como fumaça, a terra se gastará como uma roupa, e seus habitantes morrerão como moscas. Mas a minha salvação durará para sempre, a minha retidão jamais falhará.
7 Ouçam-me, vocês que sabem o que é direito, vocês, povo que tem a minha lei no coração: Não temam a censura de homens nem fiquem aterrorizados com seus insultos.
8 Pois a traça os comerá como a uma roupa; o verme os devorará como à lã. Mas a minha retidão durará para sempre, a minha salvação de geração em geração.
9 Desperta! Desperta! Veste de força, o teu braço, ó Senhor; acorda, como em dias passados, como em gerações de outrora. Não foste tu que despedaçaste o Monstro dos Mares[99], que traspassaste aquela serpente aquáti­ca?
10 Não foste tu que secaste o mar, as águas do grande abismo, que fizeste uma estrada nas profundezas do mar para que os redimidos pudessem atravessar?
11 Os resgatados do Senhor voltarão. Entrarão em Sião com cântico; alegria eterna coroará sua cabeça. Júbilo e alegria se apossarão deles, tristeza e suspiro deles fugirão.
12 Eu, eu mesmo, sou quem a consola. Quem é você para que tema homens mortais, os filhos de homens, que não passam de relva,
13 e para que esqueça o Senhor, aquele que fez você, que estendeu os céus e lançou os alicerces da terra, para que você viva diariamente, constantemente apavorada por causa da ira do opressor, que está inclinado a destruir? Pois onde está a ira do opressor?
14 Os prisioneiros encolhidos logo serão postos em liberdade; não morrerão em sua masmorra, nem terão falta de pão.
15 Pois eu sou o Senhor, o seu Deus, que agito o mar para que suas ondas rujam; Senhor dos Exércitos é o meu nome.
16 Pus minhas palavras em sua boca e o cobri com a sombra da minha mão, eu, que pus os céus no lugar, que lancei os alicerces da terra, e que digo a Sião: Você é o meu povo.
17 Desperte, desperte! Levante-se, ó Jerusalém, você que bebeu da mão do Senhor o cálice da ira dele, você que engoliu, até a última gota, da taça que faz os homens cambalearem.
18 De todos os filhos que ela teve não houve nenhum para guiá-la; de todos os filhos que criou não houve nenhum para tomá-la pela mão.
19 Quem poderá consolá-la dessas duas desgraças que a atingiram? Ruína e destruição, fome e espada, quem poderá[100] consolá-la?
20 Seus filhos desmaiaram; eles jazem no início de cada rua, como antílope pego numa rede. Estão cheios da ira do Senhor e da repreensão do seu Deus.
21 Portanto, ouça isto, você, aflita, embriagada, mas não com vinho.
22 Assim diz o seu Soberano, o Senhor, o seu Deus, que defende o seu povo: Veja que eu tirei da sua mão o cálice que faz cambalear; dele, do cálice da minha ira, você nunca mais beberá.
23 Eu o porei nas mãos dos seus atormentadores, que lhe disseram: “Caia prostrada para que andemos sobre você”. E você fez as suas costas como chão, como uma rua para nela a gente andar.

Isaías – Capítulo 52

1 Desperte! Desperte, ó Sião! Vista-se de força. Vista suas roupas de esplendor, ó Jerusalém, cidade santa. Os incircuncisos e os impuros não tornarão a entrar por suas portas.
2 Sacuda para longe a sua poeira; levante-se, sente-se entronizada, ó Jerusalém. Livre-se das correntes em seu pescoço, ó cativa cidade[101] de Sião.
3 Pois assim diz o Senhor: “Vocês foram vendidos por nada, e sem dinheiro vocês serão resgatados”.
4 Pois assim diz o Soberano, o Senhor: No início o meu povo desceu para morar no Egito; ultimamente a Assíria o tem oprimido.
5 “E agora o que tenho aqui?”, pergunta o Senhor. “Pois o meu povo foi levado por nada, e aqueles que o dominam zombam[102]”, diz o Senhor. “E constantemente, o dia inteiro, meu nome é blasfemado.
6 Por isso o meu povo conhecerá o meu nome; naquele dia eles saberão que sou eu que o previ. Sim, sou eu.
7 Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação, que dizem a Sião: “O seu Deus reina!”
8 Escutem! Suas sentinelas erguem a voz; juntas gritam de alegria. Quando o Senhor voltar a Sião, elas o verão com os seus próprios olhos.
9 Juntas cantem de alegria, vocês, ruínas de Jerusalém, pois o Senhor consolou o seu povo; ele resgatou Jerusalém.
10 O Senhor desnudará seu santo braço à vista de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação de nosso Deus.
11 Afastem-se, afastem-se, saiam daqui! Não toquem em coisas impuras! Saiam dela e sejam puros, vocês, que transportam os utensílios do Senhor.
12 Mas vocês não partirão apressadamente, nem sairão em fuga; pois o Senhor irá à frente de vocês; o Deus de Israel será a sua retaguarda.
13 Vejam, o meu servo agirá com sabedoria[103]; será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado.
14 Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele[104]; sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano;
15 de igual modo ele aspergirá muitas nações, [105]e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão, e o que não ouviram compreenderão.

Jeremias – Capítulo 1

1 As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, no território de Benjamim.
2 A palavra do Senhor veio a ele no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom, rei de Judá,
3 e durante o reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o quinto mês do décimo primeiro ano de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, quando os habitantes de Jerusalém foram levados para o exílio.
4 A palavra do Senhor veio a mim, dizendo:
5 “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi[1]; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações”.
6 Mas eu disse: Ah, Soberano Senhor! Eu não sei falar, pois ainda sou muito jovem.
7 O Senhor, porém, me disse: Não diga que é muito jovem. A todos a quem eu o enviar, você irá e dirá tudo o que eu lhe ordenar.
8 Não tenha medo deles, pois eu estou com você para protegê-lo, diz o Senhor.
9 O Senhor estendeu a mão, tocou a minha boca e disse-me: Agora ponho em sua boca as minhas palavras.
10 Veja! Eu hoje dou a você autoridade sobre nações e reinos, para arrancar, despedaçar, arruinar e destruir; para edificar e plantar.
11 E a palavra do Senhor veio a mim: “O que você vê, Jeremias?” Vejo o ramo de uma amendoeira, respondi.
12 O Senhor me disse: “Você viu bem, pois estou vigiando[2] para que a minha palavra se cumpra”.
13 A palavra do Senhor veio a mim pela segunda vez, dizendo: “O que você vê?” E eu respondi: Vejo uma panela ferven­do; ela está inclinada do norte para cá.
14 O Senhor me disse: Do norte se derramará a desgraça sobre todos os habitantes desta terra.
15 Estou convocando todos os povos dos reinos do norte”, diz o Senhor. “Cada um virá e colocará o seu trono diante das portas de Jerusalém, virão contra todas as muralhas que a cerca me contra todas as cidades de Judá.
16 Pronunciarei a minha sentença contra o meu povo por todas as suas maldades; porque me abandonaram, queimaram incenso a outros deuses, e adoraram deuses que as suas mãos fizeram.
17 E você, prepare-se! Vá dizer-lhes tudo o que eu ordenar. Não fique aterrorizado por causa deles, senão eu o aterrorizarei diante deles.
18 E hoje eu faço de você uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e um muro de bronze, contra toda a terra: contra os reis de Judá, seus oficiais, seus sacerdotes e o povo da terra.
19 Eles lutarão contra você, mas não o vencerão, pois eu estou com você e o protege­rei, diz o Senhor.

Jeremias – Capítulo 3

1 “Se um homem se divorciar de sua mulher, e depois da separação ela casar-se com outro homem, poderá o primeiro marido voltar para ela? Não seria a terra totalmente contaminada? Mas você tem se prostituído com muitos amantes e, agora, quer voltar para mim?”, pergunta o Senhor.
2 Olhe para o campo e veja: Há algum lugar onde você não foi desonrada? À beira do caminho você se assentou à espera de amantes, assentou-se como um nômade[10]no deserto. Você contaminou a terra com sua prostituição e impiedade.
3 Por isso as chuvas foram retidas, e não veio chuva na primavera. Mas você, apresentando-se declaradamente como prostituta, recusa-se a corar de vergonha.
4 Você não acabou de me chamar: “Meu pai, amigo da minha juventude?
5 Ficarás irado para sempre? Teu ressentimento permanecerá até o fim?”É assim que você fala, mas faz todo o mal que pode.
6 Durante o reinado do rei Josias, o Senhor me disse: Você viu o que fez Israel, a infiel? Subiu todo monte elevado e foi para debaixo de toda árvore verdejante para prostituir-se.
7 Depois de ter feito tudo isso, pensei que ela voltaria para mim, mas não vol­tou. E a sua irmã traidora, Judá, viu essas coi­sas.
8 Viu[11] também que dei à infiel Israel uma certidão de divórcio e a mandei embora, por causa de todos os seus adultérios. Entretanto, a sua irmã Judá, a traidora, também se prostitu­iu, sem temor algum.
9 E por ter feito pouco caso da imoralidade, Judá contaminou a terra, come­tendo adultério com ídolos de pedra e madeira.
10 Apesar de tudo isso, sua irmã Judá, a traidora, não voltou para mim de todo o coração, mas sim com fingimento, declara o Senhor.
11 O Senhor me disse: Israel, a infiel, é melhor do que Judá, a traidora.
12 Vá e proclame esta mensagem para os lados do norte: “Volte, ó infiel Israel”, declara o Senhor, “Não mais franzirei a testa cheio de ira contra você, pois eu sou fiel”, declara o Senhor, “Não ficarei irado para sempre.
13 Mas reconheça o seu pecado: você se rebelou contra o Senhor, o seu Deus, e ofereceu os seus favores a deuses estranhos, debaixo de toda árvore verdejante, e não me obedeceu, declara o Senhor.
14 “Voltem, filhos rebeldes! Pois eu sou o Senhor[12] de vocês”, declara o Senhor. “Tomarei vocês, um de cada cidade e dois de cada clã, e os trarei de volta a Sião.
15 Então eu lhes darei governan­tes conforme a minha vontade, que os dirigirão com sabedoria e com entendimento.
16 Quando vocês aumentarem e se multiplicarem na sua terra naqueles dias”, declara o Senhor, “não dirão mais: “A arca da aliança do Senhor”. Não pensarão mais nisso nem se lembrarão dela; não sentirão sua falta nem se fará outra arca.
17 Naquela época, chamarão Jerusalém “O Trono do Senhor”, e todas as nações se reuni­rão para honrar o nome do Senhor em Jerusa­lém. Não mais viverão segundo a obstinação de seus corações para fazer o mal.
18 Naqueles dias a comunidade de Judá caminhará com a comuni­dade de Israel, e juntas voltarão do norte para a terra que dei como herança aos seus antepassa­dos.
19 Eu mesmo disse: Com que alegria eu a trataria como se tratam filhos e lhe daria uma terra aprazível, a mais bela herança entre as nações! Pensei que você me chamaria de “Pai” e que não deixaria de seguir-me.
20 Mas, como a mulher que trai o marido, assim você tem sido infiel comigo, ó comunidade de Israel, declara o Senhor.
21 Ouve-se um choro no campo, o pranto de súplica dos israelitas, porque perverteram os seus caminhos e esqueceram o Senhor, o seu Deus.
22 “Voltem, filhos rebeldes! Eu os curarei da sua rebeldia”. “Sim!”, o povo responde. “Nós viremos a ti, pois tu és o Senhor, o nosso Deus.
23 De fato, a agitação idólatra nas colinas e o murmúrio nos montes é um engano. No Senhor, no nosso Deus, está a salvação de Israel.
24 Desde a nossa juventude, Baal, o deus da vergonha, tem consumido o fruto do trabalho dos nossos antepassados: as ovelhas, os bois, os seus filhos e as suas filhas.
25 Seja a vergonha a nossa cama e a desonra, o nosso cobertor. Pecamos contra o Senhor, o nosso Deus, tanto nós como os nossos antepassados, desde a nossa juventude até o dia de hoje; e não temos obedecido ao Senhor, ao nosso Deus.

Jeremias – Capítulo 5

1 Percorram as ruas de Jerusalém, olhem e observem. Procurem em suas praças para ver se podem encontrar alguém que aja com honestidade e que busque a verdade. Então eu perdoarei a cidade.
2 Embora digam: “Juro pelo nome do Senhor”, ainda assim estão jurando falsamente.
3 Senhor, não é fidelidade que os teus olhos procuram? Tu os feriste, mas eles nada sentiram; tu os deixaste esgotados, mas eles recusaram a correção. Endureceram o rosto mais que a rocha, e recusaram arrepender-se.
4 Pensei: Eles são apenas pobres e ignorantes, não conhecem o caminho do Senhor, as exigências do seu Deus.
5 Irei aos nobres e falarei com eles, pois, sem dúvida, eles conhecem o caminho do Senhor, as exigências do seu Deus. Mas todos eles também quebraram o jugo e romperam as amarras.
6 Por isso, um leão da floresta os atacará, um lobo da estepe os arrasará, um leopardo ficará à espreita, nos arredores das suas cidades, para despedaçar qualquer pessoa que delas sair. Porque a rebeldia deles é grande e muitos são os seus desvios.
7 “Por que deveria eu perdoar-lhe isso?” “Seus filhos me abandonaram e juraram por aqueles que não são deuses. Embora eu tenha suprido as suas necessidades, eles cometeram adultério e freqüentaram as casas de prostituição.
8 Eles são garanhões bem-alimentados e excitados, cada um relinchando para a mulher do próximo.
9 Não devo eu castigá-los por isso?”, pergunta o Senhor. “Não devo eu vingar-mede uma nação como esta?
10 Vão por entre as suas vinhas e destruam-nas, mas não acabem totalmente com elas. Cortem os seus ramos, pois eles não pertencem ao Senhor.
11 Porque a comunidade de Israel e a comunidade de Judá têm me traído, declara o Senhor.
12 Mentiram acerca do Senhor, dizendo: Ele não vai fazer nada! Nenhum mal nos acontecerá; jamais veremos espada ou fome.
13 Os profetas não passam de vento, e a palavra não está neles; por isso aconteça com eles o que dizem.
14 Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Porque falaram essas palavras, farei com que as minhas palavras em sua boca sejam fogo, e este povo seja a lenha que o fogo consome.
15 Ó comunidade de Israel”, declara o Senhor, “estou trazendo de longe uma nação para atacá-la: uma nação muito antiga e invencível, uma nação cuja língua você não conhece e cuja fala você não entende.
16 Sua aljava é como um túmulo aberto; toda ela é composta de guerreiros.
17 Devorarão as suas colheita se os seus alimentos; devorarão os seus filhos e as suas filhas; devorarão as suas ovelhas e os seus bois; devorarão as suas videira se as suas figueiras. Destruirão ao fio da espada as cidades fortificadas nas quais vocês confiam.
18 “Contudo, mesmo naqueles dias não os destruirei completamente”, declara o Senhor.
19 E, quando perguntarem: “Por que o Senhor, o nosso Deus, fez isso conosco?”, você lhes dirá: Assim como vocês me abandonaram e serviram deuses estrangeiros em sua própria terra, também agora vocês servirão estrangeiros numa terra que não é de vocês.
20 Anunciem isto à comunidade de Jacó e proclamem-no em Judá:
21 Ouçam isto, vocês, povo tolo e insensato, que têm olhos, mas não vêem, têm ouvidos, mas não ouvem:
22 Acaso vocês não me te­mem?”, pergunta o Senhor. “Não tremem diante da minha presença? Porque fui eu que fiz da areia um limite para o mar, um decreto eterno que ele não pode ultrapassar. As ondas podem quebrar, mas não podem prevalecer, podem bramir, mas não podem ultrapassá-lo.
23 Mas este povo tem coração obstinado e rebelde; eles se afastaram e foram embora.
24 Não dizem no seu íntimo: “Temamos o Senhor, o nosso Deus: aquele que dá as chuvas do outono e da primavera no tempo certo, e nos assegura as semanas certas da colheita”.
25 Porém os pecados de vocês têm afastado essas coisas; as faltas de vocês os têm privado desses bens.
26 Há ímpios no meio do meu povo: homens que ficam à espreita como num esconderijo de caçadores de pássaros; preparam armadilhas para capturar gente.
27 Suas casas estão cheias de engano, como gaiolas cheias de pássaros. E assim eles se tornaram poderosos e ricos,
28 estão gordos e bem-alimentados. Não há limites para as suas obras más. Não se empenham pela causa do órfão, nem defendem os direitos do pobre.
29 Não devo eu castigá-los?”, pergunta o Senhor. “Não devo eu vingar-mede uma nação como essa?
30 Uma coisa espantosa e horrível acontece nesta terra:
31 Os profetas profetizam mentiras, os sacerdotes governam por sua própria autoridade, e o meu povo gosta dessas coisas. Mas o que vocês farão quando tudo isso chegar ao fim?

Jeremias – Capítulo 6

1 Fuja para um lugar seguro, povo de Benjamim! Fuja de Jerusalém! Toquem a trombeta em Tecoa! Ponham sinal em Bete-Haquerém! Porque já se vê a desgraça que vem do norte, uma terrível destruição!
2 Destruirei a cidade[19] de Sião; você é como uma bela pastagem, [20]
3 para onde os pastores vêm com os seus rebanhos; armam as suas tendas ao redor dela e apascentam, cada um no seu lugar.
4 Preparem-se para enfrentá-la na batalha! Vamos, ataquemos ao meio-dia! Ai de nós! O dia declina e as sombras da tarde já se estendem.
5 Vamos, ataquemos de noite! Destruamos as suas fortalezas!
6 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Derrubem as árvores e construam rampas de cerco contra Jerusalém. Ó cidade da falsidade! [21]Ela está cheia de opressão.
7 Assim como um poço produz água, também ela produz sua maldade. Violência! Destruição! É o que se ouve dentro dela; doenças e feridas estão sempre diante de mim.
8 Ouça a minha advertência, ó Jerusalém! Do contrário eu me afastarei inteiramente de você e farei de você uma desolação, uma terra desabitada.
9 Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Rebusque-se o remanescente de Israel tão completamente como se faz com uma videira, como faz quem colhe uvas: e você, repasse os ramos cacho por cacho”.
10 A quem posso eu falar ou advertir? Quem me escutará? Os ouvidos deles são obstinados[22], e eles não podem ouvir. A palavra do Senhor é para eles desprezível, não encontram nela motivo de prazer.
11 Mas a ira do Senhor dentro de mim transborda, já não posso retê-la. Derrama-a sobre as crianças na rua e sobre os jovens reunidos em grupos; pois eles também serão pegos com os maridos e as mulheres, os velhos e os de idade bem avançada.
12 As casas deles serão entregues a outros, com os seus campos e as suas mulheres, quando eu estender a minha mão contra os que vivem nesta terra, declara o Senhor.
13 Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; profetas e sacerdotes igualmente, todos praticam o engano.
14 Eles tratam da ferida do meu povo como se não fosse grave. “Paz, paz”, dizem, quando não há paz alguma.
15 Ficarão eles envergonhados da sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha alguma, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar, declara o Senhor.
16 Assim diz o Senhor: Ponham-se nas encruzilhadas e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, perguntem pelo bom caminho. Sigam-no e acharão descanso. Mas vocês disseram: “Não seguiremos!”
17 Coloquei sentinelas entre vocês e disse: Prestem atenção ao som da trombeta! Mas vocês disseram: “Não daremos atenção”.
18 Vejam, ó nações; observe, ó assembléia, o que acontecerá a eles.
19 Ouça, ó terra: Trarei desgraça sobre este povo, o fruto das suas maquinações, porque não deram atenção às minhas palavras e rejeitaram a minha lei.
20 De que me serve o incenso trazido de Sabá, ou o cálamo aromático de uma terra distante? Os seus holocaustos[23] não são aceitáveis nem me agradam as suas ofertas.
21 Assim diz o Senhor: “Estou colocando obstáculos diante deste povo. Pais e filhos tropeçarão neles; vizinhos e amigos perecerão”.
22 Assim diz o Senhor: Veja! Um exército vem do norte; uma grande nação está sendo mobilizada desde os confins da terra.
23 Eles empunham o arco e a lança; são cruéis e não têm misericórdia, e o barulho que fazem é como o bramido do mar. Vêm montando os seus cavalos em formação de batalha, para atacá-la, ó cidade de Sião.
24 Ouvimos os relatos sobre eles, e as nossas mãos amoleceram. A angústia tomou conta de nós, dores como as da mulher que está dando à luz.
25 Não saiam aos campos nem andem pelas estradas, pois o inimigo traz a espada, e há terror por todos os lados.
26 Ó minha filha, meu povo, ponha vestes de lamento e revolva-se em cinza. Lamente-se com choro amargurado, como quem chora por um filho único, pois subitamente o destruidor virá sobre nós.
27 Eu o designei para examinador de metais, provador do meu povo, para que você examine e ponha à prova a conduta deles.
28 Todos eles são rebeldes obstinados e propagadores de calúnias. Estão endurecidos como o bronze e o ferro. Todos eles são corruptos.
29 O fole sopra com força para separar o chumbo com o fogo, mas o refino prossegue em vão; os ímpios não são expurgados.
30 São chamados prata rejeitada, porque o Senhor os rejeitou.

