Vinde, e vede as obras de Deus; ele é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens. - SALMOS 66:5

Posição do protestantismo histórico sobre a Lei

Publicado em: 06/01/2016  |   16:52
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church-wallpaper-1440x900Posição do protestantismo histórico sobre a validade dos Dez Mandamentos*

O Catecismo Valdense (c. 1500) e a Confissão dos Valdeneses (1655) citam os Dez mandamentos e a Oração do Senhor como “fundamento de nossa fé e de nossa devoção. A fé viva consiste em crer em Deus, ou seja, amá-Lo e guardar Seus mandamentos”.¹

O Pequeno Catecismo de Lutero (1529), o mais popular de todos os símbolos da Reforma (e o primeiro a ser introduzido em solo americano) entre as igrejas reformadas da Holanda e da Alemanha (ibid., v. 1, p. 549), depois de extensa série de perguntas sobre o Decálogo, declara que os Dez Mandamentos são rigorosamente ordenados para que possamos “buscar com mais zelo o perdão dos pecados e a justiça em Cristo”; e “transformar-nos mais e mais à imagem de Deus”².

A Fórmula de Concórdia (luterana, datada de 1576) afirma que os cristãos estão livres da “maldição e sujeição da lei”, mas não da lei em si mesma. Sobre os Dez Mandamentos devem eles meditar dia e noite, e “exercitar-se continuamente na guarda deles”. Condena como “falsa e perniciosa” a ideia de que o Decálogo não é a norma de justiça para o cristão.³

A Confissão Escocesa de Fé (1560), artigo XV, destaca a perfeição da lei e a imperfeição do homem. 4

O Catecismo Menor de Westminster (1647) foi adotado pela Igreja da Escócia em 1648, pelo sínodo Presbiteriano de Nova York e Filadélfia em 1788, e por quase todas as igrejas calvinistas, presbiterianas e congregacionais. É o mais adotado em qualquer outro, exceto o Pequeno Catecismo de Lutero e a Confissão de Heidelberg (ibid., p. 676). Declara que os Dez Mandamentos, ou lei moral, revela o dever que Deus requer do homem. E acrescenta: “Estamos ligados à guarda de todos os seus mandamentos”.5

A Confissão Batista de New Hampshire (1833), aceita pelos Estados do Norte e do Oeste dos Estados Unidos, artigo XII, “Da Harmonia da Lei com o Evangelho”, declara que a lei de Deus é “a eterna e imutável regra de Seu governo moral”, e que devemos, por meio de nosso Mediador, “sincera obediência à santa Lei”, como um dos grandes fins do evangelho. 6

Além disso, os adventistas partilham com milhares de homens eminentes de várias confissões religiosas – Calvino, Wesley, Clark, Barnes, Spurgeon, Moody, G. Campbell Morgan, Henry Clay Trumbull, Billy Graham – a crença na perpetuidade da lei moral de Deus, os Dez Mandamentos, em vigor em todas as dispensações, como se pode confirmar por estas citações:

Calvino: Eterna regra de dívida. Não devemos supor que a vinda de Cristo nos tenha livrado da autoridade da lei; pois ela é a eterna regra de uma vida santa e devota, e é, portanto, tão imutável como a justiça de Deus, que a lei abrange de modo constante e uniforme. 7

Wesley: Permanente em vigor: Mas a lei moral contida nos Dez Mandamentos, e aplicada pelos profetas, Ele não aboliu. Não era objetivo de Sua vinda revogar qualquer parte dela. Trata-se de uma lei que jamais pode ser violada, que “permanece como fiel testemunha no Céu”. A lei moral assenta-se em fundamento inteiramente diferente daquele em que repousa a lei cerimonial ou ritual. […] Todas as partes desta lei permanecem em vigor sobre toda a humanidade, e em todas as épocas, não dependendo de lugar, ou quaisquer outras circunstâncias sujeitas à mudança, mas da natureza de Deus e da natureza do homem, e a imutável relação entre uma e outra. 8

