Ele dá grande livramento ao seu rei, e usa de benignidade para com o seu ungido, para com Davi e sua posteridade, para sempre. - SALMOS 18:50

O Enigma do Mal

Publicado em: 26/09/2017  |   11:35
Compartilhe:

Roberto Badenas[*]

A tragédia nos atinge inesperadamente. Um acidente. Um ataque terrorista. Um terremoto. Uma doença terrível. Quando o inesperado e a dor nos atingem, nossa reação imediata é perguntar: Por quê?

PRINCIPAIS TEORIAS[**]

Ao serem confrontados com a questão do mal, os seres humanos já tiveram várias explicações ao longo da História. Aqui estão algumas das mais representativas:

  • O mal não existe. Embora o mal pareça onipresente, alguns acreditam que ele realmente não existe. Para o filósofo Spinoza, como também para amplas seções da espiritualidade oriental, o mal é uma ilusão. Dessa visão otimista da vida, deduzimos que o mal existe porque não podemos compreender o Universo em sua totalidade. “O mal é simplesmente um erro de perspectiva que vem de nossa finitude e de nossa limitada visão das coisas.”[1] Assim, o homem sábio vê além da realidade imediata e entende que o que chamamos de “mal” faz parte da ordem do mundo. “Tudo o que existe é bom.”[2] Como muito é ignorado nessa linha de lógica, também podemos nos perguntar se o frio existe. Claro, todos nós sentimos frio em algum momento. No entanto, de acordo com as leis da física, o frio não existe realmente. O que consideramos frio é apenas um estado produzido pela ausência de calor em um determinado objeto ou lugar. O calor é de fato uma realidade mensurável, resultante da transferência de energia. As pessoas cunharam a palavra frio para expressar os vários graus de falta de energia. O mesmo acontece com a escuridão, que também não existe em si mesma. “Escuridão” é a ausência de luz. Assim, podemos estudar a luz, podemos medi-la e dividi-la em cores, mas não podemos analisar a escuridão, uma vez que é pouco mais que uma palavra, um termo reservado para descrever o que acontece quando não há luz. Da mesma forma, dizemos que o mal existe porque ao nosso redor vemos incontáveis formas de injustiça, violência e dor. Mas, na realidade, assim como o frio e a escuridão, o mal não tem existência objetiva. Mal é o nome que inventamos para descrever a ausência do bem.
  • O mal é positivo. Outros argumentam que o mal existe, mas apenas como uma realidade negativa, uma vez que está a serviço do bem. Aquilo que em dado momento parece ser um mal, sempre é, a longo prazo, útil e necessário, embora não o entendamos. Tomás de Aquino explicou o mal pela sua utilidade, dentro de um plano divino abrangente, no qual o mesmo pecado acaba por originar uma felix culpa (culpa feliz), porque permitiu que nos fosse dado o plano da salvação, que inclui a obra do Redentor. Assim, Deus usa o mal para o bem maior.[3] Interpretando a realidade de uma perspectiva hegeliana, evolucionista ou marxista, o mal é um inevitável subproduto da luta pela vida – da lei da selva ao conflito de classes – com o triunfo do mais forte e mais hábil sobre os outros. Mas, apesar dos danos colaterais que isso acarreta, o mal é, em última instância, uma realidade positiva que move a humanidade para níveis mais elevados e mais justos de desenvolvimento. Assim, eles argumentam, o bem e o mal são conceitos relativos e ambíguos. O que parece mal para nós pode ser nada mais do que um passo em direção a algo melhor. O mal é necessário para o progresso da História.
  • O mal é inevitável. Outros ainda afirmam que o mal é consequência da liberdade. A partir de uma perspectiva meramente humana, se analisarmos as causas diretas de nossos infortúnios, descobrimos que a maioria deles vem da violação das leis naturais ou de nossa flagrante agressão. Quando agimos livremente, podemos ferir outras pessoas e a nós mesmos. A falta de respeito para com os outros, na forma de mil e uma injustiças, traz miséria, desigualdade econômica, opressão social e política. Para o crente, se Deus respeita a liberdade de Suas criaturas, então Ele não tem escolha senão deixar a opção aberta para que elas ajam em seu próprio detrimento. Nosso livre-arbítrio é “o abismo que Deus não controla”.