Jeremias – Capítulo 7

1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:
2 Fique junto à porta do templo do Senhor e proclame esta mensagem: Ouçam a palavra do Senhor, todos vocês de Judá que atravessam estas portas para adorar o Senhor.
3 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, eu os farei habitar neste lugar.
4 Não confiem nas palavras enganosas dos que dizem: “Este é o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor!”
5 Mas se vocês realmente corrigirem a sua conduta e as suas ações, e se, de fato, tratarem uns aos outros com justiça,
6 se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva e não derramarem sangue ino­cente neste lugar, e se vocês não seguirem outros deuses para a sua própria ruína,
7 então eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos seus antepassados desde a antigüidade e para sempre.
8 Mas vejam! Vocês confiam em pala­vras enganosas e inúteis.
9 Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente[24], queimar incenso a Baal e seguir outros deuses que vocês não conheceram,
10 e depois vir e permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: “Estamos seguros!”, segu­ros para continuar com todas essas práticas repugnantes?
11 Este templo, que leva o meu nome, tornou-se para vocês um covil de ladrões? Cuidado! Eu mesmo estou vendo isso, declara o Senhor.
12 Portanto, vão agora a Siló, o meu lugar de adoração, onde primeiro fiz uma habita­ção em honra ao meu nome, e vejam o que eu lhe fiz por causa da impiedade de Israel, o meu povo.
13 Mas agora, visto que vocês fizeram todas essas coisas”, diz o Senhor, “apesar de eu lhes ter falado repetidas vezes, e vocês não me terem dado atenção, e de eu tê-los chamado, e vocês não me terem respondido,
14 eu farei a este templo que leva o meu nome, no qual vocês confiam, o lugar de adoração que dei a vocês e aos seus antepas­sados, o mesmo que fiz a Siló.
15 Expulsarei vocês da minha presença, como fiz com todos os seus compatriotas, o povo de Efraim.
16 E você, Jeremias, não ore por este povo nem faça súplicas ou pedidos em favor dele, nem interceda por ele junto a mim, pois eu não o ouvirei.
17 Não vê o que estão fazendo nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?
18 Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa e fazem bolos para a Rainha dos Céus. Além disso, derramam ofertas a outros deuses para provoca­rem a minha ira.
19 Mas será que é a mim que eles estão provocando?”, pergunta o Senhor. “Não é a si mesmos, para a sua própria vergonha?”
20 Portanto, assim diz o Soberano, o Senhor: “A minha ardente ira será derramada sobre este lugar, sobre os homens, os animais, e as árvores do campo, como também sobre o produto do solo; ela arderá como fogo, e não poderá ser extinta”.
21 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Juntem os seus holocaustos aos outros sacrifícios e comam a carne vocês mesmos!
22 Quando tirei do Egito os seus ante­passados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios.
23 Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem.
24 Mas eles não me ouviram nem me deram atenção. Antes, seguiram o raciocínio rebelde dos seus corações maus. Andaram para trás e não para a frente.
25 Desde a época em que os seus antepassados saíram do Egito até o dia de hoje, eu lhes enviei os meus servos, os profetas, dia após dia.
26 Mas eles não me ouviram nem me deram atenção. Antes, tornaram-se obstinados e foram piores do que os seus antepassados.
27 Quando você lhes disser tudo isso, eles não o escutarão; quando você os chamar, não responderão.
28 Portanto, diga a eles: Esta é uma nação que não obedeceu ao Senhor, ao seu Deus, nem aceitou a correção. A verdade foi destruída e desapareceu dos seus lábios.
29 Cortem os seus cabelos consagrados e joguem-nos fora. Lamentem-se sobre os montes estéreis, pois o Senhor rejeitou e abandonou esta geração que provocou a sua ira.
30 “Os de Judá fizeram o que eu reprovo”, declara o Senhor. “Profanaram o templo que leva o meu nome, colocando nele as imagens dos seus ídolos.
31 Construíram o alto de Tofete no vale de Ben-Hinom, para queimarem em sacrifício os seus filhos e as suas filhas, coisa que nunca ordenei e que jamais me veio à mente.
32 Por isso, certamente vêm os dias”, declara o Senhor, “em que não mais chamarão este lugar Tofete ou vale de Ben-Hinom, mas vale da Matança, pois ali enterrarão cadáveres até que não haja mais lugar.
33 Então os cadáveres deste povo servirão de comida para as aves e para os animais, e não haverá quem os afugente.
34 Darei fim às vozes de júbilo e de alegria, às vozes do noivo e da noiva nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, pois esta terra se tornará um deserto.

Jeremias – Capítulo 8

1 “Naquele tempo”, declara o Senhor, “os ossos dos reis e dos líderes de Judá, os ossos dos sacerdotes e dos profetas e os ossos do povo de Jerusalém serão retirados dos seus túmulos.
2 Serão expostos ao sol e à lua e a todos os astros do céu, que eles amaram, aos quais prestaram culto e os quais seguiram, consultaram e adoraram. Não serão ajuntados nem enterrados, antes se tornarão esterco sobre o solo.
3 Todos os sobreviventes dessa nação má preferirão a morte à vida, em todos os lugares para onde eu os expulsar, diz o Senhor dos Exércitos.
4 Diga a eles: Assim diz o Senhor: Quando os homens caem, não se levantam mais? Quando alguém se desvia do caminho, não retorna a ele?
5 Por que será, então, que este povo se desviou? Por que Jerusalém persiste em desviar-se? Eles apegam-se ao engano e recusam-se a voltar.
6 Eu ouvi com atenção, mas eles não dizem o que é certo. Ninguém se arrepende de sua maldade e diz: “O que foi que eu fiz?”Cada um se desvia e segue seu próprio curso, como um cavalo que se lança com ímpeto na batalha.
7 Até a cegonha no céu conhece as estações que lhe estão determinadas, e a pomba, a andorinha e o tordo observam a época de sua migração. Mas o meu povo não conhece as exigências do Senhor.
8 Como vocês podem dizer: “Somos sábios, pois temos a lei do Senhor”, quando na verdade a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira?
9 Os sábios serão envergonhados; ficarão amedrontados e serão pegos na armadilha. Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria é essa que eles têm?
10 Por isso, entregarei as suas mulheres a outros homens, e darei os seus campos a outros proprietários. Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; tanto os sacerdotes como os profetas, todos praticam a falsidade.
11 Eles tratam da ferida do meu povo como se ela não fosse grave. “Paz, paz”, dizem, quando não há paz alguma.
12 Ficaram eles envergonhados de sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar, declara o Senhor.
13 “Eu quis recolher a colheita deles”, declara o Senhor. “Mas não há uvas na videira nem figos na figueira; as folhas estão secas. O que lhes dei será tomado deles.”
14 Por que estamos sentados aqui? Reúnam-se! Fujamos para as cidades fortificada se pereçamos ali! Pois o Senhor, o nosso Deus, condenou-nos a perecer e nos deu água envenenada para beber, porque temos pecado contra ele.
15 Esperávamos a paz, mas não veio bem algum; esperávamos um tempo de cura, mas há somente terror.
16 O resfolegar dos seus cavalos pode-se ouvir desde Dã; ao relinchar dos seus garanhões a terra toda treme. Vieram para devorar esta terra e tudo o que nela existe, a cidade e todos os que nela habitam.
17 “Vejam, estou enviando contra vocês serpentes venenosas, que ninguém consegue encantar; elas morderão vocês, e não haverá remé­dio”, diz o Senhor.
18 A tristeza tomou conta de mim; o meu coração desfalece.
19 Ouça o grito de socorro da minha filha, do meu povo, grito que se estende por toda esta terra: “O Senhor não está em Sião? Não se acha mais ali o seu rei?” “Por que eles me provocaram à ira com os seus ídolos, com os seus inúteis deuses estrangeiros?”
20 Passou a época da colheita, acabou o verão, e não estamos salvos.
21 Estou arrasado com a devastação sofrida pelo meu povo. Choro muito, e o pavor se apodera de mim.
22 Não há bálsamo em Gileade? Não há médico? Por que será, então, que não há sinal de cura para a ferida do meu povo?

Jeremias – Capítulo 9

1 Ah, se a minha cabeça fosse uma fonte de água e os meus olhos um manancial de lágrimas! Eu choraria noite e dia pelos mortos do meu povo.
2 Ah, se houvesse um alojamento para mim no deserto, para que eu pudesse deixar o meu povoe afastar-me dele. São todos adúlteros, um bando de traidores!
3 “A língua deles é como um arco pronto para atirar. É a falsidade, não a verdade, que prevalece nesta terra. [25]Eles vão de um crime a outro; eles não me reconhecem”, declara o Senhor.
4 Cuidado com os seus amigos, não confie em seus parentes. Porque cada parente é um enganador[26], e cada amigo um caluniador.
5 Amigo engana amigo, ninguém fala a verdade. Eles treinaram a língua para mentir; e, sendo perversos, eles se cansam demais para se converterem. [27]
6 De opressão em opressão, de engano em engano, eles se recusam a reconhecer-me, declara o Senhor.
7 Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Vejam, sou eu que vou refiná-los e prová-los. Que mais posso eu fazer pelo meu povo?
8 A língua deles é uma flecha mortal; eles falam traiçoeiramente. Cada um mostra-se cordial com o seu próximo, mas no íntimo lhe prepara uma armadilha.
9 Deixarei eu de castigá-los?”, pergunta o Senhor. “Não me vingarei de uma nação como essa?”
10 Chorarei, prantearei e me lamentarei pelos montes por causa das pastagens da estepe; pois estão abandonada se ninguém mais as percorre. Não se ouve o mugir do gado; tanto as aves como os animais fugiram.
11 “Farei de Jerusalém um amontoado de ruínas, uma habitação de chacais. Devastarei as cidades de Judá até não restar nenhum morador.”
12 Quem é bastante sábio para compreen­der isso? Quem foi instruído pelo Senhor, que possa explicá-lo? Por que a terra está arruinada e devastada como um deserto pelo qual ninguém passa?
13 O Senhor disse: Foi porque abando­naram a minha lei, que estabeleci diante deles; não me obedeceram nem seguiram a minha lei.
14 Em vez disso, seguiram a dureza de seus próprios corações, indo atrás dos baalins, como os seus antepassados lhes ensinaram.
15 Por isso, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Vejam! Farei este povo comer comida amarga e beber água envenenada.
16 Eu os espa­lharei entre nações que nem eles nem os seus antepassados conheceram; e enviarei contra eles a espada até exterminá-los.
17 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerem: Chamem as pranteadoras profissionais; mandem chamaras mais hábeis entre elas.
18 Venham elas depressa e lamentem por nós, até que os nossos olhos transbordem de lágrimas e águas corram de nossas pálpebras.
19 O som de lamento se ouve desde Sião: “Como estamos arruinados! Como é grande a nossa humilhação! Deixamos a nossa terra porque as nossas casas estão em ru­ínas”.
20 Ó mulheres, ouçam agora a palavra do Senhor; abram os ouvidos às palavras de sua boca. Ensinem suas filhas a lamentar-se; ensinem umas as outras a prantear.
21 A morte subiu e penetrou pelas nossas janela se invadiu as nossas fortalezas, eliminando das ruas as crianças e das praças, os rapazes.
22 “Diga: Assim declara o Senhor: “Cadáveres ficarão estirados como esterco em campo aberto, como o trigo deixado para trás pelo ceifeiro, sem que ninguém o ajunte.”
23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza,
24 mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado, declara o Senhor.
25 “Vêm chegando os dias”, declara o Senhor, “em que­ castigarei todos os que são circuncidados apenas no corpo,
26 como também o Egito, Judá, Edom, Amom, Moabe e todos os que rapam a cabeça[28] e vivem no deserto; porque todas essas nações são incircuncisas, e a comuni­dade de Israel tem o coração obstinado[29].

Jeremias – Capítulo 10

1 Ouçam o que o Senhor diz a vocês, ó comunidade de Israel!
2 Assim diz o Senhor: Não aprendam as práticas das nações nem se assustem com os sinais no céu, embora as nações se assustem com eles.
3 Os costumes religiosos das nações são inúteis: corta-se uma árvore da floresta, um artesão a modela com seu formão;
4 enfeitam-na com prata e ouro, prendendo tudo com martelo e pregos para que não balance.
5 Como um espantalho numa plantação de pepinos, os ídolos são incapazes de falar, e têm que ser transportados porque não conseguem andar. Não tenham medo deles, pois não podem fazer nem mal nem bem.
6 Não há absolutamente ninguém comparável a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande é o poder do teu nome.
7 Quem não te temerá, ó rei das nações? Esse temor te é devido. Entre todos os sábios das nações e entre todos os seus reinos não há absolutamente ninguém comparável a ti.
8 São todos insensatos e tolos; querem ser ensinados por ídolos inúteis. Os deuses deles não passam de madeira.
9 Prata batida é trazida de Társis, e ouro, de Ufaz. A obra do artesão e do ourives é vestida de azul e de púrpura; tudo não passa de obra de hábeis artesãos.
10 Mas o Senhor é o Deus verdadeiro; ele é o Deus vivo; o rei eterno. Quando ele se ira, a terra treme; as nações não podem suportar o seu furor.
11 “Digam-lhes isto: Estes deuses, que não fizeram nem os céus nem a terra, desapare­cerão da terra e de debaixo dos céus”. [30]
12 Mas foi Deus quem fez a terra com o seu poder, firmou o mundo com a sua sabedoria e estendeu os céus com o seu entendimento.
13 Ao som do seu trovão, as águas no céu rugem, e formam-se nuvens desde os confins da terra. Ele faz os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o vento.
14 Esses homens todos são estúpidos e ignorantes; cada ourives é envergonhado pela imagem que esculpiu. Suas imagens esculpidas são uma fraude, elas não têm fôlego de vida.
15 São inúteis, são objetos de zombaria. Quando vier o julgamento delas, perecerão.
16 Aquele que é a porção de Jacó nem se compara a essas imagens, pois ele é quem forma todas as coisas, e Israel é a tribo de sua propriedade, Senhor dos Exércitos é o seu nome.
17 Ajunte os seus pertences para deixar a terra, você que vive sitiada.
18 Porque assim diz o Senhor: “Desta vez lançarei fora os que vivem nesta terra. Trarei aflição sobre eles, e serão capturados”.
19 Ai de mim! Estou ferido! O meu ferimento é incurável! Apesar disso eu dizia: Esta é a minha enfermidade e tenho que suportá-la.
20 A minha tenda foi destruída; todas as cordas da minha tenda estão arrebentadas. Os meus filhos me deixara me já não existem; não restou ninguém para armar a minha tenda e montar o meu abrigo.
21 Os líderes do povo são insensato se não consultam o Senhor; por isso não prospera me todo o seu rebanho está disperso.
22 Escutem! Estão chegando notícias: uma grande agitação vem do norte! As cidades de Judá serão arrasada se transformadas em morada de chacais.
23 Eu sei, Senhor, que não está nas mãos do homem o seu futuro; não compete ao homem dirigir os seus passos.
24 Corrige-me, Senhor, mas somente com justiça, não com ira, para que não me reduzas a nada.
25 Derrama a tua ira sobre as nações que não te conhecem, sobre os povos que não invocam o teu nome; pois eles devoraram Jacó, devoraram-no completamente e destruíram a sua terra.

Jeremias – Capítulo 13

1 Assim me disse o Senhor: “Vá comprar um cinto de linho e ponha-o em volta da cintura, mas não o deixe encostar na água”.
2 Comprei um cinto e o pus em volta da cintura, como o Senhor me havia instruído.
3 O Senhor me dirigiu a palavra pela segunda vez, dizendo:
4 “Pegue o cinto que você comprou e está usando, vá agora a Perate[36] e esconda-o ali numa fenda da rocha”.
5 Assim, fui e o escondi em Perate, conforme o Senhor me havia ordenado.
6 Depois de muitos dias, o Senhor me disse: “Vá agora a Perate e pegue o cinto que lhe ordenei que escondesse ali”.
7 Então fui a Perate, desenterrei o cinto e o tirei do lugar em que o havia escondido. O cinto estava podre e se tornara completamente inútil.
8 E o Senhor dirigiu-me a palavra, dizen­do:
9 Assim diz o Senhor: Do mesmo modo também arruinarei o orgulho de Judá e o orgu­lho desmedido de Jerusalém.
10 Este povo ímpio, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que age segundo a dureza de seus corações, seguindo outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los, que este povo seja como aquele cinto: completa­mente inútil!
11 Assim como um cinto se apega à cintura de um homem, da mesma forma fiz com que toda a comunidade de Israel e toda a comu­nidade de Judá se apegasse a mim, para que fosse o meu povo para o meu renome, louvor e honra. Mas eles não me ouviram, declara o Senhor.
12 Diga-lhes também: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Deve-se encher de vinho toda vasilha de couro. E, se eles lhe disserem: “Será que não sabemos que se deve encher de vinho toda vasilha de couro?”
13 Então você lhes dirá: Assim diz o Senhor: Farei com que fiquem totalmente embria­gados todos os habitantes desta terra, bem como os reis que se assentam no trono de Davi, os sacerdotes, os profetas e todos os habitantes de Jerusalém.
14 Eu os despedaçarei, colocando uns contra os outros, tanto os pais como os filhos”, diz o Senhor. “Nem a piedade nem a misericórdia nem a compaixão me impedi­rão de destruí-los.”
15 Escutem e dêem atenção, não sejam arrogantes, pois o Senhor falou.
16 Dêem glória ao Senhor, ao seu Deus, antes que ele traga trevas, antes que os pés de vocês tropecem nas colinas ao escurecer. Vocês esperam a luz, mas ele fará dela uma escuridão profunda; sim, ele a transformará em densas trevas.
17 Mas, se vocês não ouvirem, eu chorarei em segredo por causa do orgulho de vocês. Chorarei amargamente, e de lágrimas os meus olhos transbordarão, porque o rebanho do Senhor foi levado para o cativeiro.
18 Diga-se ao rei e à rainha-mãe: “Desçam do trono, pois as suas coroas gloriosas caíram de sua cabeça”.
19 As cidades do Neguebe estão bloqueadas e não há quem nelas consiga entrar. Todo o Judá foi levado para o exílio, todos foram exilados.
20 Erga os olhos, Jerusalém, e veja aqueles que vêm do norte. Onde está o rebanho que lhe foi confiado, as ovelhas das quais você se orgulhava?
21 O que você dirá quando sobre você dominarem aqueles que você sempre teve como aliados? Você não irá sentir dores como as de uma mulher em trabalho de parto?
22 E se você se perguntar: “Por que aconteceu isso comigo?”, saiba que foi por causados seus muitos pecados que as suas vestes foram levantadas e você foi violentada[37].
23 Será que o etíope[38] pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês, que estão acostumados a praticar o mal.
24 Espalharei vocês como a palha levada pelo vento do deserto.
25 Esta é a sua parte, a porção que lhe determinei”, declara o Senhor, “porque você se esqueceu de mime confiou em deuses falsos.
26 Eu mesmo levantarei as suas vestes até o seu rosto para que as suas vergonhas sejam expostas.
27 Tenho visto os seus atos repugnantes, os seus adultérios, os seus relinchos, a sua prostituição desavergonhada sobre as colinas e nos campos. Ai de você, Jerusalém! Até quando você continuará impura?