Spurgeon: A lei de Deus é perpétua. Grandíssimos erros têm cometido acerca da lei. Há não muito tempo havia ao nosso redor os que afirmavam estar a lei totalmente revogada e abolida, e ensinavam abertamente que os crentes não estavam na obrigação de fazer da lei moral a regra de vida. O que teria sido pecado em outros homens, não consideravam pecado em si mesmos. Deus nos livre de um antinomianismo como este. […]

A lei de Deus deve ser perpétua. Não há nela nenhuma revogação nem emenda. Deve ser ajustada a nossa condição de seres caídos; mas cada um dos juízos justos de Deus permanece para sempre. […]

Eis que alguém me diz: “Olhe, em lugar dos Dez Mandamentos recebemos dois, e estes são mais fáceis de guardar.” Respondo que essa compreensão da lei não é, de modo nenhum, mais fácil. Essa interpretação denota falta de conhecimento e de experiência. Esses dois mandamentos abrangem os dez em sua mais plena extensão, e não podem ser considerados como exclusão de um jota ou til daqueles. […]

Cristo, pois, não revogou nem mesmo enfraqueceu a lei para vir ao encontro de nossa fragilidade; manteve-a em toda a sua sublime perfeição, como sempre deve ser deixada, e demonstrou quão profundos são os seus fundamentos, quão elevada sua altura, quão imensuráveis seu cumprimento e largura. […]

Para mostra que Ele jamais pretendeu revogar a lei, nosso Senhor Jesus exemplificou em Sua vida todos os Seus mandamentos. Em Sua própria pessoa havia uma natureza perfeitamente em harmonia com a lei de Deus; e como era Sua natureza, também era Sua vida. Podia dizer: “Quem de vós Me convence de pecado?” e acrescentar: “Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço em Seu amor.” […]

Por meio de Sua morte, Ele vindicou a honra do governo moral de Deus, e o fez por iniciativa própria, para ser misericordioso. Quando o próprio Legislador Se submete à lei, então a justiça de Deus é posta num trono glorioso e exaltado para que todos os mundos admirados possam maravilhar-se à vista dela. Se, pois, está claramente provado que Jesus foi obediente à lei, até a ponto de morrer, certamente Ele não veio para aboli-la ou revogá-la; e se Ele não a mudou, quem pode fazê-lo? Se Ele declara que veio para estabelecê-la, quem a subverterá? […]

A lei é absolutamente completa, e nada pode ser acrescentado a ela ou dela retirado. “E qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar num só ponto, torna-se culpado de todos. Porque Aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2:10). Se, portanto, nenhuma parte dela pode ser desfeita, ela permanece para sempre. 9

Billy Graham: Permanente e imutável. A palavra “lei” é empregada pelos escritores do Novo Testamento, que diz respeito à matéria ritualística e regulamentos sobre alimentos, bebidas e coisas desse tipo. Desta lei os cristãos estão, de fato, livres. Mas o Novo Testamento fala também da lei moral, que é de caráter permanente e imutável e se acha sintetizada nos Dez Mandamentos. 10

Moody: Lei eterna, obediência como amor no coração. A pergunta a cada um de nós é: Estamos guardando os mandamentos? Se Deus nos pesar por eles, seremos ou não achados em falta? Guardamos a lei, toda a lei? Estamos obedecendo a Deus de todo o coração? Prestamo-Lhe plena e espontânea obediência?