[4] Criar seres livres é correr o risco de que eles irão agir mal.[5] É claro que nós mesmos causamos a maior parte de nosso sofrimento com o nosso próprio egoísmo, ignorância, ganância e/ou ódio. Mas também é verdade que, embora a maioria de nossos infortúnios resulte mais ou menos diretamente de nossos atos, há outras formas de sofrimentos que não são explicadas tão facilmente. Nossa inteligência insiste em tentar explicar tudo, incluindo o enigma do mal. Mas nossos esforços fracassam. Todas as nossas teorias sobre a origem do mal se desmoronam quando são confrontadas com barreiras lógicas e áreas cinzentas, como se o mal fosse finalmente inexplicável. Toda essa dor injusta nos deixa perplexos quando tentamos compreendê-la, porque há sempre algo além de nossas capacidades analíticas. A “dimensão inexplicável” do mal que nos rodeia constitui um mistério sobre o qual não podemos calar nem falar baixinho, porque sentimos que nele, além do que é humano, há muito que é desumano e, talvez, algo sobre-humano.
  • Um Universo imparcial. Se existe um ser superior responsável pela ordem do Universo, ele deve ser infinitamente justo e, portanto, responsável por haver algum tipo de relação entre o que fazemos e o que acontece conosco. Se tudo o que acontece no mundo é devido à vontade divina, argumenta-se, então o sofrimento deve fazer parte desse plano; portanto, a coisa mais razoável a fazer é não lutar contra ela, mas suportá-la estoicamente, sem reclamar ou se rebelar contra o destino. Assim, a tensão desconfortável entre a bondade divina e o sofrimento humano terá uma explicação e será finalmente resolvida dentro de um plano universal. Dentro dessa perspectiva, o conforto para a dor deve ser buscado na submissão aos eventos, já que tudo é fruto da vontade divina. Inclusive o sofrimento dos inocentes? Antes de decidirmos a favor ou contra qualquer dessas teorias, devemos concordar que o mundo em que vivemos é governado por leis naturais, inescapáveis e imparciais, que nos afetam a todos – os bons, os maus e os não tão maus. Se eu cair de um penhasco, a lei da gravidade acelerará a minha queda, sendo eu um crente impecável ou se cair involuntariamente. Se o meu vizinho ficar bêbado e dirigir enquanto estiver intoxicado pela bebida, ele poderá perder o controle de seu carro, poderá se acidentar ou bater em alguém, mesmo não querendo. O ponto focal sobre as leis naturais é que elas são universais: funcionam da mesma maneira para todos. Na verdade, o que acontece no mundo depende tanto do funcionamento normal dessas leis quanto da violação das leis básicas da existência, ou do que chamamos de padrões morais. Se for devido à ignorância, estupidez, ou malícia, todos nós cometemos erros e causamos vários tipos de danos, voluntária ou involuntariamente. Seria possível um universo no qual as leis naturais operassem de acordo com a moralidade da pessoa que as desafiasse? Seria concebível – ou preferível – se os atos de um agressor contra sua vítima não tivessem consequências, caso a vítima fosse inocente? Da perspectiva de um cristão, levando-se em consideração a liberdade humana, deve a providência divina intervir para prevenir as consequências negativas das ações humanas? Considere este exemplo: um garoto derrama suco na camisa ao tomar seu desjejum. A mãe lhe diz para mudar de camisa antes de ir para a escola. O menino sai correndo de casa para não se atrasar e conseguir pegar o ônibus. O ônibus atropela a criança. De quem é a culpa? Do menino que não deveria ter sujado a camisa? Da mãe, por fazê-lo mudar a camisa? Do motorista do ônibus, por não estar atento? Em que nível desejaríamos que Deus tivesse interferido para evitar o acidente? Poderia ter ajudado a criança a comer sem sujar a roupa? Deveria ter tirado a obsessão da mãe com limpeza? Poderia ter freado o ônibus escolar no lugar do motorista? Se o Ser Supremo fosse intervir em qualquer desses níveis, Ele não estaria respeitando a nossa liberdade.[6] E “sem liberdade este mundo passaria a ser nada mais que uma máquina”.[7]

