Vão sempre aumentando de força; cada um deles aparece perante Deus em Sião. - SALMOS 84:7

Gilherme de Pádua: julgado, condenado e convertido? Benefícios do perdão.

Publicado em: 09/12/2012  |   7:54
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Vinte anos após chocar o país ao matar a atriz  Daniela Perez (1970-1992), filha da autora Glória Perez, Gilherme de Pádua deu detalhes do assassinato ao jornalista Marcelo Rezende em uma grande reportagem. Depois de seis meses de negociação, o ator aceitou falar. A entrevista foi realizada no começo deste mês em Belo Horizonte. Pádua confessou a participação no crime praticado em 1992, quando Daniella foi morta com 18 golpes de tesoura.  Ele foi condenado a 18 de prisão: porém, após seis anos de reclusão, foi solto em regime de liberdade condicional. Em abril de 2010, em entrevista ao apresentador Ratinho, afirmou que gostaria de pedir perdão a Gloria Perez. Você perdoaria? 

“Já sonhei com esse momento. Acho que beijaria os pés dela, deixaria ela me bater. Eu diria a Glória Perez  que Jesus consegue salvar um criminoso e fazer a vida dele ter sentido. O mundo precisa de perdão”. Diz Guilherme de Pádua sobre o sonho de encontrar a mãe de Daniela Perez.

“Hoje sou apaixonado por Jesus e por este povo evangélico, que conseguiu ver esperança onde ninguém mais via”, destacou em mídia gospel.

Julgado, condenado e convertido?

Uma das coisas mais importantes para a vida de uma pessoa que quer ser feliz é o perdão, pois proporciona paz ao coração e dá um real sentido à existência. Muitos sofrem de depressão e de outros problemas emocionais por não perdoarem ou por não se sentirem perdoados. Um dos motivos que devem nos levar a perdoar de acordo com Mateus 6:12-15 é o fato de que “esperar de outros o que eu mesmo não estou disposto a fazer é a essência do egoísmo e do pecado”[1]. Assim como Deus nos perdoa de todos os pecados (1 Jo 1:7-9; Mq 7:19), devemos perdoar o nosso próximo. Precisamos nos reconciliar com o ofensor mesmo que não tenhamos vontade de fazê-lo, pois na Bíblia perdoar não é uma questão de “querer ou não” (escolha), mas sim de obedecer a um mandamento divino (veja a ordem de Jesus em Mateus 18:21, 22!) que, se deixado de ser cumprido, trará sérias consequências, inclusive à nossa saúde.

Perdoar é esquecer?

O psicólogo e conselheiro cristão Jay A. Adams disse acertadamente no livro O Manual do Conselheiro Cristão, p. 70: “O perdão não é nenhum tratamento de choque que instantaneamente apagua da memória o passado recente”. Isso significa que perdoar não é sinônimo de esquecer instantaneamente. O exemplo a seguir apresentado pelo meu amigo Élcio Firmiano, ilustra muito bem este ponto:

“Comparo o perdão a uma cicatriz. Quando nos machucamos, como resultado do machucado nos resta uma cicatriz. Sempre que olhamos para a mesma, nos lembramos de quando, onde e como aconteceu o fato. Isso não quer dizer que ainda nos cause dor ou desconforto, muito pelo contrário, é indiferente, não causa dor, não causa nada, apenas a lembrança”.

O perdão, portanto, não indica necessariamente o esquecimento imediato da ofensa, mas o não sentir dor ao lembrar do ocorrido.

Como perdoar do íntimo

Perdoar envolve o compromisso de não levantar novamente a questão. O perdão bíblico envolve igualmente a promessa de:

1)      Evitar colocar ofensa em cima da cabeça do ofensor;

2)      A promessa de não falar a respeito do ocorrido;

3)      E a promessa de não ocupar a mente com a questão. Isso significa adotar atitudes e práticas que levem ao esquecimento.

Se Deus esquece de tudo quando nos perdoa, como é possível afirmar que não devemos esquecer também?

Precisamos harmonizar os textos bíblicos de Jeremias 31:34 e Isaías 43:25 que afirmam que Deus esquece de nossos pecados. Deus é Onisciente e

“… não pode esquecer. O esquecimento, nesse trecho, na realidade é uma maneira hebraica de se referir ao ato de perdoar…”.[2]

“Perdoar é ‘esquecer’, no sentido de que alguém sepultou o problema. Perdoar equivale a prometer nunca mais se lembrar de uma ofensa, contra outra pessoa. ‘Lembrar-se’ é empregado no sentido de ‘ventilar novamente’ (ver 3 João 1:10)… É como se Deus dissesse: ‘as coisas que você fez contrariamente à minha lei, não as trarei à memória.

“O verdadeiro perdão humano leva ao esquecimento. Quando alguém se recusa a ventilar novamente uma questão, (mesmo para si), prontamente se esquece. Quando não podemos esquecer, é porque nos lembramos ativamente.”[3].

“O esquecimento, no tocante a Deus não pode significar mais do que a disposição dEle de “enterrar” a questão, para nunca mais levantá-la… É isso que se requer no perdão humano. Perdoar é “esquecer”, no sentido de sepultar o problema e não passar por uma “lavagem cerebral”. Perdoar equivale a prometer nunca mais se lembrar de uma ofensa, contra a pessoa”[4].

Benefícios do Perdão

Ao perdoar, somos beneficiados:

a)      Espiritualmente – nosso relacionamento com Deus será bem melhor;

b)      Mentalmente – evitaremos sofrer uma depressão ou infarto com o tempo; teremos paz mental;

c)      Fisicamente – A paz mental nos proporciona saúde, vigor e ânimo;

d)      Socialmente – nos relacionaremos melhor com os outros.

Não perca a oportunidade de desfrutar de todos esses benefícios!

Deus quer que perdoemos. Se Ele nos ordena a perdoar é porque nos provê poder para isso (Fp 2:13) e sabe que tal atitude será o melhor para nossa felicidade. O Criador jamais exige de nós mais do que poderemos dar. Lembre-se de quão maravilhosa é a sensação de ser perdoado por Deus. Não esqueça que a mesma sensação seu ofensor pode sentir caso o perdoe. Siga o conselho de Jesus em Mateus 18:22 de perdoar “até setenta vezes sete”. Mesmo sem vontade, dê esse passo de obediência e Deus fará o resto, o milagre! Na cruz do calvário Jesus proporcionou a possibilidade de desfrutarmos da paz mental ao recebermos perdão. Não privemos os outros disso.

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6:12-15).

 

Seja feliz!

 


[1] Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5.

[2] Jay A. Adams, O Manual do Conselheiro Cristão, p. 72. Editora Fiel. (Adaptado).

[3] Ibidem. Grifo meu (Adaptado).

[4] Ibidem.

 

Uma resposta para “Gilherme de Pádua: julgado, condenado e convertido? Benefícios do perdão.”

  1. Janaína disse:

    Com certeza, somente com o perdão poderemos ser um verdadeiro cristão.

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