Jeremias – Capítulo 15

1 Então o Senhor me disse: Ainda que Moisés e Samuel estivessem diante de mim, intercedendo por este povo, eu não lhes mostra­ria favor. Expulse-os da minha presença! Que saiam!
2 E, se lhe perguntarem: “Para onde iremos?”, diga-lhes: Assim diz o Senhor: Os destinados à morte, para a morte; os destinados à espada, para a espada; os destinados à fome, para a fome; os destinados ao cativeiro, para o cativeiro.
3 “Enviarei quatro tipos de destruidores contra eles”, declara o Senhor: “a espada para matar, os cães para dilacerar, as aves do céu e os animais selvagens para devorar e destruir.
4 Eu farei deles uma causa de terror para todas as nações da terra, por tudo o que Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, fez em Jerusalém.
5 Quem terá compaixão de você, ó Jerusalém? Quem se lamentará por você? Quem vai parar e perguntar como você está?
6 Você me rejeitou”, diz o Senhor. “Você vive se desviando. Por isso, porei as mãos em você e a destruirei; cansei-me de mostrar compaixão.
7 Eu os espalhei ao vento como palha nas cidades desta terra. Deixei-os sem filhos; destruí o meu povo, pois não se converteram de seus caminhos.
8 Fiz com que as suas viúvas se tornassem mais numerosas do que a areia do mar. Ao meio-dia, trouxe um destruidor contra as mães dos jovens guerreiros; fiz cair sobre elas repentina angústia e pavor.
9 A mãe de sete filhos desmaiou e está ofegante. Para ela o sol se pôs enquanto ainda era dia; ela foi envergonhada e humilhada. Entregarei os sobreviventes à espada diante dos seus inimigos, declara o Senhor
10 Ai de mim, minha mãe, por me haver dado à luz! Pois sou um homem em luta e em contenda com a terra toda! Nunca emprestei nem tomei emprestado, e assim mesmo todos me amaldiçoam.
11 O Senhor disse: Eu certamente o fortaleci para o bem e intervim por você, na época da desgraça e da adversidade, por causa do inimigo. [42]
12 Será alguém capaz de quebrar o ferro, o ferro que vem do norte, ou o bronze?
13 Diga a esse povo: Darei de graça a sua riqueza e os seus tesouros como despojo, por causa de todos os seus pecados em toda a sua terra.
14 Eu os tornarei escravos de seus inimigos, numa terra[43] que vocês não conhecem, pois a minha ira acenderá um fogo que arderá contra vocês.
15 Tu me conheces, Senhor; lembra-te de mim, vem em meu auxílio e vinga-me dos meus perseguidores. Que, pela tua paciência para com eles, eu não seja eliminado. Sabes que sofro afronta por tua causa.
16 Quando as tuas palavras foram encontradas, eu as comi; elas são a minha alegria e o meu júbilo, pois pertenço a ti[44], Senhor Deus dos Exércitos.
17 Jamais me sentei na companhia dos que se divertem, nunca festejei com eles. Sentei-me sozinho, porque a tua mão estava sobre mime me encheste de indignação.
18 Por que é permanente a minha dor, e a minha ferida é grave e incurável? Por que te tornaste para mim como um riacho seco, cujos mananciais falham?
19 Assim respondeu o Senhor: Se você se arrepender, eu o restaurarei para que possa me servir; se você disser palavras de valor, e não indignas, será o meu porta-voz. Deixe este povo voltar-se para você, mas não se volte para eles.
20 Eu farei de você uma muralha de bronze fortificada diante deste povo; lutarão contra você, mas não o vencerão, pois estou com você para resgatá-lo e salvá-lo, declara o Senhor.
21 “Eu o livrarei das mãos dos ímpios e o resgatarei das garras dos violentos”.

Jeremias – Capítulo 16

1 Então o Senhor me dirigiu a pala­vra, dizendo:
2 “Não se case nem tenha filhos ou filhas neste lugar”;
3 porque assim diz o Senhor a respeito dos filhos e filhas nascidos nesta terra, e a respeito das mulheres que forem suas mães e dos homens que forem seus pais:
4 “Eles morre­rão de doenças graves; ninguém pranteará por eles; não serão sepultados, mas servirão de esterco para o solo. Perecerão pela espada e pela fome, e os seus cadáveres serão o alimento das aves e dos animais”.
5 Porque assim diz o Senhor: “Não entre numa casa onde há luto; não vá prantear nem apresentar condolências, porque retirei a minha paz, o meu amor leal e a minha compaixão deste povo”, declara o Senhor.
6 Tan­to grandes como pequenos morrerão nesta terra; não serão sepul­tados nem se pranteará por eles; não se farão incisões nem se rapará a cabeça por causa deles.
7 Ninguém oferecerá comida para fortalecer os que pranteiam pelos mortos; ninguém dará de beber do cálice da consolação nem mesmo pelo pai ou pela mãe.
8 “Não entre numa casa em que há um banquete, para se assentar com eles a fim de comer e beber”.
9 Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Farei cessar neste lugar, diante dos olhos de vocês e durante a vida de vocês, a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva.
10 Quando você falar todas essas coisas a este povo e eles lhe perguntarem: “Por que o Senhor determinou uma desgraça tão terrível contra nós? Que delito ou pecado cometemos contra o Senhor, contra o nosso Deus?”,
11 diga-lhes: Foi porque os seus antepassados me abandonaram”, diz o Senhor, “e seguiram outros deuses, aos quais prestaram culto e adoraram. Eles me abandonaram e não obedece­ram à minha lei.
12 Mas vocês têm feito coisas piores do que os seus antepassados: cada um segue a rebeldia do seu coração mau, em vez de obedecer-me.
13 Por isso os lançarei fora desta terra, para uma terra que vocês e os seus antepassados desconhecem; lá vocês servirão a outros deuses dia e noite, pois não terei miseri­córdia de vocês.
14 “Contudo, vêm dias”, declara o Senhor, “quando já não mais se dirá: “Juro pelo nome do Senhor, que trouxe os israelitas do Egito”.
15 Antes dirão: “Juro pelo nome do Senhor, que trouxe os israelitas do norte e de todos os países para onde ele os havia expulsa­do”. Eu os conduzirei de volta para a sua terra, terra que dei aos seus antepassados.
16 “Mas agora mandarei chamar muitos pescadores”, declara o Senhor, “e eles os pescarão. Depois disso mandarei chamar muitos caçadores, e eles os caçarão em cada monte e colina e nas fendas das rochas.
17 Os meus olhos vêem todos os seus caminhos; eles não estão escondidos de mim, nem a sua iniqüidade está oculta aos meus olhos.
18 Eu lhes retribuirei em dobro pela sua impiedade e pelo seu pecado, porque contaminaram a minha terra com as carcaças de seus ídolos detestáveis e encheram a minha herança com as suas abominações.
19 Senhor, minha força e minha fortaleza, meu abrigo seguro na hora da adversidade, a ti virão as nações desde os confins da terra e dirão: Nossos antepassados possuíam deuses falsos, ídolos inúteis, que não lhes fizeram bem algum.
20 Pode o homem mortal fazer os seus próprios deuses? Sim, mas estes não seriam deuses!
21 Portanto eu lhes ensinarei; desta vez eu lhes ensinarei sobre o meu poder e sobre a minha força. Então saberão que o meu nome é Senhor.

Jeremias – Capítulo 22

1 Assim diz o Senhor: Desça ao palácio do rei de Judá e proclame ali esta mensa­gem:
2 Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, tu que te assentas no trono de Davi; tu, teus conselheiros, e teu povo, que passa por estas portas.
3 Assim diz o Senhor: Administrem a justiça e o direito: livrem o explorado das mãos do opressor. Não oprimam nem maltratem o estrangeiro, o órfão ou a viúva; nem derramem sangue inocente neste lugar.
4 Porque, se vocês tiverem o cuidado de cumprir essas ordens, então os reis que se assentarem no trono de Davi entrarão pelas portas deste palácio em carruagens e cavalos, em companhia de seus conselheiros e de seu povo.
5 Mas se vocês desobedecerem a essas ordens”, declara o Senhor, “juro por mim mesmo que este palácio ficará deserto”.
6 Porque assim diz o Senhor a respeito do palácio real de Judá: Apesar de você ser para mim como Gileade e como o topo do Líbano, certamente farei de você um deserto, uma cidade desabitada.
7 Prepararei destruidores contra você, cada um com as suas armas; eles cortarão o melhor dos seus cedros e o lançarão ao fogo.
8 De numerosas nações muitos passarão por esta cidade e perguntarão uns aos outros: “Por que o Senhor fez uma coisa dessas a esta grande cidade?”
9 E lhes responderão: “Foi por­que abandonaram a aliança do Senhor, do seu Deus, e adoraram outros deuses e prestaram-lhes culto”.
10 Não chorem pelo rei morto nem lamentem sua perda. Chorem amargamente, porém, por aquele que está indo para o exílio, porque jamais voltará nem verá sua terra natal.
11 Porque assim diz o Senhor acerca de Salum, rei de Judá, sucessor de seu pai Josias, que partiu deste lugar: Ele jamais voltará.
12 Morrerá no lugar para onde o levaram prisione­iro; não verá novamente esta terra.
13 Ai daquele que constrói o seu palácio por meios corruptos, seus aposentos, pela injustiça, fazendo os seus compatriotas trabalharem por nada, sem pagar-lhes o devido salário.
14 Ele diz: “Construirei para mim um grande palácio, com aposentos espaçosos”. Faz amplas janelas, reveste o palácio de cedro e pinta-o de vermelho.
15 Você acha que acumular cedro faz de você um rei? O seu pai não teve comida e bebida? Ele fez o que era justo e certo, e tudo ia bem com ele.
16 Ele defendeu a causado pobre e do necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecer-me? , declara o Senhor.
17 “Mas você não vê nem pensa noutra coisa além de lucro desonesto, derramar sangue inocente, opressão e extorsão”.
18 Portanto, assim diz o Senhor a respei­to de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não se lamentarão por ele, clamando: “Ah, meu irmão!” ou“Ah, minha irmã!”Nem se lamentarão, clamando: “Ah, meu senhor!” ou“Ah, sua majestade!”
19 Ele terá o enterro de um jumento: arrastado e lançado fora das portas de Jerusalém!
20 Jerusalém, suba ao Líbano e clame, seja ouvida a sua voz em Basã, clame desde Abarim, pois todos os seus aliados foram esmagados.
21 Eu a adverti quando vocês e sentia segura, mas você não quis ouvir-me. Esse foi sempre o seu procedimento, pois desde a sua juventude você não me obedece.
22 O vento conduzirá para longe todos os governantes que conduzem você, e os seus aliados irão para o exílio. Então você será envergonhada e humilhada por causa de todas as suas maldades.
23 Você, que está entronizada no Líbano[50], que está aninhada em prédios de cedro, como você gemerá quando lhe vierem as dores de parto, dores como as de uma mulher que está para dar à luz!
24 “Juro pelo meu nome”, diz o Senhor, “que ainda que você, Joaquim[51], filho de Jeoaquim, rei de Judá, fosse um anel de selar em minha mão direita, eu o arrancaria.
25 Eu o entregarei nas mãos daqueles que querem tirar a sua vida; daqueles que você teme, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e dos babilô­nios.
26 Expulsarei você e sua mãe, a mulher que lhe deu à luz, para um outro país, onde vocês não nasceram, e no qual ambos morrerão.
27 Ja­mais retornarão à terra para a qual anseiam voltar.
28 É Joaquim um vaso desprezível e quebrado, um utensílio que ninguém quer? Por que ele e os seus descendentes serão expulsos e lançados num país que não conhecem?
29 Ó terra, terra, terra, ouça a palavra do Senhor!
30 Assim diz o Senhor: Registrem esse homem como homem sem filhos. Ele não prosperará em toda a sua vida; nenhum dos seus descendentes prosperará nem se assentará no trono de Davi nem governará em Judá.

Jeremias – Capítulo 26

1 No início do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra da parte do Senhor:
2 Assim diz o Senhor: Coloque-se no pátio do templo do Senhor e fale a todo o povo das cidades de Judá que vem adorar no templo do Senhor. Diga-lhes tudo o que eu lhe ordenar; não omita uma só palavra.
3 Talvez eles escutem e cada um se converta de sua má conduta. Então eu me arrependerei e não trarei sobre eles a desgraça que estou planejando por causa do mal que eles têm praticado.
4 Diga-lhes: Assim diz o Senhor: Se vocês não me escutarem nem seguirem a minha lei, que dei a vocês,
5 e se não ouvirem as palavras dos meus servos, os profetas, os quais tenho enviado a vocês vez após vez, embora vocês não os te­nham ouvido,
6 então farei deste templo o que fiz do santuário de Siló, e desta cidade, um objeto de maldição entre todas as nações da terra.
7 Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram Jeremias falar essas palavras no templo do Senhor.
8 E assim que Jeremias acabou de dizer ao povo tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado, os sacerdotes, os profetas e todo o povo o prenderam e disseram: Você certamente morrerá!
9 Por que você profetiza em nome do Senhor e afirma que este templo será como Siló e que esta cidade ficará arrasada e abandonada? E todo o povo se ajuntou em volta de Jeremias no templo do Senhor.
10 Quando os líderes de Judá souberam disso, foram do palácio real até o templo do Senhor e se assentaram para julgar, à entrada da porta Nova do templo do Senhor.
11 E os sacerdotes e os profetas disseram aos líderes e a todo o povo: “Este homem deve ser condenado à morte porque profetizou contra esta cidade. Vocês o ouviram com os seus próprios ouvi­dos!”
12 Disse então Jeremias a todos os líderes e a todo o povo: O Senhor enviou-me para profetizar contra este templo e contra esta cidade tudo o que vocês ouviram.
13 Agora, corrijam a sua conduta e as suas ações e obedeçam ao Senhor, ao seu Deus. Então o Senhor se arrependerá da desgraça que pronunciou contra vocês.
14 Quanto a mim, estou nas mãos de vocês; façam comigo o que acharem bom e certo.
15 Entretanto, estejam certos de que, se me matarem, vocês, esta cidade e os seus habitantes serão responsáveis por derramar sangue inocente, pois, na verdade, o Senhor enviou-me a vocês para anunciar-lhes essas palavras.
16 Então os líderes e todo o povo disseram aos sacerdotes e aos profetas: “Este homem não deve ser condenado à morte! Ele nos falou em nome do Senhor, do nosso Deus”.
17 Alguns dos líderes da terra se levanta­ram e disseram a toda a assembléia do povo:
18 Miquéias de Moresete profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, dizendo a todo o povo de Judá: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Sião será arada como um campo. Jerusalém se tornará um monte de entulho, a colina do templo, um monte coberto de mato”[59].
19 “Acaso Ezequias, rei de Judá, ou al­guém do povo de Judá o matou? Ezequias não temeu o Senhor e não buscou o seu favor? E o Senhor não se arrependeu da desgraça que pronunciara contra eles? Estamos a ponto de trazer uma terrível desgraça sobre nós!”
20 Outro homem que profetizou em nome do Senhor foi Urias, filho de Semaías, de Quiriate-Jearim. Ele profetizou contra esta cidade e contra esta terra as mesmas coisas anunciadas por Jeremias.
21 Quando o rei Jeoaquim, todos os seus homens de guerra e os seus oficiais ouviram isso, o rei procurou matá-lo. Sabendo disso, Urias teve medo e fugiu para o Egito.
22 Mas o rei Jeoaquim mandou ao Egito Elnatã, filho de Acbor, e com ele alguns homens,
23 os quais trouxeram Urias do Egito e o levaram ao rei Jeoaquim, que o mandou matar à espada. Depois, jogaram o corpo dele numa vala comum.
24 Mas Aicam, filho de Safã, protegeu Jeremias, impedindo que ele fosse entregue ao povo para ser executado.

Jeremias – Capítulo 29

1 Este é o conteúdo da carta que o profeta Jeremias enviou de Jerusalém aos líderes, que ainda restavam entre os exilados, aos sacer­dotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor deportara de Jerusalém para a Babilônia.
2 Isso aconteceu depois que o rei Joaquim e a rainha-mãe, os oficiais do palácio real, os líderes de Judá e Jerusalém, os artesãos e os artífices foram deportados de Jerusalém para a Babilônia.
3 Ele enviou a carta por intermédio de Eleasa, filho de Safã, e Gemarias, filho de Hilquias, os quais Zedequias, rei de Judá, mandou a Nabucodonosor, rei da Babilônia. A carta dizia o seguinte:
4 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia:
5 “Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos.
6 Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam.
7 Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os depor­tei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”.
8 Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: “Não deixem que os profetas e adivinhos que há no meio de vocês os enganem. Não dêem atenção aos sonhos que vocês os encorajam a terem.
9 Eles estão profetizando mentiras em meu nome. Eu não os envi­ei”, declara o Senhor.
10 Assim diz o Senhor: “Quando se completarem os setenta anos da Babilônia, eu cumprirei a minha promessa em favor de vocês, de trazê-los de volta para este lugar.
11 Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.
12 Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvi­rei.
13 Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração.
14 Eu me deixarei ser encontrado por vocês”, declara o Senhor, “e os trarei de volta do cativeiro. [63] Eu os reunirei de todas as nações e de todos os lugares para onde eu os dispersei, e os trarei de volta para o lugar de onde os deportei”, diz o Senhor.
15 Vocês podem dizer: “O Senhor levantou profetas para nós na Babilônia”,
16 mas assim diz o Senhor sobre o rei que se assenta no trono de Davi e sobre todo o povo que permanece nesta cidade, seus compatriotas que não foram com vocês para o exílio;
17 assim diz o Senhor dos Exércitos: “Enviarei a guerra, a fome e a peste contra eles; lidarei com eles como se lida com figos ruins, que são intragáveis.
18 Eu os perseguirei com a guerra, a fome e a peste; farei deles objeto de terror para todos os reinos da terra, maldição e exemplo, zombaria e afronta entre todas as nações para onde eu os dispersei.
19 Porque eles não deram atenção às minhas palavras”, declara o Senhor, “palavras que lhes enviei pelos meus servos, os profetas. E vocês também não deram atenção!”, diz o Senhor.
20 Ouçam, agora, a palavra do Senhor, todos vocês exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia!
21 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a respeito de Acabe, filho de Colaías, e a respeito de Zedequias, filho de Maaséias, que estão profetizando mentiras a vocês em meu nome: “Eu os entregarei nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e ele os matará diante de vocês.
22 Em razão disso, os exilados de Judá que estão na Babilônia usarão esta maldição: “Que o Senhor o trate como tratou Zedequias e Acabe, os quais o rei da Babilônia queimou vivos”.
23 Porque cometeram loucura em Israel: adulteraram com as mulheres de seus amigos e em meu nome falaram mentiras, que eu não ordenei que falassem. Mas eu estou sabendo; sou testemunha disso”, declara o Senhor.
24 Diga a Semaías, de Neelam:
25 Diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, que você enviou cartas em seu próprio nome a todo o povo de Jerusalém, a Sofonias, filho do sacer­dote Maaséias, e a todos os sacerdotes. Você disse a Sofonias:
26 “O Senhor o designou sacerdote em lugar de Joiada como encarregado do templo do Senhor; você deveria prender no tronco, com correntes de ferro, qualquer doido que agisse como profeta.
27 E por que você não repreendeu Jeremias de Anatote, que se apresen­ta como profeta entre vocês?
28 Ele até mandou esta mensagem para nós que estamos na Babilô­nia, dizendo que o exílio será longo, que construam casas e habitem nelas, plantem jardins e comam de seus frutos”.
29 O sacerdote Sofonias leu a carta para o profeta Jeremias.
30 Então o Senhor dirigiu a palavra a Jeremias:
31 Envie esta mensagem a todos os exilados: Assim diz o Senhor sobre Semaías, de Neelam: Embora eu não o tenha enviado, Semaías profetizou a vocês e fez com que vocês cressem numa mentira,
32 por isso, assim diz o Senhor: Castigarei Semaías, de Neelam, e os seus descendentes. Não lhe restará ninguém entre este povo, e ele não verá as coisas boas que farei em favor de meu povo”, declara o Senhor, “porque ele pregou rebelião contra o Senhor”.