O PREÇO DA LIBERDADE

O filme Bruce Almighty narra a história de um jovem desesperado que, por causa de seus muitos fracassos na vida, deseja resolver seus problemas, mas possuindo poderes divinos. O Todo-Poderoso permite que ele tenha tais poderes por alguns dias. No entanto, os resultados são piores do que antes. O jovem descobre que há coisas que nem mesmo o próprio Deus pode fazer, porque essas são as regras do jogo para o nosso Universo: a vontade das pessoas não pode ser quebrada, nem as pessoas podem ser forçadas a amar. Essa parábola moderna nos ajuda a compreender o que acontece com o mal. A liberdade exercida sem que haja amor, isto é, fora do plano divino, prejudica nossos relacionamentos criando injustiça, sofrimento e dor.[8]

Se Deus é o Pai de todos nós, e Ele nos fez seres livres, é normal que nos deixe agir livremente, não importando o quanto possa nos doer e nos ferir. Sem liberdade não podemos falar de amor, considerando que o verdadeiro amor não pode ser forçado.[9]

No entanto, poderíamos ter a impressão de que “o mundo se desviou” do Criador, no sentido de que Ele não o controla completamente. Não porque Ele não possa, mas por respeito à liberdade de Suas criaturas. Criados à Sua imagem e dotados de inteligência suficiente, somos capazes de cuidar deste mundo e levá-lo na direção certa. Mas também somos capazes de destruí-lo e de destruirmos a nós mesmos. A fim de nos dar a nossa liberdade, Deus deve ter, temporariamente, “renunciado a ser onipotente”. Por essa razão, Ele pouco tem a ver com as nossas desgraças. Talvez, na teoria, Ele poderia nos poupar do sofrimento, mas, por respeito às nossas decisões, não o faz. Sua onipotência manifesta-se em Sua capacidade de prover um espaço para o exercício de nossa liberdade.

Alguns podem se perguntar por que o Criador não nos colocou em uma Terra de Cockaigne, uma espécie de Utopia, onde seria impossível sofrer, onde não teríamos escolha senão cumprir a vontade divina sem pensar ou tentar agir de modo diferente. Viveríamos sem responsabilidades e sem sofrimento. Seria essa uma situação mais desejável, significando uma existência sem liberdade e, portanto, sem consciência e sem amor?

Se existe liberdade, existe a possibilidade de tomarmos decisões erradas e de agirmos em detrimento de nosso próprio bem ou de nossos semelhantes. E então corremos o risco de sofrer ou fazer os outros sofrerem. Mas parece que um mundo com liberdade e, portanto, com o risco de haver sofrimento, é preferível a viver toda uma existência sem ela.[10]

UM GRANDE CONFLITO CÓSMICO

A Bíblia coloca o enigma do mal no contexto de um grande conflito cósmico entre o bem e o mal. O conflito começou com Lúcifer, o comandante dos anjos, que liderou uma rebelião no Céu contra o Deus Criador (Isaías 14:12-15, Apocalipse 12:7-9). Deus poderia ter destruído Satanás e seus seguidores instantaneamente, mas os demais seres inteligentes do Universo teriam duvidado de Seu amor e teriam obedecido a Ele por medo e não por amor.

Foi com essa rebelião de Satanás que o pecado teve sua origem. E assim Satanás introduziu o pecado na Terra. De acordo com o relato de Gênesis, Satanás tentou Adão e Eva, nossos primeiros pais, e eles caíram em desobediência contra a lei de Deus (Gênesis 3). Quando a lei de Deus foi quebrada, o pecado e sua consequente desordem e sofrimento apareceram.

