Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros. - SALMOS 135:7

Arqueólogos contestam o Êxodo bíblico

Publicado em: 27/11/2015  |   11:56
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FullSizeRenderDesde muito tempo, o Êxodo tem sido alvo de calorosas discussões nos meios acadêmicos e, principalmente, arqueológicos. A história do povo de Israel é tratada em livros de arqueólogos famosos, tais como Israel Finkelstein, ex-diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade Tel Aviv – Israel, embora ele confirme que as migrações de Canaã para o Egito são bem documentadas pela arqueologia e por textos da época. Para muitos habitantes de Canaã, região periodicamente sujeita a severas secas, a única saída era ir para o Egito. Pinturas e textos egípcios testemunham a presença de semitas no delta do Nilo.

Mesmo entre os judeus, às vezes escapa uma declaração tal como a do rabino (líder religioso do judaísmo) David Wolpe, de Los Angeles, que fez a seguinte afirmação: “A forma como a Bíblia descreve o Êxodo não é como aconteceu realmente, se aconteceu.” Nessa ocasião Wolpe estava perante dois mil adoradores no Conservative Sinai Temple (Templo Conservador de Sinai), e sua fala foi divulgada na primeira página do Los Angeles Times. O artigo intitulado “Duvidando da história do Êxodo” afirma que a arqueologia contesta a validade do evento na Bíblia. Contudo, o professor de estudos bíblicos da Universidade de Brandeis, Nahum Sarna, diz que o relato do Êxodo não pode, de modo algum, ser uma peça de ficção. “Nenhuma nação inventaria para si mesma uma tradição assim tão inglória, a menos que houvesse um núcleo verídico”, afirma.

Embora a arqueologia tenha encontrado muitos objetos que ajudaram no estudo de muitas civilizações antigas, muito também não foi achado por causa de guerras que destruíram preciosidades, como explica o Pós-Doutor Arqueologia Bíblica pela Andrews University e Doutor em Arqueologia Clássica pela USP, Rodrigo Silva. “Os críticos baseiam sua incredulidade no argumento do silêncio. Uma vez que não encontraram em Babilônia nenhuma inscrição cuneiforme contendo o nome de Daniel, nem no Egito um hieróglifo que trouxesse o nome de Moisés, concluem que esses sejam personagens fictícios. Mas eles mesmos se esquecem que vários vultos da antiguidade, eu diria até, a maioria deles não têm documentos contemporâneos à sua época que atestem sua existência. Muitos documentos se perderam com o tempo e muitas bibliotecas foram permanentemente destruídas, como as de Alexandria e Constantinopla”, comenta.

Segundo Silva, “a pobreza de documentos não é um problema de historicidade bíblica, mas da própria antiguidade como um todo. Os documentos antigos, como a Bíblia, deveriam ser mais considerados, pois são, nalguns casos, a única fonte informativa que dispomos daquela época”, acrescenta. Esse ponto é importante se for entendido que a maioria das inscrições no mundo antigo obedece a uma ordem do dia: glorificar as ações do rei e seu poder militar.

O Museu britânico em Londres exibe inscrições das paredes do palácio do imperador assírio Sancheriv. São cenas de campanhas militares de Sancheriv do século 8 a.C., descrições gráficas de decapitações de inimigos destruídos. O próprio Sancheriv é pintado como sendo maior do que a vida. Mas um elemento está faltando nas inscrições: não há nenhum assírio morto. Acontecimentos negativos, fracassos e falhas não eram registrados. Quando uma nação sofria uma derrota desagradável, ela encobria os enganos e destruía as evidências. Essas implicações têm influência sobre o Êxodo: Estariam os egípcios interessados em preservar o registro de que o Deus de um povo escravo arrasou o Egito enviando pragas e destruindo o faraó e todo seu exercito afogados?

Embora, não se possa falar de “provas” inequívocas sobre o Êxodo, evidências encontradas não deixam o relato bíblico na escuridão. Em 1887, foi achado um depósito de tabletes de argila em escrita cuneiforme, em Luxor e Cairo, no Egito, contendo correspondência diplomática entre o faraó Amenófis III e IV com os reis de cidades na Ásia ocidental, incluindo Síria e Palestina. O rei de Jerusalém, Abdi-Heba, envia cartas a Amarna, no Egito, pedindo ao faraó ajuda contra os hapiru que estavam invadindo Canaã. A carta data do século 14 a.C., e o termo hapiru se refere aos hebreus que estavam conquistando as terras de Canaã, conforme descreve a Bíblia.

Outro argumento forte a favor do Êxodo foi a descoberta de um diário egípcio chamado Ipuwer, em 1820, no Egito. Ele foi levado para o museu da Universidade de Leiden, na Holanda, onde ainda permanece. O escritor antigo lamenta o estado do Egito e diz numa carta endereçada ao faraó: “Os estrangeiros [hebreus?] vieram para o Egito, [eles] têm crescido e estão por toda a parte [lit. ‘em todos os lugares, eles se tornaram gente’], o Nilo se tornou em sangue, [as casas] e as plantações estão em chamas, a casa real perdeu todos os seus escravos, os mortos estão sendo sepultados pelo rio, os pobres [escravos hebreus?] estão se tornando os donos de tudo, os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente, o [nosso] ouro está no pescoço [dos escravos?], o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival [religioso?].”

As declarações são muito semelhantes à descrição de Êxodo 7:14-24: pragas arrasando o Egito e escravos deixando o país carregados de ouro e outras riquezas. Esse testemunho e outros, mostram que é possível “desenterrar” a fé na historicidade da Bíblia por meio de achados arqueológicos, como diz Millar Burrows, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos: “Em muitos casos, a arqueologia tem refutado as opiniões de críticos modernos. Ela tem demonstrado em vários casos que essas opiniões repousam sobre pressuposições falsas e esquemas irreais e artificiais de desenvolvimento da história. Essa é uma contribuição real, que não deve ser minimizada.”

Fonte: Criacionismo

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