Jeremias – Capítulo 42

1 Então todos os líderes do exército, inclusive Joanã, filho de Careá, e Jezanias[86], filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até o maior, aproximaram-se
2 do profeta Jeremias e lhe disseram: Por favor, ouça a nossa petição e ore ao Senhor, ao seu Deus, por nós e em favor de todo este remanescente; pois, como você vê, embora fôssemos muitos, agora só restam poucos de nós.
3 Ore rogando ao Senhor, ao seu Deus, que nos diga para onde devemos ir e o que devemos fazer.
4 “Eu os atenderei”, respondeu o profeta Jeremias. “Orarei ao Senhor, ao seu Deus, conforme vocês pediram. E tudo o que o Senhor responder eu lhes direi; nada esconderei de vocês.”
5 Então disseram a Jeremias: Que o Senhor seja uma testemunha verdadeira e fiel contra nós, caso não façamos tudo o que o Senhor, o seu Deus, nos ordenar por você.
6 Quer seja favorável ou não, obedeceremos ao Senhor, o nosso Deus, a quem o enviamos, para que tudo vá bem conosco, pois obedecere­mos ao Senhor, o nosso Deus.
7 Dez dias depois o Senhor dirigiu a palavra a Jeremias,
8 e ele convocou Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército que estavam com ele e todo o povo, desde o menor até o maior.
9 Disse-lhes então: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, a quem vocês me enviaram para apresentar a petição de vocês:
10 “Se vocês permanecerem nesta terra, eu os edificarei e não os destruirei; eu os plantarei e não os arrancarei, pois muito me pesa a desgraça que eu trouxe sobre vocês.
11 Não tenham medo do rei da Babilônia, a quem vocês agora temem. Não tenham medo dele”, declara o Senhor, “pois estou com vocês e os salvarei e os livrarei das mãos dele.
12 Eu terei compaixão de vocês, e ele também, e lhes permitirá retornar à terra de vocês”.
13 Contudo, se vocês disserem “Não permaneceremos nesta terra”, e assim desobedecerem ao Senhor, ao seu Deus,
14 e se disserem: “Não, nós iremos para o Egito, onde não veremos a guerra nem ouviremos o som da trombeta, nem passaremos fome”,
15 ouçam a palavra do Senhor, ó remanescente de Judá. Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: “Se vocês estão decididos a ir para o Egito e lá forem residir,
16 a guerra que vocês temem os alcançará, a fome que receiam os seguirá até o Egito, e lá vocês morrerão.
17 Todos os que estão decididos a partir e residir no Egito morrerão pela guerra, pela fome e pela peste; nem um só deles sobreviverá ou escapará da desgraça que trarei sobre eles”.
18 Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: “Como o meu furor foi derramado sobre os habitantes de Jerusalém, também a minha ira será derramada sobre vocês, quando forem para o Egito. Vocês serão objeto de maldição e de pavor, de desprezo e de afronta. Vocês jamais tornarão a ver este lugar”.
19 Ó remanescente de Judá, o Senhor lhes disse: “Não vão para o Egito”. Estejam certos disto: Eu hoje os advirto
20 que vocês cometeram um erro fatal[87] quando me enviaram ao Senhor, ao seu Deus, pedindo: “Ore ao Senhor, ao nosso Deus, em nosso favor. Diga-nos tudo o que ele lhe falar, e nós o faremos”.
21 Eu lhes disse, hoje mesmo, o que o Senhor, o seu Deus, me mandou dizer a vocês, mas vocês não lhe estão obedecendo.
22 Agora, porém, estejam certos de que vocês morrerão pela guerra, pela fome e pela peste, no lugar em que vocês desejam residir.

Jeremias – Capítulo 44

1 Esta é a palavra do Senhor, que foi dirigida a Jeremias, para todos os judeus que estavam no Egito e viviam em Migdol, Tafnes, Mênfis, e na região de Patros:
2 Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Vocês viram toda a desgraça que eu trouxe sobre Jerusalém e sobre todas as cidades de Judá. Hoje elas estão em ruínas e desabitadas
3 por causa do mal que fizeram. Seus moradores provocaram a minha ira queimando incenso e prestando culto a outros deuses, que nem eles nem vocês nem seus antepassados jamais conhe­ceram.
4 Dia após dia eu lhes enviei meus servos, os profetas, que disseram: “Não façam essa abominação detestável!”
5 Mas eles não me ouviram nem me deram atenção; não se converteram de sua impiedade nem cessaram de queimar incenso a outros deuses.
6 Por isso, o meu furor foi derramado e queimou as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém, tornando-as na ruína desolada que são hoje.
7 Assim diz o Senhor, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Por que trazer uma desgraça tão grande sobre si mesmos, eliminando de Judá homens e mulheres, crianças e recém-nascidos, sem deixar remanescente algum?
8 Por que vocês provocam a minha ira com o que fazem, queimando incenso a outros deuses no Egito, onde vocês vieram residir? Vocês se destruirão a si mesmos e se tornarão objeto de desprezo e afronta entre todas as nações da terra.
9 Acaso vocês se esqueceram da impiedade cometida por seus antepassados, pelos reis de Judá e as mulheres deles, e da impiedade cometida por vocês e suas mulheres na terra de Judá e nas ruas de Jerusalém?
10 Até hoje não se humilharam nem mostraram reverência, e não têm seguido a minha lei e os decretos que colo­quei diante de vocês e dos seus antepassados.
11 Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Estou decidido a trazer desgraça sobre vocês e a destruir todo o Judá.
12 Tomarei o remanescente de Judá, que decidiu partir e residir no Egito, e todos morrerão no Egito. Cairão pela espada ou pela fome; desde o menor até o maior, morrerão pela espada ou pela fome. Eles se tornarão objeto de maldi­ção e de pavor, de desprezo e de afronta.
13 Castigarei aqueles que vivem no Egito com a guerra, a fome e a peste, como castiguei Jerusalém.
14 Ninguém dentre o remanescente de Judá que foi morar no Egito escapará ou sobreviverá para voltar à terra de Judá, para a qual anseiam voltar e nela anseiam viver; nenhum voltará, exceto uns poucos fugitivos.
15 Então, todos os homens que sabiam que as suas mulheres queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes, em grande número, e todo o povo que morava no Egito, e na região de Patros, disseram a Jeremias:
16 Nós não daremos aten­ção à mensagem que você nos apresenta em nome do Senhor!
17 É certo que faremos tudo o que dissemos que faríamos — queimaremos incenso à Rainha dos Céus e derramaremos ofertas de bebidas para ela, tal como fazíamos, nós e nossos antepassados, nossos reis e nossos líderes, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusa­lém. Naquela época tínhamos fartura de comida, éramos prósperos e nada sofríamos.
18 Mas, desde que paramos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de derramar ofertas de bebidas a ela, nada temos tido e temos perecido pela espada e pela fome.
19 E as mulheres acrescentaram: “Quando queimávamos incenso à Rainha dos Céus e derramávamos ofertas de bebidas para ela, será que era sem o consentimento de nossos maridos que fazíamos bolos na forma da imagem dela e derramávamos as ofertas de bebidas?”
20 Então Jeremias disse a todo o povo, tanto aos homens como às mulheres que estavam respondendo a ele:
21 E o Senhor? Não se lembra ele do incenso queimado nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém por vocês e por seus antepassados, seus reis e seus líderes e pelo povo da terra? Será que ele não pensa nisso?
22 Quando o Senhor não pôde mais suportar as impiedades e as práticas repugnantes de vocês, a terra de vocês ficou devastada e desolada, tornou-se objeto de maldição e ficou desabitada, como se vê no dia de hoje.
23 Foi porque vocês queimaram incenso e pecaram contra o Senhor, e não obedeceram à sua palavra nem seguiram a sua lei, os seus decretos e os seus testemunhos, que esta desgraça caiu sobre vocês, como se vê no dia de hoje.
24 Disse então Jeremias a todo o povo, inclusive às mulheres: Ouçam a palavra do Senhor, todos vocês, judeus que estão no Egito.
25 Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: “Vocês e suas mulheres cumpriram o que prometeram quando disseram: “Certamente cumpriremos os votos que fizemos de queimar incenso e derramar ofertas de bebidas à Rainha dos Céus”.” “Prossigam! Façam o que prometeram! Cumpram os seus votos!”
26 Mas ouçam a palavra do Senhor, todos vocês, judeus que vivem no Egito: “Eu juro pelo meu grande nome”, diz o Senhor, “que em todo o Egito ninguém de Judá voltará a invocar o meu nome ou a jurar pela vida do Soberano, o Senhor.
27 Vigiarei sobre eles para trazer-lhes a desgraça e não o bem; os judeus do Egito perecerão pela espada e pela fome até que sejam todos destruídos.
28 Serão poucos os que escaparão da espada e voltarão do Egito para a terra de Judá. Então, todo o remanescente de Judá que veio residir no Egito saberá qual é a palavra que se realiza, a minha ou a deles.
29 “Este será o sinal para vocês de que os castigarei neste lugar”, declara o Senhor, “e então vocês ficarão sabendo que as minhas ameaças de trazer-lhes desgraça certamente se realizarão”.
30 Assim diz o Senhor: “Entregarei o faraó Hofra, rei do Egito, nas mãos dos seus inimigos que desejam tirar-lhe a vida, assim como entreguei Zedequias, rei de Judá, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, o inimigo que desejava tirar a vida dele”.

Jeremias – Capítulo 46

1 Esta é a mensagem do Senhor que veio ao profeta Jeremias acerca das nações:
2 Acerca do Egito: Esta é a mensagem contra o exército do rei do Egito, o faraó Neco, que foi derrotado em Carquemis, junto ao rio Eufrates, por Nabucodo­nosor, rei da Babilônia, no quarto ano do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá:
3 Preparem seus escudos, os grandes e os pequenos, e marchem para a batalha!
4 Selem os cavalos e montem! Tomem posição e coloquem o capacete! Passem óleo na ponta de suas lanças e vistam a armadura!
5 Mas o que vejo? Eles estão apavorados, estão se retirando, seus guerreiros estão derrotados. Fogem às pressas, sem olhar para trás; há terror por todos os lados, declara o Senhor.
6 O ágil não consegue fugir, nem o forte escapar. No norte, junto ao rio Eufrates, eles tropeçam e caem.
7 Quem é aquele que se levanta como o Nilo, como rios de águas agitadas?
8 O Egito se levanta como o Nilo, como rios de águas agitadas. Ele diz: “Eu me levantarei e cobrirei a terra; destruirei as cidade se os seus habitantes”.
9 Ao ataque, cavalos! Avancem, carros de guerra! Marchem em frente, guerreiros! Homens da Etiópia e da Líbia[92], que levam escudos; homens da Lídia, que empunham o arco!
10 Mas aquele dia pertence ao Soberano, ao Senhor dos Exércitos. Será um dia de vingança, para vingar-se dos seus adversários. A espada devorará até saciar-se, até satisfazer sua sede de sangue. Porque o Soberano, o Senhor dos Exércitos, fará um banquete na terra do norte, junto ao rio Eufrates.
11 Suba a Gileade em busca de bálsamo, ó virgem, filha do Egito! Você multiplica remédios em vão; não há cura para você.
12 As nações ouviram da sua humilhação; os seus gritos encheram a terra, quando um guerreiro tropeçou noutro guerreiro e ambos caíram.
13 Esta é a mensagem que o Senhor falou ao profeta Jeremias acerca da vinda de Nabucodonosor, rei da Babilônia, para atacar o Egito:
14 Anunciem isto no Egito e proclamem-no em Migdol; proclamem-no também em Mênfis e em Tafnes: Assumam posição! Preparem-se! Porque a espada devora aqueles que estão ao seu redor.
15 Por que o deus Ápis fugiu? [93]O seu touro não resistiu, porque o Senhor o derrubou.
16 Tropeçam e caem, caem uns sobre os outros. Eles dizem: “Levantem-se. Vamos voltar para nosso próprio povoe para nossa terra natal, para longe da espada do opressor.
17 O faraó, rei do Egito, é barulho e nada mais! Ele perdeu a sua oportunidade”.
18 “Juro pela minha vida”, declara o Rei, cujo nome é Senhor dos Exércitos, “ele virá como o Tabor entre os montes, como o Carmelo junto ao mar.
19 Arrumem a bagagem para o exílio, vocês que vivem no Egito, pois Mênfis será arrasada, ficará desolada e desabitada.
20 O Egito é uma linda novilha, mas do norte a ataca uma mutuca.
21 Os mercenários em suas fileiras são como bezerros gordos. Eles também darão meia volta e juntos fugirão; não defenderão suas posições, pois o dia da derrota deles está chegando, a hora de serem castigados.
22 O Egito silvará como uma serpente em fuga à medida que o inimigo avança com grande força. Virão sobre ele com machados, como os homens que derrubam árvores.
23 Eles derrubarão sua floresta”, declara o Senhor, “por mais densa que seja. São mais que os gafanhotos; são incontáveis!
24 A cidade[94] do Egito será envergonhada, será entregue nas mãos do povo do norte.
25 O Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, diz: Castigarei Amom, deus de Tebas[95], o faraó, o Egito, seus deuses e seus reis, e também os que confiam no faraó.
26 Eu os entregarei nas mãos daqueles que desejam tirar-lhes a vida; nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e de seus oficiais. Mais tarde, porém, o Egito será habitado como em épocas passadas, declara o Senhor.
27 Quanto a você, não tema, meu servo Jacó! Não fique assustado, ó Israel! Eu o salvarei de um lugar distante, e os seus descendentes, da terra do seu exílio. Jacó voltará e ficará em paz e em segurança; ninguém o inquietará.
28 Não tema, meu servo Jacó! Eu estou com você”, declara o Senhor. “Destruirei completamente todas as nações entre as quais eu o dispersei; mas a você não destruirei completamente. Eu o disciplinarei como você merece; não serei severo demais”.

Jeremias – Capítulo 48

1 Acerca de Moabe: Assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Ai de Nebo, pois ficou em ruínas. Quiriataim foi derrotada e capturada; a fortaleza[97] foi derrotada e destroçada.
2 Moabe não é mais louvada; em Hesbom tramam a sua ruína: “Venham! Vamos dar fim àquela nação”. Você também ficará calada, ó Madmém; a espada a perseguirá.
3 Ouçam os gritos de Horonaim: “Devastação! Grande destruição!
4 Moabe está destruída!”É o grito que se ouve até em Zoar[98].
5 Eles sobem pelo caminho para Luíte, chorando amargamente enquanto seguem; na estrada que desce a Horonaim ouvem-se gritos angustiados por causa da destruição.
6 Fujam! Corram para salvar suas vidas; tornem-se como um arbusto[99] no deserto.
7 Uma vez que vocês confiam em seus feitos e em suas riquezas, vocês também serão capturados, e Camos irá para o exílio, junto com seus sacerdotes e líderes.
8 O destruidor virá contra todas as cidades, e nenhuma escapará. O vale se tornará ruínas, e o planalto será destruído, como o Senhor falou.
9 Ponham sal sobre Moabe, pois ela será deixada em ruínas; [100]suas cidades ficarão devastadas, sem nenhum habitante.
10 Maldito o que faz com negligência o trabalho do Senhor! Maldito aquele que impede a sua espada de derramar sangue!
11 Moabe tem estado tranqüila desde a sua juventude, como o vinho deixado com os seus resíduos; não foi mudada de vasilha em vasilha. Nunca foi para o exílio; por isso, o seu sabor permanece o mesmo e o seu cheiro não mudou.
12 Portanto, certamente vêm os dias”, declara o Senhor, “quando enviarei decantadores que a decantarão; esvaziarão as suas jarra se as despedaçarão.
13 Então Moabe se decepcionará com Camos, assim como Israel se decepcionou com Betel, em quem confiava.
14 Como vocês podem dizer: “Somos guerreiros, somos homens de guerra”?
15 Moabe foi destruída e suas cidades serão invadidas; o melhor dos seus jovens desceu para a matança, declara o Rei, cujo nome é Senhor dos Exércitos.
16 A derrota de Moabe está próxima; a sua desgraça vem rapidamente.
17 Lamentem por ela todos os seus vizinhos, todos os que conhecem a sua fama. Digam: Como está quebrado o cajado poderoso, o cetro glorioso!
18 Desçam de sua glória e sentem-se sobre o chão ressequido, ó moradores da cidade[101] de Dibom, pois o destruidor de Moabe veio para atacá-los e destruir as suas fortalezas.
19 Fiquem junto à estrada e vigiem, vocês que vivem em Aroer. Perguntem ao homem que foge e à mulher que escapa, perguntem a eles: O que aconteceu?
20 Moabe ficou envergonhada, pois está destroçada. Gritem e clamem! Anunciem junto ao Arnom que Moabe foi destruída.
21 O julgamento chegou ao planalto: a Holom, Jaza e Mefaate,
22 a Dibom, Nebo e Bete-Diblataim,
23 a Quiriataim, Bete-Gamule Bete-Meom,
24 a Queriote e Bozra, a todas as cidades de Moabe, distantes e próximas.
25 O poder[102] de Moabe foi eliminado; seu braço está quebrado, declara o Senhor.
26 Embriaguem-na, pois ela desafiou o Senhor. Moabe se revolverá no seu vômito e será objeto de ridículo.
27 Não foi Israel objeto de ridículo para você? Foi ele encontrado em companhia de ladrões para que você sacuda a cabeça sempre que fala dele?
28 Abandonem as cidades! Habitem entre as rochas, vocês que moram em Moabe! Sejam como uma pomba que faz o seu ninho nas bordas de um precipício.
29 Temos ouvido do orgulho de Moabe: da sua extrema arrogância, do seu orgulho e soberba, e do seu espírito de superioridade.
30 Conheço bem a sua arrogância”, declara o Senhor. “A sua tagarelice sem fundamento e as suas ações que nada alcançam.
31 Por isso, me lamentarei por Moabe, gritarei por causa de toda a terra de Moabe, prantearei pelos habitantes de Quir-Heres.
32 Chorarei por vocês mais do que choro por Jazar, ó videiras de Sibma. Os seus ramos se estendiam até o mar, e chegavam até Jazar. O destruidor caiu sobre as suas frutas e sobre as suas uvas.
33 A alegria e a satisfação se foram das terras férteis de Moabe. Interrompi a produção de vinho nos lagares. Ninguém mais pisa as uvas com gritos de alegria; embora haja gritos, não são de alegria.
34 O grito de Hesbom é ouvido em Eleale e Jaaz, desde Zoar até Horonaime Eglate-Selisia, pois até as águas do Ninrim secaram.
35 Em Moabe darei fim àqueles que fazem ofertas nos altares idólatras e queimam incenso a seus deuses, declara o Senhor.
36 Por isso o meu coração lamenta-se por Moabe, como uma flauta; lamenta-se como uma flauta pelos habitantes de Quir-Heres. A riqueza que acumularam se foi.
37 Toda cabeça foi rapada e toda barba foi cortada; toda mão sofreu incisões e toda cintura foi coberta com veste de lamento.
38 Em todos os terraços de Moabee nas praças não há nada senão pranto, pois despedacei Moabe como a um jarro que ninguém deseja, declara o Senhor.
39 “Como ela foi destruída! Como lamentam! Como Moabe dá as costas, envergonhada! Moabe tornou-se objeto de ridículo e de pavor para todos os seus vizinhos”.
40 Assim diz o Senhor: Vejam! Uma águia planando estende as asas sobre Moabe.
41 Queriote será capturada, [103]e as fortalezas serão tomadas. Naquele dia, a coragem dos guerreiros de Moabe será como a de uma mulherem trabalho de parto.
42 Moabe será destruída como nação pois ela desafiou o Senhor.
43 Terror, cova e laço esperam por você, ó povo de Moabe, declara o Senhor.
44 “Quem fugir do terror cairá numa cova, e quem sair da cova será apanhado num laço. Trarei sobre Moabe a hora do seu castigo”, declara o Senhor.
45 Na sombra de Hesbom os fugitivos se encontram desamparados, pois um fogo saiu de Hesbom, uma labareda, do meio de Seom; e queima as testas dos homens de Moabe e os crânios dos homens turbulentos.
46 Ai de você, ó Moabe! O povo de Camos está destruído; seus filhos são levados para o exílio, e suas filhas para o cativeiro.
47 “Contudo, restaurarei a sorte de Moabe em dias vindouros”, declara o Senhor. Aqui termina a sentença sobre Moabe.