O mal é, portanto, um intruso na criação perfeita de Deus. Empregamos o termo caído para descrever a situação da humanidade depois de usar sua liberdade de escolha para fazer o mal, e empregamos o termo pecado para denotar o estado dos seres humanos que estão separados de Deus. Podemos lutar contra as consequências dessa situação, mas, escapar delas, não é uma opção. Enquanto o conflito persistir, sofreremos as consequências. Um dia, porém, ficará provado, de uma vez por todas, que nossas aflições são o resultado do nosso afastamento de Deus.

Essa explicação do grande conflito cósmico pode ser bastante esclarecedora, desde que não seja usada para justificar o sofrimento. Sem dúvida, o sofrimento dos inocentes mostra quão dolorosas são as consequências da nossa insensatez e quanto melhor seria para todos se respeitássemos as leis de Deus. Mas justificar o sofrimento com base no Grande Conflito implicaria que o fim justifica os meios. Então, Elie Wiesel estaria certo ao se perguntar quanto sofrimento é necessário para provar aos habitantes do Universo que Deus é amor e que o diabo é um impostor.[11] Precisamos mais do que já temos? Quantas crianças abusadas, quantas vítimas da guerra, quantas pessoas que sofrem de fome precisamos para convencer a humanidade de nossa necessidade de colocar o amor em prática? Já não há sofrimento suficiente para Deus demonstrar que Ele está certo?

Na verdade, nós nos questionamos por que está demorando tanto para que o mal se acabe. Mas, quando paramos para pensar sobre isso, percebemos que esse problema, em certo sentido, se refere a nós pessoalmente, mais ainda do que a Deus.

Quantos anos precisamos para extrair algo da história de Caim e Abel? Quantas pessoas precisam morrer de fome para que nos tornemos solidários com aqueles que sofrem pela falta de comida? Quantos inocentes têm de ser torturados para nos convencermos de que a crueldade é um horror?

SOFRIMENTO E RESPONSABILIDADE

É claro que a degradação da harmonia do nosso ambiente aponta para a má gestão, pela qual, de alguma forma, todos nós somos responsáveis. O que está acontecendo na Terra, longe de ser fruto da vontade divina, é o resultado da soma absurda de todas as nossas vontades. Se Jesus nos ensinou a pedir a Deus na Oração do Senhor: “Seja feita a Tua vontade, assim na Terra…” (Mateus 6:10), é porque ela não é feita.

Somente por vivermos no mesmo mundo, com as consequências de nossas escolhas acumuladas, criamos um ambiente que molda as situações que perpetuamos. Ou seja, cada um de nós está implicado, desde o início, num contexto inevitável de solidariedade, para o bem ou para o mal. Embora sejamos as vítimas inocentes dos infortúnios herdados, cada um de nós cometemos nossas próprias iniquidades e erros, e assim, fazemos parte da “culpa” pela situação presente no mundo.

Reconheço que minhas respostas são insuficientes para responder à pergunta: “Por que o mal existe no mundo?” Descobri isso com meus alunos centenas de vezes. Mas, antes de voltar a isso, gostaria de salientar que, até agora, ninguém nunca me perguntou: “Por que o bem existe?” Nossos gritos de protesto – “Por que eu?” – quando algo ruim nos acontece, sugerem que todos nós nos consideramos, em maior ou menor grau, vítimas inocentes de balas perdidas.

De maneira marcante, podemos notar que o menor problema que temos que suportar nos deixa indignados, mas não levamos em conta todo o bem que recebemos no mundo. Considerando que somos capazes de criar a maior parte dos danos que vemos ao nosso redor, a questão pertinente não é: “Por que sofremos injustamente?”, mas, “Por que ainda estamos vivos?” Se acreditássemos que tudo vem do acaso e do caos, teríamos que concluir que o maior mistério não é por que o mal existe, mas por que o bem existe.

