Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu tens feito notória a tua força entre os povos. - SALMOS 77:14

Ambiente Ameaçado

Publicado em: 04/12/2015  |   10:07
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A ÉTICA AMBIENTAL APONTA PARA A RESPONSABILIDADE NO PRESENTE E A LIBERTAÇÃO NO FUTURO

Paris 2015 foi o nome escolhido para a conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente agendada para o início de dezembro deste ano na capital francesa. O objetivo é assinar um acordo global e tentar evitar o caos climático. Se isso será possível, ainda não sabemos. Porém, que é uma necessidade, não resta dúvida.

Pesquisando sobre o assunto, um fato que despertou admiração foi a proposta feita por alguns especialistas, em outra ocasião, de remunerar quem cuidasse das florestas. Seria cômico, se não fosse trágico, um cenário que, por estar corrompido de forma tão drástica, exija medidas que ofereçam até mesmo remuneração para que se preservem recursos naturais que ao próprio homem foram oferecidos gratuitamente e confiados para guardá-los, protegê-los e cultivá-los (Gênesis 1:28).

Ações dessa natureza são importantes, mas não passam de paliativos, pois tratam do assunto de forma superficial. O problema é mais profundo, e a solução definitiva também. Envolve pecado e salvação. Muitos foram os sofrimentos provenientes do ato de desobediência do homem à ordem emitida por Deus a suas criaturas recém-criadas. Como resultado direto desse quadro, o mundo natural se tornou um dos mais claros exemplos de quão profundas são as sequelas da entrada do pecado no mundo. Assim, a “criação” ou “natureza” (ktisis) tem sofrido drásticas consequências em função da maldição que o ser humano acarretou sobre si e, portanto, sobre tudo o que está debaixo de seu domínio. O mais intrigante é que tal circunstância tem como sujeito principal o próprio homem.

Em muitos casos, é impossível conter a indignação diante do ônus imposto sobre os ambientes naturais do planeta. Muitas são as assembleias, reuniões e palestras realizadas em torno do desejo de preservar o que já
está estragado quase além de toda possibilidade de reparo. Esforços são empregados, valores monetários são injetados, propostas são lançadas, mas a situação gradativamente piora. Por quê? Proporcionalmente ao número de intervenções ambientais planejadas, cresce a imaturidade ecológica daqueles que põem sua principal fonte de renda na exploração dos recursos naturais. Uma atitude assim revela que se trata de uma geração que pensa apenas em si mesma.

Como se tivesse o cenário atual emoldurado na mente, numa antecipação de quase dois milênios, o apóstolo Paulo parecia não ter dúvidas de que o desvio no qual se encontra o planeta em relação ao plano original de Deus se deve às próprias ações imprudentes praticadas pelo seres humanos ao longo dos séculos. Por meio do pecado, todas as esferas que usufruíram de perfeição foram submetidas ao poder destrutivo e corrosivo do mal, definido por Paulo como “vaidade” (Romanos 8:20), apontando para expectativas frustradas. Isso define, ainda que superficialmente, o que Deus sentiu ao notar a perversão de suas criaturas em função da desobediência ao seu conselho.

O apóstolo entendia que só existe um modo pelo qual pode haver libertação da lei do pecado e da morte: estar em Cristo Jesus, que intervirá no planeta. Na ótica de Paulo, a solução real vem pela mesma forma de se resolver o problema do pecado, já que se trata aqui de um processo de causa (pecado) e efeito (destruição). Tanto a criação quanto os seres humanos aguardam por essa libertação, que colocará fim ao pecado e seus efeitos. Afinal, em última instância, as “dores de parto” indicam justamente o nascimento de um novo tempo em que o mundo será regenerado.

Enquanto isso não ocorre, os que estão convencidos da promessa nunca poderão voltar as costas para o meio ambiente, alegando aguardar a restauração escatológica da Terra. Isso seria como cogitar que o ser humano pudesse continuar em sua vida pecaminosa. A consciência de que haverá um acerto final para toda medida de pecado irresponsável faz com que o cristão sinta que deve ser o primeiro a cuidar da natureza.

Raphael Santos, RA, dezembro, de 2015, p. 50.

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