Jeremias – Capítulo 50

1 Esta é a palavra que o Senhor falou pelo profeta Jeremias acerca da Babilônia e da terra dos babilônios:
2 Anunciem e proclamem entre as nações, ergam um sinal e proclamem; não escondam nada. Digam: “A Babilônia foi conquistada; Bel foi humilhado, Marduque está apavorado. As imagens da Babilônia estão humilhadas e seus ídolos apavorados”.
3 Uma nação vinda do norte a atacará, arrasará a sua terra e não deixará nela nenhum habitante; tanto homens como animais fugirão.
4 “Naqueles dias e naquela época”, declara o Senhor, “o povo de Israel e o povo de Judá virão juntos, chorando e buscando o Senhor, o seu Deus.
5 Perguntarão pelo caminho para Sião e voltarão o rosto na direção dela. Virão e se apegarão ao Senhor numa aliança permanente que não será esquecida.
6 Meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as desencaminharam e as fizeram perambular pelos montes. Elas vaguearam por montanhas e colinas e se esqueceram de seu próprio curral.
7 Todos que as encontram as devoram. Os seus adversários disseram: “Não somos culpados, pois elas pecaram contra o Senhor, sua verdadeira pastagem, o Senhor, a esperança de seus antepassados”.
8 Fujam da Babilônia; saiam da terra dos babilônios e sejam como os bodes que lideram o rebanho.
9 Vejam! Eu mobilizarei e trarei contra a Babilônia uma coalizão de grandes nações do norte. Elas tomarão posição de combate contra ela e a conquistarão. Suas flechas serão como guerreiros bem treinados, que não voltam de mãos vazias.
10 Assim a Babilônia[108] será saqueada; todos os que a saquearem se fartarão, declara o Senhor.
11 Ainda que você esteja alegre e exultante, você que saqueia a minha herança; ainda que você seja brincalhão como uma novilha solta no pasto, e relinche como os garanhões,
12 sua mãe se envergonhará profundamente; aquela que lhe deu à luz ficará constrangida. Ela se tornará a menor das nações, um deserto, uma terra seca e árida.
13 Por causa da ira do Senhor ela não será habitada, mas estará completamente desolada. Todos os que passarem pela Babilônia ficarão chocados e zombarão por causa de todas as suas feridas.
14 Tomem posição de combate em volta da Babilônia, todos vocês que empunham o arco. Atirem nela! Não poupem flechas, pois ela pecou contra o Senhor.
15 Soem contra ela um grito de guerra de todos os lados! Ela se rende, suas torres caem e suas muralhas são derrubadas. Esta é a vingança do Senhor; vinguem-se dela! Façam a ela o que ela fez aos outros!
16 Eliminem da Babilônia o semeador e o ceifeiro, com a sua foice na colheita. Por causa da espada do opressor, que cada um volte para o seu próprio povo, e cada um fuja para a sua própria terra.
17 “Israel é um rebanho disperso, afugentado por leões. O primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e o último a esmagar os seus ossos foi Nabucodonosor, rei da Babilônia”.
18 Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Castigarei o rei da Babilônia e a sua terra assim como castiguei o rei da Assíria.
19 Mas trarei Israel de volta a sua própria pasta geme ele pastará no Carmelo e em Basã; e saciará o seu apetite nos montes de Efraim e em Gileade.
20 Naqueles dias, naquela época”, declara o Senhor, “se procurará pela iniqüidade de Israel, mas nada será achado, pelos pecados de Judá, mas nenhum será encontrado, pois perdoarei o remanescente que eu poupar.
21 “Ataquem a terra de Merataime aqueles que moram em Pecode. Persigam-nos, matem-nos e destruam-nos totalmente”, declara o Senhor. “Façam tudo o que lhes ordenei.
22 Há ruído de batalha na terra; grande destruição!
23 Quão quebrado e destroçado está o martelo de toda a terra! Quão arrasada está a Babilônia entre as nações!
24 Preparei uma armadilha para você, ó Babilônia, e você foi apanhada antes de percebê-lo; você foi achada e capturada porque se opôs ao Senhor.
25 O Senhor abriu o seu arsenal e trouxe para fora as armas da sua ira, pois o Soberano, o Senhor dos Exércitos, tem trabalho para fazer na terra dos babilônios.
26 Venham contra elados confins da terra. Arrombem os seus celeiros; empilhem-na como feixes de cereal. Destruam-na totalmente e não lhe deixem nenhum remanescente.
27 Matem todos os seus jovens guerreiros! Que eles desçam para o matadouro! Ai deles! Pois chegou o seu dia, a hora de serem castigados.
28 Escutem os fugitivos e refugiados vindos da Babilônia, declarando em Sião como o Senhor, o nosso Deus, se vingou, como se vingou de seu templo.
29 Convoquem flecheiros contra a Babilônia, todos aqueles que empunham o arco. Acampem-se todos ao redor dela; não deixem ninguém escapar. Retribuam a ela conforme os seus feitos; façam com ela tudo o que ela fez. Porque ela desafiou o Senhor, o Santo de Israel.
30 Por isso, os seus jovens cairão nas ruas e todos os seus guerreiros se calarão naquele dia, declara o Senhor.
31 “Veja, estou contra você, ó arrogante”, declara o Soberano, o Senhor dos Exércitos, “pois chegou o seu dia, a sua hora de ser castigada.
32 A arrogância tropeçará e cairá, e ninguém a ajudará a se levantar. Incendiarei as suas cidades, e o fogo consumirá tudo ao seu redor.
33 Assim diz o Senhor dos Exércitos: O povo de Israel está sendo oprimido, e também o povo de Judá. Todos os seus captores os prendem à força, recusando deixá-los ir.
34 Contudo, o Redentor deles é forte; Senhor dos Exércitos é o seu nome. Ele mesmo defenderá a causa deles, e trará descanso à terra, mas inquietação aos que vivem na Babilônia.
35 “Uma espada contra os babilônios!”, declara o Senhor; “contra os que vivem na Babilônia e contra seus líderes e seus sábios!
36 Uma espada contra os seus falsos profetas! Eles se tornarão tolos. Uma espada contra os seus guerreiros! Eles ficarão apavorados.
37 Uma espada contra os seus cavalos, contra os seus carros de guerra e contra todos os estrangeiros em suas fileiras! Eles serão como mulheres. Uma espada contra os seus tesouros! Eles serão saqueados.
38 Uma espada contra as suas águas! Elas secarão. Porque é uma terra de imagens esculpidas, e eles enlouquecem por causa de seus ídolos horríveis.
39 Por isso, criaturas do deserto e hienas nela morarão, e as corujas nela habitarão. Ela jamais voltará a ser povoada nem haverá quem nela viva no futuro.
40 Como Deus destruiu Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas”, diz o Senhor, “ninguém mais habitará ali, nenhum homem residirá nela.
41 Vejam! Vem vindo um povo do norte; uma grande nação e muitos reis se mobilizam desde os confins da terra.
42 Eles empunham o arco e a lança; são cruéis e não têm misericórdia, e o seu barulho é como o bramido do mar. Vêm montados em seus cavalos, em formação de batalha, para atacá-la, ó cidade[109] de Babilônia.
43 Quando o rei da Babilônia ouviu relatos sobre eles, as suas mãos amoleceram. A angústia tomou conta dele, dores como as de uma mulher que está dando à luz.
44 Como um leão que sobe da mata do Jordão em direção aos pastos verdejantes, subitamente eu caçarei a Babilônia pondo-a fora de sua terra. Quem é o escolhido que designarei para isso? Quem é como eu que possa me desafiar? E que pastor pode me resistir?
45 Por isso ouçam o que o Senhor planejou contra a Babilônia, o que ele preparou contra a terra dos babilônios: os menores do rebanho serão arrastados, e as pastagens ficarão devastadas por causa deles.
46 Ao som da tomada da Babilônia a terra tremerá; o grito deles ressoará entre as nações.

Lamentações – Capítulo 2

1 O Senhor cobriu a cidade de Sião com a nuvem da sua ira! Lançou por terra o esplendor de Israel, que se elevava para os céus; não se lembrou do estrado dos seus pés no dia da sua ira.
2 Sem piedade o Senhor devorou todas as habitações de Jacó; em sua ira destruiu as fortalezas da filha de Judá. Derrubou ao chão e desonrou o seu reino e os seus líderes.
3 Em sua flamejante ira, cortou todo o poder[3] de Israel. Retirou a sua mão direita diante da aproximação do inimigo. Queimou Jacó como um fogo ardente que consome tudo ao redor.
4 Como um inimigo, preparou o seu arco; como um adversário, a sua mão direita está pronta. Ele massacrou tudo o que era agradável contemplar; derramou sua ira como fogo sobre a tenda da cidade de Sião.
5 O Senhor é como um inimigo; ele tem devorado Israel. Tem devorado todos os seus palácios e destruído as suas fortalezas. Tem feito multiplicar os prantos e as lamentações da filha de Judá.
6 Ele destroçou a sua morada como se fosse um simples jardim; destruiu o seu local de reuniões. O Senhor fez esquecidas em Sião suas festas fixas e seus sábados; em seu grande furor rejeitou o rei e o sacerdote.
7 O Senhor rejeitou o seu altar e abandonou o seu santuário. Entregou aos inimigos os muros dos seus palácios, e eles deram gritos na casa do Senhor, como fazíamos nos dias de festa.
8 O Senhor está decidido a derrubar os muros da cidade de Sião. Esticou a trena e não poupou a sua mão destruidora. Fez com que os muros e as paredes se lamentassem; juntos eles desmoronaram.
9 Suas portas caíram por terra; suas trancas ele quebrou e destruiu. O seu rei e os seus líderes foram exilados para diferentes nações, e a lei já não existe; seus profetas já não recebem visões do Senhor.
10 Os líderes da cidade de Sião sentam-se no chão em silêncio; despejam pó sobre a cabeça e usam vestes de lamento. As moças de Jerusalém inclinam a cabeça até o chão.
11 Meus olhos estão cansados de chorar, minha alma está atormentada, meu coração se derrama, porque o meu povo está destruído, porque crianças e bebês desmaiam pelas ruas da cidade.
12 Eles clamam às suas mães: “Onde estão o pão e o vinho?” Ao mesmo tempo em que desmaiam pelas ruas da cidade, como os feridos, e suas vidas se desvanecem nos braços de suas mães.
13 Que posso dizer a seu favor? Com que posso compará-la, ó cidade de Jerusalém? Com que posso assemelhá-la, a fim de trazer-lhe consolo, ó virgem, ó cidade de Sião? Sua ferida é tão profunda quanto o oceano; quem pode curá-la?
14 As visões dos seus profetas eram falsas e inúteis; eles não expuseram o seu pecado para evitar o seu cativeiro. As mensagens que eles lhe deram eram falsas e enganosas.
15 Todos os que cruzam o seu caminho batem palmas; eles zombam e meneiam a cabeça diante da cidade de Jerusalém: “É esta a cidade que era chamada a perfeição da beleza, a alegria de toda a terra?”
16 Todos os seus inimigos escancaram a boca contra você; eles zombam, rangem os dente se dizem: “Nós a devoramos. Este é o dia que esperávamos; e eis que vivemos até vê-lo chegar!”
17 O Senhor fez o que planejou; cumpriu a sua palavra, que há muito havia decretado. Derrubou tudo sem piedade, permitiu que o inimigo zombasse de você, exaltou o poder dos seus adversários.
18 O coração do povo clama ao Senhor. Ó muro da cidade de Sião, corram como um rio as suas lágrimas dia e noite; não se permita nenhum descanso nem dê repouso à menina dos seus olhos.
19 Levante-se, grite no meio da noite, quando começam as vigílias noturnas; derrame o seu coração como água na presença do Senhor. Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos, que desmaiam de fome nas esquinas de todas as ruas.
20 Olha, Senhor, e considera: A quem trataste dessa maneira? Deverão as mulheres comer seus próprios filhos, que elas criaram com tanto amor? Deverão os profetas e os sacerdotes ser assassinados no santuário do Senhor?
21 Jovens e velhos espalham-se em meio ao pó das ruas; meus jovens e minhas virgens caíram mortos à espada. Tu os sacrificaste no dia da tua ira; tu os mataste sem piedade.
22 Como se faz convocação para um dia de festa, convocaste contra mim terrores por todos os lados. No dia da ira do Senhor, ninguém escapou nem sobreviveu; aqueles dos quais eu cuidava e que eu fiz crescer, o meu inimigo destruiu.

Ezequiel – Capítulo 24

1 No décimo dia do décimo mês do nono ano, a palavra do Senhor veio a mim. Disse ele:
2 Fi­lho do homem, registre esta data, a data de hoje, porque o rei da Babilônia sitiou Jerusalém exatamente neste dia.
3 Conte a esta nação rebelde uma parábola e diga-lhes: Assim diz o Soberano, o Senhor: Ponha a panela para es­quentar; ponha-a para esquentar com água.
4 Ponha dentro dela pedaços de carne, os melhores pedaços da coxa e da espádua. Encha-a com o melhor desses ossos;
5 apanhe o melhor do rebanho. Empilhe lenha debaixo dela para cozinhar os ossos; faça-a ferver a água e cozinhe tudo o que está na panela.
6 Porque assim diz o Soberano, o Senhor: Ai da cidade sanguinária, da panela que agora tem uma crosta, cujo resíduo não desaparecerá! Esvazie-a, tirando pedaço por pedaço, sem sorteá-los.
7 Pois o sangue que ela derramou está no meio dela; ela o derramou na rocha nua; não o derramou no chão, onde o pó o cobriria.
8 Para atiçar a minha ira e me vingar, pus o sangue dela sobre a rocha nua, para que ele não fosse coberto.
9 Portanto, assim diz o Soberano, o Senhor: Ai da cidade sanguinária! Eu também farei uma pilha de lenha, uma pilha bem alta.
10 Por isso amontoem a lenha e acendam o fogo. Cozinhem bem a carne, misturando os temperos; e reduzam os ossos a cinzas.
11 Ponham depois a panela vazia sobre as brasas para que esquente até que o seu bronze fique incandescente, as suas impurezas se derreta me o seu resíduo seja queimado e desapareça.
12 Mas ela frustrou todos os esforços; nem o fogo pôde eliminar seu resíduo espesso!
13 Ora, a sua impureza é a lascívia. Como eu desejei purificá-la, mas você não quis ser purificada, você não voltará a estar limpa, enquanto não se abrandar a minha ira contra você.
14 “Eu, o Senhor, falei. Chegou a hora de eu agir. Não me conterei; não terei piedade, nem voltarei atrás. Você será julgada de acordo com o seu comportamento e com as suas ações. Palavra do Soberano, o Senhor”.
15 Veio a mim esta palavra do Senhor:
16 Fi­lho do homem, com um único golpe estou para tirar de você o prazer dos seus olhos. Contudo, não lamente nem chore nem derrame nenhuma lágrima.
17 Não permita que ninguém ouça o seu gemer; não pranteie pelos mortos. Mantenha apertado o seu turbante e as sandálias nos pés; não cubra o rosto nem coma a comida costumeira dos pranteadores.
18 Assim, falei de manhã ao povo, e à tarde minha mulher morreu. No dia seguinte fiz o que me havia sido ordenado.
19 Então o povo me perguntou: “Você não vai nos dizer que relação essas coisas têm conosco?”
20 E eu lhes respondi: Esta palavra do Senhor veio a mim:
21 Diga à nação de Israel: Assim diz o Soberano, o Senhor: Estou a ponto de profanar o meu santuário, a fortaleza de que vocês se orgulham, o prazer dos seus olhos, o objeto da sua afeição. Os filhos e as filhas que vocês deixaram lá cairão à espada.
22 E vocês farão o que eu fiz. Vocês não cobrirão o rosto nem comerão a comida costumeira dos pranteadores.
23 Vocês manterão os turbantes na cabeça e as sandálias nos pés. Não prantearão nem chorarão, mas irão consumir-se por causa de suas iniqüidades e gemerão uns pelos outros.
24 lhes será um sinal; vocês farão o que ele fez. Quando isso acontecer, vocês saberão que eu sou o Soberano, o Senhor.
25 E você, filho do homem, no dia em que eu tirar deles a sua fortaleza, sua alegria e sua glória, o prazer dos seus olhos, e também os seus filhos e as suas filhas, o maior desejo de suas vidas,
26 naquele dia um fugitivo virá dar-lhe a notícia.
27 Naquela hora sua boca será aberta; você falará com ele e não ficará calado. E assim você será um sinal para eles, e eles saberão que eu sou o Senhor.

