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Lições de Deuteronômio 6

6 de junho de 2018

O que as crianças não sabem e o que os adultos esquecem.

Recentemente comecei a participar de um curso sobre o ministério com as novas gerações. Fiquei impressionada com as valiosas lições sobre educação de crianças que um dos professores conseguiu extrair em um único capítulo do livro de Deuteronômio. Enquanto ele lia diretamente da Bíblia, as verdades pareciam saltar aos nossos olhos. A conclusão à qual chegamos é óbvia. Os riscos a que a geração atual está exposta são os mesmos do passado: esquecer-se de quem é Deus e, com o tempo, deixar de se relacionar com Ele.

Moisés foi orientado a transmitir ao povo de Israel os caminhos mais eficazes para manter a nação ligada ao Senhor, o único Deus. Já nos primeiros versos fica evidente a responsabilidade que repousa sobre as famílias e o papel que os pais desempenham no processo da formação espiritual da criança. Destaco aqui pelo menos três aspectos fundamentais:

  • Os pais são os principais discipuladores dos filhos e netos (verso 2).
  • Há uma mensagem a ser transmitida; a história dos feitos de Deus precisa ser contada e recontada, muitas e muitas vezes. Se ela estiver em nosso coração, será mais fácil passarmos adiante (versos 6, 7).
  • Os mandamentos, os testemunhos e os estatutos que o Senhor ordenou precisam ser compreendidos e obedecidos, tanto pelos pais como pelos filhos (verso 17).

O próprio Deus nos dá a razão para ouvirmos as Suas palavras: “Para o nosso perpétuo bem, para nos preservar a vida” (verso 24) – a presente e a eterna. Os israelitas estavam prestes a entrar em Canaã. Logo, estariam desfrutando as bênçãos que o Senhor havia prometido. Quando o período de paz e conforto chegasse, não deveriam cair na tentação de esquecer quem os conduzira até ali. A lembrança dos milagres divinos deveria manter o nome do Senhor permanentemente vivo na memória da nova geração. Quando, no futuro, os filhos perguntassem sobre o significado dos testemunhos, estatutos e juízos de Deus, os pais deveriam estar habilitados a contar tudo o que havia acontecido, desde que foram libertados do Egito (versos 21-23).

Um exemplo de desafio atual

Relembrar as lições de Deuteronômio 6 trouxe à minha memória uma experiência que tive em uma das minhas viagens em 2017. Está ligada ao episódio de um desenho sobre o qual eu ouvira falar, mas que ainda não tinha assistido. Como ficaria pelo menos uma hora e meia dentro do avião, resolvi ver o que estava sendo exibido nos canais infantis. E ali estava o tal desenho.

Justamente aquele episódio mostrava os personagens principais apreciando a exposição de peças do Egito antigo em um famoso museu da França. O que aconteceu em seguida pareceu mais um filme de terror do que um desenho destinado a crianças entre 4 e 11 anos de idade. Um rapaz inteligente, filho do organizador do evento, ficou profundamente magoado quando o pai demonstrou não acreditar em seu potencial e não lhe deu o devido valor. Percebendo ali uma oportunidade, o vilão enfeitiçou o jovem e o dominou com o espírito de Akhenaton. Usando os poderes mágicos do faraó da antiguidade, o rapaz transformou as pessoas na rua em múmias e começou um ritual macabro para trazer de volta à vida sua amada princesa Nefertiti. O que estava envolvido no ritual? A oferta de uma ingênua e pura adolescente como sacrifício humano.

Por fim, com os respectivos trajes de heróis (que miraculosamente ocultam sua verdadeira identidade), a garota e o mocinho conseguem enganar o vilão e desfazer o feitiço, salvando tanto o “sacrifício” quanto o rapaz que estava possuído pelo espírito do faraó.

A música tema, ressaltando o poder e a autossuficiência da personagem que dá nome ao desenho, cumpre seu papel de fixar a mensagem, tanto no início quanto no fim: “Eu sou sempre a melhor. Contra o inimigo, eu vou lutar…”

O que as crianças não sabem e o que os adultos esquecem

Sempre haverá pessoas defendendo a ideia de que tudo não passa de um simples desenho e que as crianças têm a capacidade de separar a realidade da ficção. No entanto, gostaria de chamar a atenção para o que é fato, não suposição. No processo de criação de qualquer desenho – não importa a que público se destina ou que conteúdo se intenciona apresentar – a história vem antes de tudo. Ela será a base para o desenvolvimento de um roteiro e para a execução até se transformar em um produto finalizado. O desenho é apenas o recurso, o meio, o canal pelo qual a história será transmitida. A questão aqui não é o desenho como veículo e sim o conteúdo que ele carrega.

O ponto de partida do desenho mencionado é algo que aconteceu milhares de anos atrás quando um mago ajudou os Kwamis (seres semelhantes a fadas) a interagir com os seres humanos por meio de joias mágicas, chamadas Miraculous. Duas delas são mais poderosas do que as demais: a que representa o poder da criação e a que representa o poder da destruição. Quando elas se unem, o usuário ganha poderes semelhantes a um Deus. Coincidência ou não, no enredo há um livro com as informações registradas em forma de código. De acordo com a homepage, como poucos sabem decifrar o código, a maioria permanece na ignorância desses poderes.

Interessante, não é? Miraculous, livro, código… Lembra alguma coisa? Que história está sendo contada?

No passado, Deus disse que os israelitas deveriam usar todos os recursos disponíveis, incluindo livros e sinais, para que a miraculosa história do livramento do Egito não fosse esquecida pelas novas gerações. O objetivo era que o nome de Deus e Seus feitos fossem constantemente lembrados. Essa seria a melhor proteção contra as práticas pagãs com as quais eles teriam contato.

Queridos, não descuidemos da missão a nós confiada. Tendo a Bíblia como a fonte original e a base da nossa fé, usemos todos os recursos disponíveis para contar a verdadeira história da salvação do ser humano e apresentar quem realmente a tornou possível, não só para as crianças, mas também para os jovens, os adultos e os idosos. O Espírito Santo não deixará ninguém na ignorância. Decifrar o código é uma possibilidade estendida a todos.

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*Neila Oliveira é autora de livros infanto-juvenis e coordenadora editorial para o público adolescente na CPB.
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