Se o mal não é um poder paralelo comparável ao bem, uma vez que não faz parte da criação original, então é, em certo sentido, evitável. Digamos que Deus permite que as coisas aconteçam como quando eu deixo meu filho andar de bicicleta. Uma coisa é permitir o prazer, durante o qual um infortúnio pode ocorrer, e outra coisa é causar ou querer que esse infortúnio aconteça.[12] É perigoso, portanto, falar do mal que Deus “permite” e que Ele poderia “prevenir” devido à Sua onipotência, pois Deus não exerce agora a plenitude de Seus poderes (ou está limitando o exercício deles até o fim do Grande Conflito), nem estamos respeitando Suas leis. Esse atributo divino se manifestará no final dos tempos, uma vez que inclui também o poder que Ele tem para tornar Sua realidade ideal.[13] Entretanto, devemos observar o que Deus fez especificamente na História, o que Ele está fazendo e o que promete fazer para resolver o problema do sofrimento. Se Deus continua a respeitar nossa liberdade, podemos escolher respeitar a dEle também e nEle confiar.

VISLUMBRES DE ESPERANÇA

Uma vez que Deus é amor (1 João 4:8), Ele só pode desejar o melhor para as Suas criaturas. Portanto, podemos confiar em Sua bondade e, ao mesmo tempo, lutar contra os erros que há no mundo, causados por nosso afastamento de Seus planos. Confiamos na misericórdia divina, apesar de experimentarmos o sofrimento, porque sabemos que o Criador também abomina a dor (Romanos 8:31-39), e Ele planejou o seu final (Apocalipse 21:1-4). Sabendo que o mal só pode ser superado pelo bem (Romanos 12:21), procuramos soluções temporárias, enquanto esperamos o cumprimento das promessas divinas no futuro. O que já sabemos e entendemos sobre Deus nos permite ter fé nEle, apesar de não sabermos ou entendermos tudo.[14]

Os grandes mestres da espiritualidade viram um caminho de volta à solidariedade para com os outros e ao reconhecimento da bondade do plano divino. C. S. Lewis, por exemplo, escreveu: “Deus não Se importa em ser o último recurso para Suas criaturas.”[15] Muitos de nós teríamos nosso orgulho ofendido se as pessoas batessem em nossa porta somente quando precisassem de algo. Mas Deus nos aceita de qualquer maneira, porque Ele nos ama com um amor absoluto.

A religião pode realmente trazer às pessoas o alívio ou o encorajamento de que necessitam em seu estado de sofrimento. Entretanto, o sentimento de necessidade de ajuda, incluindo a ajuda divina, não é uma fraqueza. A consciência de nossos limites não é apenas realista, mas também necessária para viver uma vida plena. Uma pessoa que nunca sente sede e, portanto, não bebe água provavelmente morrerá, porque a água é essencial para a sobrevivência, e a sede é o mecanismo de proteção que nos lembra periodicamente de nossa necessidade de água. Uma vez que não podemos atingir objetivamente nosso destino final sem Deus,[16] nossa sede por Ele é um sinal de saúde espiritual. Não sentir essa necessidade seria um sinal perigoso de que algo não está funcionando bem. A descoberta de nossa necessidade de Deus é o primeiro passo para obtermos Sua ajuda.

É por isso que nossos esforços são gastos da melhor maneira não tentando explicar o mal,[17] mas tentando combatê-lo. Ao assim fazermos, nós nos unimos nessa luta cósmica pelo bem, encorajados pela convicção de que o Criador compartilha de nosso sofrimento, de alguma forma. Esperamos, aguardando o fim da guerra, mas sabemos que a batalha crucial já foi vencida e “que nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Romanos 8:18). Enquanto isso, enquanto as escaramuças continuam com seus devastadores danos colaterais, Deus nos diz: Persevere. Confie em Mim. Um dia a dor desaparecerá. Eis que faço novas todas as coisas. Enquanto isso, Eu estou com você!