Ezequiel – Capítulo 27

1 Esta palavra do Senhor veio a mim:
2 Filho do homem, faça um lamento a respeito de Tiro.
3 Diga a Tiro, que está junto à entrada para o mar, e que negocia com povos de muitos litorais: Assim diz o Soberano, o ­Senhor: Você diz, ó Tiro: “Minha beleza é perfeita”.
4 Seu domínio abrangi ao coração dos mares; seus construtores levaram a sua beleza à perfeição.
5 Eles fizeram todo o seu madeiramento com pinheiros de Senir[42]; apanharam um cedro do Líbano para fazer-lhe um mastro.
6 Dos carvalhos de Basã fizeram os seus remos; de cipreste procedente das costas de Chipre fizeram seu convés, revestido de mármore.
7 Suas velas foram feitas de belo linho bordado, procedente do Egito, servindo-lhe de bandeira; seus toldos, em azul e púrpura, provinham das costas de Elisá.
8 Habitantes de Sidom e Arvade eram os seus remadores; os seus homens hábeis, ó Tiro, estavam a bordo como marinheiros.
9 Artesãos experientes de Gebal[43]estavam a bordo como construtores de barcos para calafetarem as suas juntas. Todos os navios do mar e seus marinheiros vinham para negociar com você as suas mercadorias.
10 Os persas, os lídio se os homens de Fute serviam como soldado sem seu exército. Eles penduravam os seus escudo se capacetes nos seus muros, trazendo-lhe esplendor.
11 Homens de Arvade e de Helequeguarneciam os seus muros em todos os lados; homens de Gamade estavam em suas torres. Eles penduravam os escudos delesem seus muros ao redor; levaram a sua beleza à perfeição.
12 Társis fez negócios com você, tendo em vista os seus muitos bens; eles deram prata, ferro, estanho e chumbo em troca de suas mercadorias.
13 Javã, Tubal e Meseque negociaram com você; trocaram escravos e utensílios de bronze pelos seus bens.
14 Homens de Bete-Togarma trocaram cavalos de carga, cavalos de guerra e mulas pelas suas mercadorias.
15 Os homens de Rodes[44] negociaram com você, e muitas regiões costeiras se tornaram seus clientes; pagaram-lhe suas compras com presas de marfim e com ébano.
16 Arã[45] negociou com você atraído por seus muitos produtos; em troca de suas mercadorias deu-lhe turquesa, tecido púrpura, trabalhos bordados, linho fino, coral e rubis.
17 Judá e Israel negociaram com você; pelos seus bens trocaram trigo de Minite, confeitos, mel, azeite e bálsamo.
18 Em razão dos muitos produtos de que você dispõe e da grande riqueza de seus bens, Damasco negociou com você, pagando-lhe com vinho de Helbom e lã de Zaar.
19 Também Dã e Javã, de Uzal, compraram suas mercadorias, trocando-as por ferro, cássia e cálamo.
20 Dedã negociou com você mantos de sela.
21 A Arábia e todos os príncipes de Quedar eram seus clientes; fizeram negócios com você, fornecendo-lhe cordeiros, carneiros e bodes.
22 Os mercadores de Sabá e de Raamá fizeram comércio com você; pelas mercadorias que você vende eles trocaram o que há de melhor em toda espécie de especiarias, pedras preciosas e ouro.
23 Harã, Cane e Éden e os mercadores de Sabá, Assur e Quilmade fizeram comércio com você.
24 No seu mercado eles negociaram com você lindas roupas, tecido azul, trabalhos bordados e tapetes multicoloridos com cordéis retorcidos e de nós firmes.
25 Os navios de Társis transportam os seus bens. Quanta carga pesada você tem no coração do mar.
26 Seus remadores a levam para alto-mar. Mas o vento oriental a despedaçará no coração do mar.
27 Sua riqueza, suas mercadorias e seus bens, seus marujos, seus homens do mar e seus construtores de barcos, seus mercadores e todos os seus soldados, todos quantos estão a bordo sucumbirão no coração do marno dia do seu naufrágio.
28 As praias tremerão quando os seus marujos clamarem.
29 Todos os que manejam os remos abandonarão os seus navios; os marujos e todos os marinheiros ficarão na praia.
30 Erguerão a voz e gritarão com amargura por sua causa; espalharão poeira sobre a cabeça e rolarão na cinza.
31 Raparão a cabeça por sua causa e porão vestes de lamento. Chorarão por você com angústia na alma e com pranto amargurado.
32 Quando estiverem gritando e pranteando por você, erguerão este lamento a seu respeito: “Quem chegou a ser silenciada como Tiro, cercada pelo mar?”
33 Quando as suas mercadorias saíam para o mar, você satisfazia muitas nações; com sua grande riqueza e com seus bens você enriqueceu os reis da terra.
34 Agora, destruída pelo mar, você jaz nas profundezas das águas; seus bens e todos os que a acompanham a fundaram com você.
35 Todos os que moram nas regiões litorâneas estão chocados com o que aconteceu com você; seus reis arrepiam-se horrorizados e os seus rostos estão desfigurados de medo.
36 Os mercadores entre as nações gritam de medo ao vê-la; chegou o seu terrível fim, e você não mais existirá.

Ezequiel – Capítulo 29

1 No décimo segundo dia do décimo mês do décimo ano do exílio, esta palavra do Senhor veio a mim:
2 Fi­lho do homem, vire o rosto contra o faraó, rei do Egito, e profetize contra ele e contra todo o Egito.
3 Diga-lhe: Assim diz o Soberano, o Senhor: Estou contra você, faraó, rei do Egito, contra você, grande monstro deitado em meio a seus riachos. Você diz: “O Nilo é meu; eu o fiz para mim mesmo”.
4 Mas porei anzóis em seu queixo e farei os peixes dos seus regatos se apegarem às suas escamas, ó Egito. Puxarei você para fora dos seus riachos, com todos os peixes grudado sem suas escamas.
5 Deixarei você no deserto, você e todos os peixes dos seus regatos. Você cairá em campo aberto e não será recolhido nem sepultado. Darei você como comida aos animais selvagens e às aves do céu.
6 Então todos os que vivem no Egito saberão que eu sou o Senhor. Você tem sido um bordão de junco para a nação de Israel.
7 Quando eles o pegaram com as mãos, você rachou e rasgou os ombros deles; quando eles se apoiaram em você, você se quebrou, e as costas deles sofreram torção. [48]
8 Portanto, assim diz o Soberano, o Senhor: Trarei uma espada contra você e matarei os seus homens e os seus animais.
9 O Egito se tornará um deserto arrasado. Então eles saberão que eu sou o Senhor. Visto que você disse: “O Nilo é meu; eu o fiz”,
10 estou contra você e contra os seus regatos, e tornarei o Egito uma desgraça e um deserto arrasado desde Migdol até Sevene, chegando até a fronteira da Etiópia[49].
11 Nenhum pé de homem ou pata de animal o atravessará; ninguém morará ali por quarenta anos.
12 Farei a terra do Egito arrasada em meio a terras devastadas, e suas cidades estarão arrasadas durante quarenta anos entre cidades em ruínas. Espalharei os egípcios entre as nações e os dispersarei entre os povos.
13 Contudo, assim diz o Soberano, o Senhor: Ao fim dos quarenta anos ajuntarei os egíp­cios dentre as nações nas quais foram espalhados.
14 Eu os trarei de volta do cativeiro e os farei voltar ao alto Egito[50], à terra dos seus antepassados. Ali serão um reino humilde.
15 Se­rá o mais humilde dos reinos, e nunca mais se exaltará sobre as outras nações. Eu o farei tão fraco que nunca mais dominará sobre as nações.
16 O Egito não inspirará mais confiança a Israel, mas será uma lembrança de sua iniqüidade por procurá-lo em busca de ajuda. Então eles saberão que eu sou o Soberano, o Senhor.
17 No primeiro dia do primeiro mês do vigésimo sétimo ano do exílio, esta palavra do Senhor veio a mim:
18 Filho do homem, o rei Nabucodonosor, da Babilônia, conduziu o seu exército numa dura campanha contra Tiro; toda cabeça foi esfregada até não ficar cabelo algum e todo ombro ficou esfolado. Contudo, ele e o seu exército não obtiveram nenhuma recompensa com a campanha que ele conduziu contra Tiro.
19 Por isso, assim diz o Soberano, o Senhor: Vou dar o Egito ao rei Nabucodonosor, da Babilônia, e ele levará embora a riqueza dessa nação. Ele saqueará e despojará a terra como pagamento para o seu exér­cito.
20 Eu lhe dei o Egito como recompensa por seus esforços, por aquilo que ele e o seu exér­cito fizeram para mim. Palavra do Soberano, o Senhor.
21 “Naquele dia farei crescer o poder[51] da nação de Israel, e abrirei a minha boca no meio deles. Então eles saberão que eu sou o Senhor”.

Ezequiel – Capítulo 32

1 No primeiro dia do décimo segundo mês do décimo segundo ano, esta palavra do Senhor veio a mim:
2 Filho do homem, entoe um lamento a respeito do faraó, rei do Egito, e diga-lhe: Você é como um leão entre as nações, como um monstro nos mares, contorcendo-se em seus riachos, agitando e enlameando as suas águas com os pés.
3 Assim diz o Soberano, o Senhor: Com uma imensa multidão de povos lançarei sobre você a minha rede, e com ela eles o puxarão para cima.
4 Atirarei você na terra e o lançarei no campo. Deixarei que todas as aves do céuse abriguem em vocêe os animais de toda a terra o devorarão até fartar-se.
5 Estenderei a sua carne sobre os montes e encherei os vales com os seus restos.
6 Encharcarei a terra com o seu sangue por todo o caminho, até os montes, e os vales ficarão cheios da sua carne.
7 Quando eu o extinguir, cobrirei o céu e escurecerei as suas estrelas; cobrirei o sol com uma nuvem, e a lua não dará a sua luz.
8 Todas as estrelas que brilham nos céus, escurecerei sobre você, e trarei escuridão sobre a sua terra. Palavra do Soberano, o Senhor.
9 Perturbarei os corações de muitos povos quando eu provocar a sua destruição entre as nações, em terras[60] que você não conheceu.
10 Farei que muitos povos espantem-se ao vê-lo, e que os seus reis fiquem arrepiados de horror por sua causa, quando eu brandir a minha espada diante deles. No dia da sua queda todos eles tremerão de medo sem parar, por suas vidas.
11 Porque assim diz o Soberano, o Senhor: A espada do rei da Babilônia virá contra você.
12 Farei multidões do seu povo caírem à espada de poderosos, da mais impiedosa das nações. Eles destruirão o orgulho do Egito, e toda a sua população será vencida.
13 Destruirei todo o seu rebanho, junto às muitas águas, as quais não serão mais agitadas pelo pé do homem nem serão enlameadas pelos cascos do gado.
14 Então deixarei que as suas águas se assentem e farei os seus riachos fluírem como azeite. Palavra do Soberano, o Senhor.
15 Quando eu arrasar o Egito e arrancar da terra tudo o que nela existe, quando eu abater todos os que ali habitam, então eles saberão que eu sou o Senhor.
16 “Esse é o lamento que entoarão por causa dele. As filhas das nações o entoarão; por causa do Egito e de todas as suas multidões de povo, elas o entoarão. Palavra do Soberano, o Senhor”.
17 No décimo quinto dia do mês do décimo segundo ano, esta palavra do Senhor veio a mim:
18 Fi­lho do homem, lamente-se pelas multidões do Egito e faça descer para debaixo da terra tanto elas como as filhas das nações poderosas, junto com aqueles que descem à cova.
19 Diga ao povo: Acaso você merece mais favores que as outras nações? Desça e deite-se com os incircuncisos.
20 Eles cairão entre os que foram mor­tos à espada. A espada está preparada; sejam eles arrastados com toda a multidão do seu povo.
21 De dentro da sepultura[61] os poderosos líderes dirão ao Egito e aos seus aliados: “Eles desceram e jazem com os incircuncisos, com os que foram mortos à espada”.
22 A Assíria está ali com todo o seu exér­cito; está cercada pelos túmulos de todos os seus mortos, de todos os que caíram à espada.
23 Seus túmulos estão nas profundezas, e o seu exército jaz ao redor de seu túmulo. Todos os que haviam espalhado pavor na terra dos viventes estão mortos, caídos à espada.
24 Elão está ali, com toda a sua população ao redor de seu túmulo. Todos eles estão mortos, caídos à espada. Todos os que haviam espalhado pavor na terra dos viventes desceram incircuncisos para debaixo da terra. Carregam sua vergonha com os que descem à cova.
25 Uma cama está preparada para ele entre os mortos, com todas as suas hordas em torno de seu túmulo. Todos estes incircuncisos foram mortos à espada. O seu terror havia se espalhado na terra dos viventes e por isso eles carregam sua desonra com aqueles que descem à cova; jazem entre os mortos.
26 Meseque e Tubal estão ali, com toda a sua população ao redor de seus túmulos. Todos eles são incircuncisos e foram mortos à espada porque espalharam o seu terror na terra dos viventes.
27 Acaso não jazem com os outros guerreiros incircuncisos que caíram, que desceram à sepultura com suas armas de guerra, cujas espadas foram postas debaixo da cabeça deles? O castigo de suas iniqüidades está sobre os seus ossos, embora o pavor causado por esses guerreiros tenha percorrido a terra dos viventes.
28 Você também, ó faraó, será abatido e jazerá entre os incircuncisos, com os que foram mortos à espada.
29 Edom está ali, seus reis e todos os seus príncipes; a despeito de seu poder, jazem com os que foram mortos à espada. Jazem com os incircuncisos, com aqueles que descem à cova.
30 Todos os príncipes do norte e todos os sidônios estão ali; eles desceram com os mortos, cobertos de vergonha, apesar do pavor provocado pelo poder que tinham. Eles jazem incircuncisos com os que foram mortos à espada e carregam sua desonra com aqueles que descem à cova.
31 O faraó, ele e todo o seu exército, os verá e será consolado da perda de todo o seu povo, que foi morto à espada. Palavra do Soberano, o Senhor.
32 Embora eu o tenha feito espalhar pavor na terra dos viventes, o faraó e todo o seu povo jazerão entre os incircuncisos, com os que foram mortos à espada. Palavra do Soberano, o Senhor.

Ezequiel – Capítulo 34

1 Veio a mim esta palavra do Senhor:
2 Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel; profetize e diga-lhes: Assim diz o Soberano, o Senhor: Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho?
3 Vocês comem a coalhada, vestem-se de lã e abatem os melhores animais, mas não tomam conta do rebanho.
4 Vocês não fortaleceram a fraca nem curaram a doente nem enfaixaram a ferida. Vocês não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas. Vocês têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade.
5 Por isso elas estão dispersas, porque não há pastor algum e, quando foram dispersas, elas se tornaram comida de todos os animais selvagens.
6 As minhas ovelhas vaguearam por todos os montes e por todas as altas colinas. Foram dispersas por toda a terra, e ninguém se preocupou com elas nem as procurou.
7 Por isso, pastores, ouçam a palavra do Senhor:
8 Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor: Visto que o meu rebanho ficou sem pastor, foi saqueado e se tornou comida de todos os animais selvagens, e uma vez que os meus pastores não se preocuparam com o meu rebanho, mas cuidaram de si mesmos em vez de cuidarem do rebanho,
9 ouçam a palavra do ­Senhor, ó pastores:
10 Assim diz o Soberano, o Senhor: Estou contra os pastores e os considerarei responsáveis pelo meu rebanho. Eu lhes tirarei a função de apascentá-lo para que os pastores não mais se alimentem a si mesmos. Livrarei o meu rebanho da boca deles, e as ovelhas não lhes servirão mais de comida.
11 Porque assim diz o Soberano, o Senhor: Eu mesmo buscarei as minhas ovelhas e delas cuidarei.
12 Assim como o pastor busca as ovelhas dispersas quando está cuidando do rebanho, também tomarei conta de minhas ovelhas. Eu as resgatarei de todos os lugares para onde foram dispersas num dia de nuvens e de trevas.
13 Eu as farei sair das outras nações e as reunirei, trazendo-as dos outros povos para a sua própria terra. E as apascentarei nos montes de Israel, nos vales e em todos os povoados do país.
14 To­marei conta delas numa boa pastagem, e os altos dos montes de Israel serão a terra onde pastarão; ali se alimentarão, num rico pasto nos montes de Israel.
15 Eu mesmo tomarei conta das minhas ovelhas e as farei deitar-se e repousar. Palavra do Soberano, o Senhor.
16 Procurarei as perdidas e trarei de volta as desviadas. Enfaixarei a que estiver ferida e fortalecerei a fraca, mas a rebelde e forte eu destruirei. Apascentarei o rebanho com justiça.
17 Quanto a você, meu rebanho, assim diz o Soberano, o Senhor: Julgarei entre uma ovelha e outra, e entre carneiros e bodes.
18 Não lhes basta comerem em boa pastagem? Deverão também pisotear o restante da pastagem? Não lhes basta beberem água límpida? Deverão também enlamear o restante com os pés?
19 Deverá o meu rebanho alimentar-se daquilo que vocês pisotearam e beber daquilo que vocês enlamearam com os pés?
20 Por isso, assim diz o Soberano, o Senhor, a eles: Vejam, eu mesmo julgarei entre a ovelha gorda e a magra.
21 Pois vocês forçaram passagem com o corpo e com o ombro, empurrando todas as ovelhas fracas com os chifres até expulsá-las;
22 eu salvarei o meu rebanho, e elas não mais serão saqueadas. Julgarei entre uma ovelha e outra.
23 Porei sobre elas um pastor, o meu servo Davi, e ele cuidará delas; cuidará delas e será o seu pastor.
24 Eu, o Senhor, serei o seu Deus, e o meu servo Davi será o líder no meio delas. Eu, o ­Senhor, falei.
25 Farei uma aliança de paz com elas e deixarei a terra livre de animais selvagens para que as minhas ovelhas possam viver com segurança no deserto e dormir nas florestas.
26 Eu as abençoarei e abençoarei os lugares em torno da minha colina. [64] Na estação própria farei descer chuva; haverá chuvas de bênçãos.
27 As árvores do campo produzirão o seu fruto, a terra produzirá a sua safra e as ovelhas estarão seguras na terra. Elas saberão que eu sou o Senhor, quando eu quebrar as cangas de seu jugo e as livrar das mãos daqueles que as escravizaram.
28 Não serão mais saqueadas pelas nações, nem os animais selvagens as devorarão. Viverão em segurança, e ninguém lhes causará medo.
29 Eu lhes darei uma terra famosa por suas colheitas, e elas não serão mais vítimas de fome na terra nem carregarão a zombaria das nações.
30 Então elas saberão que eu, o Senhor, o seu Deus, estou com elas, e que elas, a nação de Israel, são o meu povo. Palavra do Soberano, o Senhor.
31 Vocês, minhas ovelhas, ovelhas da minha pastagem, são o meu povo, e eu sou o seu Deus. Palavra do Soberano, o Senhor.