Esses Dez Mandamentos não são dez leis diferentes; são uma só lei. Se me acho suspenso no espaço por uma corrente de dez elos, e quebro um deles, vou ao chão tão certamente como se quebrasse todos os dez. Se estou proibido de sair de um terreno cercado, não faz diferença o ponto em que posso romper a cerca. “Todo aquele que guardar toda a lei e tropeçar num só ponto, tornou-se culpado de todos.” “ A corrente de ouro da obediência se rompe se faltar um elo.” […]

Por 1.500 anos, o homem esteve debaixo da lei, e nenhum se igualou a ela. Cristo veio e demonstrou que os mandamentos estavam além da mera letra; e pode alguém, depois disso, dizer que é capaz de guardá-la em sua própria força? […]

Posso imaginar o que vocês estão dizendo a si mesmos: “ Se devemos ser julgados pelas leis, como devemos ser salvos? Cada um de nós tem quebrado um delas – se não na letra, pelo menos no espírito.” E quase os ouço dizer: “Gostaríamos de saber se o Sr. Moody se acha preparado para ser pesado. Gostaria ele de passar por esses testes? Com toda humildade, respondo que, se Deus me ordenasse a entrar nos pratos da balança agora, estou preparado.

“Como?”, dirão vocês. “O senhor não tem quebrado a lei?”
Sim, quebrei-a. Era, diante de Deus, um pecador como vocês; mas, há quarenta anos, confessei-me culpado diante de Seu tribunal. Clamei por misericórdia e Ele me perdoou. Se eu entrar nos pratos da balança, o Filho de Deus prometeu estar comigo.

Não ouso entrar lá sem Ele. Se o fizesse, quão depressa os pratos se ergueriam!
Cristo guardou a lei. Se Ele a tivesse violado, teria que morrer por Si próprio; mas, como era o Cordeiro sem mancha ou culpa, Sua morte expiatória é eficaz para vocês e para mim […] Cristo é o fim da lei para justiça, que, pela fé em Jesus Cristo, é para todos e sobre todos os que crêem. […]
Se o amor de Deus for derramado sobre o coração, vocês serão capazes de cumprir a lei. ¹¹

Algumas pessoas confundem a lei cerimonial com a moral. A natureza da lei cerimonial é transitória, pois apontava para o ministério de Cristo. Esta lei se cumpriu em cada aspecto da vida e ministério de Jesus. Ela, portanto, não faz mais sentido de ser observada. Em contrapartida há a lei moral, o decálogo. Dizer que esta lei foi dada aos judeus somente é um grande engano. Veja que antes dela ter sido entregue por meio de Moisés, seus princípios já existiam. Que pecado cometeu Caim quando matou seu irmão Abel? Ele violou o mandamento que exige o respeito pela vida. Ele quebrou o sexto mandamento como o conhecemos. O sábado, assim como outros princípios da Lei, foram dados na semana da criação, muito tempo antes de existir o povo judeu.

Leia em Gênesis 2:1-3:

“Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gênesis 2:1-3).

Note que o quarto mandamento faz referência à criação:
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Êxodo 20:8-11).
Um exegeta pode perceber a conexão temática e linguística entre os versos acima e o texto de Apocalipse 14:6-7:

“Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Apocalipse 14:6-7).

Conclusão:

Portanto, concluímos que ninguém é justificado diante de Deus pelas obras ou pela obediência aos mandamentos de Deus; UNICAMENTE por meio da graça de Cristo, Sua perfeita justiça é imputada ao que nEle confia. Isto, porém, não significa que a lei moral foi abolida ou cancelada. Se você pensa diferente, respeitamos, mas seu ponto de vista está totalmente distante da posição do protestantismo histórico.

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[*] Fonte: Questões Sobre Doutrina, p. 118-122

[¹] Schaff, The Creeds of Christendon, v. 1, p. 572, 573, 575; v. 3, p. 757, 768
[²] ibid., v. 3, p. 340-349.
[³] ibid., p. 130-135.
[4] ibid., p. 456, 457.
[5] ibid., p. 678, 684, 685.
[6]ibid., p. 746.
[7] Comentary on a Harmony of the Evangelists [1845], v. 1, p. 277.
[8] Sermons on Several Occasions, v. 1, p. 221, 222.
[9] The Perpetuity of the Law of God, publicado na Spurgeon´s Expository Encyclopedia, por Baker.
[10] Associated Press Dispatch, Chicago Tribune Syndicate.
[¹¹] Wwighed and Wanting, p. 119-124.

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