Tu expeliste as nações com a tua mão, mas a eles plantaste; afligiste os povos, mas a eles estendes-te largamente. - SALMOS 44:2

A queda de Babilônia

Publicado em: 22/06/2015  |   11:03
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babilônia

A história nos ensina que o momento de maior prazer pode ser o momento de maior ruína.

O capítulo cinco de Daniel conta a história de um grande banquete oferecido por Belsazar, rei do antigo império da Babilônia e neto de Nabucodonosor. De fato, esse foi mais do que um banquete, tornando-se uma orgia insolente e irreverente contra Deus.

Numa tentativa de mostrar que era maior do que o Deus de Israel, Belsazar mandou trazer os utensílios de ouro e de prata do templo em Jerusalém, os quais haviam sido saqueados por Nabucodonosor, e os utilizou na festa que ofereceu aos seus convidados. Mais do que isto, a Bíblia diz que eles “deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra” (Daniel 5:4). Ouro, prata, bronze e ferro compunham a sequência dos metais da estátua do intrigante sonho de Nabucodonosor. Em vez de dar honras ao Deus do Céu, Belsazar preferiu louvar os “deuses” deste mundo.

Deus havia concedido a Belsazar muitas chances para corrigir seus erros, mas ele insistiu em sua vida de pecados. Esse lascivo rei figura como um exemplo de pessoas que buscam nas diversões uma válvula de escape, até perceberem que, passada a euforia, retornam ao ponto de partida ainda mais vazias e escravas de estímulos maiores, atingindo, por fim, a completa decadência.

O prazer momentâneo, que havia obscurecido os sentidos de Belsazar, trouxe uma falsa sensação de segurança. Embora os guardas do palácio pudessem impedir ameaças terrenas, eles eram incapazes de deter o Mensageiro Divino.

Foi em meio àquela ruidosa folgança que uma mão misteriosa e inesperada começou a escrever diante de olhos pasmados. Ninguém no reino sabia decifrar o enigma da escritura. Os sábios tiveram que reconhecer sua incapacidade para interpretar a mensagem do céu. Daniel, então, entra em cena, para traduzir o recado: “Tu te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti […] Além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra” (Daniel 5:23).

A ordem dos metais já não é mais a mesma de Daniel 5:4. Na lista de Daniel, o ouro vem primeiro. Parece ter ficado claro para Belsazar que Deus havia julgado o seu reino, e o estava transferindo para o reino que, na estátua de Nabucodonosor (Daniel 2), estava representado pelo peitoral de prata, isto é, a Medo-Pérsia. Naquela mesma noite, diz Daniel, “foi morto Belsazar, rei dos caldeus, e Dario, o medo, ocupou o reino” (Daniel 5:30-31). Antes disso, porém, o rei teve que se deparar com as perturbadoras palavras: “Mas a Deus, em cuja mão está a tua vidae todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Daniel 5:23).

Embora as palavras de Daniel não tenham representado uma boa notícia para o rei Belsazar, elas podem trazer esperança ao sabermos que a nossa vida está nas mãos de Deus, e Ele conhece todos os nossos caminhos.

Uma das coisas que mais me deixa chocado no capítulo cinco de Daniel se encontra no verso 29: “Então mandou Belsazar que vestissem a Daniel de púrpura, e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a respeito dele que havia de ser o terceiro dominador do reino” (Daniel 5:29). Ele parece reconhecer a intervenção divina, por meio de seu profeta. Durante muito tempo, Daniel foi negligenciado pelo rei, mas agora os problemas lhe trazem alguma espécie de sabedoria. Porém, essa sabedoria, que chega tardiamente, apenas consegue aprofundar a consciência da sentença.

Lembro-me de ter lido na adolescência um livro de Marcos Rey, em que um dos personagens principais repetia com bastante frequência o seguinte jargão: “muito tarde, meu caro! Muito tarde”. Os versos 30 e 31 do capítulo cinco de Daniel resumem a derrota de Belsazar, bem como a de seus convidados, suas mulheres, suas concubinas, seu reino. Era muito tarde! A história de Belsazar nos ensina que o momento de maior prazer pode ser o momento de maior ruína.

 

ADENILTON TAVARES é mestre em Ciências da Religião e professor de grego e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Bahia.

Fonte: http://www.revistaadventista.com.br/

2 respostas para “A queda de Babilônia”

  1. Quem é Babilônia nos dias atuais?
    A que o apocalipse se refere.
    Aguardo resposta.
    Fique na paz de nosso Senhor.

    • debora disse:

      Olá, Merieli!
      Apocalipse 17 responde a sua pergunta.

      Entendendo que a profecia é uma verdade que se amplia, o capítulo 17 é um desdobramento do capítulo 13. Isso é comum em profecias apocalípticas. Por exemplo, em Daniel 2, vemos uma sequência de impérios (Babilônia, Medo-pérsia, Grécia, Roma e Roma papal) que é representada pela estátua de ouro, prata, bronze, ferro e barro. Os mesmos impérios são retratada em Daniel 7 por quatro animais: leão, urso, leopardo e o quarto animal, terrível e espantoso. Já em Daniel 8, os três últimos poderes, Medo-pérsia, Grécia e Roma, são representados por um carneiro, um bode e um “chifre pequeno”.

      O mesmo acontece em relação aos capítulos 13 e 17 do Apocalipse. Ocorre uma ampliação na descrição das entidades o que justifica uma mudança nos símbolos. Alguns argumentam que, dessa forma, a “besta que sobe do mar”, do capítulo 13, é mostrada na figura da “meretriz”, no capítulo 17. E a “besta de dois chifres” é substituída por outro símbolo, a “besta escarlate”. Essa seria uma possibilidade na interpretação dos símbolos. Já identificamos, em Apocalipse 13, a besta que sobre do mar como sendo Roma, em suas duas fases, pagã e papal. E a segunda besta que sobe da terra, como sendo os Estados Unidos da América do Norte. Agora, no capítulo 17, temos uma ampliação destas entidades.

      A primeira informação do texto é que a meretriz achava-se sentada sobre muitas águas. A mesma descrição é feita da besta de Apocalipse 13, pois ela surge do mar. O anjo explicou a João: “As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (Apocalipse 17:15), ou seja, o sistema papal que surgiu num local densamente povoado.

      É-nos dito também que com esta meretriz se prostituíram os reis da terra. Isto significa uma união ilícita que tem havido entre a igreja e o estado. Nas vestes da mulher predominam a cor púrpura e escarlate. A cor escarlata, ou vermelho, é usada na Bíblia como símbolo de pecado (Isaías 1:18) e associada também com Satanás (Apocalipse 12:3).

      A mulher tem um cálice de ouro em suas mãos. O ouro é símbolo de fé e amor (Tiago 2:5; Gálatas 5:6), a igreja apostatada professa fé pura, no entanto, está cheio de corrupção, como representado pelo “vinho”. O vinho com o qual embebedou os habitantes da terra é símbolo de suas falsas doutrinas, tais como: imortalidade da alma, tormento eterno dos ímpios, negação da pré-existência de Cristo, confissão de pecados ao sacerdote, existência do purgatório, santidade do primeiro dia da semana e outros.

      Você pode obter mais informações sobre este e outros assuntos descritos no Apocalipse fazendo o curso Bíblia Fácil – Apocalipse. Acesse http://biblia.com.br/blog/estudos-biblicos/receba-cursos-biblicos-pelo-correio/ e solicite.
      Paz!

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