Ezequiel – Capítulo 36

1 Filho do homem, profetize para os montes de Israel e diga: Ó montes de Israel, ouçam a palavra do Senhor.
2 Assim diz o Soberano, o Senhor: O inimigo disse a respeito de vocês: “Ah! Ah! As antigas elevações se tornaram nossas”.
3 Por isso profetize e diga: Assim diz o Soberano, o Senhor: Eles devastaram e perseguiram vocês por todos os lados, de maneira que vocês se tornaram propriedade das demais nações e objeto de conversa maliciosa e de calúnia de todos.
4 Por isso, ó montes de Israel, ouçam a palavra do Soberano, o ­Senhor: Assim diz o Soberano, o Senhor, aos montes, às colinas, às ravinas, aos vales, às ruínas arrasadas e às cidades abandonadas que foram saqueadas e ridicularizadas pelas demais nações ao seu redor —
5 assim diz o Soberano, o Senhor: Em meu zelo ardente falei contra o restante das nações e contra todo o Edom, pois, com prazer e com maldade no coração, eles fizeram de minha terra sua propriedade, para saquear suas pas­tagens.
6 Por isso, profetize acerca da terra de Israel e diga aos montes, às colinas, às ravinas e aos vales: Assim diz o Soberano, o Senhor: Falo com ciúme em minha ira porque vocês sofreram a zombaria das nações.
7 Por isso, assim diz o Soberano, o ­Senhor: Juro de mão erguida que as nações ao redor também sofrerão zombaria.
8 Mas vocês, ó montes de Israel, produzirão galhos e frutos para Israel, o meu povo, pois ele virá logo para casa.
9 Estou preocupado com vocês e olharei para vocês favoravelmente; vocês serão arados e semeados,
10 e os multiplicarei, sim, toda a nação de Israel. As cidades serão habitadas e as ruínas reconstruídas.
11 Multiplicarei os homens e os animais, e eles serão prolíferos e se tornarão numerosos. Tornarei a povoá-los como no passado, e farei vocês prosperarem mais do que antes. Então vocês saberão que eu sou o Senhor.
12 Farei Israel, o meu povo, andar sobre vocês. Vocês lhe pertencerão, serão a herança de Israel; vocês nunca mais os privarão dos seus filhos.
13 Assim diz o Soberano, o Senhor: Como de fato dizem a você: “Você devora homens e priva a sua nação de filhos”,
14 você não mais devorará nem tornará sua nação sem filhos. Palavra do Soberano, o Senhor.
15 Eu não permitirei mais que você ouça o sarcasmo das nações, e você não sofrerá mais a zombaria dos povos, nem fará mais a sua nação cair. Palavra do Soberano, o Senhor.
16 De novo a palavra do Senhor veio a mim, dizendo:
17 Filho do homem, quando os israelitas moravam em sua própria terra, eles a contaminaram com sua conduta e com suas a­ções. Sua conduta era à minha vista como a impureza menstrual de uma mulher.
18 Por essa razão derramei sobre eles a minha ira, porque eles derramaram sangue na terra e porque se contaminaram com seus ídolos.
19 Eu os dispersei entre as nações, e eles foram espalhados entre os povos; eu os julguei de acordo com a conduta e as ações deles.
20 E, por onde andaram entre as nações, eles profanaram o meu santo nome, pois se dizia a respeito deles: “Esse é o povo do Senhor, mas assim mesmo teve que sair da terra que o Senhor lhe deu”.
21 Tive consideração pelo meu santo nome, o qual a nação de Israel profanou entre as nações para onde tinha ido.
22 Por isso, diga à nação de Israel: Assim diz o Soberano, o Senhor: Não é por sua causa, ó nação de Israel, que farei essas coisas, mas por causa do meu santo nome, que vocês profanaram entre as nações para onde foram.
23 Mostrarei a santidade do meu santo nome, que foi profanado entre as nações, o nome que vocês profanaram no meio delas. Então as nações saberão que eu sou o Senhor, palavra do Soberano, o Senhor, quan­do eu me mostrar santo por meio de vocês diante dos olhos delas.
24 Pois eu os tirarei dentre as nações, os ajuntarei do meio de todas as terras e os trarei de volta para a sua própria terra.
25 Aspergirei água pura sobre vocês e ficarão puros; eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos.
26 Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.
27 Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis.
28 Vocês habitarão na terra que dei aos seus antepassados; vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
29 Eu os livrarei de toda a sua impureza. Con­vocarei o cereal e o farei multiplicar-se, e não trarei fome sobre vocês.
30 Aumentarei a produção das árvores e as safras dos campos, de modo que vocês não sofrerão mais vergonha entre as nações por causa da fome.
31 Então vocês se lembrarão dos seus caminhos maus e das suas ações ímpias, e terão nojo de si mesmos por causa das suas iniqüidades e das suas práticas repugnantes.
32 Quero que saibam que não estou fazendo isso por causa de vocês. Palavra do Soberano, o Senhor. Envergonhem-se e humilhem-se por causa de sua conduta, ó nação de Israel!
33 Assim diz o Soberano, o Senhor: No dia em que eu os purificar de todos os seus pecados, restabelecerei as suas cidades e as ruínas serão reconstruídas.
34 A terra arrasada será cultivada; não permanecerá arrasada à vista de todos que passarem por ela.
35 Estes dirão: “Esta terra que estava arrasada tornou-se como o jardim do Éden; as cidades que jaziam em ruínas, arrasadas e destruídas, agora estão fortificadas e habitadas”.
36 Então as nações que estiverem ao redor de vocês e que subsistirem saberão que eu, o Senhor, reconstruí o que estava destruído e replantei o que estava arrasado. Eu, o Senhor, falei, e o farei.
37 Assim diz o Soberano, o Senhor: Uma vez mais cederei à súplica da nação de Israel e farei isto por ela: tornarei o seu povo tão numeroso como as ovelhas,
38 e como os grandes rebanhos destinados às ofertas das festas fixas de Jerusalém. Desse modo as cidades em ruínas ficarão cheias de rebanhos de gente. Então eles saberão que eu sou o Senhor.

Ezequiel – Capítulo 39

1 Filho do homem, profetize contra Gogue e diga: Assim diz o Soberano, o Senhor: Eu estou contra você, ó Gogue, príncipe maior de Meseque e de Tubal.
2 Farei você girar e o arrastarei. Eu o trarei do extremo norte e o enviarei contra os montes de Israel.
3 Então derrubarei o arco da sua mão esquerda e farei suas flechas caírem da sua mão direita.
4 Nos montes de Israel você cairá, você e todas as suas tropas e as nações que estiverem com você. Eu darei você como comida a todo tipo de ave que come carniça e aos animais do campo.
5 Você cairá em campo aberto, pois eu falei. Palavra do Soberano, o Senhor.
6 Mandarei fogo sobre Magogue e sobre aqueles que vivem em segurança nas regiões costeiras, e eles saberão que eu sou o Senhor.
7 Farei conhecido o meu santo nome no meio de Israel, o meu povo. Não mais deixarei que o meu nome seja profanado, e as nações saberão que eu, o Senhor, sou o Santo de Israel.
8 E aí vem! É certo que acontecerá. Palavra do Soberano, o Senhor. Este é o dia de que eu falei.
9 Então aqueles que morarem nas cidades de Israel sairão e usarão armas como combustível e as queimarão: os escudos, pequenos e grandes, os arcos e flechas, os bastões de guerra e as lanças. Durante sete anos eles as utilizarão como combustível.
10 Não precisarão ajuntar lenha nos campos nem cortá-la nas florestas, porque eles usarão as armas como combustível. E eles despojarão aqueles que os despojaram e saquearão aqueles que os saquearam. Palavra do Soberano, o Senhor.
11 Naquele dia darei a Gogue um túmulo em Israel, no vale dos que viajam para o oriente na direção[70] do Mar[71]. Ele bloqueará o caminho dos viajantes porque Gogue e todos os seus batalhões serão sepultados ali. Por isso será chamado vale de Hamom-Gogue[72].
12 Durante sete meses a nação de Israel os estará sepultando a fim de purificar a terra.
13 Todo o povo da terra os sepultará, e o dia em que eu for glorificado será para eles um dia memorável. Palavra do Soberano, o Senhor.
14 Depois dos sete meses serão contratados homens para percorrerem a terra e sepultarem ­os que ainda restarem. E assim a terra será purificada.
15 Quando estiverem percorrendo a terra e um deles vir um osso humano, fincará um marco ao lado do osso até que os coveiros o sepultem no vale de Hamom-Gogue.
16 (Também haverá ali uma cidade à qual se dará o nome de Hamoná[73]. ) E assim eles purificarão a terra.
17 Filho do homem, assim diz o Soberano, o Senhor: Chame todo tipo de ave e todos os animais do campo: Venham de todos os lugares ao redor e reúnam-se para o sacrifício que estou preparando para vocês, o grande sacrifício nos mon­tes de Israel. Ali vocês comerão carne e beberão sangue.
18 Comerão a carne dos poderosos e beberão o sangue dos príncipes da terra como se eles fossem carneiros, cordeiros, bodes e novilhos, todos eles animais gordos de Basã.
19 No sacrifício que lhes estou preparando vocês comerão gordura até empanturrar-se e beberão sangue até embriagar-se.
20 À minha mesa vocês comerão sua porção de cavalos e cavaleiros, de homens poderosos e soldados de todo tipo. Palavra do Soberano, o Senhor.
21 Exibirei a minha glória entre as nações, e todas as nações verão o castigo que eu trouxer e a mão que eu colocar sobre eles.
22 Da­quele dia em diante a nação de Israel saberá que eu sou o Senhor, o seu Deus.
23 E as nações saberão que os israelitas foram para o exílio por sua iniqüidade, porque me foram infiéis. Por isso escondi deles o meu rosto e os entreguei nas mãos de seus inimigos, e eles caíram à espada.
24 Tratei com eles de acordo com a sua impureza e com as suas transgressões, e escondi deles o meu rosto.
25 Por isso, assim diz o Soberano, o Senhor: Agora trarei Jacó de volta do cativeiro[74] e terei compaixão de toda a nação de Israel, e serei zeloso pelo meu santo nome.
26 Eles se esquecerão da vergonha por que passaram e de toda a infidelidade que mostraram para comigo enquanto viviam em segurança em sua terra, sem que ninguém lhes causasse medo.
27 Quando eu os tiver trazido de volta das nações e os tiver ajuntado dentre as terras de seus inimigos, eu me revelarei santo por meio deles à vista de muitas nações.
28 Então eles saberão que eu sou o ­Senhor, o seu Deus, pois, embora os tenha enviado para o exílio entre as nações, eu os reunirei em sua própria terra, sem deixar um único deles para trás.
29 Não mais esconderei deles o rosto, pois derramarei o meu Espírito sobre a nação de Israel. Palavra do Soberano, o Senhor.

Ezequiel – Capítulo 46

1 Assim diz o Soberano, o Senhor: A porta do pátio interno que dá para o leste ficará trancada nos seis dias úteis, mas no sábado e no dia da lua nova será aberta.
2 O príncipe, vindo do pátio externo, entrará pelo pórtico da entrada e ficará junto ao batente. Enquanto isso, os sacerdotes sacrificarão os holocaustos[110] e as ofertas de comunhão[111] dele. Ele adorará o Senhor na soleira da entrada e depois sairá, mas a porta não será fechada até a tarde.
3 Nos sábados e nas luas novas o povo da terra adorará o Senhor junto à entrada que leva à porta.
4 O holocausto que o príncipe trouxer ao Senhor no dia de sábado deverá ser de seis cordeiros e um carneiro, todos sem defeito.
5 A oferta de cereal dada junto com o carneiro será de uma arroba[112], e a oferta de cereal com os cordeiros será de quanto ele quiser dar, mais um galão de azeite para cada arroba de cereal.
6 No dia da lua nova ele oferecerá um novilho, seis cordeiros e um carneiro, todos sem defeito.
7 Como oferta de cereal ele fornecerá uma arroba com o novilho, uma arroba com o carneiro, e com os cordeiros, quanto ele quiser dar, mais um galão de azeite para cada arroba de cereal.
8 Quando o príncipe entrar, ele o fará pelo pórtico da entrada, e sairá pelo mesmo ca­minho.
9 Quando o povo da terra vier perante o Senhor nas festas fixas, todo aquele que entrar pela porta norte para adorá-lo sairá pela porta sul, e todo aquele que entrar pela porta sul sairá pela porta norte. Ninguém voltará pela porta pela qual entrou, mas todos sairão pela porta oposta.
10 O príncipe deverá estar no meio deles, entrando quando eles entrarem e saindo quando eles saírem.
11 Nas festas, inclusive as fixas, a oferta de cereal será de uma arroba com um novilho, uma arroba com um carneiro, e com os cordeiros, quanto ele quiser dar, mais um galão de azeite para cada arroba.
12 Quando o prín­cipe fornecer uma oferta voluntária ao Senhor, seja holocausto seja oferta de comunhão, a porta que dá para o leste será aberta para ele. Ele oferecerá seu holocausto ou suas ofertas de comunhão como o faz no dia de sábado. Então ele sairá e, depois de ter saído, a porta será trancada.
13 Diariamente vocês fornecerão um cordeiro de um ano sem defeito como holocausto ao Senhor; manhã após manhã vocês o trarão.
14 Com ele vocês também trarão, manhã após manhã, uma oferta de cereal, de um sexto de arroba e um terço de galão de azeite para umedecer a farinha. A apresentação dessa oferta de cereal será feita em obediência a um decreto perpétuo.
15 Assim o cordeiro, a oferta de cereal e o azeite serão trazidos manhã após manhã para o holocausto que será apresentado regularmente.
16 Assim diz o Soberano, o Senhor: Se da sua herança o príncipe fizer um presente a um de seus filhos, este pertencerá também aos seus descendentes; será propriedade deles por herança.
17 Se, porém, da sua herança ele fizer um presente a um dos seus escravos, o escravo poderá mantê-lo consigo até o ano da liberdade; então o presente voltará para o príncipe. Sua herança pertence unicamente a seus filhos; deles será.
18 O príncipe não tomará coisa alguma da herança do povo, expulsando os herdeiros de sua propriedade. Dará a seus filhos a herança daquilo que é sua própria propriedade, para que ninguém do meu povo seja separado de sua propriedade.
19 Depois o homem me levou, pela entrada existente ao lado da porta, até os quartos sagrados que davam para o norte, os quais pertenciam aos sacerdotes, e mostrou-me um local no lado oeste.
20 Ele me disse: “Este é o lugar onde os sacerdotes cozinharão a oferta pela culpa e a oferta pelo pecado, e assarão a oferta de cereal, para levá-las ao pátio externo e consagrar o povo”.
21 Ele então me levou para o pátio externo e me fez passar por seus quatro cantos, e em cada canto vi um pátio.
22 Eram pátios fechados, com vinte metros de comprimento e quinze metros de largura; os pátios dos quatro cantos tinham a mesma medida.
23 Em volta de cada um dos quatro pátios, pelo lado de dentro, havia uma saliência de pedra, com lugares para fogo construídos em toda a sua volta debaixo da saliência.
24 Ele me disse: “Estas são as cozinhas onde aque­les que ministram no templo cozinharão os sacrifícios do povo”.

Daniel – Capítulo 3

1 O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro de vinte e sete metros de altura e dois metros e setenta centímetros de largura[7], e a ergueu na planície de Dura, na província da Babilônia.
2 Depois convocou os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados e todas as autoridades provinciais, para assistirem à dedicação da imagem que mandara erguer.
3 Assim todos eles, sátrapas, prefeitos, governadores, conselheiros, tesoureiros, juízes, magistrados e todas as autoridades provinciais se reuniram para a dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor mandara erguer, e ficaram em pé diante dela.
4 Então o arauto proclamou em alta voz: Esta é a ordem que lhes é dada, ó homens de todas as nações, povos e línguas:
5 Quando ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla[8] e de toda espécie de música, prostrem-se em terra e ado­rem a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor ergueu.
6 Quem não se prostrar em terra e não adorá-la será imediatamente atirado numa forna­lha em chamas.
7 Por isso, logo que ouviram o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério e de toda espécie de música, os homens de todas as nações, povos e línguas prostraram-se em terra e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor mandara erguer.
8 Nesse momento alguns astrólogos se aproximaram e denunciaram os judeus,
9 dizendo ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive para sempre!
10 Tu emitiste um decreto, ó rei, ordenando que todo aquele que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música se prostrasse em terra e adorasse a imagem de ouro,
11 e que todo aquele que não se prostrasse em terra e não a adorasse seria atirado numa fornalha em chamas.
12 Mas há alguns judeus que nomeaste para administrar a província da Babilônia, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não te dão ouvidos, ó rei. Não prestam culto aos teus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandaste erguer.
13 Furioso, Nabucodonosor mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E assim que eles foram conduzidos à presença do rei,
14 Nabucodonosor lhes disse: É verdade, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vocês não prestam culto aos meus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandei erguer?
15 Pois agora, quando vocês ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música, se vocês se dispuserem a prostrar-se em terra e a adorar a imagem que eu fiz, será melhor para vocês. Mas, se não a adorarem, serão imediatamente atirados numa fornalha em chamas. E que deus poderá livrá-los das minhas mãos?
16 Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti.
17 Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei.
18 Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer.
19 Nabucodonosor ficou tão furioso com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que o seu semblante mudou. Deu ordens para que a forna­lha fosse aquecida sete vezes mais que de costume
20 e ordenou que alguns dos soldados mais fortes do seu exército amarrassem Sadra­que, Mesaque e Abede-Nego e os atirassem na fornalha em chamas.
21 E os três homens, vesti­dos com seus mantos, calções, turbantes e outras roupas, foram amarrados e atirados na fornalha extraordinariamente quente.
22 A ordem do rei era urgente e a fornalha estava tão quente que as chamas mataram os soldados que levaram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego,
23 e estes caíram amarrados dentro da fornalha em chamas.
24 Mas logo depois o rei Nabucodonosor, alar­mado, levantou-se e perguntou aos seus conse­lheiros: “Não foram três os homens amarrados que nós atiramos no fogo?” Eles responderam: “Sim, ó rei”.
25 E o rei exclamou: “Olhem! Estou vendo quatro homens, desamarrados e ilesos, andando pelo fogo, e o quarto se parece com um filho dos deuses”.
26 Então Nabucodonosor aproximou-se da entrada da fornalha em chamas e gritou: “Sadra­que, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saiam! Venham aqui!” E Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do fogo.
27 Os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os conselheiros do rei se ajunta­ram em torno deles e comprovaram que o fogo não tinha ferido o corpo deles. Nem um só fio de cabelo tinha sido chamuscado, os seus man­tos não estavam queimados, e não havia cheiro de fogo neles.
28 Disse então Nabucodonosor: Louvado seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos! Eles confiaram nele, desafiaram a ordem do rei, preferindo abrir mão de sua vida a prestar culto e adorar a outro deus que não fosse o seu próprio Deus.
29 Por isso eu decreto que todo homem de qualquer povo, nação e língua que disser alguma coisa contra[9] o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despe­daçado e sua casa seja transformada em montes de entulho, pois nenhum outro deus é capaz de livrar alguém dessa maneira.
30 Então o rei promoveu Sadraque, Mesa­que e Abede-Nego na província da Babilônia.