Biblia.com.br

___________________

[*]Roberto Badenas PhD pela Universidade Andrews, Berrien Springs, Michigan, EUA, aposentou-se em 2010, depois de uma vida de serviço à Igreja Adventista do Sétimo Dia na Europa, ocupando vários cargos como pastor, professor, administrador, decano do Seminário Teológico na Universidade Adventista da França (Collonges-sous- Salève), presidente do Comitê de Pesquisa Bíblica e diretor do Ministério da Família e de Educação para a Divisão Intereuropeia. O Dr. Badenas é autor de inúmeros livros. Suas publicações foram traduzidas para o espanhol, francês, alemão, italiano, português, romeno e catalão.

[**] Este artigo é uma versão editada e abreviada do original publicada no livro Facing Suffering: Courage and Hope in a Challenging World (Madrid, Sapain: Safeliz, 2013). Impresso com permissão e postado em http://dialogue.adventist.org

NOTAS E REFERÊNCIAS

[1] Ethics, III, prefácio; cf. Metaphysics 1072. Ver também, Jonathan Bennett, A Study of Spinoza’s Ethics (Indianápolis, Ind.: Hackett, 1984), p. 276-277; para discussão, ver R. L. Delahunty, Spinoza (London: Routledge & Kegan, 1999), p. 227-231.
[2] Alexander Pope (1688-1744). Cf. Augustine, Confessions, livro 7, Capítulo 12.
[3] Tomás de Aquino, Summa Theologica, Pergunta 48.
[4] Nikolai Berdyaev, Slavery & Freedom (Hillsdale, N.Y.: Sophia Perennis, 1939, 2009).
[5] “O pecado surge porque as pessoas deliberadamente violam a ordem de Deus. Com certeza, Deus poderia haver impedido isso criando seres humanos de forma diferente. Mas então seríamos como bonecos ou máquinas obedientes, incapazes de experimentar a bem-aventurança que só pode ser alcançada ao escolhermos livremente o bem” (S. Singh, Wisdom of the Sadhu [Robertsbridge, UK: Plough Publishing House, 2011], p. 77).
[6] Ver Richard W. Coffen, Where Is God When You Hurt? (Hagerstown, Md.: Review and Herald, 1995), p. 3-29.
[7] Citação atribuída a Henri Lacordaire (1802-1861), padre francês que ficou notabilizado por seu comprometimento social.
[8] Viver em liberdade, embora seja importante, não é tudo: o respeito mútuo é essencial. “Devemos aprender a viver juntos como irmãos ou morrer juntos como tolos” (Martin Luther King Jr.). “A liberdade não é o direito de fazer o que queremos, mas o que devemos” (Abraão Lincoln, 1809-1865).
[9] O amor verdadeiro “não é forçado” (1 Coríntios 13:5, The Message).
[10] Ver Lawrence W. Wilson, Why Me? Straight Talk About Suffering (Kansas City, Mo: Beacon Press, 2004), p. 35.
[11] Elie Wiesel, Night (New York: Bantam Books, 1982), p. 61-62.
[12] Ver Elie Wiesel, The Trial of God (New York: Shocken Books, 1995).
[13] Para discussão da teodiceia e outras questões, ver Jürgen Moltmann, The Crucified God: The Cross of Christ as the Foundation and Criticism of Christian Theology (London: SCM Press, 1973).
[14] “No final, todas as razões serão reveladas, todo o sofrimento explicado, todas as perguntas respondidas. Entretanto, o desafio da dor não é buscar respostas, mas encontrar fé, confiar em Deus não por causa do que sabemos, mas apesar do que não sabemos” (Wilson, Why Me? p. 54).
[15] C. S. Lewis, The Problem of Pain (Glasgow: Fount Paperbacks, 1990).
[16] Agostinho de Hipona: “Senhor, Tu nos criaste para Ti, e nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Ti.”
[17] Cf. Alvin Plantinga, God, Freedom and Evil (New York: Harper & Row, 1974), 54; C. S. Lewis, Mere Christianity (New York: Touchstone, 1980), p. 45, 46.© Comissão de Apóio a Universitários e Profissionais Advenstistas (CAUPA)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia a Biblia

Fale Conosco

Envie suas sugestões ou solicite informações