Daniel – Capítulo 6

1 Dario achou por bem nomear cento e vinte sátrapas para governarem todo o reino,
2 e colocou três supervisores sobre eles, um dos quais era Daniel. Os sátrapas tinham que prestar contas a eles para que o rei não sofresse nenhu­ma perda.
3 Ora, Daniel se destacou tanto entre os supervisores e os sátrapas por suas grandes qualidades, que o rei planejava colocá-lo à frente do governo de todo o império.
4 Diante disso, os supervisores e os sátrapas procuraram motivos para acusar Daniel em sua administração gover­namental, mas nada conseguiram. Não puderam achar nele falta alguma, pois ele era fiel; não era desonesto nem negligente.
5 Finalmente esses homens disseram: “Jamais encontraremos algum motivo para acusar esse Daniel, a menos que seja algo relacionado com a lei do Deus dele”.
6 E assim os supervisores e os sátrapas, de comum acordo, foram falar com o rei: Ó rei Dario, vive para sempre!
7 Todos os supervisores reais, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os governadores concordaram em que o rei deve emitir um decreto ordenando que todo aquele que orar a qualquer deus ou a qualquer homem nos próximos trinta dias, exceto a ti, ó rei, seja atirado na cova dos leões.
8 Agora, ó rei, emite o decreto e assina-o para que não seja alterado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada.
9 E o rei Dario assinou o decreto.
10 Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém e ali fez o que costumava fazer: três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus.
11 Então aqueles homens foram investigar e encontraram Daniel orando, pedindo ajuda a Deus.
12 E foram logo falar com o rei acerca do decreto real: “Tu não publicaste um decreto ordenando que nestes trinta dias todo aquele que fizer algum pedido a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, será lançado na cova dos leões?” O rei respondeu: “O decreto está em vigor, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”.
13 Então disseram ao rei: “Daniel, um dos exilados de Judá, não te dá ouvidos, ó rei, nem ao decreto que assinaste. Ele continua orando três vezes por dia”.
14 Quando o rei ouviu isso, ficou muito contrariado e decidiu salvar Daniel. Até o pôr-do-sol, fez o possível para livrá-lo.
15 Mas os homens lhe disseram: “Lembra-te, ó rei, de que, segundo a lei dos medos e dos persas, nenhum decreto ou edito do rei pode ser modificado”.
16 Então o rei deu ordens, e eles trouxeram Daniel e o jogaram na cova dos leões. O rei, porém, disse a Daniel: “Que o seu Deus, a quem você serve continuamente, o livre!”
17 Taparam a cova com uma pedra, e o rei a selou com o seu anel-selo e com os anéis dos seus nobres, para que a decisão sobre Daniel não se modificasse.
18 Tendo voltado ao palácio, o rei passou a noite sem comer e não aceitou nenhum divertimento em sua presença. Além disso, não conseguiu dormir.
19 Logo ao alvorecer, o rei se levantou e correu para a cova dos leões.
20 Quando ia se aproximando da cova, chamou Daniel com voz que revelava aflição: “Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?”
21 respondeu: Ó rei, vive para sempre!
22 O meu Deus enviou o seu anjo, que fechou a boca dos leões. Eles não me fizeram mal algum, pois fui considerado inocente à vista de Deus. Também contra ti não cometi mal algum, ó rei.
23 O rei muito se alegrou e ordenou que tirassem Daniel da cova. Quando o tiraram da cova, viram que não havia nele nenhum ferimento, pois ele tinha confiado no seu Deus.
24 E, por ordem do rei, os homens que tinham acusado Daniel foram atirados na cova dos leões, junto com as suas mulheres e os seus filhos. E, antes de chegarem ao fundo, os leões os atacaram e despedaçaram todos os seus ossos.
25 Então o rei Dario escreveu aos homens de todas as nações, povos e línguas de toda a terra: Paz e prosperidade!
26 Estou editando um decreto para que em todos os domínios do império os homens temam e reve­renciem o Deus de Daniel. Pois ele é o Deus vivo e permanece para sempre; o seu reino não será destruído, o seu domínio jamais acabará.
27 Ele livra e salva; faz sinais e maravilhas nos céus e na terra. Ele livrou Daniel do poder dos leões.
28 Assim Daniel prosperou durante os reinados de Dario e de Ciro[21], o Persa.

Daniel – Capítulo 7

1 No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, Daniel teve um sonho, e certas visões passaram por sua mente, estando ele deitado em sua cama. Ele escreveu o seguinte resumo do seu sonho.
2 Em minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar.
3 Quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiram do mar.
4 O primeiro parecia um leão, e tinha asas de águia. Eu o observei e, em certo momento, as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão, firmou-se sobre dois pés como um homem e recebeu coração de ho­mem.
5 A seguir, vi um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. Foi-lhe dito: “Levante-se e coma quanta carne puder!”
6 Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. Nas costas tinha quatro asas, como as de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar.
7 Em minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com os quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores e tinha dez chifres.
8 Enquanto eu considerava os chifres, vi outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arranca­dos para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância.
9 Enquanto eu olhava, tronos foram colocados, e um ancião se assentou. Sua veste era branca como a neve; o cabelo era branco como a lã. Seu trono era envolto em fogo, e as rodas do trono estavam em chamas.
10 De diante dele, saía um rio de fogo. Milhares de milhares o serviam; milhões e milhões estavam diante dele. O tribunal iniciou o julgamento, e os livros foram abertos.
11 Continuei a observar por causa das palavras arrogantes que o chifre falava. Fiquei olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo foi destruído e atirado no fogo.
12 Dos outros animais foi retirada a autoridade, mas eles tiveram permissão para viver por um período de tempo.
13 Em minha visão à noite, vi alguém seme­lhante a um filho de homem, vindo com as nuvens dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença.
14 Ele recebeu autoridade, glória e o reino; todos os po­vos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruí­do.
15 Eu, Daniel, fiquei agitado em meu espíri­to, e as visões que passaram pela minha mente me aterrorizaram.
16 Então me aproximei de um dos que ali estavam e lhe perguntei o significado de tudo o que eu tinha visto. Ele me respondeu, dando-me esta interpre­tação:
17 “Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra.
18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possu­irão para sempre; sim, para todo o sempre”.
19 Então eu quis saber o significado do quarto animal, diferente de todos os outros e o mais aterrorizante, com seus dentes de ferro e garras de bronze, o animal que despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava.
20 Também quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram, o chifre que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância.
21 Enquanto eu observava, esse chifre guerreava contra os santos e os derrotava,
22 até que o ancião veio e pronunciou a sentença a favor dos santos do Altíssimo; chegou a hora de eles tomarem posse do reino.
23 Ele me deu a seguinte explicação: “O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra. Será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira, despedaçando-a e pisoteando-a.
24 Os dez chifres são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis.
25 Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos[22] e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos[23] e meio tempo.
26 “Mas o tribunal o julgará, e o seu poder lhe será tirado e totalmente destruído, para sempre.
27 Então a soberania, o poder e a grandeza dos reinos que há debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos, o povo do Altíssimo. O reino dele será um reino eterno, e todos os governantes o adorarão e lhe obedecerão”.
28 “Esse é o fim da visão. Eu, Daniel, fiquei aterrorizado por causa dos meus pensamentos e meu rosto empalideceu, mas guardei essas coisas comigo”.

Daniel – Capítulo 9

1 Dario, filho de Xerxes[28], da linhagem dos medos, foi constituído governante do reino babilônio[29].
2 No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, com­preendi pelas Escrituras, conforme a palavra do Senhor dada ao profeta Jeremias, que a desola­ção de Jerusalém iria durar setenta anos.
3 Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza.
4 Orei ao Senhor, o meu Deus, e confes­sei: Ó Senhor, Deus grande e temível, que manténs a tua aliança de amor com todos aque­les que te amam e obedecem aos teus manda­mentos,
5 nós temos cometido pecado e somos culpados. Temos sido ímpios e rebeldes, e nos afastamos dos teus mandamentos e das tuas leis.
6 Não demos ouvido aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes e aos nossos antepassados, e a todo o teu povo.
7 Senhor, tu és justo, e hoje estamos enver­gonhados. Sim, nós, o povo de Judá, de Jerusa­lém e de todo o Israel, tanto os que estão perto como os que estão distantes, em todas as terras pelas quais nos espalhaste por causa de nossa infidelidade para contigo.
8 Ó Senhor, nós e nossos reis, nossos líderes e nossos antepassa­dos estamos envergonhados por termos pecado contra ti.
9 O Senhor nosso Deus é misericordio­so e perdoador, apesar de termos sido rebeldes;
10 não te demos ouvidos, Senhor nosso Deus, nem obedecemos às leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas.
11 Todo o Israel transgrediu a tua lei e se desviou, recusando-se a te ouvir. Por isso as maldições e as pragas escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, têm sido derramadas sobre nós, porque pecamos contra ti.
12 Cumpriste a palavra proferida contra nós e contra os nossos governantes, trazendo-nos grande desgraça. Debaixo de todo o céu jamais se fez algo como o que foi feito a Jerusalém.
13 Conforme está escrito na Lei de Moisés, toda essa desgraça nos atingiu, e ainda assim não temos buscado o favor do Senhor, o nosso Deus, afastando-nos de nossas maldades e obedecendo à tua verdade.
14 O Senhor não hesitou em trazer desgraça sobre nós, pois o Senhor, o nosso Deus, é justo em tudo o que faz; ainda assim nós não lhe temos dado atenção.
15 Ó Senhor nosso Deus, que tiraste o teu povo do Egito com mão poderosa e que fizeste para ti um nome que permanece até hoje, nós temos cometido pecado e somos culpados.
16 Agora Se­nhor, conforme todos os teus feitos justos, afasta de Jerusalém, da tua cidade, do teu santo monte, a tua ira e a tua indignação. Os nossos pecados e as iniqüidades de nossos antepassados fizeram de Jerusalém e do teu povo objeto de zombaria para todos os que nos rodeiam.
17 Ouve, nosso Deus, as orações e as súplicas do teu servo. Por amor de ti, Senhor, olha com bondade para[30] o teu santuário abando­nado.
18 Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia.
19 Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome.
20 Enquanto eu estava falando e orando, confessando o meu pecado e o pecado de Israel, meu povo, e trazendo o meu pedido ao Senhor, o meu Deus, em favor do seu santo monte —
21 enquanto eu ainda estava em oração, Gabriel, o homem que eu tinha visto na visão anterior, veio voando rapidamente para onde eu estava, à hora do sacrifício da tarde.
22 Ele me instruiu e me disse: Daniel, agora vim para dar-lhe percepção e entendimento.
23 Assim que você começou a orar, houve uma resposta, que eu lhe trouxe porque você é muito amado. Por isso, preste atenção à mensagem para entender a visão:
24 Setenta semanas estão decretadas para o seu povo e sua santa cidade a fim de acabar com[31] a transgressão, dar fim ao pecado, expiar as culpas, trazer justiça eterna, cumprir a visão e a profecia, e ungir o santíssimo[32].
25 Saiba e entenda que, a partir da promul­gação do decreto que manda restaurar e recons­truir Jerusalém até que o Ungido, o príncipe, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros[33], mas em tempos difíceis.
26 Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele. A cidade e o Lugar Santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. O fim virá como uma inundação: guerras continu­arão até o fim, e desolações foram decretadas.
27 Com muitos ele fará uma aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele[34] o fim que lhe está decretado.

Daniel – Capítulo 11

1 sendo que, no primeiro ano de Dario, rei dos medos, ajudei-o e dei-lhe apoio.
2 Agora, pois, vou dar-lhe a conhecer a verdade: Outros três reis aparecerão na Pérsia, e depois virá um quarto rei, que será bem mais rico do que os anteriores. Depois de conquistar o poder com sua riqueza, instigará todos contra o reino da Grécia.
3 Então surgirá um rei guerreiro, que governará com grande poder e fará o que quiser.
4 Logo depois de estabelecido[37], o seu império se desfará e será repartido para os quatro ventos do céu. Não passará para os seus descendentes, e o império não será poderoso como antes, pois será desarraigado e entregue a outros.
5 O rei do sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará ainda mais forte que ele e governará o seu próprio reino com grande poder.
6 Depois de alguns anos, eles se tornarão aliados. A filha do rei do sul fará um tratado com o rei do norte, mas ela não manterá o seu poder, nem ele conservará o dele[38]. Naqueles dias ela será entregue à morte, com sua escolta real e com seu pai[39] e com aquele que a apoiou.
7 Alguém da linhagem dela se levantará para tomar-lhe o lugar. Ele atacará as forças do rei do norte e invadirá a sua fortaleza; lutará contra elas e será vitorioso.
8 Também tomará os deuses deles, as suas imagens de metal e os seus utensílios valiosos de prata e de ouro, e os levará para o Egito. Por alguns anos ele deixará o rei do norte em paz.
9 Então o rei do norte invadirá as terras do rei do sul, mas terá que se retirar para a sua própria terra.
10 Seus filhos se prepararão para a guerra e reunirão um grande exército, que avançará como uma inun­dação irresistível e levará os combates até a fortaleza do rei do sul.
11 Em face disso, o rei do sul marchará furioso para combater o rei do norte, que o enfrentará com um enorme exército, mas, apesar disso, será derrotado.
12 Quan­do o exército for vencido, o rei do sul se encherá de orgulho e matará milhares, mas o seu triunfo será breve.
13 Pois o rei do norte reunirá outro exército, maior que o primeiro; depois de alguns anos voltará a atacá-lo com um exército enorme e bem equipado.
14 Naquela época muitos se rebelarão contra o rei do sul. E os homens violentos do povo a que você pertence se revoltarão para cumprirem esta visão, mas não terão sucesso.
15 Então o rei do norte virá, construirá rampas de cerco e conquistará uma cidade fortificada. As forças do sul serão incapazes de resistir; mesmo as suas melhores tropas não terão forças para resistir.
16 O invasor fará o que bem enten­der; ninguém conseguirá detê-lo. Ele se instalará na Terra Magnífica e terá poder para destruí-la.
17 Virá com o poder de todo o seu reino e fará uma aliança com o rei do sul. Ele lhe dará uma filha em casamento a fim de derrubar o reino, mas o seu plano[40] não terá sucesso e em nada o ajudará.
18 Então ele voltará a atenção para as regiões costeiras e se apossará de muitas delas, mas um comandante reagirá com arrogância à arrogância dele e lhe dará fim.
19 Depois disso ele se dirigirá para as fortalezas de sua própria terra, mas tropeçará e cairá, para nunca mais aparecer.
20 Seu sucessor enviará um cobrador de impostos para manter o esplendor real. Contu­do, em poucos anos ele será destruído, sem necessidade de ira nem de combate.
21 Ele será sucedido por um ser desprezí­vel, a quem não tinha sido dada a honra da realeza. Este invadirá o reino quando o povo se sentir seguro, e se apoderará do reino por meio de intrigas.
22 Então um exército avassala­dor será arrasado diante dele; tanto o exército como um príncipe da aliança serão destruídos.
23 Depois de um acordo feito com ele, agirá traiçoeiramente, e com apenas um pequeno grupo chegará ao poder.
24 Quando as províncias mais ricas se sentirem seguras, ele as invadirá e realizará o que nem seus pais nem seus antepas­sados conseguiram: distribuirá despojos, saques e riquezas entre seus seguidores. Ele tramará a tomada de fortalezas, mas só por algum tempo.
25 Com um grande exército juntará suas forças e sua coragem contra o rei do sul. O rei do sul guerreará mobilizando um exército grande e poderoso, mas não conseguirá resistir por causa dos golpes tramados contra ele.
26 Mesmo os que estiverem sendo alimentados pelo rei tentarão destruí-lo; seu exército será arrasado, e muitos cairão em combate.
27 Os dois reis, com seu coração inclinado para o mal, sentarão à mesma mesa e mentirão um para o outro, mas sem resultado, pois o fim só virá no tempo determinado.
28 O rei do norte voltará para a sua terra com grande riqueza, mas o seu coração estará voltado contra a santa aliança. Ele empre­enderá ação contra ela e depois voltará para a sua terra.
29 No tempo determinado ele invadirá de novo o sul, mas desta vez o resultado será diferente do anterior.
30 Navios das regiões da costa ocidental[41] se oporão a ele, e ele perderá o ânimo. Então despejará sua fúria contra a santa aliança e, voltando, tratará com bondade aqueles que abandonarem a santa aliança.
31 Suas forças armadas se levantarão para profanar a fortaleza e o templo, acabarão com o sacrifício diário e colocarão no templo o sacrilégio terrível.
32 Com lisonjas corromperá aqueles que tiverem violado a aliança, mas o povo que conhece o seu Deus resistirá com firmeza.
33 Aqueles que são sábios instruirão a muitos, mas por certo período cairão à espa­da e serão queimados, capturados e saqueados.
34 Quando caírem, receberão uma pequena ajuda, e muitos que não são sinceros se juntarão a eles.
35 Alguns dos sábios tropeçarão para que sejam refinados, purificados e alvejados até a época do fim, pois isso só acontecerá no tempo determinado.
36 O rei fará o que bem entender. Ele se exaltará e se engrandecerá acima de todos os deuses e dirá coisas jamais ouvidas contra o Deus dos deuses. Ele terá sucesso até que o tempo da ira se complete, pois o que foi decidi­do irá acontecer.
37 Ele não terá consideração pelos deuses dos seus antepassados nem pelo deus preferido das mulheres, nem por deus algum, mas se exaltará acima deles todos.
38 Em seu lugar adorará um deus das fortalezas; um deus desconhecido de seus antepassados ele honrará com ouro e prata, com pedras preciosas e presentes caros.
39 Atacará as fortalezas mais poderosas com a ajuda de um deus estrangeiro e dará grande honra àqueles que o reconhece­rem. Ele os fará governantes sobre muitos e distribuirá a terra, mas a um preço elevado[42].
40 No tempo do fim o rei do sul se envolve­rá em combate, e o rei do norte o atacará com carros e cavaleiros e uma grande frota de navios. Ele invadirá muitos países e avançará por eles como uma inundação.
41 Tam­bém invadirá a Terra Magnífica. Muitos países cairão, mas Edom, Moabe e os líderes de Amom ficarão livres da sua mão.
42 Ele estenderá o seu poder sobre muitos países; o Egito não escapará,
43 pois esse rei terá o controle dos tesouros de ouro e de prata e de todas as riquezas do Egito; os líbios e os núbios a ele se submeterão.
44 Mas, informa­ções provenientes do leste e do norte o deixarão alarmado, e irado partirá para destruir e aniqui­lar muito povo.
45 Armará suas tendas reais entre os mares, no[43] belo e santo monte. No entanto, ele chegará ao seu fim, e ninguém o socorrerá.

Oséias – Capítulo 2

1 Chamem a seus irmãos “meu povo”, e a suas irmãs “minhas amadas”.
2 Repreendam sua mãe, repreendam-na, pois ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido. Que ela retire do rosto o sinal de adúltera e do meio dos seios a infidelidade.
3 Do contrário, eu a deixarei nua como no dia em que nasceu; farei dela um deserto, uma terra ressequida, e a matarei de sede.
4 Não tratarei com amor os seus filhos, porque são filhos de adultério.
5 A mãe deles foi infiel, engravidou deles e está coberta de vergonha. Pois ela disse: “Irei atrás dos meus amantes, que me dão comida, água, lã, linho, azeite e bebida”.
6 Por isso bloquearei o seu caminho com espinheiros; eu a cercarei de tal modo que ela não poderá encontrar o seu caminho.
7 Ela correrá atrás dos seus amantes, mas não os alcançará; procurará por eles, mas não os encontrará. Então ela dirá: “Voltarei a estar com o meu marido como no início, pois eu estava bem melhor do que agora”.
8 Ela não reconheceu que fui eu quem lhe deu o trigo, o vinho e o azeite, quem a cobriu de ouro e de prata, que depois usaram para Baal.
9 Por isso levarei o meu trigo quando ele amadurecer, e o meu vinho quando ficar pronto. Arrancarei dela minha lã e meu linho, que serviam para cobrir a sua nudez.
10 Pois agora vou expor a sua lascívia diante dos olhos dos seus amantes; ninguém a livrará das minhas mãos.
11 Acabarei com a sua alegria: suas festas anuais, suas luas novas, seus dias de sábado e todas as suas festas fixas.
12 Arruinarei suas videiras e suas figueiras, que, segundo ela, foi pagamento recebido de seus amantes; farei delas um matagal, e os animais selvagens as devorarão.
13 Eu a castigarei pelos dias em que queimou incenso aos baalins; ela se enfeitou com anéis e jóias, e foi atrás dos seus amantes, mas de mim, ela se esqueceu, declara o Senhor.
14 Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e falar-lhe com carinho.
15 Ali devolverei a ela as suas vinhas, e farei do vale de Acor[3]uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias de sua infância, como no dia em que saiu do Egito.
16 “Naquele dia”, declara o Senhor, “você me chamará “meu marido”; não me chamará mais “meu senhor[4]”.
17 Tirarei dos seus lábios os nomes dos baalins; seus nomes não serão mais invocados.
18 Naquele